terça-feira, 24 de novembro de 2015

SURTO DE DENGUE NO CEARÁ: Massapê e Coreaú preocupam


O Ministério da Saúde apresentou, na manhã de hoje, o resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (LIRAa). Conforme o boletim, o Ceará tem oito municípios em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika. São eles: Baturité, Canindé, Coreaú, Ipaumirim, Massapê, Parambu, Tauá e Viçosa do Ceará. Significa que mais de 4% das casas visitadas nestas cidades apresentaram larvas do mosquito. 
Já os municípios em situação de alerta somaram nove: Caucaia, Cedro, Guaiúba, Horizonte, Ipapipoca, Maranguape, Pacatuba, Pires Ferreira e São Benedito. Outros 18 estão com situação satisfatória, entre eles Fortaleza, com índice de 0,9.

Realizado em outubro e novembro, o LIRAa teve adesão recorde para este período do ano, com1.792 cidades participantes - aumento de 22% se comparado ao mesmo período de 2014. A pesquisa é um instrumento fundamental para o controle do Aedes aegypti. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito onde as larvas foram encontradas.
Fonte: Diário do Nordeste(24/11)

DO BLOG: O fato é bastante preocupante. Vamos aguardar que as autoridades da saúde do município acordem para ações imediatas e urgentes. Assim como também a população deve fazer sua parte!!!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ACREDITAR NO AMOR, do blog do VASCONCELOS ARRUDA

Terça-feira passada encontrava-me absorto em meus afazeres, quando fui interrompido por um colega de trabalho. Apontando um livro que se encontrava sobre um dos birôs, indagou: “É seu?” De imediato respondi: “Não, por quê?” Ao que ele respondeu: “Este livro é a sua cara”. “A Minha cara?”, retorqui, surpreso. “É”, redarguiu, “auto-ajuda, amor…”, completando, quase num murmúrio: “Você acredita no amor; eu, não”.
Sem saber se via no comentário um elogio ou uma velada censura, me senti impactado pela última frase. Não sei fundamentado em que o colega afirmara com tanta certeza minha crença no amor. Tampouco me ocorreu, na ocasião, perguntar. O fato é que, na manhã seguinte, voltei a pensar no assunto. Foi aí que lembrei do livro  “A revolução do amor: por uma espiritualidade laica”, do filósofo francês Luc Ferry.
Defensor do que tem sido chamado de humanismo secular, assim introduz Luc ferry o tema do amor: “É uma evidência que salta aos olhos, que percorre e transtorna permanentemente nossa vida privada. No entanto, mal ousamos confessá-la, a não ser na mais estrita intimidade: é o amor que dá sentido a nossa existência. É ele que nos obriga, ao menos no que diz respeito aos nossos filhos, a não ceder ao pessimismo, a nos interessar, apesar de tudo, pelo futuro, a não negligenciar totalmente a vida política, que, aliás, consideramos insignificante” (p. 13).
Poucas palavras, pode-se dizer, se tornaram tão desgastadas quanto a palavra amor. Provavelmente seja esse o motivo por que não poucas pessoas se recusem hoje com tanta veemência a tratá-la com a seriedade que mereceria. O Velho bordão do “amor ao próximo”, tão caro ao cristianismo, já quase não faz eco numa civilização em que o outro é tratado, antes de qualquer coisa, com desconfiança. Apesar da evidência apontada por Luc Ferry, há outras evidências no sentido contrário, tantas e tão gritantes, que tornam difícil e arriscado alicerçar, hoje, o sentido da vida no amor.  Em que pese essa constatação, ainda assim é preciso optar. E provavelmente a opção mais viável seja a que aponta no sentido da aposta em uma perspectiva do amor calcado na ética e no compromisso com a vida, pois essa é, também, a aposta na esperança, sem a qual a vida se torna insustentável.
Concluo informando, para saciar a curiosidade de algum possível leitor, que o livro que motivou a redação deste artigo foi “Curar… o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise”, de David Servan-Schreber. Vou adquirir um exemplar. Quem sabe aconteça que, ao virar uma de suas páginas, eu me depare, enfim, com esta cara que venho procurando há mais de cinquenta anos e da qual, até o momento, tive apenas discretos e imprecisos vislumbres, não me tendo sido possível, ainda, precisar-lhe os contornos com a almejada nitidez.

