sexta-feira, 29 de maio de 2015

O DIA PARA SE CELEBRAR É AGORA!!!


Sempre tenho dito que costumamos imaginar o tempo como algo manipulável e que sempre está à nossa disposição. Estabelecemos nossos projetos para o futuro e, quando adiamos o cronograma de execução, por uma desculpa ou outra, somos suficientemente prepotentes a ponto de imaginar que mais uma vez o tempo irá esperar nossa demora.
Vandré já dizia que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Algo nos parece enigmático: Podemos controlar o tempo, adiando nossos planos e projetos? Somos senhores do tempo? Ledo engano, afinal o tempo não para. O que temos de concreto é o dia de hoje, mais precisamente o agora. Esse raciocínio impõe refletirmos sobre muitos aspectos de nossas vidas em que deixamos o tempo passar e as oportunidades irem com ele, ficando um rastro de frustração.
Quantas vezes na vida não guardamos aquele whisky escocês, a lingerie francesa, o vestido daquele costureiro famoso para uma “ocasião especial”. Ficam lá envelhecidos pelo tempo, esperando o momento oportuno de entrar em cena. Adiamos até mesmo aquela sonhada declaração de amor pois, quem sabe um dia, não aparece a princesa ou o príncipe dos sonhos pueris. Chegamos ao cúmulo de postergar até o perdão, ou talvez o sorriso para aquele desafeto. Tudo isso fazemos porque imaginamos para cada coisa um dia no futuro, uma circunstância que seja mais propícia. Aprendemos, pelo horizontalismo cartesiano, a dividir nossas vidas pelos dias da semana, pelos meses e anos. Esse convencionalismo brutal e arbitrário nos afasta do que é óbvio: O que temos de fazer tem que ser agora sob pena de que não haja mais tempo para realizá-lo.
Imagine aquele empresário, de origem pobre, que alimentou tantos sonhos de um dia, no futuro, viajar com os filhos pela Europa, mas antes porém precisava ganhar dinheiro, muito dinheiro. A viagem já tinha até data marcada (no ano tal). Ocorre que um ataque cardíaco fulminante atravessou seu caminho e sucumbiu sua vida. De fato ele arriscou no futuro, esqueceu-se, entretanto, de perceber que a vida não se conta pelos dias mas sim pelos momentos. E quantos de nós ainda estamos esperando algum dia no futuro para começar a estudar pra valer, para iniciar a academia, frequentar aquele curso, abraçar os filhos, fazer dieta e etc. Lamentável, mal sabemos quantos segundos nos restam, mas cometemos a asneira de adiar sempre os planos e projetos como se a finitude, destino implacável de cada ser humano, não nos concitasse a viver o agora com a intensidade que lhe é devida, apreciando cada instante como se fosse único, aproveitando o sabor das coisas boas e sentindo-lhe o gosto derradeiro.
Se vivêssemos cada dia como se fosse o último, teríamos uma vida intensa e abundante. Não perderíamos tempo com discussões burlescas, com rancores infrutíferos, com debates intermináveis, com intrigas que não nos leva à nada. Na intensidade desse único dia que ainda restava, saberíamos aproveitar mais a beleza das coisas simples e valorizaríamos mais as pessoas, que muitas vezes nos estão tão próximas e ao mesmo tempo nos parecem tão distantes. Olharíamos a família, o irmão, o outro com um olhar de acolhimento, de uma saudade consentida, e faríamos, daquele momento último, uma entrega absoluta, incondicional.
E vivendo o dia como se fosse último, aprenderíamos que não há uma data para amar, perdoar, construir. O que há de fato é o agora para colocar os planos em ação, os sonhos em execução, sem se permitir tergiversar, procrastinar. Por isso, não guarde as coisas para uma ocasião especial. Todo dia é dia para se comemorar e realizar.

terça-feira, 26 de maio de 2015

REFLEXÃO BELÍSSIMA: VALE A PENA LER !!!!!

Patrono da turma de 2014 da faculdade de Direito da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, proferiu emocionante discurso com reflexões essenciais relacionadas à vida e ao Direito.

