segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O amor maior do mundo



Dia 30 de julho de 2015, DEUS me concedeu a graça de ser mais uma vez pai. Nasceu João Guilherme. Por essa razão, farei uma parada técnica do blog. Por que? Porque vou ajudar a mamãe a cuidar dele. Obrigado Senhor!!!!

A novidade do papa Francisco, por Vasconcelos Arruda


Há poucos meses, um colega de trabalho comentava comigo uma conversa com um amigo que se diz ateu convicto, ocasião em que este lhe confessara: “Por causa deste papa Francisco estou quase me convertendo ao catolicismo”. Embora isso tenha sido dito em tom de brincadeira, não deixa de ter certo fundo de verdade. É no mínimo curiosa a constatação de que o pontífice começa a tocar não apenas os católicos, mas até os que se dizem indiferentes ou mesmo avessos à religião.
A recente viagem do papa Francisco a três países da América Latina reacendeu o debate em tornou da figura do pontífice. Não por acaso, escolheu ele três dos países mais pobres do continente para visitar: Equador, Bolívia e Paraguai. Sua opção, parece-me, não deixa dúvidas quanto ao programa estabelecido para o seu pontificado. É clara sua opção preferencial pelos pobres e marginalizados. Não somente o discurso, mas a sua própria maneira de proceder tem deixado muito claro o rumo que ele pretende dar à atuação da Igreja.
Em consonância com esse projeto, outro está claramente em andamento. Refiro-me à grande transformação na burocracia e hierarquia do vaticano, o que tem provocado incômodo a muitos purpurados. Nesse aspecto, Francisco tem mostrado uma coerência admirável, afinal, uma Igreja que opta pelos pobres tem, necessariamente, que se colocar como exemplo.
Em ambos os aspectos, Francisco tem sido uma grande e benéfica novidade para o mundo católico. A propósito, Marco Politi, um dos maiores especialistas da atualidade em questões vaticanas, no livro de sua autoria Francisco entre os lobos: O segredo de uma revolução, escreve: “Dois Papas no vaticano. E no horizonte perfila-se um pontífice a prazo. O ano de 2013 pôs em marcha uma revolução imprevisível no mundo católico. Muda o perfil do papado e Francisco está a alterar o modelo da Igreja. O seu sucessor voltará provavelmente a viver nos apartamentos papais, mas não poderá continuar a apresentar-se com os mantos do passado. Sobretudo não poderá voltar a exercer um poder autoritário sem limites. O absolutismo imperial dos pontífices está irremediavelmente comprometido. O Papa Francisco apresentou-se ao mundo como discípulo de Jesus, e depois dele será difícil que um Papa possa ascender ao trono, com a pretensão de ser o plenipotenciário de Cristo” (Lisboa: Ed. Texto & Grafia, 2014, p. 233).
Sabia, pois, muito bem o que queria e pretendia este homem que, quando de sua escolha para o cargo de Sumo Pontífice da Igreja Católica, em 13 de março de 2013, ao ser indagado pelo cardeal Giovanni Battista Re se aceitava a eleição, respondeu com um claro sim, manifestando no ato o nome pelo qual queria, a partir de então, ser tratado: “Vocabor Franciscus in memoriam sancti Francisci di Assisi (tomarei o nome de Francisco em memória de São Francisco de Assis)”.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A política, a economia e as instituições

As instituições brasileiras nas esferas judiciária, policial e do Ministério Público estão agindo republicanamente, não se curvando a injunções políticas e partidárias