Transformar em sofrimento pessoal o que acontece no mundo, POR LEONARDO BOFF

Atualmente há uma fecunda discussão filosófica, também entre nós com Muniz Sodré (As estratégias sensíveis, 2006)  e F. J. Duarte (O sentido dos sentidos, 2004) no sentido de resgatar a razão sensível como enriquecimento imprescindível da razão intelectual. Esta diligência é necessária, porque é através dela que nos comprometemos afetiva e efetivamente com a salvaguarda da vida no planeta e com a humanização das relações sociais. Curiosamente o Papa Francisco, neste ponto, em sua encíclica sobre o cuidado da Casa Comum (2015)  nos trouxe valoriosa contribuição.     
Ele analisa com espírito científico e crítico  “o que está acontecendo com a nossa Casa”(nn.17-61). Logo adverte que, numa perspectiva da ecologia integral que é o tema fundamental de seu texto, estas categorias são insuficientes (n.11). Temos que abrir-nos “à admiração e ao encanto…. e falar a linguagem da fraternidade e da beleza na nossa relação para com o mundo”(n.11. Portanto, não nos podemos restringir à ecologia ambiental, pois ela atende apenas à relação do ser humano com a natureza, esquecendo que ele é parte dela. Essa relação unilateral constitui o vício do antropocentrismo, criticado em seu texto (nn.115-121). 
Ocorre que o ser humano possui dimensões sociais, políticas, culturais e espirituais sobre as quais há parca preocupação e isuficiente reflexão, o que dificulta encontrar uma solução consistente à grave crise que assola a Casa Comum.
Considerando a amplitude destas dimensões, devemos  ir além de uma análise meramente tecnico-científica. Devemos, sim, utilizar a pesquisa científica imprescindível, mas importa “deixar-nos tocar por ela em profunidade e dar uma base de concretude ao percurso ético e espiritual daí derivado”(n.15). Mais ainda “devemos  transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo”(n.19).
O Papa Francisco tem clara consciência de que por detrás das estatísticas há um mar de sofrimento humano e muitas feridas no corpo  da Mâe Terra. Como somos parte da natureza e tudo está inter-relacionado (tema sempre recorrente na encíclica, nn. 70, 91,117, 120, 138,139 etc) e nós nunca  estamos fora  da “trama das relações”(n.240) que a todos envolve, participamos das dores da crise ecológica. Chega a advertir que “as previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia…o estilo de vida atual, por ser insustentável, só pode desembocar em catástrofes, como aliás estão acontecendo periodicamente em várias regiões”(n.161).
Mas o Papa não se deixa intimidar por esse cenário. Dá um voto de confiança no ser humano, em sua criatividade e em sua capacidade de regenerar-se e de regenerar a Terra (n. 205) e muito mais, confia no Deus que, segundo as palavras da tradição judeo-cristã,“ é o soberano amante da vida”(Sab 11, 24 e 26: nn. 77, 89). Ele não permitirá que nos afundemos  totalmente (n.163). Ainda faremos “uma conversão ecológica”(n. 217) e introduziremos “a cultura do cuidado que permeará toda a sociedade”(n.231).
Disso nascerá um novo estilo de vida (alternatriva repetida 35 vezes na encíclica), fundado na cooperação, na solidariedade, na simplicidade voluntária e na sobriedade compartida que implicará um novo modo de produzir e de consumir e, por fim, nos dará “a consciência amorosa de não estarmos separados das outras criaturas mas que formamos com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal”(n.220).
Como se depreende, aqui não fala mais somente a inteligência intelectual, tecnico-científica, mas a inteligência emocional e cordial como o tenho detalhado nos meus dois livros Saber Cuidar  e O Cuidado Necessário (Vozes). O Papa em suas palavras de afeto e de carinho para com todos, especialmente para com os pobres e os mais vulneráveis dá claro exemplo do exercício deste tipo  de inteligência tão urgente e necessária para superarmos a profunda crise  que recobre todos os âmbitos da vida.
Em razão desta inteligência emocional, pede que devemos “ouvir tanto o grito da Terra como o grito dos pobres”(49). As agressões sistemáticas, feitas nos últimos dois séculos, “provocam os gemidos da irmã Terra que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo”(n.53). Por isso importa “cuidar da criação… e tratar com desvelo os outros seres vivos”(n. 211), pois todos possuem um valor intrínseco, independente do uso humano (n.69) e, a seu modo, até as ervas silvestres (n.12), louvam o Criador (n.33). Chega dizer que devemos “alimentar uma paixão pelo cuidado” por tudo o que existe e vive.
Enfatiza o fato de que “nós com todos os seres do universo, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde”(n. 89).
Somente quem tem desenvolvido em ato grau a inteligência sensível ou cordial poderia escrever:”tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como  irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa, entrelaçados pelo amor que Deus tem a cada uma de suas criaturas e que nos une também, com terna afeição ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à Mãe Terra”(n. 92).
Tais sentimentos e atitudes hoje constituem uma demanda geral, para afastar as tragédias ecológico-sociais que já se anunciam no horizonte de nosso tempo.
* Leonardo Boff, colunista do JB on line e escritor

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Defensoria Pública priorizará o Interior

andreacoelho
A defensora-pública geral do Estado, Andréa Coelho, empossará nesta quarta-feira, durante solenidade marcada para as 17 horas, no auditório do órgão, 27 novos defensores.
No ato, Andréa vai reiterar promessa feita quando do lançamento do edital de concurso público para a categoria: todo esse grupo de novos defensores vai atuar em comarcas do Interior.

Solidariedade aos Idosos de Sobral que Vivem nos Abrigos. Você pode Ajudar!

Pensando criar uma rede de solidariedade e contribuir com os Abrigos de Idosos de Sobral, a AMGGES - Academia de Medicina Geriátrica e Gerontologia de Sobral, que faz parte da Faculdade de Medicina da UFC Sobral, convida você a participar da campanha: #PenseNoPróximo!

