terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ENSAIO SOBRE NOSSAS PEQUENAS MORTES DIÁRIAS, por Roberta Simão


Velho-Homem-Pintura-de-Van-Gogh.jpg (Homem Velho - Van Gogh)
Há um mistério que intriga a maioria dos seres racionais desse planeta: a falta de controle sobre a nossa morte. Intelectuais e poetas sempre manifestaram sua admiração por este tema. Enxurradas histéricas de novas invenções tecnológicas são nossas cúmplices no sentimento cego de poder e controle sobre todas as coisas. Juntas e tacanhas convivem a era do controle, a era touch, a era glass e tantas outras histerias tecnológicas, que nos fazem sentirmos capitães das fragatas nas ondas da internet e de nossas vidas.
O fato é que muita gente já morreu alguma vez e nunca desconfiou disso. Inclusive você, não obstante eu. Porque a gente morre quando levanta da cama e já corre para olhar o celular. Morre de monotonia, de inércia, de marasmo, de falta de sonhos e de sonhos não realizados. A gente morre de medo de por o dedo em riste na cara do próprio medo e de pegar a coragem e seguir caminhando.
Morremos de medo de trocar hábitos, de mudar de ideias, convicções, de ver as coisas por outra perspectiva e damos um repeat automático nos comportamentos viciados e ranzinzas. Morremos de medo de olhar para o espelho da consciência e encarar os olhos nada atrativos das verdades de nossa alma, pois os reflexos geralmente são indigestos e desagradáveis. Morremos de medo de colocar em pratos limpos as mazelas de uma relação corroída, mas sustentada, apesar do visível desgaste, devido à insistência do amor que já não é mais o mesmo, mas que poderia voltar a ser ainda melhor se fossemos viscerais e honestos com nós mesmo e com o outro. Morremos na reincidência infinita de conhecidos ranços e defeitos, dos outros, e nossos. Morremos quando não somos coerentes com o que sentimos.
Chico Buarque já cantava sobre o tema em sua música Cotidiano: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me acorda às 6 horas da manhã”. Também na música Construção: “Beijou sua mulher como se fosse lógico. Ergueu no patamar quatro paredes flácidas. Sentou pra descansar como se fosse um pássaro. E flutuou no ar como se fosse um príncipe. E se acabou no chão feito um pacote bêbado. Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.
A-Persistencia-da-Memoria.jpg ( A persistência da memória - Dali)
Na verdade, vivemos cercados de óbitos commoditizados, sem cara nem desejos. E não sabemos de que forma sair de tão grande e paraplégica falta de competência de atitudes. Morremos de frio na alma e de falta de verdades. De amor encoberto e não depurado pela falta de coragem e por excesso de orgulho. De afeto endurecido e estancado. De gentileza não manifestada numa fala que deveria ser doce. Morremos de egoísmo e de falta de sensibilidade. Morremos de silêncios e escapismos. Não botamos para fora o que não nos agrada por medo de julgamentos. Morremos de preconceitos, de inveja, de ódios e opilações de fígado. E juramos que esses sentimentos, totalmente anti-civilizados e sem elegância, se manifestam e pertencem apenas aos outros. Também se morre de arrogância, de presunção, de soberba. Morre também quem permite que a paixão morra no sexo e que faz amor fingindo prazer, como quem come um mil folhas com o nariz completamente entupido.
Muita gente também morre de mediocridade. Pessoas que não são capazes de reconhecer o valor e os grandes feitos do outro. Sem saber que esta atitude só demonstra sua fraqueza comissiva de alma e que a mediocridade anda de mãos dadas com inveja. Muita gente morre de orgulho e nunca pensa na possibilidade de ceder. Gente que nunca conheceu a grandiosidade do ato de perdoar, do conforto de um abraço de perdão e do discurso sem máscaras.
Urgente! É preciso ter coragem e força de personalidade para olhar para dentro de si e, identificar essas pequenas mortes diárias. Fazer delas o combustível para catarses existenciais que melhorem cada um como ser humano. Que nos possibilite ver e ter uma vida com mais honestidade, ética, sensibilidade, poesia, densidade e amor. Ter a coragem de trocar nossas pequenas mortes de cada dia por sobressaltos cheios de cores, beijos úmidos e risadas altas, prontas para ocupar os palcos de uma vida mais verdadeira e se refestelarem soltas ao sabor do vento sem nenhuma amarra ou máscara. Vida longa e muito amor a todos que se dispuserem ao desafio.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL AOS AMIGOS DO BLOG

É interessante perceber que apesar de o Natal ser uma festa sempre celebrada  no final de cada ano, não há como não se deixar contagiar pela magia que data nos traz. Sem dúvida, o nascimento de Jesus Cristo é um acontecimento único, singular, que mudou a história da humanidade.
Sabe-se, entretanto, que se tornou comum o desvirtuamento do  sentido maior da festa, em face do apelo capitalista e  em razão  de um consumismo desenfreado que se tornou regra geral nas festas de final de ano. Nesse frenesi, esquecemos que celebrar o Natal é elevar-se espiritualmente, permitindo-nos refletir sobre as nossas ações e comprometendo-nos com uma transformação que nos torne mais irmãos,  fraternos e acolhedores, na verdadeira acepção do pensamento cristão.
As mensagens deixadas pelo Salvador são simples e direta: “Amai-vos uns aos outros” e “Não façais ao outro, aquilo que não queres que te faça”. Todavia, se vivenciadas na sua plenitude resgatariam a humanidade desse abismo existencial a que está submetida, cuja consequência se revela no crescimento da violência, na destruição da família, no desarranjo da sociedade e nas doenças da alma.
Seremos melhores à medida que direcionarmos nossas vidas em consonância com os  princípios ensinados por Jesus Cristo  durante sua passagem terrena. Com Ele aprendemos a amar verdadeiramente, a perdoar sempre, a respeitar o próximo, a não inquietar-se com as adversidades da vida. Com Ele nos tornamos mais humildes, receptivos, melhores. E o que é mais importante: Aprendemos a Servir. E de fato “servir” resume toda a nossa missão na terra. Mas para isto é preciso que  cada um de nós lute, sem cessar e sempre,  contra os inimigos invisíveis que nos impedem de viver na Luz, isto é , o egoísmo, a arrogância, a inveja e a empáfia. Para sobrepujá-los é preciso um exercício diário, guiado pela palavra de Cristo. É esse o verdadeiro espírito de natal. FELIZ "VERDADEIRO " NATAL A TODOS!

