"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Desembargador Paulo Albuquerque recebe homenagem da Corregedoria Geral da Justiça do Ceará


O desembargador Paulo Airton Albuquerque Filho foi homenageado, nessa sexta-feira (12/12), pelos serviços prestados na elaboração do Código de Normas do Serviço Notarial e Registral do Estado. Durante o lançamento da obra no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), recebeu uma placa do corregedor-geral da Justiça, desembargador Francisco Sales Neto.

Na ocasião, o corregedor-geral ressaltou que o desembargador Paulo Airton “abraçou esse desafio de atualizar nosso Código de Normas, desde o início dos trabalhos, fornecendo valiosa contribuição”. Para o homenageado, o documento é importante devido à intensa evolução dos registros públicos no Brasil. “É dever desta Corregedoria de Justiça proceder à revisão destas normas, de forma periódica e sistemática, com o objetivo de incorporar tanto as evoluções do ordenamento jurídico, quanto melhores práticas em relação à aplicabilidade”, disse.

O magistrado destacou a atuação do corregedor-geral, que coordenou os trabalhos para a elaboração do Código. “Não poderia finalizar sem reconhecer e louvar a iniciativa e o trabalho realizados pelo eminente desembargador Francisco Sales Neto à frente da Corregedoria, que nos permitiu, sob sua coordenação, a conclusão desse trabalho que muito nos honrou e nos encheu de alegria”.

Também participaram do evento os desembargadores Francisco Lincoln Araújo e Silva, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no exercício da Presidência; Emanuel Leite Albuquerque e Francisco Gomes de Moura.

Presentes ainda o advogado Marcelo Mota, representando o presidente da Ordem de Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB/CE), e Ana Teresa Araújo Mello Fiúza, presidente da Associação Cearense dos Registradores de Imóveis (ACREI), além de representantes do Sindicato dos Notários, Registradores e Distribuidores do Estado (Sinoredi/CE), da Associação dos Notários e Registradores do Ceará (Anoreg/CE) e da Central Estadual de Contratos de Alienação Fiduciária (Cecaf).

CÓDIGO
O Código de Normas entrará em vigor a partir do dia 2 de janeiro de 2015. O documento estabelece normas a respeito dos deveres e vedações dos notários, do atendimento ao usuário, dos livros e pastas obrigatórios e da lavratura dos atos notariais e registrais.


Determina ainda procedimentos relacionados ao registro civil de pessoas naturais; de indígenas; reconhecimento voluntário de paternidade socioafetiva; registro de união estável; casamento; e óbito. Também disciplina sobre os titulares, responsáveis, escreventes e auxiliares dos cartórios, da lavratura da escritura pública de declaração de convivência de união estável homoafetiva, entre outros.


DO BLOG: Muito nos orgulha como massapeense a trajetória de Paulo Albuquerque. Com menos de um ano desde que tomou posse como Desembargador, sua atuação na magistratura de 2º grau vem ganhando destaque e sendo reconhecida pelos seus pares. Parabéns!!! Sempre tive a convicção de que Paulo Albuquerque faria a diferença!!!

Governo, Prefeitura e Tribunal de Justiça entregam títulos a beneficiários do Programa Papel da Casa

Desembargado Paulo Albuquerque representou o Presidente do Tribunal de Justiça
o
O desembargador Paulo Albuquerque participou, nesse sábado (13/12), da solenidade de entrega de títulos de propriedade de imóveis a 850 famílias beneficiadas pelo Programa Papel da Casa. O evento, realizado no Centro de Eventos, em Fortaleza, foi conduzido pelo governador do Estado, Cid Gomes.

O Programa é uma iniciativa do governo estadual, por meio da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), Prefeitura de Fortaleza e Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) com o objetivo de regularizar a situação fundiária de unidades habitacionais financiadas pela Companhia de Habitação do Ceará (Cohab).Em agosto de 2013, foi assinado convênio de cooperação entre o TJCE, Governo do Ceará e Prefeitura Municipal de Fortaleza para facilitar a liberação de escrituras e viabilizar o registro definitivo dos imóveis. Entre os benefícios, houve remissão e isenção de tributos municipais, suspensão da taxa administrativa da Cohab e redução de 70% das custas dos cartórios.

Durante a solenidade, o governador Cid Gomes ressaltou a importância da cooperação. “O segredo é fazer de um jeito criativo. A grande resposta se chama parceria, reunindo Governo, Prefeitura e Tribunal de Justiça, que abriram mão de taxas e receitas. Assim conseguimos viabilizar esse programa. Faz diferença quando se tem realmente solidariedade e compromisso de atender a quem mais precisa”.

O desembargador Paulo Albuquerque, que representou o presidente do TJCE, desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido, afirmou que o Tribunal não poderia deixar de dar apoio a essa iniciativa. “Quando fomos chamados a participar dessa parceria, o TJ convocou uma reunião do Pleno e os 43 desembargadores, por unanimidade, apoiaram a resolução que reduziu em 70 por cento o valor dos emolumentos cartorários”, disse o magistrado.

O prefeito Roberto Claudio também destacou a importância da parceria. ”Essa iniciativa formulada e pensada pelo governador Cid Gomes só pode ter sucesso quando tem parcerias, como ocorreu com a participação da Prefeitura e Tribunal de Justiça, para garantir a propriedade do imóvel a pessoas que não tinham esse direito formal”, ressaltou.

A solenidade contou com a presença do secretário de Planejamento e Gestão, Eduardo Diogo; do secretário especial dos Grandes Eventos, Ferrucio Feitosa; do presidente do Instituto de Planejamento de Fortaleza, Eudoro Santana; de cartorários e demais convidados.