Você pode doar roupas, fraldas geriátricas ou ainda contribuir com qualquer quantia em dinheiro nos pontos de doação, na biblioteca da Faculdade de Medicina - UFC, na Santa Casa de Sobral e no Colégio Luciano Feijão. Colabore! 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria, POR ROBERTO AMARAL

A tarefa prioritária, ingente e agônica da esquerda e dos liberais progressistas é esmagar o ovo da serpente antes que a peçonha contamine por completo o corpo social, costurando as bases de um Estado reacionário, conservador, autoritário e, ninguém se engane, protofascista. Assim se vem modificando o caráter da sociedade brasileira, aos poucos mas sistematicamente.
Ele se manifesta sob as mais variadas facetas, no Parlamento e na vida social.
antipetismo em nome de um moralismo de fancaria  – esse que a imprensa e os partidos de oposição destilam – é apenas uma só de suas máscaras, como o moralismo é apenas um disfarce. Pois tudo, fatos e criações, são, tão-só o instrumento de uma tentativa, em marcha desde 2013, ou antes, de implantação, entre nós, de uma clima de violência que lembra (pelos efeitos psicossociais) o  fascismo italiano e o nazismo alemão em suas infâncias, envenenando as entranhas de suas sociedades.
Não caminham, ainda, pelas ruas, os camisas pretas, os grupos paramilitares quebrando lojas de judeus e espancando homossexuais, prostitutas, negros e comunistas, mas celerados conspurcam velórios e atacam o Instituto Lula. Ontem, nos anos da ascensão integralista brasileira, os camisas verdes das hordas de Plínio Salgado desfilavam impunes até a tentativa de assassinar o presidente Vargas em umputsch covarde que lembrava e imitava a primeira tentativa hitlerista de tomada do poder (levante de Munique, 1924) pelo golpe de força. 
Nos idos brasileiros da repressão militar, grupos de aloprados depredaram no Rio de Janeiro o Teatro Opinião e em São Paulo invadiram  o Teatro Ruth Escobar durante montagem de “Roda Viva”? Nos estertores do terrorismo praticaram atentados contra a OAB e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro e tentaram o felizmente frustrado massacre do Riocentro. São sempre os mesmos, variam os países, variam as datas e os pretextos mas a ideologia do ódio e a covardia na ação são as mesmas. 
Agora, súcias de ululantes bem nutridos, vestidos ou não com a camisa da seleção canarinha, tentam, em todo o país, mediante o amedrontamento físico, interditar, em um hospital da grã-finagem paulistana, nas ruas, nos bares, nos aviões, nos aeroportos, a livre circulação de homens de bem como, Guido Mantega, João Pedro Stédile e, de último, o ministro Patrus Ananias.
Tudo isso está na crônica jornalística. Mesmo em seus momentos mais acres de disputa política, a direita brasileira jamais havia ousado tanto e jamais nossas esquerdas haviam recuado tanto, e jamais os liberais foram tão omissos.
Os primeiros sinais foram dados na abertura dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro (2007), e replicados em Brasília na abertura da Copa das Confederações em 2013. A esquerda não quis ver nem ouvir, fez-se de morta, como se as vaias e as agressões – primeiro a Lula, depois a Dilma – não lhes dissessem respeito e, assim, silente e inerte permaneceu sem qualquer tentativa de compreender as jornadas de 2013 – prenúncio as dificuldades de 2014, que assistiu atônita.
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Cunha, Aécio e Paulinho durante o 1º de maio da Força Sindical (foto: reprodução do YouTube)
O moralismo da elite financeira que sonega impostos e suborna funcionários públicos sempre foi a chave para a conquista da classe média. Dele sempre se valeu a direita, no Brasil e em todo o mundo.
Assim foi entre nós nos idos de 1954 quando a classe média, majoritariamente, e setores liberais da sociedade, populares e mesmo o movimento estudantil, e mesmo setores da esquerda e comunistas sob a liderança de Pestes, abraçaram  o cantochão da direita  que a todos mobilizou no pedido de renúncia de Getúlio Vargas, quando o alvo, encoberto pela denúncia de  um ‘mar de lama’ que jamais existiu, era a política nacionalista do ditador feito presidente democrata. A história não se repete, mas há pontos de contato entre dois momentos históricos tão distintos.
Getúlio também levara a cabo uma campanha presidencial levantando as teses progressistas do nacionalismo e do trabalhismo, mas, para executa-las, montara um ministério  reacionário. Era a sua forma de compor com as elites, especialmente paulistas, que  sempre lhe foram hostis. Era a velha ilusão da conciliação de classes, que conquistaria Lula tantos anos passados.
Não deu certo com Getúlio como não daria certo com Lula e não está dando certo com Dilma. Atacado pela direita, inconformada com a aliança do trabalhismo com o nacionalismo, viu-se Vargas em 1954  sem o apoio das massas trabalhistas. Essas só foram às ruas – e foram como turba, sem vanguarda – depois do suicídio. E, aí, nada mais havia a ser feito.
Naquela altura como hoje, e como nos preparativos de 1964, a imprensa brasileira, igualmente monolítica e igualmente de forma quase unânime, servia à saturnal dos ódios que envenenava a opinião publica e deixava aturdido o povo, mesmo os trabalhadores – então como agora desassistidos ideologicamente por seus partidos e organizações.
Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê no cume de uma campanha de descrédito presidida pela imprensa, uma vez mais a partir da cantilena moralista. Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê desprotegido no Congresso, onde dominam ora uma oposição ensandecida, ora uma base parlamentar movida a negócios e negociatas e negocinhos a cada votação.
Para não dizer que a história se repete, lembremos que os postos antes ocupados por Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro e outros de igual calibre é exercido hoje por Paulinho da Força, Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Eduardo Cunha – o que apenas diz que o aviltamento da linguagem e dos procedimentos alcançou o mais baixo nível da República.
Uma vez mais, agora como em 1954, as grandes massas não afluem em defesa de seu governo.
Uma vez mais a moralidade é um mero biombo dos grandes interesses em jogo.
Pois o que está em jogo não é a moralização dos costumes – e quem é contra? – nem é só a tentativa de assalto  ao mandato legítimo da presidente Dilma. Não é só a destruição do PT e dos demais partidos de esquerda, inclusive daqueles que ainda hoje pensam que passarão incólumes. Não é apenas a destruição de Lula, ainda a maior liderança popular deste país depois de Vargas.
O que está em jogo são os interesses dos trabalhadores, da economia e da soberania nacionais, de defesa  ainda mais difícil após eventual derrocada do atual governo. Adiada – até quando ? – a hipótese do impeachment clássico, a oposição põe em prática um novo projeto de golpe, contra o qual nem a base parlamentar do governo – heterogênea e frágil –,  nem muito menos sua articulação política parecem preparadas para enfrentar.
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Eduardo Cunha recebe o pedido de impeachment de Dilma ao lado de parlamentares do PSDB e outros partidos da oposição (foto: Lula Marques)
Trata-se da tática de impedir o governo de governar, e contra essa artimanha nem mesmo as últimas negociações ministeriais – penosas, rasteiras, pedestres e nada republicanas – se mostraram eficientes.  E enquanto o governo não governa e se desgasta perante a opinião pública, a direita governa, desfazendo, no Congresso ordinário, as grandes conquistas da Constituição de 1988.
A direita, sob a batuta de Eduardo Cunha, faz sua parte, e dessa desconstituição conservadora fazem parte o  fim do desarmamento, o fim da demarcação das terras indígenas (fim dos índios?), o fim dos direitos sexuais das mulheres, e a quase legalização do estupro,  o fim da pós-graduação pública gratuita.
A destruição do governo Dilma levará de roldão a política de prioridade nas compras estatais aos produtos e bens nacionais, levando consigo, de saída, a indústria naval brasileira. Levará de roldão os projetos sociais, como o Minha casa, Minha vida; o Luz para Todos; como o Bolsa Família. Mudará a política de reajuste do salário-mínimo e, fundamentalmente, a política de transferência de renda.
Será a renúncia ao pré-sal (já caminha o projeto José Serra), será o fim de uma política externa autônoma, com a aliança subserviente e submissa aos interesses dos EUA, será o fim do Mercosul e a retomada da Alca, nossa recolonização, será um torpedo contra os BRICS e uma ameaça às experiências de governos independentes na América do Sul. (
Por isso, certa está  a Frente Brasil Popular por entender que os erros da atual política econômica – agravados pela crise ética que assolou os governos do PT –  não podem servir de argumento para a omissão na defesa do mandato da presidente Dilma, ou, dito por outras palavras, nem a defesa do mandato inviabiliza a crítica à política econômica, nem a crítica à politica econômica inviabiliza a defesa do mandato.
Ao contrário, a  defesa do mandato deve ser feita de par com o combate à política recessiva e esse combate deve ter em vista a reaglutinação das forças progressistas de esquerda, com objetivo claro, deter a reação. Para isso é preciso construir uma nova correlação de forças.

