segunda-feira, 30 de março de 2015

A DIFÍCIL TAREFA DE SER LÍDER

Tudo começa de dentro para fora

Talvez uma das maiores dificuldades que temos na vida corporativa e no âmbito pessoal é compreendermos o conceito de liderança. Destaquei, nesse contexto, a vida pessoal pois lá também o exercício da liderança deve ser vivenciado em sua plenitude sob pena do soçobramento da harmonia entre seus membros e, por corolário, do desmoronamento dos valores familiares. Não se há de distinguir ser líder em casa ou no trabalho. Ambas situações se entrelaçam de forma indissociável.
Suas ações em família indicam sua atuação no trabalho. Se em casa sua relação é pautada pelo desrespeito, pelo absenteísmo, pela falta de compromisso, torna-se-á óbvio que tais práticas transcenderão o espaço do lar e refletir-se-ão na sua atividade laborativa. Daí entendermos que o exercício da liderança começa no recôndito do lar e, por extensão metafórica, no espaço íntimo de nossos pensamentos. Melhor dizendo: Tudo começa de dentro para fora.
É claro que precisamos afinar nossos instrumentos, primeiramente, na vida pessoal: equilíbrio nos gastos do orçamento familiar, criar espaço para uma relação em família sob o imperativo do diálogo, organizar seu tempo para as necessidades urgentes e prioritárias, saber cobrar responsabilidades, cuidar da saúde, implicando abstinência ao exagero.
Com essas experiências vivenciadas, só então estaremos aptos a nos tornarmos líderes no mundo corporativo. Lembro-me da máxima do maior orador sacro da língua portuguesa, autor de "Os Sermões", Padre Antônio Vieira: Só o exemplo educa. Parafraseando o eminente escritor, di-lo-ei: Só o exemplo nos torna um líder.
Seremos capazes de convencer, de motivar o outro, de exercitarmos a liderança plena, à medida que nossas ações correspondam ao nível de nossas exigências. Se falamos algo, cobramos algo, mas fazemos diferentes, não estamos inspirando, educando, ao contrário, impelimos o outro a agir com uma personalidade travestida, mascarada. Só a transparência é capaz de convencer. Se você é austero, continue austero; se você prima pela perfeição, continue primando pela perfeição. Pior seria se tornar uma personagem mutável ao calor das ocasiões, transparecendo algo que não lhe é próprio. Para ser líder não é necessário um sorriso constante no rosto, uma caridade inútil, um gesto de cortesia exagerado.
Ser líder, na verdade, é ser coerente, é ser você mesmo. Se seu jeito de ser não é agradável a todos, fazer o contrário para parecer bacana é tão irreal quanto querer armazenar a água do mar numa cumbuca. Seja você mesmo, afinal todos nós somos diferentes. Mas se permita rever seus atos, corrigir suas ações.
Outro ponto que reputo de real preocupação é reduzirmos o conceito de liderença a uma permissividade na ação praticada pelo subordinado, além da aceitação indecorosa da atitude irresponsável e incompetente de um liderado. Tudo em nome da bondade, da empatia. Não digo que ser empático seja um defeito, pelo contrário, admito a empatia como uma das maiores qualidades de um líder. O que me leva a questionar é que muitas vezes não saímos da zona de conforto pelo medo de magoar o outro e , como consequência, aceitamos que nossos liderados pratiquem as piores atrocidades.
Não percebemos, entretanto, que a nossa omissão em não corrigi-lo, chamá-lo à responsabilidade, porá em risco o futuro de uma empresa e o que é mais grave, atingirá inocentes, mormente aqueles que com zelo e compromisso dedicam sua vida ao trabalho. Dessa forma entendo que o exercício da verdadeira liderança perpassa pelo compromisso de enxergar o coletivo como fim último, inarredável, sob pena de um só apodrecer todo o cacho de uvas.

Finalizo, por dizer, que ao analisarmos a aceitação dos nossos subordinados ao nosso jeito de liderar, tenhamos cuidado com os aplausos em demasia, com os elogios gratuitos. Muitas vezes tais manifestações são apenas frutos do expediente da bajulação. Afinal, há uma máxima há muito reverenciada que diz: "O segredo do sucesso não se sabe. Do fracasso, é querer agradar a todos". 

AS LIÇÕES DE UMA CRISE

A crise financeira que ainda assola a Europa nos deixa grandes lições e nos permite revisitar sua história. Somos sabedores que esse continente foi celeiro dos maiores filósofos da história da humanidade. A cultura europeia construiu as bases do conhecimento do mundo ocidental. Seu apogeu intelectual ainda hoje influencia a construção do pensamento do homem pós-contemporâneo. Não obstante distinção histórica tão nobre, os países do velho mundo se veem hoje diante de um abismo existencial profundo, cujo fosso delimita bruscamente a distância de uma época de glória a um período de profundo desconcerto econômico e desarranjo institucional.
Quais lições podemos tirar desse lamentável episódio? Obviamente devemos nos acercar da assertiva que nos ensina que o sucesso de ontem não nos garantirá o êxito futuro. Mais ainda é necessário perceber que a glória e o apogeu não são absolutos e podem sucumbir pela ação do tempo, principalmente quando se imagina, equivocadamente, que um passado de sucesso assegura um futuro sempre promissor. Na verdade, a Grécia, Roma e Alemanha já assistiram a queda de seus impérios retumbantes.
Afinal, para a nossa vida, o que isso significa? Significa compreender que a vitória, o êxito, são conquistas diárias, que não aceitam o conformismo, a letargia e a mesmice. Se queremos alcançar o sucesso e nele permanecer faz-se necessário, primeiramente, acordar todos os dias cercado de novos planos, novos objetivos, novos propósitos. Enfim, enxergar os desafios como possibilidades. Não se permitir jamais enveredar pela zona de conforto, imaginando-se o melhor, o mais perfeito. Como diz a cultura popular: “imaginando-se ser a última coca-cola do deserto”. Talvez seja esse espírito de arrogância intelectual ou moral, muitas vezes advindo dos antepassados, que tem feito com que muitos empreendedores e profissionais fracassem em sua trajetória. Na verdade se deixaram levar por falsos conceitos, pelo modismo e perderam de vista a sensibilidade e a originalidade na implementação de suas ideias.
Sempre tenho dito e repito: Se há algo que devemos perseguir com todas as forças que Deus nos deu, a isso chamamos “humildade”. Parece simplório utilizar-se dessa palavra, talvez poucos a compreendam naquilo que de fato ela representa. Muitas vezes imaginamos, ambiguamente, que ser humilde é aceitar uma vida amorfa, não reclamar, resignar-se diante de tudo. Equívocos à parte, a humildade não rima com inação, com conformismo. Pelo contrário, ser humilde é saber escutar o outro, é ter temperança no agir, sensibilidade no falar, precaução nas atitudes e espírito acolhedor. Afinal, quem não se exercita pela humildade se imagina que já sabe o suficiente, que não precisa de amigos porque tem brilho próprio, vive do passado sem aprender as lições para o futuro, perde-se na falsa impressão do esplendor e se acha detentor da glória eterna.
Portanto, aprender com o declínio daqueles que se empanturram pela empáfia e se imaginaram acima do bem e do mal, é uma atitude proativa e necessária em um mundo em que a impermanência e transitoriedade são realidades que nos concitam a rever nossas ações e atitudes.
Na verdade, não somos melhor do que o outro. Mas se queremos sobreviver precisamos do outro. Precisamos, principalmente, ver cada dia como um dia a se construir, a se edificar. Para isto é preciso acreditar em si mesmo, amar a si mesmo, sem perder de vista que somos singular, único, o que nos impõe a necessidade de escrever uma história “extraordinária”. Todavia, nossa singularidade não nos dá o direito de esquecermos que fazemos parte de uma teia indivisível que nos liga ao “próximo”, exigindo-nos a prática da solidariedade e do respeito mútuo. Aprender é preciso!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sucesso: Começar é preciso...continuar também!