"Algumas constatações se impõem. Na crise, o Brasil cada vez se afunda mais. A recente redução do superávit primário de 1,1% do PIB para 0,15 é o reconhecimento de que a mudança pretendida é muito mais difícil e demorada do que se pretendia inicialmente. Na verdade, a equipe econômica foi simplesmente incapaz de reduzir os gastos públicos, dado o inchaço da máquina pública brasileira.
Ocorre que, nos últimos 13 anos, houve um aumento generalizado de gastos sociais, de atendimento a funcionários públicos, de infrutíferos gastos em educação com universidades de baixa qualidade pululando pelo país, além de créditos a estudantes incapazes de fazer uma redação e assim por diante. Tudo evidentemente em nome do social, como se os recursos públicos fossem simplesmente ilimitados, bastava a tal da “vontade política”, que nos levou a esse grande impasse e descontrole da economia em geral.
Tão pesado é esse fardo, essa herança maldita, que a agenda do governo consiste, paradoxalmente, na discussão sobre aumentos salariais, tendo como mote o despropositado aumento de funcionários do Judiciário em torno de 70%. Contudo, não é só isto. Discute-se a eliminação do fator previdenciário, podendo levar a uma quebra de uma Previdência já quebrada. Discute-se, também, o reajuste dos aposentados nos mesmos índices do aumento do salário mínimo, além da inflação. A política petista colhe os seus frutos.
Há um fato incontornável que salta aos olhos. A crise atual está mostrando que o Estado não cabe dentro de sua economia. Gasta mais do que arrecada e, mesmo assim, não consegue oferecer atendimento adequado em áreas tão necessárias como educação básica e saúde. De nada adiantam as bandeiras salariais e os tais de “direitos adquiridos”, pois um dia a realidade se impõe. E ela está se impondo. Pode-se protelar a situação como a Grécia o fez, mas um dia a conta terá de ser paga. Discursos esquerdistas não servem nem mais para o teatro, pois são curtos e de uma dramaticidade lamentável.
Acontece que essa crise econômica possui também um forte componente político que só parece se aprofundar em vez de se encaminhar para o seu equacionamento. E o componente político se torna ainda mais problemático, tendo em vista que os seus atores estão sendo comprometidos em processos de tipo criminal. Ou seja, a crise econômica depende de uma crise política que, por sua vez, está atrelada a processos investigativos e criminais. A política diante dos tribunais!
A crise política imobiliza atores e acirra conflitos por estes estarem envolvidos em ações penais e criminais. A política está sendo lida nas páginas policiais. Em uma situação deste tipo, o seu desenlace termina por depender de investigações policiais e do Ministério Público, e de seu julgamento pelos tribunais. Eis por que a crise econômica não tende a arrefecer, pois o seu desfecho se situa para além dela. O país está pego em um círculo vicioso.
Inegavelmente, as instituições brasileiras nas esferas judiciária, policial e do Ministério Público estão agindo republicanamente, não se curvando a injunções políticas e partidárias. O país vive uma Operação Mãos Limpas. Alguns acreditavam que tal processo não iria se perpetuar e, em algum momento, os tribunais superiores, sob pressão política, iriam anular a Operação Lava-Jato por questões processuais ou aliviar a situação dos grandes empreiteiros envolvidos via concessão de habeas corpus. Também sustentavam que os políticos de alto escalão seriam preservados.
Ora, sinalizações contrárias já vinham sendo dadas via não concessão de habeas corpus, e o próprio Supremo já autorizou operações de busca e apreensão em escritórios e residências de senadores importantes. As instituições republicanas estão sendo fortalecidas, com forte apoio da opinião pública. O cerco está se estreitando.
Contudo, mesmo aqui, já há um sinal amarelo se acendendo, consistente em uma interferência de tribunais e instâncias superiores neste trabalho, como se juízes, promotores e policiais tivessem chegado a seu limite. O ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a análise de um processo da Lava-Jato até que o juiz Sérgio Moro esclareça a citação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por um réu envolvido em uma delação premiada. Do ponto de vista jurídico, ele tem razão.
O perigo consiste em que não se trate apenas de um “esclarecimento”, mas de uma primeira trava à qual se seguiriam outras, dentre as quais a anulação do processo ou a liberação de prisão dos envolvidos. Seria a desmoralização completa do Judiciário, de consequências imprevisíveis.
O mesmo vale para a Corregedoria Nacional do Ministério Público, que acolheu pedido do ex-presidente Lula ao instaurar um procedimento disciplinar para apurar a conduta de Valtan Timbó Mendes Furtado, procurador responsável por sua investigação criminal. Teria ele cometido a imprudência de investigar as relações do ex-presidente com a empreiteira Odebrecht, o que seria provavelmente um crime de lesa-majestade! A política está aqui também adentrando o trabalho independente das instituições, acendendo outro sinal amarelo.
Um impasse deste tipo, de múltiplas facetas e condicionantes, exigiria uma autoridade política capaz de desatar esses nós que se enosam entre si. Ora, a presidente está, por sua vez, enosada em si mesma, com discursos incongruentes e práticas de governar que se contradizem entre si, sem nenhum reconhecimento de seus erros passados.
Sua aprovação de ótimo/bom de 7% perde para a inflação de 9%! Está praticamente isolada, além de ilhada em seu círculo íntimo. O momento exigiria uma atitude de estadista, voltada para um grande governo de união nacional. Se não mostrar competência e apetite para isto, o país continuará em um processo de crises sucessivas de maior ou menor intensidade ou deverá ela encarar os fatos e renunciar, em nome do Brasil."
Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Governo do Estado confirma Lúcio Gomes e Antonio Balhman como novos secretários


O Governo do Estado do Ceará anunciou, na noite de segunda-feira (27), os nomes de Lúcio Ferreira Gomes para o comando da Secretaria das Cidades e do deputado federal Antonio Balhmann para a Assessoria para Assuntos Internacionais.

Eles assumem, respectivamente, as vagas anteriormente ocupadas por Ivo Gomes e Danilo Serpa.

Perfil
Lúcio Ferreira Gomes é de Sobral, graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Metotologia do Ensino Superior e MBA em Finanças. Foi secretário de Urbanismo e Obras da Prefeitura de Sobral e secretário Chefe de Gabinete do Governo do Ceará. Atualmente ocupava cargo executivo na iniciativa privada.


Antonio Balhmann Cardoso Nunes é de Coreaú, graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e tem especialização em Consultoria Empresarial. Deputado federal em seu terceiro mandato, sua atuação tem foco no desenvolvimento econômico da Indústria e do Comércio, na proteção das micro e pequenas empresas, na atração de investimentos e na defesa do setor empresarial do Ceará e do Brasil. Foi diretor-superintendente e presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE, secretário estadual de Indústria e Comércio duas vezes e presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará S.A. (Adece)
(com Sobral em Revista)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Por que muitos intelectuais não acreditam(ram) em Deus?

Muitas vezes quando falamos de Deus para intelectuais eles reagem com absoluta indiferença. Sempre nos vem uma questão ao longo da história: Por que tantos pensadores se opuseram a existência de Deus? Exatamente porque confundiram o "deus" criado pelos homens com o "Deus" que criou os homens. O "deus" criado pelos homens é um justiceiro implacável e vingativo. O Deus que criou os homens é misericordioso e se confunde com a próprio justiça e com o amor.
Na verdade, foram as práticas nefastas de algumas religiões (criadas pelos homens), com seu fundamentalismo arraigado, que causaram repugnância no meio dos grandes pensadores. O erro deles foi não saberem separar "Deus" das religiões. Como fruto dessa falsa percepção preferiram ignorar a existência desse Ser superior.
Minha crença em Deus não se prende a um mero formalismo involuntário. Tive, como diz São João da Cruz, minhas noites escuras de profundas inquietações. Tergiversei bastante e fui um dia levado pela descrença. Porém, os anos me mostraram um Deus diferente presente na natureza, nos gestos solidários, no riso de uma criança e até nas dores da perda.
Lembro-me quando vi pela primeira vez meu filho sendo gerado, ainda com um mês de concepção: Na ultrassonografia só se avistava e ouvia um coração batendo, pugnando pela vida. Ah! como era extraordinária aquela cena! Agora depois de quase seis anos de nascimento o vejo belo e radiante. É impossível não acreditar em Deus!