(Com informações da Assessoria de Comunicação da Seplag)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Onde mora a corrupção? por WALTER MAIEROVITCH

Girolamo maria moretti era um franciscano capaz de inferir de um autógrafo as características psicológicas do subscritor. Moretti, no entanto, não ficou conhecido pelas suas contribuições à grafologia, mas por uma frase sobre corrupção em que usou como referência aquela já considerada Caput Mundi: “Quanto mais perto você estiver de Roma, mais distante estará do céu”.
Na semana passada, descobriu-se uma máfia autóctone em Roma, batizada de Mafia Capitale. Essa organização delinquencial desfalcou os cofres da prefeitura de Roma e estabeleceu-se mediante infiltração no poder, violências, desumanidades e uso de interpostas pessoas jurídicas nas falcatruas.
Para a mídia europeia ocorreu um vultoso assalto aos cofres públicos capitolinos e um peculiar escândalo, pois dessa vez as empreiteiras e os políticos foram os que buscaram a parceria mafiosa. Entre brasileiros isso tudo não representa novidade e, quanto aos valores monetários subtraídos por lá, caso comparados com o que foi “afanado” aqui, não passam de trocados para os alfinetes, para usar uma expressão avoenga.
pool dirigido por Giuseppe Pignatone, procurador-chefe do Ministério Público de Roma, investigou nos dois últimos anos a administração municipal do ex-prefeito Gianni Alemanno (2008-2013), político da direita radical, berlusconiano e filofascista, investigado por suspeita de participar e acobertar o esquema de corrupção: o dinheiro foi parar no caixa da Fundação Nova Itália, que cuida do seu projeto político. Na operação de desmantelamento chamada Mondo di Mezzoforam presos 36 suspeitos, incluídos o chefão da organização mafiosa e o seu braço direito.
capomafia chama-se Massimo Carminati e era conhecido por atuar, nos anos 70, como terrorista fascista nos Núcleos Armados Revolucionários (NAR). Depois disso, Carminati migrou para a organização pré-mafiosa romana conhecida por Banda della Magliana. Num confronto com a polícia na fronteira Itália-Suíça, perdeu um olho e ganhou o apelido de il Cecato (o Caolho).
Como muitas vezes o dinheiro promove a aproximação dos extremos, o braço direito do neofascista Carminati era o marxista Salvatore Buzzi, assassino que cumpriu a pena. Por lentes distorcidas, Buzzi, pós-cadeia, foi tido como protetor dos refugiados, empenhado na ressocialização de condenados e gestor de serviços públicos terceirizados,  cooperativas de campos de imigrantes.
Mafia Capitale caracterizava-se por ambiguidades ético-morais. Da boca dos seus associados saía um discurso político de matriz racista e xenófoba, semelhante à linha defendida no Europarlamento por Marine Le Pen. Contemporaneamente, entretanto, mantinha-se a exploração material dos campos de refugiados da periferia (campi rom) e desfrutava-se economicamente de imigrantes e ciganos: “Dá mais dinheiro do que o tráfico de drogas”, consoante interceptação telefônica.
Mafia Capitale corrompe e não mata e nisso se iguala às nove megaempreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Enquanto nesta Lava Jato calcula-se o desvio de 10 bilhões de reais saídos da Petrobras, a dupla mafiosa Caminati-Buzzi faturava, líquido e por ano, cerca de 50 milhões de euros. Numa interceptação telefônica, Buzzi não contém a euforia e diz: quest’ anno (1983)abbiamo chiuso com 40 milioni di fatturato. Só os contratos suspeitos da Petrobras somam 59 bilhões de reais. O doleiro brasileiro Alberto Youssef movimentou criminosamente 10 bilhões de reais, algo que certamente faria Caminati, no seu lugar, ser capaz de contar notas com o seu olho de vidro e sem errar com as moedas.
Enquanto a Mafia Capitale explorava o campo de nômades de Castel Romano e desviava 2,5% do valor contratual, Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras, driblava o conselho de administração da empresa de modo a fazer autorizar a compra da refinaria de Pasadena, um negócio de prejuízo superior a 1 bilhão de dólares. Das nove empreiteiras brasileiras envolvidas na fase Juízo Final da Lava Jato bloquearam-se 700 milhões de reais. Pedro Barusco, ex-gerente-executivo de engenharia da Petrobras, ofereceu devolver 100 milhões de dólares, enquanto Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento, ofertou 23 milhões de dólares que estavam depositados em conta bancária na Suíça. Ele também colocou à disposição alguns trocados, totalizando 2,8 milhões de dólares, em Cayman.
No Brasil, fala-se no envolvimento de 30 políticos no esquema de propinas e, na Mafia Capitale, temos um ex-prefeito investigado e afastado o presidente do conselho municipal capitolino.
Na verdade, os associados à Mafia Capitale são diletantes, se comparados com os gatunos da cleptocracia brasileira.

A educação no Brasil vai mal? por YVONNE MAGGIE

Escola de ensino médio
Meus amigos, vamos falar de educação, tema ao qual tenho me dedicado e sobre o qual já me referi  em muitos posts. No dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, li no jornal “O Globo” a notícia com os dados mais recentes sobre o nosso combalido sistema educacional. Podemos dizer que houve avanços? Claro, nos anos 1960 quantas pessoas estavam na escola? E quantos se formavam? Cinquenta anos mais tarde, temos algumas conquistas. O acesso à escola está praticamente universalizado. Há mais jovens de 14 a 17 anos frequentando as salas de aula. Porém, os números levantados pela organização não governamental Todos pela Educação não podem nos deixar tranquilos. A manchete do jornal revela o tamanho da tragédia. Só metade dos jovens brasileiros conclui a escola até os 19 anos, idade considerada adequada para o término do ensino básico. 

