"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

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sábado, 25 de outubro de 2014

AGORA É A VEZ DO ELEITOR...É ELE QUEM DECIDE.

Os candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), durante o debate promovido pela Globo
Os candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), durante o debate promovido pela Globo - Ivan Pacheco/VEJA.com
O O 
O Odebate na televisão entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), promovido na noite desta sexta-feira pela TV Globo, seguiu o roteiro de tensão que marca a reta final da campanha para a Presidência da República neste ano. Frente a frente pela última vez antes das urnas, Aécio e Dilma apostaram nos mesmos trunfos dos embates anteriores: o tucano confrontou a petista sobre a profusão de escândalos no governo e frisou o retorno da inflação; a petista explorou a crise de falta de água em São Paulo e buscou a comparação entre as gestões do PT e do PSDB. Mas foi a corrupção, citada em três dos quatro blocos, o tema que esquentou o debate.
Mais de uma vez, a troca de farpas excedeu os microfones e acabou insuflando os convidados dos dois candidatos, que reagiram com vaias e aplausos na plateia. O formato de arena em dois dos quatro blocos, no qual os candidatos puderam se movimentar livremente pelo palco, expôs o nervosismo de Dilma, que já tinha de driblar a tradicional dificuldade de traquejo – ela chegou a chamar um eleitor de "candidato".


Aécio abriu o debate questionando a petista sobre a reportagem de capa de VEJA desta semana, na qual o doleiro Alberto Youssef, pivô de um megaesquema de lavagem de dinheiro e desvios de recursos da Petrobras para políticos e partidos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que Dilma e o ex-presidente Lula sabiam das falcatruas. O tucano também abordou o terrorismo eleitoral propalado pelo PT nos rincões do país, segundo o qual programas sociais serão encerrados se ela não se reeleger. Sobre corrupção, Dilma atacou a reportagem e repetiu o discurso de que os escândalos só foram descobertos depois que o PT chegou ao poder porque eram engavetados nas gestões tucanas.
O bloco inicial teve ainda embates sobre o investimento de 2 bilhões de reais do governo brasileiro na construção de um porto em Cuba e a volta da inflação. Além do choque de números, Dilma apostou em críticas às administrações tucanas e chamou Aécio de "líder do presidente Fernando Henrique Cardoso". O tucano devolveu: "Eu era líder do PSDB". Fora do microfone, Dilma disse: "Não tem importância". Foi quando Aécio cutucou: "Para quem não conhece o Congresso Nacional...". A claque entrou em ação: gargalhadas, aplausos e vaias.
No segundo bloco, foi na pergunta do terceiro eleitor indeciso sorteado que o clima ferveu. Tema: corrupção. Dilma respondeu dizendo que propõe um pacote de medidas para endurecer a legislação contra quem comete crimes de caixa dois e de colarinho branco. Na réplica, Aécio dirigiu-se à eleitora: "Vou responder olhando nos seus olhos. Tem uma medida que não depende do Congresso Nacional. Vamos tirar o PT do governo". Nova reação da plateia.
O terceiro bloco voltou ao formato de confronto aberto entre os dois. O modelo era outro, mas o tema que causou faíscas foi o mesmo. Aécio questionou Dilma: "Qual a opinião da senhora, da cidadã Dilma sobre o mensalão?". A petista cobrou dele explicações sobre o "mensalão mineiro" e citou denúncias envolvendo administrações tucanas. Rodeou, mas não respondeu. Por sua vez, Dilma tentou alfinetar o tucano com a crise hídrica em São Paulo, afirmando que houve falta de planejamento do governo Geraldo Alckmin (PSDB): "Não planejar no estado mais rico do país é uma vergonha".

Desembargadora Iracema do Vale é aclamada como presidente do TJCE


Francisco Araújo e Silva (corregedor-geral), Maria Iracema do Vale (presidente) e Francisco Mendes (vice-presidente) foram escolhidos como os novos dirigentes
A nova administração do Poder Judiciário para o biênio 2015/2017 foi eleita por aclamação, na tarde de ontem, pelo pleno do Tribunal de Justiça do Ceará. Os escolhidos foram a desembargadora Maria Iracema Martins do Vale, como presidente, Francisco de Assis Filgueira Mendes, para o cargo de vice-presidente, e Francisco Lincoln Araújo e Silva, para corregedor-geral.

Os desembargadores eleitos tomarão posse dos cargos a partir de janeiro de 2015, permanecendo por dois anos nas posições para as quais foram escolhidos. Atualmente, o TJCE possui 43 desembargadores, sendo que 41 participaram da aclamação. As duas ausências decorreram de férias e licença de saúde.

A atual gestão, formada pelos desembargadores Luiz Gerardo de Pontes Brígido (presidente), Francisco Lincoln Araújo e Silva (vice-presidente) e Francisco Sales Neto (corregedor-geral), está à frente do Tribunal desde janeiro de 2013.

Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Campanhas reconhecem que PT reverteu expectativa negativa sobre inflação, POR GERSON CAMAROTTI

Existe pelo menos um consenso nas campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves sobre os novos números do Datafolha (*), divulgados nesta quarta-feira (22). Há o reconhecimento nos quartéis generais do PT e do PSDB de que a propaganda petista teve mais sucesso em conduzir o tema da economia na televisão ao destacar as vitrines do governo federal, mostrando otimismo em relação ao futuro do país.
No PT, a percepção de que a economia estava sangrando a candidatura de Dilma já havia sido detectada desde o primeiro turno. Por isso, nos últimos meses foram feitas vacinas na TV para tentar reverter a expectativa negativa da população em torno da condução da economia, principalmente, com relação à inflação.
De acordo com o Datafolha, 31% dos entrevistados acham que a inflação vai aumentar. Em abril, esse índice era de 64%.
A inflação era considerada a principal fragilidade nesta campanha da candidata do PT à reeleição. Por este motivo, a pesquisa Datafolha foi comemorada entre coordenadores da campanha petista, ao apontar a reversão dessa percepção nos rumos da economia.
Ao mesmo tempo, tucanos reconhecem erros na estratégia adotada no segundo turno. Ao mesmo tempo em que Dilma usa o horário eleitoral para ressaltar ações do governo, ela fez uma agenda paralela de ataques e de desconstrução da imagem de Aécio.
Nas palavras de um tucano ao Blog, a campanha do PSDB ficou esperando para reagir aos ataques do PT, quando deveria ter tomado a iniciativa de explicar mais a questão da pressão inflacionária como também de desferir críticas ao governo petista.
Na largada do segundo turno, a campanha de Aécio quis se restringir à agenda positiva de apoios recebidos de Marina Silva e da família de Eduardo Campos, deixando a agenda negativa da campanha, como denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, exclusivamente com o noticiário da imprensa.
"O PSDB tem que aprender a não ficar apenas esperando a pauta do PT e os ataques. Foi assim com [José] Serra e foi assim com [Geraldo] Alckmin. Temos que pautar a campanha em todos os momentos", disse ao Blog um dos integrantes da coordenação de campanha tucana.