MAIS CONCURSO: STJ ABRE VAGAS PARA ANALISTAS E TÉCNICOS

O Superior Tribunal de Justiça abriu concurso público para provimento de vagas e formação de cadastro de reserva em cargos de níveis médio e superior. A seleção será organizada pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).
O salário é de R$ 8.803,97 para analista judiciário (com curso superior completo) e de R$ 5.365,92 para técnico judiciário (formação no ensino médio). As inscrições podem ser feitas no período entre 10h do dia 30 de julho e 23h59 do dia 19 de agosto no site do Cespe. As inscrições custam R$ 100 para analista judiciário e R$ 70 para técnico judiciário.
Para os cargos de nível superior, as vagas são para as áreas administrativa (qualquer curso superior) e de apoio especializado em análise de sistemas de informação, arquitetura, arquivologia, comunicação social, contadoria, engenharia civil, engenharia elétrica, fisioterapia, pediatria, pedagogia, serviço social e suporte em tecnologia da informação. Para os cargos de nível médio, as vagas são para as áreas administrativa e de apoio especializado em saúde bucal e tecnologia da informação. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

SOBRAL:UVA ABRE CONCURSO PARA PROFESSORES


Foi publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará (DOU) desSa quarta-feira, 22 de julho de 2015, oEdital do Concurso Público de Provas e Títulos com 39 vagas para Professor Efetivo Classes Assistente e Adjunto da Universidade Estadual Vale do Acaraú. As normas do Edital foram aprovadas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UVA (CEPE) e publicadas na Resolução Nº03/ 2015 de 22 de janeiro de 2015. A autorização para realização do Concurso Público foi assinada pelo Governador Camilo Santana nesta terça-feira, 21 de julho.
A UVA foi a primeira das três Universidades Estaduais a entregar, em 28 de fevereiro deste ano, à Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado (SEPLAG) e à Secretaria da Ciência Tecnologia e Educação Superior (SECITECE), o seu edital para análise e aprovação. A notícia foi recebida com entusiasmo pelo Reitor Fabianno Cavalcante de Carvalho. “Foram muitos os esforços para termos essa demanda da Universidade resolvido”, disse o Reitor acrescentando que das 67 vagas destinadas à UVA, 39 são objeto deste primeiro Concurso. “As 28 vagas restantes serão preenchidas em um próximo Concurso, após resolvidas as pendências legais que ainda restam”, disse o Professor Fabianno. 
As inscrições dos candidatos serão exclusivamente pela Internet, no endereçohttp://concursos.uvanet.br , e terão início no primeiro dia útil, após quinze dias da publicação do Edital no DOU. O período de inscrições será de 20 dias.
O Concurso selecionará candidatos Mestres e Doutores para 16 cursos de graduação:Administração (1 vaga para Mestre); Ciências Biologicas (1 vaga para Doutores); Ciências Contábeis (1 vaga para Mestre); Ciência da Computação (2 vagas para Mestre); Ciências Sociais (3 vagas para Mestre e 2 para Doutor); Educação Física (5 vagas para Mestres); Enfermagem (2 vagas para Mestres e 1 para Doutor); Filosofia (1 vaga para Doutor); Física (2 vagas para Mestres e 1 para Doutor); Geografia (2 vagas para Doutores); História (1 vaga para Mestre e 1 para Doutor); Letras - Inglês (1 vaga para Doutor); Matemática (6 vagas para Mestres); Pedagogia (1 vaga para Doutor);Química (1 vaga para Mestre e 2 para Doutores) e Zootecnia (2 vagas para Doutores).
As remunerações variam de R$4.147,04 a R$8.335,55, incluídas as gratificações, para Professor Assistente Nível D e de R$5.336,63 a R$11.793,95, para Professor Adjunto Nível I. 
O Edital completo está disponível em http://goo.gl/fUwnUV

FONTE: Uvanet 

“Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos”, diz Ciro Gomes

Agora na iniciativa privada, como chefe da ferrovia Transnordestina, o ex-ministro da Integração Nacional e ex-governador do Ceará Ciro Gomes não poupou o Congresso Nacional e as coligações partidárias durante sua participação na 3ª edição do Fórum Brasil promovido por CartaCapital, cujo tema neste ano é “Crescer ou crescer”. Para Ciro, o parlamento está dominado por ladrões.

Ciro participou de uma mesa de debate com o ex-ministro da Defesa e das Relações Internacionais Celso Amorim e o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), David Barioni Neto. Os três se reuniram na tarde desta sexta-feira 22 para falar sobre o tema “Exportações, o Caminho para Sair da Crise”. Segundo a falar, Ciro revelou seu pessimismo em relação à retomada do crescimento econômico: “O Brasil não tem projeto”, afirmou.

Ciro, candidato ao Planalto em 1998 e 2002, é difícil criticar os rumos da política industrial e de comércio exterior brasileira porque eles simplesmente não existem. “Temos de forçar a elite brasileira a ajuizar nossa agenda, que é inexistente. O Brasil não tem projeto. Qualquer bodega no Ceará tem projeto, mas o Brasil não.”

A culpa, afirmou Ciro Gomes, começa pelas alianças partidárias no Congresso, considerado o mais conservador desde a redemocratização do Brasil. “Brasília está dominada por uma coalizão de gatunos e incompetentes”, afirmou. “E isso é grave menos pela novela moralista e mais pelo cinismo de um Congresso de ladrões convocando CPIs e bandidos acusando gente séria de ser bandido”, disse.

Gomes poupou a presidente Dilma Rousseff das críticas, a quem considerou “uma exceção, porque é honrada e tem espírito público”.

O comentário de Ciro, ex-governador do Ceará, vai ao encontro do que afirmou seu irmão Cid, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff. Em evento na Universidade Federal do Pará, Cid disse haver no Congresso “400 ou 300 achacadores” se aproveitando da fraqueza do governo para levar vantagens. A frase provocou indignação contra Cid no Congresso, e ele acabou deixando o governo.

