sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

AS DROGAS E OS NOSSOS FILHOS: só amor é capaz de vencer

Entristeço-me profundamente com o alarmante crescimento de jovens afundados nas drogas. Nada pode ser mais assustador para um pai ou uma mãe do que perder seu filho para as drogas. Isso nos concita a refletir quais as razões têm levado a juventude a esse quadro desolador. Sempre tenho dito nas Reuniões  de Pais do Colégio Luciano Feijão que a Escola é uma grande parceira, mas o papel dos pais na educação dos filhos é indelegável. Nada substitui o afeto e o carinho no ambiente familiar.

Sabemos que nossos afazeres e a correria do trabalho nos distanciam dos amigos e sem dúvida nos distanciam mais ainda dos nossos filhos. Em razão desse fato muitos pais compensam suas ausências com presentes e mais presentes. Imaginam que bens materiais sejam capazes de preencher o enorme vazio que cerca o cotidiano de uma criança ou de um adolescente. Trata-se de um mero engano! Só o amor que se traduz pela presença, pelo carinho, pelo diálogo, é capaz de criar um escudo de proteção que fará com que nossos filhos não sejam cooptados para os caminhos dos prazeres efémeros e enganosos.

É preciso se perguntar: Como preenchemos o vazio de nossos filhos: Conversamos com eles? Indagamos como foi o seu dia, quais são seus projetos? Dividimos com eles suas angústias e dores? Somos de fato um pai-amigo que sabe ser compreensivo e ao mesmo tempo austero quando se fizer necessário? São essas questões que devem mover a nossa reflexão. Educar é um ato de amor, porque é também doação, mas exige compromisso, tempo e dedicação. Se  não quero perder meu tempo escutando meu filho, terei que encontrar um enorme tempo para dividir com alguém as dores de tê-lo perdido.

Um outro aspecto que reputo por demais importante: Fortaleça em seu filho os valores espirituais e morais. Aqueles que têm fé se robustecem de uma razão maior para viver e preenchem seu vazio no transcendente, pois  ao colocarmos  Deus no "centro", nossas vidas passam a encontrar o verdadeiro sentido. Por outra banda, os moralmente sadios conhecem os seus limites e os perigos que rodeiam a aventura da vida.

Em resumo: É preciso amor, presença, tempo e dedicação!!!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Perdemos o sentido de contemplar...

Quando vinha à noite pela estrada, na última semana, avistei as luzes fulgurantes de uma LUA CHEIA. Era algo fantástico!!! Permiti-me por alguns instantes esquecer do frenético trânsito e do apito insistente dos motoristas sempre apressados. Pude contemplar a beleza daquele momento. Lembrei-me de que São Francisco um dia acordou a cidadezinha de Assis, pelas badaladas do sino de uma Igreja, conclamando a todos a admirar a beleza de uma lua cheia. Foram raivosas as manifestações ao gesto do Santo.

Tudo isso me fez refletir que com o passar dos dias estamos perdendo a sensibilidade e a capacidade de admirar-se. Vivemos em um tempo que enclausura um olhar contemplativo, arrefece os sonhos, desmorona a criatividade. Passamos pelo belo sem reverenciá-lo. Nossa percepção se perde à distância de um sorriso negado, de um afeto subtraído, restando as migalhas dos amores que se foram. Somos incapazes de sorrir para vida, de enxergar no outro a extensão de nós mesmos. Surrupiamos de nós as expressões de carinho, de apreço. Tornamo-nos máquinas pensantes, despidas de sentimentos.


Foi avistando a lua cheia que algo em mim se fez mais forte: sou parte da grande safra de Deus. Não me vou negar a esperança que move os sonhos, a alegria que insiste em brotar no sorriso de uma criança e a certeza de que a vida não se resume na formatação de um papel social, na acumulação de riqueza, na satisfação profissional. Vai muito mais além. Mas se quero vivê-la em sua plenitude devo me permitir admirar as pequenas coisas, saber contemplá-las e, ao final, descobrir o verdadeiro sentido da vida: viver!!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

REVISITANDO NOSSA HISTÓRIA: DO PRESIDENTE QUE PEDE PELO AMIGO E OUTROS DESMANTELOS DO ESTADO BRASILEIRO

Após sucessivas observações sobre as relações de poder no Brasil e, por oportuno, frente à discussão que trata do assalto aos cofres públicos e da interferência da maior autoridade do país- o Presidente - em interesses privados e paroquianos,  tentei fazer uma releitura da obra “Microfísica do Poder”, do magistral filósofo francês Michel Foucault. Nela Foucault explicita os mecanismos de dominação que se exercem fora, abaixo e ao lado do aparelho do Estado. Essa máquina ideológica termina por incrustar “verdades” cujo interesse primordial é a dominação do homem através de práticas políticas e econômicas de uma sociedade capitalista.

Mais especificamente no capítulo que trata da “Verdade e Poder”, o filósofo nos adverte que o “que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso”.

A propósito dessa discussão, remeto-me à genialíssima obra do renomado jurista brasileiro Raymundo Faoro, intitulada “Os Donos do Poder”. O livro, que já li por duas vezes, trata sobre o patrimonialismo na formação política do Brasil, apontando o período colonial brasileiro como originador da corrupção e da burocracia no país. Daí por que a tênue separação entre o público e o privado, herdada da tradição monárquica portuguesa, marca a política brasileira desde o tempo em que era colônia. Assusta-nos perceber que o ato de expropriar o dinheiro público não causa remorso.Isso porque no pensamento de muitos o que é público não pertence a ninguém, pode-se usar e abusar à vontade, afinal a “viúva” é rica, não tem herdeiros, portanto não tem para quem deixar sua herança.

Essa forma promíscua de relação construída pela perversão do que é publico é fruto de uma sociedade ambientada na exploração, na espoliação do maior sobre o menor, na decrepitude dos valores éticos. A ratificação de práticas tão nefastas se robustece e se legitima pela ignorância, diga-se, desconhecimento do povo de seus direitos elementares, principalmente o da irresignação. A herança escravocrata criou no brasileiro um sentimento de impotência, ou de aceitação plena dos instrumentos de exploração. Tal fato faz-nos aceitar, muitas vezes, que políticos utilizem-se do poder para se locupletarem economicamente, à custa do sofrimento de muitos que procuram os serviços públicos e não recebem o devido tratamento por falta de recursos.

Somos ainda o Brasil dos opostos, cuja distribuição de renda é por demais injusta. Esse paradoxo nos concita a revisitar a nossa história e dela tirar grandes lições, como forma de reescrevê-la com outras tintas e outras letras. Só seremos um país desenvolvido plenamente se não perdermos a capacidade de indignação frente as diversas formas de usurpação do poder, principalmente quando aqueles a quem cabe nos representar, utiliza-se do cargo que a democracia lhe confere para assaltar e dilapidar o patrimônio público, ou pedir favores para seus amigos. 