Confira a íntegra do texto.
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A vida e o Direito: breve manual de instruções
I. Introdução
Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.
Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.
É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.
II. A regra nº 1
No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.
E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.
Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.
Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.
III. A regra nº 2
Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: “Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.
Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, “nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos”. Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro.

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.
IV. A regra nº 3
Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".
Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro.

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.

V. A regra nº 4Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa.
Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.
VI. A regra nº 5
Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.
Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".
Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.
VII. Conclusão
Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:
1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;
2. A verdade não tem dono;
3. O modo como se fala faz toda a diferença;
4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;
5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.
Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:
(i) Fique vivo;
(ii) Fique inteiro;
(iii) Seja bom-caráter;
(iv) Seja educado; e
(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.
Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".

O ato mais paradigmático, POR VASCO ARRUDA

Na tentativa de consolidar a minha fé cristã, frequentemente tenho recorrido à leitura da Bíblia e a outros livros que abordam a vida e mensagem de Jesus Cristo. O fato é que Cristo aparece ainda como um enigma a ser decifrado, enigma esse que, quanto mais se adentra, tanto mais se mostra profundo, revelando uma inesgotabilidade desconcertante.  
Cada episódio de sua vida teve ressonâncias muito importantes, merecendo de quem se apresenta como pretenso discípulo especial atenção. De todos, o que me aparece como mais paradigmático é aquele em que o Mestre retira-se com os discípulos para orar no monte das Oliveiras: “Ele saiu e, como de costume, dirigiu-se ao monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar, disse-lhes: ´Orai para não cairdes em tentação`. E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: ´Pai, se queres, afasta de mim este cálice!` Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra” (Lc 22,39-44).
Tenho este como o episódio mais importante de toda a trajetória de Cristo. Assim o considero porque foi dele que dependeu tudo o que se seguiu. Tivesse ele recusado o projeto do Pai, nada mais teria sucedido. Mas o que me faz atribuir-lhe, também, tanta importância é o fato de considerá-lo o ato paradigmático por excelência. Creio que todo ser humano, em determinado momento de sua vida, é desafiado a dizer o seu sim ao projeto que lhe foi destinado ao nascer. De sua disponibilidade em responder afirmativamente ao chamado decorrerá tudo mais.
Embora em alguns momentos me ocorra duvidar da factibilidade do projeto cristão – e, portanto, da eficácia do sim dado por Cristo ao Pai – vez por outra sopra uma aragem, reacendendo a chama da esperança. Digo isso pensando num episódio ocorrido no início dessa semana. Segunda-feira, o site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou uma nota em que afirma: “A arquidiocese de Olinda e Recife (PE) recebeu carta da Congregação para a Causa dos Santos informando que ´aguarda o parecer de diferentes Dicastérios para se poder proceder ao processo de beatificação` do Servo de Deus dom Helder Pessoa Câmara.”
Cada vez que penso em figuras como a do Dom ou do papa Francisco, a minha fraca e vacilante fé ganha um pouco mais de consistência, e me convenço de que o sim de Cristo ao plano do Pai não foi em vão. E sinto que, muito mais que um enigma a ser decifrado, Cristo é um enigma a ser experienciado. Para que tal experiência se efetive, no entanto, tudo o que ele pede é que se diga sim ao seu convite. A questão é que esse sim é tanto mais desejado quanto indefinidamente adiado, pela radicalidade do projeto proposto pelo Mestre. Quem se habilita? 
Do blog Sincronicidade (O POVO)

CAOS NA EDUCAÇÃO:MEC vai cortar vagas do Pronatec e do Ciências sem Fronteiras

“O Ministério da Educação (MEC) vai cortar vagas dos programas Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Ciência sem Fronteiras, de acordo com nota divulgada pela pasta. Mas programas de merenda e transporte escolar, além do Dinheiro Direto na Escola (PDDE), destinado a melhorias nos centros de ensino, serão mantidos sem cortes.
O MEC informou que Pronatec, o Ciência sem Fronteiras e “e outros, têm a sua continuidade garantida este ano, com o redimensionamento na oferta buscando otimizar o atendimento dos estados e das vagas, com ofertas que ainda serão definidas, mas que quantitativamente serão em número inferior ao do ano passado”.
De acordo com a nota, o número de vagas ofertadas pelo Pronatec será divulgado em breve. O programa foi criado em 2011 para expandir a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país. Foi um dos carros-chefes na campanha da presidenta Dilma Rousseff, com o anúncio que pretendia criar mais 12 milhões de vagas.
Um dos programas reduzidos dentro do Pronatec será o Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). O Sisutec, que seleciona para o ensino técnico estudantes que concluíram o nível médio com base nas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já teve as inscrições adiadas mais de uma vez. Não haverá edição no primeiro semestre, como geralmente ocorre. No ano passado, o programa ofereceu aproximadamente 580 mil vagas, somadas as duas edições.”
(Agência Brasil)