P. S. O Blog entrará de recesso até o ano de 2015. Forte abraço a todos. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

O STF tem pressa, POR MERVAL PEREIRA


Ao homologar a delação premiada do doleiro Alberto Yousseff e, ao mesmo tempo permitir que o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot desmembre os depoimentos do doleiro e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para fazer denúncias individuais ou por pequenos grupos, o relator do processo do petrolão no Supremo Tribunal Federal , ministro Teori Zavascki deu uma demonstração de que quer adiantar ao máximo o andamento do processo, e também já indicou que sua tendência ė aceitar a abertura do inquérito quando chegar o pedido do Ministério Público no fim do recesso da Justiça, em fevereiro. 
O processo do petrolão, ao contrário do do mensalão, será julgado pela 2 turma do STF, presidida por Zavascki e composta pela ministra Carmem Lúcia e pelos ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes, ficando faltando ainda o novo ministro que será indicado para a vaga aberta pela saída de Joaquim Barbosa.
Os políticos, no entanto, estão reagindo a essa mudança, e o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, que aparece na lista dos envolvidos denunciados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já havia entrado com com Ação Direta de inconstitucionalidade (Adin)  questionando a reforma regimental que transferiu do plenário para as turmas do STF o julgamento de parlamentares em processos criminais. 
Na verdade, o processo do mensalão paralisou as atividades do plenário do Supremo por diversos meses, e os ministros resolveram que o pleno só discutirá matérias constitucionais não penais, ou recursos que tenham repercussão geral. Os parlamentares rebelaram-se por duas razões: nas turmas, formadas por cinco membros cada - o presidente do Supremo não participa das turmas - bastam três votos para a condenação de um réu, e também o novo regimento manteve o julgamento pelo plenário dos presidentes da Câmara e do Senado, o que mostra uma diferença de tratamento que não está prevista na Constituição.
No petrolão, por exemplo, estão na lista dos possíveis réus os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara,  Henrique Eduardo Alves. Este, como não se reelegeu, se denunciado pelo Procurador-Geral e aceito pelo relator Teori Zavascki, deverá ter o processor transferido para a primeira instância na Justiça do Paraná.
Mas se o atual presidente da Câmara for indicado para o ministério do segundo governo de Dilma, como pretende o PMDB,   manterá o foro privilegiado. Mas como nomear um ministro que provavelmente estará sendo julgado pelo Supremo meses depois da indicação? Certamente por essas e outras a presidente Dilma fez uma confidência à presidente da Argentina Cristina Krieger que foi captada por um microfone aberta em recente reunião do Mercosul: "Está difícil escolher os ministros", comentou.
Por essas e outras, também, o juiz Sergio Moro e o Ministério Público deixaram para a última etapa do processo a relação com os nomes do políticos envolvidos. A capacidade de pressão dos congressistas é superior até mesmo à dos empreiteiros, e a partir de fevereiro veremos um desfile de políticos com mandato fazendo ameaças ao Supremo e pressionando o Palácio  do Planalto, especialmente na escolha do novo ministro que comporá a 2 Turma. 
A escolha desse novo integrante do STF estará cercada de interesses políticos, com a oposição também disposta a sabatiná-lo duramente. As sabatinas no Senado nunca mais serão iguais às anteriores, quando nenhum ministro indicado foi barrado e todos recebiam elogios até mesmo dos oposicionistas. Um caso como o do ministro Dias Toffoli, indicado para o STF depois de ter sido advogado do PT e do ex-ministro  José Dirceu, hoje teria difficuldade de ser aceito pelo Senado. 
O petrolão promete ser mais rápido que o mensalão, e com influência política mais forte. Se no mensalão o principal ministro do governo Lula foi condenado, no petrolão  estará em jogo até a atuação da presidente Dilma, já que uma das acusações é de que ela é o ex-presidente Lula sabiam de tudo o que acontecia na Petrobras, e o ex-ministro Antônio Palocci está arrolado como um dos favorecidos com dinheiro desviado da Petrobras para financiar a campanha presidencial de 2010, em que foi um dos coordenadores da candidata Dilma Roussef.
Paralelamente, estará correndo o processo contra a Petrobras nos Estados Unidos, e certamente o resultado de lá influenciará o de cá, e vice-versa . 

Assembleia Legislativa aprova reajuste dos servidores públicos estaduais

VotaçãoVotaçãoFoto: Dário Gabriel
A Assembleia Legislativa aprovou em Plenário, na tarde desta sexta-feira (19/12), o reajuste dos servidores públicos do Ceará - tanto no Executivo, como no Legislativo e Judiciário. O reajuste de 6,45% está previsto nas seguintes mensagens: n° 7.710/2014, que acompanha o projeto de lei n° 135/14, oriundo do Executivo; n° 7.711/2014, que acompanha o projeto de lei n° 136/14, de autoria do Executivo; n° 01/2014, que acompanha o projeto de lei n° 137/14, oriundo do Poder Judiciário; n° 2/2014, que acompanha o projeto de lei n° 138/14, de autoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE); n° 03/2014, que acompanha o projeto de lei n° 139/14, oriundo do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM); e a de n° 3/2014, que acompanha o projeto de lei n° 140/14, de autoria do Ministério Público. Já os reajustes dos servidores do Legislativo estão previstos nos projetos de lei n° 98/14 e n° 99/14, de autoria da Mesa Diretora da Casa. 

Percentual do reajuste: 6,45% a partir de 1º de janeiro de 2015 

ÚLTIMOS DIAS DE GOVERNO: CID EM SOBRAL

orgulho tropical
O Governo do Estado, por meio da Secretaria das Cidades, entrega nesta segunda-feira (22), 700 unidades habitacionais do Residencial Orgulho Tropical, em Sobral. Situado no Bairro Cidade José Euclides, o empreendimento integra a carteira de projetos do Programa Minha Casa, Minha Vida no Ceará.
Os imóveis compõem a primeira fase do residencial (Orgulho Tropical I), que já teve outros 400 imóveis entregues a famílias com renda de até R$ 1,6 mil. Os apartamentos contam com 42,9 m², dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. A solenidade de entrega será às 16 horas.

