"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"

sábado, 22 de novembro de 2014

Do Blog Sincronicidade do massapeense Vasconcelos Arruda

A difícil Iniciação à segunda idade adulta

O meio da vida é o momento em que fazemos o balanço conosco mesmos, em que realizamos o exame de nossa vida, quando começa a “descida” do Sol. De maneira que é, com frequência, também um tempo de depressão. Na realidade, devemos, então, renunciar a uma ideia de juventude eterna e abandonar certas ilusões que nos fizeram viver até então.
Viviane Thibaudier
[Thibaudier, Viviane. Jung, médico da alma. Tradução Martha Gouveia da Cruz, Alexandra D. de Sousa. – São Paulo: Paulus, 2014, p. 132. – (Coleção amor e psique).]
Nada na vida é mais difícil que lidar com a perda de ilusões. De fato, talvez ninguém consiga viver absolutamente imune às ilusões, até porque, sob certos aspectos ou em determinadas circunstâncias, se torna difícil saber o que é ou não ilusório. Entretanto, em que pese essa constatação, em determinados momentos a vida exige que nos desvistamos de ilusões que nos sustentaram até então.
Isso se verifica de forma clara e com uma força inexorável quando se atravessa a chamada meia idade, ou seja, quando nos olhamos ao espelho e, surpresos, percebemos que não se pode mais sonhar com a eterna juventude ou com a imortalidade. É quando percebemos que já nos encaminhamos para um iminente fim, uma vez que, admitamos ou não, somos todos mortais.
Momento terrível, este, em que não poucos sucumbem à depressão ou a outras graves patologias, não raro de origem psicossomática. Entretanto, a palavra fim, usada no parágrafo anterior, comporta um duplo sentido. O vocábulo, nesse caso, tanto remete à ideia de finitude quanto à de sentido. Explico: a vida tem um fim, sem dúvida ela acabará um dia; mas ela também tem uma finalidade, um sentido.
Pensada nessa segunda perspectiva, a famigerada crise da meia idade, ou o “Demônio meridiano”, expressão muito utilizada na literatura especializada, ao invés de um agente depressivo pode se tornar um grande aliado, impelindo o indivíduo a buscar o horizonte para o qual deve encaminhar sua vida na segunda etapa da existência.
Um dos maiores símbolos dessa situação encontramos no Arcano XIII do Tarô, intitulado justamente A Morte.  Esse Arcano não se reporta necessariamente à morte física, estando associado muito mais à ideia de transmutação. E essa é, de fato, a palavra chave para a travessia da meia idade. O que a vida exige é que abramos mão de velhas e desgastadas ilusões, que as deixemos morrer, de fato, para que a energia até então nelas investida ressurja transmutada. Transmutação essa que poderá se dar de forma lenta, gradual e suave ou de forma brusca e radical.
Como se dará o processo vai depender do quanto o indivíduo esteja aberto e atento para ler e compreender os sinais que a vida está mandando. Porque sinais e indícios de que é chegada a hora da mudança começam a se fazer notar de diversas formas. Quanto a isso, é bom estarmos atentos àquilo que Jung denominou sincronicidades, ou seja, aquelas supostas coincidências que talvez não sejam tão coincidentes assim. O Universo é pródigo em mensagens e sinais quando estamos antenados para recebê-los.
Atentar para os sinais, porém, é apenas uma parte do processo. Decodificá-los e segui-los é, talvez, a parte mais difícil. Uma forma de tornar isso mais fácil é procurar dedicar algum tempo à interiorização e a práticas que permitam o acesso às dimensões do ser que transcendem a esfera meramente racional ou consciente. Posso afirmar que tenho encontrado um vigoroso auxílio na prática diária da oração. Ela tem me levado a dimensões da minha vida nunca antes suspeitadas. É preciso, porém, munir-se de uma boa dose de persistência. A tentação a desisiir assoma a cada passo, especialmente nos momentos de aridez, quando não se consegue vislumbrar nenhum resultado concreto.
Posso, entretanto, afirmar com a mais absoluta convicção: o Caminho é difícil, porém, tão belo e surpreendentemente  compensador, que vale o sacrifício.

Papel propositivo e fiscalizador. Eunício confirma apoio ao bloco de oposição na Assembleia


 
Eunício oposição
O senador Eunício Oliveira, presidente do PMDB no Ceará, se reuniu na tarde dessa sexta-feira (21),  com os deputados eleitos para o próximo mandato na Assembleia Legislativa e que tomaram a iniciativa de formar um bloco de oposição na Casa. Eunício confirmou apoio ao bloco, que, de acordo com ele, tem a proposta de fazer uma oposição fiscalizadora e propositiva, cobrando as promessas feitas aos cearenses durante a campanha eleitoral. “Saímos dessa eleição com um capital político importante que a gente precisa preservar e alimentar no dia a dia”, considerou.
A reunião contou com 12 dos 13 parlamentares que formam o bloco. O candidato a vice-governador nas últimas eleições, Roberto Pessoa; o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena e o ex-governador Lúcio Alcântara também estiveram presentes na discussão, que teve como pauta principal o fortalecimento do grupo de oposição.
De acordo com Eunício, sua participação será de alguém que foi candidato ao Governo do Estado e que tem um mandato de senador, tendo, portanto, a responsabilidade de ajudar nesse processo de fiscalização. Ele reforçou que como representante do Estado no Senado, continuará sua luta em defesa dos interesses do Ceará, trabalhando para garantir os recursos necessários ao crescimento do Estado.
O senador destacou que os cearenses deram um recado muito claro nas urnas, quando garantiram quase 50% dos votos ao peemedebista, e agora os parlamentares eleitos pelo povo para atuar na oposição têm que corresponder à confiança depositada pela população. “Vamos buscar unidade desse grupo, dessa aliança que construímos no Ceará e, se possível, ampliá-la para corresponder esse sentimento da população”, pontuou.
Na avaliação do senador, o papel principal do bloco é de fiscalização, principalmente das promessas feitas durante a campanha, lutando para que elas sejam efetivadas, e isso deve ser cobrado pelos deputados da oposição. “Não é fazer oposição por oposição, mas oposição propositiva e fiscalizadora daquilo que foi prometido para os cearenses”, reiterou.
Danniel Oliveira (PMDB), deputado reeleito, pontuou que o encontro com Eunício confirmou o apoio integral do senador ao bloco, lembrando que os deputados já se reuniram com o senador eleito, Tasso Jereissati (PSDB), que também deu seu aval ao grupo. “Tínhamos o aval e apoio do Tasso e hoje confirmamos o apoio integral do Eunício e do candidato a vice-governador e ex-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa. Desse modo, nosso grupo nasce com uma capilaridade forte”, comentou.
Segundo Danniel, os parlamentares têm buscado, nas discussões, avançar nos questionamentos e missões que o bloco terá nos próximos quatro anos. Ele garante que não será feita uma oposição “raivosa”, mas progressiva e que tenha fundamento. “É importante para a população ter um grupo opositor unido e articulado para debater os temas essenciais”, ponderou, ressaltando ainda que o bloco fará da Assembleia uma Casa onde o debate seja corriqueiro.
O deputado informou também que o bloco apresentará ao povo cearense um manifesto, expondo a vontade dos parlamentares em formar um bloco de oposição unido e coeso. Conforme Danniel, o documento irá mostrar que o voto do cearense estará sendo respeitado na oposição.
Além de Danniel Oliveira, a reunião contou com a participação dos deputados Carlomano Marques (PMDB), Audic Mota (PMDB), Walter Cavalcante (PMDB), Dra. Silvana (PMDB), Tomaz Holanda (PPS), João Jaime (DEM), Roberto Mesquita (PV), Fernanda Pessoa (PR), Carlos Matos (PSDB), Ely Aguiar (PSDC) e Capitão Wagner (PR).
(Por Roberto Moreira)