É comum a cada um de nós o cultivo de sonhos e projetos futuros. Muitos ambicionam um bom emprego, montar um negócio, estudar bastante para ser aprovado em um concurso, ingressar no ensino superior e por aí vai. Para isso, as pessoas começam a elaborar suas estratégias, traçar seus planos. Nos primeiros dias de execução tudo vai bem: acorda cedo, pega no batente e dá início a empreitada. Ocorre que com o passar dos dias, arrefecem os ânimos. E aí lá se vai mais um projeto por água abaixo.
Essa constatação tão comum nos concita a afirmar que para vencer não basta ter apenas a iniciativa, mas é preciso ser “terminativo”, isto é, apostar no projeto até as últimas consequências. É necessário, portanto: começar, continuar e terminar. Quando deixamos as coisas no início ou pela metade, passamos um recado de fracasso e de falta de eficiência, o que compromete a nossa imagem, gerando um descrédito pessoal. Essa coisa de só ter começo nos leva ao deboche. Quando iniciarmos uma nova empreitada, todos dirão que será mais um projeto que vai ficar no papel. Quem não se lembra daquele amigo que só tem começo. Tudo começa astronomicamente projetado, porém nada se concretiza.
Isso, na verdade, nos impõe uma reflexão sobre a necessidade de pontuarmos muito bem nossos projetos, aquilatando a sua viabilidade, traçando um planejamento e fazendo uso da disciplina necessária para a sua execução. Outro ponto importante, é delimitá-lo dentro do espaço que lhe é exequível. Não adianta sonhar muito alto quando os cenários lhe exigem uma maior prudência. Faça pequeno, com consistência, que tudo depois se tornará grande. Mas faça, não apenas deseje!
Fazer é agir, sair do estado de inércia e atirar-se com toda garra naquilo que aspiramos. Fazer exige movimento constante, com o entusiamo sempre renovado e com a certeza de que cada iniciativa impõe “um início”, “um meio” e “um fim”. Não desista antes de concluir todas essas etapas. Pois, se o êxito não chegar, teremos a consciência de que tudo fizemos para alcançá-lo. Portanto, tenhamos iniciativa, mas sejamos “terminativos”.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Primeira aparição pública de Cid Gomes pós-demissão será no TCM

NACIONAL
A primeira aparição pública do ex-governador Cid Gomes (Pros) após ter sido exonerado do Ministério da Educação ocorrerá nesta sexta-feira, às 9 horas, no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Ele é um dos convidados do ato de posse do conselheiro Domingos Filho na presidência do Instituto Escola Superior de Contas e Gestão Pública Waldemar Alcântara. Cid, bom lembrar, foi demitido depois de ter ratificado a acusação de que há achacadores na Câmara, durante sessão dessa casa legislativa.
A solenidade promete. Além de Cid Gomes, ali estarão o governador Camilo Santana, o presidente da Asssembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, o prefeito Roberto Cláudio, o presidente da Câmara Municipal, Salmito Filho, vários parlamentares estaduais e federais, além de empresários. Um desafeto político dos Ferreira Gomes também pisará no local: o ex-governador Lúcio Alcântara, pois o Instituto leva o nome do seu pai.
Na ocasião do evento, será lançado o Programa Capacidades: Educação, Participação e Transformação, que visa fornecer elementos que venham alavancar as competências dos gestores e servidores municipais para que possam atuar com qualidade e efetividade no desempenho de suas funções.
(com Eliomar de Lima)

Senado aprova fim das coligações partidárias no país

Fim das coligações partidárias no País foi aprovado no Senado, na tarde desta terça-feira (24). Os senadores aprovaram a PEC que permite coligações somente para eleições majoritárias. A matéria segue para a Câmara.

Na última semana, o plenário do Senado havia aprovado, em primeiro turno, o fim das coligações partidárias para eleições proporcionais – de deputados federais, estaduais e vereadores. A proposta de emenda à Constituição (PEC) teve 61 votos favoráveis e sete contrários. A votação teve ainda duas abstenções. A medida gerou debate entre os parlamentares, principalmente, entre os que pertencem a partidos nanicos. Eles terão mais dificuldade de se eleger, caso a proposta seja aclamada.

O texto da PEC seguirá para análise do plenário da Câmara dos Deputados. Pela proposta, somente serão admitidas coligações nas eleições majoritárias, para senador, prefeito, governador e presidente da República.

