"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As religiões e o terrorismo, POR LEONARDO BOFF

Os principais conflitos do final do século XX e dos inícios do novo milênio possuem um transfundo religioso. Assim na Irlanda, em Kosovo, na Kachemira, no Afeganistão, no Iraque e no novo Estado Islâmico, extremamente violento. Ficou claro em Paris com o assassinato dos cartunistas e outras pessoas por fundamentalistas islâmicos. Como nisso entra a religião?
Não sem razão escreveu Samiuel P. Huntington em seu conhecido livro O choque de civilizações: ”No mundo moderno, a religião é uma força central, talvez a força central que motiva e mobiliza as pessoas… O que em última análise conta para as pessoas não é a ideologia política nem o interesse econômico; mas aquilo com que as pessoas se identificam são as convicções religiosas, a família e os credos. É por estas coisas que elas combatem e até estão dispostas a dar a sua vida” (1997, p.79). Ele critica a política externa norte-americana por nunca ter dado o devido peso ao fator religioso, considerado algo passado e ultrapassado. Ledo engano. É o substrato dos mais graves conflitos que estamos vivendo.
Quer queiramos ou não, e não obstante o processo de secularização e o eclipse do sagrado, grande parte da humanidade se orienta pela cosmovisão religiosa, judaica, cristã, islâmica, xintoista, budista e outras.
Como já afirmava Christopher Dawson(1889-1970), o grande historiador inglês das culturas: ”as grandes religiões são os alicerces sobre os quais repousam as civilizações”(Dynamics of World History,1957,p.128). As religiões são o “point d’honneur” de uma cultura, pois através dela projeta seus grandes sonhos, elabora seus ditames éticos, confere um sentido à história e tem uma palavra a dizer sobre o fins últimos da vida e do universo. Somente a cultura moderna não produziu religião nenhuma. Encontrou substitutivos com funções idolátricas, como a Razão, o progresso sem fim, o consumo ilimitado, acumulação sem limites e outros. A consequência foi denunciada  por Nietzsche que proclamou a morte de Deus. Não que Deus tenha morrido, pois não seria Deus. É o fato de que os homens mataram Deus. Com isso queria significar que Deus não é mais ponto de referência para valores fundamentais, para uma coesão por cima entre os humanos. Os efeitos os estamos vivendo em nível planetário: uma humanidade sem rumo, uma solidão atroz e o sentimento de desenraizamento, sem saber  para onde a história nos leva.
Se quisermos ter paz neste mundo precisamos resgatar o sentimento do sagrado, a dimensão espiritual da vida que estão nas origens das religiões. Na verdade, mais importante que as religiões é a espiritualidade que se apresenta como a dimensão do humano profundo. Mas a espiritualidade se exterioriza sob a forma de religiões, cujo sentido é alimentar, sustentar e impregnar a vida de espiritualidade. Nem sempre o realiza porque quase todas as religiões, ao se institucionalizarem, entram no jogo do poder, das hierarquias e podem assumir formas patológicas. Tudo o que é sadio pode ficar doente. Mas é pelo “sadio” que medimos as religiões, bem como as pessoas e não pelo “patológico”.  E aí vemos que elas preenchem uma função insubstituível: a tentativa de dar um sentido último à vida e oferecer um quadro  esperançador da história.
Ocorre que hoje o fundamentalismo e o terrorismo que são patologias religiosas, ganharam relevância. Em grande parte se deve ao devastador processo de globalização (na verdade é ocidentalização do mundo) que passa por cima das diferenças, destrói identidades e impõe hábitos estranhos a eles.
Geralmente, quando isso ocorre, os povos se agarram àquelas instâncias que são os guardiães de sua identidade. É nas religiões que guardam suas memórias e seus melhores símbolos. Ao se sentirem invadidos como no Iraque e no Afeganistão, com milhares de vítimas, refugiam-se em suas religiões como forma de resistência. Então a questão não é tanto religiosa. Ela é antes política que usa da religião para se auto-defender. A invasão gera raiva e vontade de vingança. O fundamentalismo e  o terrorismo encontram nesse complexo de questões seu nicho de origem. Daí os atentados do terror em Paris e em outros lugares.
Como superar este impasse  civilizacional? Fundamental é viver a ética da hospitalidade, dispor-se a dialogar e aprender com o diferente, viver a  tolerância ativa, sentir-se humanos.
As religiões precisam se reconhecer mutuamente,  entrar em diálogo e buscar convergências mínimas que lhes permitem conviver pacificamente.
Antes de mais nada importa reconhecer o pluralismo religioso, de fato e de direito. A pluralidade se deriva de uma correta compreensão de Deus. Nenhuma religião pode pretender enquadrar o Mistério, a Fonte originária de todo ser ou qualquer nome que quisermos dar à Suprema Realidade, nas malhas de seu discurso e de seus ritos. Se assim fora, Deus seria um pedaço do mundo, na realidade, um ídolo. Ele está sempre mais além e sempre mais acima. Então, há espaço para outras expressões e outras formas de celebrá-lo que não seja  exclusivamente através desta religião concreta.
Os onze primeiros capítulos do Gênesis encerram uma grande lição. Neles não se fala de Israel como povo escolhido. Refere-se aos povos da Terra, todos como povos de Deus. Sobre eles paira o arco-iris da aliança divina. Esta mensagem nos recorda ainda hoje que todos os povos, com suas religiões e tradições, são povos de Deus, todos vivem na Terra, jardim de Deus e que formam a única Espécie Humana composta de muitas famílias com suas tradições, culturas e religiões.
* colunista do JBonline, filósofo e teólogo

