quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O homem e o tempo...

Compartilho com vocês uma reflexão sobre como somos reféns do tempo e o quanto nos amarguramos com tudo isso. Espero que após lê-la eu tenho ajudado a cada um a pensar diferente. Certa feita Cecília Meireles perguntou no espelho onde estava seu rosto. Esse utilitário, na verdade, torna visível as nossas rugas e os cabelos brancos. A ação deletéria do tempo assusta o homem desde o primórdio da humanidade. A dor do envelhecimento é cruel e solitária. Aprendemos a compreender a vida pelos anos que passam, esquecemo-nos, entretanto, de que a cronologia humana é uma convenção arbitrária, fruto de nossa visão cartesiana.
Imagine pensar nossa vida pela marcha inexorável do tempo. Cada segundo no relógio nos faz aproximar-se do fim indesejado. O suor do terror da decrepitude humana é ofegante, insípido. A matéria se faz soberana e se os anos tornam os ossos mais frágeis, o raciocínio mais lento, cada dia é um dia a menos no diário da nossa existência.
O pânico toma conta a cada badalar do relógio. Entregamo-nos a um destino incontrolável. Ficamos impotentes. Olha só o que criamos: A dimensão do tempo nos impelindo à morte. Nesse abismo de pensamentos funestos, perdemos a noção do presente e nos entregamos a uma vida de medos e angústias. Como somos idiotas! Toda essa combustão de sentimentos nos oprime e nos impede de viver a vida na plenitude maior do espírito. O apito do trem não indica a chegada mas sim a partida. A partida para um lugar que não sabemos onde ou que preferimos ignorá-lo. Olha só o tempo passando, enquanto seus olhos arregalados acompanham o corrimão das palavras.
Esse é o mal do homem: Relativizar, racionalizar, indagar o porquê de tudo. Enquanto isso a vida vai passando e não percebemos que os botões de rosas se abriram, que o canto dos pássaros anunciam o amanhecer, que nossos caminhos vão cortando as estradas sem rumo como se prenunciasse um fim que não desejamos.
É hora de renovar o sentido da vida, sobrepujando a dimensão temporal. Aproveitando cada instante como a celebração do eterno começo e não do fim, como o filme que nos promove o êxtase, concitando-nos a singrar os mares pelo espírito aventureiro dos navegantes, ousados ao enfrentarem o desconhecido.
Somos singulares e podemos construir uma história movida pelo entusiasmo dos momentos, sejam eles breves ou longos, todos dotados da magia do encantamento do viver pelo prazer do existir, sem preocupar-se em demasia com as dores que atravessam os nossos jardins, trazendo espinhos pontiagudos. E se eles ferem a nossa alma, saberemos juntar os pedaços, recolher as fagulhas, olhar para um horizonte de oportunidades.
Afinal, nascemos para a vitória, não necessariamente para o pódio No alto, muitas vezes, não enxergamos as nossas limitações, entretanto o sucesso consiste em fazer da vida um hino de resistência, de determinação, de perseverança. Atravessá-la, exitosamente, implica saber superar os fracassos e as vicissitudes que encontramos na nossa caminhada, implica mais ainda na superação dos mares tempestuosos e dos limites que muitas vezes impomos a nós mesmos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Construa sua vida sobre a rocha

Tenho sempre dito que o sofrimento, na vida das pessoas, é algo inevitável. Vez por outra ele vai bater na nossa porta. Mas uma coisa é certa: Não podemos evitá-lo, todavia sua magnitude será bem menor na proporção que estivermos preparados para enfrentá-lo.
Para isto é preciso lembrar-se do ensino bíblico do Mestre dos Mestres que nos propugnava a construir nossa casa sobre a rocha. Parafraseando tão divino ensinamento, estendemos essa assertiva a um propósito de edificação das nossas vidas sobre a rocha. Isso diz respeito aos nossos relacionamentos em família, no trabalho, na experiência com os amigos.
Já dizia há pouco que o equilíbrio é fundamental para o nosso sucesso. Quando somos vítimas de nossos desejos, cometemos as piores loucuras. Compramos o que não podemos, agimos irracionalmente, destruímos a nossa reputação. Tudo muitas vezes em virtude de um prazer momentâneo e fugaz.
Quantos homens passaram anos e anos construindo uma biografia e a viram cair por terra em razão de um deslize de conduta, de uma atitude impensada. Infelizmente nosso lado animal muitas vezes sucumbe a nossa racionalidade. Naquele instante nos tornamos reféns de desejos irracionais, culminando na prática de ações desorientadas e prejudiciais às nossas vidas. Por isso, é preciso estarmos em alerta, olhando para o horizonte e tendo a consciência que a felicidade verdadeira não está em dar vazão aos nossos ímpetos imediatos e irracionais, mas se constitui na verdade em cultivar os princípios que são para nós mais valiosos: dignidade, honra, respeito.
Sabemos que os apelos do mundo são fortes. Se não soubermos conter nossas atitudes, atiramo-nos num calabouço sem volta. Mais tarde só restará a dor e o arrependimento.
Por essa razão, rogamos a Deus a força de saber dizer não a tudo que nos distancia dos nossos propósitos mais nobres. Não é uma tarefa fácil! É um exercício permanente e constante de renúncia. Estejamos vigilantes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Em busca da consciência, por MINO CARTA