Entre a doutrina Obama e a doutrina Bush, POR HELIO GUROVITZ

O ex-presidente dos EUA George W. Bush e o atual presidente, Barack Obama, durante cerimônia nesta segunda-feira (2) em Dar es Salaam, na Tanzânia












Duas estratégias para combater o Estado Islâmico (EI) têm sido defendidas após os ataques de Paris. Chamemo-las, na falta de nomes melhores, de “doutrina Obama” e “doutrina Bush”. São visões opostas sobre a melhor forma de ação, ambas têm raízes profundas na política externa americana – e ambas já mostraram que podem dar errado.

Comecemos pela “doutrina Bush”. O Bush aí se refere a George W., o irmão de Jeb que interveio militarmente no Afeganistão e no Iraque depois dos ataques de 11 de Setembro. Os objetivos eram destruir os campos de treinamento da Al Qaeda e depôr o ditador Saddam Hussein, falsamente acusado de manter armas de destruição em massa. É, portanto, uma doutrina intervencionista, que vê a necessidade de pôr “botas no chão” para conter a expansão do EI.

O intervencionismo vai e vem na política externa americana. Depois que Roosevelt, um isolacionista, resistiu a entrar na Segunda Guerra e evitou, mesmo tendo todas as informações a respeito, atacar os campos de extermínio nazistas, passou a ser a política preferencial no combate ao comunismo. Daí vieram as guerras da Coreia e do Vietnã. O atoleiro vietnamita fez crescer a oposição aos intervencionistas, mas o sucesso aparente de de George H. Bush, o pai, na primeira Guerra do Golfo, em 1991, fez crescer a opinião favorável a eles.

Foi essa a experiência que levou Bush, o filho, a enviar tropas e mais tropas ao Afeganistão e ao Iraque. O resultado da “doutrina Bush” foi o desmantelamento das estruturas de poder local, a emergência de vários grupos jihadistas – entre os quais, o EI é mais bem-sucedido – e o crescimento da influência da Rússia e do Irã na região. Com todos os soldados americanos mortos e traumatizados no Iraque e no Afeganistão, ela foi criticada mesmo entre os republicanos nas eleições de 2008

Há agora, contudo, um crescente “revival” dessas ideias na atual disputa eleitoral pela sucessão de Obama. Entre seus defensores mais convictos estão senadores como o ex-candidato John McCain e o pré-candidato Lindsay Graham, que já propôs o envio de 10 mil soldados americanos de volta ao Iraque. O irmão de George W., o também pré-candidato Jeb Bush, chamou de volta o grupo de assessores conhecidos como “neocons” para auxiliá-lo a montar suas propostas de política externa, segundo uma reportagem recente da revista New Yorker

O pré-candidato Marco Rubio, atual favorito a levar a candidatura republicana segundo as casas de apostas, propôs romper o acordo com o Irã, ampliar em US$ 1 bilhão os gastos militares para intervir na Síria e em outros palcos onde os Estados Unidos perderam influência, como argumenta em artigo na Foreign Affairs. Ele foi o primeiro a gravar um vídeo chamando os atentados de Paris de alerta para o “choque de civilizações” –  expressão cunhada pelo acadêmico Samuel Huntington em 1996 que se tornou mantra dos “neocons”.