Livro relata a metamorfose de Nietzsche na Itália, POR LUCIANO TRIGO

Nietzsche

Combinando relato de viagem, narrativa biográfica e comentário filosófico acessível ao leitor comum, “Nietzsche na Itália – A viagem que mudou os rumos da filosofia”, de Paolo D’Iorio (Zahar, 216 pgs. - R$ 44,90), reconstitui um período pouco estudado da vida do pensador alemão Friedrich Nietzsche, queridinho dos universitários brasileiros de ciências humanas já há algumas gerações: a viagem que ele fez em 1876, quando ainda era um jovem professor de filologia na Basiléia, a Sorrento, em Nápoles, no sul da Itália. Recorrendo a cartas, documentos e anotações da época, do filósofo e de terceiros, o autor transmite de forma convincente o impacto que a força vital mediterrânea teve na vida e nos rumos da filosofia de Nietzsche, marcando o início de seu amadurecimento intelectual.
Livro 'Nietzsche na Itália' – A viagem que mudou os rumos da Filosofia
"Como posso ter suportado viver ate agora!", o autor do Zaratustra exclamou já nos primeiros dias de sua temporada na região. Esgotado mentalmente, rabugento e de saúde frágil, com crises insuportáveis de enxaqueca e outra aflições físicas, Nietzsche percebeu na alegria despreocupada  e na sensualidade espontânea do povo meridional a possibilidade de uma alternativa à frieza das “almas grosseiras e artificiais” do norte. A paisagem e a própria luz do sul funcionaram para ele como um convite à afirmação da vida, com reverberações evidentes em toda a sua obra subsequente, começando por “Humano, demasiado humano”, uma exaltação dos espíritos livres. Foi em Sorrento que Nietzsche adotou o aforisma como forma predileta de expressão,  presente em livros como “A gaia ciência”, “Assim falou Zaratustra” e “Ecce Homo”.

Leia aqui um trecho de “Nietzsche na Itália – A viagem que mudou os rumos da Filosofia”
Personagens importantes nessa travessia são Malwida von Mensenbug, que fez o convite e organizou a viagem, o amigo Paul e também filósofo Paul Rée e o estudante Albert Brenner, com quem Nietzsche travou proveitosas discussões em caminhadas e explorações da região. Os três visitantes se instalaram, juntamente com a camareira Trina, na Villa Rubinacci, uma modesta pensão próxima de uma aldeia de pescadores.
Revigorado pela força solar da região, é nessa viagem que Nietzsche começa a se transformar em um filósofo radical e libertário: é quando ele rompe intelectualmente com Richard Wagner, a quem idolatrou em sua primeira obra – “A origem da tragédia”. Em Sorrento, Nietzsche passou a julgar estúpidos o ufanismo e a religiosidade wagnerianos, abandonando o projeto de renovação da cultura alemã associado ao músico.

“Nietzsche na Itália” é o relato de uma metamorfose, o registro ao mesmo tempo objetivo e poético da superação de e uma crise e da fertilização do poder criativo de Nietzsche, em um momento de transição na vida do pensador e na própria história da filosofia.  Depois dessa viagem, o filósofo abandonou de vez a vida acadêmica e iniciou sua vida de livre pensador, vivendo entre a Suíça, a França e a Itália.

Zezinho monta mesa diretora para sua próxima gestão

Zezinho Albuquerque
O deputado Zezinho Albuquerque(PROS) tem carta branca para montar a mesa diretora que ele vai comandar a partir de primeiro de fevereiro.
Camilo Santana conversou com todos os parlamentares e Zezinho foi o caminho para a chegada de todos ao Palácio da Abolição.
Camilo e Zezinho não revelaram as conversas e quem vai ficar com o governo e seguir na oposição. As propostas para adesão existiram, esquecendo as sequelas da campanha.
Zezinho Albuquerque quer fazer o pacote completo. Combinar cargos na mesa e comando das comissões técnicas
(com Roberto Moreira)

Cid Gomes faz, em Itapipoca, sua primeira inauguração no Ceará como ministro da Educação


O ex-governador Cid Gomes participa nesta segunda-feira (26), às 10h, de seu primeiro ato, no Ceará, como ministro da Educação. Será no município de Itapipoca, onde inaugura um Instituto Federal de Educação, o décimo terceiro no Estado.

Os servidores do IFCE, professores e membros do sindicato nacional da categoria prometem fazer uma manifestação, protestando contra salários, condições de trabalho e denunciando que as escolas são inauguradas sem condições de funcionar.


Há apenas 25 dias no cargo, Cid Gomes ainda está se familiarizando com os problemas da pasta, mas deverá ouvir os trabalhadores e estudantes, tomando pé da real situação, para só depois tomar as medidas cabíveis.
(com Sobral de Prima)

COLÉGIO LUCIANO FEIJÃO - A ESCOLA QUE MAIS APROVA NA UVA


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O AMOR SEGUNDO MANUEL BANDEIRA, por R.B. COVO