Um especialista em humores da casa-grande expõe a tese, mas pode ser resultado de conversas a portas fechadas, de que o golpe foi desfechado na previsão de uma reação internacional adversa, e nem por isso capaz de alterar a rota. Todos os riscos haveriam de ser corridos para atingir o objetivo, destruir o Partido dos Trabalhadores. Bastava, e basta, a pronta anuência de Tio Sam. O Brasil da casa-grande acomoda-se prazerosamente à condição de satélite dos Estados Unidos.
Se for assim, Michel Temer não se incomodou ao ser escanteado na reunião do G-20. A capitis diminutio sofrida pelo presidente do Brasil atinge e humilha o País, mas nada disso importa diante das consequências imediatas do golpe praticado contra a nossa frágil democracia. Em pleno andamento em relação ao PT, pois a tarefa será cumprida somente se Lula for definitivamente afastado da corrida presidencial marcada para daqui a dois anos.
A serem estes os propósitos dos golpistas, e sempre que haja perfeita afinação entre eles, e disso cabe duvidar, resta perguntar aos botões quanto diria a respeito o espírito de Garrincha. É suficiente hoje em dia ser súdito ao império do Grande Irmão do Norte, como se lia nos vetustos editoriais do Estadão, para gozar de sono tranquilo?
O mundo mudou bastante, mudou demais, gastar palavras sobre o tema é desperdício. Tio Sam é ainda poderoso, contudo não é mais aquele. Por exemplo, está largamente endividado e a China é seu imponente credor. A política exterior do governo Lula desvencilhou o Brasil da tradicional sujeição às vontades de Washington, com evidentes vantagens para o País. Recordo um lance importante do período: se os EUA tivessem aceito a exitosa mediação de Lula junto aos aiatolás, sete anos atrás, a questão do Irã teria sido encaminhada para a solução bem antes do que, de fato, se deu. Na ocasião, o Brasil desempenhou papel de potência, bem diverso daquele de Temer na reunião do G-20.
No mundo atual, a repercussão negativa do golpe brasileiro não parece conveniente para um país necessitado de investimento estrangeiro, a contar exclusivamente com capitais que aqui chegam apenas para engordar. Na moldura cabe até a recomendação do papa Francisco de orar pelo Brasil e a dúvida que o toma em relação à possibilidade de uma visita até ontem programada para o ano próximo. A registrar o patético esforço do presidente Temer ao pretender que o pontífice, de certa forma, reze pela aceitação do golpe, ou, se quiserem, pela paz dos cemitérios, sempre a mais conveniente para a casa-grande.
E lá vem outra pergunta do espírito do nosso inesquecível Mané: era o golpe o que o povo brasileiro queria? Talvez não seja o caso de imaginar um país rachado por uma polarização exacerbada. A insatisfação popular fermenta, porém, tanto mais porque manifestada sem meios-termos, com vigorosa clareza, por milhões de cidadãos outrora tidos como “cordiais”, no sentido de resignados, para não dizer covardes. A violência de um aparato policial digno de uma ditadura, pronto a intervir ao mínimo aceno de rebeldia, prova a semelhança com situações já vividas por outros países, em outros continentes, oprimidos por regimes antidemocráticos. 
A demanda de quem protesta é inquestionável: Fora Temer e Diretas Já. Ou, pelo menos, tão logo possível. A máquina da propaganda midiática empenha-se para minimizar os fatos e maquiar as situações, e é cada vez mais ineficaz no seu intento. As Diretas Já de 1984 foram um extraordinário, inédito movimento popular nos estertores da ditadura. Agora, 32 anos após, começa a ser escrito o segundo capítulo do mesmo enredo. Há tempo, desde a primeira metade de 2015, CartaCapital adere à proposta de eleições antecipadas, solução inteligente para uma crise de outra forma insolúvel.
A ilegitimidade do governo Temer é nítida não somente a olhos estrangeiros, e o “Fora Temer” já sobrepuja o tom e o efeito do “Fora Dilma”. Bons sinais em meio ao caos. Apreciaria evitar ilusões pela enésima vez, mas lá vou eu, de novo. E me arrisco: quem sabe algum dia o brasileiro do futuro, próximo, espero, possa dizer que o golpe de uma quadrilha a serviço da casa-grande teve o condão de despertar a consciência nacional. 

Cecília Meireles - A última Entrevista

Cecília Meireles - a última entrevista

Cecília Meireles - foto: (...)
A escritora morreu alguns meses depois de ter concedido o depoimento ao jornalista Pedro Bloch, em maio de 1964

“Tenho um vício terrível” — me confessa Cecília Meireles, com ar de quem acumulou setenta pecados capitais. “Meu vício é gostar de gente. Você acha que isso tem cura? Tenho tal amor pela criatura humana, em profundidade, que deve ser doença.” “Em pequena (eu era uma menina secreta, quieta, olhando muito as coisas, sonhando) tive tremenda emoção quando descobri as cores em estado de pureza, sentada num tapete persa. Caminhava por dentro das cores e inventava o meu mundo. Depois, ao olhar o chão, a madeira, analisava os veios e via florestas e lendas. Do mesmo jeito que via cores e florestas, depois olhei gente. Há quem pense que meu isolamento, meu modo de estar só (quem sabe se é porque descendo de gente da Ilha de São Miguel em que até se namora de uma ilha pra outra?), é distância quando, na realidade, é a minha maneira de me deslumbrar com as pessoas, analisar seus veios, suas florestas.”

Cecília é carioca. Nasceu em novembro, dia de S. Florêncio (filha de Matilde e Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil), em Haddock Lobo, na Rua São Luís. Seriam quatro irmãos, mas nunca chegaram a ser dois sequer, porque, mal nascia um, o outro já tinha morrido. Só ficou Cecília. Perdeu a mãe com três anos e meio, tendo sido criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides, da Ilha de São Miguel, Açores, descendente de gente que andou do lado do Infante D. Henrique. A ela dedica Cecília:

Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído...
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
Modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.

Veja a matéria completa pelo link:
 http://www.elfikurten.com.br/2012/09/cecilia-meireles-ultima-entrevista.html

terça-feira, 13 de setembro de 2016

COLABORAÇÃO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO COMO REFLEXÃO DA POSTAGEM SOBRE DILEMAS CORPORATIVOS....MERECE DESTAQUE!!!


Amigo-Irmão Carlinhos, corroborando com sua ideia, a autoconfiança, um dos pilares da autoestima, é fator fundamental para o desenvolvimento da Excelência Profissional. De acordo com a máxima latina " agere sequitur esse", nossos atos só serão amorosos se manifestarmos neles a essência do que somos. Cabe uma reflexão sobre a identidade do ser, através do autoconhecimento que proporciona o reconhecimento da autoimagem. Autoconhecimento + Autodesenvolvimento = Autorealização. Nesta perspectiva, o indivíduo se faz através de suas escolhas, de sua personalidade e, sobretudo, de sua essência. Destarte, Protagonista de sua História, o Ser Humano atinge suas metas e conquista a credibilidade. A primeira grande responsabilidade do Líder de Alta Performance é crescer diante de si, lapidando os talentos. Para tanto, só motivação não basta. Precisamos de ENTUSIASMO !

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Dilemas corporativos: Reconhecimento Profissional e o patrão?




Muitas vezes na vida corporativa escutamos empregados justificarem a ausência de atitude ou de inovação com a seguinte frase: “ Tenho excelentes projetos mas não vou colocá-los em prática porque estou desestimulado uma vez que o meu patrão nunca reconhece o meu trabalho”. Devo confessar-lhe que se trata de uma frase infeliz, egoísta, vetusta e retrógrada. Não tenha dúvida  de que o profissional que pensa assim caminha a passos largos para tornar-se um “desempregado crônico”.

Na sabedoria popular aprendemos que “cada qual no seu quadrado”. Embora pareça ser uma máxima individualista em se tratando da divisão de funções, todavia o raciocínio é perfeito. Faço o que me cabe no contrato e se cada um agir assim prevalecerá a universalidade. E o que me cabe numa relação de trabalho? Ser firme no compromisso com a causa que eu abracei e me propus a fazer. Pensando assim, vou compreender que o destinatário do meu trabalho não é o meu “patrão”, mas sim os meus “clientes”, a “sociedade” “as pessoas que nele confiam”.

