quinta-feira, 16 de abril de 2015

O suicídio do copiloto: expressão do niilismo da cultura? (POR LEONARDO BOFF)

O suicídio premeditado do copiloto Andreas Lubitz da Germanwings, levando consigo 149 pessoas, suscita várias interpretações.  Havia seguramente um componente psicológico de depressão, associado ao medo de perder o posto de trabalho. Mas para chegar a esta solução desesperada de, ao voluntariamente pôr fim à sua vida, levando consigo outros 149, implica em algo muito profundo e misterioso que precisamos de alguma forma tentar decifrar.
Atualmente este medo de perder o emprego e viver sob uma grave frustração por não poder nunca mais realizar o seu sonho, leva a não poucas pessoas à angústia, da angústia, à perda do sentido de vida, e esta perda, à vontade de morrer. A crise da geosociedade está fazendo surgir uma espécie de “mal-estar na globalização” replicando o “Mal-estar na cultura” de Freud.
Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores, angústias, medo e, não raro, síndrome de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando sua subjetividade e destruindo as relações familiares. Estima-se que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas sofram este tipo de depressão, ligada às sobrecargas do trabalho.
A pesquisadora Margarida Barreto, médica especialista em saúde do trabalho, observou que, no ano de 2010, numa pesquisa ouvindo 400 pessoas, cerca de um quarto delas teve ideias suicidas por causa da excessiva cobrança no trabalho. Continua ela: “é preciso ver a tentativa de tirar a própria vida como uma grande denúncia às condições de trabalho impostas pelo neoliberalismo nas últimas décadas”. Especialmente são afetados os bancários do setor financeiro, altamente especulativo e orientado para a maximização dos lucros.
Uma pesquisa de 2009 feita pelo professor Marcelo Augusto Finazzi Santos, da Universidade de Brasília, apurou que entre 1996 a 2005, a cada 20 dias, um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, excesso de tarefas e pavor do desemprego.    
A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de três mil pessoas se suicidam diariamente, muitas delas por causa da abusiva pressão do trabalho. O Le Monde Diplomatique de novembro de 2011 denunciou que entre os motivos das greves de outubro na França, se achava também o protesto contra o acelerado ritmo de trabalho imposto pelas fábricas causando nervosismo, irritabilidade e ansiedade. Relançou-se a frase de 1968 que rezava: “metrô, trabalho, cama”, atualizando-a agora como “metrô, trabalho, túmulo”. Quer dizer, doenças letais ou o suicídio como efeito da super exploração do processo produtivo no modo ultra acelerado norte-americano.
Estimo que, no fundo de tudo, estamos face à aterradoras dimensões niilistas de nossa cultura. O termo, niilismo,surgiu em 1793 durante a Revolução Francesa por Anacharsis Cloots, um alemão-francês e foi divulgado pelos anarquistas russos a partir de 1830 que diziam: “tudo está errado, por isso tudo tem que ser destruído e temos que recomeçar do zero”. Depois Nietzsche retoma o tema do niilismo, aplicando-o ao cristianismo que, segundo ele, se opõe ao mundo da vida. No após guerra, em seu seminário sobre Nietzsche, Heidegger vai mais longe ao afirmar, creio que de forma exagerada, que todo o Ocidente é niilista porque esqueceu o Ser em favor doente. O ente, sempre finito, não pode preencher a busca de sentido do ser humano.  Alexandre Marques Cabral dedicou dois volumes ao tema: “Niilismo e Hirofania: Nietzsche e Heidegger”(2015) e Clodovis Boff três volumes O livro do Sentido (2014), onde o tema central é o niilismo na história. Em setores da pós-modernidade, o niilismo se transformou na doença difusa de nosso tempo, quer dizer, tudo é relativo e, no fundo, nada vale a pena; a vida é absurda, as grandes narrativas de sentido perderam  seu valor, as relações sociais se liquidificaram e vigora  um assustador vazio existencial.
Neste contexto, se retomam tradições niilistas da filosofia ocidental como o mito, citado por Aristóteles no seu Eudemo, do fauno Sileno que diz:”não nascer é melhor que nascer e uma vez nascido, é melhor morrer o mais cedo possível”. Na própria Bíblia, ressoam expressões niilistas que nascem da percepção das tragédias da vida.Assim diz o Eclesiastes: ”mais feliz é quem nem chegou a existir e não viu a iniquidade que se comete sob o sol”(4,3-4). O nosso Antero de Quental (+1860) num poema afirma: ”Que sempre o mal pior é ter nascido”.
Suspeito que esse mal-estar generalizado na nossa cultura, contaminou a alma do copiloto Lubitz. Também pessoas que entram nas escolas e matam dezenas de estudantes em vários países e até entre nós, em 2011, no Rio, na escola Tasso da Silveira, quando um jovem matou mais de uma dezena de alunos, revelam o mesmo espírito niilista. Medo difuso, decepções e frustrações destruíram em Lubitz o horizonte de sentido da vida. Quis encontrar na morte o sentido que lhe foi negado na vida.  Escolheu tragicamente o caminho do suicídio.
O suicídio pertence à tragédia humana que sempre nos acompanha. Por isso, cabe respeitar o caráter misterioso do suicídio. Talvez seja a busca desesperada de uma saída num mundo sem saída pessoal. Diante do mistério, calamos, pasmados e reverentes, por mais desastrosas que possam ser as consequências.
 * teólogo, filósofo
Recomendo o livro de Clodovis Boff O livro do sentido, vol I de três, Paulus 2014.