O POVO/DATAFOLHA: CAMILO ASSUME A DIANTEIRA

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Pela primeira vez desde o início do primeiro turno, Camilo Santana (PT) aparece na liderança isolada das intenções de voto para governador do Ceará. Conforme a penúltima rodada de pesquisa O POVO/Datafolha antes do segundo turno, o candidato apoiado pelo governador Cid Gomes (Pros) sairia vitorioso se a eleição fosse hoje.
Em intenções de votos válidos, Camilo abriu 14 pontos percentuais de vantagem sobre Eunício Oliveira (PMDB). Desde a pesquisa da semana anterior, o petista subiu quatro pontos percentuais e foi de 53% para 57%. O candidato de oposição caiu de 47% para 43%.
A pesquisa em votos válidos exclui eleitores que disseram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, além dos indecisos. Essa é a forma oficial como será divulgado o resultado da eleição.
Nas intenções de votos totais, Camilo subiu os mesmos quatro pontos percentuais. Foi de 45% para 49%. Eunício oscilou negativamente de 40% para 38%. O índice de eleitores que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos oscilou de 6% para 5%. O percentual de indecisos oscilou em uma semana de 9% para 8%.
Camilo ficou atrás nas pesquisas durante praticamente todo o primeiro turno, alcançou o empate técnico a poucos dias da votação do último dia 5 e, surpreendentemente, terminou como mais votado quando a apuração foi concluída. Na primeira pesquisa do segundo turno, havia empate técnico.
Número na urna
O percentual de eleitores que acertou o número que deve ser digitado na urna eletrônica subiu de 82% para 88%. O índice de acerto é de 90% entre os eleitores de Camilo e de 88% entre os que votam em Eunício. Quatro dias antes da votação, todavia, há 8% de eleitores que ainda não sabem o número que devem digitar na urna eletrônica, 1% que pretendem anular o voto, mas não sabem como, enquanto 3% disseram o número errado do candidato em que pretendem votar.
Dos que declaram intenção de voto em Camilo, 7% não sabem o número do candidato e 3% mencionaram incorretamente. Entre os que dizem votar em Eunício, 9% desconhecem o número e 3% citaram de forma errada.
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha realizou 1.240 entrevistas, todas feitas ontem, em 49 municípios cearenses. A pesquisa foi contratada pelo O POVO, em parceria com Folha de S.Paulo. O número de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é CE-00034/2014 e BR-01162/2014.
Fonte: O Povo/CE

Governo Dilma 'segura' divulgação de dados negativos para não prejudicar campanha

Com disputa acirrada, brasileiros chegarão às urnas sem saber resultado da arrecadação e desempenho de alunos em português e matemática

Dilma: números comprometedores, só depois de domingo
Dilma: números comprometedores, só depois de domingo (Gabriel Garcia Soares/Estadão Conteúdo)
O governo federal adia a divulgação de indicadores sobre economia e educação pelo temor de que números negativos possam prejudicar a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). Em meio à acirrada disputa presidencial, os brasileiros chegarão às urnas no próximo domingo, portanto, sem conhecer o resultado da arrecadação de impostos e contribuições federais em setembro e da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Reportagem do jornal Folha de S. Paulo relata nesta quinta-feira que o desempenho dos alunos da educação básica em provas de português e matemática também será um mistério até 26 de outubro.
Na semana passada, uma decisão inédita tomada pela direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de proibir a publicação de estudos realizados pelos pesquisadores envolvendo dados públicos divulgados entre julho e o fim das eleições presidenciais, deu origem a mais uma crise interna. O diretor de estudos e políticas sociais do Ipea, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da definição da cúpula do Instituto e pediu sua exoneração. Não se trata do primeiro estudo preso nas gavetas do Ipea. O site de VEJA revelou, em setembro, que o Instituto havia engavetado outro levantamento, desta vez, feito com base nos dados das declarações de Imposto de Renda de brasileiros, e que mostrava que a concentração de renda havia aumentado no Brasil entre 2006 e 2012. A tese, curiosamente, contraria o discurso recorrente dos governos petistas. 
Depois de atrasar a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)relativos a 2013 no primeiro turno, o governo federal acabou por liberar o resultado do indicador – que mede a qualidade do ensino nos ciclos fundamental (1º a 9º ano) e médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil – sem detalhar o resultado dos alunos em cada âmbito, relata a Folha. Logo, não é possível saber qual o desempenho dos estudantes em português e matemática.
Os dados conhecidos revelam que há estagnação nas duas etapas. Nos anos finais do fundamental e no médio, todos os indicadores gerais ficaram abaixo das metas previstas: isso inclui as médias nacional e das redes públicas (estaduais e municipais) e privadas. A exceção foi registrada nos anos iniciais do ensino fundamental, em que a única constatação negativa ficou na rede privada, que não atingiu a meta estabelecida.
fonte: O Globo