Captura de tela inteira 16012015 234347.bmp.jpg Imagem do curta-metragem "O poeta do castelo", de Joaquim Pedro de Andrade, 1959
Faz versos como quem morre, choroso, sabor acre na boca. Versos como quem chora. Tomam-no a tristeza, o desencanto, o desalento, a angústia rouca. A doença e “o mau gênio da vida”. Bandeira é um cara sofrido, de amores imaginativos, não saciados. É melancólico, tuberculoso... Irônico e amargo. Como amargos são sua vida e seus amores. Afinal, o amor é “um pobre gozo”, “hás de amar e sofrer incompreendido”.
O amor de Bandeira não se sacia. Suas fomes de romance, de chama que arde mais e mais, impelem-no a outros lugares – Parságada. Aqui o amor é impossível. Não tem com que se lhe baste. Lá (em Parságada) tem, sim. Tem a mulher que ele quer, na cama que escolherá.
Utópico. Inconcebível. Ideal e imaginário. O amor de Bandeira dói. Dói porque não se concretiza. É “chama, e, depois, fumaça...”. E atenta bem, aconselha, “o fumo vem, a chama passa...”. Momentâneo, interrupto, ligeiro, ilusório, é escasso, e o pior de tudo, finito. Depois de “fogueira linda a arder!” é fumo que embaça, inevitável, corriqueiro, triste. É o que tem que ser. Acabado, findo, resolvido, pois para tudo o poeta concebe a morte. A vida, o mundo, tudo se termina. Mesmo o que se sente. Má sorte!
Captura de tela inteira 16012015 234553.bmp.jpg Do curta-metragem "O poeta do castelo"
O amor quando começa é inquieto e maravilhado, sem saber o que peça. Teme, “balbucia, não fala”. As mãos são trêmulas, e as paixões outrora pequenas, medrando se elevam, e se elevando tudo dominam. Muda, então, o amor de modo. Faz-se senhor de si, e de tudo, ainda que se tome de ciúmes, de dor e da visão da morte. Por sorte... Não, por sorte não. “Calmado o vento, o lume brilha, mais puro e mais forte”.
O amor primeiro incendeia, queima, venturoso, mas um dia é fumo esparso. E é assim em todas as ocasiões. Nas paixões tristes ou felizes, puras ou devassas.
O amor de Bandeira é o de quem vê morrer todos que ama. Pai, mãe, irmãos... Não encontra pena para seu penar. Não encontra consolação. Não acodem as donzelas às ânsias de seu olhar, tampouco ao seu suspirar. É um amor parcialmente irrealizado, sujeito às limitações cotidianas, sujeito às limitações “da vez”. É um amor encurralado pelo caráter fortuito das coisas. Pode ou não se satisfazer. Momentaneamente.
Captura de tela inteira 16012015 234938.bmp.jpg Do curta-metragem "O poeta do castelo"
Em “O anel de vidro” (A cinza das Horas, de 1917) escreve: “Aquele pequenino anel que tu me deste,/ - Ai de mim – era vidro e logo se quebrou.../ Assim também o eterno amor que prometeste,/ - Eterno! era bem pouco e cedo se acabou”. As afeições, escreve em seguida, se aniquilam, ficando as recordações e a saudade. Saudade desse tempo em que “te estreito cada vez mais, e espio absorto/ A maravilha astral dessa nudez sem pejo...// E te amo como se ama um passarinho morto” (do poema “Boda Espiritual”, A cinza das Horas, 1917).
Da inocência do primeiro namoro, em que o outro não faz caso das suas ternurinhas, o porquinho-da-índia (do poema “Porquinho-da-índia”, Libertinagem, 1930), à certeza de que “Não posso crer que se conceba/ Do amor senão o gozo físico!” (do poema Vulgívaga”, Carnaval, 1919), o amor é cotidiano, vulgar, mundano. Umas vezes inocente, terno, meigo, outras, voluptuoso, animal, libidinoso.
O amor de Bandeira “não tem bondade alguma” (do poema “Mulheres”, Libertinagem, 1930). Porque ele mesmo é fraco, acrescenta. Ama como as criancinhas. Ama o que o aconchega, o que o sossega, o que lhe faz bem. Recusa o feio, o avesso ao encanto.
Captura de tela inteira 16012015 234959.bmp.jpg Do curta-metragem "O poeta do castelo"
“Sou romântico? Concedo”, afirma em “Sextilhas românticas” (Belo Belo, 1948), tem a alma ruim, dada por Deus. E na sua “Arte de amar” (Belo Belo, 1948), aconselha, “esquece a tua alma/ A alma é que estraga o amor”. E prossegue mais embaixo: “Deixa teu corpo estender-se com outro corpo./ Porque os corpos se entendem, mas as almas não”. As almas, essas encontram satisfação só em Deus. Afinal, ele era “aquele que amou Antônia e que Antônia não amou” (“Antônia”, Estrela da tarde, 1960). Unidade, só a carnal. A física e material.
Bandeira é erótico. Perpassa todos os recantos do corpo. Extasia-se com a nudez. Imagina-a, recria-a... Deseja-a. “Quando estás vestida/ Ninguém imagina/ Os mundos que escondes/ Sob as tuas roupas” (“Nu”, Estrela da manhã, 1936). Escreve os joelhos, os seios, o umbigo, os olhos, os mundos dela, palpitantes, os mamilos, o dorso, os flancos. Todo se entrega. “Bóio, nado, salto/ Baixo num mergulho/ Perpendicular.// Baixo até o mais fundo/ do teu ser, lá onde/ Me sorri tu´alma/ Nua, nua, nua...”
O amor de Bandeira é, no final da vida, deslocado. Seletivo. Não o quer. Diz-lhe adeus. É tarde, afinal. E faz bem: “a mocidade/ Quer a mocidade” (do poema “Adeus, amor”, Estrela da tarde, 1960). É pouco para o poeta dar e receber carinhos. Este exige “o trauma, o magma”, o amor em todas as suas nuances.
Captura de tela inteira 16012015 235144.bmp.jpg Do curta-metragem "O poeta do castelo"
No final da vida, em 1965, Bandeira escreveu em “Antologia” (Estrela da tarde, 1960): “A vida/ Não vale a pena e a dor de ser vivida./ Os corpos se entendem mas as almas não./ A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.// Vou-me embora p´ra Pasárgada!/ Aqui eu não sou feliz./ Quero esquecer tudo:/ - A dor de ser homem.../ Este anseio infinito e vão/ De possuir o que me possui.// Quero descansar/ humildementepensandonavidaenasmulheresqueamei.../ Na vida inteira que podia ter sido e que não foi”.
O amor de Bandeira é tímido, evasivo, solitário. Perdeu a vez. Amou sem ser amado, e amado não amou. É sensual e romântico. Nu. Infantil. Farto de alma. Frustrado.
O amor de Bandeira principia e acaba, é chama e fumaça.