SOMOS PARTE DE UMA ÚNICA ESPÉCIE – A HUMANA

O que nos separa da felicidade? Essa questão muito nos inquieta em um mundo impermanente e com profundas adversidades. A saga do homem no planeta terra sempre foi marcada pelos conflitos de ordem moral, econômica e emocional. Hobbes já nos chamava atenção para o fato de o homem ser o lobo do próprio homem. Afinal, o que queremos e desejamos para nossas vidas?Eis uma questão a ser respondida

Enquanto divagamos filosoficamente, assistimos estarrecidos ao desmoronamento das instituições que deveriam ser esteios para o organismo social equilibrado: a família, o Estado. Assombrados estamos com o mais absoluto desprezo de muitos para com as suas vidas e a vida de seus semelhantes. Como um relâmpago que corta a escuridão da noite, assim também a mensagem que nos foi deixada pelo homem de Nazaré, ajuda-nos a encontrar a luz num cenário de trevas. 

Reflitamos!

Jesus nos deixou um legado de ensinamentos profundos e atuais, os quais sobreviveram centenas de anos de história. Um deles, particularmente, fascina-me: “Faça aos outros, aquilo que você gostaria que fizessem pra você”. Uma frase simples mas carregada de extraordinário significado. Vivenciá-la em sua integralidade possibilitaria ao homem abolir as leis e afastar da existência humana o arbítrio, a violência e a discórdia.

Fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito é abrir os olhos dos homens para a compreensão de que todos nós, indistintamente, somos parte indivisível de uma única espécie - a humana. Essa teia que nos liga um ao outro exige uma reciprocidade de ações e a compreensão que não haverá uma liberdade plena enquanto restar um homem cativo, aprisionando, marginalizado. O mal que faço ao outro retorna a mim mesmo como corolário da minha condição humana. As nossas ações, se altruístas, iluminam e edificam. Porém, se destrutivas, desagregam e mortificam. Portanto, se queremos sobreviver, é preciso que cada um se sinta responsável pelo “outro”.


Isso nos impele a construir uma nova história: Uma jornada de homens e mulheres livres, onde prevaleçam o respeito, o diálogo, a compreensão mútua, afastando de uma vez por todas do anfiteatro das nossas vidas o egoísmo cego, os interesses escusos e a falsa ideia do poder absoluto, o que obriga muitos a uma vida cercada pelo desamor e pela desesperança. Reflitamos neste final de ano com a convicção de que a fraternidade, o serviço ao próximo e a humildade são valores cristãos capazes de redimir toda a espécia humana. 

O FUTURO DEPENDE DE NOSSAS ESCOLHAS

Sempre tenho dito aos meus alunos que não é necessário "advinhômetro" ou fazer uso da vidência para saber sobre o futuro. Basta ter atenção ao que você está plantando hoje. Se plantares ervas daninhas, colherá na mesma proporção. Na verdade, são as nossas escolhas hoje que dirão sobre o nosso futuro.

O sucesso de uma vida em plenitude perpassa pelo exercício constante e permanente do equilíbrio. Não podemos viver somente sob o espírito do carpe diem(aproveite o dia). É preciso ter um olhar para frente. Se desejamos uma velhice tranquila e saudável, temos que organizar nossa vida sob três pilares do equilíbrio: financeiro, emocional e profissional.

Temos que saber poupar e organizar nossas finanças. Não podemos gastar além do que ganhamos;não podemos contrair dívidas superiores a nossa capacidade de adimplemento; não podemos consumir sem que para isso haja um lastro financeiro. De fato precisamos poupar, pelo menos, 1/3 do nosso salário.

No âmbito emocional, é necessária a prudência nas atitudes. O sofrimento é algo inevitável, mas sua magnitude pode ser reduzida bastante, se soubermos construir uma vida sobre a rocha. Nela há de prosperar o diálogo, o respeito mútuo e o companheirismo.

Por outro lado,a vida profissional deve ser uma experiência de crescimento, de cooperação e de coerência. Tornaremos o ambiente de trabalho saudável à medida que assumirmos as nossas responsabilidades com afinco, através de ações propositivas, respeitando as diferenças do colega e construindo as possibilidades.


Se queremos ter sucesso, não há uma fórmula mágica para isso. É preciso ralar muito, estudar muito, dialogar e saber ouvir. Como um parte do corpo não adoece sozinho, o sucesso, também, não acontece em plenitude se não exercitar os três pilares do equilíbrio. Não acredito que alguém bem sucedido no trabalho seja feliz se não tiver uma vida harmoniosa no lar. Não há equação que separe o homem de suas emoções intrínsecas. Daí ser necessária a junção dessas resultantes. Refletir é sempre um exercício saudável!!!

COMO DEVEMOS AGIR: DA INSENSATEZ AO BOM SENSO


Somos diariamente tentados à insensatez. Vivemos a meio de conflitos que nos levam a tomar atitudes que se não bem pensadas nos trarão enormes prejuízos. Falo das muitas vezes que agimos sem pensar. Os resquícios da luta pela sobrevivência da nossa ancestralidade, ainda em forma animalesca, estão incrustados em nossa memória, fazendo-nos reagir de maneira abrupta diante de um iminente perigo. Assim se comportava o homem primitivo.

É óbvio que a ação imediata, quando necessária, evita maiores dissabores e nos protege diante do perigo. Todavia, na mesma proporção que é amiga das horas amargas, pode-se tornar um instrumento prejudicial àquele que a utiliza. Isso acontece quando brigamos no trânsito, na discussão acalorada no trabalho e nas muitas cenas dantescas do cotidiano. Esse destempero verbal compromete nosso bem-estar e ainda nos atrai uma legião de inimigos. Mostra uma falha na personalidade e atrapalha, deveras, nossas relações no trabalho, na sociedade e, mormente, na vida pessoal.

Isso impõe a cada um a necessidade de sempre pensar e pensar antes de agir. Tomar fôlego e contar até dez. Se agimos com o impulso, estamos fadados a cometer erros grosseiros, provocar ações desastrosas. Com isso ferimos as pessoas, destruímos relações sólidas e trazemos para nós uma imagem antissocial.

O homem do terceiro milênio é um ser das relações, que sabe viver a meio da diversidade, construindo pontes, agregando valores. Nunca a dignidade da pessoa humana foi mais decantada do que nos tempos atuais. Por isso, devemos seguir a velha máxima do Mestre dos Mestres: Não façamos aos outros aquilo que não gostaríamos que fosse feito a nós.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SINTOMA DA HISTERIA COLETIVA “QUERO QUE TUDO MAIS VÁ PARA O INFERNO”

Quantas vezes as pessoas amanhecem o dia irritadas e mal humoradas. Nessas ocasiões temos um estresse coletivo que se irradia por todo o tecido social trazendo uma febre de discórdia e de gestos tresloucados. No trânsito os palavrões assumem a dianteira, nas ruas as pessoas se engalfinham umas com as outras com uma facilidade impressionante.

Esse quadro avassalador mostra o quanto somos carentes de inteligência emocional. Ao menor gesto de indiferença temos um impulso repulsivo, crivando um olhar de zanga e rancor. Mal sabemos que a raiva só faz mal a quem alimenta tal sentimento, trazendo sérios prejuízos a sua saúde.