Decisão do TCU agrava a crise. POR MERVAL PEREIRA


A prisão do tesoureiro do PT João Vaccari Neto na operação Lava-Jato aproxima perigosamente os desvios de dinheiro da Petrobras das campanhas presidenciais petistas, ao mesmo tempo em que os dirigentes dos movimentos anti-Dilma ajustaram suas reivindicações à realidade e agora pedem a investigação sobre a atuação da hoje presidente, tanto no Conselho de Administração da Petrobras quanto no exercício do governo, deixando que o impeachment seja uma conseqüência das investigações, não o objetivo primordial.
O uso do dinheiro fruto de ilegalidades na Petrobras nas campanhas eleitorais e em financiamentos de gráficas sindicais que já foram condenadas pelo TSE por fazerem propaganda ilegal da candidata petista facilitaria uma acusação, mesmo que tenha acontecido no primeiro mandato.
Entram nessa categoria eventuais crimes de responsabilidade, como a transgressão da Lei de Responsabilidade Fiscal através de “contabilidade criativa”,  que foi condenada ontem pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pode fundamentar ações da oposição, ou uma possível prevaricação da Controladoria Geral da União (CGU) ao adiar a investigação de denúncias de suborno de executivos da Petrobras por uma empresa holandesa. 
O constitucionalista Gustavo Binenbojm, professor do Departamento de Direito do Estado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro considera que no caso de reeleição a continuidade do mandato presidencial permite que um fato ocorrido no primeiro mandato possa ensejar a instauração do processo e eventual efetivação do impeachment no curso do segundo mandato.
“A idéia aqui é que o Chefe de Governo praticou o ato delituoso no curso da sua gestão, pouco importando se no primeiro ou no segundo mandato. O fato grave a ensejar a perda do cargo e dos direitos políticos não desaparece ou se torna menos grave por efeito da reeleição”, explica Binenbojm.
Assim, em tese, é juridicamente possível que a Presidente da República seja responsabilizada por algum fato que se caracterize como crime de responsabilidade ocorrido no curso do primeiro mandato. Ele também admite que a imunidade processual de que goza o Presidente da República enquanto no exercício do cargo não se estende aos procedimentos de investigação prévios à eventual instauração da ação penal.
“Em primeiro lugar, porque a norma constitucional é excepcional e, como tal, deve ser interpretada de forma restritiva. Como a norma fala em "responsabilização", tal não impede a investigação dos fatos, pela Polícia, pelo Ministério Público ou pelo Parlamento”. Ele destaca também que “as provas podem desaparecer, caso não sejam desde logo produzidas.
Caso se apurem fatos delituosos, caberá ao Ministério Público promover a ação penal logo depois do término do mandato. Por fim, ressalta o constitucionalista, as investigações “não devem ser obstadas, ainda quanto a fatos anteriores, pois delas podem emergir elementos indiciários que levem a fatos ocorridos no próprio curso do mandato presidencial (por exemplo, em caso de continuidade delitiva)”.
Nesse caso, o fato deixaria de estar sob a imunidade processual prevista no art. 86, § 4º, e passaria a justificar um processo por crime comum ou de responsabilidade, conforme o caso. “Se houver prova, por mera hipótese, de que a Presidente da República, enquanto candidata à reeleição, mas no exercício da Presidência da República (no atual mandato ou no anterior), tenha tomado conhecimento de fatos delituosos e deixado de tomar as providências cabíveis (determinar apurações pela Polícia Federal e pela CGU, por exemplo), tal poderia ensejar tanto ação penal por crime comum, como um processo de impeachment”.

DATAFOLHA: POPULAÇÃO A FAVOR DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

O Datafolha fez pesquisa e constatou: 87% da população brasileira é a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A pesquisa foi realizada na semana passada.

O percentual é o maior já registrado desde a primeira pesquisa sobre o tema, realizada em 2013, quando foi computado o índice de 84% favorável a essa redução. Contrários à mudança estão 11%, enquanto 1% se disse indiferente e 1% não soube responder.

* Mais detalhes na Folha clicando AQUI.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

QUE CADA UM DE NÓS FAÇA A SUA PARTE...

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, ainda no ano de 2011, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o fez nutrir uma raiva tão grande de Deus diante daquele episódio que dizimou mais de mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se, porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordioso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorância teológica, e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômatos, sem capacidade de criação, frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou. Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno. Essa missão é do homem e não cabe a Deus intervir.
(republicado e pedido do leitor)

O ATO MAIS PARADIGMÁTICO, por José Vasconcelos Arruda (Vasco)

Na tentativa de consolidar a minha fé cristã, frequentemente tenho recorrido à leitura da Bíblia e a outros livros que abordam a vida e mensagem de Jesus Cristo. O fato é que Cristo aparece ainda como um enigma a ser decifrado, enigma esse que, quanto mais se adentra, tanto mais se mostra profundo, revelando uma inesgotabilidade desconcertante.  
Cada episódio de sua vida teve ressonâncias muito importantes, merecendo de quem se apresenta como pretenso discípulo especial atenção. De todos, o que me aparece como mais paradigmático é aquele em que o Mestre retira-se com os discípulos para orar no monte das Oliveiras: “Ele saiu e, como de costume, dirigiu-se ao monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar, disse-lhes: ´Orai para não cairdes em tentação`. E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: ´Pai, se queres, afasta de mim este cálice!` Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra” (Lc 22,39-44).
Tenho este como o episódio mais importante de toda a trajetória de Cristo. Assim o considero porque foi dele que dependeu tudo o que se seguiu. Tivesse ele recusado o projeto do Pai, nada mais teria sucedido. Mas o que me faz atribuir-lhe, também, tanta importância é o fato de considerá-lo o ato paradigmático por excelência. Creio que todo ser humano, em determinado momento de sua vida, é desafiado a dizer o seu sim ao projeto que lhe foi destinado ao nascer. De sua disponibilidade em responder afirmativamente ao chamado decorrerá tudo mais.
Embora em alguns momentos me ocorra duvidar da factibilidade do projeto cristão – e, portanto, da eficácia do sim dado por Cristo ao Pai – vez por outra sopra uma aragem, reacendendo a chama da esperança. Digo isso pensando num episódio ocorrido no início dessa semana. Segunda-feira, o site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou uma nota em que afirma: “A arquidiocese de Olinda e Recife (PE) recebeu carta da Congregação para a Causa dos Santos informando que ´aguarda o parecer de diferentes Dicastérios para se poder proceder ao processo de beatificação` do Servo de Deus dom Helder Pessoa Câmara.”
Cada vez que penso em figuras como a do Dom ou do papa Francisco, a minha fraca e vacilante fé ganha um pouco mais de consistência, e me convenço de que o sim de Cristo ao plano do Pai não foi em vão. E sinto que, muito mais que um enigma a ser decifrado, Cristo é um enigma a ser experienciado. Para que tal experiência se efetive, no entanto, tudo o que ele pede é que se diga sim ao seu convite. A questão é que esse sim é tanto mais desejado quanto indefinidamente adiado, pela radicalidade do projeto proposto pelo Mestre. Quem se habilita? 
Fonte: Blog Sincronicidade

Sesc Sobral realiza Semana do Livro Infantil


Para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado no dia 18 deste mês, o Sesc realiza, de 13 a 18, a Semana do Livro Infantil. A programação especial e gratuita leva ações de incentivo à leitura para as cidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Iguatu, Crateús, Aracati, Ibiapina e Quixeramobim. Durante os cinco dias, as atividades acontecem em escolas, praças públicas e Unidades do Sesc.

A programação oferece um leque de atividades, destinadas aos fãs da literatura infantil, com contação de história, exposições, oficinas, exibições de filmes, lançamentos de livros, bate-papo com escritores, espetáculos teatrais e biblioteca itinerante. No espaço da biblioteca itinerante, será disponibilizado um acervo para consultas e empréstimos de livros.