O DOM DE SE ACALMAR, por Najara Gomes

foto1.jpg
Já senti ventanias tão fortes que tive vontade de segurar o teto para ele não voar, e poucas horas depois tudo terminou em brisa. Já ouvi chuvas tão agressivas que dava medo em abrir a janela, mas pouco depois se resumiam em gotinhas tímidas grudadas no vidro. É passageiro, o susto é passageiro. A agonia nos abraça tão apertado que dá vontade de sair por aí salvando o mundo, mas ao abrir a porta já não tem mais perigo nenhum. Tudo depende da importância que você impõe.
Se está ventando muito, não precisa se agarrar ao primeiro cobertor que for ver na frente, aproveite o impulso e jogue alguns sentimentos antigos para serem levados pela direção do vento, junto com o teto se for preciso. Dê tchauzinho e um grande aceno, pois já não te serve mais. Aquele teto já estava aí há tanto tempo mesmo. Vai ver você agora quer morar debaixo das estrelas, acampando em meio ao nada e tendo apenas o balançar das folhas como paredes.
Até eu que sou tarja preta aprendi a me acalmar e a respirar ao invés de suspirar. Até eu que sou um caos sentimental aprendi a chover menos em copos d’água. Eu que vivi sempre estufada, sem espaço pra nada de tanto estar cheia de tudo, aprendi a abrir a válvula de escape e esvaziar um pouco. Que mal tem? Passar a vida com o coração acelerado pelos motivos errados é um desperdício de hormônios. Acelera quando algo sai errado, acelera quando não te falam o que queria ouvir, acelera quando alguém vai embora, acelera quando não entendem o que você sente.
Ah, pra quê se esforçar tanto, afinal? Se virou rotina se esforçar ao máximo para acalmar os batimentos, está mais que na hora de tomar uma dose do calmante mais forte já inventado. O santo soberano de qualquer medicamento à venda em farmácia, que não vem com bula, mas é tão fácil de usar que nem é preciso instruções:
Dê um tempo, tome um tempo, não culpe o tempo, sinta o tempo e recupere seu tempo
O que não pode acontecer é ter tanto medo da vida, e se esconder atrás de tantas chaves. Pois, tudo passa. Eu já me enchi com tantos cadeados, mas poucos segundos depois já não lembrava mais o que estava guardando. Já corri tanto da solidão que quando percebi estava de mãos dadas com ela. Então, parei de correr. Joguei as fechaduras. Abri as janelas. E sorri com o vento. Se funciona? Dia sim, dia não. Mas passa, o dia bom passa, e o ruim também. A chuva é fase, por que eu não seria?
O incerto também tem seu encanto



© obvious: http://lounge.obviousmag.org/entre_parenteses/2015/01/o-dom-de-se-acalmar-1.html#ixzz3PeGdMd4H 
Follow us: obviousmagazine on Facebook

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

TEMPESTADE PERFEITA, por Merval Pereira


 Do ponto de vista meramente eleitoreiro e pessoal, o PSDB pode dizer que ter sido derrotado foi uma sorte, pois estaria sendo acusado pelo PT na oposição de tomar medidas impopulares que não seriam necessárias. 

Era isso o que a candidata vitoriosa, Dilma Rousseff, dizia na campanha eleitoral, e certamente essa postura otimista teve muito a ver com sua vitória apertada, além, é claro, de todas as demais atitudes antiéticas que sua campanha adotou no ataque direto aos adversários mais fortes, tanto o do PSDB quanto Marina Silva no primeiro turno.

Do ponto de vista do país, o que estamos vendo é um governo tendo que tomar medidas dramáticas para tentar consertar os erros que ele mesmo cometeu no primeiro mandato, e perdido entre as disputas políticas internas. A "herança maldita" que o PT tanto apontou contra o governo de Fernando Henrique Cardoso que o antecedeu nem de longe se compara à herança que Dilma deixou para ela mesma, levando o país a uma quadra de economia débil que ameaça repetir-se neste segundo mandato.

A tempestade perfeita que os "pessimistas" previam está acontecendo nos primeiros 20 dias do segundo mandato, o que significa que o país que ela governou por quatro anos está em estado de calamidade. Desde o fechamento das urnas, o cidadão brasileiro já recebeu uma série aumentos de impostos, taxas, juros e tarifas que ela negava que fossem necessários, além do desemprego que já é uma ameaça real.

E, mais espantoso, parte do PT já se coloca contra as medidas que vêm sendo adotadas pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, usando o economista Luiz Gonzaga Belluzzo como porta-voz da contestação ao "neoliberalismo" que teria tomado conta do governo Dilma, que teria abdicado de seu poder sem necessidade.

O apagão que atingiu ontem 9 estados e o Distrito Federal, nessa visão, seria apenas um acidente sem prenunciar maiores problemas, muito menos um racionamento de energia. Usam o mesmo artifício banal que o governador de São paulo, Geraldo Alckmin, que finge negar que em seu estado há racionamento, falando da mesma "restrição hídrica" culpada pelo governo do apagão. O novo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que vive com um sorriso nervoso nos lábios, foi capaz de duas frases memoráveis sobre o mesmo assunto nos dias que antecederam o grande apagão.

" Temos energia, ela apenas está mais cara", garantiu. E depois prometeu que o aumento para o consumidor "não chegará a 40%", como se isso fosse uma boa notícia. A Caixa Econômica Federal subiu os juros do financiamento imobiliário, e ainda foi apanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) usando o mesmo artifício que a Petrobras utilizou para não fazer licitações: usava empresas de papel para simular negócios.

O Banco Central não parece disposto a parar de subir os juros, o que começou a fazer na primeira semana depois do segundo turno, apesar da economia estagnada, provavelmente com crescimento negativo já este ano. Depois de restringir o seguro-desemprego, pensões e abono salarial, o ministro Joaquim Levy anunciou ontem novas medidas fiscais, criando um problema para a Petrobras com o aumento da Cide, que recai sobre o preço da gasolina.