Plano de Governo de Camilo consolida participação popular


Plano Camilo
Os 7 Cearás foram o tema da Conferência Planejamento Participativo e Desenvolvimento Sustentável, realizada neste sábado (22/11) para apresentar o documento preliminar do Plano de Governo do governador eleito do Ceará, Camilo Santana. “O objetivo desta conferência é abrir o processo de consolidação do nosso plano de governo. Ao longo da campanha, ouvimos os cearenses sobre suas demandas, seus anseios e propostas. Com isso, identificamos 7 Cearás: o Ceará do Conhecimento, o Ceará Democrático, o Pacífico, o de Oportunidades, o Ceará Acolhedor, o Saudável e o Sustentável. Esta é uma experiência de participação da população que, além de ajudar a fazer o plano de governo para os próximos quatro anos, vai também poder fiscalizar a execução deste plano”, avalia Camilo.
O coordenador do Plano de Governo, Eudoro Santana, informou que o seminário a ser realizado nos dias 2,3 e 4 de dezembro vai não só consolidar as propostas recebidas pela população, por meio da sociedade civil organizada, como também preparar o Plano Plurianual de Governo. “Este é um documento muito importante para o Estado do Ceará, que prepara as ações deste governo. Mas nós vamos fincar as bases de um planejamento estratégico de longo prazo”, observou.
A conferência foi aberta pelo economista Ladislau Dowbor, doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, na Polônia. Dowbor destacou a importância da participação na sociedade moderna. “O grande fato norteador é o sistema participativo. Só funciona quando as pessoas se apropriam de seus destinos e mudam o conceito de política”, disse. “As pessoas precisam se organizar de maneira participativa”, acrescentou.
Também participou da conferência o ex-presidente do Ipea, economista Márcio Pochmann. Segundo ele, a sociedade está em transição, vivendo uma crise de serviços. A participação social pode ser o caminho para resolver estes gargalos. “Há problemas sérios nos serviços de habitação, saúde – tanto pública como privada – , transporte, no setor bancário e em serviços de tecnologia. “Quem, hoje no Brasil, está satisfeito com o seu serviço de internet”, questionou.
O Seminário de Consolidação e Validação das Propostas do Plano de Governo acontece nos próximos dias 2, 3 e 4 de dezembro, no Centro de Eventos do Ceará.
(POR rOBERTO mOREIRA)

MORRE A LENDA: SEU LUNGA

foto seu lunga
Morreu na manhã deste sábado o poeta Joaquim dos Santos Rodrigues, o Seu Lunga, aos 87 anos. Ele estava internado Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, na Região do Cariri, deste a quarta-feira (19), por causa de problemas no sistema digestivo e sofria de câncer de esôfago.
O corpo está sendo velado na Capela de São Vicente, em Juazeiro no Norte. O sepultamento ocorrerá no Cemitério do Socorro.
A seriedade e o deboche com que Seu Lunga respondia a perguntas óbvias o transformaram em personagem do folclore cearense.
(DO eLIOMAR DE lIMA)

Mauro Filho é nome forte para assumir presidência do BNB


Nos bastidores, já começou a discussão para saber quem será o presidente do Banco do Nordeste do Brasil. O mais cotado para assumir a vaga é o deputado estadual e ex-secretário da Fazenda,Mauro Filho. Homem de confiança do grupo do governador Cid Gomes, Mauro disputou vaga ao Senado da República em 2014 e fez campanha como o “senador da Dilma”. Agora, o deputado seria o nome levado por Cid para a presidente reeleita. A indicação de Mauro Filho pode entrar na cota como um pedido pessoal do governador à presidente, com quem mantém relações de confiança e fidelidade.

O deputado federal reeleito, José Nobre Guimarães (PT), que já deu as cartas durante um bom tempo no BNB, afirma que não é hora de discutir nomes para o cargo. O mandato interino de Nelson Antônio de Souza encerra-se no final deste ano. O parnaibano assumiu após a renúncia de Ary Joel Lazarin, que alegou motivação pessoal.


(com informações do blog Politica com K)

Curso de Medicina de Sobral da UFC realiza Curso de Formação Docente


A Coordenação do Curso de Medicina/UFC-Campus de Sobral realizou Aula Inaugural do Curso de Formação Docente para Ensino Médico, ministrada pelo Professor Olivan Queiroz, da disciplina da Assistência Básica à Saúde (ABS). Na ocasião, o coordenador do Curso, Prof. Dr. Gerardo Cristino, destacou a importância da formação para os professores da Medicina da UFC de Sobral. 

“Este curso destaca aspectos específicos para o ensino do Curso de Medicina que hoje apresenta uma nova realidade, haja vista as avançadas ferramentas disponíveis para a produção do conhecimento”, explicou o coordenador. O curso tem encerramento no dia 16 de dezembro com a discussão do tema Gestão e Avaliação Curricular.
Fonte: Blog Encontro com a Saúde

A educação de hoje perpetua o racismo? PORT ANDREA AMARAL


Foi necessário promulgar uma Lei (10.639/03), há pouco mais de dez anos, para que as escolas passassem a ensinar história e cultura afro-brasileira, incluindo temas como história da África e dos africanos, a luta dos negros no contexto brasileiro e sua contribuição nas diversas áreas da história e da cultura do Brasil. 