A terceira edição do Fórum Brasil faz parte da série Diálogos Capitais, uma iniciativa da Editora Confiança que busca apresentar e discutir temas de grande relevância para o País.
(com Sobral em Revista)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Machado de Assis - O Bruxo, por Menalton Braff

Machado tinha um entendimento de alta resolução do ser humano
Machado tinha um entendimento de alta resolução do ser humano
Era autodidata, o bruxo do Cosme Velho, mas como entendia da alma humana! Para usar a linguagem da era da tecnologia, ele tinha um entendimento de alta resolução do ser humano. É de se admirar que tivesse uma visão niilista, pessimista, da existência?
Tenho-me lembrado, ultimamente, com muita frequência de Machado de Assis. De sua literatura em geral, mas sobretudo de seu conto O espelho.   
Alguns dos leitores, infelizmente, não conhecem Machado de Assis, muito menos o conto aludido. Não é inútil, portanto, um resumo.
O narrador do conto, o protagonista Jacobina, desenvolve a teoria de que todos nós temos duas almas: uma interior e outra exterior. Como comprovação de sua teoria, conta a história de um jovem oficial do exército brasileiro. Em toda sua família, ninguém, até então, galgara tão alto a escala social. O jovem oficial é o orgulho e a esperança de redenção social dos parentes. Só tira o uniforme para dormir.
Um dia, por razões fortuitas, encontra-se inteiramente sozinho (sim, porque os escravos não eram considerados companhia humana) em uma casa de fazenda de onde, depois de uma viagem forçada da família, até os escravos começam a aproveitar a ausência dos amos para sumir.
Resolve o jovem oficial, para não sujar seu rico uniforme, que só tirava para dormir, vestir uma roupa comum, um traje civil igual ao que as pessoas em geral vestem para estar em casa. Ao passar pela frente de um espelho no corredor, olha para ele por acaso e sem intenção nenhuma, então leva um susto enorme: sua imagem não está lá, sinal nenhum dele mesmo, como se tivesse perdido inteiramente sua materialidade.
Não tem para quem apelar, pois agora nem a companhia dos escravos ele tem, não consegue imaginar o que acontece, e isso o assombra. Angustiado, com medo, inteiramente apavorado, ele resolve partir daquela casa maldita, onde deixara de existir, ou, pelo menos, perdera sua materialidade.
Vai ao quarto e veste apressadamente o uniforme para a viagem, que deverá ser feita com o garbo e o aprumo de um oficial do exército. Grande surpresa, quando passa novamente pela frente do espelho, com o rosto virado para outro lado, mas com o rabo de um olho medroso ele percebe: sua imagem está perfeita, irretocável. Sem saber como, ele recupera sua alma exterior. Essa é a conclusão de Jacobina. Mas quando termina a história, um dos convidados dorme, outros foram embora, um outro fuma seu charuto distraído, sem ouvidos para ouvir.    
Alguns amigos meus não conseguem escrever o próprio nome sem seus diversos títulos pendurados de enfeite. O bruxo do Cosme Velho sabia muito bem ver por fora e por dentro.
Quanta gente conheço que não pode tirar o uniforme!

ARTURO PAOLI - Partiu o homem que sempre esperava o advento de Deus

por LEONARDO BOFF
"Ele fez de tudo na vida. Na juventudo foi ateu e marxista. Mas de repente se converteu. Ordenou-se padre durante a guerra. Logo entrou na Resistência contra os nazistas. Em 1949 fizeram-no Assistente da Juventude da Ação Católica. Mas seus métodos libertários não agradaram o do status quo eclesi?tico e o mandaram acompanhar emigrantes italianos que vinham de navio à Argentina. Na viagem encontrou um Irmãozinho de Jesus, seguidor de Charles de Foucault cujo carisma é viver no mundo entre os mais pobres. Iniciou-se na Argélia junto ao deserto e entrou na luta de liberação contra a dominação francesa. Depois foi enviado à Argentina. Por anos trabalhou como operário com madeireiros. Foi ao Chile de Pinochet. Mas logo seu nome estava na lista:”quem encontrar um desses, pode eliminar”. Esteve por um tempo na Venezuela. Mas acabou por instalar-se no Brasil em Foz do Iguaçu onde criou várias iniciativas para os pobres, com ervas medicinais, fazenda didática para jovens desamparados e outras organizações populares que ainda persistem hoje.
Teve muitos reconhecimentos que quase sempre rejeitava. Mas o mais importante foi em 29 de novembro de 1999 em Brasília quando embaixador israelense lhe conferiu a maior comenda a não judeus:”justo entre as nações”. Durante a guerra criou com outros uma rede clandestina que salvou 800 judeus.
Fez-se monge sem sair do mundo mas sempre dentro do mundo dos lascados e humilhados. Todo o tempo livre dedicava-o à oração e à meditação. Durante o dia recitava mantras e jaculatórias. Foi uma das figuras mais impressionantes que  passaram por minha vida, com uma retórica de ressuscitar mortos.  Éramos amigos-irmãos.
Estranhamente tinha um jeito próprio de rezar. Foi ele que me contou. Pensava: se Deus se fez gente em Jesus, então foi como nós: fez chichi, cocô, choramingava pedindo  peito, fazia biquinho com o que o incomodava como a fralda molhada.
No começo, pensava ele, Jesus teria gostado mais de Maria, depois mais de José, coisas que Freud e Winnicott explicam. E foi crescendo como nossas crianças, brincando com as formigas, correndo atrás dos cachorrinhos e, maroto, roubava frutas do quintal do vizinho.
Esse estranho místico, rezava à Nossa Senhora imaginando como ninava Jesus, como lavava no tanque as fraldinhas sujas e como cozinhava o mingau para o Menino e as as comidas fortes para o seu marido carpinteiro, o bom José.
E se alegrava interiormente com tais matutações porque  assim devia ser pensada a encarnação do Filho de Deus, na linha do Papa Francisco, não como doutrina fria, mas como fato concreto.  Sentia e vivia tais coisas na forma de comoção do coração. E chorava com frequência de alegria espiritual.
Por onde chegava, criava sempre ao seu redor uma pequena comunidade na pior favela da cidade. Tinha poucos discípulos. Apenas três que acabavam indo todos embora. Achavam dura demais aquela vida e ainda deviam meditar durante o dia, no trabalho, na rua, na visita aos casebres mais decaídos.
Só, agregou-se então a uma paróquia que fazia trabalho popular. Trabalhava com os sem-terra e com os sem-teto. Corajoso, organizava manifestações públicas em frente à prefeitura e puxava ocupações de terrenos baldios. E quando os sem-terra e sem-teto conseguiam se estabelecer, fazia belas “místicas” ecumênicas com o faz sempre o MST.

