terça-feira, 23 de agosto de 2016

Empresários cearenses recebem diplomata da embaixada brasileira em Singapura, o massapeense Paulo Edson Medeiros Albuquerque

Diretores e empresários do Simec, Sindialimentos, Sindcalf, Sindquímica e Sindmest reuniram-se nesta segunda-feira (22/8), na Casa da Indústria, com o vice-cônsul e chefe administrativo da Embaixada do Brasil em Singapura, Paulo Edson Medeiros Albuquerque. O encontro foi em retribuição à acolhida do diplomata em Singapura em julho, quando uma comitiva cearense, formada também por representante do Sebrae, visitou o país para prospectar oportunidades de negócios. O Centro Internacional de Negócios da FIEC foi o articulador da missão. 
O vice-cônsul afirmou que, muito mais que uma visita de cortesia, a reunião com os empresários é para reforçar que a embaixada está à disposição do Ceará para melhorar e estreitar as relações comerciais com Singapura e potencializar os resultados da missão. Segundo o diplomata, Singapura oferece várias oportunidades para empresas cearenses de diversos setores, desde o têxtil ao de medicamentos.
Ele informa que o país importa quase tudo que consome e além do mercado local Singapura funciona como um hub de exportação para todo o sudeste asiático, que é praticamente do mesmo tamanho que a América Latina. “É possível se utilizar de Singapura para exportar para a China. O país, hoje, é o melhor ponto para os produtos brasileiros na Ásia”, destacou.

P.S. Para que não sabe, Dr. Paulo Edson é filho do casal massapeense Paulo Albuquerque e Ana Lúcia. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

VALE UMA NOTA À PARTE: COMENTÁRIO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO SOBRE A POSTAGEM "RESILIÊNCIA"

AMIGO-IRMÃO CARLINHOS, A RELEVANTE TEMÁTICA " RESILIÊNCIA " É EVIDENCIADA NO POEMA " MAR PORTUGUÊS " DO GRANDE FERNANDO PESSOA, NA SEGUNDA PARTE DO LIVRO MENSAGEM. " ... QUEM QUER PASSAR ALÉM DO BOJADOR TEM QUE PASSAR ALÉM DA DOR. DEUS AO MAR O PERIGO E O ABISMO DEU, MAS FOI NELE QUE ESPELHOU O CÉU. " " TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA. "

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

É PRECISO SER RESILIENTE...

Já tratei aqui no blog sobre a imperiosa necessidade do profissional ser resiliente. Afinal, o que é resiliência? Se buscarmos o conceito na física, veremos que resiliência é propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. O que isto tem a ver com a vida profissional? Sabemos que hoje vivemos em mundo dinâmico, onde tudo muda a todo instante e a toda hora. Embora essa consciência seja evidente, o que se verifica no ambiente do trabalho é que muitos profissionais se fecham em si mesmos, não se permitindo olhar sua trajetória com outras possibilidades. Na maioria das vezes são ferozes e contrários as mudanças. Não suportam lidar com o “novo” e quando surge uma nova ideia, eles se opõem e se resguardam no seu “mundo”, sob o argumento de que aquilo não vai dar certo.
Essa atitude de pseudo sobrevivência revela, na verdade, fragilidade e absoluta ausência de resiliência. Então ficou fácil perceber que resiliência no mundo trabalho é a capacidade que temos de adaptação as mudanças, com a consciência plena de que a verdadeira sobrevivência no mercado competitivo exige do profissional um olhar aberto para as diversidades, abolindo preconceitos e superando a insidiosa zona de conforto. Exige mais ainda uma ação propositiva, sempre alicerçada pela “atitude”. É preciso andar um metro a mais sempre, surpreendendo e se antecipando aos cenários. Afinal, sempre há uma maneira de se fazer melhor aquilo que costumeiramente se conceitua “rotina de trabalho”.
Então, como ser resiliente na vida laborativa? É óbvio que a junção dessas qualidades não surge do nada. Faz-se necessário cultivar valores e apostar muitas cartas nas relações interpessoais, sabendo lidar com as diferenças, catalisando energias e, principalmente, aprendendo com as opiniões contrárias. Mais ainda: é preciso estudar bastante. Isso não importa dizer que o objeto de estudo se restringe à área de atuação profissional. Claro que é um ponto a mais, todavia é preciso ir muito além: Aprender com os filósofos, mergulhar na história e na sociologia, encantar-se pela arte e a literatura.Em síntese, trata-se de ter uma visão holística do mundo, permeada pela capacidade de vislumbrar o belo na criação divina e nas coisas humanas, não perdendo a sensibilidade para “escutar” e cercando-se da tão saudável “humildade”, que nos faz compreender o quanto somos imperfeitos e do quanto necessitamos do “outro” para alcançarmos o êxito nas batalhas da vida.

Portanto, ser resiliente é também perceber que o sucesso não é resultado de uma ação individual, mas sim fruto de uma construção coletiva em que a colaboração de cada um, direta ou indireta, faz a enorme diferença. Por isso, o verdadeiro êxito não é subir ao pódio sozinho, mas alcancá-lo ladeado de muitos companheiros de luta.