Banco do Brasil lança edital para concurso público


O Banco do Brasil liberou nesta sexta-feira (19), o edital de abertura da seleção 2/2014/002 do Banco do Brasil S/A voltado à formação de cadastro de reserva para o cargo de Escriturário. São oportunidades para os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.

Podem concorrer candidatos com nível médio completo, com idade mínima de 18 anos e aptidão física e mental, que efetuem inscrição de 22 de dezembro de 2014 a 19 de janeiro de 2015 pelo link que será disponibilizado no endereço eletrônicowww.cesgranrio.org.br  A taxa é de R$ 40,00.

Será aplicada avaliação de conhecimentos, eliminatória e classificatória; seguida por prova de redação eliminatória, em todos os municípios para os quais são destinadas às vagas. Os classificados nas seleções externas 2012/003, 2013/001 e 2013/002 têm asseguradas as suas contratações, até o término da validade desses certames.

A seletiva tem vigência de um ano e pode ser estendia uma única vez, por igual período.

Para saber mais informações, clique AQUI.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cid Gomes dá nota 6,6 para o próprio governo

O Bom Dia Ceará exibiu nessa quinta-feira (18) entrevista exclusiva com o governador, concedida nesta quarta-feira no Palácio da Abolição. A poucos dias do fim do mandato, Cid Gomes avaliou os oito anos de gestão e atribuiu a nota 6,6 a seu governo. O governador afirmou não ter recebido convite para o Ministério da Educação e declarou que "política deve estar fora da polícia''.

Ministério
Ele negou ter recebido convite para compor o ministério do governo Dilma. “Nunca a presidenta [Dilma Rousseff] deu nenhuma declaração sobre isso e eu nunca afirmei que tinha sido convidado, consultado, ou qualquer coisa pela Presidência da República. Então, isso tudo é especulação”, afirmou o governador.

Polícia
Cid criticou o que chamou de ''movimento político'' dentro da Polícia Militar do Ceará. "Eu sempre achei que política não deve se misturar com algumas coisas, com polícia então nem pensar. Política deve estar fora da polícia. E o que há hoje, claramente, é um movimento político. Eu tenho muito carinho, o maior respeito. Acho que fiz pela PM o que nunca ninguém tinha feito''.

Futuro
Após a transmissão de cargo no dia 1º, ele pretende esperar o nascimento do terceiro filho, marcado para 10 de janeiro. Mas, já no dia 13, embarca para os Estados Unidos onde deve trabalhar em uma instituição que atua financiando projetos sociais. Para além disso, o gestor disse não ter planos de voltar a ser governador. “Eu acho que não devo, não devo pensar nisso. (…) É bom que na vida pública a gente tenha renovação. Tenho certeza que Camilo será um bom governador”, declarou.

Avaliação de governo
 O governador disse ainda que um dos pontos altos de sua administração foi o investimento em infraestrutura. “Um governo deve buscar, atrair, impulsionar a iniciativa privada a gerar empregos. Isso é fundamental. (…) Pra isso acontecer um condicionante fundamental é que o governo invista em infraestrutura”, disse ele, ressaltando que o Ceará é o único estado do Nordeste a apresentar um número crescente na oferta de empregos nos últimos anos.

Para assistir a entrevista na íntegra, clique AQUI

QUEM TEM MEDO DA CRISE? Por Alfredo Assumpção

"Nascido em 1950, creio ter sido vacinado contra a síndrome da crise. É que, desde que me entendo por gente, venho convivendo com crises, sejam institucionais, políticas ou econômicas, o que as tornou lugar comum na minha existência enquanto ser humano seja no meu período como estudante e mesmo mais tarde como chefe de família, executivo ou empresário. Definitivamente, deixei de me amedrontar com as mesmas, passando mesmo a tirar proveito dos momentos de crise para melhorar meus negócios ou minha vida pessoal. É quando podemos fazer reflexões e, em função disso, proceder aos ajustes necessários melhorando nossa base instalada para ganhar no médio prazo.
Rapidamente, sem que nenhum brain storm seja necessário e fixando-nos apenas nos nossos problemas internos, a partir do meu nascimento me vem à mente fatos como a morte do presidente Getúlio Vargas; a renúncia do presidente Jânio Quadros; a tomada do poder pelos militares e sua revolução de 1964; o Ato Institucional Nº 5 em 1968; as idas e vindas e lutas políticas para retomada do poder pelos civis; a morte do presidente eleito Tancredo Neves em 1985; a moratória da dívida externa em 1986; os planos econômicos mirabolantes como Cruzado, Verão, Cruzeiro Novo e outras bobagens econômicas; o impeachment do presidente Fernando Collor em 1992; e as crises em cascata de 1997 a 1999. Embora envolvendo países asiáticos, a Rússia e a Argentina, essas crises nos atingiram em cheio em janeiro de 1999, quando o Brasil teve que desvalorizar sua moeda, o Real, criando uma expectativa de prenúncio de uma catástrofe econômica para o país, o que, felizmente, não se deu. Em suma, depois de todas essas tormentas, como um náufrago otimista sempre me encontrei são e salvo para enfrentar mais crises.
O governo da década de 1990, que envolve Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, foi responsável por diversas reformas importantes: Saneamento do Setor Financeiro Brasileiro, Redução do Estado com um projeto ambicioso de privatizações, Implementação da Lei de Responsabilidade Fiscal, Controle da Inflação, Criação de Agências Reguladoras, Crédito Consignado, Lei de Falências, Garantia para Empréstimos Imobiliários, etc. Aqui já começamos um processo de sobreposicionamento ao governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, que chega em 2002. Este, humildemente e inteligentemente, dá continuidade pelos próximos anos ao que havia sido plantado a sangue, suor e lágrimas, mas com coragem e esmero técnico pelo governo tucano. Então tivemos um surto de crescimento até 2010. A partir daqui começaram nossos problemas.
Sem que a maioria dos brasileiros percebesse, vivenciamos no período de 2011 a 2014, em média, o pior crescimento econômico do país dos últimos 50 anos. Basta comparar o crescimento do PIB brasileiro contra o crescimento do PIB mundial, presidente a presidente, no mesmo período. Então, há que destacar esta tal “crise invisível”. Enfrentamos nos últimos quatro anos a pior crise do Brasil nos últimos 50 anos. Ora, é EVIDENTE QUE SAIREMOS DESTA PARA MELHOR COMO SEMPRE FIZEMOS. O Brasil é grande, gigante pela própria natureza, e sairá ileso desta crise. Voltaremos a crescer, não importa com quem. A instituição Brasil é mais forte.
Se a presidente Dilma Rousseff capitaneou esta crise, que teve, evidentemente, também o agravante da desvalorização das commodities no mercado internacional (ainda principais itens de exportação do Brasil), ela começa seu segundo mandato com um belo sinal de que quer acertar agora nesses próximos quatro anos, a partir da escolha da sua equipe econômica. Creio firmemente que se ela deixar a equipe econômica trabalhar, cuidando, ela, apenas do seu papel político, e deixar de intervir em assuntos técnicos, relacionados à macroeconomia e mesmo microeconomia, coisa que não domina, o país sai desta para melhor, com índices espetaculares de crescimento econômico.
Para tanto, basta seguir o exemplo de seu principal benfeitor, o ex-presidente Lula, que se absteve de trabalhar assuntos neste campo, deixando que seus técnicos cuidassem dos mesmos para que pudesse praticar “política” na acepção da palavra, seja no Brasil ou no exterior. Então, contamos com esta atitude por parte da nossa presidente para sairmos da crise. Se assim fizer, a confiança internacional retorna e com ela os investimentos estrangeiros. Vejo um céu de brigadeiro para o país nos próximos quatro anos. Só depende da nossa presidente desempenhar apenas o seu “papel político”. Sou otimista quanto a isto. O PT precisará fazer um governo espetacular nestes próximos quatro anos se quiser permanecer no poder. E ele gosta de poder.
Alfredo Assumpção é Chairman & Partner do Grupo Fesap, holding das empresas Fesa, Asap Recruiters e Fesa Advisory.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Desembargador Paulo Albuquerque recebe homenagem da Corregedoria Geral da Justiça do Ceará