A pesquisa do Todos pela Educação analisou dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para saber se estamos no caminho para atingir as metas traçadas para 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Segundo a entidade, a previsão para 2022 seria a de que 95% dos jovens de 16 anos deveriam terminar o ensino fundamental e 90% ou mais dos jovens de 19 anos deveriam concluir o ensino médio. Pareciam metas fáceis, porém a pesquisa mostrou haver estagnação do fluxo de alunos no sistema. Ou seja, os estudantes não avançam nas séries, ficando muito mais tempo na escola do que o necessário. No ensino fundamental a situação é melhor: 71% dos jovens de 16 anos concluem esta etapa do ensino, mas o ritmo da expansão é muito lento sinalizando que será difícil atingir as metas traçadas. O estudo mostra também as disparidade regionais e sociais. 

Em excelente matéria do jornal “O Globo”, de 8 de dezembro, o jornalista Eduardo Vanini mostra a gravidade do problema dando como exemplo o caso de um estudante de 14 anos, do primeiro ano de ensino médio, que saiu da escola. Tendo de trabalhar para ajudar a família, o jovem tentou estudar à noite, mas perdeu o estímulo porque a escola era ruim, os professores faltavam e os equipamentos eram péssimos. Só mais tarde, aos 21 anos, entrou no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) para obter o diploma do ensino médio. 

Na minha pesquisa, observando o cotidiano de escolas do ensino médio do Rio de Janeiro, seus rituais, aulas e conselhos de classe, vejo casos como esse, e vejo muito mais. Vejo estudantes tentando terminar a escola e sendo reprovados sistematicamente. Há quem fique cinco anos para finalizar os três anos obrigatórios. Alguns acabam terminando por esforço próprio, outros desistem. 

A escola é desestimulante, os professores faltam, e podem faltar, legalmente, no Rio de Janeiro, até uma vez por mês sem justificativa. Os equipamentos são ruins e a gestão é muito problemática, porque os diretores e coordenadores não conseguem estimular seus professores a lidar com jovens que não veem muito sentido nas 15 matérias lecionadas. Muitos professores são bem preparados, mas também não veem sentido em ensinar para estudantes que, segundo dizem, são de famílias desestruturadas e não se interessam pelos estudos. Já ouvi frases como “eles não têm jeito” ou “eles não querem nada”. 

A vida na escola pode ser até agradável. A grande maioria dos estudantes diz que gosta de ir à escola, não necessariamente para estudar, mas para encontrar seus amigos, sair de casa e das obrigações familiares, conhecer novas pessoas. Mas a maior parte deles gostaria de terminar os estudos para ter uma vida melhor do que a de seus pais. 

Então, o que falta para que as escolas públicas consigam melhorar o desempenho de seus alunos? O que falta para atingirmos as metas? 

Em excelente artigo publicado no jornal “Folha de São Paulo” em 7 de dezembro, “Por que é difícil melhorar a educação no Brasil”, o sociólogo Simon Schwartzman expõe as razões e o tamanho do problema. Há muito a fazer, diz ele, que frisa que a escola faz a diferença. Uma boa escola e uma boa educação não podem, sozinhas, resolver as grandes iniquidades e desigualdades socioeconômicas, mas podem sim ajudar muito nesta tarefa. É preciso trilhar um caminho árduo. 

Entre as muitas coisas que a escola e os formuladores de políticas públicas têm de fazer, no meu entender, além de tudo o que diz Simon Schwartzman no artigo citado acima, é uma campanha acirrada para que nossas ideias sobre como ensinar sejam revistas. O problema central que faz com que as escolas públicas não sejam comunidades atraentes é a concepção vigente de boa escola e de o que fazer com os que não estão aprendendo a lição. Para a maioria dos brasileiros e para os que vivem a vida de escola, incluindo familiares e estudantes, sem contar professores e gestores, a boa escola é a escola severa, que reprova quem não aprendeu. Os melhores colégios particulares não estão isentos dessa estratégia. Essa maneira de lidar com as diferenças de talento e de herança educacional dos estudantes é o x da questão. O dia em que os professores se desarmarem diante de suas turmas irrequietas e de jovens cheios de celulares e WhatsApp e descobrirem que ensinar pode ser uma tarefa emocionante teremos uma escola republicana. Uma escola cuja missão é ensinar a todos. 

Tenho certeza de que esse dia chegará porque podemos ver, nesses últimos anos, que as vozes que gritavam no deserto estão se fazendo ouvir. Penso na batalha cotidiana de um desses pesquisadores incansáveis, Sergio Costa Ribeiro, cuja missão foi a de convencer que a repetência era o maior problema da educação brasileira e não, como em geral se achava, a necessidade de trabalhar. Infelizmente, ele não viveu o suficiente para ver o resultado de sua batalha. Hoje a sociedade brasileira vislumbra a importância da educação e muitos pesquisadores, organizações não governamentais como o Todos pela Educação, governos estaduais, municipais e o governo federal estão centrados em criar metas que façam com que um dia todos os brasileiros terminem a escola na idade certa e sabendo a lição. Isso em si já é um avanço.

Foto: Reprodução/Bom Dia Brasil

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

DEUS NÃO AGE ONDE O HOMEM DEVE AGIR

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, ainda no ano de 2011, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o fez nutrir uma raiva tão grande de Deus diante daquele episódio que dizimou mais de mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se, porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordioso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorância teológica, e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômatos, sem capacidade de criação, frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou. Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno. Essa missão é do homem e não cabe a Deus intervir.
(republicado e pedido do leitor)

A mulher que nasceu um dia e morreu um dia antes

Do blog SINCRONICIDADE, do massapeense Vasconcelos Arruda:

Certa vez perguntaram a Clarice Lispector que título ela daria a sua autobiografia. A resposta foi sucinta mas, como sempre, mortal: “À procura da coisa”. A Coisa – o mundo real, neutro e indiferente às construções humanas, nisso incluída a própria literatura – foi, desde seu primeiro romance, Perto do Coração selvagem, de 1943, a grande paixão e o grande inferno de Clarice. Viveu para perseguir esse núcleo de vida pura que nos iguala aos animais e nos despe de nosso manto cultural. Viveu, como ela mesma definiu, para buscar o que se esconde “atrás de detrás do pensamento”. Não foi pouco o que se propôs.
José Castello
[Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: romances / Clarice Lispector; organização, introdução e apresentações: José Castello. – Rio de Janeiro: Rocco, 2011, p. 9.]
Fui à cozinha e peguei uma xícara de café: forte, amargo e fumegante, como tem que ser o café, pelo menos em ocasiões como esta, em que me posiciono ante o computador para escrever este texto. É que certas ocasiões exigem um cuidado especial, quase como se estivéssemos prestes a adentrar um templo. Falo de Iniciação. Sim, Iniciação aos grandes mistérios, como a que acontecia aos praticantes do esoterismo em tempos de antanho.
É que vou escrever algumas poucas linhas sobre uma Iniciada. Refiro-me a Clarice Lispector. Sim, porque leio Clarice Lispector com a mesma predisposição e preparo que adoto quando vou ler um texto dos grandes iniciados. A diferença entre nossa escritora e outros iniciados é que, se estes precisaram se filiar a um círculo ou escola esotérica para ter acesso aos grandes mistérios, à primeira isso não foi necessário.
Eu diria que ela passou pelas etapas necessárias à Iniciação de forma espontânea, com aquilo mesmo que a vida foi lhe proporcionando experimentar no dia a dia, tudo inserido no fluxo natural de sua existência. Nem mesmo duas experiências cruciais, a do chamado “Inferno da Iniciação” e a “Experiência do Deserto”, de que falam os grandes místicos, lhe faltaram.
Com relação ao primeiro, atente-se para o que ela afirmou quando se referiu ao incêndio ocorrido em seu apartamento no dia 14 de setembro de 1966, que a deixou em coma:
“[...] o incêndio que sofri há algum tempo destruiu parcialmente minha mão direita. Minhas pernas ficaram marcadas para sempre. O que aconteceu foi muito triste e prefiro não lembrar. Só posso dizer que passei três dias no inferno, aquele que – dizem – espera os maus depois da morte. Eu não me considero má e o conheci ainda viva” (Entrevista ao Jornal da Tarde, 5. fev. 1969. Citado em:  Gotlib, Nádia Battella. Clarice Fotobiografia. – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 368).
A propósito do segundo, o deserto, escreveu: “Eu fora obrigada a entrar no deserto para saber com horror que o deserto é vivo, para saber que uma barata é a vida. Havia recuado até saber que em mim a vida mais profunda é antes do humano – e para isso eu tivera a coragem diabólica de largar os sentimentos”.
E que experiência iniciática é essa, a que se destina ela, qual é seu anelo? É aquilo a que aspiram os grandes iluminados, o mistério dos mistérios, mas exige para adentrá-lo uma coragem e disposição sobre-humanas, o que leva Clarice a dizer: “ Eu tivera que não dar valor humano à vida para poder entender a largueza, muito mais que humana, do Deus. Havia eu pedido a coisa mais perigosa e proibida? arriscando a minha alma, teria eu ousadamente exigido ver Deus?”
E conclui, como quem sabe que esse Mistério, por ser incomensuravelmente maior que tudo o que se possa conceber, traz sempre implícito um enigma que, em vida, provavelmente nunca será totalmente solucionado: “E agora eu estava diante Dele e não entendia – estava inutilmente de pé diante Dele, e era de novo diante do nada. A mim, como a todo o  mundo, me fora dado tudo, mas eu quisera mais: quisera saber desse tudo. E vendera a minha alma para saber. Mas agora eu entendia que não a vendera ao demônio, mas muito mais perigosamente: a Deus. Que me deixara ver. Pois Ele sabia que eu não saberia ver o que visse: a explicação de um enigma é a repetição do enigma. O que És? e a resposta é: És. O que existe? e a resposta é: o que existes. Eu tinha a capacidade da pergunta, mas não a de ouvir a resposta” (Lispector, Clarice. A paixão segundo G. H. – Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 134).
Não nos surpreenda, pois, ao ler as palavras acima, a advertência feita pela autora na  página de rosto de A paixão segundo G. H. “A POSSÍVEIS LEITORES. Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro não tira nada de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G.H. foi dando pouco a pouco uma alegria difícil; mas chama-se alegria” Lispector, Clarice. A paixão segundo G. H. – Rio de Janeiro: Rocco, 2009).
Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, e faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos. Numa entrevista concedida à TV Cultura em 1977, ano de sua morte, afirmou Clarice: “Bem, agora eu morri… Mas vamos ver se eu renasço de novo… Por enquanto eu estou morta… Estou falando do meu túmulo…” (Entrevista à TV Cultura, 1º fev. 1977. Citado em:  Gotlib, Nádia Battella. Clarice Fotobiografia. – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008, p. 443).
Três anos antes, porém, ela já havia renascido, depois de ter passado pela grande Iniciação que uma vida dedicada à busca da expressão do real pela palavra lhe proporcionara. Corolário dessa experiência foi o que escreveu em Água viva, livro que é pura epifania, da primeira à última palavra: “Nasci há alguns instantes e estou ofuscada” (Água viva. Em: Lispector, Clarice. Clarice na cabeceira: romances / Clarice Lispector; organização, introdução e apresentações: José Castello. – Rio de Janeiro: Rocco, 2011, p. 191).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Troféu Personalidade Classe A será entregue dia 18 de dezembro. Colégio Luciano Feijão é destaque.


O radialista Edival Vasconcelos Filho realizará no próximo dia 18 de dezembro, a 18ª edição do Troféu Personalidade Classe A, que repete o sucesso de anos anteriores ao prestar justa homenagem a pessoas e instituições que contribuem ano a ano para o desenvolvimento de Sobral.