Revoluções silenciosas: a convivialidade, POR LEONARDO BOFF

Com a queda do muro de Berlim em 1989 e com ele o socialismo que fazia o contraponto, (independentemente de seus graves erros internos), o capitalismo terminou ocupando todos os espaços na economia e na política. Com a chegada ao poder de Margareth Thatscher na Inglaterra e de Ronald Reagan nos USA, a lógica capitalista ganhou livre curso: liberalização completa dos mercados com a ruptura de todos os controles, a introdução do estado mínimo, das privatizações e da concorrência sem fronteiras. 
Essa assim chamada “mundialização feliz” não foi tão feliz assim. 
O prêmio Nobel de economia Joseph Stigliz pôde escrever em 2011: ”somente o 1% dos mais ricos  fazem funcionar a economia e o inteiro planeta em função de seus interesses”(“Of  the 1% by 1% em Vanity Fair, maio 2011). Em razão disso um dos maiores bilionários, o especulador Warren Buffet se vangloriava:”sim, a luta de classes existe, mas é a minha classe, a dos ricos, que conduz a luta e a estamos ganhando”(Entrevista na CNN de 2005).
Só que todos esses endinheirados nunca colocaram em seus calculus o fator ecológico, os limites dos bens e serviços naturais, tidos como desprezíveis externalidades. Isso ocorre também nos debates econômicos em nosso país, retardatário nesta questão, à exceção de alguns poucos como L.Dowbor.
Ao lado da hegemonia mundial do sistema do capital, crescem por todas as partes revoluções silenciosas. São grupos de base, cientistas e outros com sentido ecológico que estão ensaiando alterntivas a este tipo de habitar o planeta Terra. A continuar estressando de forma impiedosa a Terra, esta poderá dar o troco e provocar um abalo, capaz de destruir grande parte de nossa civilização. 
É num contexto assim dramático que surgiu um movimento chamado de “Os convivialistas” que reúne por ora mais de 3200 pessoas do mundo inteiro (veja www.lesconvivialistes.org). Procuram o viver juntos (dai convivialidade), cuidando uns dos outros e da na natureza, não negando os conflitos mas fazendo deles fatores de dinamismo e criatividade. É a politica do ganha-ganha. 
Quatro princípios sustentam o projeto: o princípio da comum humanidade. Com todas as nossas diferenças, formamos uma única humanidade, a ser mantida unida.
O princípio da comum socialidade: o ser humano é social e vive em vários tipos de sociedades que devem ser respeitadas em suas diferenças.
O princípio de individuação: mesmo sendo social, cada um tem direito de afirmar sua individualidade e singualridade, sem prejudicar os outros.
O princípio da oposição ordenada e criadora: os diferentes podem se opôr legitimamente mas sempre tendo o cuidado de não fazer da diferença uma desigualdade.
Esse princípios implicam consequências éticas, políticas, econômicas e ecológicas que não cabe aqui detalhar.
O importante é começar: a partir de baixo, com o bioregionalismo, com as pequenas unidades de produção orgânica, com a geração de energia a partir dos dejetos, com um sentido de auto-limitção e justa medida, vivendo um consumo frugal e compartido entre todos. São as revoluções silenciosas que estão acumulando energia para, num momento certo da história, poder fazer a grande transformação.
É importante hoje acentuar a convivialidade porque atualmente há muitos que não querem mais viver juntos.
A convivialidade como conceito, foi posta em circulação por Ivan Illich (1926-2002) com seu livro A convivialidade (1975). Ele foi um dos grandes pensadores proféticos do século XX. Austríaco, viveu grande parte de sua vida nas duas Américas. Para ele a convivialidade consiste na capacidade de   fazer conviver as dimensões de produção e de cuidado; de efetividade e de compaixão; de  modelagem dos produtos e de criatividade; de liberdade e de fantasia; de equilíbrio multimensional e de complexidade social: tudo para  reforçar o sentido de pertença universal.
A convivialidade pretende também ser  uma  resposta adequada à crise ecológica. Ela pode evitar um real crush planetário.
Haverá um novo pacto natural coma Terra e social entre os povos. O primeiro parágrafo do novo pacto será o sagrado princípio da auto-limitação e da justa medida; em seguida, o cuidado essencial por tudo o que existe e vive, a gentileza para com  os humanos e o respeito para com a Mãe Terra. 
É possível organizar uma sociedade boa, uma Terra da boa-esperança (Sachs e Dowbor) na qual as pessoas preferem cooperar e partilhar em vez de competir e acumular ilimitadamente.
Leonardo Boff articulista do JB on line escreveu com M.Hathaway, O Tao da libertação: explorando a ecologia de transformação, Vozes 2012.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Indagações, POR ROBERTO DaMATTA


Será que eu não teria ido mais longe ou ‘me arrumado’, se tivesse escolhido um outro caminho? Em vez de livros; dinheiro?

Fiz 80 anos. Entrei na evitada e almejada “melhor idade” ou, como se dizia quando éramos politicamente incorretos, na “velhice”. Minha mente (que não tem idade) só acende bem-aventuranças. Meu calendário fica menor, mas há o alívio de não ter que fazer prova de Matemática! Agora, todo ano se repete, e não perco mais nenhuma aula porque fui expulso da escola. Depois de uma certa idade, somos nós mesmos que nos avaliamos. Agora, eu não vou mais ser; eu sou!
Um mago consultado diz que, aos 80, a alma fala com a consciência, os neurônios com o cérebro. Desta plataforma, eles mandam bilhetinhos para a mente, que telegrafa ao espírito.
É normal!, diz-me o bruxo fumando um baseado. Coriscos e relâmpagos intrusivos cruzam-se num permanente mas nem sempre explícito diálogo do “eu” consigo mesmo, pois o “eu” não está só. Ele é assolado de fora e de dentro por afrontas, notícias e algum terrorismo — além de velhos desejos e fantasias. Esse fluxo incessante faz um carnaval. A realidade tem muitas fantasias.
Foi assim que acumulei ao longo da semana estranhamentos e indagações um tanto incompatíveis com a idade calhada à sabedora e à bíblica quietude — aquele conformismo próprio dos velhinhos bondosos e puros. O que não é, definitivamente, o meu caso.
Mas não tem sido sempre assim quando eu esperava a “barca” a ligar Niterói com o mundo? Na enorme fila, eu já não sentia a ansiedade do que chamamos de vida consciente, ali aguçada pela perspectiva da jornada no balanço do mar? Não era essa travessia o modelo das escolhas profissionais que a casa e a sociedade me obrigavam a fazer quando casualmente perguntavam: o que você vai ser? — ou seja: o que será de você?
— Por que não és um ricaço? Os ricos não esperam! — ainda diz um sujeito inconformado dentro da minha cabeça.
Mal pacifico essa impertinência, ouço uma outra indagação trivializada nestes tempos de roubos do Brasil pelo Brasil: por que não fostes um político cunhado na frieza, na ambição, no conhecimento dos regulamentos que ninguém lê e na desonestidade? Além de milionário, tal senda faria de ti um poderoso protagonista no labirinto do teatro nacional.
Será que eu não teria ido mais longe ou “me arrumado”, se tivesse escolhido um outro caminho? Em vez de livros; dinheiro? Em vez de individualidade; uma turma e um cartão partidário? Quem sabe a marquetagem teria resolvido minha inveja, meu narcisismo e — eis a questão — a minha vergonhosa conta bancária?
Mas qual...
Infelizmente, escolhi não uma “ciência exata” daquelas que explicam o mundo, mas uma disciplina meio histórica e literária, que desiste dos números, tem como centro a comparação por contraste e, por isso, recusa o trivial. Diferentemente das outras “ciências sociais”, a antropologia que pratico revela muitos modos de vida. Todos equivalentes e todos com o potencial de serem dignos e indignos, honrados ou execrados. Além desse deslocamento da contemporaneidade que confundimos com “avanço” e modernidade, seu método é um oximoro: a chamada “observação-participante”.
Porque o observar e analisar usando a própria consciência como instrumento impede o participar. E o participar, com seus afetos, gozos e nojos, impede o observar. Pode-se atacar uma feijoada ou o amor, tomando notas? Não é impossível, mas não é para qualquer um.
O “observar/participando” não é inútil, mas é uma contradição em termos tipo “inteligência militar”, “político honesto”, “profundidade jornalística” ou “radicalismo equilibrado”.
Guardando as devidas proporções, é como compreender por que o Brasil foi roubado por seus mais amados governantes. Pois como decifrar o populismo lulopetista sem passar pelo triste capítulo do acordo com os ricos para roubar os pobres que o elegeram e dos quais foi esperança? Eis o grande programa ideológico do genial Bertold Brecht virado pelo avesso. Eis o mistério pateticamente trazido à luz por uma Other-Brecht, a qual transformou a ópera dos vinténs num infame jogo de bilhões.
Mas, voltando ao microbalanço dessa caminhada de 80 vezes 365, devo dizer que eu não trocaria esses dias de espinhos, rosas e algum uísque, angústia e muito amor e música de Sinatra — por coisa alguma. Podemos sair de um papel, conforme temos visto envergonhados nos jornais, quando descobrimos figuras públicas como ladrões. Mas — como ensinava Shakespeare — só saímos de nossas vidas quando deixamos o palco.
Por outro lado, sabemos que o morto é uma entidade sem papéis. Na morte, viramos tudo o que os outros querem e, depois disso, somos esquecidos.
Mas, do ponto de vista da terra do nada, tudo o que vivemos é mágico e maravilhoso. Mesmo o dia mais infeliz é uma realização, mesmo o abandono e a solidão mais punitiva são partes da magia da saudade. Essa palavra que esses 80 me presenteiam pois, como aprendi com Joaquim Nabuco, ela — a saudade — está nos túmulos e nas cartas de amor.