Isso porque, embora sejamos um país em que a maioria da população é negra e parda, a história sempre foi ensinada com um viés eurocêntrico, em que os colonizadores são ousados, atravessam oceanos e, para levar adiante seus planos, tornam-se senhores de escravos. A ideia de escravidão é introduzida nas primeiras séries escolares com certo ar de naturalidade. O negro entra como objeto trazido à força de um continente “primitivo”; um ser sem passado nem vínculos sociais, que aceita de forma omissa e acomodada um destino desumano e humilhante. Como as crianças brasileiras podem sentir orgulho de suas origens e sua identidade com essa forma de descrever seus antepassados?

Nos livros didáticos, depois dos capítulos que falam da escravatura, os negros praticamente desaparecem dos textos, como se a história continuasse sem a sua participação. As imagens mais importantes são reservadas aos personagens brancos de cabelos louríssimos, como na capa da coleção “Infância Brasileira”, uma das mais adotadas na década de 60.

A imagem do negro no mundo do trabalho é muitas vezes desvalorizada de forma implícita. Uma conhecida cartilha escolar pede que o aluno escreva o nome das profissões e apresenta os desenhos de um menino branco vestido de médico, outro vestido de juiz e um menino negro em funções subalternas.

Reproduzindo o cenário sociocultural, o sistema de ensino também reserva ao negro, até em função de suas condições sociais e de renda, uma trajetória escolar incerta, na qual continuar estudando é uma conquista diária.

Assim, a educação contribui para reforçar o racismo, ora explícito ora velado, que existe na sociedade brasileira. 

Porque foram educados, em casa e na escola, com narrativas que apresentam o negro como inferior e coadjuvante, muitos ainda hoje têm dificuldade de aceitar que ele possa chegar a altos níveis de formação ou que ocupe posições sociais importantes. É forte, em alguns grupos, o sentimento contra qualquer política de reparação da dívida social contraída nos tempos da escravidão.

Ações afirmativas como as cotas para as universidades ajudam a atenuar, ainda que de um jeito capenga, o abismo educacional forjado na época da colônia e que, se não fosse por força de lei, dificilmente seria superado neste século.

A Lei 10.639/03, sobre ensino de história e cultura afro-brasileira, é uma ruptura no ciclo educacional que perpetua o racismo. Propõe que as crianças aprendam uma nova história, mais realista e respeitosa, a partir de conteúdos sobre as lutas de libertação que o negro trava até os dias atuais, em busca dos seus direitos de cidadão.

A proposta ainda não foi totalmente tirada do papel, mas escolas e famílias deveriam levá-la a sério. Trazer para o debate os problemas raciais da sociedade, rejeitar o preconceito e ensinar as crianças a fazer o mesmo. Valorizar a diversidade e a igualdade. Ficar atentos aos materiais didáticos, verificando se incluem a valorização da cultura negra.

Esse resgate não interessa só aos negros, mas a todos os estudantes, porque os prepara para viver como cidadãos atuantes num país pluriétnico e multicultural e ajuda a desconstruir os mitos de inferioridade e superioridade entre culturas, valorizando a riqueza de uma de nossas marcas distintivas, a miscigenação. Não é suficiente para garantir que a população negra seja mais bem tratada na escola e na sociedade, mas é um passo para reduzir as injustiças e emancipar muitos jovens das lentes caducas com que aprenderam a ver o mundo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Se conhecêssemos os sonhos do homem branco…POR LEONARDO BOFF

A crise econômico-financeira que está afligindo grande parte das economias mundiais criou a possibilidade de os muito ricos ficarem tão ricos como jamais na história do capitalismo, logicamente à custa da desgraça de países inteiros como a Grécia, a Espanha e outros, e de modo geral toda a Zona do Euro, talvez com uma pequena exceção, a Alemanha. Ladislau Dowbor  (http://dowbor.org)professorde economia da PUC-SP, resumiu um estudo do famoso  Instituto Federal Suiço de Pesquisa Tecnológica (ETH), que por credibilidade concorre com as pesquisas do MIT de Harvard. Neste estudo se mostra como funciona a rede do poder corporativo mundial, constituída por 737 atores principais que controlam os principais fluxos financeiros do mundo, especialmente ligados aos grandes bancos e outras  imensas corporações multinacionais. Para esses, a atual crise é uma incomparável oportunidade de realizaram o sonho maior do capital: acumular de forma cada vez maior e de maneira concentrada.
O capitalismo realizou agora o seu sonho, possivelmente o derradeiro, de sua já longa história. Atingiu o teto extremo. E depois do teto? Ninguém sabe. Mas podemos imaginar que a resposta nos virá, não de outros modelos de produção e consumo mas da própria Mãe Terra, de Gaia, que, finita, não suporta mais um sonho infinito. Ela está dando claros sinais antecipatórios, que, no dizer do Prêmio Nobel de Medicina  Christian de Duve (veja o livro Poeira vital: A vida com imperativo cósmico, 1997), são semelhantes àqueles que antecederam as grandes dizimações ocorridas na já longa história da vida na Terra (3,8 milhões de anos). Precisamos estar atentos, pois os eventos extremos que já vivenciamos nos apontam para eventuais catástrofes ecológico-sociais ainda na nossa geração. 
O pior disso tudo é que nem os políticos nem grande parte da comunidade científica e mesmo  da população se dá conta dessa perigosa realidade. Ela é tergiversada ou ocultada, pois é demasiadamente antissistêmica. Obrigar-nos-ia a mudar, coisa que poucos almejam. Bem dizia Antonio Donato Nobre num estudo recentíssimo (2014) sobre O futuro climático da Amazônia: ”A agricultura consciente, se soubesse o que a comunidade científica sabe (as grande secas que virão), estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas e plantando árvores em sua propriedade”. 
Falta-nos um sonho maior que galvanize as pessoas para salvar a vida no Planeta e garantir o futuro da espécie humana. Morrem as ideologias. Envelhecem as filosofias. Mas os grandes sonhos permanecem. São eles que nos guiam através de novas visões e nos estimulam para gestar novas relações sociais,  para com a natureza e a Mãe Terra. 
Agora entendemos a pertinência das palavras do cacique pele-vermelha Seattle dirigidas ao governador Stevens, do estado de Washington em 1856, quando este forçou a venda das terras indígenas aos colonizadores europeus.  O cacique não entendia por que se pretendia comprar a terra. Pode-se comprar ou vender a aragem, o verdor das plantas, a limpidez da água cristalina e o esplendor das paisagens? Para ele, tudo isso é terra, e não o solo como meio de produção. 
Neste contexto reflete que os peles-vermelhas compreenderiam o porquê e a civilização dos brancos “se conhecessem os sonhos do homem branco, se soubessem quais as esperanças que esse transmite a seus filhos e filhas nas longas noites de inverno, e quais as visões de futuro que oferece para o dia de amanhã”. 
Qual é o sonho dominante de nosso paradigma civilizatório que colocou o mercado e a mercadoria como o eixo estruturador de toda a vida social? É a posse de bens materiais, a acumulação financeira maior possível e o desfrute mais intenso que pudermos de tudo o que a natureza e a  cultura nos podem oferecer até à saciedade. É o triunfo do materialismo refinado que coopta até o espiritual, feito mercadoria com a enganosa literatura de autoajuda, cheia de mil fórmulas para sermos felizes, construída com cacos de psicologia, de nova cosmologia, de religião oriental, de mensagens cristãs e de esoterismo. É enganação para criar a ilusão da felicidade fácil. 
Mesmo assim, por todas as partes surgem grupos portadores de nova reverência para com a Terra. Inauguram comportamentos alternativos, elaboram novos sonhos de um  acordo de amizade com a natureza e creem que o caos presente não é só caótico mas generativo de um novo paradigma de civilização, que eu chamaria de civilização de re-ligação, sintonizada com a lei mais fundamental da vida e do universo, que é a panrelacionalidade, a sinergia e a complementariedade. 
Então teríamos feito a grande travessia para o realmente humano, amigo da vida e aberto ao Mistério de todas as coisas. Ou mudamos, ou seguiremos por um triste caminho sem retorno. 
*Leonardo Boff, ecoteólogo e filósofo, é também escritor. É dele o livro ‘Proteger a Terra e cuidar da vida: Como escapar do fim do mundo' (Record, 2010). - leonardo Boff  