E como reagir diante tal circunstância?? É preciso olhar o mundo com os olhos de quem aprecia a vida em toda sua exuberância, enxergando nossos irmãos como extensão de nós mesmos, partícipes dessa grande safra da criação divina. Se naquele dia alguém lhe foi descortês, não alimente sobre ele o pior dos sentimentos, ao contrário seja empático e coloque-se no lugar do outro. Contemporize as razões que o fizeram agir assim. Tenha certeza que não há gratuidade em gestos insolentes, muitos deles são reflexos de uma vida destruída pelo desamor e pela rejeição. E claro, respire sempre e conte até 10, antes de reagir. Não é lenda, funciona!

Se soubermos perscrutar a alma do próximo, seremos mais pacientes e agiremos com a prudência necessária, porque compreenderemos as atitudes desarrazoadas, não isoladamente, mas dentro de um contexto, de uma história de vida, na maioria das vezes escrita por experiências traumáticas vivenciadas involuntariamente, cujos prejuízos se revelam nessas circunstâncias. 

Não faço aqui um apelo ao pieguismo ou a caridade inútil, antes proponho uma reflexão madura para que não sejamos vítimas dessa histeria social que faz disseminar o conflito e a violência. Proponho, enfim, uma leitura dos grandes mestres como Buda, Dalai Lama, Confúcio, Luther King, Gandhi e, claro, do Mestre dos Mestres, Jesus Cristo. Com eles aprenderemos que a intolerância, o orgulho e a prepotência aniquilam a alma e empobrecem o espírito. Por outro lado, o amor e a compaixão refrigeram as nossas entranhas pela mais doce brisa, invadindo nosso ser e despertando em nós o verdadeiro ideário humano da felicidade universal. Portanto, praticai o bem sempre e seja paciente!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO,UM ESPLÊNDIDO COMENTÁRIO

Amigo-Irmão Carlinhos , " A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso se manter em movimento " ( Albert Einstein ). Proatividade é valoroso atributo ! Emblemática é a citação de Fernando Pessoa : " O êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga , mas onde estará o palácio se não o fizerem ali ? " Um proativo sabe que a adversidade é o melhor dos mestres. Um reativo sente-se vítima perante uma adversidade. Para citar Mahatma Gandhi : " Você nunca sabe que resultados virão de sua ação. Mas se você não fizer nada , não existirão resultados." " Somos a transformação que queremos no mundo " . Charles Chaplin salienta a imperiosa necessidade de atitude e mudança : " Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre ".

terça-feira, 22 de novembro de 2016

NÃO ENCONTRAREMOS DEUS NOS CÉUS


Não teremos um relacionamento próspero com Deus se insistirmos em vivenciá-lo exclusivamente numa dimensão vertical, única e individual. Não há religião senão na vivência do coletivo. O que queremos dizer: que toda experiência de fé para ser bem sucedida se exterioriza no encontro com o outro, com o próximo, com o humano. Não temo dizer que uma experiência religiosa unicamente contemplativa não passa de um equívoco da subjetividade exacerbada, uma plano de fuga, um auto-engano.

O Deus que eu acredito não é um Ser distante, que vive no étereo, que se conforma em manter com suas criaturas uma relação superficial, isolada e indiferente. Não é Aquele que anseia ser louvado no ato solitário de sua criatura. Na verdade, a aproximação e a intimidade com o Sagrado se estabelecem na fronteira das nossas relações com o nosso próximo, com aqueles com quem convivemos e repartimos o pão, com quem experimentamos a entrega e a compaixão.

Em Mateus 18:20, Jesus nos diz: “ Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Este versículo nos diz muito, mas muitas vezes passa despercebido. Para mim, nele está toda a essência do ensinamento de Cristo. Ele nos deixa claro que o Evangelho é uma prática constante de serviço e de encontro com o próximo. Sem o encontro com o “próximo” nossa experiência religiosa é capenga e deletéria. Serve apenas para despertar o egoísmo, o falso discurso, além de sepultar a nossa vocação gregária.

C. S. Lewis, em sua memorável obra “Cristianismo Puro e Simples”, nos chama a atenção para a Lei Moral como elemento caracterizador da atitude humana voltada para a prática do bem, cuja aptidão, segundo o autor, vem determinada no ato da criação. Somos concebidos por Deus para a experiência do amor, da solidariedade, da compaixão. Todavia a liberdade que nos foi dada e muitas vezes o distanciamento do homem para com seu criador o conduz à prática do mal.

Estudos científicos recentes chegaram à conclusão, diferentemente do que muitos cientistas ao longo tempo imaginavam, que nós humanos temos um cérebro social, ou seja, esta extraordinária máquina nos conduz a pensar sobre outros seres humanos. Nosso cérebro possui circuitos dedicados a compreender outras pessoas, a sentir o que os outros estão sentindo(empatia).

Essas constatações nos levam a concluir que fomos criados programados para a realização do bem, cuja promoção se concretiza naquilo que fazemos em favor daqueles com quem convivemos e do espaço onde habitamos. A obra divina é perfeita. Ela se revela na ideia da coletividade, jamais da individualidade. O que Deus nos propõe é enxergá-lo não no alto, no pico, mas sim no encontro com o necessitado, com a viúva, com o órfão e com todas aqueles que juntamente conosco preenchem esta jornada terrena(Mateus 25:35).

Lamento os que vivem sua fé buscando a Deus de forma solitária e unicamente contemplativa. Arrisco em dizer que desta maneira jamais o encontrarão. Além disso, se assim persistir, mergulharão, como dizia João da Cruz, numa noite escura, cuja consequência será a dor e a perda do sentido da existência.

Só nos realizaremos como humanos e só viveremos uma experiência religiosa exitosa se compreendermos que a verdadeira felicidade está no ato de servir e isto exige de nós um compromisso relacional com os nossos semelhantes. Toda fé baseada na individualidade é cega e está profundamente distante de Deus.



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

QUEM SABE FAZ A HORA: SAIA DA ZONA DE CONFORTO

Sempre digo aos  aos colegas de trabalho  do Colégio Luciano Feijão a frase: Se parar, a bicicleta cai. Vamos para cima! Parece uma assertiva jocosa, mas tem na sua essência um ensinamento muito profundo. Não sei quem é seu autor, todavia sua importância para o nosso debate é vital.

Muitas vezes não conseguimos sair da nossa zona de conforto. Fazemos as mesmas coisas sempre da mesma maneira e esperamos resultados diferentes (contraditório, não!). Repetimos nossas ações de forma conservadora e sucumbimos nas nossas inações. Deixamos de antever cenários, nos perdemos na miopia da falsa convicção.

Tudo isso ocorre porque muitas vezes não nos damos conta de que o mundo lá fora mudou e está mudando todos os dias. As pessoas mudaram. Os processos são outros. Cada dia são novos horizontes de oportunidades e linhas de pensamentos que se ampliam. Novos tratados morais são formulados, teorias tantas são propostas. Novas tecnologias são disponibilizadas. 