Consolidar a revolução democrática votando Dilma, POR LEONARDO BOFF

presente campanha presidencial em segundo turno coloca em jogo algo fundamental na história brasileira: a nossa primeira revolução popular, democrática e pacífica conquistada no voto, com a chegada de Lula à Presidência. Não ocorreu apenas a alternância do poder mas uma alternância de classe social. Um representante dos “lascados” e sempre colocados à  margem chegou ao mais alto cargo da nação como fruto do PT, de aliados e de grande articulação de movimentos sociais e sindicais e continuado por Dilma Rousseff.
Como afirmava o notável historiador José Honório Rodrigues em seu Conciliação e Reforma noBrasil (1965):”os interesses do povo foram descuidados pela liderança; daí as lutas, as rebeldias, a história cruenta, o compromisso e a conciliação; revolução no sentido de transformação da estrutura econômica, do regime de terras, da mudança de relações sociais, nunca tivemos; o grande sucesso da história do Brasil é o seu povo e a grande decepção é a sua liderança”. Continua José Honório: ”as vitórias do povo são objetivas e incontestáveis;...o Brasil deve ao povo a unidade política, a integração territorial, a mestiçagem, a tolerância racial, a homogeneidade religiosa, a integração psico-social, a sensibilidade nacional muito viva que exige um abrasileiramento das próprias contribuições estrangeiras” (p.121-122).
Com Lula e Dilma se inaugurou esta revolução que é ainda inacabada  mas que deve ser consolidada e aprofundada. Oxalá nessa eleição ela não seja malbaratada pela vitória de quem representa a velha política oligárquica mais interessada no crescimento econômico, no mercado e articulada com a macroeconomia globalizada do que no destino daqueles milhões que foram tirados da pobreza  pelas políticas republicanas e foram feitos sujeitos sociais participativos na sociedade.
Daí ser importante que Dilma vença para garantir, consolidar e enriquecer com um novo ciclo de transformações essa revolução inaugural.
Nos primórdios da colonização o cronista oficial  Pero Vaz de Caminha escreveu que aqui “em se plantando tudo dá”. Os cinco séculos de história ainda à luz do paradigma europeu mostraram o acerto de tal afirmação. Aqui tudo pode dar e deu para ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro. Por que não irá dar certo um projeto-Brasil novo, democrático, social, popular, ecológico, ecumênico  e espiritual?
O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e conseguir tudo “na luta”, quer dizer, com dificuldade e muito trabalho. Por que não irá “enfrentar” também esse grande e derradeiro desafio colocado em seu caminho? Como não conquistá-lo “na garra”, com a consciência solidária, com a organização, com a vontade de empoderar-se para garantir o poder de estado, já por 12 anos, a fim de dar-lhe o verdadeiro sentido de fazer as mudanças necessárias, primeiramente para os mais esquecidos e a partir deles, a todos, conferindo-lhes sustentabilidade e garantindo-lhes um futuro bom para o país.
Esse caminho já foi traçado, embora falte muito ainda para ser completado. Por duas vezes  o novo chegou lá, no poder central. Escasseiam cada vez mais os instrumentos com os quais as elites dominantes querem retornar ao  poder com aquele projeto neoliberal que quebrou os países centrais e que lançou cem milhões no desemprego na Europa e nos USA.
Sentimo-nos representados nos versos do cantador: “Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra/ a marca de sangue de seus mortos/ e a certeza de luta de seus vivos”(A saga da Amazônia de Vital Faria). Essa luta, esperamos, será vitoriosa. O país florescerá no fulgor de seu povo multicolorido como nossas  paisagens que enchem nossos olhos de encantamento. Valem as palavras de líderes sindicais nos dias sombrios do submetimento:
“Podem cortar uma, duas e todas as flores. Mas não poderão impedir a chegada da primavera”.
A primavera já vai avançada. Junto com o sol primaveril queremos celebrar a vitória da maioria do povo, reelegendo  Dilma Rousseff.
Se não puder ocorrer agora, fica o desafio para o futuro. O que deve ser, tem força e  chegará o dia, bendito dia, em que  irá triunfar.
* teólogo e escritor

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ANÁLISE DAS PESQUISAS ELEITORAIS, POR CÉSAR MAIA

O QUE OCORRERÁ COM ABSTENÇÃO, BRANCOS E NULOS NO DIA 26/10/2014? COMO INFLUENCIAM O RESULTADO?
            
1. As pesquisas são feitas em base às informações do TSE, que incluem gênero, idade e local de votação. Os demais recortes são feitos em base censitária pelos Institutos de Pesquisa.  Dessa forma, a base das pesquisas é o total do eleitorado, incluindo, portanto, o que na urna se saberá em relação a brancos, nulos e abstenção.
            
2. Quando as tendências do eleitorado são estáveis, a abstenção não altera os resultados das pesquisas de opinião. Mas quando a intenção de voto dos eleitores é volátil, a abstenção pode mudar tudo. E se a volatilidade é grande, até mesmo os brancos e nulos podem mudar no dia da eleição. Mudar em dois sentidos: decidir votar, ou os que decidiam votar, nas pesquisas, na hora do voto, anular ou votar em branco. Segundo o Datafolha, 15% dos eleitores decidiram em que presidente votar, no primeiro turno-2014, na véspera e no dia da eleição. Esse número tende a ser menor agora com apenas 2 candidatos. Mas quão menor?
            
3. Vamos aos números. As pesquisas de intenção de voto no segundo turno vêm dando uns 10% de brancos e nulos, mais de três vezes a diferença entre Dilma e Aécio. E fazem abstração –como é natural- da abstenção, mesmo sabendo que estará próxima a 20%, supondo, como tradicionalmente ocorre, que não influenciam o resultado da eleição. Será?
            
4. O que ocorreu nas últimas 3 eleições?  Em 2006, no primeiro turno os votos brancos/nulos foram 8,4% e a abstenção 16,75%. No segundo turno, os brancos e nulos caíram para 6% mas a abstenção cresceu para 19%. Em 2010, no primeiro turno, os brancos/nulos foram 6,7% e a abstenção 18,1%. No segundo turno, os brancos/nulos cresceram para 8,6% e a abstenção subiu para 21,50. Em 2014, no primeiro turno, os brancos/nulos atingiram 9,6% e a abstenção 19,4%.
            
5. Com uma campanha em 2014 -no segundo turno- muito mais disputada e polemizada, é provável que a abstenção seja próxima de 2010, quando a eleição ainda não estava completamente definida uns 10 dias antes da eleição. Ou seja, 21,50%. Mas a tendência dos votos brancos/nulos não se pode prever em função das agressões recíprocas.  Suponhamos que os 9,6% do primeiro turno se repitam. 
            
6. Fazendo os ajustes, 25% dos eleitores não influenciarão os votos válidos. Supondo que metade da abstenção é compulsória (doentes, muito idosos, estão ou moram fora de seu registro eleitoral, presos...), esses 25% baixam para uns 18%. Supondo que os brancos/nulos sejam os mesmos eleitores das pesquisas de intenções de voto, aqueles 18% baixam para 9%.
            
7. Usando como referência uma série de eleições, os números de um ou outro candidato só podem sinalizar favoritismo e vitória se as pesquisas finais indicarem uma vantagem de 5 pontos sobre os votos totais. Nas pesquisas já publicadas do Datafolha e Ibope, esta vantagem ainda está em torno da metade desses 5%.
            