Arturo Paoli 
Arturo Paoli 

Mas todos os dias, por volta das 10 da noite, se enfurnava na igreja escura. Apenas a lamparina lançava lampejos titubeantes de luz, transformando  as estátuas mortas em fantasmas vivos e as colunas eretas, em estranhas bruxas. E lá se quedava até às 23 horas. Todas as noites. Impassível, olhos fixos no tabernáculo.
Um dia fui procurá-lo na igreja. Perguntei-lhe de chofre:   ‘meu irmão Arturo, você sente Deus, quando depois dos trabalhos, se mete a rezar aqui na igreja? Ele te diz alguma coisa”?
Com toda a tranquilidade, como quem acorda de um sono profundo,  apenas disse: “Eu não sinto nada. Há muito tempo que não escuto sua voz. Já senti um dia. Era fascinante. Enchia meus dias de música e de luz. Hoje não escuto mais nada. Sofro com a escuridão. Talvez Deus não queira me falar nunca mais.”
E então, retruquei eu, “por que continua, todas as noites, aí na escuridão sagrada da igreja”? “Eu continuo”, respondeu, “porque quero estar sempe disponível. Se Ele quiser se manifestar, sair de Seu silêncio e falar, eu estou aqui para escutar. E se Ele, de fato, quiser falar e eu não estiver aqui? Pois, cada vez, ele vem somente uma única vez. Como outrora”.
Saí maravilhado e meditativo por tanto disponibilidade. É por causa dessas pessoas, místicas anônimas, que a Casa Comum, no dizer do Papa Francisco, não é destruída e Deus continua com sua misericórdia sobre a  humana  perversidade.
Elas vigiam e esperam, contra toda a esperança, o advento de Deus que talvez nunca acontecerá. Mas são os pára-raios divinos que recolhem a graça que,  silenciosamente, se difunde pelo universo e faz que Deus continue a nos dar o sol e todas as estrelas e penetre fundo no coração de todos os vivem na Casa Comum. E se Deus aparecer haverá gente disponível para ouvi-lo. E chorarão de alegria.     
Seu nome é Arturo Paoli que com 102 anos foi ver e escutar Deus no dia 13 de julho de 2015 onde vivia em San Martino in Vignale nas colinas de Lucca, Itália."
* Leonardo Boff é colunista do JB online e teólogo

SOBRAL: 29ª FENAIVA - Feira de Negócios do Vale do Acaraú começa nesta quinta-feira (23)


Para qualificar empreendedores da Região Norte, a Feira de Negócios do Vale do Acaraú – Fenaiva será realizada de 23 a 25 de julho, no Centro de Educação a Distância do Ceará (CED).  Em sua 29ª edição, a Feira reunirá 60 expositores, 85 palestras e 20 oficinas, com participação de empreendedores de 39 municípios.

Em 2015, o evento traz novidades. Deixou de ser uma feira multisetorial para investir em qualificação profissional e abrigará outros eventos simultâneos. Dentre eles está o SIM Sobral - Seminário de Inovação e Marketing, que trará a palestrante Bel Pesce, a menina do Vale, e o consultor de vendas André Portes; a Arena Varejo, comandada pela CDL de Sobral, com um ciclo de palestras nas áreas de gestão, vendas e motivação; o Espaço Economia Criativa, dedicado a negócios criativos e startups; o SMS - Social Media Sobral, dedicado ao marketing digital; o Espaço MEI; o Espaço Saúde Conceito; e o Espaço Universidade Empreendedora, entre outros.

Com 29 anos de tradição, a Fenaiva tem sido uma das maiores feiras dessa área do Interior do Nordeste. É realizada pelo Sebrae com o apoio do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, da Seduc, por meio do Centro de Educação a Distância do Ceará (CED), e da Prefeitura de Sobral, por intermédio da Secretaria da Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (STDE).

Clique AQUI e veja a programação completa, e AQUI para fazer sua inscrição

SERVIÇO
29ª Feira de Negócios do Vale do Acaraú – FENAIVA
Data: 23 a 25 de julho, das 16 às 22h
Local: Centro de Educação a Distância do Ceará

Rua Iolanda Barreto 317, Derby (próximo ao IFCE).

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Faculdade Luciano Feijão oferecerá o 1º mestrado em Direito do interior do Ceará


Em uma sólida parceria com a Univesidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a Faculdade Luciano Feijão (FLF) apresenta o primeiro e único Mestrado em Direito do interior do Ceará, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

Foi publicado na última sexta-feira, 17 de julho no Diário Oficial da União, Nº 135/2015, a autorização do Curso de Mestrado em Direito, na modalidade MINTER.

A formação em nível stricto sensu impactará sobremaneira na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão não apenas na região norte, mas em todo o Estado do Ceará, alavancada pelo alto nível e a vasta experiência do corpo docente da UFSC, instituição com Conceito 6 junto à CAPES.