A cunha Renana,POR FREI BETO

Na Roma antiga, as legiões adotavam diferentes formações militares. Uma delas era a cunha, quando as tropas se moviam em forma de triângulo para encurralar os adversários.
A Renânia é, hoje, a região mais industrializada da Alemanha. O Tratado de Versalhes (1919) a desmilitarizou. Hitler, porém, violou o tratado e ocupou-a com suas tropas. Criou a cunha renana que, ao longo do rio Reno, tinha a função de acuar os inimigos.
O Brasil conhece, agora, sua cunha renana. Tem como vértice o PMDB e amplia o cerco sobre o PT e força o recuo do Executivo.
A brincadeira acabou. O Congresso já não faz o que o mestre mandar. Sobretudo porque, diante dos escândalos de corrupção, o mestre já não manda as benesses que, antes, quebravam resistências e ampliavam o leque de aliados.
Ora, não é porque as vacas estão magras que os bezerros deixam de querer mamar.
Antigos palácios eram cercados, como proteção, por fossos repletos de crocodilos. Hoje, o fosso é político. O Planalto, convencido de que todo poder emana do núcleo duro do governo, perdeu a sintonia com o Congresso. E também com o Judiciário, uma das arestas que formam a cunha renana.
Na Praça dos Três Poderes não há indícios de que Suas Excelências têm olhos e coração voltados para o Brasil. O foco são as eleições de 2018.
O PMDB, como me confessou um de seus dirigentes, cansou de ser acólito do PT. Não se sente devidamente recompensado em número e importância de ministérios. Nem quer ajudar a carregar o pesado piano do ajuste fiscal depois que cessou a música da gastança.
Já que escolheu assegurar sua governabilidade pelo andar de cima (mercado e Congresso), o PT, sitiado pela cunha renana, sabe que continuará a ser obrigado a negociar seus princípios e projetos. Leia-se: abdicar de seus propósitos originários.
Ainda mais agora que se distanciou do andar de baixo, os movimentos sociais, e já não faz trabalho político de base. Conta com filiados e eleitores, não com militantes.
A cunha renana, sem dúvida, prosseguirá seu avanço até transformar o Planalto em planície – terra arrasada. Haja vice para tentar salvar a aliança inconsútil.
O Planalto sabe que há luz no fim do túnel: os segmentos organizados da expressiva parcela de eleitores que elegeu o atual governo.
Porém, por insensibilidade ao andar de baixo, alvo de políticas sociais e, no entanto, escanteado de partipação nas decisões de governo, dificilmente ousará acender a luz no fim do túnel. Não acredita que ela seria capaz de ofuscar a cunha renana e obrigá-la ao recuo.
E lembrar que o partido que agora pensa em se reinventar ou refundar nasceu como expressão política dos pobres, baluarte ético e socialista, e criou as prévias eleitorais interpartidárias, o orçamento participativo, os núcleos de base e a consulta popular...
Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros

ProUni tem bolsistas que já morreram e de alta renda, mostra auditoria da CGU


Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou falhas nos mecanismos de controle para concessão e manutenção das bolsas do Programa Universidade Para Todos (ProUni). Entre as irregularidades, foram identificados 47 beneficiários mortos, além de 4.421 bolsistas cuja renda não atende aos critérios exigidos pelo programa.

O trabalho da CGU avaliou cursos, universidades, candidatos e bolsistas de todas as regiões do país. A controladoria verificou o cumprimento das exigências do programa, além da frequência e do desempenho acadêmico dos bolsistas. A investigação envolveu 291 fiscalizações, além da análise de dados do Sistema Informatizado do ProUni (SisProUni) entre 2005 e 2012.