O desembargador Paulo Airton Albuquerque Filho foi homenageado, nessa sexta-feira (12/12), pelos serviços prestados na elaboração do Código de Normas do Serviço Notarial e Registral do Estado. Durante o lançamento da obra no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), recebeu uma placa do corregedor-geral da Justiça, desembargador Francisco Sales Neto.

Na ocasião, o corregedor-geral ressaltou que o desembargador Paulo Airton “abraçou esse desafio de atualizar nosso Código de Normas, desde o início dos trabalhos, fornecendo valiosa contribuição”. Para o homenageado, o documento é importante devido à intensa evolução dos registros públicos no Brasil. “É dever desta Corregedoria de Justiça proceder à revisão destas normas, de forma periódica e sistemática, com o objetivo de incorporar tanto as evoluções do ordenamento jurídico, quanto melhores práticas em relação à aplicabilidade”, disse.

O magistrado destacou a atuação do corregedor-geral, que coordenou os trabalhos para a elaboração do Código. “Não poderia finalizar sem reconhecer e louvar a iniciativa e o trabalho realizados pelo eminente desembargador Francisco Sales Neto à frente da Corregedoria, que nos permitiu, sob sua coordenação, a conclusão desse trabalho que muito nos honrou e nos encheu de alegria”.

Também participaram do evento os desembargadores Francisco Lincoln Araújo e Silva, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no exercício da Presidência; Emanuel Leite Albuquerque e Francisco Gomes de Moura.

Presentes ainda o advogado Marcelo Mota, representando o presidente da Ordem de Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB/CE), e Ana Teresa Araújo Mello Fiúza, presidente da Associação Cearense dos Registradores de Imóveis (ACREI), além de representantes do Sindicato dos Notários, Registradores e Distribuidores do Estado (Sinoredi/CE), da Associação dos Notários e Registradores do Ceará (Anoreg/CE) e da Central Estadual de Contratos de Alienação Fiduciária (Cecaf).

CÓDIGO
O Código de Normas entrará em vigor a partir do dia 2 de janeiro de 2015. O documento estabelece normas a respeito dos deveres e vedações dos notários, do atendimento ao usuário, dos livros e pastas obrigatórios e da lavratura dos atos notariais e registrais.


Determina ainda procedimentos relacionados ao registro civil de pessoas naturais; de indígenas; reconhecimento voluntário de paternidade socioafetiva; registro de união estável; casamento; e óbito. Também disciplina sobre os titulares, responsáveis, escreventes e auxiliares dos cartórios, da lavratura da escritura pública de declaração de convivência de união estável homoafetiva, entre outros.


DO BLOG: Muito nos orgulha como massapeense a trajetória de Paulo Albuquerque. Com menos de um ano desde que tomou posse como Desembargador, sua atuação na magistratura de 2º grau vem ganhando destaque e sendo reconhecida pelos seus pares. Parabéns!!! Sempre tive a convicção de que Paulo Albuquerque faria a diferença!!!

Governo, Prefeitura e Tribunal de Justiça entregam títulos a beneficiários do Programa Papel da Casa

Desembargado Paulo Albuquerque representou o Presidente do Tribunal de Justiça
o
O desembargador Paulo Albuquerque participou, nesse sábado (13/12), da solenidade de entrega de títulos de propriedade de imóveis a 850 famílias beneficiadas pelo Programa Papel da Casa. O evento, realizado no Centro de Eventos, em Fortaleza, foi conduzido pelo governador do Estado, Cid Gomes.

O Programa é uma iniciativa do governo estadual, por meio da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), Prefeitura de Fortaleza e Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) com o objetivo de regularizar a situação fundiária de unidades habitacionais financiadas pela Companhia de Habitação do Ceará (Cohab).Em agosto de 2013, foi assinado convênio de cooperação entre o TJCE, Governo do Ceará e Prefeitura Municipal de Fortaleza para facilitar a liberação de escrituras e viabilizar o registro definitivo dos imóveis. Entre os benefícios, houve remissão e isenção de tributos municipais, suspensão da taxa administrativa da Cohab e redução de 70% das custas dos cartórios.

Durante a solenidade, o governador Cid Gomes ressaltou a importância da cooperação. “O segredo é fazer de um jeito criativo. A grande resposta se chama parceria, reunindo Governo, Prefeitura e Tribunal de Justiça, que abriram mão de taxas e receitas. Assim conseguimos viabilizar esse programa. Faz diferença quando se tem realmente solidariedade e compromisso de atender a quem mais precisa”.