Críticos da “doutrina Bush” afirmam que o resultado da intervenção militar promovida pelos Estados Unidos no Oriente Médio depois de 2001 foi mais um dos desastres que se sucedem na região há décadas. Eles apontam como erros crassos a divisão de fronteiras depois da Primeira Guerra, a adulação das ditaduras nos países árabes, o apoio cego à brutalidade de Israel na Palestina e o intervencionismo militar de ocasião, em nome de interesses de curto prazo.

“Décadas de políticas equivocadas dos EUA e da Europa para a região deixaram muitos no mundo árabe e islâmico com raiva e ressentimento perante o Ocidente”, escreve na Foreign Policy Stephen Walt, da Universidade Harvard. “A tentação óbvia depois de um ataque (…) é reunir uma ‘coalizão da boa vontade’ e enviar uma nova força expedicionária ao Iraque e à Síria para tentar matar tantos jihadistas quanto for possível, na esperança de destruir o Estado Islâmico de uma vez por todas.” De acordo com Walt, fazer isso seria mais um erro. “Não resolveria o problema e poderia facilmente torná-lo pior”, diz. Mais pessoas passariam a ver o Ocidente como invasor e os jihadistas como heróis. Seria complicadíssimo governar as áreas – como foi nos anos Bush – e, ainda que o EI seja destruído, sua mensagem estaria viva para alimentar novos terroristas.

O que propõem, então, os defensores da “doutrina Obama”? Eis o que afirmou sobre o EI, em entrevista à rede de TV ABC, o próprio Obama na véspera dos atentados (em vez de EI, ele usa a sigla Isil): “Desde o início, nossa meta foi primeiro a contenção, e nos os contivemos. Eles não ganharam terreno no Iraque. E na Síria eles vão entrar, vão sair. Mas você não vê essa marcha sistemática do Isil pelo terreno. O que não conseguimos fazer ainda foi decapitar suas estruturas de comando e controle. Fizemos algum progresso ao tentar reduzir o fluxo de combatentes estrangeiros”.

É verdade que o EI tem perdido terreno. No mesmo dia dos ataques de Paris, forças ocidentais mataram um de seus símbolos, o terrrorista que aparecia cortando cabeças em vídeos, conhecido como Jihadi John. Os curdos tomaram do EI a cidade de Sinjar, no norte da Síria, um ponto importante na rota de contrabando de petróleo, usado pelos terroristas como fonte de recursos. De acordo com William McCants, da Brookings Insitution, o EI perdeu controle de cerca de 25% de seu território desde junho de 2014 – ou 10% desde o início deste ano. 

Os três ataques recentes do EI – ao avião russo no Sinai e aos civis em Beirute e Paris – revelam uma mudança de estratégia, com o objetivo de levar o terror a alvos externos, fazer propaganda para atrair mais recrutas e provocar a reação do Ocidente. “O Estado Islâmico quer provocar respostas que reforcem sua narrativa de um conflito religioso irreconciliável e atrair ainda mais simpatizantes para seu estandarte sangrento”, diz Walt. “Se o EI conseguir levar a França e outros países a reagir contra cidadãos muçulmanos e fizer o Ocidente reocupar vastos trechos do Oriente Médio, então sua falsa narrativa sobre a antipatia profunda e intrínseca dos países ocidentais em relação ao Islã ganhará mais credibilidade, assim como sua imagem cuidadosamente cultivada de mais aguerrido defensor do Islã da atualidade.”

Para McCants, as políticas normalmente usadas no combate a estados que patrocinam o terror não funcionarão nesse caso. “Embargos comerciais ou o congelamento de contas bancárias, que foram eficazes contra a Líbia, não são opções viáveis”, escreve na Foreign Policy. As duas opções para lidar com a questão são, segundo ele, a contenção – proposta original da “doutrina Obama”, que permitiu o crescimento do EI–, ou a intervenção – proposta da “doutrina Bush”, que permitiu seu surgimento.

“A contenção deixa o estado intacto, mas enfraquece sua capacidade de agir além de suas fronteiras. Mas o terrorismo se torna uma opção mais atraente”, diz McCants. “Destruir o estado-pária nos livra do problema – mas, como vimos na última década no Iraque, o que vem depois pode ser pior.” Uma alternativa intermediária, adotada recentemente por Obama em negociações com os europeus, é o estrangulamento. Na definição de McCants, isso significa, em conjunto com milícias locais, “apertar o laço em torno do pescoço do Estado Islâmico, tomando território na periferia e movendo em direção a suas bases”. Trata-se de um “processo longo, agonizante, mas que tem produzido resultados”.