* por Roberto DaMatta




quinta-feira, 28 de julho de 2016

Justiça mantém condenação de Município por residência danificada pela chuva

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) condenou o Município de Aracati, a 148 km de Fortaleza, a reconstruir a casa de aposentada que teve o imóvel destruído por chuva. A decisão, proferida nessa segunda-feira (25/07), teve como relator o desembargador Paulo Airton Albuquerque Filho.
Segundo o magistrado, “houve a plena demonstração da existência de liame de causalidade entre a conduta omissa específica do município em não prestar a devida drenagem e saneamento na rua da residência da autora [aposentada] e o dano suportado pela promovente, consubstanciando no desmoronamento de sua residência”.
De acordo com os autos, a aposentada possui uma casa localizada no bairro Várzea da Matriz, em Aracati, perto de um córrego público, que anualmente entope, fazendo com que a água passe por um beco ao lado do imóvel. A moradora procurou o município por diversas vezes para a execução de obras de infraestrutura a fim de solucionar o problema, mas o ente público fornecia apenas areia para obstruir o beco. Em 2009, a passagem contínua das águas no período de chuva ocasionou danos à residência, que chegou a ser interditada pelo Corpo de Bombeiros.
Por isso, a aposentada ajuizou ação requerendo a reconstrução de sua casa. Na contestação, o Município alegou que a requerente construiu sua residência sem os devidos requisitos exigidos pela legislação do município. Argumentou ainda que não teve responsabilidade nos danos ao imóvel.
Em 22 de outubro de 2015, o juiz Sérgio Augusto Furtado Neto Viana, da 1ª Vara de Aracati, determinou a imediata reconstrução da casa da moradora, no mesmo local. Além disso, o ente deverá efetivar as reformas de drenagem do lugar.
Para o magistrado, “o ente público é obrigado a manter de forma adequada o serviço de drenagem de água e de saneamento básico. Não é justo que a autora suporte, sozinha, o ônus do serviço de drenagem mal entabulado”.
O município não apelou, mas a matéria, por estar sujeita ao duplo grau de jurisdição, foi enviada ao TJCE para reexame necessário (nº 0000033-91.2010.8.06.0035). Ao apreciar o caso, a 1ª Câmara Cível manteve a decisão de 1º Grau. De acordo com o desembargador, “restaria configurada a negligência daquele Município, haja vista que, mesmo instado a solucionar o problema, preferiu quedar-se omisso”.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Veja o mundo como um olhar de possibilidades...

Não são pouco aqueles que têm dificuldade em aceitar a si mesmo. Olham-se no espelho e se sentem o pior dos mortais. Nutrem um pessimismo sobre o futuro e se deixam destruir pela depressão, pela distonia e pelo desânimo. Sempre indago dos meus alunos qual a primeira declaração de amor que se deve fazer na vida. A maioria responde que essa manifestação de sentimento deve ser dirigida, primeiramente aos pais e depois às pessoas com quem nos relacionamos. Mal sabem que estão redondamente enganados. Nossa primeira declaração de amor deve ser conferida a nós mesmos. Aqueles que não se amam são incapazes de amar alguém.
Amar a si mesmo não é um gesto de egocentrismo, mas sim um reconhecimento que somos um templo de Deus. Em nosso interior habita a centelha divina e por isso fazemos parte dessa genialíssima obra da criação. Imagine que somos mais de 6 bilhões de homens e mulheres e mesmo a meio de tantas multiplicidades não há sequer um igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos. Somos únicos e singulares. Por esse razão temos que fazer das nossas vidas algo extraordinário. Afinal, não haverá jamais um Carlos Albuquerque, um Francisco Antônio, uma Maria Fernanda. Fomos de fato concebidos para construir uma história, mas tudo depende de nossas escolhas. Enquanto nos perdemos pelo desânimo, pelo medo, lá fora o mundo clama por vida, coragem, determinação. Nós não nascemos para a derrota. Basta que você pense na maneira como chegou até aqui: Foram milhões de gametas masculinos se digladiando, brigando ferozmente, muitos ficaram pelo caminho, foi você quem chegou primeiro.
Portanto, ao nascermos, passamos por uma prova de resistência que nos exigiu habilidade, velocidade e meta. Isso nos dá a certeza de que podemos superar os obstáculos, por maiores que eles sejam. Se temos limitações (na saúde, nas finanças etc)elas não serão suficientes para calar nossos sonhos, soçobrar nossos ideais. Basta assistirmos às paraolimpíadas (atletas especiais) para observarmos que o impossível é mera criação humana. Aqueles atletas, com todas as suas limitações, deixam-nos uma lição de vida. Eles, na verdade, esqueceram as amarras que o destino lhes pregou, e passaram a ver o mundo com um olhar de possibilidades. Superaram a inércia porque deram asas à imaginação. Ao contrário de ficaram presos num quarto, ou mergulhados no abismo de suas dores, eles se permitiram sonhar, e esse sonho foi ganhando tamanho e forma e se transformando em grandes resultados. Mais dos que as vitórias nas competições esses atletas venceram a si mesmos.
É chegada a hora de amar a si mesmo. Se você não tem a beleza da Angelina Jolie, o dinheiro do Bill Gates, a inteligência do Rui Barbosa,tais constatações não devem lhe levar ao desânimo. Até porque nenhum deles tem a sua essência. Você é único e essa singularidade lhe faz especial. Por isso, ao se olhar no espelho não veja mais um espectro de um derrotado. Mire no seu olhar e diga a si mesmo: Eu faço parte da grande safra de Deus, sou único e especial, nasci para a vitória.