8. Ficando nessa metade, só a urna nos dirá quem venceu. 

Datafolha: Dilma tem 52%, e Aécio, 48% dos votos válidos

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (22) aponta os seguintes percentuais de votos válidos no segundo turno da corrida para a Presidência da República:
- Dilma Rousseff (PT): 52%
- Aécio Neves (PSDB): 48%
Para calcular esses votos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição.
A pesquisa foi encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo”.
De acordo com o Datafolha, na reta final da eleição, os candidatos continuam empatados, no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 20, o resultado foi o mesmo: Dilma tinha 52%, e Aécio, 48% dos votos válidos.
Votos totais
Se forem incluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, os votos totais da pesquisa estimulada são:
- Dilma Rousseff (PT): 47%
- Aécio Neves (PSDB): 43%
- Em branco/nulo/nenhum: 6%
- Não sabe: 4%
Segundo o Datafolha, 82% dos eleitores de Dilma acham que a presidente será reeleita. Entre os eleitores de Aécio, 78% acham que o tucano será o vencedor neste segundo turno.
O Datafolha ouviu 4.355 eleitores no dia 21 de outubro em 256 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01160/2014.
(Agência de Notícias)

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL (?) NADA MUDOU, por REINALDO AZEVEDO

O Datafolha voltou a fazer uma pesquisa eleitoral nesta terça-feira. Tudo segue como na segunda: segundo o instituto, a petista Dilma Rousseff mantém 52% dos votos válidos, e o tucano Aécio Neves, 48%. Nos votos totais, ele aparece com o mesmo número do dia anterior: 43%, e ela teria oscilado um para cima: 47%. É rigorosamente igual a nada. A margem de erro, segundo o Datafolha, e de dois pontos para mais ou para menos, Foram ouvidas 4.355 pessoas em 256 municípios.
A pesquisa traz alguns dados curiosos. Segundo se apurou, 71% dos entrevistados rejeitam a agressividade na campanha, e 27% consideram que ela faz parte do jogo. Disseram não saber 2%. Contra todas as evidências — e, certamente, os números —, 36% dizem que o mais agressivo é o tucano; 24%, que é a petista. Ora, basta ver o horário eleitoral e a quantidade de ataques desferidos pela propaganda do PT para constatar que essa percepção está obviamente errada.
O curioso é que, segundo se sabe, o PT promete continuar a desferir porradas a três por quatro e atribui a esse comportamento virulento o fato de Dilma ter passado numericamente à frente de Aécio — embora os dois, reitere-se, entejam empatados. A campanha tucana, é visível, resolveu investir mais nas propostas. Se os números do Datafolha fazem sentido, as peças publicitárias de Dilma têm de ser mais rejeitadas do que as de Aécio. Nunca nos esqueçamos de que foi o petismo que introduziu no debate o viés do ataque pessoal. Contra Dilma, até agora, Aécio nada lançou, a não ser a informação de que seu irmão era funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte quando o prefeito era o petista Fernando Pimentel. E, ainda assim, respondia com a mesma moeda a um ataque feito a um familiar seu.
Essa conversa cria um ruído danado, não é? Afinal, entra na cota da agressividade demonstrar, por exemplo, que a Petrobras foi tomada por uma quadrilha de assaltantes e que, durante os governos petistas, a empresa serviu a interesses partidários? Entra na cota da agressividade evidenciar os desastres da dupla Dilma-Mantega na economia?
Ah, sim: a pesquisa Datafolha informa também que os brasileiros estão mais otimistas com a economia. Em menos de um mês, cresceram de 12% para 21% os que dizem que a inflação vai cair, e diminuíram de 50% para 31% os que afirmam que ela vai crescer. Nota: no período, ela aumentou. Subiram de 32% para 44% os que acham que a situação econômica vai melhorar, e foram de 25% para 15% os que avaliam que vai piorar. No período, todos os indicadores econômicos pioraram. Por que é assim? Por que o Datafolha colheu esses números? Sei lá. Perguntem aos brasileiros que responderam a pesquisa.
Por Reinaldo Azevedo

Na reta final, Dilma muda tom e intensifica comparação de projetos, POR GERSON CAMAROTTI


Para a reta final da campanha, o PT decidiu fazer uma mudança no tom na propaganda de televisão e nos discursos da candidata à reeleição, Dilma Rousseff.  Internamente, venceu o grupo que defendia uma ênfase no debate sobre programas e projetos.

Segundo um dos integrantes da coordenação de Dilma, em vez de acentuar a estratégia de desconstrução da imagem de Aécio Neves (tese que perdeu força nos últimos dias), a ordem no PT será de enfatizar nestes últimos dias a comparação com os governos tucanos.

Avaliação na campanha é que, até o momento, Dilma conseguiu pautar os temas desse segundo turno, mesmo com notícias negativas, como o depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o apoio de Marina Silva ao candidato tucano.

Outra avaliação é que, agora, depois de tanta artilharia, é preciso fazer uma pauta positiva, que consiga trazer esperança ao eleitor.



Margem de erro, POR MERVAL PEREIRA

Coluna publicada ontem, ainda sem o resultado do Datafolha anunciando hoje na Folha de São Paulo 