O desembargador Paulo Albuquerque, que representou o presidente do TJCE, desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido, afirmou que o Tribunal não poderia deixar de dar apoio a essa iniciativa. “Quando fomos chamados a participar dessa parceria, o TJ convocou uma reunião do Pleno e os 43 desembargadores, por unanimidade, apoiaram a resolução que reduziu em 70 por cento o valor dos emolumentos cartorários”, disse o magistrado.

O prefeito Roberto Claudio também destacou a importância da parceria. ”Essa iniciativa formulada e pensada pelo governador Cid Gomes só pode ter sucesso quando tem parcerias, como ocorreu com a participação da Prefeitura e Tribunal de Justiça, para garantir a propriedade do imóvel a pessoas que não tinham esse direito formal”, ressaltou.

A solenidade contou com a presença do secretário de Planejamento e Gestão, Eduardo Diogo; do secretário especial dos Grandes Eventos, Ferrucio Feitosa; do presidente do Instituto de Planejamento de Fortaleza, Eudoro Santana; de cartorários e demais convidados.

(Com informações da Assessoria de Comunicação da Seplag)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Onde mora a corrupção? por WALTER MAIEROVITCH

Girolamo maria moretti era um franciscano capaz de inferir de um autógrafo as características psicológicas do subscritor. Moretti, no entanto, não ficou conhecido pelas suas contribuições à grafologia, mas por uma frase sobre corrupção em que usou como referência aquela já considerada Caput Mundi: “Quanto mais perto você estiver de Roma, mais distante estará do céu”.
Na semana passada, descobriu-se uma máfia autóctone em Roma, batizada de Mafia Capitale. Essa organização delinquencial desfalcou os cofres da prefeitura de Roma e estabeleceu-se mediante infiltração no poder, violências, desumanidades e uso de interpostas pessoas jurídicas nas falcatruas.
Para a mídia europeia ocorreu um vultoso assalto aos cofres públicos capitolinos e um peculiar escândalo, pois dessa vez as empreiteiras e os políticos foram os que buscaram a parceria mafiosa. Entre brasileiros isso tudo não representa novidade e, quanto aos valores monetários subtraídos por lá, caso comparados com o que foi “afanado” aqui, não passam de trocados para os alfinetes, para usar uma expressão avoenga.
pool dirigido por Giuseppe Pignatone, procurador-chefe do Ministério Público de Roma, investigou nos dois últimos anos a administração municipal do ex-prefeito Gianni Alemanno (2008-2013), político da direita radical, berlusconiano e filofascista, investigado por suspeita de participar e acobertar o esquema de corrupção: o dinheiro foi parar no caixa da Fundação Nova Itália, que cuida do seu projeto político. Na operação de desmantelamento chamada Mondo di Mezzoforam presos 36 suspeitos, incluídos o chefão da organização mafiosa e o seu braço direito.
capomafia chama-se Massimo Carminati e era conhecido por atuar, nos anos 70, como terrorista fascista nos Núcleos Armados Revolucionários (NAR). Depois disso, Carminati migrou para a organização pré-mafiosa romana conhecida por Banda della Magliana. Num confronto com a polícia na fronteira Itália-Suíça, perdeu um olho e ganhou o apelido de il Cecato (o Caolho).
Como muitas vezes o dinheiro promove a aproximação dos extremos, o braço direito do neofascista Carminati era o marxista Salvatore Buzzi, assassino que cumpriu a pena. Por lentes distorcidas, Buzzi, pós-cadeia, foi tido como protetor dos refugiados, empenhado na ressocialização de condenados e gestor de serviços públicos terceirizados,  cooperativas de campos de imigrantes.
Mafia Capitale caracterizava-se por ambiguidades ético-morais. Da boca dos seus associados saía um discurso político de matriz racista e xenófoba, semelhante à linha defendida no Europarlamento por Marine Le Pen. Contemporaneamente, entretanto, mantinha-se a exploração material dos campos de refugiados da periferia (campi rom) e desfrutava-se economicamente de imigrantes e ciganos: “Dá mais dinheiro do que o tráfico de drogas”, consoante interceptação telefônica.
Mafia Capitale corrompe e não mata e nisso se iguala às nove megaempreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Enquanto nesta Lava Jato calcula-se o desvio de 10 bilhões de reais saídos da Petrobras, a dupla mafiosa Caminati-Buzzi faturava, líquido e por ano, cerca de 50 milhões de euros. Numa interceptação telefônica, Buzzi não contém a euforia e diz: quest’ anno (1983)abbiamo chiuso com 40 milioni di fatturato. Só os contratos suspeitos da Petrobras somam 59 bilhões de reais. O doleiro brasileiro Alberto Youssef movimentou criminosamente 10 bilhões de reais, algo que certamente faria Caminati, no seu lugar, ser capaz de contar notas com o seu olho de vidro e sem errar com as moedas.
Enquanto a Mafia Capitale explorava o campo de nômades de Castel Romano e desviava 2,5% do valor contratual, Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras, driblava o conselho de administração da empresa de modo a fazer autorizar a compra da refinaria de Pasadena, um negócio de prejuízo superior a 1 bilhão de dólares. Das nove empreiteiras brasileiras envolvidas na fase Juízo Final da Lava Jato bloquearam-se 700 milhões de reais. Pedro Barusco, ex-gerente-executivo de engenharia da Petrobras, ofereceu devolver 100 milhões de dólares, enquanto Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento, ofertou 23 milhões de dólares que estavam depositados em conta bancária na Suíça. Ele também colocou à disposição alguns trocados, totalizando 2,8 milhões de dólares, em Cayman.
No Brasil, fala-se no envolvimento de 30 políticos no esquema de propinas e, na Mafia Capitale, temos um ex-prefeito investigado e afastado o presidente do conselho municipal capitolino.
Na verdade, os associados à Mafia Capitale são diletantes, se comparados com os gatunos da cleptocracia brasileira.