Que país terão nossos netos? POR VASCONCELOS ARRUDA

Há algum tempo venho me deleitando com a leitura das circulares conciliares e pós-conciliares que Dom Hélder Câmara escreveu ao grupo de amigos e colaboradores na década de 60, durante e após o Concílio Vaticano II. Em treze alentados volumes, publicados pelo Instituto Dom Hélder Câmara em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco, as circulares endereçadas à “Querida Família Mecejanense” revelam, dentre outras coisas, a realidade por que passou o Brasil na época. A luta contra os anos difíceis de repressão é explicitada em diversas ocasiões, na verdade, é quase constante.
Pois bem, lendo esta semana as circulares escritas entre os meses de fevereiro e dezembro de 1968, um dos períodos mais difíceis para o país, me pus a matutar sobre o quanto o Dom era um homem otimista e esperançoso. Esse pensamento me ocorreu quando lia a circular escrita entre os dias 10 e 11 de junho de 1968. Com o ímpeto e entusiasmo que sempre o caracterizaram, escreve: “Na medida em que acreditamos profundamente, misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, a ponto de resistirmos em absoluto à tentação da violência, mas resistirmos igualmente à tentação de covardia; na medida em que as dificuldades nos alimentarem e os perigos nos encorajarem, os adeptos se multiplicarão em torno de nós, e seremos invencíveis” (Circulares pós-conciliares. Recife: Cefe, 2013; v. 4., t. 2., p. 128).
Ante a admoestação do Dom, tão incisiva, não pude deixar de pensar no momento atual. Como acreditar ainda “na força da verdade, da justiça, do bem e do amor”, ante a situação escabrosa por que passa o Brasil neste momento? A quem recorreremos, quem terá os atributos necessários para promover mudanças profundas e consistentes que nos permitam dias melhores e um pouco mais de estabilidade? Enquanto assim refletia, recordei o trecho da circular de Dom Hélder. Foi aí que me dei conta de que, do início ao fim, em nenhum momento o Dom se refere a um “eu” ou um “tu”, centrando o seu discurso sempre em torno de um “nós”.
Enquanto matutava, recordei um episódio ocorrido no início da semana. Comentando com Naza, minha esposa, uma reportagem que acabáramos de ler, na qual eram noticiadas as últimas “novidades” sobre a confusa e triste situação em que está imerso o nosso querido Brasil, manifestei-lhe a minha esperança de que esse momento seja apenas uma fase por que o país está passando, e que ela, afinal, se revele um momento de expurgo, uma depuração, de modo que, algum dia, pelo menos os nossos netos possam ter, de fato, gerindo os destinos da nação, pessoas que façam jus ao crédito que lhes foi dado pelos eleitores ao sufragarem seus nomes nas urnas. Acreditar misticamente na força da verdade, da justiça, do bem e do amor, especialmente agora, é não apenas necessário, mas indispensável.
* Blog Sincronicidade 

Voltar ao primeiro artigo da Constituição, POR LEONARDO BOFF

Quando há uma crise generalizada como esta que estamos vivendo e sofrendo sem perspectiva de uma saída que crie consenso, não temos outra alternativa senão voltar à fonte do poder politico, expressão da soberania de um povo. Temos que resgatar todo o valor do primeiro artigo da Constituição, parágrafo único:”Todo poder emana do povo”.
O povo é, pois,  o sujeito ultimo do poder. Em momentos em que uma nação se encontra num voo cego e perdeu orumo de seu destino, este povo deve ser convocado para dizer que tipo de país quer e que tipo de democracia deseja: esta com um presidencialismo de coalizão, feito de negócios e negociatas ou uma democracia de verdade, na qual os representantes eleitos  representam efetivamente os eleitores e não os interesses corporativos e empresariais que lhe garantiram a eleição? Urge avançar mais: precisamos dar forma política ao nível de consciência que cresceu em todos os estratos sociais, mostrando vontade de participação nos destinos do país.
No fundo volta a questão básica: vamos nos alinhar aos que detém o poder mundial (inclusive de matar todo mundo) ou vamos construir o nosso caminho autônomo, soberano e aberto à nova fase planetizada da humanidade?
primeiro projeto prolonga a história ocorrida até os dias de hoje: desde a Colônia, passando pelo Império e pela República sempre fomos mantidos subalternos. Os ibéricos não vieram para fundar aqui uma sociedade mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira. agro-indústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Essa lógica perdura até os dias atuais: tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities sem ou com parca tecnologia e valor agregado, num processo de recolonização.
Lamentavelmente este é o intento do atual governo interino, especialmente do PSDB que claramente se alinha a um severo neoliberalismo que implica diminuição do Estado, ataque aos direitos sociais em favor do mercado e um inescrupulosa privatização de bens públicos como o pré-sal entre outros.
O projeto alternativo finca suas raízes na cultura brasileira e no aproveitamento de nossa imensa riqueza que nos pode sustentar como nação independente, soberana e aberta a todas as demais nações. Seríamos uma grande potência, não militarista, nos trópicos, com uma  economia, entre as  maiores do mundo.
Curiosamente, as jornadas de junho de 2013 e posteriormente, mostraram que o povo percebeu os limites da formação social para os negócios. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil.  Numa palavra, quer ser uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade de negócios. Tal propósito implica refundar o Brasil sobre outras bases.
Mas quem escutou o clamor das ruas, especialmente, dos jovens? Efetivamente ninguém, pois tudo ficou como antes.
O que na verdade nos faltou em nossa história, foi uma verdadeira revolução como houve na França, na Itália e em outros países. A história nunca é uma continuidade, algo que cresce organicamente de uma para outra coisa. Ela é feita de descontinuidades e rupturas radicais que derrubam uma ordem e instauram uma nova.
No Brasil, como sempre lamentava Celso Furtado, nunca tivemos essa ruptura. O que predominou em todo o tempo até hoje é a política de conciliação entre os poderosos. O povo sempre ficou de fora como incômodo dos acertos feitos por cima e contra ele.
O que está ocorrendo agora com a tentativa de impeachment da Presidenta Dilma Roussef, legitimamente eleita, é de dar  continuidade  a esta política de conciliação das elites, do capital rentista e financeiro, daqueles, 10%, segundo o IBGE de 2013 que controlam  42% da renda nacional. Jessé Souza do IPEA  os enumera: são 71.440 super ricos que, por trás manejam o Estado e os rumos da economia na perspectiva de seus interesses, absolutamente egoístas, conservadores e anti-populares. Não lhes importa a perversa desigualdade social, uma das maiores do mundo, que se traduz em favelização de nossas cidades, violência absurda, geração de humilhação,preconceito e degradação social por falta de infra-estrutura, de saúde, de escola e de transporte.
Se o Brasil foi fundado como empresa e para continuar como empresa transnacionalizada, é hora de se refundar como sociedade de cidadãos criativos e conscientes de seus valores.
O meu sonho é que a atual crise com o sofrimento que  encerra, não seja em vão. Que ela crie as bases para o que Paulo Freire chamaria de “o inédito viável”: nunca mais coalização entre os poucos  ricos de costas para as grandes maiorias. Que se busque viabilizar o que prescreve a Constituição em seu terceiro artigo (IV):”promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” 
Leonardo Boff é articulista do Jornal do Brasil online e escritor.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