Fonte: Blog do Roberto Moreira

terça-feira, 24 de março de 2015

“O Brasil está virando chacota no Exterior”, diz senador

“O Brasil está virando chacota em programas de televisão no exterior devido aos problemas na economia e aos escândalos na Petrobras”.
Foi o que disse o senador José Agripino (DEM-RN) em pronunciamento no Plenário nessa segunda-feira (23), ao citar um talk show norte-americano que abordou o tema de forma jocosa, além de jornais estrangeiros. Entre eles, como lembrou o parlamentar, o mais importante jornal britânico, o Financial Times, que em recente editorial disse que a crise no Brasil é culpa do nosso país e ela ainda vai piorar.
- Uma inflação que vai chegar aos 8%, eu não tenho nenhuma dúvida, o preço dos combustíveis lá em cima, a energia elétrica infernizando a vida das pessoas, o dólar nas alturas, um país inquieto com o desemprego, que o que mais preocupa vida das pessoas é a perda do emprego. E tudo isso criando um clima de inquietação diante da inação do governo – afirmou.
José Agripino também demonstrou preocupação com a iminência de um colapso no fornecimento de água no município de Currais Novos, no Rio Grande do Norte.
Segundo ele, no final do ano passado, o governo federal prometeu contratar uma adutora para levar água da Barragem do Açu a Currais Novos. A obra seria iniciada no dia 5 de janeiro e ficaria a cargo do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), mas até agora nada foi feito, disse.
(Agência Senado)

Uma experiência de choque: o encontro com José Mujica, Por LEONARDO BOFF

Participando de um congresso ibero-americano sobre Medicina Familiar e Comunitária, realizado em Montevidéu dos dias 18 - 22 de março, tive a oportunidade sempre desejada de um encontro com o ex-presidente doUruguai José Mujica. Finalmente foi possível, no dia 17 de março, por volta das 16 horas. Tal encontro deu-se em sua chácara, nos arredores da capital Montevidéu.
Encontramos uma pessoa que, vendo-a e ouvindo-a, somos imediatamente remetidos a figuras clássicas do passado, como Leon Tolstoi, Mahatma Gandhi e até com Francisco de Assis. Aí estava ele, com sua camisa suada e rasgada pelo trabalho no campo, com uma calça de esporte muito usada e sandálias rudes, deixando ver uns pés empoeirados como quem vem da faina da terra.
Vive numa casa humilde e ao lado, o velho fusca que não anda mais que 70 km a hora. Já lhe ofereceram um milhão de dólares por ele; rejeitou a oferta por respeito ao velho carro que diariamente o levava ao palácio presidencial e por consideração do amigo que o havia dado de presente. Rejeita que o considerem pobre. Diz: "não sou pobre, porque tenho tudo o que preciso para viver; pobre não é não ter; é estar fora da comunidade; e eu não estou".
Pertenceu à resistência à ditadura militar. Viveu na prisão por treze anos e por um bom tempo dentro de um poço, coisa que lhe deixou sequelas até os dias de hoje. Mas nunca fala disso, nem mostra o mínimo ressentimento. Comenta que a vida lhe fez passar por muitas situações difíceis; mas todas eram boas para lhe dar sábias lições e por fazê-lo crescer.
Conversamos por mais de uma hora e meia. Começamos com a situação do Brasil e, em geral da América Latina. Mostrou-se muito solidário com Dilma, especialmente em sua determinação de cobrar investigação rigorosa e punição adequada aos corruptos e corruptores do caso penoso da Petrobras. Não deixou de assinalar que há uma política orquestrada a partir dos Estados Unidos de desestabilizar governos que tentam realizar um projeto autônomo de país. Isso está ocorrendo no Norte da Africa e pode estar em curso também na América Latina e no Brasil. Sempre em articulação com os setores mais abastados e poderosos de dentro do país que temem mudanças sociais que lhes podem ameaçar os privilégios históricos.
Mas a grande conversa foi sobre a situação do sistema- vida e do sistema-Terra. Aí me dei conta do horizonte vasto de sua visão de mundo. Enfatizava que a questão axial hoje não reside na preocupação pelo Uruguai, seu país, nem por nosso continente latino-americano, mas pelo destino de nosso planeta e do futuro de nossa civilização. Dizia, entre meditativo e preocupado, que talvez tenhamos que assistir a grandes catástrofes até que os chefes de Estado se deem conta da gravidade de nossa situação com o espécie e tomar medidas salvadoras. Caso contrário, vamos ao encontro de uma tragédia ecológico-social inimaginável.
O triste, comentava Mujica, é perceber que entre os chefes de Estado, especialmente, das grandes potências econômicas, não se verifica nenhuma preocupação em criar um gestão plural e global do planeta Terra, já que os problemas são planetários. Cada país prefere defender seus direitos particulares, sem dar-se conta das ameaças gerais que pesam sobre a totalidade de nosso destino.
Mas o ponto alto da conversação, sobre o qual pretendo voltar, foi sobre a urgência de criarmos uma cultura alternativa à dominante, a cultura do capital. De pouco vale, sublinhava, trocarmos de modo de produção, de distribuição e de consumo se ainda mantemos os hábitos e "valores" vividos e proclamados pela cultura do capital. Esta aprisionou toda a humanidade com a ideia de que precisamos crescer de forma ilimitada e de buscar um bem estar material sem fim. Esta cultura opõe ricos e pobres. E induz os pobres a buscarem ser como os ricos. Agiliza todos os meios para que se façam consumidores. Quanto mais são inseridos no consumo, mais demandas fazem, porque o desejo induzido é ilimitado e nunca sacia o ser humano. A pretensa felicidade prometida se esvai numa grande insatisfação e vazio existencial.
A cultura do capital, acentuava Mujica, não pode nos dar felicidade, porque nos ocupa totalmente, na ânsia de acumular e de crescer, não nos deixando tempo de vida para simplesmente viver, celebrar a convivência com outros e nos sentir inseridos na natureza. Essa cultura é anti-vida e anti-natureza, devastada pela voracidade produtivista e consumista.
Importa viver o que pensamos, caso contrário, pensamos como vivemos: a espiral infernal do consumo incessante. Impõe-se a simplicidade voluntária, a sobriedade compartida e a comunhão com as pessoas e com toda a realidade. É difícil, constatava Mujica, construir as bases para esta cultura humanitária e amiga da vida. Mas temos que começar por nós mesmos.
Eu comentei: "o Sr. nos oferece um vivo exemplo de que isso é possível e está no âmbito das virtualidades humanas". No final, abraçando-nos fortemente, lhe comentei: "digo com sinceridade e com humildade: vejo que há duas pessoas no mundo que me inspiram e me dão esperança: o Papa Francisco e Pepe Mujica". Nada disse. Olhou-me profundamente e vi que seus olhos se emudeceram de emoção.
Sai do encontro como quem viveu um choque existencial benfazejo: me confirmou naquilo que com tantos outros pensamos e procuramos viver. E agradeci a Deus por nos ter dado um pessoa com tanto carisma, tanta simplicidade, tanta inteireza e tanta irradiação de vida e de amor.