Bancos têm que disponibilizar acesso do consumidor a dados sobre sua vida financeira

(clique na imagem para ampliar)
Para facilitar o acesso do cidadão às informações pessoais e sigilosas sobre dívidas acima de R$ 1.000, incluindo as do cartão de crédito, e contas bancárias, o Banco Central (BC) instituiu o Extrato do Registro de Informações no Banco Central do Brasil (Sistema Registrato). A ferramenta permite, pela internet, que o cidadão conheça as informações sobre si contidas em cadastros administrados pelo BC.

A circular publicada ontem no Diário Oficial da União, obriga bancos que possuem carteira comercial que prestam serviços por meio da internet (internet banking) a disponibilizar em seus sites a validação de frase de segurança, fornecida pelo BC aos clientes dessas instituições.

Para começar, estarão disponíveis dados de dois sistemas do BC. O primeiro traz as informações cadastrais dos clientes nos bancos. É o Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) com informações sobre as contas bancárias. O segundo é o Sistema de Informações de Crédito (SCR), com tudo sobre os empréstimos e financiamentos dos integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) nos últimos cinco anos.


Fonte: O Povo

O juiz e a agente da Lei Seca, POR YVVONE MAGGIE


Aprendi nas minhas primeiras lições de antropologia que as estruturas podem mudar, mas é raro qualquer mudança ser uma transformação radical, como a de uma lagarta em borboleta. Mesmo se redefinindo, as estruturas sempre carregam na nova configuração algo da sua antiga forma.
Pois foi assim que entendi o caso ocorrido aqui bem perto da minha casa em 2011 e os seus desdobramentos dos últimos três anos.
Em uma noite de fevereiro de 2011, na rua Bartolomeu Mitre, no Leblon, um dos bairros mais ricos da cidade, uma jovem agente da Lei Seca Luciana Tamburini, de porte firme e estrutura rija, viu-se enredada, no exercício das suas funções, em uma trama que viveu até 2014 na mais perfeita solidão.
Naquela noite, os policiais que faziam uma blitz da Lei Seca pararam um carro  sem placa. Os policiais fizeram os procedimentos de praxe. O motorista estava sem a carteira de habilitação, mas no teste do bafômetro ficou provado que não ingerira álcool.
Em seguida duas versões se estabeleceram:
Como o carro e seu condutor trafegavam ilegalmente, os policiais aplicaram a multa devida e iam rebocar o veículo para o depósito, quando o motorista disse que era juiz de direito e que o carro não poderia ser levado. O jovem policial foi até a agente Luciana Tamburini, chefe da blitz, que prontamente disse ao militar: "Ele pode ser juiz, mas juiz não é Deus. Apreendam o carro".
O motorista, o juiz de direito João Carlos de Souza Corrêa, ouviu o que Luciana dissera e deu-lhe voz de prisão, exigindo que a mesma entrasse no carro da polícia para ser autuada na delegacia. A jovem recusou-se a cumprir a ordem do juiz, mas todos foram parar na delegacia. Esta é a versão de Luciana Tamburini, de acordo com as informações da imprensa.
Segundo o juiz João Carlos de Souza Corrêa, a agente o desrespeitara dizendo diretamente a ele que podia ser juiz, mas não era Deus. Fizeram o boletim de ocorrência, porém Luciana, não se conformando com a situação vexatória que o magistrado lhe havia infringido, moveu-lhe um processo.
O caso foi para o juizado de primeira instância, e a juíza Andrea Quintella condenou Luciana a pagar uma indenização de R$ 5 mil por danos morais ao juiz. Luciana recorreu da sentença e, na segunda instância, agora em novembro de 2014, a 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio ratificou a decisão da primeira instância, obrigando-a a pagar a multa. A sentença é em si mesma uma peça histórica. Aqui vai um trecho conforme divulgado pelo jornal O Globo na internet.
"(...) Não se olvide que apregoar que o réu era “juiz, mas não Deus”, a agente de trânsito zombou do cargo por ele ocupado, bem como do que a função representa na sociedade. (...) Em defesa da própria função pública que desempenha, nada mais restou ao magistrado, a não ser determinar a prisão da recorrente, que desafiou a própria magistratura e tudo o que ela representa. (...) Por outro lado, todo o imbróglio impôs, sim, ao réu, ofensas que reclamam compensação. Além disso, o fato de o recorrido se identificar como juiz de direito não caracteriza a chamada ‘carteirada’, conforme alega a apelante."
Mas algo inacreditável ocorreu. Com a divulgação do caso surgiu nas redes sociais uma "vaquinha" para arrecadar dinheiro para a multa ser paga. Quando a lista foi encerrada, havia cerca de R$ 40 mil.
Luciana não se intimidou e disse que iria recorrer aos tribunais superiores e até ao "tribunal de Deus". Agradecendo a solidariedade dos que fizeram a campanha, declarou que doaria a quantia alcançada para uma instituição de vítimas de desastre de trânsito, pois tinha certeza de que não seria penalizada.
O caso ainda não teve o seu desfecho, mas a Ordem dos Advogados o Brasil e o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) foram ouvidos pela imprensa. A OAB ficou de averiguar a conduta do juiz – que segundo dizem, cometeu outras arbitrariedades quando atuava em Búzios –, e o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que juiz é um cidadão comum, mas não poderia fazer nenhum outro comentário porque o caso era concreto e poderia, no final de tudo, ser julgado pelo STF.
Será que este juiz é um caso excepcional, um caso particular que não afetará a crença na idoneidade dos nossos magistrados? Ou representa mesmo uma estrutura dominante na qual as ditas "autoridades", mesmo quando atuando como cidadãos comuns, exigem ser tratados como seres superiores e acima de qualquer suspeita?
Convenhamos, Luciana, uma cidadã brasileira, está lutando pelo direito de exercer sua função com dignidade e tem consciência de que o seu papel é de livrar a sociedade de milhares de mortes no trânsito.
O que significa a reação ao desmando da justiça tão singular em nossa sociedade?
Será que a estrutura do "você sabe com quem está falando?", descrita e analisada por Roberto DaMatta, está mudando? A lagarta está virando borboleta, ou trata-se apenas de um surto momentâneo frente a tudo que temos de assistir calados, sem crítica e em silêncio e que vem ocorrendo no plano das mais altas esferas da política brasileira?
Tenho para mim que há mudanças no horizonte e juízes e autoridades devem botar as barbas de molho. A agente da Lei Seca representa uma parcela muito significativa de nossa sociedade que está farta de viver em silêncio e de receber "carteiradas".
*Foto: Agente Luciana Tamburini mostra ocorrência de desentendimento com juiz. (Matheus Rodrigues/G1)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Zezinho Albuquerque assume o Governo do Estado nesta quinta