(com Sobral em Revista)

terça-feira, 21 de julho de 2015

As escolhas dos intelectuais franceses nos anos sombrios da Ocupação


Por Luciano Trigo


Paris ocupada
Em junho de 1940, após uma resistência pífia, Paris – então a capital cultural e artística do mundo – e boa parte do território francês foram ocupadas pelos nazistas, e somente quatro anos depois a cidade seria libertada pelas tropas aliadas. A conduta dos intelectuais e artistas locais durante a Ocupação é um tema que até hoje desperta paixões e mobiliza a opinião pública na França. Em tom de reportagem, “Paris ocupada – Os aventureiros da arte moderna: 1940-1944 (L&PM, 368 pgs. R$ 44,90), o premiado ensaísta e romancista Dan Franck faz um balanço impressionante do período: embora deixe claras as suas simpatias e antipatias pessoais, ele vai além do julgamento simplista que divide a França da época entre resistentes e colaboradores, sempre buscando contextualizar e fundamentar com um rigoroso trabalho de apuração as escolhas individuais e tomadas de posição política de cada um. E mostra que, entre os extremos do heroísmo e da traição, da arriscada resistência clandestina e da tentadora capitulação total ao inimigo, houve muitas gradações – e, com raras exceções, a maioria optou em algum grau pelo-meio termo, por alguma forma de acomodação.
“Paris ocupada” não é um livro de historiador, mas uma ágil narrativa em mosaico, uma coleção de episódios reveladores das tragédias individuais e da tragédia coletiva da França ocupada.  Dessa forma, Franck consegue recriar de forma convincente a atmosfera das ruas e vielas, dos cafés e teatros parisienses que padeciam sob o jugo do invasor. “A Cidade-Luz se ensombreceu”, escreve Franck. “Os museus se esvaziaram na meticulosa operação para proteger dos nazistas as principais obras de arte do país, e teve início um dos mais sombrios períodos da longa história de Paris, com intervenção política, toque de recolher, perseguição a judeus e a outras minorias, prisões arbitrárias, violência, medo e suspeita.”
Paris ocupadaNesse contexto – e lembrando que naquele momento ninguém sabia quem ia vencer a guerra –, a necessidade de conciliar o trabalho e a subsistência, ou a fuga (quando essa alternativa se apresentava, já que em muitos casos o problema imediato era ficar vivo), com o imperativo moral de se posicionar em relação ao invasor, gerou muito dramas e tragédias pessoais. Por outro lado, entre os mais velhos muitos haviam testemunhado os horrores da Primeira Guerra se transformaram em pacifistas radicais, mesmo que o preço fosse viver de joelhos; outros eram movidos pela ideologia (numa época em que a palavra fazia algum sentido), ou pela canalhice pura – o que não exclui a genialidade artística, caso do antissemita Céline, autor de “Viagem ao fim da noite”. Mas Franck lembra sempre que esses homens e mulheres eram reais, de carne e osso, indivíduos que tinham que lidar com questões familiares e afetivas, com crises financeiras, casamentos desfeitos, traições e inimizades, pequenas humilhações, enfim, todas as angústias decorrentes das exigências mesquinhas do dia a dia: editores esmagados que não tinham papel para imprimir seus livros, cineastas e produtores em busca de bobinas de filme, escritores trabalhando com medo da censura, outros morrendo sob tortura.
Como em seus outros livros, Franck aborda as trajetórias de tantos personagens e conta tantos episódios reveladores, chocantes ou inusitados que seria impossível abarcar tudo no curto espaço de uma resenha. Mas vale citar três personagens que costumam ser associados a posições heroicas, quando na verdade não foi bem assim: Jean-Paul Sartre, que se omitiu em diversos momentos importantes e retomou tranquilamente suas atividades acadêmicas após um curto período no front (registrado nos “Diários de uma guerra estranha”), enquanto colegas eram perseguidos; André Malraux, que se alienou em sua casa de campo e só aderiu à Resistência às vésperas do fim do conflito, em 1944; e Marguerite Duras, que trabalhava junto ao departamento responsável por censurar as obras “inadequadas” do pondo de vista dos nazistas. Mas a lista de personagens famosos cuja conduta Franck esquadrinha é longa: André Breton, Louis Aragon, Antoine de Saint-Exupéry, Louis-Ferdinand Céline, Drieu de la Rochelle,  Arthur Koestler, Paul Éluard, Matisse, Jean Giono, Jean Cocteau etc.
Depois de “Boêmios”, que retratou a vida de artistas como Picasso, Matisse e Modigliani de 1900 a 1930 (lançado no Brasil pela editora Planeta), e “Libertad!”, que abordou o período 1930-1939, com ênfase no impacto da Guerra Civil Espanhola na comunidade artística (ainda sem tradução), “Paris ocupada” é o terceiro volume de uma ambiciosa série de Dan Franck sobre a vida intelectual na França no século 20. Leitura obrigatória em momentos de crise, de relativismo moral e de polarização política, como o que estamos atravessando.

UFC Sobral está com vaga para aberta para Professor da Faculdade de Medicina

Estarão abertas até esta quarta-feira, 22 de julho, as inscrições para a seleção pública de professor substituto do Curso de Medicina do Campus da UFC em Sobral. Está disponível uma vaga para o setor de estudo “Semiologia Médica / Clínica Médica / Internato”.
O regime de trabalho para a vaga é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 2.498,78 mensais. Os candidatos devem possuir título de mestre. As inscrições devem ser feitas na Coordenação do Curso de Medicina de Sobral (Av. Comandante Maurocélio Rocha Ponte, 100, Derby – Sobral).

Detalhes estão no Edital nº 143/2015 (AQUI). Mais informações no site da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (AQUI) ou pelo telefone 85 3366 7407.