Tudo indica que a margem de erro das pesquisas eleitorais vai perseguir os cidadãos até o dia da eleição, domingo que vem. Nada está definido, a tendência de alta da presidente Dilma ainda tem que ser confirmada por novas pesquisas que serão feitas diariamente até sábado, o último dia possível de publicá-las, (hoje aliás deve estar saindo uma nova do Datafolha), e os candidatos estão lutando por territórios, especialmente dois: Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A região Sudeste, a de maior eleitorado, composta ainda de São Paulo e Espírito Santo, é onde Dilma cresce, mesmo que Aécio continue na frente. Mas os cinco pontos que a candidata do PT cresceu foram suficientes para fazê-la ultrapassar seu concorrente no cômputo geral, na explicação do diretor-geral do Datafolha Mauro Paulino.
O candidato do PSDB Aécio Neves já superou Dilma em Minas, mas não conseguiu ainda abrir uma frente suficientemente ampla para compensar perdas em outros locais. A previsão é que tire cerca de 1,8 milhão de votos de dianteira, muito menos do que os 3 a 4 milhões previstos inicialmente.
No Rio de Janeiro, Aécio andou empatado tecnicamente com a presidente Dilma, mas agora já foi superado por boa margem (48 a 37). Aqui no Rio, vigora uma situação exemplar de como a base aliada do governo é tão ampla e heterogênea: ela apóia os dois candidatos que se digladiam pelo governo do Estado, um atacando o outro impiedosamente. E os outros dois candidatos derrotados também a apóiam.
São máquinas poderosas que estão trabalhando a favor da reeleição, e a dissidência do PMDB – o Aezão, mistura de Aécio com Pezão – não parece ser forte o suficiente para manter uma votação capaz de competir com a da presidente, embora desta vez a diferença a favor de Dilma seja bem menor do que da vez anterior, em que ela abriu mais de 1,5 milhão de votos de frente no Estado.
Além do mais, há uma máquina oficial em favor de Pezão, que trabalha também a favor de Dilma, a quem o governador que tenta a reeleição se refere sempre como “presidenta”, o que demonstra uma proximidade que se choca com o movimento dissidente que ele também alimenta. Coisas do modelo de coalizão presidencial mais apropriadamente chamado de “modelo de cooptação”.
Vamos ver essa disputa voto a voto provavelmente até o final desta semana, com Aécio Neves tentando ampliar sua votação em Minas Gerais, o que seria mais natural se não tivesse cometido um dos poucos erros de sua campanha ao abandonar seu Estado no primeiro turno, como se os votos a seu favor caíssem por gravidade no seu colo.
Quando se deu conta do prejuízo, Aécio dedicou-se a Minas como deveria ter feito desde o início e conseguiu reverter a situação no segundo turno, depois de o PSDB ter perdido a eleição para o governo do Estado.
Outra preocupação, esta nova, é não perder votos em São Paulo, onde a situação de crise do abastecimento de água pode estar afetando a imagem dos tucanos, a grande máquina eleitoral do PSDB que reelegeu Geraldo Alckmin no primeiro turno e deu a Aécio uma votação de cerca de 45% dos votos.
Neste segundo turno o candidato do PSDB à presidência já estava chegando a uma votação correspondente a 60% dos votos, mesma margem por que foi eleito José Serra senador. A piora da situação hídrica do estado, no entanto, pode estar afetando a votação de Aécio, assim como afetaria a de Alckmin caso tivesse havido segundo turno em São Paulo.
A recente pesquisa do Datafolha mostra que hoje haveria segundo turno para governador, reflexo da piora da situação de escassez de água que está sendo muito explorada pela campanha de Dilma Roussef. Nesta reta final as campanhas deverão ser mais propositivas, ficando, de parte do PT, o papel sujo a cargo do ex-presidente Lula, que está se excedendo no cumprimento da função. O debate da Rede Globo na sexta-feira ganhou um relevo especial com a disputa apertada, e os indecisos, que participarão do programa com perguntas aos candidatos podem ser decisivos na definição do vencedor.  (Correção: a pesquisa Datafolha refere-se apenas à capital de São Paulo. Sendo assim, os números são praticamente os mesmos da eleição, com Alckmin recebendo 50% dos votos na capital).


Irresponsável
“Daqui para frente é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no “Jornal Nacional”, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles. [...]”.
Essa fala irresponsável é do ex-presidente Lula no seu papel de língua de trapo da campanha petista. O PT deu agora para nomear seus “inimigos”, incentivando assim ações radicais contra jornalistas que consideram adversários do “projeto popular”.
Recentemente, um dirigente do partido havia nomeado sete jornalistas numa espécie de “lista negra”. É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos caso Dilma se reeleja.

Fonte: O Globo

DECISÃO SOB RELATORIA DO DESEMBARGADOR PAULO ALBUQUERQUE É DESTAQUE NO MEIO JURÍDICO

Shopping center não é obrigado a indenizar cliente machucada em arrastão

O “arrastão” ocorrido dentro de shopping center é caso fortuito ou de força maior e, por isso, clientes feridos na confusão não têm direito a receber indenização do estabelecimento. O entendimento é da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará, que negou pedido de indenização a cliente que alegou ter se machucado durante tumulto no Shopping Iguatemi Fortaleza.

Segundo os autos, no dia 2 de julho de 2009, a consumidora foi ao shopping para sacar dinheiro em uma casa de câmbio. Perto da praça de alimentação, foi surpreendida por uma multidão que corria aos gritos de “incêndio” e “bomba”. Durante o tumulto, a mulher foi empurrada e caiu, machucando o pé esquerdo.
Por esse motivo, entrou com ação na Justiça pedindo indenização de R$ 300 mil por danos morais e mais R$ 15 mil por danos materiais. Disse que teve a vida posta em risco e que houve demora na prestação de socorro. Criticou a falta de estrutura na enfermaria do shopping e disse que, durante os dias de sua recuperação, contratou pessoas para auxiliá-la nas tarefas diárias, pois mora sozinha. E que precisou cancelar uma viagem que iria fazer ao exterior.
Já o shopping negou qualquer responsabilidade pelo acidente e disse não haver provas do dano e do suposto “arrastão”. Disse que a segurança do shopping está treinada para todo tipo de situação.
A decisão, proferida no dia 1º de outubro, teve como relator o desembargador Paulo Airton Albuquerque Filho, que manteve a sentença de primeira instância e foi seguido pelos demais membros da 6ª Câmara Cível.
Em fevereiro de 2014, o juiz Fernando Cézar Barbosa de Souza, da 2ª Vara Cível de Fortaleza, entendeu que a situação se enquadra como caso fortuito ou força maior. “Não há nenhuma prova nos autos de que o shopping tenha, de alguma forma, dado motivo ao pânico generalizado, o que retira a responsabilidade indenizatória”, afirmou.
“Tratando-se de um shopping center, local necessariamente aberto ao público, a ocorrência de tumulto e pânico não traduz, em regra, evento inserido no âmbito da prestação específica do comerciante, cuidando-se, como bem observou a referida sentença, de caso fortuito externo, ensejando-se, por conseguinte, a exclusão de responsabilidade do ora recorrido pela ocorrência do lamentável incidente”, disse o relator do processo. Com informações da Assessoria de Comunicação do TJ-CE.
Processo 0473619-67.2011.8.06.0001
Fonte: Conjur/ Nacional 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

