terça-feira, 29 de novembro de 2016

REVISITANDO NOSSA HISTÓRIA: DO PRESIDENTE QUE PEDE PELO AMIGO E OUTROS DESMANTELOS DO ESTADO BRASILEIRO

Após sucessivas observações sobre as relações de poder no Brasil e, por oportuno, frente à discussão que trata do assalto aos cofres públicos e da interferência da maior autoridade do país- o Presidente - em interesses privados e paroquianos,  tentei fazer uma releitura da obra “Microfísica do Poder”, do magistral filósofo francês Michel Foucault. Nela Foucault explicita os mecanismos de dominação que se exercem fora, abaixo e ao lado do aparelho do Estado. Essa máquina ideológica termina por incrustar “verdades” cujo interesse primordial é a dominação do homem através de práticas políticas e econômicas de uma sociedade capitalista.

Mais especificamente no capítulo que trata da “Verdade e Poder”, o filósofo nos adverte que o “que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso”.

A propósito dessa discussão, remeto-me à genialíssima obra do renomado jurista brasileiro Raymundo Faoro, intitulada “Os Donos do Poder”. O livro, que já li por duas vezes, trata sobre o patrimonialismo na formação política do Brasil, apontando o período colonial brasileiro como originador da corrupção e da burocracia no país. Daí por que a tênue separação entre o público e o privado, herdada da tradição monárquica portuguesa, marca a política brasileira desde o tempo em que era colônia. Assusta-nos perceber que o ato de expropriar o dinheiro público não causa remorso.Isso porque no pensamento de muitos o que é público não pertence a ninguém, pode-se usar e abusar à vontade, afinal a “viúva” é rica, não tem herdeiros, portanto não tem para quem deixar sua herança.

Essa forma promíscua de relação construída pela perversão do que é publico é fruto de uma sociedade ambientada na exploração, na espoliação do maior sobre o menor, na decrepitude dos valores éticos. A ratificação de práticas tão nefastas se robustece e se legitima pela ignorância, diga-se, desconhecimento do povo de seus direitos elementares, principalmente o da irresignação. A herança escravocrata criou no brasileiro um sentimento de impotência, ou de aceitação plena dos instrumentos de exploração. Tal fato faz-nos aceitar, muitas vezes, que políticos utilizem-se do poder para se locupletarem economicamente, à custa do sofrimento de muitos que procuram os serviços públicos e não recebem o devido tratamento por falta de recursos.

Somos ainda o Brasil dos opostos, cuja distribuição de renda é por demais injusta. Esse paradoxo nos concita a revisitar a nossa história e dela tirar grandes lições, como forma de reescrevê-la com outras tintas e outras letras. Só seremos um país desenvolvido plenamente se não perdermos a capacidade de indignação frente as diversas formas de usurpação do poder, principalmente quando aqueles a quem cabe nos representar, utiliza-se do cargo que a democracia lhe confere para assaltar e dilapidar o patrimônio público, ou pedir favores para seus amigos. 

SOMOS PARTE DE UMA ÚNICA ESPÉCIE – A HUMANA

O que nos separa da felicidade? Essa questão muito nos inquieta em um mundo impermanente e com profundas adversidades. A saga do homem no planeta terra sempre foi marcada pelos conflitos de ordem moral, econômica e emocional. Hobbes já nos chamava atenção para o fato de o homem ser o lobo do próprio homem. Afinal, o que queremos e desejamos para nossas vidas?Eis uma questão a ser respondida

Enquanto divagamos filosoficamente, assistimos estarrecidos ao desmoronamento das instituições que deveriam ser esteios para o organismo social equilibrado: a família, o Estado. Assombrados estamos com o mais absoluto desprezo de muitos para com as suas vidas e a vida de seus semelhantes. Como um relâmpago que corta a escuridão da noite, assim também a mensagem que nos foi deixada pelo homem de Nazaré, ajuda-nos a encontrar a luz num cenário de trevas. 

Reflitamos!