Nesse bombardeio de inovações, situam-se nossos patrões, clientes e parceiros. Se não soubermos evoluir junto com eles nos tornaremos obsoletos e perderemos o bonde da história( e claro o emprego!). Como nos preleciona Augusto Cury, é preciso que sejamos resilientes, isto é, capazes de nos adaptarmos ao "novo", ao "diferente", embora o novo muitas vezes pareça loucura. Eclesiastes já dizia que via na loucura  a sabedoria(no limite, é claro).

Outro grande mal que nos prejudica é o de resistir as mudanças. Aí vem mais uma vez a proteção a nossa zona de conforto. Colocamo-nos sempre na retaguarda, avistando como inimigo aquele que vem nos propor fazer diferente. Para nos defendermos, utilizamos o pífio argumento "de que aquilo não vai dar certo, da maneira como fazíamos é melhor". Não nos damos a oportunidade de vislumbrar a paisagem sob um novo olhar, com mais profundidade, com mais sensibilidade. É aquela velha "rede de dormir" que precisa ir para a lavanderia, mas costumamos adiar sua ida até o limite da suportabilidade. Afinal, a rede nova parece áspera.

É preciso, portanto, reinventar nosso acervo de paradigmas.Enxergar uma nova maneira de fazer e de criar. Traçar novos projetos e, claro, executá-los. Estudar bastante, compreendendo essa diretiva não somente como a assimilação dos assuntos que dizem respeito ao nosso trabalho nas suas especificidades, mas falo, na verdade, de uma cultura geral que perpassa pela literatura, arte,filosofia, sociologia e diversas outras áreas do conhecimento.

Ocorre que a realização plena dessa revolução interna dependerá da superação da zona de conforto. Afinal, é preciso trabalhar mais, ler mais, criar mais. Isso tem um preço: Levantar mais cedo da cama, organizar seu tempo; nos finais de semana e após o expediente diário, colocar suas leituras em dia, elaborar seu planejamento e seus projetos. Não negligenciar aquele curso que está fazendo. Epa! tem mais: Olha a caminhada diária que era para ter iniciado ontem no ano e até agora não se tornou uma rotina em sua vida, sob o pseudo argumento da falta de tempo. Já dizia Nuno Cobra que se você não encontrar tempo para melhorar a sua saúde, vai ter que encontrar muito tempo para cuidar de suas doenças.

Aqui não se trata de atribuições para um super-homem. Não! são tarefas plenamente realizáveis desde que tenhamos disciplina e determinação para tanto. Por isso, devemos traçar uma programação diária de nossas atividades, organizando as ações conforme a prioridade. Tudo isso nos fará melhores e nos proporcionará além da saúde intelectual, o bem-estar físico e emocional. Vamos começar hoje!!!  Lembremo-nos dos versos de Geraldo Vandré: VEM, VAMOS EMBORA, QUE ESPERAR NÃO É FAZER. QUEM SABE FAZ A HORA. NÃO ESPERA ACONTECER.

A REINVENÇÃO DO AMOR


Como diz a canção "o amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida". Este sentimento é tão intenso quanto contraditório. Na paixão, a loucura toma conta, está-se diante de uma projeção do outro. No amor, as coisas se tornam mais amenas e maduras. Com o tempo muitos perdem o encanto nas suas relações amorosas. Como curar esse mal que atinge casais no mundo inteiro?

Parte-se de um princípio que a "execrável" rotina é na verdade a expressão máxima do amor que sobrevive porque reflete a tolerância e a sobrevivência da relação. Onde há rotina há uma relação duradoura. É paradoxal mas facilmente explicável. O casal ao conhecer-se vivencia a experiência da projeção. Enxerga o outro não como ele é, mas como gostaria que ele fosse. O tempo não tarda a mostrar que ambos estavam errados. As pessoas são como ela são, com defeitos e virtudes. Se aceito o outro na dimensão do que ele é, transcendo a paixão e passo a viver o amor.

Os anos se vão e naturalmente nossa relação cai numa zona de conforto. Nada mais se cria, nada mais se reinventa; nos consumimos por um sentimento de que a alegria "acabou". Já não vejo o outro com um olhar de quem avista pela primeira vez uma paisagem encantadora. Na verdade, o outro já não é mais o outro. O outro passou a ser extensão de mim mesmo. Parece até interessante essa divagação: "Parte de mim mesmo". Tudo nele é reflexo involuntário, sem ação individual. Aqui, sim, mora o grande perigo! A perda da identidade do outro.

Só amamos aquilo que admiramos. Admirar é encantar-se, rejubilar-se. Não se deve perder a noção de que uma relação é construída entre duas pessoas. Cada uma com sua individualidade. O outro não é uma propriedade minha. Como já disse o poeta: "Não possuímos as pessoas, temos apenas amor por elas". O ideário da posse, tão ocidental e capitalista, faz-nos perder o sentido da conquista. E a conquista, na verdade, deve ser um exercício diário. Antes de pensar em trocar o parceiro, reinvente sua relação.

Deixe que o outro seja ele mesmo, tenha seus sonhos e seus projetos. Aprenda a enxergá-lo como quem contempla uma cachoeira e imagina que ela está inerte. Ocorre que ao se aproximar percebe-se que há nela uma água viva, diferente a cada instante. Esse maravilhar-se é que deve nos mover em direção a um amor pleno, o qual trespassa a organicidade e se faz enamorar-se com o que há de vir. Ame pela humanidade que há em você e pela vocação inarredável de que, na verdade, é nossa missão fazer o outro feliz.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SUCESSO PROFISSIONAL: NÃO BASTA TER UMA IDEIA, VÁ ATÉ O FIM

É comum a cada um de nós o cultivo de sonhos e projetos futuros. Muitos ambicionam um bom emprego, montar um negócio, estudar bastante para ser aprovado em um concurso, ingressar no ensino superior e por aí vai. Para isso, as pessoas começam a elaborar suas estratégias, traçar seus planos. Nos primeiros dias de execução tudo vai bem: acorda cedo, pega no batente e dá início a empreitada. Ocorre que com o passar dos dias, arrefecem os ânimos. E aí lá se vai mais um projeto por água abaixo.

Essa constatação tão comum nos concita a afirmar que para vencer não basta ter apenas a iniciativa, mas é preciso ser “terminativo”, isto é, apostar no projeto até as últimas consequências. É necessário, portanto: começar, continuar e terminar. Quando deixamos as coisas no início ou pela metade, passamos um recado de fracasso e de falta de eficiência, o que compromete a nossa imagem, gerando um descrédito pessoal. Essa coisa de só ter começo nos leva ao deboche. Quando iniciarmos uma nova empreitada, todos dirão que será mais um projeto que vai ficar no papel. Quem não se lembra daquele amigo que só tem começo. Tudo começa astronomicamente projetado, porém nada se concretiza.