FILHO DO MASSAPEENSE BOB LIRA GANHA O OSCAR DA LITERATURA NACIONAL

Lira Neto é um dos finalistas do Pêmio Jabuti (Foto: Companhia das Letras/Divulgação)Lira Neto é vencedor do Pêmio Jabuti 2014
(Foto: Companhia das Letras/Divulgação)
O escritor cearense Lira Neto venceu o Prêmio Jabuti -  o mais tradicional prêmio literário do país - na categoria biografia com o livro "Getúlio - Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945)", o segundo volume da trilogia biográfica do ex-presidente Getúlio Vargas.
Na edição de 2013, Lira Neto ficou em terceiro lugar do prêmio na categoria biografia com “Getúlio: dos Anos de Formação à Conquista do Poder, 1882-1930”, o primeiro de três livros da biografia do ex-presidente. O resultado da 56ª edição da premiação foi anunciado nesta quinta-feira (16), em São Paulo, na sede da Câmara Brasileira do Livro. 
Rodrigo Alzuguir ficou em segundo lugar da categoria biografia com "Wilson Baptista: o samba foi sua glória" (Casa da Palavra)", e o terceiro lugar ficou com a escritora para Mary Del Priore, com livro "O castelo de papel" (Rocco), sobre a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu. 
O vencedor de cada categoria receberá R$ 3.500 de prêmio. Durante a cerimônia de entrega do Jabuti 2014,  também serão conhecidos os vencedores do livro do ano nas categorias ficção e não ficção. Esses receberão mais R$ 35 mil cada um. A cerimônia de entrega aos vencedores do Prêmio Jabuti 2014, será realizada em 18 de novembro de 2014, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O Prêmio Jabuti é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Ao todo, são 27 categorias premiadas.
Fonte: O Globo

ELEIÇÃO NO CEARÁ: Datafolha divulga nova pesquisa na quarta-feira (22)


O Datafolha registrou nova pesquisa para o governo do Ceará a ser divulgada na próxima quarta-feira (22) pelo jornal O Povo. A coleta dos dados acontece entre os dias 22 e 23 de outubro e deverão ser entrevistados 1.296 cearenses.

A pesquisa está protocolada com número 000034/2014, e custou R$ 110.148,00, a serem custeados pela Empresa Folha da Manhã S/A e Empresa Jornalistica O Povo S/A. 

sábado, 18 de outubro de 2014

Vitimização de Dilma, POR MERVAL PEREIRA


O truque já foi usado uma vez, recentemente, e não funcionou, ao tentarem fazer da presidente Dilma uma coitadinha quando foi vaiada na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão. Nada indica que funcionará desta vez. Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio Neves no debate do SBT na quinta-feira, não é um relato fiel do que aconteceu, nem faz jus à história da presidente e do PT. Beira o ridículo.
O mal-estar da presidente a final do debate pode ter sido provocado pelo calor da discussão e do estúdio de televisão, e prenuncia uma fragilidade emocional dela, conhecida por seu vigor verbal, digamos assim. Ontem, Dilma, antes de adiar uma vinda ao Rio " a conselho médico" que depois foi desmentido, disse algo como “o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios”. Nada menos verdadeiro.
Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo para mobilizar seus militantes, que andam meio desanimados ultimamente. Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país, que não sabe fazer política sem radicalizar. A prática do “nós contra eles”, aprofundada nesta campanha com uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.
Na ocasião da abertura da Copa escrevi que a grosseria é um problema nosso, de uma sociedade que precisa encontrar novamente o caminho da civilidade e da convivência pacífica entre os contrários. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT. Naquela ocasião, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração, muitas vezes com uso de palavras nada convencionais.
O ex-presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate da Bandeirantes, dizendo que “quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz dele pisar ou não enxergar”.
Lula evidentemente está fazendo baixa política, sem muita chance de dar certo. A própria presidente Dilma não dá razão para esse tratamento condescendente com ela, pois quando soube que a ex-candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda petista, saiu-se com esse comentário: “um presidente da República tem de resistir à pressão”.
Em discurso dirigido a movimentos negros em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Dilma afirmou que quem não quer ser criticado "não pode ser presidente".
— Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República. Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra — disse Dilma.
Se a vitimização de Marina não teve sucesso, e ela só reagiu à altura dos ataques muito tempo depois, quando sua votação já se esvaía, agora o candidato do PSDB Aécio Neves está enfrentando de frente os mesmos ataques, o que coloca um dado novo na disputa presidencial. Na verdade, Aécio é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios, resgatando o legado de Fernando Henrique Cardoso e exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos.
Tanto Serra quanto Alckmin entraram na disputa contra o PT com receio de se indispor com Lula e seus seguidores, e tiveram dificuldades para defender as políticas do PSDB, quando não evitaram simplesmente temas polêmicos como as privatizações. A postura de Aécio Neves já mostrou que há um projeto político para enfrentar o lulismo, e defendê-lo não tira votos.

Semana da Poesia e do Poeta acontece de 18 a 24 de outubro em Sobral


Terá início neste sábado, 18 de outubro, às 9h, no Beco do Cotovelo, a Semana da Poesia e do Poeta. O evento terá apresentação do cantor Régis Brito e Encontro de Poetas Sobralenses.

Promovido pela Prefeitura, até o dia 24 de outubro, as atividades são coordenadas pela Secretaria da Cultura e do Turismo do Muicípio e ECOA. Durante toda a semana haverá exposição de poesias na Praça São João. O “Varal de Poesias” tem como objetivo divulgar e incentivar a leitura.

Na semana seguinte, de 20 a 23 de outubro, a Casa da Cultura de Sobral promoverá um Tour Literário pelos espaços do Romance Luzia-Homem, do escritor Domingos Olímpio. Haverá também sessão de lançamento de livros. Veja a programação completa AQUI

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ibope mostra Camilo com 51% e Eunício com 49% das intenções de voto



A primeira pesquisa Ibope do segundo turno no Ceará aponta o candidato a governador Camilo Santana (PT) com 46% dos votos, e Eunício Oliveira (PMDB) com 44%. Os dois estão empatados tecnicamente. Brancos e nulos somam 6%, e outros 4% dos entrevistados se disseram indecisos.

Excluindo-se brancos e nulos, Camilo tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Eunício. Se a eleição fosse hoje, essa seria a forma como a Justiça Eleitoral divulgaria o resultado da eleição.