Zezinho assume o Governo do Estado
No período que vai desta quinta-feira (20) ao próximo dia 27, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, deputado Zezinho Albuquerque (Pros), assumirá o Governo do Estado.
Na última terça-feira (18), a Assembleia recebeu o projeto de decreto legislativo número 07/14, que concede autorização ao governador Cid Gomes para se afastar do cargo, por um período de sete dias, para tratar de assuntos de interesse particular. O presidente da Assembleia ocupa a linha de sucessão do Governo, na ausência do governador.
Com isto, durante o mesmo período, assume a presidência do Poder Legislativo, o primeiro vice-presidente da Assembleia, deputado Tin Gomes (PHS).

COSMOPOLITA:Muçulmanos em clima de rezas em Sobral

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Cena curiosa foi registrada, no fim da tarde dessa quarta-feira, em Sobral: Este grupo de muçulmanos afegãos fazendo o saleth (reza pública), numa pracinha situada no dessa cidade da Zona Norte.
(Foto – Luciano Arruda)

Primeiro ano de Camilo será de arrocho nos gastos, diz Izolda


O governo Camilo Santana (PT) começará com uma meta já definida: controlar despesas, especialmente no primeiro ano, fazendo caixa para obras e projetos que exijam mais recursos.

O governador eleito e os outros integrantes de sua equipe de transição se reuniram ao longo da terça-feira, no Palácio da Abolição, com gestores e técnicos das secretarias da Fazenda, do Planejamento e da Controladoria, para se inteirar do quadro que, segundo a vice-governadora eleita, Izolda Cela (Pros), é “desafiador”.

“Nesses dois, três anos mais recentes, o orçamento de estados e municípios têm sofrido apertos, ajustes. A diminuição das transferências do Governo Federal tem sido muito significativa. Então, é claro que uma nova gestão se inicia com todo aquele alerta de atenção, controle, de fazer caixa”, disse Izolda, integrante da equipe de transição.

O cuidado com as despesas será necessário sobretudo no primeiro ano da nova gestão, segundo Izolda. “Porque aquilo que exigirá mais recursos precisa desse tempo de controle do primeiro ano para acontecer”, afirmou.

Fonte: O Povo

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Os rumos da sustentabilidade no Brasil, por AMÉLIA GONZALEZ

É claro que o acordo entre Estados Unidos e China sobre emissões de carbono esteve em pauta nesta segunda-feira (17)  no lançamento do estudo "Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil", na sede da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) em São Conrado, no Rio de Janeiro. Na palestra de abertura, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citou o pacto e lembrou que ele traz os elementos necessários para se acreditar até na possibilidade de um acordo mundial na capital do Peru durante a COP-20 que será realizada mês que vem.
"A China provoca uma mudança de posição do G-77", disse ela, referindo-se à coalizão dos países em desenvolvimento. "O discurso do clima não é mais ambiental, é econômico. Precisamos debater sobre o modelo de desenvolvimento que queremos", afirmou a ministra.
Durante toda a manhã, num auditório com luz e clima naturais, foi esse o tema em pauta. A ideia de Israel Klabin, presidente da FBDS, foi reunir os estudos em seis cadernos com os temas que, de fato, trazem a questão para bem perto dos cidadãos comuns: água, energia, transportes, resíduos sólidos, agricultura, mercado financeiro. Na plateia, nomes de peso do meio ambiente nacional e alguns jornalistas, eu entre eles.
Nos estudos há algumas novidades, muitas críticas, sugestões à beça. E impasses, os mesmos que teimam em descortinar o desafio que a humanidade tem pela frente. Mas o foco foi o Brasil, um país que, como lembrou Marilene Ramos, ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), ainda tem problemas do século XIX e, ao mesmo tempo, precisa lidar com a questão do século XXI, das mudanças climáticas.
"Em 2004, tivemos uma crise hídrica parecida com a que estamos vivendo hoje, mas parece que não aprendemos nada. Talvez com indicadores a gente pudesse resolver isso, mas mesmo os dados existentes são falhos. Fico revoltada, por exemplo, quando olho os dados do IBGE: a Baixada [Fluminense] não tem 90% de abastecimento de água, como eles mostram. E muitas vezes esse dado serve para uma cortina de fumaça da realidade. A crise atual está nos mostrando também que precisamos reservar, mas nossos níveis de perda de água no Brasil são irresponsáveis", disse ela.
Marilene Ramos lembrou também que o nível de desenvolvimento econômico brasileiro não é compatível com o desenvolvimento sanitário. E é imprescindível que esses dois indicadores caminhem juntos: "Tem dinheiro, mas ou faltam projetos ou os recursos são mal aplicados".
Mobilização da sociedade
Os estudiosos que se propõem a ter uma visão mais ampla sobre o meio ambiente, entendendo que é preciso vinculá-lo ao dia a dia das pessoas comuns, ainda hoje têm dificuldades para convencê-las disso. O ambientalista Fábio Feldman lembrou que não é fácil mobilizar a sociedade porque é uma agenda complexa, mas a ideia é continuar tentando – mesmo que numa ocasião tão propícia para isso, como as eleições para a presidência da República, o tema tenha ficado radicalmente fora de pauta.