Isso, na verdade, nos impõe uma reflexão sobre a necessidade de pontuarmos muito bem nossos projetos, aquilatando a sua viabilidade, traçando um planejamento e fazendo uso da disciplina necessária para a sua execução. Outro ponto importante, é delimitá-lo dentro do espaço que lhe é exequível. Não adianta sonhar muito alto quando os cenários lhe exigem uma maior prudência. Faça pequeno, com consistência, que tudo depois se tornará grande. Mas faça, não apenas deseje!!

Fazer é agir, sair do estado de inércia e atirar-se com toda garra naquilo que aspiramos. Fazer exige movimento constante, com o entusiamo sempre renovado e com a certeza de que cada iniciativa impõe “um início”, “um meio” e “um fim”. Não desista antes de concluir todas essas etapas. Pois, se o êxito não chegar, teremos a consciência de que tudo fizemos para alcançá-lo. Portanto, tenhamos iniciativa, mas sejamos “terminativos”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

ONDE ESTÁ DEUS DIANTE DO SOFRIMENTO HUMANO?

Nos últimos dias tenho feito uma releitura de livros que tratam sobre o sofrimento humano e a ação ou (in) ação de Deus diante destes episódios. Não é à toa que muitos duvidam da existência de Deus quando submetidos a situações adversas ou trágicas. A primeira pergunta que surge é sem dúvida a mesma: Por que Deus permitiu que isso acontecesse comigo ou com alguém que amo?

Como pode um Deus que representa a bondade não intervir ante a prática do mal, do injusto, do diabólico e do trágico? Como pode Deus permitir que uma criança com apenas dois anos seja portadora de um tumor maligno que em breve lhe levará a morte? Como pode Deus permitir que um desastre da natureza (v.g. terremoto, tsunami) mate centenas e centenas de pessoas? Como pode Deus permitir que um maluco como Hitler tenha ceifado a vida de  milhares de judeus?

Afinal, onde está ou estava Deus nas horas sombrias das dores humanas???

Estas indagações não apenas nos inquietam, mas têm levado muitos à descrença, ao ateísmo, à absoluta incredulidade na onipotência divina!

A resposta a este dilema não é tão simples. Muitos teólogos e filósofos se debruçaram sobre o tema. Poderia aqui citar alguns deles, mas achei melhor, para não ser cansativo, lançar algumas luzes que nos sirvam de reflexão ou provocação para que cada um de nós tire suas próprias conclusões. Ressalto, pois, que não tenho formação em teologia nem em filosofia. Arrisco-me apenas em construir, a partir das minhas leituras e da minha experiência de vida, argumentos que me permitem dizer sem medo que DEUS EXISTE  e Ele é profundamente misericordioso.

Começo por falar que fomos muito mal educados na fé. Aprendemos desde cedo que o que acontece de bom ou ruim tem o dedo de Deus no meio. Se alguém sofre um acidente de trânsito e morre, logo a família é amparada por um amigo que chega com a triste frase: “ Aceite, essa é a vontade de Deus”. Do outro lado, a família diante dessa lamentável justificativa passa a pensar: “Como pode Deus querer a morte do meu filho? Por que ele tem que pagar com a vida ainda tão jovem?”

É difícil sustentar a fé quando se atribui o que acontece de mal ou trágico ao criador da vida!!!

Eu me arrisco a responder que Deus não é culpado pela morte nem pela doença, não é culpado pelo acidente, não é culpado pela catástrofe natural. O que precisamos entender é que todos esses acontecimentos são indissociavelmente parte integrante da finitude humana. Não somos imortais, seremos eternos. A morte, o sofrimento e a dor fazem parte da nossa condição humana, frágil e precária.

Mas se Deus é onipotente, por que não age?

Deus construiu um mundo perfeito. A harmonia cerca toda a criação. Nossa inteligência permite solucionar muitos dos nossos dilemas. Podemos, sem dúvida, resolver nossos problemas. Cientistas a cada dia descobrem novos medicamentos para tratar as nossas doenças. As novas tecnologias nos permitem uma vida melhor, mais confortável. O direito transnacional tem como um dos pilares a vedação ao retrocesso como forma de evitar que o império das trevas se sobreponha à democracia, ao estado das liberdades e garantias coletivas e individuais.

Deus deu a homem o livre arbítrio para exercer as suas escolhas. A grande verdade é que muitas dessas escolhas comprometem o bem-estar individual ou coletivo. Mas não poderia ser diferente: Se a cada situação, Deus agisse ele sepultaria a liberdade e a grandiosidade de sua criação. Tiraria do homem a responsabilidade de protagonizar suas ações e construir seu futuro. Reduziria a espécie humana a um fantoche teleguiado sem autonomia e capacidade de agir. Seríamos verdadeiros autômatos dirigidos por uma vontade superior. Obviamente se assim fôssemos, não seríamos a imagem e semelhança de Deus, o que de fato se constituiria numa grande contradição do ato do Criador!

E por que minhas preces não levaram à cura do meu filho?

Acostumamos a acreditar em um Deus milagreiro e mágico. Rogamos a Ele e esperamos ser atendidos, Quando não recebemos suas graças logo nos frustramos e nos revoltamos. É preciso que se diga que aqui não estou a duvidar da onipotência divina. Deus pode realizar milagres porque pode tudo. Mas não necessariamente ele vai atendar as suas preces. O milagre é uma excepcionalidade. Crianças continuarão a morrer vítimas dos cânceres, desastres naturais sempre acontecerão, tragédias desfilarão no anfiteatro da nossa existência.

Esta é a nossa condição humana!!! As doenças são anomalias orgânicas que atingem a todos indistintamente,pessoas boas ou ruins. Em alguns com maior gravidade e, em outros, com menor proporção. Esta não é uma escolha de Deus! Ele não está lá cima com um balde de tumores malignos escolhendo as vítimas que serão submetidas à insidiosa moléstia!!!

O grave é a infantilidade da nossa fé. O que Desejamos é um Deus que nos afaste de todos os sofrimentos, que cure todas as nossas dores, nos garanta uma vida sempre feliz e sem problemas, preferencialmente com muito dinheiro. O que vou dizer irá frustrá-los: Este Deus não existe!!!

Por essa razão tem crescido o número de ateus. Os homens recorrem a Deus para realizarem um contrato de troca: Eu te louvo, faço minhas orações e recebo como prêmio a prosperidade material, pessoal e profissional. Se não alcançam a realização de seus desejos passam a não mais acreditar em Deus.

O que muitos têm não é a fé mas sim a crença. Por essa razão, ao menor ruído da dor essa crença vai embora.

Portanto, se queremos continuar firmes na fé precisamos compreender que Deus não age onde o homem deve agir. É preciso compreender, ainda, que a dor é parte da condição de nossa finitude e do nosso amadurecimento pessoal. Se Deus anestesiasse o sofrimento humano sepultaria a solidariedade, a compaixão, o amor, sentimentos tão marcantes e tão presentes durante as tragédias da vida. Uma vida sem dor é uma vida sem graça. É a dor que nos faz sentir a saudade de um grande amor, a alegria de um reencontro, a esperança que estava sepultada. É a dor que nos reconcilia com o outro, que nos faz abrir mão do nosso egoísmo. É a dor que nos dá a dimensão da nossa pequenez e da nossa fragilidade. Não seríamos humanos se não fôssemos cravados pela dor. 