QUALIDADE PARA SOBREVIVER NOS TEMPOS HODIERNOS - RESILIÊNCIA

Já tratei aqui no blog sobre a imperiosa necessidade do profissional ser resiliente. Afinal, o que é resiliência? Se buscarmos o conceito na física, veremos que resiliência é propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. O que isto tem a ver com a vida profissional? Sabemos que hoje vivemos em mundo dinâmico, onde tudo muda a todo instante e a toda hora. Embora essa consciência seja evidente, o que se verifica no ambiente do trabalho é que muitos profissionais se fecham em si mesmos, não se permitindo olhar sua trajetória com outras possibilidades. Na maioria das vezes são ferozes e contrários as mudanças. Não suportam lidar com o “novo” e quando surge uma nova ideia, eles se opõem e se resguardam no seu “mundo”, sob o argumento de que aquilo não vai dar certo.
Essa atitude de pseudo sobrevivência revela, na verdade, fragilidade e absoluta ausência de resiliência. Então ficou fácil perceber que resiliência no mundo trabalho é a capacidade que temos de adaptação as mudanças, com a consciência plena de que a verdadeira sobrevivência no mercado competitivo exige do profissional um olhar aberto para as diversidades, abolindo preconceitos e superando a insidiosa zona de conforto. Exige mais ainda uma ação propositiva, sempre alicerçada pela “atitude”. É preciso andar um metro a mais sempre, surpreendendo e se antecipando aos cenários. Afinal, sempre há uma maneira de se fazer melhor aquilo que costumeiramente se conceitua “rotina de trabalho”.
Então, como ser resiliente na vida laborativa? É óbvio que a junção dessas qualidades não surge do nada. Faz-se necessário cultivar valores e apostar muitas cartas nas relações interpessoais, sabendo lidar com as diferenças, catalisando energias e, principalmente, aprendendo com as opiniões contrárias. Mais ainda: é preciso estudar bastante. Isso não importa dizer que o objeto de estudo se restringe à área de atuação profissional. Claro que é um ponto a mais, todavia é preciso ir muito além: Aprender com os filósofos, mergulhar na história e na sociologia, encantar-se pela arte e a literatura.Em síntese, trata-se de ter uma visão holística do mundo, permeada pela capacidade de vislumbrar o belo na criação divina e nas coisas humanas, não perdendo a sensibilidade para “escutar” e cercando-se da tão saudável “humildade”, que nos faz compreender o quanto somos imperfeitos e do quanto necessitamos do “outro” para alcançarmos o êxito nas batalhas da vida.

Portanto, ser resiliente é também perceber que o sucesso não é resultado de uma ação individual, mas sim fruto de uma construção coletiva em que a colaboração de cada um, direta ou indireta, faz a enorme diferença. Por isso, o verdadeiro êxito não é subir ao pódio sozinho, mas alcancá-lo ladeado de muitos companheiros de luta.

Como experimentar Deus hoje, POR LEONARDO BOFF

Nos dias atuais vivemos tempos tão atribulados na política que acabamos psicologicamente alterados. O não ver caminhos, andar às cegas, ao léu como um barco sem leme, nos tira o brilho da vida. Acabamos esquecendo das coisas essenciais.
Quem leu meu último artigo “O Brasil atual tem jeito?" encontra o transfundo desta reflexão sobre Deus. Em momentos assim, sem sermos pietistas, nos voltamos para aquela Fonte que sempre alimentou a humanidade, especialmente em tempos sombrios de crise generalizada. Sentimos saudades de Deus. Dele esperamos luzes. Mais ainda: queremos experimentá-lo e senti-lo a partir do coração no meio da turbulência.
Se olharmos a história, constatamos que a  humanidade sempre se perguntou pela Última Realidade. Dava-se conta de que não podia saciar sua sede infinita sem encontrar um objeto Infinito adequado à sua sede. Nem conseguiria explicar a grandeza do universo e a nossa própria existência sem apelar para aquilo que se convencionou chamar de Deus, embora tenha miloutros nomes conforme as diferentes culturas. Hoje, numa linguagem secular,vinda da nova cosmologia, falamos da “Fonte Originária de onde vem todos os seres”.
Apesar desta busca incansável, todos testemunham: “ninguém jamais viu Deus” (1 Jo 4,12). Moisés suplicou ver a glória de Deus. Mas Deus lhe disse: ”Não poderás ver a minha face  porque ninguém me pode ver e permanecer vivo”(Ex 33, 20). Se não podemos vê-lo, poderemos identificar sinais de sua presença. Basta prestar atenção e  abrirmo-nos à sensibilidade do coração.
Impressiona-me o testemunho de um indígena norte-americano Cherokee que conta de alguém que buscava desesperadamente Deus mas que não prestava atenção à sua presença em tantos sinais. Ele conta:
“Um homem sussurou: Deus, fale comigo! E um rouxinol começou a   trinar. Mas o homem não  prestou atenção. Voltou a perguntar: Deus, fale comigo! E um trovão reboou pelo espaço. Mas o homem não deu importância.  Perguntou   novamente: Deus , deixa-me vê-lo!  E uma enorme lua brilhou no céu profundo. Mas o homem nem reparou. E,  nervoso, começou a gritar: Deus, mostra-me  um milagre! E eis que  uma criança  nasceu. Mas o  homem não se debruçou sobre ela para admirar  o milagre  da vida. Desesperado, voltou a gritar: Deus, se você existe, me  toque e me  deixa sentir  a sua presença, aqui e agora. E uma borboleta   pousou,  suavemente, em seu ombro.  Mas ele, irritado, a afastou   com a mão”.
“Desiludido e entre  lágrimas, continuou seu caminho.  Vagueando sem rumo.  Sem nada mais perguntar. Só e cheio de  medo. Porque não soube ler os sinais da presença de Deus”.
A consequência dessa desatenção, produziu desespero, solidão e a perda de enraizamento. O oposto à crença em Deus não è o ateismo. Mas a sensação de solidão e de desamparo existencial. Com Deus tudo se transfigura e se enche de sentido.
No meio de emaranhado de nossa situação política atual ainda assim buscamos uma verdadeira experiência de Deus. Para isso precisamos  ir além da razão racional que compreende os fenômenos pela rama, calcula-os, manipula-os e insere-os no jogo dos saberes da objetividade científica e também dos interesses políticos como os atuais. Esse espírito de cálculo pensa sobre Deus mas não percebe Deus.
Precisamos de outro espírito, aquele que sente Deus: o espírito de finura e de cordialidade, de encantamento e de veneração. É a razão cordial ou sensível. Ela sente Deus a partir do coração.
Deus é mais para ser sentido a partir da inteligência cordial do que para ser pensado a partir da razão intelectual. Então nos damos conta de que nunca estávamos sós. Uma Presença inefável, misteriosa e amorosa nos acompanhava.
Não será por isso que nunca acabamos de perguntar por Deus, século após século? Não será por isso que sempre arde o nosso coração quando nos entretemos com Ele? Não seria o advento d’Ele, do sem Nome e do Mistério que nos habita? Não é  por isso que cremos haver sempre uma solução para os nossos problemas?
Estamos seguros que é Ele, quando não sentimos mais medo pois é Ele ó verdadeiro Senhor da história. Ousamos esperar que um destino bom emerja da obscuridade atual sob a qual sofremos.
Leonardo Boff é articulista do JB on line e teólogo.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