"Se vier um novo acordo internacional substituindo Kyoto, nós temos que saber como nos antecipar. É bom lembrar que quando o Protocolo foi assinado, em 1997, não havia obrigações para o Brasil", disse ele.
O tema resíduos sólidos foi mais um mega desafio posto em debate na manhã desta segunda. José Penido, ex-presidente da Comlurb, causou impacto ao lembrar a dificuldade que alguns municípios podem estar tendo para acabar com os lixões, como exige o Plano Nacional de Resíduos Sólidos.“Alguém pensa nos catadores? Do que eles vão sobreviver? Só como informação: o Lixão de Gramacho teve que pagar R$ 14 mil a cada um dos 1.600 catadores que trabalhavam ali. Outras cidades tiveram que fazer isso também”, disse ele.
Penido listou ainda outro problema criado pelo fechamento de um lixão: o chorume, líquido resultante do processo de putrefação dos resíduos orgânicos. É preciso criar um sistema de tratamento desse líquido, o que não é barato. “Em Gramacho, gastamos R$ 80 mil por dia, é uma despesa. Os municípios pequenos não têm condições de fazer isso”, disse Penido. Há solução? Para ele, é preciso apostar cada vez mais no sistema de compostagem para poder resolver o material orgânico – e as pequenas cidades deveriam investir em compostagens caseiras.
Em resumo, é o seguinte: lixões são um grande mal por todos os problemas que conhecemos. Mas acabar com eles não é simples. O governo federal ajuda, empresta dinheiro aos municípios, mas manter um aterro é tarefa que exige também planejamento: “Se falta um manobrista de trator durante uma semana, vira tudo lixão outra vez”, disse Penido. A ministra Izabella lembrou que mais de dois mil municípios já conseguiram se organizar e acabar com os lixões, mas que o Plano Nacional, de fato, é criticado por não dialogar com a realidade de cada cidade.
Camada de poluição é vista no horizonte de vista da Zona Oeste de São Paulo
Já lhe bastam tantos problemas, leitor? Ainda temos muitos mais. Nosso espaço na atmosfera para emitir CO2 dura apenas vinte anos, segundo os cálculos feitos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), lembrou Oswaldo Lucón, que apresentou o estudo sobre energia.

O pesquisador brasileiro, que participa dos estudos do Painel, acha que acordos internacionais sobre emissões podem ser lidos como barreiras comerciais. “Com o acordo feito em Copenhague, de limitar em 2°C o aquecimento global, nós teríamos que já definir nosso pico de emissão em algum ano”, disse ele.
De novo: há solução?  Sim, garante Lucón, embora reconhecendo que não existe bala de prata. É preciso considerar as tecnologias, como a que prevê enterrar o carbono, e opções de fontes de energia mais limpas, como a nuclear e as hidrelétricas. E a indústria precisa ser chamada a participar. As automotivas podem, por exemplo, combater o que Lucón chama de “obesidade veicular”, pondo nas ruas carros menores, mais fáceis de caber em qualquer espaço.
Há muitos outros desafios, algumas soluções que ainda me parecem distantes da nossa realidade e nenhuma certeza. Há também expectativa, como lembrou a ministra Izabella, de que o acordo anunciado por duas potências abra caminho para novidades no setor. Mas é preciso muita cautela para que a economia verde não seja alternativa para o desenvolvimento sustentável, alertou a cientista Suzana Khan, também membro do IPCC, que apresentou um estudo sobre transportes, um dos setores mais poluentes.
É preciso diminuir as emissões dos transportes, sim. Mas, para o cidadão comum, antes disso é preciso que o transporte público garanta a ele mais qualidade de vida, menos espera, menos perda de tempo no trânsito.
Falou-se ainda sobre agricultura, sobre a possibilidade de uso de adubos orgânicos. Celso Lemme, professor Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, referência no campo da sustentabilidade corporativa, terminou a manhã apresentando seu estudo sobre o sistema financeiro. Afinal, se estamos querendo traçar uma linha para um outro tipo de desenvolvimento, o mercado precisa estar sentado à mesa de debate.
Lemme conta que sempre está presente nas rodas de discussões sobre meio ambiente, e lá não vê economistas. Assim como, quando está em casa, discutindo o sistema financeiro, não vê ambientalistas por perto. É ainda um debate dos mesmos com os mesmos.
"Para os capitalistas, os verdes são sonhadores irresponsáveis e, para os ambientalistas, os do mundo financeiro são capitalistas cruéis". Está na hora de acabar com isso, acredita o professor. Eu apoio.
Os estudos encomendados pela FBDS serão publicados, na íntegra, no site da organização.
*Imagens:Foto de arquivo mostra último caminhão de lixo jogado no aterro de Gramacho (RJ), hoje desativado. (Janaína Carvalho/G1)Camada de poluição Zona Oeste de São Paulo (Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Santa Casa e HRN otimizam doação e captação de órgãos


 
Na noite da última quinta-feira, dia 13, os integrantes da Organização de Procura de Órgão (OPO), instalada na Santa Casa de Misericórdia de Sobral (SCMS), com abrangência na macrorregião Norte, juntamente com médico intensivista, Dr. Olon Leite, coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do Hospital Regional Norte (HRN) reuniram-se no auditório Dr. Pessoa, da Santa Casa.