Aqui não estou a dizer que não seja missão do patrão incentivar seus colaboradores, tratá-los com a urbanidade necessária e proporcioná-los o ambiente e os instrumentos imprescindíveis para o êxito na atividade laborativa. Mas repito: Essa é a missão do “patrão”. Se ele assim não agir terá um custo futuro podendo levá-lo à falência. Entretanto, não compete ao empregado deixar de realizar a “sua missão”, aquela que lhe foi confiada,  em razão do “patrão” não agir com deveria agir. Afinal, não é o patrão que deve dirigir a ação nem a atitude  do empregado. Na verdade, a ação do “empregado” é dirigida pelos seus valores, pelas suas convicções, pelo seu compromisso com ele próprio e com  a sociedade.

Tenho sempre dito que fazemos parte de uma teia indivisível que nos une uns aos outros. E como cristãos sabemos que a  missão do trabalhador não termina no final do mês quando recebe o seu salário. Estamos aqui, na verdade, para construir pontes, abrir diálogos, nos realizar como pessoas e fazer com que a nossa passagem terrena seja sempre lembrada por aqueles com quem convivemos e amamos, mesmo quando as adversidades bateram em nossa porta.

Esta  pseudo máxima de que o meu trabalho será proporcional ao reconhecimento do patrão é de fato repugnante por demonstrar egocentrismo, imaturidade profissional e insensibilidade social. Se não estou satisfeito na empresa onde trabalho devo ter a grandeza e a dignidade de pedir o meu desligamento. Esse é um direito inalienável do trabalhador. Todavia, se eu lá ficar devo saber que os meus clientes não podem ser reféns do meu descontentamento, das minhas frustrações e da minha falta de profissionalismo.

Mas antes de tomar atitude tão drástica, se questione? Não sou reconhecido pelo meu patrão porque ele ignora os meus esforços ou o meu trabalho não tem produzido o impacto suficiente para ser percebido? Fica a dica!!!

Como enfrentar o fundamentalismo, POR LEONARDO BOFF

Atualmente em todo mundo, se verifica um aumento crescente do conservadorismo e de fenômenos fundamentalistas que se expressam pela homofobia, xenofobia, anti-feminismo, racismo e toda sorte de discriminações.
O fundamentalista  está convencido de que a sua verdade é a única e que todos os demais ou são desviantes ou fora da verdade. Isso é recorrente nos programas televisivos das várias igrejas pentecostais, incluindo setores da Igreja Católica. Mas também no pensamento único de setores políticos. Pensam que só a verdade tem direito, a deles. O terror deve ser combatido. Eis a origem dos conflitos religiosos e políticos. O fascismo começa com esse modo fechado de ver as coisas.
Como vamos enfrentar esse tipo de radicalismo? Além de muitas outras formas, creio que uma delas consiste no resgate do conceito bom do relativismo, palavra que muitos nem querem ouvir. Mas nele há muita verdade.
Ele deve ser pensado em duas direções: Em primeiro lugar, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Na esteira da física quântica, insiste a encíclica do Papa Francisco “sobre como cuidar da Casa Comum”:“tudo está intimamente relacionado; todas as criaturas existem na dependência uma das outras”(n.137;86). Por esta inter-relação todos são portadores da mesma humanidade. Somos uma espécie entre tantas, uma família.
Em segundo lugar,  importa compreender que cada um é diferente e possui um valor em si mesmo. Mas está sempre em relação com outros e seus modos de ser. Dai ser importante relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de co-existir
Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil, até chegarmos aos moradores das comunidades da periferia e  aos moradores de sofisticados Alphavilles, onde moram as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
 Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Vivemos na fase da geo-sociedade, sociedade mundial,una, múltipla e diferente.
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, inter-relacionados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto.
Então não há verdade absoluta? Vale o “everything goes” de alguns pós-modernos? Traduzindo: “vale tudo”? Não há o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantem relação com os outros, respeitando-os em sua diferença e não prejudicando-os.
Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela, nem uma religião, nem uma filosofia, nem um partido politico,nem uma ciência. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma compreensão mais plena da verdade, na medida em que se relacionam.
Bem dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na recíproca relacionalidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar à nossa Verdade, comungada por todos.
A ilusão do Ocidente, dos USA e da Europa, é de imaginarem que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas.
Pensando assim, se condenam a um fundamentalismo visceral que os fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião na América Latina e na África e, hoje, fazendo guerras com grande mortandade de civis, para impor a democracia no Iraque, no Afeganistão, na Síria e em todo o Norte da África. Aqui se dá também o fundamentalismo, de tipo ocidental.
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados, por exemplo, na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas e as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras.
Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa, por exemplo, a mineira ou afrancesa, e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária.
Por que com a verdade deveria ser diferente? A base do fundamentalismo é essa arrogância que de que o seu modo de ser, sua ideia, a sua religião e a sua forma de governo é a melhor e a única válida no mundo.
* Leonardo Boff é filósofo,teólogo, professor emérito de Ética da UERJ e escrritor.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

VALE UMA NOTA A MAIS: COMENTÁRIO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO SOBRE A POSTAGEM ANTERIOR


Amigo-Irmão Carlinhos, o inspirador título " Ande um metro a mais... " nos remete à emblemática citação de Albert Einstein : " Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objetivos mesmo que esses pareçam impossíveis. A próxima tentativa pode ser a vitoriosa. " Destarte, sejamos gratos às adversidades que aparecerem na nossa vida. Sem elas, como praticaríamos a coragem, a tolerância, o autocontrole e a perseverança ?

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ande um metro a mais....


Os caminhos da vida sempre nos apresentam um desafio. Muitas vezes encarar a realidade do cotidiano nos causa temor. Todavia, imagine vocês se vivêssemos sempre diante do previsível, sabendo que tudo correria bem. Isso pode parecer genial, mas por outro lado furtaria da nossa existência o inusitado, a surpresa às vezes festiva, outras vezes dolorosa.
Uma vida sem batalha, sem a superação da adversidade, torna-se amorfa, insípida e medíocre. O homem nasceu para o enfrentamento, para singrar procelas em mares em meio a tempestades. Ao superá-las, sentirá o sabor da vitória. E se a vitória não chegar, pelo menos a certeza de ter tentado tornar-se-á um apanágio para nossa alma.

A busca pela felicidade não aceita o conformismo, muito menos a letargia nem a inércia covarde. É feliz quem encara a vida com um olhar de possibilidades, mesmo diante das tragédias que muitas vezes nos abatem e tentam a todo custo destruir nossa capacidade de resistência. Mas uma coisa tenham certeza: Somos bem maiores do que os nossos problemas, bem maiores que as nossas dores. Nascemos para chegar ao pódio. E por que muitos não chegam?

Não chegam porque se permitem uma vida abastecida pelo pessimismo, pelo comodismo e pela destrutiva impressão “não tenho capacidade...onde estou tá bom demais.”. Esquecem-se de que a vitória exige sempre andar um metro a mais, ir além. É preciso ter a crença de que sempre podemos fazer diferente e melhor. Alimentar-se da certeza de que a nossa trajetória, única e singular, nos concita a construir uma história de vida edificada pela nobreza de espírito, por um sentimento cristão de partilha e por um comportamento profissional ético.