A educação no Brasil vai mal? por YVONNE MAGGIE

Escola de ensino médio
Meus amigos, vamos falar de educação, tema ao qual tenho me dedicado e sobre o qual já me referi  em muitos posts. No dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, li no jornal “O Globo” a notícia com os dados mais recentes sobre o nosso combalido sistema educacional. Podemos dizer que houve avanços? Claro, nos anos 1960 quantas pessoas estavam na escola? E quantos se formavam? Cinquenta anos mais tarde, temos algumas conquistas. O acesso à escola está praticamente universalizado. Há mais jovens de 14 a 17 anos frequentando as salas de aula. Porém, os números levantados pela organização não governamental Todos pela Educação não podem nos deixar tranquilos. A manchete do jornal revela o tamanho da tragédia. Só metade dos jovens brasileiros conclui a escola até os 19 anos, idade considerada adequada para o término do ensino básico. 

A pesquisa do Todos pela Educação analisou dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para saber se estamos no caminho para atingir as metas traçadas para 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Segundo a entidade, a previsão para 2022 seria a de que 95% dos jovens de 16 anos deveriam terminar o ensino fundamental e 90% ou mais dos jovens de 19 anos deveriam concluir o ensino médio. Pareciam metas fáceis, porém a pesquisa mostrou haver estagnação do fluxo de alunos no sistema. Ou seja, os estudantes não avançam nas séries, ficando muito mais tempo na escola do que o necessário. No ensino fundamental a situação é melhor: 71% dos jovens de 16 anos concluem esta etapa do ensino, mas o ritmo da expansão é muito lento sinalizando que será difícil atingir as metas traçadas. O estudo mostra também as disparidade regionais e sociais. 

Em excelente matéria do jornal “O Globo”, de 8 de dezembro, o jornalista Eduardo Vanini mostra a gravidade do problema dando como exemplo o caso de um estudante de 14 anos, do primeiro ano de ensino médio, que saiu da escola. Tendo de trabalhar para ajudar a família, o jovem tentou estudar à noite, mas perdeu o estímulo porque a escola era ruim, os professores faltavam e os equipamentos eram péssimos. Só mais tarde, aos 21 anos, entrou no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) para obter o diploma do ensino médio. 

Na minha pesquisa, observando o cotidiano de escolas do ensino médio do Rio de Janeiro, seus rituais, aulas e conselhos de classe, vejo casos como esse, e vejo muito mais. Vejo estudantes tentando terminar a escola e sendo reprovados sistematicamente. Há quem fique cinco anos para finalizar os três anos obrigatórios. Alguns acabam terminando por esforço próprio, outros desistem. 

A escola é desestimulante, os professores faltam, e podem faltar, legalmente, no Rio de Janeiro, até uma vez por mês sem justificativa. Os equipamentos são ruins e a gestão é muito problemática, porque os diretores e coordenadores não conseguem estimular seus professores a lidar com jovens que não veem muito sentido nas 15 matérias lecionadas. Muitos professores são bem preparados, mas também não veem sentido em ensinar para estudantes que, segundo dizem, são de famílias desestruturadas e não se interessam pelos estudos. Já ouvi frases como “eles não têm jeito” ou “eles não querem nada”. 

A vida na escola pode ser até agradável. A grande maioria dos estudantes diz que gosta de ir à escola, não necessariamente para estudar, mas para encontrar seus amigos, sair de casa e das obrigações familiares, conhecer novas pessoas. Mas a maior parte deles gostaria de terminar os estudos para ter uma vida melhor do que a de seus pais. 

Então, o que falta para que as escolas públicas consigam melhorar o desempenho de seus alunos? O que falta para atingirmos as metas? 

Em excelente artigo publicado no jornal “Folha de São Paulo” em 7 de dezembro, “Por que é difícil melhorar a educação no Brasil”, o sociólogo Simon Schwartzman expõe as razões e o tamanho do problema. Há muito a fazer, diz ele, que frisa que a escola faz a diferença. Uma boa escola e uma boa educação não podem, sozinhas, resolver as grandes iniquidades e desigualdades socioeconômicas, mas podem sim ajudar muito nesta tarefa. É preciso trilhar um caminho árduo. 

Entre as muitas coisas que a escola e os formuladores de políticas públicas têm de fazer, no meu entender, além de tudo o que diz Simon Schwartzman no artigo citado acima, é uma campanha acirrada para que nossas ideias sobre como ensinar sejam revistas. O problema central que faz com que as escolas públicas não sejam comunidades atraentes é a concepção vigente de boa escola e de o que fazer com os que não estão aprendendo a lição. Para a maioria dos brasileiros e para os que vivem a vida de escola, incluindo familiares e estudantes, sem contar professores e gestores, a boa escola é a escola severa, que reprova quem não aprendeu. Os melhores colégios particulares não estão isentos dessa estratégia. Essa maneira de lidar com as diferenças de talento e de herança educacional dos estudantes é o x da questão. O dia em que os professores se desarmarem diante de suas turmas irrequietas e de jovens cheios de celulares e WhatsApp e descobrirem que ensinar pode ser uma tarefa emocionante teremos uma escola republicana. Uma escola cuja missão é ensinar a todos. 

Tenho certeza de que esse dia chegará porque podemos ver, nesses últimos anos, que as vozes que gritavam no deserto estão se fazendo ouvir. Penso na batalha cotidiana de um desses pesquisadores incansáveis, Sergio Costa Ribeiro, cuja missão foi a de convencer que a repetência era o maior problema da educação brasileira e não, como em geral se achava, a necessidade de trabalhar. Infelizmente, ele não viveu o suficiente para ver o resultado de sua batalha. Hoje a sociedade brasileira vislumbra a importância da educação e muitos pesquisadores, organizações não governamentais como o Todos pela Educação, governos estaduais, municipais e o governo federal estão centrados em criar metas que façam com que um dia todos os brasileiros terminem a escola na idade certa e sabendo a lição. Isso em si já é um avanço.