Neste ano, a lista de homenageados é puxada pela tabeliã Maria do Carvalho de Arruda Coelho, o casal Judete e Antônio Félix Ibiapina, o radialista esportivo Danilo Neves, o advogado Gilberto Feijão, o funcionário público federal Luis de Sousa e Silva (Correios), a secretária de Cultura e Turismo, Eliane Alves Leite, o vereador Francisco Linhares Ponte (Chico Jóia), o advogado Igor Ponte, superintendente estadual do Detran, o engenheiro Neudete Vasconcelos (Coelce), a fonoaudióloga Patricia Bezerra Tavares, o contador José Nilson Farias Sousa, além do Colégio Luciano Feijão e da Delrio Refrigerantes.  

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Exposição na Casa do Capitão-Mor apresenta história de Sobral


Está aberta à visitação na Casa do Capitão-Mor a Exposição “Memórias da Casa, Memórias da Rua”, que apresenta painéis com depoimentos de antigos moradores e frequentadores da Casa e de antigos moradores do entorno da Praça da Sé. A mostra também reúne fotografias e outros registros relacionados às transformações que passou o local ao longo do tempo, retratando aspectos da história de Sobral.

A exposição ficará aberta até julho de 2015 e faz parte das ações da Casa do Capitão-Mor no campo da Museologia Social e Educação Patrimonial, como forma de promover as expressões da história e da cultura local.

A exposição conta com recursos do Prêmio Pontos de Memória do Ministério da Cultura e Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). As visitas são gratuitas e podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. As visitas de grupos devem ser agendadas na Casa do Capitão-Mor. Maiores Informações:(88) 3611-1236

Fonte: Sobral em Revista

Mudanças indispensáveis no Brasil e no mundo, POR PAULO YOKOTA

Apesar das grandes dificuldades que possam ser enfrentadas, muitos países, governos e empresas necessitam adaptar-se de forma pragmática às significativas mudanças que estão ocorrendo no atual mundo globalizado. Alguns exemplos importantes estão ocorrendo no Japão como ilustram os anúncios dos expressivos jornais daquele país, o Asahi Shimbun e o Yomiuri Shimbun, que possuem tiragens invejáveis que superam diariamente as cifras de muitos milhões de exemplares.
Eles admitem agora que usaram inadequadamente por muitos anos expressões enganosas como “mulheres de conforto” para as “escravas sexuais”, principalmente coreanas e chinesas que foram utilizadas de forma abusiva pelos soldados japoneses antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Esses países vizinhos vinham insistindo na revisão da versão deste sensível assunto, que dificultava a melhoria dos relacionamentos no Extremo Oriente entre os três importantes países, a China, o Japão e a Coreia do Sul. Parece que isso começa a ocorrer.
É preciso admitir que estes e outros acontecimentos desagradáveis ocorreram antes e durante esses conflitos armados, inclusive o dramático massacre de Nanking, onde o número de mortos ainda é alvo de grandes divergências entre japoneses e chineses. A guerra já terminou há cerca de 70 anos e as atitudes formais e oficiais dos japoneses não ajudavam na admissão dos seus erros. Apesar do intenso intercâmbio econômico e comercial entre os três países, sempre persistiam desconfortos que, espera-se, irão melhorar no futuro mesmo com a resistência de pequenos grupos radicais.
A exagerada formalidade dos japoneses também dificulta mudanças nas posições de algumas empresas japonesas de porte. Uma grande automobilística japonesa enfrentou problemas com seus produtos que provocaram acidentes, pois, quando eles eram freados, ocorriam acelerações. A empresa adotou por muito tempo a posição de afirmar que tais fenômenos não ocorriam, apesar das evidências em contrário. Depois de muito tempo, aceitaram um acordo judicial admitindo essas dificuldades e suas correções, afetando a sua imagem que era do mais alto nível.
Algo semelhante vem ocorrendo agora como os “air bags” produzidos por uma empresa de componentes utilizados em muitos veículos de origem japonesa. Ainda não se conseguiu um processo de “recall” generalizado para a rápida troca dos mesmos, o que é urgente mesmo não se sabendo quantos veículos são afetados.
Com o significativo avanço das empresas farmacêuticas japonesas nos mercados internacionais, inclusive com a agressiva aquisição de empresas de outros países tradicionais nesses produtos, um antigo medicamento passou a ser considerado inconveniente diante de potenciais efeitos secundários não alertados. Os acordos judiciais em andamento envolvem bilhões de dólares, mesmo que outros interesses também existam nestas ações.
Na Europa, ainda que muitos veículos de comunicação social de importância mundial explicitem suas convicções ideológicas, observa-se a persistência de posições em muitos dos seus artigos, dignas das épocas da guerra fria, quando o mundo já mudou muito. Mesmo que não se concorde com muitas orientações adotadas no Ocidente e no Oriente, que se baseiam nas suas histórias e culturas, parece difícil que as posições de algumas preferências possam ser consideradas de qualidade superior à dos outros.
No atual mundo globalizado, parece que há uma conveniência de convívio diplomático até com aqueles com os quais não concordamos. O Brasil vem adotando uma posição pragmática, procurando negociar com todos os países, ainda que existam diferenças substanciais em algumas posições adotadas por alguns deles.
Não admitir que o mundo continua mudando, havendo fatos que alteram muitas das condições importantes, como a sensível alteração do custo da energia atual, onde o petróleo continua ocupando posição de destaque, parece da maior inconveniência. Em parte, isso decorre das novas técnicas de fraqueamento do xisto que também tem suas inconveniências, alem de apresentar sensíveis diferenças regionais nas suas reservas. As contaminações que provocam, notadamente, nas águas subterrâneas são inegáveis, mas a ganância a tudo atropela.
As políticas monetárias chamadas de “quantitative easing”, que começaram a ser aplicadas nos Estados Unidos, provocando medidas semelhantes no Japão e na Europa, alteram as condições cambiais de forma sensível no mundo. Ainda que beneficiando a recuperação de algumas economias, acabam provocando problemas em outras emergentes ou de níveis econômicos mais modestos. A tal ponto que as mudanças de política econômica se tornam inevitáveis, gerando uma situação dinâmica que estão denominando como novo normal.
Criticar os governos, como o brasileiro, que adotam mudanças nas suas políticas econômicas num quadro mundial de grandes alterações, no período pós-eleitoral, acaba soando como algo pouco razoável. A arte política exige grande flexibilidade para mudanças, que apresentam também seus riscos, não se podendo assegurar que agrade a todos, nem a maioria.