Nascemos e somos safras de um Deus misericordioso que nos proporciona a liberdade das escolhas para que tenhamos uma vida plenamente abundante de realizações. Para isto é necessário ir à luta com garra, determinação e força. Não nos falta inspiração, muito menos não nos deverá faltar coragem. Olhe para frente, há um horizonte à sua espera. Abra as cortinas, as janelas da sua existência e contemple o sol lá fora. Ainda há tempo para você escrever uma história de vida diferente. O que está esperando? Avante!.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Somos especiais...somos partes da safra de Deus

Não são pouco aqueles que têm dificuldade em aceitar a si mesmo. Olham-se no espelho e se sentem o pior dos mortais. Nutrem um pessimismo sobre o futuro e se deixam destruir pela depressão, pela distonia e pelo desânimo. Sempre indago dos meus alunos qual a primeira declaração de amor que se deve fazer na vida. A maioria responde que essa manifestação de sentimento deve ser dirigida, primeiramente aos pais e depois às pessoas com quem nos relacionamos. Mal sabem que estão redondamente enganados. Nossa primeira declaração de amor deve ser conferida a nós mesmos. Aqueles que não se amam são incapazes de amar alguém.
Amar a si mesmo não é um gesto de egocentrismo, mas sim um reconhecimento que somos um templo de Deus. Em nosso interior habita a centelha divina e por isso fazemos parte dessa genialíssima obra da criação. Imagine que somos mais de 6 bilhões de homens e mulheres e mesmo a meio de tantas multiplicidades não há sequer um igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos. Somos únicos e singulares. Por esse razão temos que fazer das nossas vidas algo extraordinário. Afinal, não haverá jamais um Carlos Albuquerque, um Francisco Antônio, uma Maria Fernanda. Fomos de fato concebidos para construir uma história, mas tudo depende de nossas escolhas. Enquanto nos perdemos pelo desânimo, pelo medo, lá fora o mundo clama por vida, coragem, determinação. Nós não nascemos para a derrota. Basta que você pense na maneira como chegou até aqui: Foram milhões de gametas masculinos se digladiando, brigando ferozmente, muitos ficaram pelo caminho, foi você quem chegou primeiro.
Portanto, ao nascermos, passamos por uma prova de resistência que nos exigiu habilidade, velocidade e meta. Isso nos dá a certeza de que podemos superar os obstáculos, por maiores que eles sejam. Se temos limitações (na saúde, nas finanças etc)elas não serão suficientes para calar nossos sonhos, soçobrar nossos ideais. Basta assistirmos às paraolimpíadas (atletas especiais) para observarmos que o impossível é mera criação humana. Aqueles atletas, com todas as suas limitações, deixam-nos uma lição de vida. Eles, na verdade, esqueceram as amarras que o destino lhes pregou, e passaram a ver o mundo com um olhar de possibilidades. Superaram a inércia porque deram asas à imaginação. Ao contrário de ficaram presos num quarto, ou mergulhados no abismo de suas dores, eles se permitiram sonhar, e esse sonho foi ganhando tamanho e forma e se transformando em grandes resultados. Mais dos que as vitórias nas competições esses atletas venceram a si mesmos.
É chegada a hora de amar a si mesmo. Se você não tem a beleza da Angelina Jolie, o dinheiro do Bill Gates, a inteligência do Rui Barbosa,tais constatações não devem lhe levar ao desânimo. Até porque nenhum deles tem a sua essência. Você é único e essa singularidade lhe faz especial. Por isso, ao se olhar no espelho não veja mais um espectro de um derrotado. Mire no seu olhar e diga a si mesmo: Eu faço parte da grande safra de Deus, sou único e especial, nasci para a vitória.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Empresários cearenses recebem diplomata da embaixada brasileira em Singapura, o massapeense Paulo Edson Medeiros Albuquerque

Diretores e empresários do Simec, Sindialimentos, Sindcalf, Sindquímica e Sindmest reuniram-se nesta segunda-feira (22/8), na Casa da Indústria, com o vice-cônsul e chefe administrativo da Embaixada do Brasil em Singapura, Paulo Edson Medeiros Albuquerque. O encontro foi em retribuição à acolhida do diplomata em Singapura em julho, quando uma comitiva cearense, formada também por representante do Sebrae, visitou o país para prospectar oportunidades de negócios. O Centro Internacional de Negócios da FIEC foi o articulador da missão. 
O vice-cônsul afirmou que, muito mais que uma visita de cortesia, a reunião com os empresários é para reforçar que a embaixada está à disposição do Ceará para melhorar e estreitar as relações comerciais com Singapura e potencializar os resultados da missão. Segundo o diplomata, Singapura oferece várias oportunidades para empresas cearenses de diversos setores, desde o têxtil ao de medicamentos.
Ele informa que o país importa quase tudo que consome e além do mercado local Singapura funciona como um hub de exportação para todo o sudeste asiático, que é praticamente do mesmo tamanho que a América Latina. “É possível se utilizar de Singapura para exportar para a China. O país, hoje, é o melhor ponto para os produtos brasileiros na Ásia”, destacou.

P.S. Para que não sabe, Dr. Paulo Edson é filho do casal massapeense Paulo Albuquerque e Ana Lúcia. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

VALE UMA NOTA À PARTE: COMENTÁRIO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO SOBRE A POSTAGEM "RESILIÊNCIA"

AMIGO-IRMÃO CARLINHOS, A RELEVANTE TEMÁTICA " RESILIÊNCIA " É EVIDENCIADA NO POEMA " MAR PORTUGUÊS " DO GRANDE FERNANDO PESSOA, NA SEGUNDA PARTE DO LIVRO MENSAGEM. " ... QUEM QUER PASSAR ALÉM DO BOJADOR TEM QUE PASSAR ALÉM DA DOR. DEUS AO MAR O PERIGO E O ABISMO DEU, MAS FOI NELE QUE ESPELHOU O CÉU. " " TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA. "

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

É PRECISO SER RESILIENTE...