“Judiciário em Evidência” com o Desembargador Paulo Albuquerque aborda novas regras para usucapião

O “Judiciário em Evidência” tratou do tema das novas regras para usucapião promovidas pelo novo Código de Processo Civil (CPC). Quem fala sobre o assunto é o desembargador Paulo  Albuquerque , integrante da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
O magistrado explica que o novo CPC trouxe como novidade a possibilidade de usucapião extrajudicial, ou seja, por meio dos cartórios de registro de imóveis. Segundo o desembargador, os notários e registradores terão agora competência para realizar audiências, juntar documentos e fazer diligências. “Eu considero um grande avanço na legislação, pois vai possibilitar que os processos tramitem na via administrativa, saindo da via judicial. Obviamente, sem prejuízo de também poder recorrer judicialmente”, disse.
O entrevistado fala ainda sobre as atribuições do tabelião e do registrador, explica que tipo de imóvel não pode ser objeto de usucapião e esclarece se é necessária a intervenção de advogado. Ele acrescenta que a Corregedoria Geral da Justiça do Estado está elaborando norma para regulamentar artigos do Código de Processo Civil e da Lei de Registros Públicos que tratam do assunto, bem como orientar os cartórios sobre como operar esse novo procedimento.
O programa foi  exibido nesse sábado (11/06), na TV Assembleia, às 18h30; no domingo (12/06) na TV O Povo, às 12h15; e na segunda-feira (13/06), na TV Fortaleza, às 14h30.
CANAIS
TV Assembleia – canal 30 aberto e Multiplay
TV O Povo – canais 48 aberto e 23 da Multiplay
TV Fortaleza – canais 6 da Multiplay e 61.4 digital aberto. Nessa emissora, as reprises ocorrem na quarta-feira (7h), quinta-feira (15h10) e no sábado (12h).
O programa também fica disponível nos sites www.tjce.jus.br e youtube.com.br/tjceimprensa
ou confira no endereço : http://intranet/tv-judiciario/regras-para-usucapiao/

ALEGRIA NA FORMATURA DO JOVEM MÁRCIO VIVALDI




É destaque a formatura em Medicina do jovem talentoso Márcio Vivaldi Azevedo de Aguiar Filho. Seus pais Márcio Vivaldi e Liziane Dias Carneiro Aguiar estão muito felizes e agradecidos a Deus por este momento tão sublime. 

Para quem não sabe, Dr. Márcio é sobrinho e afilhado do queridíssimo médico e amigo RONALDO DIAS CARNEIRO.  Ao afilhado, Ronaldo manifestou seu profundo carinho:
"Márcio Filho, um aspecto relevante da nobreza de seu reto caráter é a sua postura de simplicidade, valor moral, cuja melhor tradução é aquela que a define como sendo 'a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos' (Ronaldo Dias Carneiro)

Pertencente a uma família tradicional, Dr. Márcio sem dúvida será um talentoso profissional. De fato, tem como padrinho uma das mais extraordinárias figuras da medicina cearense. Trata-se do amigo-irmão Dr. Ronaldo Dias Carneiro: Médico por vocação. Um ser humano extraordinário. Detentor de uma grandeza de espírito e uma fé inabalável. Amigo de todas horas, sempre com um sorriso largo pronto para servir. 
Para Márcio, basta seguir os passos do tio Ronaldo!!! Será assim um iluminado!

Sobre o padrinho e tio Ronaldo, assim se manifestou Dr. Márcio: Ao querido e estimado Padrinho Tio Ronaldo, Gostaria de agradecer todo o apoio, suporte e ensinamentos que foram essenciais durante a formação acadêmica. Sempre preocupado em não só passar conhecimentos técnico-científicos, mas em como ter uma boa relação médico-paciente e ser profissional humano, sempre tentando mostrar uma visão holística do paciente. Lembro-me bem que passávamos horas ao telefone, sempre com ouvidos atentos as suas palavras e também encantado pelo seu conhecimento científico, ao qual procuro sempre me espelhar. Afinal de contas, Mestres são para isso: Servir de Exemplo!!!"

Felizes, também, estão seus avós maternos Dona Cleide e Professor Olimar (lá onde está junto ao Pai Celestial) pela conquista de seu neto. 