E afinal, onde está Deus diante dos sofrimentos e das intempéries da vida?

Deus está ao lado das vítimas da violência, acolhendo-as na sua dor; está fortalecendo a autoestima dos pais que perderam seus filhos precocemente; incentivando os voluntários que socorrem a tantos durante as tragédias e nas missões humanitárias nos países pobres. Deus está ao lado dos enfermos ,dando-lhes força e esperança para superar suas dores.

Portanto, amadurecer a fé é compreender que Deus abdicou do seu poder soberano e absoluto para não interferir no ato de sua criação, tornando o homem protagonista do seu próprio destino.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Equilíbrio é fundamental para o sucesso!!

Tenho sempre dito neste blog que o sofrimento, na vida das pessoas, é algo inevitável. Vez por outra ele vai bater na nossa porta. Mas uma coisa é certa: Não podemos evitá-lo, todavia sua magnitude será bem menor na proporção que estivermos preparados para enfrentá-lo.
Para isto é preciso lembrar-se do ensino bíblico do Mestre dos Mestres que nos propugnava a construir nossa casa sobre a rocha. Parafraseando tão divino ensinamento, estendemos essa assertiva a um propósito de edificação das nossas vidas sobre a rocha. Isso diz respeito aos nossos relacionamentos em família, no trabalho, na experiência com os amigos.
Já dizia há pouco que o equilíbrio é fundamental para o nosso sucesso. Quando somos vítimas de nossos desejos, cometemos as piores loucuras. Compramos o que não podemos, agimos irracionalmente, destruímos a nossa reputação. Tudo muitas vezes em virtude de um prazer momentâneo e fugaz.
Quantos homens passaram anos e anos construindo uma biografia e a viram cair por terra em razão de um deslize de conduta, de uma atitude impensada. Infelizmente nosso lado animal muitas vezes sucumbe a nossa   racionalidade. Naquele instante nos tornamos reféns de desejos irracionais, culminando na prática de ações desorientadas e prejudiciais às nossas vidas. Por isso, é preciso estarmos em alerta, olhando para o horizonte e tendo a consciência que a felicidade verdadeira não está em dar vazão aos nossos ímpetos imediatos e irracionais, mas se constitui na verdade em cultivar os princípios que são para nós mais valiosos: dignidade, honra, respeito.
Sabemos que os apelos do mundo são fortes. Se não soubermos conter nossas atitudes, atiramo-nos num calabouço sem volta. Mais tarde só restará a dor e o arrependimento.
Por essa razão, rogamos a Deus a força de saber dizer não a tudo que nos distancia dos nossos propósitos mais nobres. Não é uma tarefa fácil! É um exercício permanente e constante de renúncia. Estejamos vigilantes.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um comentário que vale um destaque: Meu amigo-irmão Ronaldo Dias Carneiro

Amigo-Irmão Carlinhos , temos o privilégio de bebermos dessa fonte, que é o seu exemplo de talento e coragem de líder inspirador. " Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única. ", enfatiza Albert Schweitzer. Parece-me oportuna e pertinente a reflexão sobre " O Paradoxo da Autenticidade " de Hermínia Ibarra. Consubstanciando suas valiosas ideias , pequenas mudanças no modo como nos conduzimos, interagimos e nos comunicamos, muitas vezes fazem toda a diferença para a eficácia da liderança. Henry S. Commager expressa com muita propriedade : " A mudança não assegura necessariamente progresso, mas o progresso implacavelmente requer mudança. " Eternos aprendizes que somos , convém fixarmos metas de aprendizado, não só de desempenho, motivando-nos a desenvolvermos atributos valorosos para o enfrentamento de gigantescos desafios no trabalho em equipe. Cecília Meireles pondera : " A vida só é possível reinventada. " Líder de Alta Performance com Credibilidade nos remete à sábia citação de Albert Einstein : " Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é consequência. "

terça-feira, 25 de outubro de 2016

SER LÍDER NÃO É UMA TAREFA FÁCIL

Talvez uma das maiores dificuldades que temos na vida corporativa e no âmbito pessoal é compreendermos o conceito de liderança. Destaquei, nesse contexto, a vida pessoal pois lá também o exercício da liderança deve ser vivenciado em sua plenitude sob pena do soçobramento da harmonia entre seus membros e, por corolário, do desmoronamento dos valores familiares. Não se há de distinguir ser líder em casa ou no trabalho. Ambas situações se entrelaçam de forma indissociável.
Suas ações em família indicam sua atuação no trabalho. Se em casa sua relação é pautada pelo desrespeito, pelo absenteísmo, pela falta de compromisso, torna-se óbvio que tais práticas transcenderão o espaço do lar e refletir-se-ão na sua atividade laborativa. Daí entendermos que o exercício da liderança começa no recôndito do lar e, por extensão metafórica, no espaço íntimo de nossos pensamentos. Melhor dizendo: Tudo começa de dentro para fora.
É claro que precisamos afinar nossos instrumentos, primeiramente, na vida pessoal: equilíbrio nos gastos do orçamento familiar, criar espaço para uma relação em família sob o imperativo do diálogo, organizar seu tempo para as necessidades urgentes e prioritárias, saber cobrar responsabilidades, cuidar da saúde, implicando abstinência ao exagero.
Com essas experiências vivenciadas, só então estaremos aptos a nos tornarmos líderes no mundo corporativo. Lembro-me da máxima do maior orador sacro da língua portuguesa, autor de "Os Sermões", Padre Antônio Vieira: Só o exemplo educa. Parafraseando o eminente escritor, di-lo-ei: Só o exemplo nos torna um líder.
Seremos capazes de convencer, de motivar o outro, de exercitarmos a liderança plena, à medida que nossas ações correspondam ao nível de nossas exigências. Se falamos algo, cobramos algo, mas fazemos diferentes, não estamos inspirando, educando, ao contrário, impelimos o outro a agir com uma personalidade travestida, mascarada. Só a transparência é capaz de convencer. Se você é austero, continue austero; se você prima pela perfeição, continue primando pela perfeição. Pior seria se tornar uma personagem mutável ao calor das ocasiões, transparecendo algo que não lhe é próprio. Para ser líder não é necessário um sorriso constante no rosto, uma caridade inútil, um gesto de cortesia exagerado.
Ser líder, na verdade, é ser coerente, é ser você mesmo. Se seu jeito de ser não é agradável a todos, fazer o contrário para parecer bacana é tão irreal quanto querer armazenar a água do mar numa cumbuca. Seja você mesmo, afinal todos nós somos diferentes. Mas se permita rever seus atos, corrigir suas ações.
Outro ponto que reputo de real preocupação é reduzirmos o conceito de liderança a uma permissividade na ação praticada pelo subordinado, além da aceitação indecorosa da atitude irresponsável e incompetente de um liderado. Tudo em nome da bondade, da empatia. Não digo que ser empático seja um defeito, pelo contrário, admito a empatia como uma das maiores qualidades de um líder. O que me leva a questionar é que muitas vezes não saímos da zona de conforto pelo medo de magoar o outro e , como consequência, aceitamos que nossos liderados pratiquem as piores atrocidades.
Não percebemos, entretanto, que a nossa omissão em não corrigi-lo, chamá-lo à responsabilidade, porá em risco o futuro de uma empresa e o que é mais grave, atingirá inocentes, mormente aqueles que com zelo e compromisso dedicam sua vida ao trabalho. Dessa forma entendo que o exercício da verdadeira liderança perpassa pelo compromisso de enxergar o coletivo como fim último, inarredável, sob pena de um só apodrecer todo o cacho de uvas.
Finalizo, por dizer, que ao analisarmos a aceitação dos nossos subordinados ao nosso jeito de liderar, tenhamos cuidado com os aplausos em demasia, com os elogios gratuitos. Muitas vezes tais manifestações são apenas frutos do expediente da bajulação. Afinal, há uma máxima há muito reverenciada que diz: "O segredo do sucesso não se sabe. Do fracasso, é querer agradar a todos". 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Não deixe nada para ocasiões especiais !!!