Qualquer que seja a doutrina adotada, o prognóstico de curto prazo é ruim. Mesmo que o EI se enfraqueça na Síria e no Iraque, os ataques terroristas no exterior tendem a aumentar. E a inteligência ocidental já demonstrou ser incapaz de preveni-los. O belga Abdelhamid Abbaoud foi o personagem principal de reportagem do New York Times de janeiro passado. Deixado à solta pelas autoridades, foi o mentor dos atentados de Paris – e fugiu.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Como um país vai de queridinho do planeta a uma estrutura podre? POR RUI DAHER

Mesmo depois de um ano de pesada argumentação jornalística, acadêmica, política, jurídica, econômica, empresarial e, também, – louvado seja o Senhor - dos inadmissíveis narradores televisivos criminais, os leitores terão conseguido entender, com clareza, como um determinado país pode ser, durante quase 10 anos, o queridinho do planeta e, imediatamente, virar o ânus do mundo, inserido numa estrutura podre, decadente e sem futuro?
Não, não, se for para me acossarem com o tal Fla-Flu, caio fora. Isso vivemos desde 2003, num processo cansativo e inconcluso de culpabilidade e fulanização.
Apenas faço a pergunta. A quem entendeu, parabenizo. Como aqui os comentários estão racionados, deixo meu endereço de e-mail no box ao lado para continuarmos com o extinto “Facebook Caboclo”.
Dois artigos memoráveis do professor Delfim Netto, publicados nesta CartaCapital, “O capitalismo não é uma coisa” e “O erro essencial”, poderão ajudar na reflexão.
Aos desavisados pode parecer mais do mesmo. Não é. O professor não procura verdades apenas em planilhas econométricas. Usa a história e a dialética:
“O homem é um animal terrivelmente complicado. Enquanto ele priorizar a sua liberdade de escolha; enquanto for, souber e sentir que é diferente do ‘outro’; enquanto nem mesmo a mais longa privação da sua liberdade for capaz de incorporar no seu DNA um comportamento comunitário instintivo (...), continuará a sê-lo”. E reconhece: “A história mostra que a tendência ao abuso e, com o tempo, ao abuso absoluto parece tão inevitável quanto o aumento da entropia no mundo físico”.
Alguém não concorda? E continua. Afirma que o tempo trouxe soluções que amenizaram os abusos:
“A ampliação da democracia que empodera crescentemente os cidadãos pelo sufrágio universal foi a forma ‘civilizada’ que os homens inventaram para substituir (...) a minoria bem organizada em períodos bem definidos com eleições secretas, livres e abertas”.
Vai mais longe e coopta Karl Marx. Crê que se hoje o filósofo alemão ressuscitasse, “se entusiasmaria com a fantástica metamorfose do seu capitalismo ‘inovador e revolucionário’ sob a pressão organizada do cidadão-trabalhador empoderado pelo sufrágio cada vez mais universal”, embora o alemão continuasse a achar o capitalismo do século 21 “injusto e profundamente imoral”.
Alguém não concorda? Em 18/09/2015, aqui publiquei, “Como a agropecuária vai lidar com as transformações do capitalismo”?
Usando da dialética do professor Delfim Netto, não acredito que esse seja um caso específico da agropecuária, até porque ela está inserida num contexto econômico favorecido pela sua essencialidade na manutenção da vida.
Os estragos feitos, estão feitos. Permanecerão. Com menor intensidade. Não pelos efeitos da generalização do sufrágio universal, que isso, a exemplo do que se vive hoje no Brasil, golpes de Estado são ágeis em negar a vontade popular de forma fácil e coonestada pelo acordo secular de elites.
O professor está correto quando pensa assim até quando considera o ciclo capitalista ainda não reificado pelo desregulado sistema financeiro internacional. Até o momento em que os Estados não estavam subordinados à acumulação de capital rentista.
Aí sim, indústria, comércio e serviços permitiam aparelhos de distribuição mais igualitários. Sindicatos, ONGs, movimentos sociais, formas assistencialistas de apoio àqueles na base da pirâmide, tinham algum valor.
Não têm mais. Acabou. Finito. Quem fez, como por exemplo alguns países europeus fizeram, enquanto o capitalismo foi o que Delfim Netto ainda o supõe ser, se deram bem. Hoje em dia, não mais. China, Índia e outros emergentes, de uma forma ou outra, estão e estarão todos dominados se não houver uma mudança radical no sistema, hoje disforme e concentrador.
Podemos desconsiderar a concentração de renda e riqueza patrimonial nos EUA e demais países hegemônicos? Doravante, o poder terá, fatalmente, que entrar no jogo desse novo ciclo, talvez o mais cruel desde o feudalismo. Ou acionar seus arsenais.
A desigualdade só tem feito crescer. Quando o 1% da população do planeta deteve 50% da riqueza mundial? Os pobres se endividam para consumir produtos de maior valor agregado e ter acesso às inovações tecnológicas do novo milênio. O que é renda e o que é patrimônio?
Outro professor, Belluzzo, nesta mesma CartaCapital, vai às estatísticas e informa: “as últimas quatro décadas foram tempos de vacas magras para o emprego e vacas gordas para os lucros”.
De que valeu, então, o sufrágio universal que faria Karl Marx, ressuscitado, sambar sobre o Manifesto Comunista?
A reversão disso não se fará pelos Estados, já quebrados e subalternos aos conglomerados industriais, aos banqueiros e seus acólitos do mercado financeiro. Nem pelo distorcido comércio internacional.
Qualquer transformação no ciclo atual do capitalismo virá de movimentos autônomos originados no seio da sociedade inovadora.
Fonte: Carta Capital 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Colégio Luciano Feijão lança campanha: Fazer o Bem Muda Tudo


O Colégio Luciano Feijão deu início à sua campanha de matrícula para 2016 com o tema: "Fazer o Bem Muda Tudo". Na manhã da segunda-feira (9), foi realizada uma adesivagem em veículos que transitavam defronte ao colégio.  Na oportunidade, um grupo de professores e funcionários distribuíram a e afixaram adesivos nos carros que levavam mensagens de grande importância para a saúde como; "Não Jogue Lixo na Rua" e "Respeite a Faixa de Pedestre". 