PROGRAMAÇÃO EM SOBRAL
Dia 14, terça-feira
- Abertura
Show “Incluir Brincando” com o grupo Dias de Brincadeira
Local: Praça São Francisco
Horário: 8h

- Centro com exposição de gibis da Turma da Mônica;
- Contação de histórias relacionadas à temática na biblioteca infantil
Local: Biblioteca da Unidade Sobral do Sesc
Horário: 8h

- Exibição de filmes de animação voltada à temática “Inclusão Social”
Local: Sala de Vídeo da Unidade Sobral do Sesc
Horário: 8h

Dia 15, quarta-feira
- Sessão de contação de histórias com o grupo “Clube de contadores de História”
- Exibição de filmes de animação voltada para temática “Inclusão Social”
Local: Unidade Sobral do Sesc
Horário: 8h e 14h
Público alvo: Escolas previamente agendadas

Dia 16, quinta-feira
- Sessão de contação de histórias com o grupo “Clube de contadores de História”
- Exibição de filmes de animação voltada para temática “Inclusão Social” nas escolas parceiras.
Local: Escolas previamente agendadas
Horário: Manhã e tarde

- Lançamento do livro “A cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire – considerações sobre alfabetização e letramento” do professor e escritor Léo Mackellene, dentro do Projeto Bazar das Letras.
Local: Unidade Sobral do Sesc
Horário: 19h
 
(com Sobral em Revista)

CRÔNICAS: Desapegando, por Yvvone Maggie

Depois de 45 anos de profissão me aposentei por idade. Isso não quer dizer que tenha parado de trabalhar. Não dou mais aulas por semestres a fio, não frequento reuniões e não tenho obrigações burocráticas. Fico feliz de ter mais tempo para escrever e organizar livros, participar de seminários e fazer conferências. Tudo com a calma que jamais tive ao longo da minha vida acadêmica.

Passados seis meses do dia em que saiu no Diário Oficial a minha aposentadoria, achei que a paciência de meus colegas tinha limites e decidi retirar  meus pertences da sala que ocupava ultimamente no quarto andar do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Durante minha carreira optei por trabalhar na faculdade.

Meus colegas e eu “colonizamos”, como me disse um dia o grande arquiteto Glauco Campelo, ex-presidente do Iphan, aos poucos e com muito esforço, o prédio da antiga Faculdade de Engenharia no Largo de São Francisco, no Centro Histórico do Rio de Janeiro. Foi difícil nos primeiros tempos. Eram laboratórios de engenharia, metrologia e física que aos poucos tivemos de transformar em laboratórios de ciências sociais, filosofia e história. Ou seja, espaços aptos a acolher pesquisadores de outras áreas e suas equipes, livros e material de estudo.

Os livros foram transportados de Botafogo para o centro da cidade em caminhões da polícia, sem a menor preocupação e cuidado com o acervo da excelente biblioteca do antigo Instituto de Ciências Sociais, ao qual se juntaram os exemplares da área de ciências sociais, filosofia e história da Faculdade Nacional de Filosofia. O conjunto era atualizadíssimo para a época e contava com coleções históricas. Foram necessários anos para reorganizá-lo e alocá-lo até conseguirmos construir o espaço atual da Biblioteca Marina São Paulo de Vasconcellos. O esforço de todos nós no IFCS foi fazendo da nossa casa, uma das mais importantes e belas unidades da UFRJ.

Entrar no Instituto aos sábados com Eloisa Helena, minha amiga, e diretora da Biblioteca Marina São Paulo de Vasconcellos na época em que transferimos o acervo mal-acomodado no segundo andar para as novas instalações, e uma ajudante, para reorganizar os livros e os papéis de caixas e mais caixas está sendo um exercício de desapego. O que devo preservar? O que jogar fora? E cada bilhete? E os cadernos de campo das muitas pesquisas que fiz ao longo dos anos?

Não consigo me desapegar de tudo isso. Nem sei se devo, se tenho o direito. Tanto esforço e recursos investidos na minha carreira. Recursos governamentais e de agências estrangeiras que confiaram na minha capacidade de produzir para o avanço da ciência e de formar novos pesquisadores.

Ao remexer em cada caixa cuidadosamente classificada por um ex-aluno e amigo querido, Christiano Matsinhe,  percebo a dificuldade de reorganizar tudo com os olhos de hoje. Encontrei preciosidades. Cadernos de aula de 1969 quando fiz o curso de mestrado. Diários de campo de turmas inteiras que se dedicaram à investigação de temas que foram objeto de minhas reflexões. Muitos documentos referentes às minhas inúmeras atividades administrativas e de construção de uma instituição que me renderam tantas alegrias e alguns dissabores. E os materiais coletados em arquivos públicos, jornais e revistas? E as fotos? E os artigos datilografados, no tempo em que não se sonhava com o computador e ainda não publicados?

Sempre soube que a vida era curta, mas chegar nesse momento de ter de me separar dos pequenos fragmentos da minha história está me deixando meio desatinada e até triste porque com saudades de um tempo que passou. Não consigo me desfazer de muita coisa. Vou levar para casa muitas caixas com os documentos catalogados. Os livros doarei à biblioteca. Eles estarão no acervo identificados como coleção Yvonne Maggie. Com eles vai a estátua do caboclo de tamanho quase realista  que me acompanha desde os anos 1970. Ele vai como símbolo da pesquisadora e professora que se dedicou em tempo integral a seus alunos e à pesquisa.

OS PROTESTOS DE DOMINGO, com Gerson Camarotti

No encontro desta segunda-feira (13) do grupo de coordenação política da presidente Dilma Rousseff, os conselheiros analisaram detalhadamente com a chefe do Executivo os protestos contra o governo realizados neste domingo (12). Internamente, o resultado das manifestações foi recebido com alívio, mas não com comemoração, relatou ao Blog um ministro que participou do encontro.

A constatação desta segunda-feira é que faltou nos atos deste domingo uma bandeira concreta em relação ao dia a dia das pessoas, como ocorreu em junho de 2013, durante a onda de protestos que tomou conta das ruas do país durante a Copa das Confederações.

"A bandeira do impeachment da presidente Dilma Rousseff não é algo concreto para as pessoas", observou esse ministro.

Mesmo assim, os conselheiros políticos de Dilma concluíram que é preciso estar atento com o ambiente de insatisfação generalizada no país. Para outro ministro que participou deste encontro, o fato de os protestos deste domingo terem sido menores que os de 15 de março diminuiu um pouco a pressão que havia sobre o governo.