Para chegar à conclusão de que as pessoas que já morreram recebiam a bolsa, os auditores cruzaram os dados do Sistema Informatizado de Controle de Óbitos com o sistema de dados do Prouni. Eles encontraram beneficiários que haviam morrido, mas contavam como “em utilização-bolsista matriculado”, sendo que um deles morreu antes de se tornar bolsista e os outros 46 após o recebimento da bolsa.

Segundo o levantamento, 12,2% dos candidatos da amostra deixaram de comprovar ao menos um critério para a concessão do benefício, como escolaridade, residência e renda. Foi constatada também a existência de 58 registros de candidatos que informaram não serem brasileiros natos ou naturalizados. Além disso, seis pessoas tinham duas bolsas ativas, o que contraria as normas do ProUni.

A CGU informou, em nota, que “houve problemas na alimentação dos dados do SisProUni pelas instituições de ensino, bolsistas com desempenho acadêmico inferior ao estipulado, inconsistência no que a instituição informava sobre bolsas do ProUni e as vagas efetivamente oferecidas no vestibular, entre outros”.

(Agência Brasil)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A TERCEIRA VIA, Por Merval Pereira


À medida que a disputa política fica mais acirrada, com PT e PSDB buscando espaços para se firmarem como polos que se contrapõem, abre-se um caminho para uma terceira via que tanto pode ser de uma direita que começa a se organizar, quanto de esquerda, representada pela Rede de Marina Silva ou por dissidências mais radicais.
O surgimento de potenciais candidaturas "de direita", como a do senador Ronaldo Caiado do DEM de Goiás, ou de direita radical como o deputado Jair Bolsonaro, retiram do PSDB a pecha de "direitista" que o PT há anos tenta pespegar nos tucanos.
Candidaturas radicais de esquerda, como do Psol por exemplo, também tendem a colocar o PT mais para o centro, cujo eleitorado também será disputado pela Rede de Marina. Não surgiu ainda no horizonte político nenhuma terceira via sem filiação partidária, mas o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa permanece como uma alternativa que agrada parte do eleitorado em busca de uma solução nova para a disputa entre PT e PSDB.
Apontar o juiz Sérgio Moro como aspirante à Presidência é apenas uma manobra rasa dos que querem inviabilizar seu trabalho. A verdadeira comoção que ele provoca ao aparecer em público, assim como os aplausos que a presença de Barbosa continua a estimular, mostram que há um público ávido por novas figuras, não comprometidas com o jogo político atualmente em disputa.
PT e PSDB, no entanto, continuam sendo os catalizadores da maioria do eleitorado brasileiro, e no momento a oposição, não apenas o PSDB, parece dominar o sentimento generalizado, levando a crer que o ciclo petista tende a terminar, se não antes do fim do mandato de Dilma, na eleição de 2018.
O próprio Lula já tem admitido, segundo relatos, que não tem condições de ser candidato à sucessão de Dilma caso seu governo não se recupere, e nada indica que isso vá acontecer a tempo de dar condições de disputa a um candidato petista, mesmo que ele seja um Lula já em franco desgaste.
As diversificadas e permanentes revelações sobre a atuação governista no escândalo do petrolão, se não provocarem um processo de impeachment de Dilma, necessariamente manterão um clima político contrário à pretensão do PT de permanecer 20 anos ou mais no poder.
O programa do PSDB de terça-feira foi dos mais violentos já feitos pela oposição ao PT, e não é à toa que a direção petista anunciou que irá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que classificou de "campanha suja, odiosa e reacionária dos tucanos e seus sequazes".
Não vai dar em nada, pois a democracia pressupõe que os adversários se debatam em campo aberto. O PT não está acostumado a sofrer esse tipo de ataque, só a desferi-lo, quando esteve fora do poder central. O ataque petista virá na mesma dimensão, pelo que anuncia a nota oficial do partido, que acusa o PSDB de diversos "malfeitos e ilicitudes". 
Ambos os partidos tratam as denúncias como motivadas por disputas políticas apenas, mas o desgaste é inevitável. O perigo é que fique no eleitorado a ideia de que os dois têm razão.
A agressividade com que o PSDB vem atuando na oposição, e mais sua disposição de votar contra as medidas propostas pelo governo Dilma para o ajuste fiscal, mesmo quando algumas delas, como o fator previdenciário, eram defendidas pelo partido até pouco tempo atrás, está trazendo desconforto para eleitores tradicionais dos tucanos, que não se reconhecem mais no radicalismo assumido.
Outros, ao contrário, exigem posições mais firmes, como o apoio oficial a um eventual impeachment da presidente Dilma, ainda que sem provas que o sustentem. A tendência é que o embate entre as duas forças que polarizam a política brasileira há mais de 20 anos continue se adensando à medida que as investigações dos escândalos, e as crises políticas e econômicas, tendem a aumentar.
O caminho para uma terceira via está aberto, e até o PMDB 