Fonte: Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas da UFC

do blog sincronicidade: DO CONTERRÂNEO VASCO ARRUDA

Uma obra aberta ao incognoscível

20 DE JULHO DE 2015 11:0917. O CAMINHO DA INDIVIDUAÇÃO
Ao ousar manter juntos “a medida e a desmedida, a ordem e a poesia”, Jung foi ele próprio o criador de uma obra abundante e original que, ao mesmo tempo que era uma obra científica, soube abrir-se para o irracional, o desconhecido e o incognoscível.
Viviane Thibaudier
[Thibaudier, Viviane. Jung, médico da alma. Tradução Martha Gouveia da Cruz, Alexandra D. de Souza. – São Paulo: Paulus, 2014, p. 144. (Coleção Amor e psique).]   
Comecei a leitura do livro Jung, médico da alma, pela página 32. Como sempre faço ao adquirir um livro, antes de iniciar a leitura folheei-o página por página. Pois bem, logo no início, no segundo capítulo, me despertou a atenção o subtítulo O sacrifício, sob o qual encontra-se uma  citação de um dos livros mais polêmicos de Jung, Símbolos da Transformação (livro que, diga-se de passagem, é tido como marco de seu rompimento com Freud):
O mundo aparece quando o homem o descobre. Ora, ele só o descobre no momento em que sacrifica seu envolvimento com a mãe original, dito de outra maneira, o estado inconsciente do início.
Como a questão do sacrifício vem ocupando o centro de meus estudos e reflexões há bastante tempo, foi por aí que iniciei a leitura do livro, somente depois passando para a página inicial. Aliás, esse livrinho, pequeno no tamanho mas grandioso no conteúdo, me proporcionou alguns encantos desde a página de rosto, na qual a autora pôs a instigante citação de Élie Humbert: “Será que conseguimos manter juntas a moderação e a insensatez, a ordem e a poesia? Jung tentou”.
A autora, Viviane Thibaudier – ex-presidente da SFPA (Sociedade Francesa de Psicologia Analítica), que também dirigiu o Instituto C. G. Jung de Paris por mais de dez anos – escreve, logo na Introdução, a propósito da polêmica que sempre cercou tanto Jung quanto sua obra: “O que não teria sido dito sobre Jung? Afirmou-se que não passou de um pedagogo, um simbologista ou mitólogo, que foi místico, esotérico, antissemita, que fazia girar mesas, acreditava em discos voadores e praticava a alquimia, que teria fundado uma nova religião. O catálogo é infinito. Alguns chegaram a escrever livros sobre ele para demonstrar que o autor era pouco recomendável, como aqueles que escrevem obras inteiras para provar que Deus não existe!” Prosseguindo, formula uma instigante indagação que soa, ao mesmo tempo, como um desafio: “Tais simplificações, com frequência exageradas, contribuíram amplamente para distorcer o pensamento de Jung. Mas será que conhecemos o verdadeiro Jung?” (p. 9)
Ao longo de quinze capítulos, curtos mas tão bem escritos quanto fundamentados, a autora perpassa os aspectos mais importantes e salientes da obra junguiana, elucidando conceitos, sempre ilustrados com exemplos tomados à prática clínica. No final, o livro traz ainda um pequeno glossário que serve como suporte a quem está começando a explorar Jung.
Jung, médico da alma, é um delicioso convite a uma imersão rápida e agradável no universo junguiano. Sua leitura me proporcionou imenso prazer e algumas descobertas, motivo pelo qual o tenho mantido em minha mesa de leitura, a ele retornando algumas vezes. Reputo essa publicação de interesse tanto para os já iniciados quanto para os que estão se iniciando na obra desta figura fascinante e controvertida, sobre quem, com muita propriedade, afirma Viviane Thibaudier na Introdução:
Essa mente curiosa e culta, de visão aguçada e de longo alcance, interessava-se por tudo: ciências, filosofia, literatura, antropologia, paleontologia, história das religiões, linguística etc., e sua obra no campo da psicologia, incluindo algumas de suas ideias mais audaciosas, vai ao encontro das pesquisas mais adiantadas da física contemporânea. É, além disso, especialmente apreciada por pessoas criativas de todo o meio artístico (p. 11).

Fonte: Blog Sincronicidade

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O recuo de Cunha após mexer com o mundo econômico e financeiro, POR CRISTINA LOBO

Um dia depois de anunciar com estardalhaço seu rompimento com o governo, Eduardo Cunha dá um passo atrás e se reposiciona. Na sexta-feira (17), ele anunciou a criação de duas CPIs com nítido desejo de criar problemas para o governo: a do BNDES e a dos fundos de pensão.
No dia seguinte, por meio do Twitter, disse que não há "pauta vingança" e foi mais longe ao afirmar que "não tem o histórico de ajudar a implementar o caos na economia por pautas que coloquem em risco as contas públicas".
Se do ponto de vista político Cunha fez um movimento tão brusco que não levou seguidores importantes, nem mesmo em seu próprio partido, quando anunciou as duas CPIs que constrangem o governo ele mexeu também com o mundo econômico e financeiro. Um público com o qual  buscava ainda maior aproximação, incluindo na pauta da Câmara projetos de interesse desse grupo. Um exemplo foi o projeto que trata da terceirização.
Entre empresários e bancos há a preocupação com a crise política e estagnação da economia. E mais lenha nesta fogueira não interessa a eles. Talvez aí esteja a justificativa para a guinada de Cunha. Sem ganho político neste primeiro instante e se afastando do grupo econômico, Cunha fez o recuo rapidamente.
"Ele se tornou interlocutor importante de empresários, e tocar o fogo no circo não interessa a eles", analisou um ministro do governo Dilma.
Mas, para recuperar e conquistar mais força política, Cunha vai precisar responder ponto por ponto as acusações que recaem sobre ele no âmbito da Operação Lava Jato.

Camilo Santana lamenta saída de Ivo do governo: “Vamos continuar seguindo”


O governador Camilo Santana disse nesse domingo (19) que lamenta a saída de Ivo Gomes da Secretaria das Cidades, ocorrida na quinta-feira (16). Esta é a primeira vez que Camilo se pronuncia sobre o assunto publicamente.

“Essa foi uma decisão pessoal do Ivo. Ele é um grande amigo, companheiro e uma pessoa extraordinária. Um secretário que vinha fazendo um grande trabalho. O que eu tenho a dizer é só lamentar, mas vamos continuar seguindo”, disse o governador, em visita ao município de Assaré, no Cariri.

Em nota, o irmão caçula dos ex-governadores Cid e Ciro Gomes, informou que entregava o cargo em uma última tentativa de garantir o salário dos terceirizados do Metrofor, sob sua responsabilidade desde abril. No entanto, de acordo com o amigo e prefeito de Sobral, Veveu Arruda, Ivo escreveu uma carta ao governador, alegando que a sua saída tinha motivações de “ordem pessoal”. “Ele agradeceu a oportunidade e disse que tinha razões pessoais para deixar a pasta”, conta Veveu.