Eventual nomeação de Chalita pode decepcionar parte do PMDB (POR CRISTINA LOBO)




Se a eventual nomeação do secretário municipal de São Paulo Gabriel Chalita para o Ministério da Educação tem o objetivo de pacificar as relações com as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado, o resultado pode decepcionar.
O nome de Chalita entrou na lista de cogitados por Dilma para a pasta e é uma indicação que agradaria ao vice-presidente da República, Michel Temer, presidente nacional do PMDB.
Mas o presidente da Câmara, Eduardo da Cunha (PMDB-RJ), torce pela nomeação do ex-deputado e ex-presidente da Casa Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o Ministério do Turismo. E a bancada do PMDB no Senado quer o Ministério da Integração Nacional para o senador Eunicio Oliveira (PMDB-CE). 
Enquanto no Congresso há uma discussão, no governo a avaliação é que o ministro da Educação seja um nome neutro, sem filiação partidária. Mas a pressão do PT continua grande para que o partido retome a pasta.
A presidente Dilma Rousseff poderá decidir sobre o assunto a partir de amanhã

Papa Francisco: 'sociedade corrupta é uma porcaria'

O papa Francisco pronunciou neste sábado (21) um de seus discursos mais duros ao afirmar que "a corrupção é suja", que "uma sociedade corrupta é uma porcaria", e que aquele que permite a corrupção não é cristão e também "fede". "Quanta corrupção há no mundo. (...) A corrupção é suja e a sociedade corrupta é uma porcaria. Um cidadão que deixa que a corrupção o invada não é cristão!", afirmou.

O pontífice argentino realizou estas declarações durante um discurso em Scampia, um dos bairros da periferia norte de Nápoles (sul da Itália) que tradicionalmente esteve vinculado à máfia local, a Camorra. O bispo de Roma aproveitou a ocasião para se dirigir aos milhares de napolitanos que foram até a praça de João Paulo II para escutá-lo para incetivá-los a lutar contra o mal e a ter o valor e a coragem de ir pelo caminho do bem.

"Espero que tenham a coragem de seguir adiante com alegria, de levar esperança, de ir pelo caminho do bem e não pela do mal. (...) De ir adiante limpando a própria alma, a alma da cidade e da sociedade para que não exista esse cheiro putrefato que tem a corrupção", ressaltou com firmeza.

Crianças
Rodeado de dezenas de crianças que cantavam seu nome e que interromperam em algumas ocasiões seu discurso, Francisco descreveu Nápoles como uma cidade na qual "se tentou criar uma "terra de ninguém", um "território em mãos da chamada micro-violência". Além disso, o papa destacou da cidade sulina sua "longa história, atravessada por desafios complexos e dramáticos" e reconheceu que o dia a dia está cheio de dificuldades e de "duras provas".

Esperança
Complicações que, porém, podem contribuir para criar "uma cultura de vida que ajuda a se levantar após cada queda, que ajuda a conseguir de alguma maneira que o mal não tenha a última palavra". O máximo representante da Igreja Católica insistiu na importância de que os fiéis mantenham a esperança para não permitir que "quem voluntariamente" tome "o caminho do mal roube um pedaço de esperança de si e dos demais".

Paralelamente, o papa Francisco insistiu na importância de dividir uma boa educação para formar, assim, a jovens e ensiná-los que sigam o caminho do bem e se afastem das práticas delitivas que podem levar ao mal.

"A educação é o caminho justo porque previne e ajuda a ir para frente", assinalou.

(com informações do Diário do Nordeste)

O Cerco Se fecha, com MERVAL PEREIRA


O juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações judiciais da Operação Lava-Jato, tomou ontem medidas que podem ser decisivas para que novas provas surjam no processo do petrolão: aceitou a denúncia da Procuradoria da República contra o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, e o enviou para a cadeia do Complexo Médico Penal em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
Não que tenham sido decisões isoladas contra Duque, ele está no grupo de 26 pessoas que passaram a ser réus da ação penal, e das 13 que foram transferidas da Polícia Federal para a cadeia pública. Mas Duque é a figura central neste momento em que a Operação Lava-Jato chega a um ponto crucial das investigações para provar que as doações “legais” ao PT pelas empreiteiras não passaram de um instrumento de lavagem do dinheiro desviado da Petrobras.
O ex-gerente Pedro Barusco, subordinado de Duque na Petrobras, está fornecendo detalhes que tornam verificáveis suas acusações, como as planilhas de distribuição de propinas com as datas, o que está permitindo ao Ministério Público comparar os dias de desembolso de verbas para as obras da Petrobras e a chegada de dinheiro na conta do PT, por exemplo.
Em novo depoimento tornado público ontem, deu detalhes sobre reuniões em hotéis no Rio e em São Paulo onde ele, Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari faziam a divisão das verbas, e nas quais Vaccari trazia as demandas dos empreiteiros para a Petrobras. Como deu dia e hora das reuniões, a investigação poderá pedir aos hotéis as fitas de vigilância para constatar as reuniões.
E como disse que antes de chegar aos locais geralmente enviava mensagens de texto para Vaccari, será razoavelmente fácil verificar, com a quebra do sigilo, se as mensagens foram realmente trocadas, no dia e na hora das reuniões citadas. Como se vê, aos poucos o Ministério Público vai fechando o cerco para conseguir provas do que, a princípio, parecia difícil demonstrar: a lavagem de dinheiro desviado da Petrobras com a chancela do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O fato de apenas o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, ter ficado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, a pedido do Ministério Público, pode indicar que a delação premiada daquele que é apontado como o presidente do Clube das Empreiteiras está a caminho.
Da mesma maneira, ter se tornado réu do processo faz com que Renato Duque esteja mais próximo do que nunca do momento de decisão sobre sua própria delação premiada. Indicado pelo PT, ele é a ligação direta das falcatruas com o partido governista, e pode revelar detalhes sobre a cadeia de comando do esquema ainda não desvendados totalmente nas investigações até agora.
Quando esteve na CPI da Petrobras e decidiu ficar em silêncio, Duque só saiu da postura combinada com seus advogados duas vezes: para falar sobre sua família, desmentindo que sua mulher tenha procurado a ajuda do ex-presidente Lula, e para pedir, quase com raiva, que não o confundissem com Pedro Barusco, seu ex-gerente que declarou tomar conta até das próprias finanças de Duque que, segundo ele, era muito desorganizado.
A raiva que Duque demonstrou ter de seu agora companheiro de processo penal só revela a indignação do ex-diretor com as revelações que Barusco tem feito. Enquanto este está em liberdade devido à delação premiada, Renato Duque está na cadeia, próximo de uma condenação que será mais rigorosa do que a do próprio delator.
A preocupação revelada por alguns ministros do STF com relação ao descasamento dos julgamentos dos políticos e dos empreiteiros só vai aumentar, pois a previsão é que até o meio do ano as primeiras sentenças do juiz Sérgio Moro estejam dadas, enquanto o STF ainda demorará a receber as denúncias do Procurador-Geral da República contra os políticos.
Isso significa que os empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobras têm pouco tempo para decidir revelar seus segredos antes de serem condenados em primeira instância.