Fragilidade política do governo dificulta ajuste fiscal, POR BETH CATALDO

A fragilidade política do governo explica a maior parte dos obstáculos que as medidas propostas para o ajuste fiscal estão enfrentando no Congresso Nacional, deixando em suspenso as chances de a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) ser alcançada neste ano. “Não vai ter solidariedade”, comenta o economista Raul Velloso, referindo-se à resistência dos parlamentares em aceitar a receita indigesta apresentada pela equipe econômica para equilibrar as contas públicas do país.
A experiência de 2003, quando o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ocupava a Secretaria do Tesouro Nacional, foi lembrada por Velloso para ilustrar o forte componente político que envolve os processos de ajuste fiscal. Naquele ano, aplicou-se um corte de 10% dos chamados gastos discricionários, que não envolvem despesas obrigatórias, com impacto não apenas nas rubricas de custeio como também nos recursos de investimento.
A diferença em relação ao momento atual, segundo ele, é que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha musculatura política suficiente para impor as medidas consideradas necessárias para garantir a estabilidade econômica. Até mesmo para sinalizar, naquele início do primeiro ano do Partido dos Trabalhadores (PT) na Presidência da República, que o compromisso com a matriz econômica herdada do governo anterior era para valer.
A única saída possível preconizada por Velloso, na situação atual, é a negociação: “Se alguém achou que seria diferente, enganou-se”. O mais provável é que a disputa por “migalhas”, de acordo com sua expressão, acentue-se entre os ministérios já submetidos a uma dieta severa de contenção, antes mesmo da sanção da lei orçamentária pela presidente Dilma Rousseff. Em fevereiro, o decreto presidencial 8412 reduziu a 1/18 avos os gastos mensais autorizados na administração direta.
O agravamento das disputas políticas no Congresso, com repercussão inevitável na tramitação das medidas do ajuste fiscal, obrigará o ministro Joaquim Levy a se desdobrar em novas frentes de negociação. E que já não se limitam às áreas do Executivo e do Legislativo, estendendo-se também aos movimentos sociais. Sua onipresente figura pública coloca à prova o seu fôlego político e pessoal.
Na última segunda-feira, o ministro da Fazenda esteve às voltas com os manifestantes da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), que lhe barravam a entrada na porta do ministério. Depois de negociar com os representantes do movimento no início da manhã, ainda voltou a sentar-se com eles e outros ministros do governo à tarde. No texto assinado pela CUT Nacional, no site da entidade, a promessa registrada é que não haverá cortes no orçamento do setor.

Sucesso: Não basta começar uma grande ideia

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Inscrições do Enem começam às 10h do dia 25 de maio


O Ministério da Educação publicou, na edição desta segunda-feira (18) do "Diário Oficial da União", o edital com as regras da edição de 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As provas serão realizadas em 24 e 25 de outubro, e as inscrições serão abertas às 10h da próxima segunda-feira, dia 25 de maio.
As datas das provas foram anunciadas pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, na quinta (14), em Brasília. Nesta edição, oEnem sofreu diversas modificações, principalmente em relação ao valor da taxa de inscrição, e a medidas de segurança que alteraram o horário das provas.
Veja abaixo os destaques:

DATA DAS INSCRIÇÕES
As inscrições ocorrem entre as 10h de 25 de maio e as 23h59 de 5 de junho. Para quem não conseguir isenção, a inscrição só será "confirmada" após o pagamento da taxa de R$ 63 até as 21h59 do dia 10 de junho.