De acordo com o Ibope, os adversários tem a mesma taxa de rejeição: 38%. Outros 18% dos entrevistados disseram que poderiam votar em qualquer um dos dois candidatos.


A pesquisa Ibope foi contratada pela TV Verdes Mares. O Instituto ouviu 1.204 pessoas em 62 municípios cearenses, dos dias 13 a 15 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) sob o número CE-00033/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral, com BR-01100/2014.

Se não fosse o professor...Por ANDREA RAMAL

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Todos nós tivemos mestres que marcaram a nossa história. Você se lembra dos seus? Eu tenho lembranças lindas de mestres inesquecíveis, que me ensinaram a apreciar a literatura, me estimularam a escrever, me desafiaram com reflexões sobre escolhas e valores.
Alguns dos meus colegas de colégio seguiram uma carreira graças à influência de um professor. E não é raro que dependa do mestre se gostamos ou não de um assunto, se temos vontade de ir à aula, ou se queremos continuar aprendendo.
Hoje, que a vida profissional requer desenvolvimento contínuo, o professor que faz nascer na criança o gosto por aprender ganha ainda mais importância. E uma pesquisa internacional recém divulgada na França mostra que o professor brasileiro dedica 22% mais tempo do que a média dos demais países a atividades como orientação de alunos e revisão de tarefas, o que sugere que nosso docente está se alinhando com as novas formas de ensinar.
O magistério não é mera vocação. É profissão com um saber específico, construído na formação inicial e aprimorado na prática, na releitura da experiência cotidiana.
Mas existem professores que vão além: ensinam, mais do que disciplinas escolares, lições de vida. Esses são os verdadeiros educadores. Fazem a criança perceber o valor da justiça, da honestidade, da decência, do bem comum.
Professor é aquele que não se contenta com um trabalho mediano e diz ao aluno: “Você pode mais”. É quem aproveita uma situação de desrespeito para refletir com a turma sobre o acontecido. Professor é quem inclui a todos, dialoga, planeja cuidadosamente a aula porque tem um profundo respeito pelos estudantes.
O verdadeiro mestre não se considera o dono do saber, reconhece e valoriza a cultura e a linguagem dos alunos. Dá exemplo de equidade ao avaliá-los.
Você, que é mãe ou pai de crianças e jovens estudantes, mostre a seu filho a importância social do professor. É ele que forma o cientista, o médico, o advogado.
Lembre que o professor é seu parceiro no mais nobre dos projetos: ajudar seu filho a crescer. Ensine as crianças a terem uma atitude de cooperação na escola. Quando isso ocorre, a aula funciona melhor. Até porque, como escreveram Batista e Codo, “aprender não é obra de solista: ou se orquestra, ou não ocorre”.
Penso hoje na professora Antônia, que alfabetiza crianças numa zona rural. Ela diz: “Não peço para escrever uva, ema, siri. Qual é o sentido disso? Peço para escrever tijolo, enxada, trabalhador. Ensino a escrever salário, direito, amor”.
Ela senta com as crianças em roda e lhes diz que essas palavras estão em suas mãos. Que toda ciência só tem valor se ajuda o mundo a ser melhor. No mural da sala, a frase é quase uma revelação: “Para construir a sociedade, nossa enxada é o saber”.
Qual anônimo Dom Quixote, com seu trabalho discreto e pouquíssimos recursos, Antônia resgata vidas como pode, opera prodigiosas transformações, ensina a sonhar com horizontes possíveis.
Quanto mais alta a qualidade dos professores, mais altas são a qualidade das escolas e a perspectiva de crescimento de um país. Assim como esta mestra, quantos outros professores terão mais forças para continuar, quando nosso país acordar para o valor da educação!
*Foto: Fred Dufour/AFP

Abaixo da cintura, por MERVAL PEREIRA


Quando a presidente Dilma disse que para vencer uma eleição “faz-se o diabo”, estava antecipando a falta de limites éticos que sua campanha vem demonstrando. Ontem chegamos ao ponto máximo até agora, com a presidente da República insinuando que seu oponente é bêbado ou drogado, num golpe baixo que até mesmo no MMA é proibido.
O candidato Aécio Neves teve a única reação possível, disse que se arrependia de ter se recusado a soprar o bafômetro, e elogiou a Lei Seca. Mas encarou com altivez a adversidade, criticando sua oponente por fazer insinuações sem ter coragem de inquiri-lo diretamente. Uma tentativa de contenção dos danos por um deslize que um homem público sabe que pode ter conseqüências. Essa era uma carta previsível, diante do festival de baixarias que vem dominando esta campanha, e já fora jogada na véspera quando o ex-presidente Lula, num palanque onde estava cercado dos Barbalho – ele tem uma dívida qualquer com o chefe do clã, Jader, cuja mão beijou em outras campanhas- disse que uma pessoa que se recusa a soprar o bafômetro não pode ser presidente da República.
Logo Lula, que já foi acusado por uma reportagem do New York Times de ser um presidente bêbado, ocasião em que foi defendido por diversos políticos, e recebeu a solidariedade generalizada. Escrevi na ocasião que não havia nenhuma indicação de que o hábito de beber impedisse o presidente de governar, o que tornava leviana a reportagem cheia de insinuações.
Mesmo sem entrar no mérito de quem tem mais razão ou culpa no cartório, é espantoso que um político que já foi vítima das piores atrocidades, como a que o hoje seu aliado Fernando Collor de Mello fez na campanha de 1989, possa se utilizar de métodos semelhantes na ânsia de derrotar seu adversário.
Collor colocou no ar a mãe de Lurian, filha de Lula, para acusá-lo de tê-la obrigado a fazer aborto, uma baixaria que entrou para a história política negativa brasileira. O estrago foi grande na ocasião e desestabilizou Lula para o resto da campanha. O candidato Aécio Neves aparentemente reagiu ao ataque baixo com tranqüilidade, lembrando que Dilma usava os mesmos métodos que Collor utilizara contra a família de Lula.
O contra ataque sobre o nepotismo, apontando que Igor Rousseff, irmão da presidente, era funcionário fantasma na gestão de Fernando Pimentel na prefeitura de Belo Horizonte, num caso típico de nepotismo cruzado, foi feito pedindo desculpas por baixar o nível, querendo ressaltar que Dilma procurara atingir sua família.
Uma manobra diversionista para marcar no eleitor a idéia de que ele queria discutir programas de governo, mas Dilma levava a discussão para o embate pessoal. Aécio ressaltou isso várias vezes no debate. Explicando que sua irmã Andrea trabalhou no governo de Minas como voluntária não assalariada, no papel que poderia ser exercido pela primeira-dama, que não havia, pois era solteiro na ocasião, neutralizou um dos principais ataques de Dilma.
É claro a esta altura que a campanha, que tem tido um nível muito baixo, com acusações mútuas, não mudará de tom até as urnas a 26 de outubro. Os dois candidatos se encontram em empate técnico, e o PT demonstra, por gestos e atitudes, que não pretende abrir mão de seu projeto maior de poder assim facilmente. O desespero revelado pelo uso desmedido de ataques pessoais demonstra que a campana de Dilma tenta reverter uma derrota. Ontem, perdeu claramente a disputa. A seu desfavor, uma crise econômica que só faz se agravar, uma crise política que apenas começou, e que terá desdobramentos institucionais seriíssimos nos primeiros anos do futuro governo, e um governo precário, com resultados econômicos pífios.
Dilma agarra-se à única tábua de salvação, que é o nível baixo de desemprego, que desaparecerá brevemente com a continuidade da crise econômica. Se conseguir se reeleger em outubro, estará deixando para si uma herança maldita que fará com que os seus eleitores se decepcionem rapidamente do voto que deram.
Qualquer dos dois que se eleja, porém, terá que enfrentar uma crise econômica e política com um país literalmente dividido, especialmente depois de uma campanha devastadora como essa. Tarefa para quem tem capacidade de negociação e espírito público.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Em que mundo você vive? POR Matheus Pichonelli