Estes assuntos, respectivamente, são motivos de preocupação constante dos gestores da saúde, um por conta das transmissões de doenças causadas pelo lixo, o outro por causa da dimensão que os acidentes de trânsito tomaram, transformando-se, atualmente, em um problema de saúde pública. A campanha busca conscientizar as pessoas que simples atos, como jogar o lixo no lugar apropriado, respeitar as regras de trânsito, além de outras atitudes comportamentais, como o respeito aos outros e as boas práticas de educação, além de fazer bem à alma, pode mudar tudo.

(com informações do Blog Encontro com a Saúde)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DESEMBARGADOR PAULO ALBUQUERQUE É DESTAQUE




O Desembargador Paulo Albuquerque recebeu convite do Corregedor Geral da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul para fazer parte da banca examinadora do Concurso de Notorial e de Registro daquele Estado. Trata-se de um reconhecimento, além fronteiras, a um dos maiores nomes do direito imobiliário do país. Com pouco mais de dois anos na magistratura de 2º Grau, o Desembargador Paulo Albuquerque vem se destacando pela  celeridade nos julgamentos dos processos de seu gabinete. Com o espírito aguerrido e compromisso com a justiça,o Desembargador Paulo Albuquerque tem se notabilizado como um destaque promissor da justiça cearense, o que muita orgulha aos filhos de sua terra natal. 

Diocese de Sobral divulga programação de seu centenário

Na manhã desta terça-feira (3), no auditório Dom Walfrido, da Diocese de Sobral, o Bispo Dom José Luis de Vasconcelos, acompanhado do Vigário Geral, Pe. Gonçalo de Pinho Gomes e do Pe. Lucione Queiroz, concedeu entrevista coletiva a imprensa sobralense para apresentação da programação comemorativa ao Centenário da Diocese de Sobral.

PROGRAMAÇÃO
Semana Eucarística Paroquial
Tríduo em preparação para o Jubileu Diocesano - 05 a 07 de novembro
Tema geral: “Fica conosco Senhor” (Lc 24, 13-35)

05/11/2015 (Quinta) – Tema: A Eucaristia Edifica a Igreja
17h – Momento Mariano.
18h – Momento Eucarístico.
Grupos Responsáveis: MESC / Irmandade do Santíssimo Sacramento / COMIPA ; Comunidade Coração de Maria.
19h – Na Catedral – Celebração Eucarística – Celebrante – Dom Aldo di Cillo Pagotto, SSS.
Paróquias Participantes: Paróquia da Sé / Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio.
Grupos Responsáveis: Renovação Carismática Católica (RCC) / Comunidade Nova Jerusalém.
20h – Show com Robério e Banda (Praça da Catedral).

06/11/2015 (Sexta) – Tema: A Paróquia, Comunidade Eucarística
17h – Momento Mariano.
18h – Momento Eucarístico.
Grupos Responsáveis: MESC / Irmandade do Santíssimo Sacramento / Apostolado da Oração / Grupo de Coroinhas da Catedral.
19h – Na Catedral – Celebração Eucarística – Celebrante – Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Paróquias Participantes: Paróquia da Sé / Paróquia da Ressurreição / Paróquia de Fátima /Paróquia de São José – Sumaré.
Grupos Responsáveis: Comunidade Shalom / Comunidade Rainha da Paz.
20h – Show com Ir. Kelly Patrícia (Praça da Catedral).

07/11/2015 (Sábado) – Tema: A Eucaristia é a Igreja em Missão
17h – Momento Mariano.
18h – Momento Eucarístico.
Grupos Responsáveis: MESC / Irmandade do Santíssimo Sacramento / Capela do Menino Deus / Encontro de Casais com Cristo (ECC) / Pastoral Familiar / Pastoral do Batismo / Capela da Santíssima Trindade (Bairro Pedrinhas).
19h – Na Catedral – Celebração Eucarística – Celebrante – Dom Odelir José Magri, MCCJ.
Paróquias Participantes: Paróquia da Sé / Paróquia São Paulo Apóstolo / Paróquia do Coração de Jesus.
Grupos Responsáveis: Setor de Juventude / Comissão Missionária Diocesana (COMIDI).
20h – Show com Zé Vicente (Praça da Catedral).

08/11/2015 (Domingo) – Jubileu Diocesano – 100 anos
06h – Alvorada Festiva – Repicar dos sinos em todas as igrejas.
06h30 – Missa Dominical na Catedral.
07h30 – Laudes Solenes na Catedral, com os seminaristas, padres e bispos convidados, e a comunidade em geral.
10h – Visita oficial ao Museu Dom José.
12h – Almoço de Confraternização.

18h – Grande concelebração Jubilar Eucarística, presidida pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes, concelebrada por Dom Vasconcelos, Dom Aldo Pagotto, Dom Fernando Saburido, Dom Odelir José, demais bispos do Regional Nordeste I – Ceará, padres da Diocese e demais convidados.