Para que a alta não chegue às bombas, a estatal terá que deixar de aumentar o preço, ficando mais uma vez sem recuperar o prejuízo por questões políticas. Todos os aumentos de impostos anunciados ontem darão ao governo um gás no faturamento, mas implicarão o aumento da inflação.

E o ministro da Fazenda, que está indo para o Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça tentar convencer os investidores de que está colocando o país nos trilhos, é o grande alvo não apenas do PT como também da oposição, que não está disposta a dar-lhe crédito, mesmo sabendo que está no caminho certo, dentro das circunstâncias.

O PT acha que o caminho está errado, e o PSDB acha que faria melhor e com mais efeito, pois os investidores não precisariam ser convencidos já que as medidas fariam parte de um programa mais amplo e coerente.

E a presidente Dilma continua fazendo política barata, trocando a terceira posse de Evo Morales pelos investidores de Davos, e tentando criar um fato político com a condenação de um traficante brasileiro na Indonésia.

Bagagem cultural é decisiva para a redação do Enem, POR ANDREA AMARAL

Livros doados pela comunidade ajudam pacientes em recuperação
A redação do Enem é como a vida: não basta conhecer a técnica, é preciso ter conteúdo. No caso dos jovens, que ainda estão em fase de construir experiências, a melhor forma de adquirir conteúdo é o contato com textos literários.

O Enem pede uma redação que mostre capacidade de relacionar ideias e contextos, encadear argumentos, escrever de acordo com a norma culta, propor alternativas lógicas para resolver problemas. Parece simples, mas, para fazer um texto que vá além da técnica, é preciso ser um leitor.

Como escrever sobre reforma agrária sem ter se emocionado com o “Funeral de um Lavrador” (Chico Buarque) ou “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto)? Como escrever sobre a polêmica entre censura e liberdade de expressão, sem conhecer “É proibido proibir” (Caetano Veloso), “Apesar de você” (Chico Buarque), os cartuns de Henfil ou “Os Estatutos do Homem” (Thiago de Mello)?

Como falar de preconceitos e inclusão sem mergulhar na letra de “Dia de Graça”, de Candeia? Como tratar de ecologia ou dos conflitos entre o urbano e o rural sem conhecer “Triste Berrante”, de Adauto Santos? Como dissertar sobre a complexidade da vida sem ter lido que “viver ultrapassa todo entendimento”, como escreveu Clarice, ou que “uma parte de mim é todo mundo, e outra parte é ninguém: fundo sem fundo”, nas palavras de Ferreira Gullar?

Nesse ponto o Brasil é um país privilegiado, não só pela riqueza da sua literatura, mas também da sua música. Queiramos ou não, essas e tantas outras narrativas vão formando nossa identidade, nossas visões de mundo. Somos lavrados pelas reflexões e emoções que os textos nos provocam, pelas atitudes que eles inspiram.

O fenômeno de meio milhão de zeros e apenas 256 notas máximas na prova de redação do Enem deixa uma questão, não só para os estudantes do ensino médio, mas para todos nós, cidadãos digitais. Nesse amálgama de informações, falta tempo para mergulhar com a devida atenção nas mensagens de romances, poemas e músicas que são os pilares de nossa cultura. Quem ficar o tempo todo apenas em redes sociais poderá constituir uma identidade rica e plural? Poderá aportar conteúdo criativo e transformar o esqueleto de “introdução – meio – conclusão” numa página viva, colorida, instigante e consistente?

Provavelmente, estamos vendo o impacto de uma fase de transição. É possível que nós e as próximas gerações aprendamos a selecionar e editar mais e melhor esse enorme fluxo de informações. 

Um papel decisivo é o dos professores, que podem levar para a sala de aula toda a riqueza de nossos mais belos textos. Enquanto isso, eles continuam lá, esperando por nós para ser desvendados e, sutilmente, mudar nossas vidas.

Foto: Reprodução/TV Tem

UVA divulga calendário de reposição de aulas do semestre 2014.2


As atividades acadêmicas na UVA reiniciaram na manhã desta segunda-feira, 19 de janeiro, com das aulas, interrompidas pela greve de professores no final de setembro de 2014. Também nesta segunda-feira, a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da UVA divulgou o Calendário de Reposição de Aulas do Semestre 2014.2, que será concluído em 12 de maio. O início do período letivo 2015.1 será em 1º de junho.

O Calendário traz, ainda, o período para pedido de exclusão de disciplinas, período de matrícula de veteranos para o Semestre 2015.1 e as datas das solenidades de Outorga de Grau dos formandos 2014.2. O Calendário está disponível na página da UVA na Internet (clique AQUI).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Situação é preocupante, diz Camilo sobre prognóstico de chuvas para 2015

camilosant
Se, no ano passado, a situação na zona rural do Ceará foi crítica, este ano a previsão é que as sedes dos municípios entrem em colapso no abastecimento d’água. O alerta é do governadorCamilo Santana, nesta segunda-feira (20), no Palácio da Abolição, durante a divulgação oficial do prognóstico da quadra chuvosa de 2015.
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o Ceará tem 64% de chance de ter mais um inverno abaixo da média histórica. De acordo ainda com a Funceme, a possibilidade de chuvas na média normal é de 27%, enquanto um bom inverno é de apenas 9%.
Camilo Santana anunciou que o Ceará recorrerá à presidente Dilma Rousseff para recursos a importantes obras hídricas.
Fonte: Elioamar de Lima