A agressão contra as populações que não votam como a gente é a manifestação típica de um país que se desconhece e insiste em viver em bolhas.
Mais do que o resultado da eleição, chama a atenção, nestes dias seguintes à abertura das urnas, o raciocínio rabiscado por parte dos eleitores para justificar a decisão do voto.
São muitos os que se dizem insatisfeitos com o rumo do mundo. E que atribuem aos políticos de diferentes matizes, sobretudo vermelhos, a culpa pelo estado das coisas: da ignorância da nação, pela qual constroem suas edificações maléficas, ao entrave aos nossos sucessos particulares. “Eu não tenho casa na praia ou carro do ano, mas só porque, em algum gabinete de Brasília, alguém decidiu pegar o que era meu por direito e investir naquele povinho que nunca estudou, nunca quis trabalhar e não tem outra ambição na vida a não ser botar filho no mundo e pendurar a conta nas costas do Estado.”
Pode parecer incrível, mas é mais ou menos isso o que se ouve nas rodas de conversa em tempos de eleição acirrada como tem sido esta. Uns indignados até têm carro do ano e casa na praia. Outros acabam de voltar do exterior. Ainda assim, quando perguntados sobre o que, exatamente, é tão degradante no País que o maltrata, as respostas beiram o realismo fantástico.
Uma amiga, professora de escola de ponta, contava, tempos atrás, como os alunos já assimilavam precocemente o discurso de "classe alta sofre" em sala de aula. Eles pareciam reproduzir o que os pais liam, e repetiam, em revistas semanais de gosto duvidoso: eles trabalhavam e levavam este país nas costas, pagavam impostos suecos e recebiam serviços africanos (a conotação da frase vale um comentário à parte), a roubalheira imperava, todo político é igual etc. etc. Curiosa, ela perguntou a um deles o que ele achava que poderia ser melhor no País. A resposta: as filas. Segundo o jovem, em Paris não havia tanta fila para compras, sobretudo no freeshop do aeroporto. Já aqui, não andava, e isso era motivo suficiente para considerar o País onde vivia um grande e abjeto lixo, num raciocínio muito parecido com os comentaristas de portal que se voltam contra Pedro Álvares Cabral toda vez que viajam até Miami para poder comprar produto eletrônico – e, se possível, ser reconhecido pelos pares que os leem.
Em rodas de conversa, é possível ouvir quem se queixe também dos muitos carros nas mãos de qualquer um nas ruas. A queixa não se deve ao impacto ambiental da frota, mas ao fato de não ter mais vaga ou valet para estacionar os automóveis nos restaurantes cativos. Há também os que se esperneiam contra as benesses distribuídas a torto pelo Estado, sobretudo a essa gentinha que só estuda pelo sistema de cotas ou financiamento camarada, e se esquecem de que só cursaram faculdades graças ao Bolsa Pai ou à pensão vitalícia do avô. Ou que só têm emprego garantido graças à complacência do proprietário: o sogro, o amigo, o amante...
Em via de regra, os rebeldes de ocasião estão insatisfeitos com o resultado das urnas. Revoltam-se com a decisão da maioria inútil que não se esforçou para atingir o seu grau de iluminismo. Porque quando o povo vota com ele é soberano; quando o desautoriza, é estúpido. A grita vale tanto para os que veem no Nordeste a bola de neve da ignorância e do voto de cabresto quanto aos "elitistas" incapazes de reconhecer os milagres dos governos populares. Tanto num caso quanto no outro, o desfecho do raciocínio às vezes é semelhante: "As urnas estão fraudadas porque não conheço ninguém que tenha votado naquele(a) um(a)".
A paranoia e a agressão contra as populações de outros estados são manifestações típicas de um país que se desconhece. A começar pelo uso da expressão "nordestinos". É como se, acima de Brasília, houvesse apenas uma categoria monocromática populacional, sem especificidades, recortes regionais, econômicos e culturais. (O cearense Antonio Carlos Belchior gritava contra essa ideia na música Conheço o Meu Lugar: "Nordeste é uma ficção. Nordeste nunca houve"). Da mesma forma, só quem não conversa com o porteiro, o motorista ou o jardineiro é que imagina que o governador truculento garantiu mais quatro anos de poder graças a um suposto elitismo atávico dos paulistas.
As sentenças sobre esse “outro” imaginário são as manifestações mais claras de que vivemos em bolhas, de onde perdemos cada vez mais os pés e os contatos com a realidade. Talvez estejamos passando tempo demais em nossos carros, em nossos condomínios, em nossas escolas ou universidades gradeadas, em nossos centros de compra com ar condicionado. Desses mundinhos protegidos, emendamos petardos contra tudo aquilo que nos desmente por contraste. De lá, preocupados em nascer e morrer em paz, decretamos que o mundo é um inferno, mas não temos nada a ver com isso. O inferno são os outros.