Jesus nos deixou um legado de ensinamentos profundos e atuais, os quais sobreviveram centenas de anos de história. Um deles, particularmente, fascina-me: “Faça aos outros, aquilo que você gostaria que fizessem pra você”. Uma frase simples mas carregada de extraordinário significado. Vivenciá-la em sua integralidade possibilitaria ao homem abolir as leis e afastar da existência humana o arbítrio, a violência e a discórdia.

Fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito é abrir os olhos dos homens para a compreensão de que todos nós, indistintamente, somos parte indivisível de uma única espécie - a humana. Essa teia que nos liga um ao outro exige uma reciprocidade de ações e a compreensão que não haverá uma liberdade plena enquanto restar um homem cativo, aprisionando, marginalizado. O mal que faço ao outro retorna a mim mesmo como corolário da minha condição humana. As nossas ações, se altruístas, iluminam e edificam. Porém, se destrutivas, desagregam e mortificam. Portanto, se queremos sobreviver, é preciso que cada um se sinta responsável pelo “outro”.


Isso nos impele a construir uma nova história: Uma jornada de homens e mulheres livres, onde prevaleçam o respeito, o diálogo, a compreensão mútua, afastando de uma vez por todas do anfiteatro das nossas vidas o egoísmo cego, os interesses escusos e a falsa ideia do poder absoluto, o que obriga muitos a uma vida cercada pelo desamor e pela desesperança. Reflitamos neste final de ano com a convicção de que a fraternidade, o serviço ao próximo e a humildade são valores cristãos capazes de redimir toda a espécia humana. 

O FUTURO DEPENDE DE NOSSAS ESCOLHAS

Sempre tenho dito aos meus alunos que não é necessário "advinhômetro" ou fazer uso da vidência para saber sobre o futuro. Basta ter atenção ao que você está plantando hoje. Se plantares ervas daninhas, colherá na mesma proporção. Na verdade, são as nossas escolhas hoje que dirão sobre o nosso futuro.

O sucesso de uma vida em plenitude perpassa pelo exercício constante e permanente do equilíbrio. Não podemos viver somente sob o espírito do carpe diem(aproveite o dia). É preciso ter um olhar para frente. Se desejamos uma velhice tranquila e saudável, temos que organizar nossa vida sob três pilares do equilíbrio: financeiro, emocional e profissional.

Temos que saber poupar e organizar nossas finanças. Não podemos gastar além do que ganhamos;não podemos contrair dívidas superiores a nossa capacidade de adimplemento; não podemos consumir sem que para isso haja um lastro financeiro. De fato precisamos poupar, pelo menos, 1/3 do nosso salário.

No âmbito emocional, é necessária a prudência nas atitudes. O sofrimento é algo inevitável, mas sua magnitude pode ser reduzida bastante, se soubermos construir uma vida sobre a rocha. Nela há de prosperar o diálogo, o respeito mútuo e o companheirismo.

Por outro lado,a vida profissional deve ser uma experiência de crescimento, de cooperação e de coerência. Tornaremos o ambiente de trabalho saudável à medida que assumirmos as nossas responsabilidades com afinco, através de ações propositivas, respeitando as diferenças do colega e construindo as possibilidades.


Se queremos ter sucesso, não há uma fórmula mágica para isso. É preciso ralar muito, estudar muito, dialogar e saber ouvir. Como um parte do corpo não adoece sozinho, o sucesso, também, não acontece em plenitude se não exercitar os três pilares do equilíbrio. Não acredito que alguém bem sucedido no trabalho seja feliz se não tiver uma vida harmoniosa no lar. Não há equação que separe o homem de suas emoções intrínsecas. Daí ser necessária a junção dessas resultantes. Refletir é sempre um exercício saudável!!!

COMO DEVEMOS AGIR: DA INSENSATEZ AO BOM SENSO


Somos diariamente tentados à insensatez. Vivemos a meio de conflitos que nos levam a tomar atitudes que se não bem pensadas nos trarão enormes prejuízos. Falo das muitas vezes que agimos sem pensar. Os resquícios da luta pela sobrevivência da nossa ancestralidade, ainda em forma animalesca, estão incrustados em nossa memória, fazendo-nos reagir de maneira abrupta diante de um iminente perigo. Assim se comportava o homem primitivo.