INSS é condenado por demora na implantação de aposentadoria

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi condenado pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região a pagar indenização por danos morais e materiais a um segurado. O motivo foi a demora na implantação de um benefício. No caso, o autor teve de trabalhar por mais de cinco anos, apesar de ter cumprido os requisitos necessários. O homem alega que o episódio causou-lhe prejuízos de ordem material e moral no valor de R$ 475.014,89.
Segundo o autor da ação, ele teria adquirido em abril de 1998 o direito à aposentadoria junto ao INSS e à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), sendo que esta exigia para a concessão do benefício a comprovação do deferimento da aposentadoria pela previdência oficial.
No entanto, por requerimento administrativo formulado junto ao INSS para a contagem de tempo de serviço, a autarquia deixou de considerar um período de trabalho no cálculo do seu tempo de serviço — no caso, fevereiro de 1966 a dezembro de 1971. Em razão disso, o segurado se viu obrigado a entrar na Justiça com um mandado de segurança, obtendo o reconhecimento do período. 
Na contestação da ação de indenização, o INSS afirma que, apesar de ter procedido à averbação do tempo reconhecido na decisão judicial do mandado de segurança em novembro de 1997, o pedido de aposentadoria só foi efetivado pelo autor em outubro de 2002, quando o benefício foi prontamente implantado. Com estes argumentos, a autarquia negou a existência de dano moral indenizável.
Fonte: Conjur
veja a matéria na íntegra pelo endereço: http://www.conjur.com.br/2015-jan-18/inss-condenado-demora-implantacao-beneficio?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

ONU: 121 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola


Um relatório lançado nesta segunda-feira (19), em Londres, mostra que 121 milhões de crianças e adolescentes, de 6 a 15 anos, no mundo inteiro desistiram de frequentar a escola ou sequer começaram a fazê-lo. O documento foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e contrasta com a promessa da comunidade internacional de alcançar a Educação para Todos até 2015.

O relatório, intitulado “Reparação da promessa quebrada de Educação para Todos: resultados da Iniciativa Global Crianças Fora da Escola”, mostra que houve pouco progresso na melhora desse cenário desde 2007. Além disso, o documento revela que 63 milhões de adolescentes, com idades entre 12 e 15 anos, não estão na escola. Esse número mostra que há muito mais adolescentes nessa situação do que crianças. Enquanto uma a cada 11 crianças em idade escolar de nível primário não frequentam a escola, um em cada cinco adolescentes está na mesma situação.

O relatório mostra também que as mais afetadas pela falta de acesso à educação são as crianças que vivem em áreas de conflito, as que trabalham e aquelas que enfrentam discriminação baseada em etnia, gênero ou deficiência. A pobreza, contudo, é o maior vilão da educação, diz o estudo. Na Nigéria, por exemplo, dois terços das crianças em áreas mais pobres não vão à escola. E 90% delas, provavelmente nunca o farão. Os índices mais elevados de crianças fora da escola são encontrados na Eritreia e na Libéria, onde 66% e 59% das crianças, respectivamente, não frequentam a escola primária.

O diretor-executivo da Unicef, Anthony Lake, enumera três prioridades de investimento em três áreas. A primeira delas é aumentar o número de crianças frequentando a escola primária; a segunda é ajudar mais crianças, principalmente as meninas, a permanecer na escola durante todo o nível secundário; e a terceira é melhorar a qualidade da aprendizagem.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A força do círculo do amor, por PAULO COELHO

Certo dia, um camponês bateu com força na porta de um convento. Quando o irmão porteiro abriu, ele lhe estendeu um magnífico cacho de uvas.
- Caro irmão porteiro, estas são as mais belas produzidas pelo meu vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.
- Obrigado! Vou levá-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com esta oferta.
- Não! Eu as trouxe para você.
- Para mim? Você me deixa ruborizado,  porque não mereço tão belo presente da natureza.
- Sempre que bati na porta, você abriu. Quando precisei de ajuda porque a colheita foi destruída pela seca, você me dava um pedaço de pão e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva,  e do milagre de Deus, que o fez nascer tão belo.
O irmão porteiro colocou o cacho diante de si, e passou a manhã inteira admirando-o: era realmente lindo. Por causa disso, resolveu entregar o presente ao Abade, que sempre o havia estimulado com palavras de sabedoria.
O Abade ficou muito contente com as uvas, mas lembrou-se que havia no convento um irmão que estava doente, e pensou: "vou dar-lhe o cacho. Quem sabe, pode trazer alguma alegria à sua vida".
Mas as uvas não ficaram muito tempo no quarto do irmão doente, porque este refletiu: "o  irmão cozinheiro tem cuidado de mim por tanto tempo, alimentando-me com o que há de melhor. Tenho certeza que isso lhe trará muita felicidade. Quando o irmão cozinheiro apareceu na hora do almoço, trazendo sua refeição, ele entregou-lhe as uvas".
- São para você. Como sempre está em contacto com os produtos que a natureza nos oferece, saberá o que fazer com esta obra de Deus.
O irmão cozinheiro ficou deslumbrado com a beleza do cacho, e fez com que o seu ajudante reparasse a perfeição das uvas. Tão perfeitas que ninguém para aprecia-las melhor que o irmão sacristão, responsável pela guarda do Santíssimo Sacramento, e muitos no mosteiro o viam como um homem santo. 
O sacristão, por sua vez, deu as uvas de presente ao noviço mais jovem, de modo que este pudesse entender que a obra de Deus está nos menores detalhes da Criação. Quando o noviço o recebeu, o seu coração encheu-se da Glória do Senhor, porque nunca tinha visto um cacho tão lindo. Na mesma hora lembrou-se da primeira vez que chegara ao mosteiro, e da pessoa que lhe tinha aberto a porta; fora este gesto que lhe permitira estar hoje naquela comunidade de pessoas que sabiam valorizar os milagres.
Assim, pouco antes do cair da noite, ele levou o cacho de uvas para o irmão porteiro.
- Coma e aproveite. Porque você passa a maior parte do tempo aqui sozinho, e estas uvas lhe farão muito feliz.
O irmão porteiro entendeu que aquele presente tinha lhe sido realmente destinado, saboreou cada uma das uvas daquele cacho, e dormiu feliz. Desta maneira, o círculo foi fechado; o círculo de felicidade e alegria, que sempre se estende em torno de quem está em contacto com a Energia do Amor.