O objetivo do encontro foi o de consolidar a parceria de integração entre os dois hospitais para otimizar o processo de doação e captação de órgãos na zona Norte. Segundo Dr. Olon Leite, com a criação da CIHDOTT do HRN, é importante a união do dois hospitais para ampliar a doação e a captação de órgãos em toda zona Norte, já que a OPO não se restringe à Santa Casa, mas abrange toda macrorregião. 

Captação
Ele destaca, ainda,  a criação de uma equipe de captação de órgãos a médio prazo e possivelmente uma equipe para transplantes. "Hoje a captação é realizada com uma equipe que vem de Fortaleza. É um processo que desgasta os profissionais envolvidos e existe um certo risco no translado. À vezes, por conta de ser a mesma equipe que faz a captação e o transplante, perdemos o doador, já que coincide um procedimento em Fortaleza com a mesma equipe. Por isso, acreditamos que em breve teremos uma equipe treinada e capacitada de Sobral para realizar os procedimentos, desta forma é muito importante a junção de forças entre os dois hospitais", explica Dr. Olon Leite.

Também participaram da reunião o enfermeiro Iranildo Passos (SCMS), a enfermeira Rejânia Ávila (SCMS), os acadêmicos do Curso de Medicina da UFC/Sobral Jonas Lemos e Jonatas Cavalcante, a acadêmica de enfermagem, Taciane Correia, e o secretário da OPO para a SCMS, Kelson Viana.

Fonte: Blog Encontro com a Saúde

Microdesencontros, Por LUIZ GONZAGA BELUZZO

Os vícios do senso comum e da microcefalia individualista levam a recomendações suicidas de política econômica
Leio em colunas e comentários econômicos exasperadas avaliações que clamam pela elevação do superávit primário. Sem isso, o crescimento da economia está irremediavelmente comprometido.
Em suas habituais diatribes contra os turrões da ortodoxia, Paul Krugman distribui generosas cacetadas nos adeptos da austeridade. O colunista do New York Times e da CartaCapitalquestiona os “austeros” que equiparam o problema da dívida pública aos problemas da dívida de uma família. Se uma família acumulou dívidas demais, deve “apertar os cintos”.
Os governos não devem fazer o mesmo? A resposta de Krugman: uma economia não é uma família endividada. “Nossa dívida (privada) consiste principalmente de dinheiro que devemos uns aos outros. Ainda mais importante, nossa renda provém principalmente de vender coisas uns aos outros. Seu gasto é minha renda e meu gasto é sua renda. Assim, o que acontece se todo mundo reduzir gastos simultaneamente a fim de reduzir suas dívidas? Resposta: a renda cai.”
Quando se trata de cuidar do funcionamento da economia como um todo, ou seja, de questões ditas macroeconômicas, os vícios do senso comum e da microcefalia individualista levam a recomendações suicidas de política econômica, como as oferecidas por Angela Merkel & Cia. para a desditada Europa.
As trapalhadas começam com a definição da chamada macroeconomia como “a economia dos agregados”. Nessa visão apologética, a “agregação” dos comportamentos individuais racionais, a soma das partes determina o resultado para o conjunto da economia. Não por acaso, os economistas da corrente principal se empenham com denodo na descoberta dos fundamentos microeconômicos da macroeconomia, assim como os alquimistas buscavam a pedra filosofal. Essa proeza intelectual pretende convencer os incautos de que o movimento do “macro” é resultado da agregação das decisões no âmbito “micro”.
Keynes, o fundador da macroeconomia, escreve nos manuscritos preparatórios da Teoria Geral de 1933 que a Economia Monetária da Produção funciona segundo um “circuito sistêmico” que começa com dinheiro para contratar trabalhadores e meios de produção, terminando com a venda das mercadorias produzidas por dinheiro. Dinheiro-Mercadoria-Mais Dinheiro, segundo Keynes, é o circuito da Economia Empresarial, conceito que ele utiliza para se desvencilhar das armadilhas lógicas que infestam a ortodoxia. Isso tem um triplo sentido: 1. A propriedade das empresas e o acesso ao crédito conferem à classe empresarial a prerrogativa de gastar acima de sua renda (lucros) corrente. 2. As decisões de gasto na produção corrente e na formação de nova capacidade (investimento) criam a renda nominal da economia como um todo, mediante o pagamento dos salários e geração de lucros sob a forma monetária. 3. A “criação” da renda e do lucro sustenta os gastos de consumo e de poupanças das famílias. As poupanças encarnam-se em reinvindicações genéricas à riqueza e à renda futura. Constituem a massa de ativos financeiros gerados pelo rastro de dívidas e pelos direitos de propriedade que “financiaram” o dispêndio de investimento e de consumo.
Contemporaneamente a Keynes, o economista polonês Michael Kalecki valeu-se dos esquemas de reprodução de Marx para formular o princípio da demanda efetiva. Kalecki investiga as condições de reprodução da economia composta de três macrodepartamentos: bens de consumo dos trabalhadores, bens de produção e bens de consumo dos capitalistas.
Assim, ao comentar a equação “Lucros brutos = Investimento bruto + Consumo dos capitalistas”, Kalecki pergunta-se sobre o seu sentido: “Significa ela, por acaso, que os lucros, em um dado período, determinam o consumo e o investimento dos capitalistas, ou o inverso, disso? A resposta a essa questão depende de se determinar qual desses itens está sujeito diretamente às decisões dos capitalistas. Fica claro, pois, que os capitalistas podem decidir consumir e investir mais em um dado período do que no precedente. Mas eles não podem decidir ganhar mais. São, portanto, suas decisões de investi­mento e consumo que determinam os lucros e não vice-versa”.
As análises de Keynes e de Kalecki podem ser aplicadas às decisões de gasto do governo. As autoridades podem decidir gastar mais ou menos, mas não podem determinar o resultado fiscal. Déficits ou superávits vão depender da resposta do setor privado ao estímulo do gasto público. Se o governo corta o gasto em uma conjuntura de desalavancagem do setor privado – empresas e famílias –, a queda da renda “agregada” vai inexoravelmente levar a uma trajetória perversa dos déficits e das dívidas públicas e privadas, com efeitos indesejáveis sobre os bancos financiadores. Essas são as lições da crise europeia.