Já tratei aqui no blog sobre a imperiosa necessidade do profissional ser resiliente. Afinal, o que é resiliência? Se buscarmos o conceito na física, veremos que resiliência é propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. O que isto tem a ver com a vida profissional? Sabemos que hoje vivemos em mundo dinâmico, onde tudo muda a todo instante e a toda hora. Embora essa consciência seja evidente, o que se verifica no ambiente do trabalho é que muitos profissionais se fecham em si mesmos, não se permitindo olhar sua trajetória com outras possibilidades. Na maioria das vezes são ferozes e contrários as mudanças. Não suportam lidar com o “novo” e quando surge uma nova ideia, eles se opõem e se resguardam no seu “mundo”, sob o argumento de que aquilo não vai dar certo.
Essa atitude de pseudo sobrevivência revela, na verdade, fragilidade e absoluta ausência de resiliência. Então ficou fácil perceber que resiliência no mundo trabalho é a capacidade que temos de adaptação as mudanças, com a consciência plena de que a verdadeira sobrevivência no mercado competitivo exige do profissional um olhar aberto para as diversidades, abolindo preconceitos e superando a insidiosa zona de conforto. Exige mais ainda uma ação propositiva, sempre alicerçada pela “atitude”. É preciso andar um metro a mais sempre, surpreendendo e se antecipando aos cenários. Afinal, sempre há uma maneira de se fazer melhor aquilo que costumeiramente se conceitua “rotina de trabalho”.
Então, como ser resiliente na vida laborativa? É óbvio que a junção dessas qualidades não surge do nada. Faz-se necessário cultivar valores e apostar muitas cartas nas relações interpessoais, sabendo lidar com as diferenças, catalisando energias e, principalmente, aprendendo com as opiniões contrárias. Mais ainda: é preciso estudar bastante. Isso não importa dizer que o objeto de estudo se restringe à área de atuação profissional. Claro que é um ponto a mais, todavia é preciso ir muito além: Aprender com os filósofos, mergulhar na história e na sociologia, encantar-se pela arte e a literatura.Em síntese, trata-se de ter uma visão holística do mundo, permeada pela capacidade de vislumbrar o belo na criação divina e nas coisas humanas, não perdendo a sensibilidade para “escutar” e cercando-se da tão saudável “humildade”, que nos faz compreender o quanto somos imperfeitos e do quanto necessitamos do “outro” para alcançarmos o êxito nas batalhas da vida.

Portanto, ser resiliente é também perceber que o sucesso não é resultado de uma ação individual, mas sim fruto de uma construção coletiva em que a colaboração de cada um, direta ou indireta, faz a enorme diferença. Por isso, o verdadeiro êxito não é subir ao pódio sozinho, mas alcancá-lo ladeado de muitos companheiros de luta.

Revoluções silenciosas: a convivialidade, POR LEONARDO BOFF

Com a queda do muro de Berlim em 1989 e com ele o socialismo que fazia o contraponto, (independentemente de seus graves erros internos), o capitalismo terminou ocupando todos os espaços na economia e na política. Com a chegada ao poder de Margareth Thatscher na Inglaterra e de Ronald Reagan nos USA, a lógica capitalista ganhou livre curso: liberalização completa dos mercados com a ruptura de todos os controles, a introdução do estado mínimo, das privatizações e da concorrência sem fronteiras. 
Essa assim chamada “mundialização feliz” não foi tão feliz assim. 
O prêmio Nobel de economia Joseph Stigliz pôde escrever em 2011: ”somente o 1% dos mais ricos  fazem funcionar a economia e o inteiro planeta em função de seus interesses”(“Of  the 1% by 1% em Vanity Fair, maio 2011). Em razão disso um dos maiores bilionários, o especulador Warren Buffet se vangloriava:”sim, a luta de classes existe, mas é a minha classe, a dos ricos, que conduz a luta e a estamos ganhando”(Entrevista na CNN de 2005).
Só que todos esses endinheirados nunca colocaram em seus calculus o fator ecológico, os limites dos bens e serviços naturais, tidos como desprezíveis externalidades. Isso ocorre também nos debates econômicos em nosso país, retardatário nesta questão, à exceção de alguns poucos como L.Dowbor.
Ao lado da hegemonia mundial do sistema do capital, crescem por todas as partes revoluções silenciosas. São grupos de base, cientistas e outros com sentido ecológico que estão ensaiando alterntivas a este tipo de habitar o planeta Terra. A continuar estressando de forma impiedosa a Terra, esta poderá dar o troco e provocar um abalo, capaz de destruir grande parte de nossa civilização. 
É num contexto assim dramático que surgiu um movimento chamado de “Os convivialistas” que reúne por ora mais de 3200 pessoas do mundo inteiro (veja www.lesconvivialistes.org). Procuram o viver juntos (dai convivialidade), cuidando uns dos outros e da na natureza, não negando os conflitos mas fazendo deles fatores de dinamismo e criatividade. É a politica do ganha-ganha. 
Quatro princípios sustentam o projeto: o princípio da comum humanidade. Com todas as nossas diferenças, formamos uma única humanidade, a ser mantida unida.
O princípio da comum socialidade: o ser humano é social e vive em vários tipos de sociedades que devem ser respeitadas em suas diferenças.
O princípio de individuação: mesmo sendo social, cada um tem direito de afirmar sua individualidade e singualridade, sem prejudicar os outros.
O princípio da oposição ordenada e criadora: os diferentes podem se opôr legitimamente mas sempre tendo o cuidado de não fazer da diferença uma desigualdade.
Esse princípios implicam consequências éticas, políticas, econômicas e ecológicas que não cabe aqui detalhar.
O importante é começar: a partir de baixo, com o bioregionalismo, com as pequenas unidades de produção orgânica, com a geração de energia a partir dos dejetos, com um sentido de auto-limitção e justa medida, vivendo um consumo frugal e compartido entre todos. São as revoluções silenciosas que estão acumulando energia para, num momento certo da história, poder fazer a grande transformação.
É importante hoje acentuar a convivialidade porque atualmente há muitos que não querem mais viver juntos.
A convivialidade como conceito, foi posta em circulação por Ivan Illich (1926-2002) com seu livro A convivialidade (1975). Ele foi um dos grandes pensadores proféticos do século XX. Austríaco, viveu grande parte de sua vida nas duas Américas. Para ele a convivialidade consiste na capacidade de   fazer conviver as dimensões de produção e de cuidado; de efetividade e de compaixão; de  modelagem dos produtos e de criatividade; de liberdade e de fantasia; de equilíbrio multimensional e de complexidade social: tudo para  reforçar o sentido de pertença universal.
A convivialidade pretende também ser  uma  resposta adequada à crise ecológica. Ela pode evitar um real crush planetário.
Haverá um novo pacto natural coma Terra e social entre os povos. O primeiro parágrafo do novo pacto será o sagrado princípio da auto-limitação e da justa medida; em seguida, o cuidado essencial por tudo o que existe e vive, a gentileza para com  os humanos e o respeito para com a Mãe Terra. 
É possível organizar uma sociedade boa, uma Terra da boa-esperança (Sachs e Dowbor) na qual as pessoas preferem cooperar e partilhar em vez de competir e acumular ilimitadamente.
Leonardo Boff articulista do JB on line escreveu com M.Hathaway, O Tao da libertação: explorando a ecologia de transformação, Vozes 2012.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Indagações, POR ROBERTO DaMATTA


Será que eu não teria ido mais longe ou ‘me arrumado’, se tivesse escolhido um outro caminho? Em vez de livros; dinheiro?