Bons propósitos para o ano novo, Por LEONARDO BOFF

Todo começo de ano é ocasião de se fazerem bons propósitos. São desafios que nos colocamos a nós mesmos para que a vida não seja sempre repetitiva mas criativa e, quem sabe, surpreendente. Alinho aqui alguns propósitos  para alimentar a fantasia criadora de cada um. 
1. Desenvolva em você a inteligência cordial, emocional e sensível. Inflacionamos a inteligência intelectual, sempre necessária, mas insuficiente. Deixada por si, produziu a solução final dos judeus (Shoah) e a Casa da Morte em Petrópolis sob o regime militar. A inteligência cordial enriquece a intelectual com o afeto, o amor e o cuidado, sem os quais perdemos nossa humanidade  e não salvaremos a vida no planeta Terra. 
2. Deus sempre vem misturado em todas as coisas. Onde houver algum gesto de amor, de solidariedade e de reconciliação saiba que Ele está lá infalivelmente. Sem esses valores Deus é apenas um nome. 
3. De manhã, ao despertar, ou antes de recolher-se, faça uma pequena homenagem a Deus, ou àquela Energia amorosa e poderosa que nos sustenta. Não precisa dizer nada. Reserve aqueles poucos minutos para Ele e só para Ele. Se precisar, chore  pelas demasiadas desgraças que ocorrem ou alegre-se por aquilo de bom que aconteceu. 
4. Cada um é um projeto infinito. Nada nos sacia plenamente. Passe pelas coisas, usufrua-as sem danificá-las mas não se detenha nelas. Vá em frente e sempre além, pois, somos caminhantes da vida, e somente um Infinito sacia nossa sede e fome infinitas. 
5. Deseje ser águia que voa alto e livremente, quer dizer, tenha ideais e grandes sonhos. Mas não esqueça que deve ser também galinha, concreta e prudente, especialmente quando se trata de administrar os bens materiais e lidar com dinheiro. Aprenda quando deve ser águia e quando galinha. E saiba combinar sabiamente ambas as coisas. 
6. Faça uma terapia em sua linguagem. Dizem-se tantos palavrões no falar cotidiano e nas redes sociais. No começo era a Palavra. Ela tem força criadora e destruidora. Depende de você. Ela é “a ponte onde o amor vai e  vem”, como cantam os cristãos das comunidades de base. 
7. Você pode hoje se informar sobre tudo. Praticamente tudo se encontra na internet e no Google. Mas cuide em se formar para ter uma humanidade mais plena. Disse uma sábia filósofa judia: podemos nos informar a vida inteira sem nunca nos educar. 
8. Quando entrar em casa, tome seu banho, descanse um pouco, não ligue logo a televisão ou consulte o facebook ou leia  os e-mails. Retire-se a um canto, fique em silêncio. Agradeça a Deus pela vida. Pois, nos dias atuais com os riscos que corremos em cada esquina ou em cada canto somos todos sobreviventes. 
9. Resista à propaganda. Ela não pensa em você, apenas no seu bolso para fazê-lo um consumidor e não um cidadão consciente. Assuma como projeto de vida a sobriedade compartida. Podemos ser mais com  menos, por amor àqueles que pouco ou nada têm. Decida você mesmo o que comprar e quando comprar, com plena liberdade e consciência. 
10. Incorpore a ética do cuidado essencial: cuide de sua saúde, de sua família, de sua casa, de seus amigos, cuide do ambiente inteiro com o mesmo sentimento de São Francisco de Assis, que respeitava e amava a todos os seres como irmãos e irmãs, especialmente a irmã água e a irmã e mãe Terra. Perceberá aos poucos que todos os seres, também as montanhas, possuem um coração que pulsa como o seu.  No fundo, você, sua casa e família, as pessoas, as paisagens, as montanhas, o céu estrelado, a  Lua, o Sol e Deus constituem um único, grande e generoso Coração pulsante. 
* Leonardo Boff, teólogo e escritor, é autor de 'A grande transformação: na economia, na política e na ecologia' (Vozes, 2014).

Para se entender o terrorismo contra o 'Charlie Hebdo' de Paris, POR LEONARDO BOFF