sexta-feira, 20 de março de 2015

V Festival de Jericoacoara - Cinema Digital abre inscrições para cineastas de todo o País


A quinta edição do festival reconhecido como um dos eventos referenciais para o cinema independente acontece de 7 a 13 de junho e reunirá, na paradisíaca praia cearense, grandes nomes e novos realizadores do audiovisual nacional. As inscrições de curtas-metragens produzidos em tecnologia digital já estão abertas, para cineastas de todo o País, através do sitewww.jeridigital.com.br

O V Festival de Jericoacoara – Cinema Digital contará, como principal atração, com a Mostra Competitiva de Curtas. As inscrições já estão abertas e seguem até 31 de março, através do site www.jeridigital.com.br,, de modo gratuito e aberto a realizadores audiovisuais de todo o País. Podem participar do festival filmes de até 20 minutos, concluídos depois de junho de 2013 e sobre quaisquer temas, nos gêneros documentário, ficção, animação e experimental.

O voo da águia, por FREI BETO

Entre as aves, a águia é a que vive mais, cerca de setenta anos. Mas para atingir essa idade, aos quarenta ela deve tomar uma difícil decisão: nascer de novo.
Pois aos quarenta suas unhas ficam compridas e flexíveis, dificultando agarrar as presas com as quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. As asas, envelhecidas e pesadas, dobram-se sobre o peito, impedindo-a de empreender voos ágeis e velozes.
Restam à águia duas alternativas: morrer ou passar por uma dura prova, ao longo de 150 dias. Esta prova consiste em voar para o cume de uma montanha e abrigar-se num ninho cravado na pedra. Ali, ela bate o bico contra a pedra, até quebrá-lo. Espera, então, crescer o novo bico, para poder arrancar as suas unhas.
Quando as novas unhas despontam, a águia puxa as velhas penas e, após cinco meses, crescidas as novas, ela atira-se renovada ao vôo, pronta para viver mais trinta anos.
No noviciado, aprendi que, ao longo da existência, a possibilidade de nossa sobrevida depende, muitas vezes, de seguir o exemplo da águia. Quem se entrega, abatido, ao peso do sofrimento e das dificuldades, tende a abreviar seus dias. Deixa de viver como quem voa e passa a sobreviver como um réptil que rasteja.
Reaprender a voar é ousar recolher-se para começar de novo. Eis a sabedoria de todas as religiões tradicionais ao exigir de seus noviços um tempo de reclusão. O mesmo ocorre em muitas nações indígenas, quando o jovem, para ser considerado adulto, é recolhido a uma cabana isolada, onde o xamã o submete a provas e o introduz em conhecimentos específicos.
Mas é preciso voar até a montanha. De cima, vê-se melhor. Talvez por isso Deus, ao criar o ser humano, tenha colocado a cabeça acima do coração. Ver com as emoções é correr o risco de desfigurar os desenhos. Os contornos mostram-se muito mais nítidos quando observados com serenidade.
E saber esperar. Primeiro, ousar perder o que envelheceu: o bico, as unhas, as penas. Despojar-se do que atravanca os nossos passos. Segundo, aguardar pacientemente o tempo da maturação. Enfim, dar o salto pascal, abrir as asas para a vida e, sem medo, empreender o voo rumo a novos horizontes.

DILMA X LULA, Por Merval Pereira


A presidente Dilma está pagando para ver com a decisão de não fazer a reforma ministerial que a parte mais forte do PT, com o ex-presidente Lula à frente, está exigindo nos bastidores. Tirar Aloizio Mercadante do Gabinete Civil e Pepe Vargas da articulação política é o sonho de consumo desse grupo, para incluir o PMDB no núcleo duro de poder.
Mas nem Dilma nem o PMDB querem, por motivos diferentes. A presidente aparentemente se sente mais segura tendo Mercadante a seu lado do que Jacques Wagner, que seria o substituto ideal para Lula. Parece que a ela bastaram os quatro anos em que teve em sua cola Gilberto Carvalho na Secretaria-Geral da Presidência, um homem de Lula no Palácio do Planalto.
E o PMDB neste momento se sente obrigado a anunciar que não quer o ministério da Educação, depois de Cid Gomes ter dito com todas as letras que o motivo do desentendimento com o partido era a divisão de cargos, e não um sentimento de repulsa pretextado pela Câmara.
Para mostrar ainda mais seu despreendimento, o PMDB, pasmem, passou a defender a redução dos ministérios, de 39 para 20. Como Dilma disse que vai escolher o substituto de Cid Gomes fora dos partidos, temos então no meio da crise duas decisões corretas por motivações tortuosas.
A redução dos ministérios seria uma decisão de ampla repercussão positiva para o governo, pois não apenas estaria reduzindo seus gastos como tornando a máquina governamental mais ligeira, sem tantos compromissos partidários.
E se a escolha do ministro da Educação da “pátria educadora” for feita em bases técnicas, e não partidárias, estaríamos vendo pela primeira vez na formação desse ministério uma escolha voltada para um projeto de Estado, e não uma ação entre partidos aliados onde cada um tem direito a seu quinhão.
É bom lembrar que a escolha de Cid Gomes foi feita quase à sua revelia, que resistiu muito em aceitar a tarefa. Não havia nenhuma motivação razoável para colocá-lo onde estava, e parece que a Educação foi a pasta que sobrou para gratificar um aliado de primeira hora.
O paradoxo ficou maior ainda quando a presidente Dilma anunciou em seu discurso de posse um segredo que guardara de todos durante a campanha: o slogan de seu governo seria “pátria educadora”. Imagino que o próprio Cid Gomes tenha ficado assustado com tamanha responsabilidade, sem verbas e sem projetos, e a partir daí tenha procurado um jeito de abrir mão desse abacaxi, ainda mais quando o governo começou a se desmanchar.
Não acredito que tenha sido premeditada a declaração sobre a existência de 300 ou 400 achacadores na Câmara. Como seu irmão Ciro, o ex-ministro da Educação tem a língua solta e fala o que pensa, sem prestar atenção ao estrago político que possa causar.
Aliás, Ciro Gomes, indagado por um jornalista o que seu irmão deveria fazer quando fosse ao Congresso, receitou: “Repetir tudo o que disse e sair de lá com a cabeça levantada”. Retrucado pelo repórter sobre se essa atitude não prejudicaria a relação da presidente Dilma com o Congresso, deu de ombros: “Não sei, nem me importa”.
Foi o que o irmão mais velho fez, no mais puro estilo da família Gomes, que agora se qualifica para surgir como exemplo dos que enfrentam o Congresso de “achacadores”. Provavelmente o arroubo do ex-ministro acabou lhe dando a chance de deixar o barco governista em situação favorável perante a opinião pública.
Mantidas as posições, quem fica nas mãos do PMDB é a presidente Dilma, que se distancia de seu mentor Lula e da parte mais ativa do PT, sem poder se livrar do peso do petrolão.