Sempre tenho dito neste blog que costumamos imaginar o tempo como algo manipulável e que sempre está à nossa disposição. Estabelecemos nossos  projetos para o futuro e, quando adiamos o cronograma de execução, por uma desculpa ou outra,  somos suficientemente prepotentes a ponto de imaginar que mais uma vez o tempo irá esperar nossa demora.
Vandré  já dizia que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Algo nos parece enigmático: Podemos controlar o tempo, adiando nossos planos e projetos? Somos senhores do tempo? Ledo engano, afinal o tempo não para. O que temos de concreto é o dia de hoje, mais precisamente o agora. Esse raciocínio impõe refletirmos sobre muitos aspectos de nossas vidas em que deixamos o tempo passar e as oportunidades irem com ele, ficando um rastro de frustração.
Quantas vezes na vida não guardamos aquele whisky escocês, a lingerie francesa, o vestido daquele costureiro famoso para uma “ocasião especial”. Ficam lá envelhecidos pelo tempo, esperando o momento oportuno de entrar em cena. Adiamos até mesmo aquela sonhada declaração de amor pois, quem sabe um dia, não aparece a princesa ou o príncipe dos sonhos pueris. Chegamos ao cúmulo de postergar até o perdão, ou talvez o sorriso para aquele desafeto. Tudo isso fazemos porque imaginamos para cada coisa um dia no futuro, uma circunstância que seja mais propícia. Aprendemos, pelo horizontalismo cartesiano, a dividir nossas vidas pelos dias da semana, pelos meses e  anos. Esse convencionalismo brutal e arbitrário nos afasta do que é óbvio: O que temos de fazer tem que ser agora sob pena de que não  haja mais tempo para realizá-lo.
Imagine aquele empresário, de origem pobre,  que alimentou tantos sonhos de um dia, no futuro,  viajar com os filhos pela Europa, mas antes porém precisava ganhar dinheiro, muito dinheiro. A viagem já tinha até data marcada(no ano tal). Ocorre que um ataque cardíaco fulminante atravessou seu caminho e sucumbiu sua vida. De fato ele arriscou no futuro, esqueceu-se, entretanto,  de perceber  que a vida não se conta pelos dias mas sim pelos momentos. E quantos de nós ainda estamos esperando algum dia  no futuro para começar a estudar pra valer, para iniciar a academia, frequentar aquele curso , abraçar os filhos, fazer dieta e etc. Lamentável, mal sabemos quantos segundos nos restam, mas cometemos a asneira de adiar sempre os planos e projetos como se a finitude, destino implacável de cada ser humano , não nos concitasse a viver o agora com a intensidade que lhe é devida, apreciando cada instante como se fosse único,aproveitando o sabor das coisas boas e sentindo-lhe o gosto derradeiro.
Se vivêssemos cada dia como se fosse o último, teríamos uma vida intensa e abundante. Não perderíamos tempo com discussões burlescas, com rancores infrutíferos, com  debates intermináveis, com intrigas que não nos leva à nada. Na intensidade desse único dia que ainda restava , saberíamos aproveitar mais a beleza das coisas  simples e valorizaríamos mais as pessoas, que muitas  vezes nos estão tão próximas e ao mesmo tempo nos parecem  tão distantes. Olharíamos a família, o irmão, o outro com um olhar de acolhimento, de uma saudade consentida, e  faríamos, daquele momento último, uma entrega absoluta, incondicional.
E vivendo o dia como se fosse último, aprenderíamos que não há uma data  para amar, perdoar, construir. O que há de fato é o agora para colocar os planos em ação, os sonhos  em execução, sem se permitir tergiversar,  procrastinar. Por isso, não guarde as coisas para uma ocasião especial. Todo dia é dia para se comemorar e realizar. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Deus, onde estavas naquele momento? Por que não acalmaste o tufão Mathew? POR LEONARDO BOFF