A toda à família de Márcio, minhas felicitações. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

SER LÍDER NÃO É UMA TAREFA FÁCIL

Talvez uma das maiores dificuldades que temos na vida corporativa e no âmbito pessoal é compreendermos o conceito de liderança. Destaquei, nesse contexto, a vida pessoal pois lá também o exercício da liderança deve ser vivenciado em sua plenitude sob pena do soçobramento da harmonia entre seus membros e, por corolário, do desmoronamento dos valores familiares. Não se há de distinguir ser líder em casa ou no trabalho. Ambas situações se entrelaçam de forma indissociável.
Suas ações em família indicam sua atuação no trabalho. Se em casa sua relação é pautada pelo desrespeito, pelo absenteísmo, pela falta de compromisso, torna-se óbvio que tais práticas transcenderão o espaço do lar e refletir-se-ão na sua atividade laborativa. Daí entendermos que o exercício da liderança começa no recôndito do lar e, por extensão metafórica, no espaço íntimo de nossos pensamentos. Melhor dizendo: Tudo começa de dentro para fora.
É claro que precisamos afinar nossos instrumentos, primeiramente, na vida pessoal: equilíbrio nos gastos do orçamento familiar, criar espaço para uma relação em família sob o imperativo do diálogo, organizar seu tempo para as necessidades urgentes e prioritárias, saber cobrar responsabilidades, cuidar da saúde, implicando abstinência ao exagero.
Com essas experiências vivenciadas, só então estaremos aptos a nos tornarmos líderes no mundo corporativo. Lembro-me da máxima do maior orador sacro da língua portuguesa, autor de "Os Sermões", Padre Antônio Vieira: Só o exemplo educa. Parafraseando o eminente escritor, di-lo-ei: Só o exemplo nos torna um líder.
Seremos capazes de convencer, de motivar o outro, de exercitarmos a liderança plena, à medida que nossas ações correspondam ao nível de nossas exigências. Se falamos algo, cobramos algo, mas fazemos diferentes, não estamos inspirando, educando, ao contrário, impelimos o outro a agir com uma personalidade travestida, mascarada. Só a transparência é capaz de convencer. Se você é austero, continue austero; se você prima pela perfeição, continue primando pela perfeição. Pior seria se tornar uma personagem mutável ao calor das ocasiões, transparecendo algo que não lhe é próprio. Para ser líder não é necessário um sorriso constante no rosto, uma caridade inútil, um gesto de cortesia exagerado.
Ser líder, na verdade, é ser coerente, é ser você mesmo. Se seu jeito de ser não é agradável a todos, fazer o contrário para parecer bacana é tão irreal quanto querer armazenar a água do mar numa cumbuca. Seja você mesmo, afinal todos nós somos diferentes. Mas se permita rever seus atos, corrigir suas ações.
Outro ponto que reputo de real preocupação é reduzirmos o conceito de liderença a uma permissividade na ação praticada pelo subordinado, além da aceitação indecorosa da atitude irresponsável e incompetente de um liderado. Tudo em nome da bondade, da empatia. Não digo que ser empático seja um defeito, pelo contrário, admito a empatia como uma das maiores qualidades de um líder. O que me leva a questionar é que muitas vezes não saímos da zona de conforto pelo medo de magoar o outro e , como consequência, aceitamos que nossos liderados pratiquem as piores atrocidades.
Não percebemos, entretanto, que a nossa omissão em não corrigi-lo, chamá-lo à responsabilidade, porá em risco o futuro de uma empresa e o que é mais grave, atingirá inocentes, mormente aqueles que com zelo e compromisso dedicam sua vida ao trabalho. Dessa forma entendo que o exercício da verdadeira liderança perpassa pelo compromisso de enxergar o coletivo como fim último, inarredável, sob pena de um só apodrecer todo o cacho de uvas.

Finalizo, por dizer, que ao analisarmos a aceitação dos nossos subordinados ao nosso jeito de liderar, tenhamos cuidado com os aplausos em demasia, com os elogios gratuitos. Muitas vezes tais manifestações são apenas frutos do expediente da bajulação. Afinal, há uma máxima há muito reverenciada que diz: "O segredo do sucesso não se sabe. Do fracasso, é querer agradar a todos". 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

No seio das trevas atuais, abra-te à Luz do Alto, POR LEONARDO BOFF

Depois de semanas de turbulência política, onde dominaram densas trevas feitas de distorções, vontade de destruir e de raivas viscerais, mas felizmente com alguns lampejos de luz, escrevemos esta meditação sobre a Luz. Ela até hoje é para os cosmólogos um mistério ainda indecifrável. Só a entendemos um pouco pensando-a ora como onda ora como partícula.
Independentemente desta imponderabilidade sobre a natureza da Luz, professamos a crença inarredável de que a Luz tem mais direito do que as trevas. Basta a pequena luz de um fósforo aceso para espancar a escuridão de toda uma sala.
Foi  o que nos moveu a publicar recata e reverentemente esta pequena reflexão.    
Do fundo mais profundo do universo nos vem uma Luz misteriosa. Ela incide sobre a nossa cabeça, exatamente onde temos o corpo caloso, aquela parte que separa o cérebro esquerdo do direito. Essa separação é a fonte de nossas dualidades, por um lado o sentimento e por outro o pensamento, por um lado a capacidade de análise e por outro nossa capacidade de síntese, por um lado o senso de objetividade e por outro, da subjetividade, por um lado o mundo dos fins e por outro o universo do sentido e da espiritualidade.
       A Luz beatíssima do Alto suspende a separação dos cérebros e opera a união. Pensamos amando e amamos pensando. Trabalhamos fazendo poemas. Combinamos arte com lazer. Mas sob uma condição, a de nos abrirmo-nos totalmente à Luz do Alto.
       “Acolha a Luz misteriosa que atravessa todo o universo e chega até a ti! Faça-a correr por todo o teu corpo, pela cabeça, pelos olhos, pelos pulmões, pelo coração, pelos intestinos, por teus órgãos genitais. Faça-a descer pelas pernas, detenha-a nos joelhos, e, por um momento, fixe-a nos pés, pois são eles que te sustentam”.
“E suba com ela, passando por todo o corpo, dirija-a novamente ao coração para que de lá te venham o bons sentimentos de amor e de compaixão. Faça-a ascender até ao meio da testa, àquilo que chamamos de o terceiro olho. Ela lhe trará pensamentos luminosos. Por fim deixe-a repousar no alto da cabeça”.
“De lá ela encherá de luz todo teu corpo. Ela abrir-se-á a todo o universo, conferindo-te a sensação de seres um com o Todo. Superar-se-ão as dualidades e farás a experiência bem-aventurada da unidade originária de tudo o que existe e vive. E conhecerás uma paz que é a integração das partes no Todo e do Todo nas partes. E de ti sairá uma luz como aquela do primeiro momento da criação. Conhecerás, mesmo que seja por um momento, o que é ser feliz em plenitude”.
       “Por fim, agradeça a presença transformadora da Luz do Alto. Deixe-a sair para o seio do Mistério de  onde veio”.
       “No entanto, escute este conselho. Prepara-te sempre para acolhe-la. Pois ela nunca deixa de vir. E se não tiveres aberto todo o teu ser, ela passa ao largo e tu, estranhamente, te sentirás vazio, com um sentimento de falta de rumo e de sentido”.
       “Sempre que acolheres a Luz beatíssima, irradiarás bondade e benquerença. E todos se sentirão bem junto de ti.”
       “Abra-te inteiramente à Luz até tu mesmo virares plena luz”.
* Leonardo Boff escreveu  Meditação da Luz. O caminho da simplicidade, Vozes 2012.