Fiz 80 anos. Entrei na evitada e almejada “melhor idade” ou, como se dizia quando éramos politicamente incorretos, na “velhice”. Minha mente (que não tem idade) só acende bem-aventuranças. Meu calendário fica menor, mas há o alívio de não ter que fazer prova de Matemática! Agora, todo ano se repete, e não perco mais nenhuma aula porque fui expulso da escola. Depois de uma certa idade, somos nós mesmos que nos avaliamos. Agora, eu não vou mais ser; eu sou!
Um mago consultado diz que, aos 80, a alma fala com a consciência, os neurônios com o cérebro. Desta plataforma, eles mandam bilhetinhos para a mente, que telegrafa ao espírito.
É normal!, diz-me o bruxo fumando um baseado. Coriscos e relâmpagos intrusivos cruzam-se num permanente mas nem sempre explícito diálogo do “eu” consigo mesmo, pois o “eu” não está só. Ele é assolado de fora e de dentro por afrontas, notícias e algum terrorismo — além de velhos desejos e fantasias. Esse fluxo incessante faz um carnaval. A realidade tem muitas fantasias.
Foi assim que acumulei ao longo da semana estranhamentos e indagações um tanto incompatíveis com a idade calhada à sabedora e à bíblica quietude — aquele conformismo próprio dos velhinhos bondosos e puros. O que não é, definitivamente, o meu caso.
Mas não tem sido sempre assim quando eu esperava a “barca” a ligar Niterói com o mundo? Na enorme fila, eu já não sentia a ansiedade do que chamamos de vida consciente, ali aguçada pela perspectiva da jornada no balanço do mar? Não era essa travessia o modelo das escolhas profissionais que a casa e a sociedade me obrigavam a fazer quando casualmente perguntavam: o que você vai ser? — ou seja: o que será de você?
— Por que não és um ricaço? Os ricos não esperam! — ainda diz um sujeito inconformado dentro da minha cabeça.
Mal pacifico essa impertinência, ouço uma outra indagação trivializada nestes tempos de roubos do Brasil pelo Brasil: por que não fostes um político cunhado na frieza, na ambição, no conhecimento dos regulamentos que ninguém lê e na desonestidade? Além de milionário, tal senda faria de ti um poderoso protagonista no labirinto do teatro nacional.
Será que eu não teria ido mais longe ou “me arrumado”, se tivesse escolhido um outro caminho? Em vez de livros; dinheiro? Em vez de individualidade; uma turma e um cartão partidário? Quem sabe a marquetagem teria resolvido minha inveja, meu narcisismo e — eis a questão — a minha vergonhosa conta bancária?
Mas qual...
Infelizmente, escolhi não uma “ciência exata” daquelas que explicam o mundo, mas uma disciplina meio histórica e literária, que desiste dos números, tem como centro a comparação por contraste e, por isso, recusa o trivial. Diferentemente das outras “ciências sociais”, a antropologia que pratico revela muitos modos de vida. Todos equivalentes e todos com o potencial de serem dignos e indignos, honrados ou execrados. Além desse deslocamento da contemporaneidade que confundimos com “avanço” e modernidade, seu método é um oximoro: a chamada “observação-participante”.
Porque o observar e analisar usando a própria consciência como instrumento impede o participar. E o participar, com seus afetos, gozos e nojos, impede o observar. Pode-se atacar uma feijoada ou o amor, tomando notas? Não é impossível, mas não é para qualquer um.
O “observar/participando” não é inútil, mas é uma contradição em termos tipo “inteligência militar”, “político honesto”, “profundidade jornalística” ou “radicalismo equilibrado”.
Guardando as devidas proporções, é como compreender por que o Brasil foi roubado por seus mais amados governantes. Pois como decifrar o populismo lulopetista sem passar pelo triste capítulo do acordo com os ricos para roubar os pobres que o elegeram e dos quais foi esperança? Eis o grande programa ideológico do genial Bertold Brecht virado pelo avesso. Eis o mistério pateticamente trazido à luz por uma Other-Brecht, a qual transformou a ópera dos vinténs num infame jogo de bilhões.
Mas, voltando ao microbalanço dessa caminhada de 80 vezes 365, devo dizer que eu não trocaria esses dias de espinhos, rosas e algum uísque, angústia e muito amor e música de Sinatra — por coisa alguma. Podemos sair de um papel, conforme temos visto envergonhados nos jornais, quando descobrimos figuras públicas como ladrões. Mas — como ensinava Shakespeare — só saímos de nossas vidas quando deixamos o palco.
Por outro lado, sabemos que o morto é uma entidade sem papéis. Na morte, viramos tudo o que os outros querem e, depois disso, somos esquecidos.
Mas, do ponto de vista da terra do nada, tudo o que vivemos é mágico e maravilhoso. Mesmo o dia mais infeliz é uma realização, mesmo o abandono e a solidão mais punitiva são partes da magia da saudade. Essa palavra que esses 80 me presenteiam pois, como aprendi com Joaquim Nabuco, ela — a saudade — está nos túmulos e nas cartas de amor.

* por Roberto DaMatta




quinta-feira, 28 de julho de 2016

Justiça mantém condenação de Município por residência danificada pela chuva

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) condenou o Município de Aracati, a 148 km de Fortaleza, a reconstruir a casa de aposentada que teve o imóvel destruído por chuva. A decisão, proferida nessa segunda-feira (25/07), teve como relator o desembargador Paulo Airton Albuquerque Filho.
Segundo o magistrado, “houve a plena demonstração da existência de liame de causalidade entre a conduta omissa específica do município em não prestar a devida drenagem e saneamento na rua da residência da autora [aposentada] e o dano suportado pela promovente, consubstanciando no desmoronamento de sua residência”.
De acordo com os autos, a aposentada possui uma casa localizada no bairro Várzea da Matriz, em Aracati, perto de um córrego público, que anualmente entope, fazendo com que a água passe por um beco ao lado do imóvel. A moradora procurou o município por diversas vezes para a execução de obras de infraestrutura a fim de solucionar o problema, mas o ente público fornecia apenas areia para obstruir o beco. Em 2009, a passagem contínua das águas no período de chuva ocasionou danos à residência, que chegou a ser interditada pelo Corpo de Bombeiros.
Por isso, a aposentada ajuizou ação requerendo a reconstrução de sua casa. Na contestação, o Município alegou que a requerente construiu sua residência sem os devidos requisitos exigidos pela legislação do município. Argumentou ainda que não teve responsabilidade nos danos ao imóvel.
Em 22 de outubro de 2015, o juiz Sérgio Augusto Furtado Neto Viana, da 1ª Vara de Aracati, determinou a imediata reconstrução da casa da moradora, no mesmo local. Além disso, o ente deverá efetivar as reformas de drenagem do lugar.
Para o magistrado, “o ente público é obrigado a manter de forma adequada o serviço de drenagem de água e de saneamento básico. Não é justo que a autora suporte, sozinha, o ônus do serviço de drenagem mal entabulado”.
O município não apelou, mas a matéria, por estar sujeita ao duplo grau de jurisdição, foi enviada ao TJCE para reexame necessário (nº 0000033-91.2010.8.06.0035). Ao apreciar o caso, a 1ª Câmara Cível manteve a decisão de 1º Grau. De acordo com o desembargador, “restaria configurada a negligência daquele Município, haja vista que, mesmo instado a solucionar o problema, preferiu quedar-se omisso”.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Veja o mundo como um olhar de possibilidades...