Uma coisa é se indignar, com toda a razão, contra o ato terrorista que dizimou os melhores chargistas franceses. Trata-se de ato abominável e criminoso, impossível de ser apoiado por quem quer que seja. Outra coisa é procurar analiticamente entender por que tais eventos terroristas acontecem. Eles não caem do céu azul. Atrás deles há um céu escuro, feito de histórias trágicas, matanças massivas, humilhações e discriminações, quando não, de verdadeiras guerras como as do Iraque e Afeganistão, que sacrificaram vidas  de milhares e milhares de pessoas ou as obrigaram a ir para o exílio. 
Os EUA e países europeus estavam presentes nesta guerra. Na França, vivem alguns milhões de muçulmanos, a maioria nas periferias em condições precárias.  Muitos, mesmo nascidos na França, são altamente discriminados a ponto de surgir uma verdadeira islamofobia. Logo após o atentado aos escritórios do Charlie Hebdo, uma mesquita foi atacada com tiros, um restaurante muçulmano foi incendiado e uma casa de oração islâmica foi atingida também por tiros. 
Trata-se de superar o espírito de vingança e de renunciar à estratégia de enfrentar a violência com mais violência ainda. Ela cria uma espiral de violência interminável, fazendo vítimas sem conta, a maioria delas inocentes. E nunca se chegará à paz. Se queres a paz, prepara meios de paz, fruto do diálogo e da convivência respeitosa entre todos. 
Paradigmático foi o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. A reação do presidente Bush foi declarar a “guerra infinita” contra o terror e instituir o “ato patriótico” que viola direitos fundamentais dos cidadãos.         
O que os EUA e aliados ocidentais fizeram no Iraque e no Afeganistão foi uma guerra moderna com uma mortandade de civis incontável. Se nestes países houvesse somente ampla plantação de tâmaras e de figos, nada disso ocorreria. Mas lá há muitas reservas de petróleo, sangue do sistema mundial de produção. Tal violência deixou um rastro de raiva, de ódio e  de vontade de vingança em muitos muçulmanos vivendo em seus países ou pelo mundo afora.
A partir deste transfundo, se pode entender que o atentado abominável em Paris é resultado desta violência primeira e não causa originária. Nem por isso se justifica.
O efeito deste atentado é instalar um medo generalizado. Esse efeito é visado pelo terrorismo: ocupar as mentes das pessoas e mantê-las reféns do medo. O significado principal do terrorismo não é ocupar territórios, como o fizeram os ocidentais no Afeganistão e no Iraque, mas ocupar as mentes.         
A profecia do autor intelectual dos atentados de 11 de setembro, Osama Bin Laden, feita no dia  8 de outubro de 2001, infelizmente, se realizou: “Os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”. Ocupar as mentes das pessoas, mantê-las desestabilizadas emocionalmente, obrigá-las a desconfiar de qualquer gesto ou de pessoas estranhas, eis o objetivo essencial do terrorismo.         
Para alcançar seu objetivo de dominação das mentes, o terrorismo persegue a seguinte estratégia:
1) os atos de terror têm de ser  espetaculares, caso contrário, não causam comoção generalizada;
2) os atos, apesar de odiados, devem provocar admiração pela sagacidade empregada;
3) os atos devem sugerir que foram minuciosamente preparados;
 4) os atos devem ser imprevistos para darem a impressão de serem incontroláveis;
 5) os atos devem ficar no anonimato dos autores (usar máscaras) porque, quanto mais suspeitos, maior é o medo;
 6) os atos devem provocar permanente medo;
 7) os atos devem distorcer a percepção da realidade: qualquer coisa diferente pode configurar o terror. Basta ver alguns rolezinhos entrando nos shoppings, e já se projeta a imagem de um assaltante potencial.
 Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda  violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor.
 O importante não é a violência em si  mas seu caráter de espetáculo, capaz de dominar as mentes de todos.
Um dos efeitos mais lamentáveis do terrorismo foi ter suscitado o Estado terrorista que são hoje os EUA. Noam Chomsky cita um funcionário dos órgãos de segurança norte-americano que confessou: “Os EUA são um Estado terrorista, e nos orgulhamos disso”.
Oxalá não predomine no  mundo, especialmente no Ocidente, este espírito. Aí, sim, iremos ao encontro do pior. Somente meios pacíficos têm a força secreta de vencer a violência e as guerras. Essa é a lição da história e o conselho dos sábios como Gandhi, Luther King Jr., Francisco de Assis e Francisco de Roma.
*Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é também escritor. É dele o livro 'Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz' (Vozes,  Petrópolis, 2009).

Assembleia Legislativa e seus movimentos

Zezinho Albuquerque
"O governador Camilo Santana já tem seu candidato a presidente da casa que é o deputado Zezinho Albuquerque que será reeleito sem adversário.
A aposta é que a composição da mesa saia em comum acordo com o tamanho das bancadas como manda a tradição.
O bloco de oposição, que não se sabe ainda qual será o tamanho, quer um espaço na mesa. Zezinho Albuquerque já sinalizou com uma mesa eclética. Camilo diz que não vai se envolver, mas todo mundo sabe que no jogo político da Assembleia, o governador sempre é o árbitro."
Fonte: Blog do Roberto Moreira 

BNB planeja aplicar R$ 8,5 bilhões em microcrédito em 2015


Referência no setor de microcrédito na América do Sul, Banco do Nordeste planeja aplicar R$ 8,5 bilhões, em 2015, por meio de seu programa de microcrédito produtivo e orientado urbano, o Crediamigo. O montante deverá beneficiar cerca de 2,1 milhões de empreendedores em todo o Nordeste e norte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A carteira de recursos do programa contou recentemente com aporte de R$ 100 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), reforçando a parceria das duas instituições no fortalecimento do microcrédito na área de atuação do BNB.

Além do BNDES, a carteira de investimentos do Crediamigo recebe aportes financeiros do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), Banco Mundial e Depósitos Interfinanceiros de Microcrédito (DIM), afora recursos próprios do Banco do Nordeste.

Fonte: Blog do Roberto Moreira

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resultado do Enem 2014 sai nesta terça-feira


Os mais de seis milhões de estudantes que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão conferir os resultados da prova a partir de amanhã (13) na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para ter acesso ao resultado, os candidatos precisam do número de inscrição ou do CPF e da senha criada no momento da inscrição.

O gabarito das provas está disponibilizado aos estudantes desde o ano passado. A correção da prova, todavia, leva em consideração mais do que apenas a contagem dos erros e acertos. O valor de cada questão varia conforme o percentual de acertos e erros naquele item, sendo utilizada a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Assim, uma questão que muitos candidatos acertaram é considerada mais fácil e não valerá tantos pontos. Já o candidato que acertar uma questão com alto índice de erros ganhará mais pontos por aquele item.

A nota do Enem poderá ser usada para participar do Sistema ùnico de Seleção Unificada (Sisu), cujas inscrições serão de 19 a 22 deste mês, e do Programa Universidade Para Todos (ProUni), com inscrições de 26 a 29 de janeiro. Servirá também para certificar o ensino médio, obter empréstimo pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de participar do programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras.

Fonte: Agência Brasil