POSSUEM TUDO, MENOS A HONESTIDADE, por Carlos Chagas

A roubalheira na Petrobras envolve diretores da estatal nomeados por partidos políticos,  mais empreiteiras,  empresas prestadoras de serviços e políticos de diversos matizes. Como supor que os presidentes Lula e Dilma não soubessem de nada? De que forma aceitar que não  tenham sido informados pelos órgãos  de segurança do governo ou por simples comentários de auxiliares  imunes à mãe de todas as  lambanças jamais praticadas na história da República?
Sabiam e não fizeram nada? Na ânsia de manter o poder, deixaram e incentivaram que PT, PMDB, PP e outros partidos navegassem no mar de lama hoje exposto até as profundezas?
Jamais se viu tamanha sordidez envolvendo poder público e iniciativa privada. Foram bilhões surripiados de obras superfaturadas, distribuídos pela mais  fantástica quadrilha de que se tem notícia agindo no país.  Falta conhecer mais um segmento da banda podre desse poliedro de horror, os deputados, senadores, governadores,  ministros  e funcionários envolvidos.  Parece  não demorar a exposição que nenhum segredo de justiça conseguirá ocultar.
A pergunta que se faz é sobre as conseqüências. Lula e Dilma conseguirão escapar, mesmo diante da presunção de não terem sido beneficiados financeiramente, nem  enriquecido?  E os montes de políticos que receberam propinas, irrigaram suas campanhas e  facilitaram as operações ilícitas, acolitados por empresários e executivos empenhados em dilapidar patrimônio público?  Vai todo mundo parar na cadeia?
Basta abrir o leque para supor não se limitar à Petrobras a sujeira agora descoberta. Outras empresas estatais de igual quilate estarão sendo investigadas, provavelmente incursas nas mesmas bandalheiras. Em suma, as elites nacionais estão podres, com as exceções de sempre. Policia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário vem cumprindo suas obrigações, não obstante as lacunas da lei que, como no caso do mensalão, mandaram a maioria dos réus para casa.
Falta ainda um universo a desbravar. Quando as investigações chegarem aos bancos, por exemplo, tanto os públicos quanto os privados, haverá tapete capaz de ocultar a sujeira? Será que a  garantia de maioria no Congresso vale tamanha lambança?   Certas pessoas  possuem tudo, por meio  de sua desfaçatez. Menos a honestidade…

Corrupção Sistêmica, por MERVAL PEREIRA

O escândalo da Petrobras está produzindo reações curiosas no governo, alguns até mesmo engraçados, se o momento não fosse trágico. Anuncia-se que o PT pretende questionar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a escolha, por sorteio, do ministro Gilmar Mendes para relator das contas da campanha presidencial do partido em 2014. Por sorteio, ressalte-se, e a mando do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, o mais próximo ao PT de todos os integrantes do Supremo Tribunal Federal. Nunca vi tamanha confissão de culpa. 
 Também o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo deitou falação sobre a politização das investigações, insinuando que a oposição está querendo ter um terceiro turno da eleição que perdeu. Logo quem, o mesmo que acabara de dizer que a presidente Dilma havia determinado que as investigações prosseguissem, doam a quem doer. Como se a presidente tivesse o poder de mandar parar as investigações se quisesse.Além do mais, Cardozo abriu uma investigação para punir delegados envolvidos na Operação Lava-Jato por terem expressado opiniões pessoais de crítica ao governo e apoio à candidatura oposicionista em uma página do Facebook fechada ao público.
Com isso, os petistas mais afoitos querem identificar razões partidárias para os vazamentos de partes dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff. Tanto os membros do Ministério Público quanto o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações, saíram em defesa dos delegados da Polícia Federal, e não fariam isso se vissem no comportamento de algum deles desvios que pudessem prejudicar as investigações.
O importante é que o sistema que está sendo revelado mostra que toda sustentação política dos governos petistas é montada na base da corrupção, os partidos indicando diretores de órgãos estatais simplesmente para deles retirar dinheiro para financiar suas campanhas, e claro que os benefícios pessoais se impõem. Então dividem os órgãos estatais e os ministérios por partidos, e cada um que é nomeado sabe exatamente por que está sendo nomeado, para que e o que tem que fazer. E a investigação já mostrou que o mesmo esquema existe em outras áreas do governo, que ainda serão investigadas.
É evidente que essa maneira de fazer política, que foi aprofundada absurdamente nos anos petistas, tem que parar, não há país que aguente uma situação dessas por tanto tempo. Esse sistema de distribuição de ministérios para partidos, de divisão de diretorias de empresas públicas para partidos para montagem de governo está falido.
Não apenas isso, prejudica a imagem do país no exterior e afugenta os investidores sérios, prejudica a economia do país e prejudica sobretudo os mais pobres pois monta-se um governo disfuncional.  É preciso mudar, e a crueza dos fatos vai se encarregar dessa mudança. Provavelmente no próximo mês, ou no máximo no início do próximo ano vamos ter uma relação de 70 a 100 políticos desfilando diante da opinião pública como implicados nesses desvios de dinheiro da Petrobras.
Serão governadores, senadores, deputados, ex-governadores, ex-senadores, ex-deputados, a maior parte será indiciada e julgada pelos tribunais superiores. Estamos na verdade passando por um processo que está em curso desde o mensalão. Um processo que está sendo construído, depurado, e a consequência dessa depuração deve ser a mudança de nosso sistema político-eleitoral.
É muito difícil fazer uma reforma dessa profundidade com o Congresso, pois em tempos normais os deputados e senadores querem manter o sistema que os elegeu. Mas numa crise como a que estamos passando, e ainda vai piorar, é o momento da oportunidade para mudar. O PT não inventou a corrupção, mas inventou um método sistêmico de corrupção que perpassa todo o organismo governamental. Isso nunca houve.
Havia esquemas de corrupção localizados, pessoas corruptas atuando, mas nunca houve um esquema desse porte organizado pelo governo. A ideia de que é tudo igual ajuda a quem está envolvido com essas denúncias. Não é todo mundo igual, nunca houve um partido que tenha chegado ao poder e que tenha montado um esquema dessa amplitude.
Além do mais, esse esquema de corrupção que o PT montou nesses 12 anos faz com que o país não tenha condições de se desenvolver. Uma estrutura de 40 ministérios para financiar sua base eleitoral inviabiliza qualquer governo, perdemos competitividade, perdemos produtividade. Além de todas as decisões de cunho econômico equivocadas, temos um governo disfuncional.