Não são pouco aqueles que têm dificuldade em aceitar a si mesmo. Olham-se no espelho e se sentem o pior dos mortais. Nutrem um pessimismo sobre o futuro e se deixam destruir pela depressão, pela distonia e pelo desânimo. Sempre indago dos meus alunos qual a primeira declaração de amor que se deve fazer na vida. A maioria responde que essa manifestação de sentimento deve ser dirigida, primeiramente aos pais e depois às pessoas com quem nos relacionamos. Mal sabem que estão redondamente enganados. Nossa primeira declaração de amor deve ser conferida a nós mesmos. Aqueles que não se amam são incapazes de amar alguém.
Amar a si mesmo não é um gesto de egocentrismo, mas sim um reconhecimento que somos um templo de Deus. Em nosso interior habita a centelha divina e por isso fazemos parte dessa genialíssima obra da criação. Imagine que somos mais de 6 bilhões de homens e mulheres e mesmo a meio de tantas multiplicidades não há sequer um igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos. Somos únicos e singulares. Por esse razão temos que fazer das nossas vidas algo extraordinário. Afinal, não haverá jamais um Carlos Albuquerque, um Francisco Antônio, uma Maria Fernanda. Fomos de fato concebidos para construir uma história, mas tudo depende de nossas escolhas. Enquanto nos perdemos pelo desânimo, pelo medo, lá fora o mundo clama por vida, coragem, determinação. Nós não nascemos para a derrota. Basta que você pense na maneira como chegou até aqui: Foram milhões de gametas masculinos se digladiando, brigando ferozmente, muitos ficaram pelo caminho, foi você quem chegou primeiro.
Portanto, ao nascermos, passamos por uma prova de resistência que nos exigiu habilidade, velocidade e meta. Isso nos dá a certeza de que podemos superar os obstáculos, por maiores que eles sejam. Se temos limitações (na saúde, nas finanças etc)elas não serão suficientes para calar nossos sonhos, soçobrar nossos ideais. Basta assistirmos às paraolimpíadas (atletas especiais) para observarmos que o impossível é mera criação humana. Aqueles atletas, com todas as suas limitações, deixam-nos uma lição de vida. Eles, na verdade, esqueceram as amarras que o destino lhes pregou, e passaram a ver o mundo com um olhar de possibilidades. Superaram a inércia porque deram asas à imaginação. Ao contrário de ficaram presos num quarto, ou mergulhados no abismo de suas dores, eles se permitiram sonhar, e esse sonho foi ganhando tamanho e forma e se transformando em grandes resultados. Mais dos que as vitórias nas competições esses atletas venceram a si mesmos.
É chegada a hora de amar a si mesmo. Se você não tem a beleza da Angelina Jolie, o dinheiro do Bill Gates, a inteligência do Rui Barbosa,tais constatações não devem lhe levar ao desânimo. Até porque nenhum deles tem a sua essência. Você é único e essa singularidade lhe faz especial. Por isso, ao se olhar no espelho não veja mais um espectro de um derrotado. Mire no seu olhar e diga a si mesmo: Eu faço parte da grande safra de Deus, sou único e especial, nasci para a vitória.

Que país terão nossos netos? POR VASCONCELOS ARRUDA

Há algum tempo venho me deleitando com a leitura das circulares conciliares e pós-conciliares que Dom Hélder Câmara escreveu ao grupo de amigos e colaboradores na década de 60, durante e após o Concílio Vaticano II. Em treze alentados volumes, publicados pelo Instituto Dom Hélder Câmara em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco, as circulares endereçadas à “Querida Família Mecejanense” revelam, dentre outras coisas, a realidade por que passou o Brasil na época. A luta contra os anos difíceis de repressão é explicitada em diversas ocasiões, na verdade, é quase constante.
Pois bem, lendo esta semana as circulares escritas entre os meses de fevereiro e dezembro de 1968, um dos períodos mais difíceis para o país, me pus a matutar sobre o quanto o Dom era um homem otimista e esperançoso. Esse pensamento me ocorreu quando lia a circular escrita entre os dias 10 e 11 de junho de 1968. Com o ímpeto e entusiasmo que sempre o caracterizaram, escreve: “Na medida em que acreditamos profundamente, misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, a ponto de resistirmos em absoluto à tentação da violência, mas resistirmos igualmente à tentação de covardia; na medida em que as dificuldades nos alimentarem e os perigos nos encorajarem, os adeptos se multiplicarão em torno de nós, e seremos invencíveis” (Circulares pós-conciliares. Recife: Cefe, 2013; v. 4., t. 2., p. 128).
Ante a admoestação do Dom, tão incisiva, não pude deixar de pensar no momento atual. Como acreditar ainda “na força da verdade, da justiça, do bem e do amor”, ante a situação escabrosa por que passa o Brasil neste momento? A quem recorreremos, quem terá os atributos necessários para promover mudanças profundas e consistentes que nos permitam dias melhores e um pouco mais de estabilidade? Enquanto assim refletia, recordei o trecho da circular de Dom Hélder. Foi aí que me dei conta de que, do início ao fim, em nenhum momento o Dom se refere a um “eu” ou um “tu”, centrando o seu discurso sempre em torno de um “nós”.
Enquanto matutava, recordei um episódio ocorrido no início da semana. Comentando com Naza, minha esposa, uma reportagem que acabáramos de ler, na qual eram noticiadas as últimas “novidades” sobre a confusa e triste situação em que está imerso o nosso querido Brasil, manifestei-lhe a minha esperança de que esse momento seja apenas uma fase por que o país está passando, e que ela, afinal, se revele um momento de expurgo, uma depuração, de modo que, algum dia, pelo menos os nossos netos possam ter, de fato, gerindo os destinos da nação, pessoas que façam jus ao crédito que lhes foi dado pelos eleitores ao sufragarem seus nomes nas urnas. Acreditar misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, especialmente agora, é não apenas necessário, mas indispensável.
* Blog Sincronicidade 