Quando vemos nas primeiras páginas dos jornais a devastação que o tufão Mathew, agora em outubro, produziu no Haiti e nos EUA destruindo cidades, derrubando árvores, arrastando carros e matando centenas de pessoas, os que cremos, nos perguntamos angustiados:
“Deus, onde estavas naquele momento em que a fúria assassina  do tufão Mathew se abateu sobre o Haiti e os EUA? Por que não usaste o teu poder para amainar a virulência destruidora daqueles ventos  e daquelas águas inimigas da vida? Por que não intervieste, se podias faze-lo?”
“Sequer permitiste aos haitianos, o tempo suficiente para se recuperarem da devastação que significou o terremoto de 2010 onde milhares e milhares morreram soterrados e viram suas cidades e casas destruídas. Por que agora enviaste outro látego para açoitar e matar?”
“Tu bem sabes, Senhor: o povo haitiano é um dos mais pobres do  mundo. Negros, conheceram todo tipo de discriminação. Foram oprimidos por ditadores ferozes que faziam das matanças, política de Estado. Tudo sofreram, tudo suportaram. Não desistiram. Caídos e do meio do pó das ruínas, estavam se levantando. E eis que de novo foram açoitados pela natureza rebelada. Onde está a tua piedade? Não são teus filhos e filhas, especialmente queridos, porque representam o Cristo crucificado?”
Não entendemos os desígnios dAquele que se revelou como Pai de infinita bondade. Ele pode ser Pai de uma forma misteriosa que não conseguimos compreender. Bem dizem as Escrituras:”Ele é grande demais para que o possamos conhecer”(Jó 36,26).
Muito menos pretendemos ser juízes de Deus. Mas podemos, sim,  gritar  como Jó, Jeremias, e o Filho do Homem no Jardim das Oliveiras e no alto da cruz. Jesus, queixoso, clamou: "Meu Deus meu Deus, por que me abandonaste (Marcos 15,34)”?
Nossos lamentos não são blasfêmias, mas um grito humilde e insistente a Deus: “Desperta! Não esqueças da paixão daqueles que atualizam a Paixão de teu Filho bem-amado”.
Seguramente as invectivas de Jó contra Deus por causa do sofrimento incompreensível e as Lamentações de Jeremias vendo Jerusalém  conquistada, o templo, destruído e o povo, marchando escravo para o exílio na Babilônia, foram incluídas no rol das Escrituras judaico-cristãs para que nos servissem de exemplo.     
Podemos gritar como Jó e nos lamentar como Jeremias. Mais ainda, podemos, no limite do desespero, bradar como Jesus na cruz, experimentando o inferno da ausência do Deus que sempre o chamava de “Abba”, meu querido paizinho. E Ele silenciou e não o livrou da morte na cruz.
Semelhante lamentação como  a nossa, a expressou comovedoramente o Papa Bento XVI quando no dia 28 de maio de 2006 visitou o campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau onde mais de um milhão de judeus e outros foram enviados às câmaras de gás:
”Quantas perguntas surgem neste lugar. Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar esse excesso de destruição,  este triunfo do mal? Vem-nos à mente o Salmo 44 que diz:” esmagaste-nos na região dos chacais e nos envolveste na mortalha de trevas. Por tua causa somos trucidados todos os dias, tratam-nos como ovelhas de matadouro. Desperta. Sanhor! Por que dormes? Acorda (Sl 44, 20.23-27)”.
Como nunca antes, o Papa Bento XVI se mostrou um finíssimo teólogo que, como homem de fé e sensível, ousou queixar-se diante de Deus.
Embora guardemos um nobre silêncio diante de tamanha dor, perseveramos na fé como Jó, Jeremias e Jesus. Jó chegou a dizer:”Mesmo que me mates, Senhor, ainda assim continuo confiar em ti. Antes  Te conhecia só por ouvir dizer, mas agora viram-te meus olhos (42,5)”. A última palavra de Jesus foi:”Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito (Lucas 23,46)”. E Deus o ressuscitou para mostrar que a dor, mesmo misteriosa, não escreve o ultimo capítulo da história, mas a vida em seu esplendor.
Na esperança ansiamos por aquele dia em que ”Deus enxugará as lágrimas de nossos olhos e a morte não existirá nem haverá luto nem pranto, nem fadiga, porque tudo isso já passou”(Apocalipse 21,4).
E nunca mais haverá tsunamis, nem Katrinas, nem Mathews, porque surgirá uma nova Terra, onde o ser humano aprendeu a cuidar da natureza e esta nunca mais se rebelará contra ele. 
Leonardo Boff é teólogo, articulista do JB on line e escreveu:”Paixão de Cristo-paixão do mundo, Vozes 2003.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DIA DO MÉDICO - Minha homenagem ao amigo-irmão Ronaldo Dias Carneiro

Neste dia especial, minha homenagem a todos médicos e em especial ao amigo-irmão Ronaldo Dias Carneiro, que é um exemplo de caráter, de ser humano e profissional. De fato, um presente de Deus para aliviar as dores de muitos. Ronaldo dignifica a medicina e a exerce como um sacerdócio. Parabéns amigo-irmão!!!


Oração ao Médico 

Ó Mestre, eu te agradeço porque me entregaste a
missão de exercer a medicina, restituir a alegria de
viver às pessoas que me são confiadas a qualquer
hora, momento e lugar.
Ofereço-te a minha vocação de servir a
sociedade como instrumento de tua providência
como instrumento de tua providência.
Grandes são os avanços da ciência, mas também
são inúmeros os desafios à limitação humana
que exige de mim seriedade, equilíbrio, sabedoria
e fidelidade ao juramento que fiz.
Ó Deus da vida! Ilumina-me e faça de mim um
mensageiro de misericórdia e esperança.
Que no final de cada jornada eu possa celebrar
o renascer da vida, fruto do trabalho e entregar-te
às situações da minha limitação quando não tiver êxito.
Senhor, que vieste trazer vida e vida em abundância,
tornar-me um instrumento de tua misericórdia.

Amém.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O sempre fascinante Sigmund Freud, por VASCO ARRUDA

É sempre com expectativa que aguardo a tradução de um novo livro de Elisabeth Roudinesco. Dessa vez não foi diferente. Há duas semanas iniciava, emocionado, a leitura de “Sigmund Freud em sua época e em nosso tempo”, biografia de Freud escrita pela historiadora e psicanalista francesa.
Logo nas primeiras páginas Elisabeth Roudinesco traça um retrato preciso do biografado: “Este livro, portanto, dividido em quatro partes, narra a vida de um homem ambicioso, oriundo de uma antiga linhagem de negociantes da Galícia oriental, que se dá ao luxo, ao longo de uma época turbulenta – esfacelamento dos impérios centrais, Primeira Guerra Mundial, crise econômica, triunfo do nazismo -, de ser ao mesmo tempo um conservador esclarecido que busca libertar o sexo para melhor controlá-lo, um decifrador de enigmas, um observador atento da espécie animal, um amigo das mulheres, um estoico fanático por antiguidades, um ‘desilusionista’ do imaginário, um herdeiro do romantismo alemão, um dinamitador das certezas da consciência, mas, também e acima de tudo talvez, um judeu vienense, desconstrutor do judaísmo e das identidades comunitárias, aferrado tanto à tradição dos trágicos gregos (Édipo) como à herança do teatro shakespeariano (Hamlet)” (p. 11).
Desde Ernest Jones, autor de uma das mais importantes biografias do criador da psicanálise, Sigmund Freud sobressai como um dos homens que mais teve a vida escarafunchada. No afã de desvendar-lhe a intimidade, alinham-se turiferários e detratores. A par disso, destacam-se, também, respeitáveis estudiosos da vida e obra freudianas.
Embora a muitos parecesse que não restava mais nada a dizer sobre Freud, o livro de Elisabeth Roudinesco veio desmentir a suposição. Parte considerável dos arquivos Freud, preservados no departamento de manuscritos da Biblioteca do Congresso de Washington, apenas recentemente se tornaram acessíveis. Foi essa uma das fontes de que se valeu a autora para escrever sua biografia, e isso já constitui um diferencial importante em relação às anteriores. Dentre as informações valiosas do livro vale destacar a lista dos pacientes de Freud.
O melhor de tudo, entretanto, está no enfoque dado pela autora ao biografado. Das páginas de “Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo” emerge um homem profundamente humano, com tudo o que isso comporta de contradições e fragilidades, mas, nem por isso, menos apaixonante.
Para quem vasculhou dimensões tão profundas e obscuras, entretanto, não poderia ser diferente, como assevera Roudinesco: “Nunca é demais dizer como Freud, homem do Iluminismo e decifrador dos verdadeiros enigmas da psique humana, em contraponto a seu amor à ciência, não cansou de desafiar simultaneamente as forças obscuras próprias da humanidade para jogar luzes sobre sua pujança subterrânea, correndo o risco de nela se perder” (p. 330).
Fonte: Blog Sincronicidade (O POVO)