A religião pode fazer o bem melhor e também o mal pior, POR LEONARDO BOFF

Tudo o que é sadio pode ficar doente. Também as religiões e as igrejas. Hoje particularmente assistimos a doença do fundamentalismo contaminando setores importantes de quase todas as religiões e igrejas, inclusive da Igreja Católica. Há, às vezes, verdadeira guerra religiosa. Basta acompanhar alguns programas religiosos de televisão especialmente, de cunho neopentecostal, mas não só também de alguns setores conservadores da Igreja Católica para ouvir a condenação de pessoas ou de grupos, de certas correntes teológicas  ou a satanização das religiões afro-brasileiras.
A expressão maior do fundamentalismo de cunho guerreiro e exterminador é aquele representado pelo Estado Islâmico que faz da violência e do assassinado dos diferentes, expressão de sua identidade.
Mas há um outro vício religioso, muito presente nos meios de comunicação de massa especialmente na televisão e no rádico: o uso da religião para arrebanhar muita gente, pregar o evangelho da prosperidade material, arrancar dinheiro dos fregueses e enriquecer seus pastores e auto-proclamados bispos. Temos a ver com religiões de mercado que obedecem à lógica do mercado que é a concorrência e o arrebanhamento do número maior possível de pessoas com a mais eficaz acumulação de dinheiro líquido possível.
Se bem repararmos, para a maioria destas igrejas mediáticas, o Novo Testamento raramente é referido. O que vigora mesmo é o Antigo Testamento. Entende-se o porquê. O Antigo Testamento, exceto os profetas e de outros textos, enfatiza especialmente o bem estar material como expressão do agrado divino. A riqueza ganha centralidade. O Novo Testamento exalta os pobres, prega a misericórdia, o perdão, o amor ao inimigo e a irrestrita solidariedade para com os pobres e caídos na estrada. Onde que se ouve, até nos programas católicos, as palavras do Mestre: “Felizes vocês, pobres, porque de vocês é o Reino de Deus”?
Fala-se demais de Jesus e de Deus, como se fossem realidade disponíveis no mercado. Tais realidades sagradas, por sua natureza, exigem reverência e devoção, o silêncio respeitoso e a unção devota. O pecado que mais ocorre é contra o segundo mandamento:”não usar o santo nome de Deus em vão”. Esse nome está colado nos vidros dos carros e  na própria carteira de dinheiro, como se Deus não estivesse em todos os lugares. É Jesus para cá e Jesus para lá numa banalização dessacralizadora irritante.
O que mais dói e verdadeiramente escandaliza é usar o nome de Deus e de Jesus para fins estritamente comerciais. Pior, para encobrir falcatruas, roubo de dinheiros públicos e de lavagem de dinheiro. Há quem possui um empresa cujo  título é “Jesus”. Em nome de “Jesus” se amealharam milhões em propinas, escondidas em bancos estrangeiros e outras corrupções envolvendo bens públicos. E isso é feito no maior descaramento.
Se Jesus estivesse ainda em nosso meio, seguramente, faria o que fez com os mercadores do templo: tomou o chicote e os pôs a correr além de derrubar suas bancas de dinheiro.
Por estes desvios de uma realidade sagrada, perdemos a herança humanizadora das Escrituras judeu-cristãs e especialmente o caráter libertador e humano da mensagem e da prática de Jesus. A religião pode fazer o bem melhor mas também pode fazer o mal pior.
Sabemos que a intenção originária de Jesus não era criar uma nova religião. Havia muitas no tempo. Nem pensava reformar o judaísmo vigente. Ele quis nos ensinar a viver, orientados pelos valores presentes em seu sonho maior, o do Reino de Deus, feito de amor incondicional, misericórdia, perdão e entrega confiante a um Deus, chamado de “Paizinho”(Abba em hebraico) com características de mãe de infinita bondade. Ele colocou em marcha a gestação do homem novo e da mulher nova, eterna busca da humanidade.
Como o livro dos Atos dos Apóstolos o mostra, o Cristianismo inicialmente era mais movimento que instituição. Chamava-se o “caminho de Jesus”, realidade aberta aos valores fundamentais que pregou e viveu. Mas na medida em que o movimento foi crescendo, fatalmente, se transformou numa instituição, com regras, ritos e doutrinas. E aí o poder sagrado (sacra potestas) se constituí em eixo organizador de toda a instituição, agora chamada Igreja. O caráter de movimento foi absorvido por ela. Da história aprendemos que lá onde prevalece o poder, desaparece o amor e se esvai a misericórdia. Foi o que infelizmente aconteceu. Hobbes nos alertou que o poder só se assegura buscando mais e mais poder. E assim surgiram igrejas poderosas em instituições, monumentos, riquezas materiais e até bancos. E com o poder a possibilidade da corrupção.
Estamos assistindo a uma novidade que cabe saudar: o Papa Francisco nos está resgatando o Cristianismo mais como movimento do que como instituição, mais como encontro entre as pessoas e com o Cristo vivo e a misericórdia ilimitada que a férrea disciplina e doutrina ortodoxa. Ele colocou como Jesus, a pessoa no centro, não o poder, nem o dogma, nem o enquadramento moral. Com isso permitiu que todos, mesmo não se incorporando à instituição, podem se sentir no caminho de Jesus na medida em que optam pelo amor e pela justiça.
        
*Leonardo Boff, colunista do JB e teólogo