Governo avalia que crise está agravada pelo fraco desempenho da economia, , POR CRISTINA LOBO


A crise do governo Dilma Rousseff vem agravada pelo fraco desempenho da economia, o que reduz o cardápio de reação para reverter o quadro. Esta é avaliação do próprio Executivo a partir das recentes pesquisas, entre as quais a do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (18), que mostra que 62% dos brasileiros consideram a gestão da petista "ruim" ou "péssimo". Apenas 13% dos entrevistados consideram o governo "bom" ou "ótimo". 
No auge da crise do mensalão, em 2006, a economia estava embicada para cima, com o preço dos alimentos em baixa. Na ocasião, o governo Lula reagiu autorizando um forte aumento do valor do salário mínimo e assim reiniciou a recuperação de sua imagem e venceu as eleições daquele ano.
Desta vez, os recursos são parcos, o governo não tem como aumentar o mínimo e sequer estimular obras e investimentos. O ajuste fiscal prevê redução no ritmo das obras do PAC já iniciadas e o cancelamento do que não começou. Para os eleitores de Dilma, a recessão vai aumentar e o desemprego deve crescer.

Um dos aspectos importantes dessa pesquisa é a revelação de que não há mais bloco de resistência do governo nem entre as regiões do país (o Nordeste sempre foi fiel ao governo petista, mas agora tem 55% que consideram o governo "ruim" ou "péssimo", ou seja, mais da metade dos habitantes) e nem por faixa de renda, pois os que mais rejeitam o governo ganham entre dois e cinco salários mínimos.

É importante observar que este contingente de brasileiros que ganha nesta faixa de renda, ou seja, entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil, namorou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) entre o primeiro e o segundo turno das eleições do ano passado.
Foi o momento em que Aécio chegou a ficar à frente de Dilma, mas a campanha petista conseguiu capturar este eleitor e, assim, venceu as eleições. Estes eleitores agora representam o maior contingente dos que desaprovam o governo (66%) até maior do que entre os mais ricos, o que ganham acima de 10 salários mínimos, ou mais de R$ 7,9 mil por mês. Neste contingente, 65% consideram o governo ruim ou péssimo. A aprovação de Dilma entre os mais ricos é de 14% e entre os que ganham entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil é de 10%. Ou seja, proporcionalmente, a elite aprova mais o governo do que os mais pobres. 

A região Centro-Oeste é a que apresentou o maior índice de rejeição ao governo: 75% consideram ruim ou péssimo; e apenas 10% bom ou ótimo. Na região Sudeste, é o mesmo contingente de 10% que consideram o governo bom ou ótimo, mas cresce os que avaliam o governo como regular e, assim, os que rejeitam fica em 65%. A região Centro-Oeste é onde se concentra a produção agrícola do país, a região do agronegócio. Pelo visto, rejeita o governo Dilma.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ajustes e desajustes, Por LUIZ GONZAGA BELUZZO

Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Levy
O ministro da Fazenda Joaquim Levy (esquerda) em encontro com lideranças do PMDB em 23 de fevereiro
O tumultuado ajuste fiscal brasileiro deflagrou a troca de chumbo entre as “imposições” da economia e as resistências da política. Se consultada, a Velhinha de Taubaté diria que só os desavisados não antecipavam tal balbúrdia.
No período eleitoral e em sua posteridade, os “mercados” e seus fâmulos na mídia bradavam a “catastrófica” situação fiscal. O barulho e a gritaria foram suficientes para empurrar o governo recém-eleito contra a parede. O mercado nomeou o ministro da Fazenda. Os últimos dados divulgados pelo Tesouro não revelam a catástrofe anunciada pelo “mercado”.
Esse introito tem o propósito de avaliar os desajustes dos ajustes que atormentam brasileiros, gregos e troianos. Do olimpo da riqueza financeira global, os Senhores do Universo disparam ordens de compra e venda como Júpiter atirava raios sobre as cabeças dos mortais. Hoje, a lógica da finança globalizada, líquida e em permanente movimento não só confina os cidadãos  ao território das nações, como delimita o território a ser ocupado pela política democrática. “Territorializados” em seus espaços jurídico-políticos, os cidadãos sofrem os golpes dos movimentos mercuriais do capital sem pátria.
Entre uma bicada e outra nos títulos dos Tesouros dos emergentes castigados com juros de agiota, os mercuriais desferem chibatadas no lombo da turma que não pode escapar dos impostos e dos ajustes em seu emprego e renda, enquanto tratam de enfiar a manopla no bolso do Fisco nacional e mandar a grana para a Suíça e demais paraísos do ervanário criminoso. Em sua brutalidade, os mercados da riqueza, escoltados pelos estelionatários das agências de risco, impõem aos países os ucasses da ignorância soberana.
Para o cidadão afetado, parece fantástica a ideia de controlar as causas dos golpes do destino. As erráticas e aparentemente inexplicáveis convulsões das bolsas de valores ou as misteriosas evoluções dos preços dos ativos e das moedas são capazes de destruir suas condições de vida. Mas o consenso dominante explica que, se não for assim, sua vida pode piorar ainda mais.
Ouço Slavoj Zizek: “A falta de liberdade mascarada pelo seu oposto manifesta-se em uma miríade de formas: quando somos privados da assistência à saúde, dizem-nos que nos oferecem a liberdade de escolha (do prestador de assistência à saúde); quando não podemos mais contar com um emprego de longo prazo e somos forçados a procurar um novo trabalho precário a cada dois anos, dizem-nos que nos oferecem a oportunidade de nos reinventarmos e de descobrir novos e inesperados recursos criativos, latentes na nossa personalidade; quando devemos pagar a educação dos nossos filhos, dizem-nos que ‘investimos em nós mesmos’...”
Liberdade. A matança no Charlie Hebdo reacendeu a chama dos valores iluministas da liberdade e igualdade. Proclamadas como contraponto aos desatinos do fundamentalismo religioso, as consignas da Ilustração voltaram a incomodar as pachorrentas lideranças globais.
Acredito que, um dia, os homens e as mulheres do planeta haverão de gozar da geral e irrestrita adesão aos valores da Igualdade e da Liberdade. Por hora, suspeito que o mundo caminha na contramão. Não sei se vou estropiar Theodor Adorno, mas desconfio que o filósofo fosse tomado de angústia com as proezas do reencantamento do mundo, fenômeno avassalador da vida contemporânea. Nas pegadas de Goethe, Kant, Schelling, Hegel, Nietzsche, Marx e Weber, Adorno encarou o “susto da Modernidade”. Ao percorrer os labirintos da nova sociabilidade, descobriu o reencantamento do mundo gestado nas entranhas da racionalização capitalista.
No livro A Dialética do Esclarecimento, escrito em parceria com Horkheimer, Adorno palmilha os caminhos que levaram o projeto das Luzes a se precipitar nos braços do mito. A recaída do esclarecimento na mitologia, diz ele, não deve ser buscada tanto nas ideologias nacionalistas, pagãs e em outras mitologias modernas, mas no próprio esclarecimento paralisado pelo temor da verdade.
“Paralisadas pelo temor da verdade”, as teorias econômicas dominantes e suas políticas permanecem espremidas entre a mitologia do equilíbrio e os manuais de instrução das arrumadeiras de casa ou de alfaiates especializados em ajustar fatiotas. Os fâmulos da abstração real se entregam à farsa pseudocientífica dos modelos engalanados por matemática de segunda classe. Com tais expedientes ridículos, os sábios da finança tratam de ocultar a opressão imposta às mulheres e homens que se levantam na madrugada para trabalhar nas cidades e nos campos do planeta. Enquanto perseguem a desqualificação mesquinha e indigente dos critérios da política democrática, apresentam como inexorável a agenda dos mercados.