Foto: Reprodução/Bom Dia Brasil

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

DEUS NÃO AGE ONDE O HOMEM DEVE AGIR

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, ainda no ano de 2011, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o fez nutrir uma raiva tão grande de Deus diante daquele episódio que dizimou mais de mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se, porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordioso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorância teológica, e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômatos, sem capacidade de criação, frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou. Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno. Essa missão é do homem e não cabe a Deus intervir.
(republicado e pedido do leitor)

A mulher que nasceu um dia e morreu um dia antes

Do blog SINCRONICIDADE, do massapeense Vasconcelos Arruda:

Certa vez perguntaram a Clarice Lispector que título ela daria a sua autobiografia. A resposta foi sucinta mas, como sempre, mortal: “À procura da coisa”. A Coisa – o mundo real, neutro e indiferente às construções humanas, nisso incluída a própria literatura – foi, desde seu primeiro romance, Perto do Coração selvagem, de 1943, a grande paixão e o grande inferno de Clarice. Viveu para perseguir esse núcleo de vida pura que nos iguala aos animais e nos despe de nosso manto cultural. Viveu, como ela mesma definiu, para buscar o que se esconde “atrás de detrás do pensamento”. Não foi pouco o que se propôs.
José Castello
[Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: romances / Clarice Lispector; organização, introdução e apresentações: José Castello. – Rio de Janeiro: Rocco, 2011, p. 9.]
Fui à cozinha e peguei uma xícara de café: forte, amargo e fumegante, como tem que ser o café, pelo menos em ocasiões como esta, em que me posiciono ante o computador para escrever este texto. É que certas ocasiões exigem um cuidado especial, quase como se estivéssemos prestes a adentrar um templo. Falo de Iniciação. Sim, Iniciação aos grandes mistérios, como a que acontecia aos praticantes do esoterismo em tempos de antanho.
É que vou escrever algumas poucas linhas sobre uma Iniciada. Refiro-me a Clarice Lispector. Sim, porque leio Clarice Lispector com a mesma predisposição e preparo que adoto quando vou ler um texto dos grandes iniciados. A diferença entre nossa escritora e outros iniciados é que, se estes precisaram se filiar a um círculo ou escola esotérica para ter acesso aos grandes mistérios, à primeira isso não foi necessário.
Eu diria que ela passou pelas etapas necessárias à Iniciação de forma espontânea, com aquilo mesmo que a vida foi lhe proporcionando experimentar no dia a dia, tudo inserido no fluxo natural de sua existência. Nem mesmo duas experiências cruciais, a do chamado “Inferno da Iniciação” e a “Experiência do Deserto”, de que falam os grandes místicos, lhe faltaram.
Com relação ao primeiro, atente-se para o que ela afirmou quando se referiu ao incêndio ocorrido em seu apartamento no dia 14 de setembro de 1966, que a deixou em coma:
“[...] o incêndio que sofri há algum tempo destruiu parcialmente minha mão direita. Minhas pernas ficaram marcadas para sempre. O que aconteceu foi muito triste e prefiro não lembrar. Só posso dizer que passei três dias no inferno, aquele que – dizem – espera os maus depois da morte. Eu não me considero má e o conheci ainda viva” (Entrevista ao Jornal da Tarde, 5. fev. 1969. Citado em:  Gotlib, Nádia Battella. Clarice Fotobiografia. – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 368).
A propósito do segundo, o deserto, escreveu: “Eu fora obrigada a entrar no deserto para saber com horror que o deserto é vivo, para saber que uma barata é a vida. Havia recuado até saber que em mim a vida mais profunda é antes do humano – e para isso eu tivera a coragem diabólica de largar os sentimentos”.
E que experiência iniciática é essa, a que se destina ela, qual é seu anelo? É aquilo a que aspiram os grandes iluminados, o mistério dos mistérios, mas exige para adentrá-lo uma coragem e disposição sobre-humanas, o que leva Clarice a dizer: “ Eu tivera que não dar valor humano à vida para poder entender a largueza, muito mais que humana, do Deus. Havia eu pedido a coisa mais perigosa e proibida? arriscando a minha alma, teria eu ousadamente exigido ver Deus?”
E conclui, como quem sabe que esse Mistério, por ser incomensuravelmente maior que tudo o que se possa conceber, traz sempre implícito um enigma que, em vida, provavelmente nunca será totalmente solucionado: “E agora eu estava diante Dele e não entendia – estava inutilmente de pé diante Dele, e era de novo diante do nada. A mim, como a todo o  mundo, me fora dado tudo, mas eu quisera mais: quisera saber desse tudo. E vendera a minha alma para saber. Mas agora eu entendia que não a vendera ao demônio, mas muito mais perigosamente: a Deus. Que me deixara ver. Pois Ele sabia que eu não saberia ver o que visse: a explicação de um enigma é a repetição do enigma. O que És? e a resposta é: És. O que existe? e a resposta é: o que existes. Eu tinha a capacidade da pergunta, mas não a de ouvir a resposta” (Lispector, Clarice. A paixão segundo G. H. – Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 134).
Não nos surpreenda, pois, ao ler as palavras acima, a advertência feita pela autora na  página de rosto de A paixão segundo G. H. “A POSSÍVEIS LEITORES. Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro não tira nada de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G.H. foi dando pouco a pouco uma alegria difícil; mas chama-se alegria” Lispector, Clarice. A paixão segundo G. H. – Rio de Janeiro: Rocco, 2009).
Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, e faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos. Numa entrevista concedida à TV Cultura em 1977, ano de sua morte, afirmou Clarice: “Bem, agora eu morri… Mas vamos ver se eu renasço de novo… Por enquanto eu estou morta… Estou falando do meu túmulo…” (Entrevista à TV Cultura, 1º fev. 1977. Citado em:  Gotlib, Nádia Battella. Clarice Fotobiografia. – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 443).
Três anos antes, porém, ela já havia renascido, depois de ter passado pela grande Iniciação que uma vida dedicada à busca da expressão do real pela palavra lhe proporcionara. Corolário dessa experiência foi o que escreveu em Água viva, livro que é pura epifania, da primeira à última palavra: “Nasci há alguns instantes e estou ofuscada” (Água viva. Em: Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: romances / Clarice Lispector; organização, introdução e apresentações: José Castello. – Rio de Janeiro: Rocco, 2011, p. 191).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Troféu Personalidade Classe A será entregue dia 18 de dezembro. Colégio Luciano Feijão é destaque.


O radialista Edival Vasconcelos Filho realizará no próximo dia 18 de dezembro, a 18ª edição do Troféu Personalidade Classe A, que repete o sucesso de anos anteriores ao prestar justa homenagem a pessoas e instituições que contribuem ano a ano para o desenvolvimento de Sobral.