TAXA DE INSCRIÇÃO
Sofreu aumento pela primeira vez em mais de dez anos. Até 2014, o valor era R$ 35. Agora, passa a ser de R$ 63.

ISENTOS DE TAXA
Estudantes da rede pública no último ano do ensino médio estão automaticamente isentos. Além deles, podem obter isenção candidatos que comprovarem carência, segundo as regras do edital.

Segundo o edital, a solicitação de isenção do pagamento da taxa de inscrição somente poderá ser realizada no sistema de inscrição por meio da declaração de carência socioeconômica e durante o período de inscrição.
Os demais candidatos, mesmo que tenham feito ou estejam fazendo o ensino médio integralmente na rede pública, precisarão pagar a taxa. Segundo o ministro, cerca de 30% das provas impressas acabam sem uso por causa das abstenções. Para tentar diminuir as faltas, o MEC afirmou que estudantes liberados do pagamento que não forem às provas vão perder o direito à isenção na próxima edição.
DURAÇÃO DAS PROVAS
No primeiro dia, ciências humanas e ciências da natureza terão 4 horas e meia de duração. No segundo dia, linguagens, matemática e redação terão 5 horas e meia de duração.

Fonte G1

PDT pode romper com Governo. Partido no Ceará estaria com relações estremecidas?

andré figueiredo pdt sesporte
André Figueiredo preside o PDT no Ceará.
“A votação em bloco dos 19 deputados do PDT contra o ajuste fiscal da presidente Dilma Rousseff foi um sintoma. Outro foram as declarações do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que disse numa reunião interna que o PT “roubou demais”, segundo o jornal
O Estado de S. Paulo. “O PT exauriu-se, esgotou-se. Olha o caso da Petrobras. A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram demais”, disse Lupi na ocasião.

Mirando as eleições de 2016, o PDT já articula a formação de uma bancada “independente” no Congresso Nacional e negocia alianças inclusive com partidos de oposição para lançar candidatos a prefeito e vice-prefeito na maioria das capitais.
Apesar de ocupar o Ministério do Trabalho desde 2007 e de ser um aliado histórico dos petistas, o PDT viu sua parceria com o PT minguar depois das eleições de 2014. Em ao menos 20 estados, os pedetistas estão parcial ou totalmente em campo oposto ao dos petistas.
“O PT quer receber nosso apoio, mas é difícil ter reciprocidade. E isso vai ser levado em conta pelos membros do partido na hora de deliberar sobre a aliança nacional”, afirma o presidente do PDT, Carlos Lupi.
Nos dois estados governados pelo PDT e nos cinco comandados pelo PT, a aliança dos dois partidos é sólida apenas em um: no Acre. No Amapá e em Mato Grosso, governados pelos pedetistas Waldez Góes e Pedro Taques, respectivamente, os petistas engrossam as bancadas de oposição.
Já nos estados governados pelo PT, a aliança está estremecida na Bahia, no Ceará e Piauí. Em Minas Gerais, onde é tradicional aliado de Aécio Neves (PSDB), o PDT declara-se “independente” da gestão Fernando Pimentel (PT).
(Com Agências)
via Blog Eliomar de Lima

Contribuinte pode conferir pendências na declaração de IRPF deste ano

O contribuinte que entregou a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2015 (ano-calendário 2014) já pode consultar se há pendências em sua declaração e fazer a autorregularização para corrigir qualquer problema.

De acordo com a Receita Federal, quem identificar no extrato do processamento algum erro deve fazer a retificação para não cair na malha fina. “O contribuinte que enviar nova declaração com as informações corretas, automaticamente fica com a declaração liberada da malha”, explicou o órgão, em nota.

O contribuinte pode ter acesso ao extrato do processamento da declaração na página da Receita Federal, pelo portal e-CAC. A página pode ser acessada por certificado digital ou por código (clique AQUI), que é gerado a partir dos números do recibo de entrega das declarações de imposto de Renda dos dois últimos exercícios.