COLÉGIO LUCIANO FEIJÃO APRESENTA:

Governo teme ficar refém com crescimento da onda de protestos, POR GERSON CAMAROTTI


Internamente, o governo teme ficar refém das manifestações, caso haja um crescimento dessa onda de protestos que tomou conta do país neste domingo. Esta avaliação realista foi feita no Palácio da Alvorada na reunião da presidente Dilma Rousseff com alguns ministros.

Integrantes do núcleo palaciano ainda estavam surpresos com a dimensão das manifestações. O governo esperava um número menor de populares nas ruas e que o protesto ficasse restrito à cidade São Paulo. Não foi o que aconteceu. 

Mais do que isso: apesar da afirmação do ministro Miguel Rossetto (Secretaria Geral) de que a manifestação deste domingo foi de eleitores que não votaram na presidente Dilma Rousseff, há o reconhecimento interno de que a dimensão dos protestos ampliou e muito o alcance da insatisfação popular, ultrapassando as fronteiras da elite. 

A surpresa foi tamanha, que o governo não conseguiu um discurso novo para responder aos protestos, tanto que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, improvisou uma reação com propostas antigas. 
Cardozo defendeu uma reforma política que inclua fim do financiamento empresarial e  anunciou que o governo vai enviar em breve ao Congresso Nacional uma proposta de legislação para combater a corrupção.

Também ficou evidente na entrevista concedida no Palácio do Planalto a divergência de posições dentro do governo. Enquanto Rossetto minimizou o protesto, Cardozo fez uma fala mais realista e admitiu que era preciso ouvir o recado das manifestações.

Uma coisa é certa: a presidente Dilma Rousseff terá que encontrar uma resposta rápida e convincente para neutralizar essa onda de protestos. “Se a presidente Dilma não reagir rápido, essa onda de protestos vai crescer e deixar o governo refém”, resumiu ao Blog um ministro.

Impeachment e ódio, POR YVONNE MAGGIE

Viajar de táxi com Luiz Alphonsus, meu marido, é uma experiência única. Final de tarde. O trânsito difícil como sempre. Íamos, ele e eu visitar minha sogra. Ele que em geral fala do cosmos, das suas realizações no campo da arte, do trabalho que acabou de realizar, danou a falar de política com o jovem motorista de seus vinte e poucos anos.
De repente, o motorista mostrou seu celular com o anúncio da manifestação organizada para domingo dia 15 de março. O rapaz falava exaltado: “Vamos levar vinte milhões de pessoas para o planalto”. Perguntei como se não soubesse: “Mas para que mesmo querem ir à Brasília?” A resposta veio imediata: “Para pedir o impeachment da presidente, e eu estarei lá”. Fiquei muda. Tive medo do ódio que senti na voz do nosso condutor.
 
A conversa foi indo entre o motorista e meu marido que dizia que a ditadura não era solução. Que os militares matavam quem não comungasse de suas opiniões e que muitos amigos seus haviam morrido nas mãos dos torturadores. Sair de casa naquele tempo era temerário, disse Luiz Alphonsus. O motorista ouvia incrédulo “Mas era mesmo assim? Eles matavam os opositores? Quando foi essa ditadura?” Luiz Alphonsus continuou didático. Chegamos ao nosso destino e saltamos do carro. Nesse momento tive a certeza de que algo estava muito errado.
 
O que faz com que um motorista de táxi, de vinte e poucos anos, se mobilize para pedir o impeachment da presidente dois meses após sua reeleição? O que significa o ódio que senti em sua  voz? E nem se precisa pegar táxi. Basta olhar o Facebook para sentir a animosidade, sem contar as vaias que nossa presidente recebeu ao visitar uma feira de construção civil em São Paulo no dia dez de março último.
 
Como explicar o clima de revolta? Não aceito de maneira alguma um processo de impeachment da presidente se nada lhe desabona a não ser o fato de nos parecer ter mentido muito na sua campanha eleitoral. Quem nos diz que ela não acreditava que poderia realmente dar ao povo brasileiro “rios de leite e montanhas de cuscuz” como prometeu? Mas o fato é que ao estelionato eleitoral sentido pelo povo se somou a crise econômica e uma avassaladora revelação de que a base aliada do governo está implicada na roubalheira de milhões ou bilhões da Petrobras.
 