John Lennon manda lembranças, por GENETTON NETO

John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison desembarcam no aeroporto John F. Kennedy Airport, em Nova York, EUA, onde são recebidos por multidão de fãs em fevereiro de 1964
Bato o olho no alto da página do jornal para checar a data e se estou no planeta Terra: oito de dezembro!

A data – por um desses mecanismos pessoais e intransferíveis – deflagra uma torrente de lembranças sobre um daqueles acontecimentos que "marcam uma geração": a morte de John Lennon, que foi assassinado a tiros por um fã enlouquecido, num oito de dezembro, no saguão de entrada de um edifício chamado Dakota, em Nova York.
Quem um dia foi devoto dos Beatles deve se lembrar exatamente onde estava quando recebeu a notícia de morte de Lennon. Não sou exceção. Por coincidência, 14 anos depois, em 1994, um grande nome da MPB morreria num oito de dezembro, também em Nova York: o maestro Tom Jobim.
(Não faz tempo, um manifestante, fatigado de um mundo sem utopias, pichou num muro: "Chega de realizações! Queremos promessas!". Bingo. O meu demônio-da-guarda me sopra no ouvido, neste oito de dezembro: "Chega de notícias! Queremos lembranças!". Faço, então, uma pequena expedição pelo Boulevard da Memória).
O locutor-que-vos-fala estudava cinema e, nas "horas vagas", fazia bicos como motorista de uma família rica e camareiro de um hotel no Quartier Latin, em Paris, naquele dezembro de 1980 (um dia, quem sabe, se me sobrarem tempo e neurônios, rabiscarei as Memórias Secretas de um Camareiro Acidental...).
Dias antes, por uma grande coincidência, eu comentara com um amigo – Fernando Correia, à época estudante de economia – o plano de fazer, em Nova York, o que fizera em Paris: desembarcar "na aventura", pela simples curiosidade de ver o que se escondia além da linha do horizonte da Cidade do Recife. "Quem sabe, vou tentar entrevistar aquele alcoólatra decadente", disse, na brincadeira, numa referência injusta a Lennon.

Porteiro da noite num hotel nos arredores de Paris, este amigo ouviu no rádio, na madrugada francesa, a notícia que começava a correr mundo: John Lennon tinha sido assassinado naquela noite de inverno. 
De volta à "pensão" na qual morava um punhado de brasileiros, depois de cumprir o plantão noturno, ele deixou, de manhã de bem cedo, embaixo da porta do meu quarto, um bilhete: "Bicho, mataram John Lennon!". Pensei que era brincadeira. Ao sair para a escola, em Nanterre, deixei embaixo da porta do quarto do vizinho outro aviso, em retribuição: "Bicho, mataram Fidel Castro!".

As notícias, "naquele tempo", corriam velozes, mas não na velocidade da luz, como acontece hoje. Não existia internet! As edições da manhã dos jornais franceses não publicaram nada sobre a morte de Lennon, por conta do fuso horário. Quando a bomba explodiu na Europa, os jornais já estavam na rua. 
"Por desencargo", dei uma olhada nas primeiras páginas estendidas numa banca perto do metrô Place D´Italie. Nada. Perguntei a colegas que frequentavam um seminário sobre documentários, na Universidade de Nanterre: "Vocês ouviram falar alguma coisa sobre John Lennon?". Incrivelmente, nada.