(com Agências)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Devastação na Terra dos deuses, Por VASCONCELOS ARRUDA

No livro “Power places of Kathmandu”, escreve o autor, Kevin Bubriski: “Lugares de poder são a sede dos deuses, pontos focais de energia divina. Nas tradições hindus e budistas do Vale de Kathmandu, o lugar primário de comunicação com os deuses está em suas residências:pithasthan, livremente traduzido como ´lugares de poder`. Os locais de poder são janelas sobre o reino do divino. Eles são a fonte de revitalização espiritual e renovada energia psíquica” (tradução minha).
Adquiri esse livro na “Pilgrims Book House”, a maior livraria de Kathmandu. Por duas vezes estive no Nepal. A primeira, em 1996, ocasião em que fiz um trekking de sete dias pelas trilhas de montanha. A segunda, em 1999, quando encetei uma jornada de 950 quilômetros ao longo da cordilheira do Himalaia, iniciando-se em Lhasa, capital do Tibet, e terminando em Kathmandu.
O Nepal, com uma população de mais de trinta milhões de pessoas, é um dos países mais pobres da Ásia. Contraditoriamente, é um dos mais ricos do mundo em biodiversidade, devido a sua localização geográfica, além de ser detentor de um dos maiores potenciais hidrelétricos do planeta, com diversos rios perenes. País multiétnico, possui uma cultura peculiaríssima. Até pouco tempo uma monarquia, desde 2008 passou a se denominar República Democrática Federal. É para essa nação que o mundo inteiro tem voltado seu olhar nos últimos dias.
Na quarta-feira, 22 de abril, ao postar no facebook um vídeo mostrando o Vale de Kathmandu, escrevi: “Saudade de Kathmandu, de suas fabulosas paisagens, sua música, seu povo tão amável e acolhedor. A primeira vez que lá estive, ao degustar uma Tuborg, deliciosíssima cerveja, o garçom se aproximou da mesa em que me encontrava e, para minha grande surpresa, indagou: ´Are you nepali?` Ele queria saber se eu era nepalês, pois, segundo disse, eu me assemelho muito ao povo nepalês. O episódio valeu por tudo mais que pudesse me acontecer ao longo da minha peregrinação àquele extraordinário país, cheio de tantos encantos e magia. Isso ocorreu em 1996. Três anos depois, retornei ao Nepal. Elegi-o como minha segunda pátria. Nunca senti tanta familiaridade com uma outra cidade como sinto com sua capital, Kathmandu. Mistérios que não consigo explicar…”
Três dias depois, ao acessar a internet logo cedo, a primeira notícia que vi dava conta de um devastador terremoto que assolara o Nepal naquela manhã, ceifando milhares de vidas e devastando Kathmandu. Fiquei atônito. Lembrei da minha postagem no facebook. Nada em especial me motivara a escrever aquele pequeno texto, a não ser o meu grande amor pelo Nepal e seu povo. Mera coincidência? Pode ser, mas prefiro acreditar que algo bem maior que uma simples coincidência me levou a fazer aquela postagem. Não tenho, entretanto, uma explicação plausível. O fato se inscreve no rol dessas coisas que nos acontecem de vez em quando e que se furtam a qualquer tentativa de uma explicação lógica.
Fonte: Blog Sincronicidade 

Reitor e Vice-Reitora acompanharam o início das obras do RU da UVA


O Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Prof. Fabianno Cavalcante de Carvalho, e a Vice-Reitora Profª Izabelle Mont’Alverne acompanharam, na manhã última quinta-feira, 7 de maio, o início das obras de construção do Restaurante Universitário da UVA, no campus da Betânia. “Esta é uma demanda antiga, de mais de 20 anos, da comunidade acadêmica que está podendo ser atendida com os esforços conjuntos da Administração Superior da Universidade, professores e estudantes”, afirmou o reitor.

O Restaurante Universitário servirá 1.200 refeições (almoço e jantar) e terá uma área construída de 920,70 m² com uma estrutura composta por refeitório com 216 lugares; cozinha industrial; câmaras frigoríficas (congelamento e fria); área de inspeção de materiais; depósitos de utensílios; depósito de resíduos; sanitários; vestiários para funcionários; área de carga e descarga; Administração; sala de nutrição; área de serviços; área de convivência (varanda) e jardins.