"Mas não podemos nos iludir. Ganhamos um tempo, mas é um tempo muito curto para tentar iniciar uma reação", ressaltou esse ministro ao Blog.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A DÉCADA ESBANJADA, por Merval Pereira


A conta quem fez foi o economista Paulo Rabello de Castro, do Instituto Atlântico, coordenador do Movimento Brasil Eficiente: entre um crescimento modesto de 3% ao ano nesta década, que não atingiremos, e a média alcançável, deixaremos de crescer R$5 trilhões (o tamanho do PIB de 2014).
“É como se o país estivesse morto, ou em coma, um ano inteiro”, diz ele, com a agudeza que lhe é peculiar. Por isso ele classifica a atual como a “década esbanjada”, em contraponto às anteriores: a década perdida (fim do regime militar, governos Sarney e Collor), a década do ajuste, (Governo Fernando Henrique) e a década consumista (Governo Lula). 
O crescimento medido pela média móvel de quatro anos atingirá a mínima em 2015. “Será o menor patamar desde o final da década de 80, conhecida como década perdida, ressalta Paulo Rabello.
Um combatente do que chama de mito do governo grátis, (tema de seu mais recente livro), “aquele que promete fazer tudo para todos sem custo para ninguém, até que a sociedade perceba, horrorizada, que a fatura indigesta chegou”, Paulo Rabello tem defendido alternativa “reformista” ao cenário econômico continuísta no quinquênio 2015-20, embora sem muita esperanças de mudanças:
“Devido à falta de clareza estratégica sobre os pontos da agenda mínima reformista, até agora não se observa qualquer direcionamento para o cenário reformista”. Para reforçar seu pessimismo, Paulo Rabello escreveu recentemente: “Agora mesmo, enquanto o “mercado” aplaude a falsa austeridade do Banco Central ao colocar o juro na lua e os ministros de Dilma elevam impostos e tarifas, o Orçamento da União de 2015 nos traz aumento das despesas de custeio e financeiras enquanto se cortam as de investimento. Brasília aumenta seus próprios salários e subvenções”.
No cenário de continuidade, o PIB médio seria de 0,8% ao ano, enquanto com as reformas poderíamos atingir uma média de crescimento de 2,1%, nada animador, mas melhor do que o quadro atual.
O desdobramento principal do estudo vai além do quinquênio: a prevalecer o cenário continuísta, diz Paulo Rabello, o Brasil caminhará para ser um país sem relevância na cena mundial. A prevalecer o cenário reformista, os anos 2020 significarão, ainda que sem garantias, certa relevância do País na região e, com boa vontade, no mundo.
A manutenção do “modelo” atual implicaria a persistência da expansão dos gastos públicos e ausência de uma meta clara de contenção das despesas. O superávit primário, em decorrência, seria perseguido pelo recorrente aumento da carga tributária, o que já estamos constatando nas primeiras mudanças do reajuste fiscal apresentado pelo ministro Joaquim Levy.
Os juros em patamar elevado debilitam a demanda privada, reforça o economista. O país fica refém do grau de investimento, que pode perder a qualquer momento. Na visão do economista Paulo Rabello de Castro, “diferentemente de outros períodos, o processo atual sugere uma queda estrutural do PIB e não conjuntural”.
Em contraposição a esse cenário pessimista, ele propõe uma agenda mínima para a retomada de reformas na economia, com simplificação tributária lenta, em etapas, e flexibilização da legislação trabalhista; meta clara de contenção das despesas públicas, com a expansão limitada ao crescimento do PIB, ou fração deste, com a redução do papel dos juros na contenção da demanda.
As conseqüências seriam a elevação da média para o nível próximo ao da década anterior, e a retomada gradual da atividade manufatureira, “se houver reequilíbrio dos preços relativos, política cambial mais competitiva, aumento dos investimentos e menor custo de financiamento”.

Depois de Cid Gomes, agora é Pepe Vargas que deve pedir o boné

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“As últimas horas de Pepe Vargas na Secretaria de Relações Institucionais têm sido tensas. Ontem, Pepe soube pelos sites – repita-se, pelos sites – que Dilma havia sondado Eliseu Padilha. Tentou telefonar para ela, mas ouviu como resposta um lacônico “Nos falamos amanhã”. Hoje, ao chegar ao Palácio do Planalto, Pepe comentou com auxiliares que, caso não fosse atendido por Dilma até 15h, entregaria sua carta de demissão.
Logo depois, o chefe de gabinete de Dilma, Álvaro Baggio, telefonou para Pepe e perguntou se ele iria à reunião com os líderes para discutir o ajuste fiscal, marcada para as 16 horas. Pepe disse que não iria e, em seguida, telefonou para Giles Azevedo, braço-direito de Dilma. Disse que exigia ser recebido pela presidente. Dilma assim o fez no fim da manhã.
Na conversa, Dilma pediu desculpas a Pepe e disse que lamentava o ocorrido. Disse Dilma:
- Não era isso que eu queria. A conversa com o Eliseu vazou.
Os dois acertaram, então, que Pepe não vai mais participar da reunião com os líderes. Logo mais, ao receber os deputados e senadores, Dilma vai comunicar que Pepe não é mais o ministro de Relações Institucionais.
A propósito, diante da falta de uma recusa oficial de Eliseu Padilha, o Planalto ainda espera a possibilidade de que ele aceite o convite.”
(Coluna Radar, da Veja Online)

Dilma agradece trabalho de Cid Gomes em posse do novo ministro


Ao dar posse ao novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, nessa segunda-feira (6), a presidente Dilma Rousseff agradeceu o trabalho do ex-ministro Cid Gomes no governo e disse que confia na dedicação e competência de Ribeiro para conduzir o MEC a partir de agora.

“Renato Janine Ribeiro é um ministro educador numa pátria educadora. Sua escolha traduz em simbolismo a minha maior prioridade para esses próximos quatro anos. Tenho certeza de que ele irá criar, transformar, melhorar e fazer avançar a educação no nosso país”.

Professor titular de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro é formado em filosofia pela mesma universidade, mestre pela Université Paris Pantheon-Sorbonne, doutor pela USP e pós-doutor pela British Library.