“A máquina continua rodando. Não vejo problema de continuidade nisso”, diz o líder do governo na Assembleia, Evandro Leitão, sobre a possibilidade de racha entre o governo e o grupo dos Ferreira Gomes.

A greve que supostamente teria levado Ivo a deixar o cargo foi resolvida no mesmo dia de sua resignação. Resultado de um encontro de pouco mais de uma hora no Palácio da Abolição, a Casa Civil concordou em fazer os depósitos às empresas terceirizadas para que os trabalhadores fossem pagos.

Após mudanças nas pastas de Segurança Pública, Esportes, Relações Institucionais e Controladoria e Ouvidoria, a última perda talvez tenha sido uma das mais significativas.

Ex-chefe de gabinete do governo Cid Gomes, Ivo era um dos últimos elos da gestão anterior com a atual. A exoneração ainda não foi assinada por Camilo ou publicada no Diário Oficial do Estado. Segundo a assessoria da Casa Civil, o adjunto Quintino Vieira responde temporariamente pela pasta. O ex-superintendente do DER é ligado ao grupo dos Ferreira Gomes.

Com a volta do deputado estadual Ivo Gomes ao Legislativo, o suplente Sineval Roque (Pros) deixará a Assembleia.

(com informações d'O Povo e TV Assaré)

HORA DE APROVEITAR A OPORTUNIDADE, por Gustavo Cerbasi

O enfraquecimento da economia extrapolou as conversas de bares. A crise está estampada nos indicadores econômicos, nos números de queda do emprego, de alta dos juros, de queda do valor do real e de fechamento de fábricas e do comércio. O Brasil engatou a marcha a ré.
Esse é o discurso da maioria das pessoas. Mas, para uma minoria, o que chegou foi o período de oportunidades. Perceba:
  • Por causa da crise, muitos estão perdendo empregos. Pela mesma razão, aqueles capazes de realizar múltiplas tarefas ou de reduzir custos estão sendo contratados.
  • Por causa da crise, os juros subiram, tornando os financiamentos quase que inviáveis. Porém, a alta dos juros está fazendo a festa dos que possuem recursos investidos, mesmo com perfil conservador.
  • A crise está levando ao desespero construtoras e incorporadoras. O mesmo ocorre com montadoras e lojas de veículos. Neste instante, quem está capitalizado para boas compras conseguirá ótimas negociações.
  • Alguns vendem imóveis em desespero, a preços baixos, para dar fôlego ao orçamento de seus negócios ou de sua família. Esse é o cenário em que o sonho da casa própria ocorre a preços menores do que há dois anos.
  • Com o dólar alto, famílias cancelam suas viagens à Disney. No mesmo instante, cidades do interior do Brasil celebram a safra recorde com o dólar melhor para eles.
A palavra crise é inadequada. Deveríamos chamar de tempos de ajuste os períodos de economia recessiva, resultantes de erros cometidos em tempos de bonança. A crise ocorreu lá atrás, na forma de fazer escolhas.
Em tempos de bonança, de economia a todo vapor, o otimismo faz com que pessoas saiam de casa para comprar um automóvel de R$ 30 mil e voltem para casa com um de R$ 40 mil. “Dá para pagar, vale o sacrifício!”, é o que dizem. Então, a boa compra se transforma em uso do cheque especial e empréstimos para pagar o custo de vida que aumentou. Com dificuldades, quem comprou mal deixou de consumir, sumiu das lojas, afundou em problemas e fomentou a crise.
Em tempos de bonança, outros preferiram criar reservas financeiras. Não assumiram gastos maiores do que podiam pagar. Começaram o 2015, que prometia ser difícil, com dinheiro no banco. Confiaram na segurança da renda fixa, já que os juros vinham subindo. Agora, começam a socorrer aqueles que fizeram más escolhas, dar liquidez em troca de boas oportunidades. Assim se constrói riqueza. Aproveitando as vacas gordas, para acumular reservas que darão saltos de valor nas próximas crises. Qual é sua estratégia? Aproveitar o momento? Ou lamentar e esperar o fim da crise para voltar a errar?
Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, Investimentos Inteligentes e Adeus, Aposentadoria, todos pela Editora Sextante.
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Publicado originalmente na Revista Época em 11/07/2015.
Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte www.maisdinheiro.com.br.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

DEUS NÃO AGE ONDE O HOMEM DEVE AGIR

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, ainda no ano de 2011, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o fez nutrir uma raiva tão grande de Deus diante daquele episódio que dizimou mais de mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se, porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordioso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorância teológica, e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômatos, sem capacidade de criação, frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou. Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno. Essa missão é do homem e não cabe a Deus intervir.
(republicado e pedido do leitor)

Para Planalto, Cunha anunciou oposição para desviar foco das investigações, por GERSON CAMAROTTI


Acuado pelos desdobramentos da operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu ir para uma estratégia de enfrentamento com a Justiça Federal, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, e de responsabilizar o governo por direcionamento das investigações. Mas ele agora terá que trabalhar para manter uma base de sustentação mínima que garanta sua permanência no comando da Casa.
Dentro do próprio PMDB, já há setores incomodados em dar sustentação a Cunha, num momento em que ele começa a criar desgaste ao partido e ao próprio Legislativo. A ordem agora é aguardar se de fato Cunha será denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caso isso aconteça, aumentará o questionamento no partido e na própria Câmara sobre a conveniência de ele permanecer à frente do comando da Casa.

Integrantes da cúpula do PMDB avaliam que Cunha decidiu hoje anunciar oposição ao governo porque foi acusado por um delator na Lava Jato.

Um ministro petista disse ao Blog que a estratégia de Cunha de culpar o governo tem como objetivo desviar de si o foco.

Fonte: Blog do camarotti