A obra teve início com o serviço de limpeza e terraplanagem da área de 2.611,37m², próxima à Praça do Mestre, Herbário e Núcleo de Prática Jurídica, devendo ser finalizada em 6 meses. O investimento total para a construção do Restaurante é de R$ 1.957.533.62.

(Com Sobral em Revista)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Seu filho é viciado em internet?, POR ANDREA AMARAL(G1)

Menino usa tablet
Recebi a seguinte consulta de uma mãe, R.D.: "Meus filhos, de 7 e 8 anos, estão viciados em internet. Começou aos poucos: games no final de semana, redes sociais, grupos de Whatsapp. Agora são muitas horas por dia, chegam a passar um fim de semana inteiro jogando".

A mensagem continua: "Às vezes eu mesma acabo estimulando, chego do trabalho muito cansada e os dois, mais o cachorro, pedindo para brincar. Sem energia para nada, dou um ossinho para o cachorro e libero o tablet para as crianças. No restaurante, eles só ficam quietos se deixo usar o celular. Agora se tornou uma bola de neve: eles estudam pouco, convivem cada vez menos e pediram para sair da aula de futebol".

O problema vivido por R.D. não é um caso isolado. De fato, o vício em internet é crescente entre crianças e jovens. Uma pesquisa realizada em 2014 por uma organização canadense mostra que 16% dos jovens entre 18 e 25 anos passam mais de quinze horas por dia na web. Estudos realizados em outros países reportam índices similares.

Neste ano, um adolescente chinês cortou a própria mão por desespero ao não conseguir desligar a internet. Na China, são 24 milhões de viciados. Alguns pais chineses afirmam que o vício destruiu as suas famílias. Não é um exagero, pois sabe-se que os efeitos da dependência em internet podem ser tão devastadores psíquica e socialmente como os causados pelo alcoolismo e pelas drogas. Além disso, pode haver complicações como déficit de atenção, hiperatividade ou depressão. Na China, há pelo menos 400 centros especializados nesse atendimento.

Como lidar com isso?
A primeira medida é preventiva: diversificar as atividades da criança, com espaços programados para leitura, esportes, lazer, estudo e deveres de casa.
Segundo: limitar o uso de eletrônicos – uma hora por dia é o suficiente, podendo expandir um pouco nos finais de semana.
Terceiro: dar o exemplo e estimular o convívio em casa, dialogando com os filhos, fazendo as refeições juntos.

Quando o vício já está instalado, a alternativa mais indicada é encaminhar o caso para um acompanhamento de psicólogos ou psiquiatras especializados nessa patologia. Analogamente ao que ocorre nos casos de dependência química, o tratamento pode precisar envolver membros da família.

Teste rápido

Se você responder SIM a pelo menos quatro destas perguntas, existe risco de seu filho estar viciado em internet.

•    Seu filho conseguiria ficar sem usar internet por uma semana?
•    Quando você pede para desligar os eletrônicos ele costuma reagir de forma negativa ou agressiva?
•    Seu filho aceita facilmente trocar uma atividade que envolve internet por outro programa, como sair com a família, brincar, praticar um esporte ou ir ao cinema?
•    Conectar-se à internet é a primeira coisa que seu filho faz ao acordar, antes mesmo de tomar café da manhã?
•    Ele fala em excesso sobre games, redes sociais e eventos que, na maioria, acontecem apenas dentro da web?
•    O tempo que seu filho passa conectado vem aumentando nos últimos 12 meses?
•    A internet já foi motivo de brigas na sua casa?
•    Quando seu filho vai à casa de amigos, costuma pedir para usar o computador ou a senha da rede wi-fi, ou usa o celular em excesso?
•    Em locais em que não é possível usar eletrônicos, você percebe mudança de comportamento, como ansiedade, nervosismo, impaciência, agressividade ou dispersão?
•    Nos últimos 12 meses, seu filho deixou de fazer deveres ou estudar para ficar na internet, ou houve alguma queda nas notas por causa da web?
•    Nos últimos 12 meses, seu filho pediu para sair de alguma atividade como aulas de esportes ou idiomas, ou programas familiares, e acabou usando esse tempo para ficar na internet?
•    Você tem a impressão de que seu filho poderia aproveitar melhor a infância ou a adolescência se a internet não existisse?
Foto: Reprodução/TV Globo