(Agência Brasil)

As muitas opções políticas e seus humores, POR LEONARDO BOFF


Uma situação de crise generalizada no mundo e em  nosso país permite muitos humores e não poucas interpretações. Toda crise é angustiante e dolorosa porque desaparecem as estrelas-guia e nos dá a impressão de um voo cego.
Como mostrou o conhecido pensador René Girard, um dos grandes estudiosos da violência, todo grupo, comunidade e sociedade precisa sempre criar um “bode expiatório” sobre o qual recaem todas as frustrações e queixas das pessoas. Ora são os comunistas, ora os subversivos, ora os homoafetivos, ora os fundamentalistas, geralmente os políticos e os governantes. Modernamente chamam a este fenômeno social complexo de bouling. Com isso se aliviam as tensões sociais e a sociedade encontra relativo equilíbrio, sempre frágil e instável. Mas criam-se também muitas vítimas, por vezes inocentes e se deixa de reforçar o valor da convivência pacífica e se abre o lugar para o preconceito e para atitudes fundamentalistas.
Tal situação está se verificando claramente no Brasil. Praticamente não há pessoa que não expresse algum tipo de desconforto, até raiva e, no limite, ódio. Quem conhece um pouco o discurso psicanalítico não se admira. Sabe que no ser humano agem, ao mesmo tempo, duas forças: a de sombra sob a qual cabem todas as decepções e descontentamentos face a uma situação dada, seja a saúde que não funciona, o transporte de qualidade ruim, os impostos altos, a classe política inescupulosa e sem ligação orgânica com os  eleitores, a corrupção deslavada que envolve milhões de dólares, coisa que escandaliza, revolta e cobra punições rigorosas. Mas há também a força de luz que representa tudo o que há de bom no ser humano, a bondade, o amor, a compreensão, a amizade e na sociedade, o sentimento de solidariedade num acidente de estrada, a cooperação ao se associar a uma ONG séria que faz trabalho coerente de resgate dos direitos humanos e da dignidade dos mais  invisíveis etc.
O desafio é sempre este: a que damos mais primazia? À sombra ou à luz? Desejável e saudável é dar maior espaço à luz. Mas há também momentos em que os fatos perversos, tornados públicos, provocam a iracúndia sagrada, o protesto explícito e a manifestação pública. A sombra tem também o seu direito, pois não é um defeito mas uma marca de nossa condição humana: iracundos e pacíficos, duros e flexíveis.
O desfio é buscar a justa medida que representa o ótimo relativo, o equilíbrio entre o mais e o menos; ou a auto-limitação que significa o sacrifício necessário para que nossa ação não seja destrutiva das relações mas boa para todos. Uma sociedade que se civilizou procura sempre este equilíbrio. Neste grupo estão as maiorias que vivem de seu trabalho, empreendedores corretos que levam o país para frente. São sensíveis aos pobres e dificilmente discriminam por causa da origem, da cor ou da religião.
Atualmente constata-se um leque grande de expressões políticas, digamos de direita, de centro, de esquerda, cada qual com suas nuances. Há os que são conservadores em política, dão primazia ao princípio da ordem, mesmo admitindo que haja excessos sociais. Economicamente são até progressistas, abertos às novidades tecnológicas.
Há os que olham o cenário mundial, onde as grandes potências a ditam os rumos da história e pensam: não somos suficientemente desenvolvidos e fortes para termos um projeto próprio.  É mais vantajoso caminhar com eles, mesmo como sócios menores e agregados. Assim não ficamos marginalizados. Estes temem projetos alternativos.
Há os que dizem que não devemos pisar nas pisadas deixadas por outros. Temos que fazer a nossa própria pisada com os recursos que dispomos. Somos grandes, temos um povo criativo, uma natureza que nos garante que a economia futura, de base ecológica, nos fará decisivos para o futuro do planeta. Esses são alternativos e se opõem diretamente à perspectiva imperial de alinhamento ao projeto da globalização. Criticam duramente o projeto neoliberal que acumula de um lado e empobrece de outro, devastando bens naturais.
Há os que não esperam nada de cima, pois a história tem mostrado que todos os projetos elaborados pelos do andar de cima sempre deixaram as grandes maiorias do andar de baixo, lá onde estavam ou simplesmente de fora. Confiam nas organizações dos movimento sociais, articulados de tal forma que conseguem elaborar  um projeto de Brasil debaixo para cima e de dentro para fora. Visam uma democracia participativa e políticas públicas que beneficiem os milhões de historicamente deixados para trás. Esses no Brasil, como em outros países da América Latina, com seus partidos, ocuparam o poder de Estado. Melhoraram a situação dos mais penalizados e todos de alguma forma ganharam. Esses lutam para se garantir no poder e levar avante o projeto popular.
Mas não basta esta vontade generosa. Ela precisa vir revestida de ética, de transparência e de figuras de políticos exemplares que dão corpo ao que pregam. Infelizmente isso não ocorreu ou deforma fragmenta e insuficiente. Não poucos sucumbiram ao arquétipo mais poderoso em nós, segundo C. G. Jung, o poder, porque nos dá a ilusão de onipotência divina, de poder decidir o destino das pessoas além de inúmeras vantagens pessoais.
Max Weber, o mestre do estudo do poder, sentenciou: só exerce bem o poder quem toma distância dele e considera-o  passageiro e serviço desinteressado à comunidade.
*  colunista do JB

quarta-feira, 1 de abril de 2015

SOMOS A GRANDE SAFRA DIVINA: FELIZ PÁSCOA!


O que nos separa da felicidade? Essa questão muito nos inquieta em  um mundo impermanente e com profundas adversidades. A saga do homem no planeta terra sempre foi marcada pelos conflitos de ordem moral, econômica e emocional. Hobbes já nos chamava atenção para o fato de o homem ser o lobo do próprio homem. Afinal, o que queremos e desejamos para nossas vidas?Eis uma questão a ser respondida
Enquanto divagamos filosoficamente, assistimos estarrecidos ao  desmoronamento das instituições que deveriam ser esteios para o organismo social equilibrado: a  família, o Estado. Assombrados estamos com o mais absoluto desprezo de muitos para com as suas vidas e a  vida de seus semelhantes. Como um relâmpago que corta a escuridão da noite, assim também a mensagem que nos foi deixada pelo homem de Nazaré, ajuda-nos a encontrar a luz num cenário de trevas. Reflitamos!
Jesus nos deixou um legado de ensinamentos profundos e atuais, os quais sobreviveram centenas de anos de história. Um deles, particularmente, fascina-me: “Faça aos outros, aquilo que você gostaria que fizessem pra você”. Uma frase simples mas carregada de extraordinário significado. Vivenciá-la  em sua integralidade possibilitaria ao homem abolir as leis e afastar da existência humana o arbítrio, a violência e a discórdia.
Fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito é abrir os olhos dos homens para a compreensão de que todos nós, indistintamente,  somos parte indivisível de uma única espécie - a humana. Essa teia que nos liga um ao outro exige uma reciprocidade de ações  e a compreensão que não haverá uma liberdade plena enquanto restar um homem cativo, aprisionando, marginalizado. O mal que faço ao outro retorna a mim mesmo como corolário da minha condição humana. As nossas ações, se altruístas, iluminam e edificam. Porém, se destrutivas, desagregam e mortificam. Portanto, se queremos sobreviver, é preciso que cada um se sinta responsável pelo “outro”.
Isso nos impele a construir uma nova história: Uma jornada de homens e mulheres livres, onde prevaleçam o respeito, o diálogo, a compreensão mútua, afastando de uma vez por todas   do anfiteatro das nossas vidas o egoísmo cego, os interesses escusos e a falsa ideia do poder absoluto, o que obriga  muitos a uma vida cercada pelo desamor e pela desesperança. Reflitamos nessa páscoa com a convicção de  que a fraternidade, o serviço ao próximo e a humildade são valores cristãos capazes de redimir toda a espécia humana. Feliz Páscoa a todos