O choque veio no caminho de volta para a casa. A manchete do vespertino France Soir berrava, num título que, para mim, foi inesquecível, pelo impacto: "John Lennon assassinado por um admirador decepcionado. Era o mais talentoso dos Beatles". Guardei o jornal comigo pelas décadas seguintes.
Não é exagero dizer que um geração inteira se sentiu de alguma maneira órfã naquele oito de dezembro. Perto do Natal, Joan Baez foi fazer um concerto ao ar livre, diante da Catedral de Notre Dame. Não disse nada sobre a tragédia, mas, ao final do show, cantou “Let it Be”, acompanhada apenas do violão. A multidão fez coro. A cena foi bonita.
(Fui ao show por complacência dos meus "patrões" – a família rica para quem eu "trabalhava" como motorista. O que não faz "um rapaz latino-americano /sem dinheiro no banco / sem parentes importantes", em busca de uns trocados para ir tocando a vida? O casal ia a uma ceia antecipada de Natal, na casa de uma filha. Perguntou se eu poderia fazer uma jornada extra naquela noite, já que eles queriam levar o neto de carro para o jantar em família. Era algo que só acontecia uma vez por ano. Douglas era um menino especial, incapaz de se mover sem ajuda. Aprendi com ele lições inesperadas sobre a convivência com gente especial. Promessa dois: um dia, quem sabe, se me sobrarem tempo e neurônios, rabiscarei as Memórias de um Motorista Acidental... Eu disse a meus "patrões" que sim, claro, não poderia deixar de levar Douglas e os avós para a ceia de Natal, mas gostaria de ver Joan Baez cantando na frente da Notre Dame. E eles: "Você nos deixa, vai ver e volta para nos levar de volta para casa, no fim da noite". E assim foi feito. Duvido que o casal, simpático e bem situado, imaginasse quem era a cantora de protesto Joan Baez.)
O filme "Let it Be" voltou a cartaz, num cinema perto do metrô Odeon. Fui ver. Fazia frio. A plateia era de beatlemaníacos repentinamente jogados na "orfandade".
Paulo Francis escreveria na “Folha de São Paulo”: "A morte de Lennon é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos em que uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais. Lennon baniu Reagan, Brejnev, Israel, Síria e Jordânia do centro das notícias. Talvez porque a maioria das pessoas reconhecesse nele um ser humano, enquanto esses outros problemas não podem ser tocados pelo cidadão comum, que, se interessado neles, é submetido à dieta de “press releases” dos poderosos. Com Lennon, se foi não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidades que se tornaram aparentemente impossíveis em nosso tempo".
Francis acertou na mosca: além de tudo, ali, se perdia para sempre uma espécie de inocência e de ingenuidade que, embalada por belíssimas canções, parecia protegida e inalcançável pelos horrores do mundo.
A revista “Newsweek” publicaria um lead brilhante (aos não iniciados em jornalismo: lead é o início de uma reportagem – aquelas frases em que o autor tenta fisgar logo o leitor. O lead da “Newsweek” reproduzia o momento em que a figura nefasta de Mark David Chapman, o assassino, abordou Lennon, na calçada do Edifício Dakota: "Era apenas uma voz, saída de dentro de uma noite americana: "Mister Lennon?".
Faço um pequeno tour pelo Youtube. Lá, vejo Joan Baez cantando "Let it Be", uma das melhores canções da dupla imbatível, Lennon & McCartney.

Quando o casal Rosenberg, acusado de espionagem pró-União Soviética, foi executado nos Estados Unidos, Jean Paul Sartre escreveu: "O casal Rosenberg morreu, a vida continua. Não era o que vocês queriam?".

Hoje, o assassino Mark David Chapman mofa numa prisão – e o oito de dezembro traz de volta lembranças que, aos olhos de beatlemaníacos de todas as gerações, parecerão sempre irreais e absurdas.
É inevitável fazer o cálculo inútil: quantas e quantas belas canções não deixaram de ser escritas depois daquele fim de noite de inverno em Nova Iorque?

Não era o que os beatlemaníacos queriam.
(Aqui, uma das melhores pérolas do Lennon pós-Beatle: "Mother". Em um verso, ele resume tomos e tomos de Sigmund Freud: "Mãe, não vá embora/ Pai, volte para casa")
Não se fez, em música pop, nada que igualasse a beleza de Abbey Road – o auge dos Beatles. Os versos de"Golden Slumbers" soam tristemente irônicos aos ouvidos de beatlemaníacos embalados pelas lembranças "pessoais e intransferíveis" do oito de dezembro de cada um ("Boy / Você vai carregar este peso / Vai carregar este peso/ por um longo tempo).
*Foto: John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison desembarcam no aeroporto John F. Kennedy Airport, em Nova York, EUA, onde são recebidos por multidão de fãs em fevereiro de 1964 (AFP)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

HÁ 1 ANO MORRIA MANDELA

frases mandela

Camilo Santana se reúne com presidentes estaduais dos partidos da base aliada

O governador eleito Camilo Santana iniciou nesta quinta-feira (4/12) uma série de reuniões individuais com os presidentes estaduais dos partidos que compõem a base aliada. O primeiro a ser recebido foi o presidente do PT, De Assis Diniz. Além dele, Camilo participou de encontro com Ronaldo Martins (PRB), Marcelo Silva (PV), Almicir Pinto (PSD) e Tin Gomes (PHS). As reuniões continuarão na tarde de hoje e durante a sexta-feira.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Corrupção: sua natureza e malefícios, POR LEONARDO BOFF

Pelas mídias sociais fui atacado ferozmente por ter apoiado o projeto político do PT e da Presidenta Dilma Rousseff, sempre com o mesmo argumento: por que não reconhece e escreve contra a corrupção? Escrevi várias vezes neste jornal (JBonline). Repasso algumas ideias como resposta.
Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69º lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, considerada com um dado natural. É atacada só posteriormente quando já ocorreu e goza de impunidade.
Só este dado denuncia a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com a corrupção multitudinária e bilionária na Petrobras, envolvendo dirigentes, partidos e grandes empreiteiras. Como compreender este perverso processo criminoso?
Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor) rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer: “Somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio e a corrupção é um deles.
Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu  origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual.
A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. Os que estão no poder tratam a coisa pública como se fosse sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus  interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.
Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos de classe. Piketti tem razão. A democracia pretendendo ser representativa de todos, na verdade, representa os interesses dos grupos dominantes e não os gerais da nação. Esta situação configura uma corrupção já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
Cultural: a cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer:  quanto mais desigual e injusta é uma sociedade, em especial, um Estado, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico Lord Acton (1843-1902): ”o poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava: ”Meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
Por que isso? Hobbes no seu Leviatã (1651) nos acena para uma resposta plausível: “a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com setores do  PT (não com todo o partido) e de seus aliados. Levantaram a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade  a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá possa ainda ser resgatado.
Como combater a corrupção? Pela transparência total, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. E lutar para uma democracia mais participativa que se faz vigilante e que cobra inteireza ética de seus representantes.
* teólogo e escritor

Eunício de olho na presidência do Senado

Eunicio
O senador Eunício de Oliveira (PMDB) puxou o freio em sua intenção de ser ministro. Está à espreita do que pode acontecer ao seu colega, senador Renan Calheiros (PMDB/AL), na Operação Lava-Jato.
O objetivo é tentar ser presidente do Senado em 2015, segundo informa a Coluna Radar, da Veja Online, assinada pelo jornalista Lauro Jardim.
Eunício, inclusive, é aguardado nesta quinta-feira em Fortaleza para compromisso social e algumas reuniões com seu grupo político.
(com Eliomar de Lima)

Cid Gomes diz que recusar ministério seria "arrogância"


Cotado para assumir ministério de Dilma Rousseff (PT) no próximo ano, o governador Cid Gomes (Pros) ainda evita comentar possível indicação sua para o primeiro escalão. “Se eu dissesse que não aceito seria arrogância, e se disser que aceito estaria me oferecendo. Então é melhor nem comentar essas coisas”, disse o governador.