Seduc divulga locais de prova da seleção de professores temporários


No próximo domingo, 22 de maio, será realizada a primeira fase da seleção simplificada para formação de banco de professores temporários da rede estadual de educação. A avaliação será constituída de uma prova de conhecimentos básicos e específicos.

No momento do exame, o candidato deverá chegar com uma hora de antecedência, às 8h, e apresentar, ao fiscal de sala, o comprovante de inscrição impresso no endereço eletrônico  (AQUI) e um documento oficial de identificação com foto. A prova terá início às 9 horas, a partir de quando não será mais permitido o acesso aos locais de realização da avaliação. A duração total do exame será de três horas.
  
O teste será composto por 30 questões de múltipla escolha, sendo 15 de conhecimentos gerais (língua portuguesa e raciocínio lógico) e 15 da disciplina específica escolhida pelo candidato no momento da inscrição. A prova deste domingo (22) tem caráter eliminatório. Já a segunda fase, de avaliação de títulos, será classificatória.

A seleção destina-se à composição de um banco de recursos humanos de professores para suprir possíveis carências temporárias do corpo docente efetivo das escolas estaduais, nas disciplinas de Matemática, Física, Química, Biologia, Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Língua Espanhola, Educação Física, Arte-Educação, Geografia, História, Sociologia e Filosofia

Clique AQUI e saiba os locais de prova.
Clique AQUI e saiba os endereços dos locais de prova.

SERVIÇO
O que: Prova para seleção de professores temporários do Estado
Quando: Domingo, 22 de maio
Mais informações no site da Seduc (AQUI) ou pelo emailselecaoprofessor@seduc.ce.gov.br
Telefone: (85) 3101.4402

(com Sobral em Revista)

sábado, 7 de maio de 2016

Que cada um faça a sua parte!

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, ainda no ano de 2011, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o fez nutrir uma raiva tão grande de Deus diante daquele episódio que dizimou mais de mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se, porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordioso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorância teológica, e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômatos, sem capacidade de criação, frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou. Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno. Essa missão é do homem e não cabe a Deus intervir.
(republicado e pedido do leitor)

Impeachment como golpe, POR MARCOS COIMBRA

Processos de impeachment são hoje corriqueiros na América Latina. Vira e mexe, um presidente da República é impedido. Mas nem todos são iguais. Ao contrário, há impeachments muito diferentes de outros.  
Até o fim do século passado, eram raros. A onda só começou no início da década de 1990, quando saíram de moda osgolpes militares. Proliferaram e se tornaram comuns apenas a partir de então. Antes, valia uma regra simples: quando as elites achavam indesejável um presidente, convocavam as Forças Armadas e removiam o problema. Não há um caso de presidente latino-americano destituído por militares por fazer um governo antipopular. Todos os derrubados incomodavam “los que mandan”.
A solução parecia boa, mas envelheceu. Norte-americanos e europeus toleravam os generais por achá-los úteis no mundo polarizado da Guerra Fria. Depois da queda da União Soviética, os fardados perderam a serventia e deles só restou a imagem de truculência e breguice. 
Além disso, à medida que a economia dos países latino-americanos se modernizava, se desenvolvia e tornava mais complexa a estrutura social, com uma nova classe trabalhadora e novos setores médios, o recurso a golpes e ditaduras tornou-se disfuncional. A palavra de ordem na região passou a ser redemocratização. Nos moldes latino-americanos, bem entendido. Nada que efetivamente ameaçasse o velho edifício de privilégios e reservas de poder que resiste ao tempo em nossas sociedades.
Um dos maiores especialistas em impeachments presidenciais modernos na América Latina é Aníbal Pérez-Liñán, da Universidade de Pittsburgh. É dele a conta a seguir: entre 1990 e 2004, nada menos que seis presidentes enfrentaram processos deimpeachment no Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador e Paraguai. Desses, quatro perderam o mandato, um foi destituído pelo Congresso, que considerou menos traumático para o país proclamá-lo louco, e apenas um manteve-se no cargo, mas de mãos atadas e sem poder.
Houve também alguns quase impedimentos. No Peru, um presidente fugiu para não ser julgado e houve outro no Equador que se safou, mas caiu no ano seguinte. Sem contar os três chefes de governo que tiveram de renunciar na Argentina e na Bolívia, ante sublevações parlamentares e protestos civis que, provavelmente, redundariam em deposições. Todos somados, foram 11 quedas de presidente em 15 anos, quase uma a cada 12 meses.
A canadense Kathryn Hochstetler, ao estudar o fenômeno, identificou um elemento fundamental nessa onda de impedimentos presidenciais característicos da história latino-americana daquele período. Coerentemente com os tempos de redemocratização em curso, foram processos em que “(...) os protestos de rua jogaram papel decisivo na determinação de quais presidentes iriam ser efetivamente derrubados, o que sugere que os movimentos sociais haviam se tornado o novo 'poder moderador' nos regimes civis”.
Nas palavras do professor Leon Zamosc, da Universidade da Califórnia, aqueles foram “impeachments populares”, nos quais a mobilização de trabalhadores, camponeses, donas de casa e estudantes forçou o sistema político a agir. Em todos os países onde ocorreram (Brasil, Venezuela, Equador, Bolívia, Paraguai e até na Argentina e no Peru), anunciaram a mudança que chegaria dali a alguns anos, com as vitórias eleitorais de partidos trabalhistas.   
De 2005 para cá, a história dos impeachments na região tem sido outra. Todos os exemplos recentes o atestam: o que aconteceu no Paraguai, este em curso no Brasil e o anunciado na Venezuela. 
De maneira simples, poderíamos designá-los como impeachments antipopulares. A pantomima parlamentar que derrubou Fernando Lugo no Paraguai, as manobras políticas, empresariais e midiáticas que provocam a queda de Dilma Rousseff e a investida que pode levar ao impedimento de Nicolás Maduro na Venezuela são o inverso do acontecido na era dos impeachments populares.
No conteúdo e na forma, esses de agora têm parentesco estreito com os golpes militares. Reinstalam no poder velhas oligarquias, subtraem direitos, implementam agendas regressivas na política, na cultura e na convivência social e levam a retrocessos nas políticas públicas. Mas se apresentam fantasiados de legalidade, como seus antecessores faziam. No Brasil, até na retórica se parecem. Aqueles que chamaram o golpe de 1964 de “revolução” hoje dizem que o impeachment de Dilma “não é golpe”.
Certo é: assim como certos impeachments descortinam o futuro, outros fazem girar para trás a roda da história.