segunda-feira, 30 de março de 2015

A DIFÍCIL TAREFA DE SER LÍDER

Tudo começa de dentro para fora

Talvez uma das maiores dificuldades que temos na vida corporativa e no âmbito pessoal é compreendermos o conceito de liderança. Destaquei, nesse contexto, a vida pessoal pois lá também o exercício da liderança deve ser vivenciado em sua plenitude sob pena do soçobramento da harmonia entre seus membros e, por corolário, do desmoronamento dos valores familiares. Não se há de distinguir ser líder em casa ou no trabalho. Ambas situações se entrelaçam de forma indissociável.
Suas ações em família indicam sua atuação no trabalho. Se em casa sua relação é pautada pelo desrespeito, pelo absenteísmo, pela falta de compromisso, torna-se-á óbvio que tais práticas transcenderão o espaço do lar e refletir-se-ão na sua atividade laborativa. Daí entendermos que o exercício da liderança começa no recôndito do lar e, por extensão metafórica, no espaço íntimo de nossos pensamentos. Melhor dizendo: Tudo começa de dentro para fora.
É claro que precisamos afinar nossos instrumentos, primeiramente, na vida pessoal: equilíbrio nos gastos do orçamento familiar, criar espaço para uma relação em família sob o imperativo do diálogo, organizar seu tempo para as necessidades urgentes e prioritárias, saber cobrar responsabilidades, cuidar da saúde, implicando abstinência ao exagero.
Com essas experiências vivenciadas, só então estaremos aptos a nos tornarmos líderes no mundo corporativo. Lembro-me da máxima do maior orador sacro da língua portuguesa, autor de "Os Sermões", Padre Antônio Vieira: Só o exemplo educa. Parafraseando o eminente escritor, di-lo-ei: Só o exemplo nos torna um líder.
Seremos capazes de convencer, de motivar o outro, de exercitarmos a liderança plena, à medida que nossas ações correspondam ao nível de nossas exigências. Se falamos algo, cobramos algo, mas fazemos diferentes, não estamos inspirando, educando, ao contrário, impelimos o outro a agir com uma personalidade travestida, mascarada. Só a transparência é capaz de convencer. Se você é austero, continue austero; se você prima pela perfeição, continue primando pela perfeição. Pior seria se tornar uma personagem mutável ao calor das ocasiões, transparecendo algo que não lhe é próprio. Para ser líder não é necessário um sorriso constante no rosto, uma caridade inútil, um gesto de cortesia exagerado.
Ser líder, na verdade, é ser coerente, é ser você mesmo. Se seu jeito de ser não é agradável a todos, fazer o contrário para parecer bacana é tão irreal quanto querer armazenar a água do mar numa cumbuca. Seja você mesmo, afinal todos nós somos diferentes. Mas se permita rever seus atos, corrigir suas ações.
Outro ponto que reputo de real preocupação é reduzirmos o conceito de liderença a uma permissividade na ação praticada pelo subordinado, além da aceitação indecorosa da atitude irresponsável e incompetente de um liderado. Tudo em nome da bondade, da empatia. Não digo que ser empático seja um defeito, pelo contrário, admito a empatia como uma das maiores qualidades de um líder. O que me leva a questionar é que muitas vezes não saímos da zona de conforto pelo medo de magoar o outro e , como consequência, aceitamos que nossos liderados pratiquem as piores atrocidades.
Não percebemos, entretanto, que a nossa omissão em não corrigi-lo, chamá-lo à responsabilidade, porá em risco o futuro de uma empresa e o que é mais grave, atingirá inocentes, mormente aqueles que com zelo e compromisso dedicam sua vida ao trabalho. Dessa forma entendo que o exercício da verdadeira liderança perpassa pelo compromisso de enxergar o coletivo como fim último, inarredável, sob pena de um só apodrecer todo o cacho de uvas.

Finalizo, por dizer, que ao analisarmos a aceitação dos nossos subordinados ao nosso jeito de liderar, tenhamos cuidado com os aplausos em demasia, com os elogios gratuitos. Muitas vezes tais manifestações são apenas frutos do expediente da bajulação. Afinal, há uma máxima há muito reverenciada que diz: "O segredo do sucesso não se sabe. Do fracasso, é querer agradar a todos". 