Em entrevista ao O Povo, Cid mantém que, para o próximo ano, seu projeto “pessoal e familiar” é ir morar nos Estados Unidos. Apesar disso, o governador não descarta “colocar o País acima de qualquer interesse pessoal”.

Cid Gomes reforça, no entanto, que possível ida sua a ministério ainda está apenas no campo das especulações. “E eu não posso fazer, até já disse isso publicamente, qualquer comentário sobre especulações”.

O governador cearense tem sido citado como possível indicado para o Ministério da Educação, embora haja especulações também sobre possibilidade de ser contemplado com a pasta das Minas e Energia ou com a Integração Nacional. Essa última administrada atualmente por um aliado do governador cearense: o ministro Francisco Teixeira, que foi presidente da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) no início do governo Cid.

Apesar das especulações, o governador tem repetido que seu plano é morar nos Estados Unidos e trabalhar por algum tempo no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Inclusive, durante a recente licença, Cid anunciou que iria procurar casa nos Estados Unidos. Porém, chegou a ser noticiado que ele estaria buscando onde morar em Brasília.

Sobre recentes críticas de Luizianne Lins (PT) a um possível apoio do PT a Roberto Cláudio, Cid disse que “é cedo demais” para comentar disputa de 2016. “Essa discussão é extemporânea. Ninguém está pensando nisso agora”.

Fonte: O Povo

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O segredo do casamento, por Stephen Kanitz

O segredo do casamento
"O segredo do casamento não é a harmonia
eterna. Os arranca-rabos são inevitáveis. O
segredo, no fundo, é renovar o casamento,
e não procurar um casamento novo"
Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ilustração Ale Setti

Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo, no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter sua irrestrita atenção?
Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo círculo de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro, e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos da união anterior.
Não existe essa tal "estabilidade do casamento", nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive a seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão; por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.

APAE Sobral apresenta "Viagem ao Nordeste Fabuloso" no Theatro São João


A APAE Sobral tem o prazer de convidar a todos para prestigiar o Espetáculo "Viagem ao Nordeste Fabuloso" do projeto Portal das Artes que será apresentado no próximo dia 11 de dezembro, as 19h, no Theatro São João. O evento é em comemoração aos 60 anos de fundação da APAE Brasil e 24 anos da APAE Sobral. A entrada é 1k de alimento não perecível.

Fonte: Sobral em Revista 

PT: muito além do divã, POR MAURÍCIO DIAS

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,felicidade-nao-se-compra-imp-,1600922O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilheste conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,felicidade-nao-se-compra-imp-,16Às vésperas de comemorar a posse de Dilma e iniciar o 13º ano instalado no Palácio do Planalto, o Partido dos Trabalhadores, tomado pelos problemas políticos, caiu numa fossa de aparente fundo existencial. Profissionais especializados foram contratados para descobrir as razões pelas quais parte considerável da população foi tomada por um sentimento de ódio ao partido.
Talvez não seja uma pergunta cuja resposta dependa só de Freud.
Após 35 anos de luta bem-sucedida, naturalmente com erros e acertos, tornou-se o mais importante partido político brasileiro liderado por Lula, também o líder político mais influente do País.
A pesquisa, encomendada à empresa Marissol, será de âmbito nacional. O resultado servirá de base para os debates finais do 5º Congresso Nacional do partido, marcado para junho, em Salvador, na Bahia. O trabalho pretende identificar se o antipetismo está concentrado em São Paulo ou espalhado pelo País.
O resultado da eleição presidencial é uma evidência de que o problema vai muito além de São Paulo: Dilma obteve 54 milhões, 499 mil e 901 votos (51,64%); o tucano Aécio beliscou o calcanhar da petista: 51 milhões, 041 mil e 10 votos.
Há um sentimento nas entranhas do PT de que parte da culpa é de Dilma. Falam de suposta antipatia da presidenta. É preciso ser lembrado que a eleição não era um concurso para eleger a “Miss Simpatia”.
Há outro indicador, mais consistente, apoiado nas pesquisas do Ibope sobre a preferência partidária, feito ao longo dos últimos 20 anos (tabela).
Embora haja um número excessivo de partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, apenas três influem decisivamente no Congresso: PT, PMDB e PSDB.
O mês de março de 1994 é uma data marcante. Pela primeira vez o PT superou o PMDB. O PSDB, com a vitória de FHC, atingiu 5 pontos e, no fim dos oitos anos do tucano no poder, o partido nunca superou a preferência de 10% do eleitorado. É um partido de quadros sem enraizamento na sociedade. Nesse período, PT e PMDB disputavam palmo a palmo a preferência.
O PT é o mais cotado. A vitória de Lula, em 2002, alavanca o partido. Em 2010, chega a ter a preferência de 33% dos eleitores. O PMDB varia em torno de 15 pontos e o PSDB, em 2007, atinge o pico de 9%.
A política sucumbe aos escândalos e os partidos entram em declínio junto aos eleitores. Ninguém escapa. O PT despencou de 25%, em 2013, para 16%, em 2014. O PMDB tem, em toda a sua história, o menor índice de preferência do eleitorado: 2%. O PSDB conseguiu 5%.
Os partidos, medidos pela preferência do eleitor, estão em declínio.