O povo aceita que políticos roubem e mintam. Quantas vezes já ouvimos dizer que todos os políticos roubam. Quantos já nos disseram que eles mentem para ganhar votos? Um conceito de política próprio aos brasileiros e uma aceitação fatalista dos fatos. Mas o que teve esse roubo e essa mentira eleitoral de diferente das outras? Por que o ódio?
 
A enorme quantidade de dinheiro e o tamanho da mentira é, para muitos, o xis da questão. Foi demais, disse minha sábia manicure. 
 
De fato, desde junho de 2013 o povo nas ruas por todo o país, os economistas de várias tendências dizendo que deveria haver mudanças profundas na condução da política econômica e nada foi feito, nenhuma resposta dada na campanha eleitoral da presidente e menos ainda agora quando a crise se instalou. A isso se somam anos de um mantra dito pelos petistas que diariamente culpavam indivíduos pelas nossas desigualdades e pela pobreza. A “culpa” é da “burguesia branca”, dos ricos, diziam. O mantra acabou, como um bumerangue, se voltando contra seus formuladores.
 
Talvez as questões acima elencadas expliquem o ódio contra a nossa presidente e uma conclamação para que ela saia do governo, como se isso fosse resolver alguma coisa.
 
Não vou à manifestação a favor do impeachment. Não votei em Dilma, não concordo com a política do governo que assumiu o poder, mas não acho que é hora de pedir o afastamento da presidente. Como já disse acima,  de que adiantaria? É hora de exigir mudanças na condução da coisa pública. A democracia é uma experiência difícil porque implica aceitar a crítica para que portas se abram e novas soluções apareçam. Não adianta enfiar a cabeça como avestruz, como foi feito até aqui pelos condutores da nossa política recente.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Popularidade de Dilma no chão, POR MERVAL PEREIRA

As vaias de terça-feira no 21º Salão Internacional da Construção, no pavilhão do Anhembi, em São Paulo, e o panelaço de domingo são exemplares do sentimento generalizado de rejeição ao governo Dilma que pesquisas de posse do Palácio do Planalto mostram com exatidão.
Lendo-as, não é possível continuar dizendo que as manifestações públicas contra o governo refletem apenas a posição dos ricos. O mesmo autoengano foi cometido pelo governo durante a Copa do Mundo, quando as vaias no jogo inaugural foram inicialmente atribuídas aos setores mais abastados da população.
As medições diárias indicam que o índice de avaliação boa/ótima do governo chegou a um dígito nesta semana, jogando no chão a popularidade da presidente Dilma, que despencou de 42% em dezembro de 2014, depois da eleição, para 23% em fevereiro, segundo o Datafolha. 
E agora chega a um dígito, menor do que o índice de popularidade do ex-presidente Collor seis meses antes de a Câmara dos Deputados autorizar o processo de impeachment. Naquela ocasião, Collor chegou a 15% de avaliação positiva, depois de ter tido, no início do seu governo, a expectativa de 71% da população de que faria um governo bom/ótimo.
Três meses depois, no entanto, só 36% mantinham a avaliação, percentual que caiu para 24% no primeiro ano e, ao final de dois anos apenas 15% mantinham esta avaliação positiva.

A trivialização do roubo
Espanta tanto a trivialização da roubalheira no relato do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco ontem na CPI, quanto a normalização do fato feita pelo relator petista deputado federal Luiz Sergio, que não viu “dados novos” no depoimento do delator.
Ora, a repetição de dados antigos que abrangem sempre milhões de dólares, o tratamento banal dado às negociações sobre as propinas, tudo isso é escandaloso demais para que se procure tratar dentro do terreno da normalidade o que Barusco descreveu nas muitas horas de depoimento na CPI.  
 Foi um verdadeiro circo de horrores o desfiar de detalhes do esquema que está sendo investigado pela Operação Lava-Jato, e o raciocínio de Barusco é cartesiano: se ele, que era gerente, ganhou os milhões de dólares que ganhou, por que seu superior imediato Renato Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari, com quem se reunia para fazer a divisão do butim, deixariam de receber o que estava previsto nas planilhas?
É claro que Barusco não pode afirmar quanto Vaccari levou para o PT, só estimar, pois não era ele quem dava o dinheiro, e sim Duque. Mas pelas porcentagens acertadas, é fácil estimar que entre US$ 150 a 200 milhões de dólares entraram no cofrinho petista no período em que vigorou o esquema.
Assim como foi patético o esforço do relator e de alguns deputados petistas de tentar fazer Baruco dizer que o esquema criminoso começou ainda no governo de Fernando Henrique. O ex-gerente da Petrobras foi até involuntariamente cômico quando reagiu com veemência dizendo que até 2003-2004, o que ganhava de propina era de sua atuação pessoal, sem que ninguém soubesse.
Essa propina própria está misturada à propina institucionalizada pela gestão petista a partir do momento em que o partido chegou ao poder central com Lula, em 2003, e Barusco quase lamentou que, não podendo definir o que era o que, resolveu devolver os US$ 97 milhões aos cofres públicos, depois de sua colaboração premiada ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
Pelo seu relato, confirmando a informação dada por Paulo Roberto Costa em outro depoimento em Curitiba, a campanha de Dilma Rousseff de 2010 está necessariamente maculada pelas doações ilegais, desviadas dos cofres da Petrobras e muitas vezes lavadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como doações legais.

Tasso quer saber se Governo do Ceará foi vítima ou “omisso” no caso da refinaria

eleições 2014 psdb tasso com aécio
Em comentário no Facebook, o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) comenta diz que Lula, Dilma e a Petrobras, mentiram para os cearenses, com relação à instalação da refinaria no Estado. Confira:
A declaração da diretora geral da Agência Nacional do Petróleo, Magda Chambiard, de que a ANP nunca recebeu nenhum pedido de autorização para a construção da Refinaria no Ceará, é mais uma prova de que o Governo Federal jamais teve a real intenção de construí-la. Aos poucos, vão se revelando novos capítulos da grandiosa fraude de que todo o povo do Ceará foi vítima.
Que a refinaria não passava de uma farsa, está cada vez mais evidente. Até agora, está claro que Lula, Dilma e a própria Petrobras, mentiram para os cearenses. Resta saber se o próprio Governo do Ceará foi vítima ou omisso nesta fraude.