AS LIÇÕES DE UMA CRISE

A crise financeira que ainda assola a Europa nos deixa grandes lições e nos permite revisitar sua história. Somos sabedores que esse continente foi celeiro dos maiores filósofos da história da humanidade. A cultura europeia construiu as bases do conhecimento do mundo ocidental. Seu apogeu intelectual ainda hoje influencia a construção do pensamento do homem pós-contemporâneo. Não obstante distinção histórica tão nobre, os países do velho mundo se veem hoje diante de um abismo existencial profundo, cujo fosso delimita bruscamente a distância de uma época de glória a um período de profundo desconcerto econômico e desarranjo institucional.
Quais lições podemos tirar desse lamentável episódio? Obviamente devemos nos acercar da assertiva que nos ensina que o sucesso de ontem não nos garantirá o êxito futuro. Mais ainda é necessário perceber que a glória e o apogeu não são absolutos e podem sucumbir pela ação do tempo, principalmente quando se imagina, equivocadamente, que um passado de sucesso assegura um futuro sempre promissor. Na verdade, a Grécia, Roma e Alemanha já assistiram a queda de seus impérios retumbantes.
Afinal, para a nossa vida, o que isso significa? Significa compreender que a vitória, o êxito, são conquistas diárias, que não aceitam o conformismo, a letargia e a mesmice. Se queremos alcançar o sucesso e nele permanecer faz-se necessário, primeiramente, acordar todos os dias cercado de novos planos, novos objetivos, novos propósitos. Enfim, enxergar os desafios como possibilidades. Não se permitir jamais enveredar pela zona de conforto, imaginando-se o melhor, o mais perfeito. Como diz a cultura popular: “imaginando-se ser a última coca-cola do deserto”. Talvez seja esse espírito de arrogância intelectual ou moral, muitas vezes advindo dos antepassados, que tem feito com que muitos empreendedores e profissionais fracassem em sua trajetória. Na verdade se deixaram levar por falsos conceitos, pelo modismo e perderam de vista a sensibilidade e a originalidade na implementação de suas ideias.
Sempre tenho dito e repito: Se há algo que devemos perseguir com todas as forças que Deus nos deu, a isso chamamos “humildade”. Parece simplório utilizar-se dessa palavra, talvez poucos a compreendam naquilo que de fato ela representa. Muitas vezes imaginamos, ambiguamente, que ser humilde é aceitar uma vida amorfa, não reclamar, resignar-se diante de tudo. Equívocos à parte, a humildade não rima com inação, com conformismo. Pelo contrário, ser humilde é saber escutar o outro, é ter temperança no agir, sensibilidade no falar, precaução nas atitudes e espírito acolhedor. Afinal, quem não se exercita pela humildade se imagina que já sabe o suficiente, que não precisa de amigos porque tem brilho próprio, vive do passado sem aprender as lições para o futuro, perde-se na falsa impressão do esplendor e se acha detentor da glória eterna.
Portanto, aprender com o declínio daqueles que se empanturram pela empáfia e se imaginaram acima do bem e do mal, é uma atitude proativa e necessária em um mundo em que a impermanência e transitoriedade são realidades que nos concitam a rever nossas ações e atitudes.
Na verdade, não somos melhor do que o outro. Mas se queremos sobreviver precisamos do outro. Precisamos, principalmente, ver cada dia como um dia a se construir, a se edificar. Para isto é preciso acreditar em si mesmo, amar a si mesmo, sem perder de vista que somos singular, único, o que nos impõe a necessidade de escrever uma história “extraordinária”. Todavia, nossa singularidade não nos dá o direito de esquecermos que fazemos parte de uma teia indivisível que nos liga ao “próximo”, exigindo-nos a prática da solidariedade e do respeito mútuo. Aprender é preciso!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sucesso: Começar é preciso...continuar também!

É comum a cada um de nós o cultivo de sonhos e projetos futuros. Muitos ambicionam um bom emprego, montar um negócio, estudar bastante para ser aprovado em um concurso, ingressar no ensino superior e por aí vai. Para isso, as pessoas começam a elaborar suas estratégias, traçar seus planos. Nos primeiros dias de execução tudo vai bem: acorda cedo, pega no batente e dá início a empreitada. Ocorre que com o passar dos dias, arrefecem os ânimos. E aí lá se vai mais um projeto por água abaixo.
Essa constatação tão comum nos concita a afirmar que para vencer não basta ter apenas a iniciativa, mas é preciso ser “terminativo”, isto é, apostar no projeto até as últimas consequências. É necessário, portanto: começar, continuar e terminar. Quando deixamos as coisas no início ou pela metade, passamos um recado de fracasso e de falta de eficiência, o que compromete a nossa imagem, gerando um descrédito pessoal. Essa coisa de só ter começo nos leva ao deboche. Quando iniciarmos uma nova empreitada, todos dirão que será mais um projeto que vai ficar no papel. Quem não se lembra daquele amigo que só tem começo. Tudo começa astronomicamente projetado, porém nada se concretiza.
Isso, na verdade, nos impõe uma reflexão sobre a necessidade de pontuarmos muito bem nossos projetos, aquilatando a sua viabilidade, traçando um planejamento e fazendo uso da disciplina necessária para a sua execução. Outro ponto importante, é delimitá-lo dentro do espaço que lhe é exequível. Não adianta sonhar muito alto quando os cenários lhe exigem uma maior prudência. Faça pequeno, com consistência, que tudo depois se tornará grande. Mas faça, não apenas deseje!
Fazer é agir, sair do estado de inércia e atirar-se com toda garra naquilo que aspiramos. Fazer exige movimento constante, com o entusiamo sempre renovado e com a certeza de que cada iniciativa impõe “um início”, “um meio” e “um fim”. Não desista antes de concluir todas essas etapas. Pois, se o êxito não chegar, teremos a consciência de que tudo fizemos para alcançá-lo. Portanto, tenhamos iniciativa, mas sejamos “terminativos”.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Primeira aparição pública de Cid Gomes pós-demissão será no TCM

NACIONAL
A primeira aparição pública do ex-governador Cid Gomes (Pros) após ter sido exonerado do Ministério da Educação ocorrerá nesta sexta-feira, às 9 horas, no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Ele é um dos convidados do ato de posse do conselheiro Domingos Filho na presidência do Instituto Escola Superior de Contas e Gestão Pública Waldemar Alcântara. Cid, bom lembrar, foi demitido depois de ter ratificado a acusação de que há achacadores na Câmara, durante sessão dessa casa legislativa.
A solenidade promete. Além de Cid Gomes, ali estarão o governador Camilo Santana, o presidente da Asssembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, o prefeito Roberto Cláudio, o presidente da Câmara Municipal, Salmito Filho, vários parlamentares estaduais e federais, além de empresários. Um desafeto político dos Ferreira Gomes também pisará no local: o ex-governador Lúcio Alcântara, pois o Instituto leva o nome do seu pai.
Na ocasião do evento, será lançado o Programa Capacidades: Educação, Participação e Transformação, que visa fornecer elementos que venham alavancar as competências dos gestores e servidores municipais para que possam atuar com qualidade e efetividade no desempenho de suas funções.
(com Eliomar de Lima)

Senado aprova fim das coligações partidárias no país

Fim das coligações partidárias no País foi aprovado no Senado, na tarde desta terça-feira (24). Os senadores aprovaram a PEC que permite coligações somente para eleições majoritárias. A matéria segue para a Câmara.

Na última semana, o plenário do Senado havia aprovado, em primeiro turno, o fim das coligações partidárias para eleições proporcionais – de deputados federais, estaduais e vereadores. A proposta de emenda à Constituição (PEC) teve 61 votos favoráveis e sete contrários. A votação teve ainda duas abstenções. A medida gerou debate entre os parlamentares, principalmente, entre os que pertencem a partidos nanicos. Eles terão mais dificuldade de se eleger, caso a proposta seja aclamada.

O texto da PEC seguirá para análise do plenário da Câmara dos Deputados. Pela proposta, somente serão admitidas coligações nas eleições majoritárias, para senador, prefeito, governador e presidente da República.