Neste ano, a lista de homenageados é puxada pela tabeliã Maria do Carvalho de Arruda Coelho, o casal Judete e Antônio Félix Ibiapina, o radialista esportivo Danilo Neves, o advogado Gilberto Feijão, o funcionário público federal Luis de Sousa e Silva (Correios), a secretária de Cultura e Turismo, Eliane Alves Leite, o vereador Francisco Linhares Ponte (Chico Jóia), o advogado Igor Ponte, superintendente estadual do Detran, o engenheiro Neudete Vasconcelos (Coelce), a fonoaudióloga Patricia Bezerra Tavares, o contador José Nilson Farias Sousa, além do Colégio Luciano Feijão e da Delrio Refrigerantes.  

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Exposição na Casa do Capitão-Mor apresenta história de Sobral


Está aberta à visitação na Casa do Capitão-Mor a Exposição “Memórias da Casa, Memórias da Rua”, que apresenta painéis com depoimentos de antigos moradores e frequentadores da Casa e de antigos moradores do entorno da Praça da Sé. A mostra também reúne fotografias e outros registros relacionados às transformações que passou o local ao longo do tempo, retratando aspectos da história de Sobral.

A exposição ficará aberta até julho de 2015 e faz parte das ações da Casa do Capitão-Mor no campo da Museologia Social e Educação Patrimonial, como forma de promover as expressões da história e da cultura local.

A exposição conta com recursos do Prêmio Pontos de Memória do Ministério da Cultura e Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). As visitas são gratuitas e podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. As visitas de grupos devem ser agendadas na Casa do Capitão-Mor. Maiores Informações:(88) 3611-1236

Fonte: Sobral em Revista

Mudanças indispensáveis no Brasil e no mundo, POR PAULO YOKOTA

Apesar das grandes dificuldades que possam ser enfrentadas, muitos países, governos e empresas necessitam adaptar-se de forma pragmática às significativas mudanças que estão ocorrendo no atual mundo globalizado. Alguns exemplos importantes estão ocorrendo no Japão como ilustram os anúncios dos expressivos jornais daquele país, o Asahi Shimbun e o Yomiuri Shimbun, que possuem tiragens invejáveis que superam diariamente as cifras de muitos milhões de exemplares.
Eles admitem agora que usaram inadequadamente por muitos anos expressões enganosas como “mulheres de conforto” para as “escravas sexuais”, principalmente coreanas e chinesas que foram utilizadas de forma abusiva pelos soldados japoneses antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Esses países vizinhos vinham insistindo na revisão da versão deste sensível assunto, que dificultava a melhoria dos relacionamentos no Extremo Oriente entre os três importantes países, a China, o Japão e a Coreia do Sul. Parece que isso começa a ocorrer.
É preciso admitir que estes e outros acontecimentos desagradáveis ocorreram antes e durante esses conflitos armados, inclusive o dramático massacre de Nanking, onde o número de mortos ainda é alvo de grandes divergências entre japoneses e chineses. A guerra já terminou há cerca de 70 anos e as atitudes formais e oficiais dos japoneses não ajudavam na admissão dos seus erros. Apesar do intenso intercâmbio econômico e comercial entre os três países, sempre persistiam desconfortos que, espera-se, irão melhorar no futuro mesmo com a resistência de pequenos grupos radicais.
A exagerada formalidade dos japoneses também dificulta mudanças nas posições de algumas empresas japonesas de porte. Uma grande automobilística japonesa enfrentou problemas com seus produtos que provocaram acidentes, pois, quando eles eram freados, ocorriam acelerações. A empresa adotou por muito tempo a posição de afirmar que tais fenômenos não ocorriam, apesar das evidências em contrário. Depois de muito tempo, aceitaram um acordo judicial admitindo essas dificuldades e suas correções, afetando a sua imagem que era do mais alto nível.
Algo semelhante vem ocorrendo agora como os “air bags” produzidos por uma empresa de componentes utilizados em muitos veículos de origem japonesa. Ainda não se conseguiu um processo de “recall” generalizado para a rápida troca dos mesmos, o que é urgente mesmo não se sabendo quantos veículos são afetados.
Com o significativo avanço das empresas farmacêuticas japonesas nos mercados internacionais, inclusive com a agressiva aquisição de empresas de outros países tradicionais nesses produtos, um antigo medicamento passou a ser considerado inconveniente diante de potenciais efeitos secundários não alertados. Os acordos judiciais em andamento envolvem bilhões de dólares, mesmo que outros interesses também existam nestas ações.
Na Europa, ainda que muitos veículos de comunicação social de importância mundial explicitem suas convicções ideológicas, observa-se a persistência de posições em muitos dos seus artigos, dignas das épocas da guerra fria, quando o mundo já mudou muito. Mesmo que não se concorde com muitas orientações adotadas no Ocidente e no Oriente, que se baseiam nas suas histórias e culturas, parece difícil que as posições de algumas preferências possam ser consideradas de qualidade superior à dos outros.
No atual mundo globalizado, parece que há uma conveniência de convívio diplomático até com aqueles com os quais não concordamos. O Brasil vem adotando uma posição pragmática, procurando negociar com todos os países, ainda que existam diferenças substanciais em algumas posições adotadas por alguns deles.
Não admitir que o mundo continua mudando, havendo fatos que alteram muitas das condições importantes, como a sensível alteração do custo da energia atual, onde o petróleo continua ocupando posição de destaque, parece da maior inconveniência. Em parte, isso decorre das novas técnicas de fraqueamento do xisto que também tem suas inconveniências, alem de apresentar sensíveis diferenças regionais nas suas reservas. As contaminações que provocam, notadamente, nas águas subterrâneas são inegáveis, mas a ganância a tudo atropela.
As políticas monetárias chamadas de “quantitative easing”, que começaram a ser aplicadas nos Estados Unidos, provocando medidas semelhantes no Japão e na Europa, alteram as condições cambiais de forma sensível no mundo. Ainda que beneficiando a recuperação de algumas economias, acabam provocando problemas em outras emergentes ou de níveis econômicos mais modestos. A tal ponto que as mudanças de política econômica se tornam inevitáveis, gerando uma situação dinâmica que estão denominando como novo normal.
Criticar os governos, como o brasileiro, que adotam mudanças nas suas políticas econômicas num quadro mundial de grandes alterações, no período pós-eleitoral, acaba soando como algo pouco razoável. A arte política exige grande flexibilidade para mudanças, que apresentam também seus riscos, não se podendo assegurar que agrade a todos, nem a maioria.