Voltar ao primeiro artigo da Constituição, POR LEONARDO BOFF

Quando há uma crise generalizada como esta que estamos vivendo e sofrendo sem perspectiva de uma saída que crie consenso, não temos outra alternativa senão voltar à fonte do poder politico, expressão da soberania de um povo. Temos que resgatar todo o valor do primeiro artigo da Constituição, parágrafo único:”Todo poder emana do povo”.
O povo é, pois,  o sujeito ultimo do poder. Em momentos em que uma nação se encontra num voo cego e perdeu orumo de seu destino, este povo deve ser convocado para dizer que tipo de país quer e que tipo de democracia deseja: esta com um presidencialismo de coalizão, feito de negócios e negociatas ou uma democracia de verdade, na qual os representantes eleitos  representam efetivamente os eleitores e não os interesses corporativos e empresariais que lhe garantiram a eleição? Urge avançar mais: precisamos dar forma política ao nível de consciência que cresceu em todos os estratos sociais, mostrando vontade de participação nos destinos do país.
No fundo volta a questão básica: vamos nos alinhar aos que detém o poder mundial (inclusive de matar todo mundo) ou vamos construir o nosso caminho autônomo, soberano e aberto à nova fase planetizada da humanidade?
primeiro projeto prolonga a história ocorrida até os dias de hoje: desde a Colônia, passando pelo Império e pela República sempre fomos mantidos subalternos. Os ibéricos não vieram para fundar aqui uma sociedade mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira. agro-indústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Essa lógica perdura até os dias atuais: tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities sem ou com parca tecnologia e valor agregado, num processo de recolonização.
Lamentavelmente este é o intento do atual governo interino, especialmente do PSDB que claramente se alinha a um severo neoliberalismo que implica diminuição do Estado, ataque aos direitos sociais em favor do mercado e um inescrupulosa privatização de bens públicos como o pré-sal entre outros.
O projeto alternativo finca suas raízes na cultura brasileira e no aproveitamento de nossa imensa riqueza que nos pode sustentar como nação independente, soberana e aberta a todas as demais nações. Seríamos uma grande potência, não militarista, nos trópicos, com uma  economia, entre as  maiores do mundo.
Curiosamente, as jornadas de junho de 2013 e posteriormente, mostraram que o povo percebeu os limites da formação social para os negócios. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil.  Numa palavra, quer ser uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade de negócios. Tal propósito implica refundar o Brasil sobre outras bases.
Mas quem escutou o clamor das ruas, especialmente, dos jovens? Efetivamente ninguém, pois tudo ficou como antes.
O que na verdade nos faltou em nossa história, foi uma verdadeira revolução como houve na França, na Itália e em outros países. A história nunca é uma continuidade, algo que cresce organicamente de uma para outra coisa. Ela é feita de descontinuidades e rupturas radicais que derrubam uma ordem e instauram uma nova.
No Brasil, como sempre lamentava Celso Furtado, nunca tivemos essa ruptura. O que predominou em todo o tempo até hoje é a política de conciliação entre os poderosos. O povo sempre ficou de fora como incômodo dos acertos feitos por cima e contra ele.
O que está ocorrendo agora com a tentativa de impeachment da Presidenta Dilma Roussef, legitimamente eleita, é de dar  continuidade  a esta política de conciliação das elites, do capital rentista e financeiro, daqueles, 10%, segundo o IBGE de 2013 que controlam  42% da renda nacional. Jessé Souza do IPEA  os enumera: são 71.440 super ricos que, por trás manejam o Estado e os rumos da economia na perspectiva de seus interesses, absolutamente egoístas, conservadores e anti-populares. Não lhes importa a perversa desigualdade social, uma das maiores do mundo, que se traduz em favelização de nossas cidades, violência absurda, geração de humilhação,preconceito e degradação social por falta de infra-estrutura, de saúde, de escola e de transporte.
Se o Brasil foi fundado como empresa e para continuar como empresa transnacionalizada, é hora de se refundar como sociedade de cidadãos criativos e conscientes de seus valores.
O meu sonho é que a atual crise com o sofrimento que  encerra, não seja em vão. Que ela crie as bases para o que Paulo Freire chamaria de “o inédito viável”: nunca mais coalização entre os poucos  ricos de costas para as grandes maiorias. Que se busque viabilizar o que prescreve a Constituição em seu terceiro artigo (IV):”promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” 
Leonardo Boff é articulista do Jornal do Brasil online e escritor.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

QUALIDADE PARA SOBREVIVER NOS TEMPOS HODIERNOS - RESILIÊNCIA

Já tratei aqui no blog sobre a imperiosa necessidade do profissional ser resiliente. Afinal, o que é resiliência? Se buscarmos o conceito na física, veremos que resiliência é propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. O que isto tem a ver com a vida profissional? Sabemos que hoje vivemos em mundo dinâmico, onde tudo muda a todo instante e a toda hora. Embora essa consciência seja evidente, o que se verifica no ambiente do trabalho é que muitos profissionais se fecham em si mesmos, não se permitindo olhar sua trajetória com outras possibilidades. Na maioria das vezes são ferozes e contrários as mudanças. Não suportam lidar com o “novo” e quando surge uma nova ideia, eles se opõem e se resguardam no seu “mundo”, sob o argumento de que aquilo não vai dar certo.
Essa atitude de pseudo sobrevivência revela, na verdade, fragilidade e absoluta ausência de resiliência. Então ficou fácil perceber que resiliência no mundo trabalho é a capacidade que temos de adaptação as mudanças, com a consciência plena de que a verdadeira sobrevivência no mercado competitivo exige do profissional um olhar aberto para as diversidades, abolindo preconceitos e superando a insidiosa zona de conforto. Exige mais ainda uma ação propositiva, sempre alicerçada pela “atitude”. É preciso andar um metro a mais sempre, surpreendendo e se antecipando aos cenários. Afinal, sempre há uma maneira de se fazer melhor aquilo que costumeiramente se conceitua “rotina de trabalho”.
Então, como ser resiliente na vida laborativa? É óbvio que a junção dessas qualidades não surge do nada. Faz-se necessário cultivar valores e apostar muitas cartas nas relações interpessoais, sabendo lidar com as diferenças, catalisando energias e, principalmente, aprendendo com as opiniões contrárias. Mais ainda: é preciso estudar bastante. Isso não importa dizer que o objeto de estudo se restringe à área de atuação profissional. Claro que é um ponto a mais, todavia é preciso ir muito além: Aprender com os filósofos, mergulhar na história e na sociologia, encantar-se pela arte e a literatura.Em síntese, trata-se de ter uma visão holística do mundo, permeada pela capacidade de vislumbrar o belo na criação divina e nas coisas humanas, não perdendo a sensibilidade para “escutar” e cercando-se da tão saudável “humildade”, que nos faz compreender o quanto somos imperfeitos e do quanto necessitamos do “outro” para alcançarmos o êxito nas batalhas da vida.

Portanto, ser resiliente é também perceber que o sucesso não é resultado de uma ação individual, mas sim fruto de uma construção coletiva em que a colaboração de cada um, direta ou indireta, faz a enorme diferença. Por isso, o verdadeiro êxito não é subir ao pódio sozinho, mas alcancá-lo ladeado de muitos companheiros de luta.