Fonte: Blog do Roberto Moreira

terça-feira, 24 de março de 2015

“O Brasil está virando chacota no Exterior”, diz senador

“O Brasil está virando chacota em programas de televisão no exterior devido aos problemas na economia e aos escândalos na Petrobras”.
Foi o que disse o senador José Agripino (DEM-RN) em pronunciamento no Plenário nessa segunda-feira (23), ao citar um talk show norte-americano que abordou o tema de forma jocosa, além de jornais estrangeiros. Entre eles, como lembrou o parlamentar, o mais importante jornal britânico, o Financial Times, que em recente editorial disse que a crise no Brasil é culpa do nosso país e ela ainda vai piorar.
- Uma inflação que vai chegar aos 8%, eu não tenho nenhuma dúvida, o preço dos combustíveis lá em cima, a energia elétrica infernizando a vida das pessoas, o dólar nas alturas, um país inquieto com o desemprego, que o que mais preocupa vida das pessoas é a perda do emprego. E tudo isso criando um clima de inquietação diante da inação do governo – afirmou.
José Agripino também demonstrou preocupação com a iminência de um colapso no fornecimento de água no município de Currais Novos, no Rio Grande do Norte.
Segundo ele, no final do ano passado, o governo federal prometeu contratar uma adutora para levar água da Barragem do Açu a Currais Novos. A obra seria iniciada no dia 5 de janeiro e ficaria a cargo do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), mas até agora nada foi feito, disse.
(Agência Senado)

Uma experiência de choque: o encontro com José Mujica, Por LEONARDO BOFF

Participando de um congresso ibero-americano sobre Medicina Familiar e Comunitária, realizado em Montevidéu dos dias 18 - 22 de março, tive a oportunidade sempre desejada de um encontro com o ex-presidente doUruguai José Mujica. Finalmente foi possível, no dia 17 de março, por volta das 16 horas. Tal encontro deu-se em sua chácara, nos arredores da capital Montevidéu.
Encontramos uma pessoa que, vendo-a e ouvindo-a, somos imediatamente remetidos a figuras clássicas do passado, como Leon Tolstoi, Mahatma Gandhi e até com Francisco de Assis. Aí estava ele, com sua camisa suada e rasgada pelo trabalho no campo, com uma calça de esporte muito usada e sandálias rudes, deixando ver uns pés empoeirados como quem vem da faina da terra.
Vive numa casa humilde e ao lado, o velho fusca que não anda mais que 70 km a hora. Já lhe ofereceram um milhão de dólares por ele; rejeitou a oferta por respeito ao velho carro que diariamente o levava ao palácio presidencial e por consideração do amigo que o havia dado de presente. Rejeita que o considerem pobre. Diz: "não sou pobre, porque tenho tudo o que preciso para viver; pobre não é não ter; é estar fora da comunidade; e eu não estou".
Pertenceu à resistência à ditadura militar. Viveu na prisão por treze anos e por um bom tempo dentro de um poço, coisa que lhe deixou sequelas até os dias de hoje. Mas nunca fala disso, nem mostra o mínimo ressentimento. Comenta que a vida lhe fez passar por muitas situações difíceis; mas todas eram boas para lhe dar sábias lições e por fazê-lo crescer.
Conversamos por mais de uma hora e meia. Começamos com a situação do Brasil e, em geral da América Latina. Mostrou-se muito solidário com Dilma, especialmente em sua determinação de cobrar investigação rigorosa e punição adequada aos corruptos e corruptores do caso penoso da Petrobras. Não deixou de assinalar que há uma política orquestrada a partir dos Estados Unidos de desestabilizar governos que tentam realizar um projeto autônomo de país. Isso está ocorrendo no Norte da Africa e pode estar em curso também na América Latina e no Brasil. Sempre em articulação com os setores mais abastados e poderosos de dentro do país que temem mudanças sociais que lhes podem ameaçar os privilégios históricos.
Mas a grande conversa foi sobre a situação do sistema- vida e do sistema-Terra. Aí me dei conta do horizonte vasto de sua visão de mundo. Enfatizava que a questão axial hoje não reside na preocupação pelo Uruguai, seu país, nem por nosso continente latino-americano, mas pelo destino de nosso planeta e do futuro de nossa civilização. Dizia, entre meditativo e preocupado, que talvez tenhamos que assistir a grandes catástrofes até que os chefes de Estado se deem conta da gravidade de nossa situação com o espécie e tomar medidas salvadoras. Caso contrário, vamos ao encontro de uma tragédia ecológico-social inimaginável.
O triste, comentava Mujica, é perceber que entre os chefes de Estado, especialmente, das grandes potências econômicas, não se verifica nenhuma preocupação em criar um gestão plural e global do planeta Terra, já que os problemas são planetários. Cada país prefere defender seus direitos particulares, sem dar-se conta das ameaças gerais que pesam sobre a totalidade de nosso destino.
Mas o ponto alto da conversação, sobre o qual pretendo voltar, foi sobre a urgência de criarmos uma cultura alternativa à dominante, a cultura do capital. De pouco vale, sublinhava, trocarmos de modo de produção, de distribuição e de consumo se ainda mantemos os hábitos e "valores" vividos e proclamados pela cultura do capital. Esta aprisionou toda a humanidade com a ideia de que precisamos crescer de forma ilimitada e de buscar um bem estar material sem fim. Esta cultura opõe ricos e pobres. E induz os pobres a buscarem ser como os ricos. Agiliza todos os meios para que se façam consumidores. Quanto mais são inseridos no consumo, mais demandas fazem, porque o desejo induzido é ilimitado e nunca sacia o ser humano. A pretensa felicidade prometida se esvai numa grande insatisfação e vazio existencial.
A cultura do capital, acentuava Mujica, não pode nos dar felicidade, porque nos ocupa totalmente, na ânsia de acumular e de crescer, não nos deixando tempo de vida para simplesmente viver, celebrar a convivência com outros e nos sentir inseridos na natureza. Essa cultura é anti-vida e anti-natureza, devastada pela voracidade produtivista e consumista.
Importa viver o que pensamos, caso contrário, pensamos como vivemos: a espiral infernal do consumo incessante. Impõe-se a simplicidade voluntária, a sobriedade compartida e a comunhão com as pessoas e com toda a realidade. É difícil, constatava Mujica, construir as bases para esta cultura humanitária e amiga da vida. Mas temos que começar por nós mesmos.
Eu comentei: "o Sr. nos oferece um vivo exemplo de que isso é possível e está no âmbito das virtualidades humanas". No final, abraçando-nos fortemente, lhe comentei: "digo com sinceridade e com humildade: vejo que há duas pessoas no mundo que me inspiram e me dão esperança: o Papa Francisco e Pepe Mujica". Nada disse. Olhou-me profundamente e vi que seus olhos se emudeceram de emoção.
Sai do encontro como quem viveu um choque existencial benfazejo: me confirmou naquilo que com tantos outros pensamos e procuramos viver. E agradeci a Deus por nos ter dado um pessoa com tanto carisma, tanta simplicidade, tanta inteireza e tanta irradiação de vida e de amor.