É óbvio que a ação imediata, quando necessária, evita maiores dissabores e nos protege diante do perigo. Todavia, na mesma proporção que é amiga das horas amargas, pode-se tornar um instrumento prejudicial àquele que a utiliza. Isso acontece quando brigamos no trânsito, na discussão acalorada no trabalho e nas muitas cenas dantescas do cotidiano. Esse destempero verbal compromete nosso bem-estar e ainda nos atrai uma legião de inimigos. Mostra uma falha na personalidade e atrapalha, deveras, nossas relações no trabalho, na sociedade e, mormente, na vida pessoal.

Isso impõe a cada um a necessidade de sempre pensar e pensar antes de agir. Tomar fôlego e contar até dez. Se agimos com o impulso, estamos fadados a cometer erros grosseiros, provocar ações desastrosas. Com isso ferimos as pessoas, destruímos relações sólidas e trazemos para nós uma imagem antissocial.

O homem do terceiro milênio é um ser das relações, que sabe viver a meio da diversidade, construindo pontes, agregando valores. Nunca a dignidade da pessoa humana foi mais decantada do que nos tempos atuais. Por isso, devemos seguir a velha máxima do Mestre dos Mestres: Não façamos aos outros aquilo que não gostaríamos que fosse feito a nós.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SINTOMA DA HISTERIA COLETIVA “QUERO QUE TUDO MAIS VÁ PARA O INFERNO”

Quantas vezes as pessoas amanhecem o dia irritadas e mal humoradas. Nessas ocasiões temos um estresse coletivo que se irradia por todo o tecido social trazendo uma febre de discórdia e de gestos tresloucados. No trânsito os palavrões assumem a dianteira, nas ruas as pessoas se engalfinham umas com as outras com uma facilidade impressionante.

Esse quadro avassalador mostra o quanto somos carentes de inteligência emocional. Ao menor gesto de indiferença temos um impulso repulsivo, crivando um olhar de zanga e rancor. Mal sabemos que a raiva só faz mal a quem alimenta tal sentimento, trazendo sérios prejuízos a sua saúde.

E como reagir diante tal circunstância?? É preciso olhar o mundo com os olhos de quem aprecia a vida em toda sua exuberância, enxergando nossos irmãos como extensão de nós mesmos, partícipes dessa grande safra da criação divina. Se naquele dia alguém lhe foi descortês, não alimente sobre ele o pior dos sentimentos, ao contrário seja empático e coloque-se no lugar do outro. Contemporize as razões que o fizeram agir assim. Tenha certeza que não há gratuidade em gestos insolentes, muitos deles são reflexos de uma vida destruída pelo desamor e pela rejeição. E claro, respire sempre e conte até 10, antes de reagir. Não é lenda, funciona!

Se soubermos perscrutar a alma do próximo, seremos mais pacientes e agiremos com a prudência necessária, porque compreenderemos as atitudes desarrazoadas, não isoladamente, mas dentro de um contexto, de uma história de vida, na maioria das vezes escrita por experiências traumáticas vivenciadas involuntariamente, cujos prejuízos se revelam nessas circunstâncias. 

Não faço aqui um apelo ao pieguismo ou a caridade inútil, antes proponho uma reflexão madura para que não sejamos vítimas dessa histeria social que faz disseminar o conflito e a violência. Proponho, enfim, uma leitura dos grandes mestres como Buda, Dalai Lama, Confúcio, Luther King, Gandhi e, claro, do Mestre dos Mestres, Jesus Cristo. Com eles aprenderemos que a intolerância, o orgulho e a prepotência aniquilam a alma e empobrecem o espírito. Por outro lado, o amor e a compaixão refrigeram as nossas entranhas pela mais doce brisa, invadindo nosso ser e despertando em nós o verdadeiro ideário humano da felicidade universal. Portanto, praticai o bem sempre e seja paciente!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO,UM ESPLÊNDIDO COMENTÁRIO

Amigo-Irmão Carlinhos , " A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso se manter em movimento " ( Albert Einstein ). Proatividade é valoroso atributo ! Emblemática é a citação de Fernando Pessoa : " O êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga , mas onde estará o palácio se não o fizerem ali ? " Um proativo sabe que a adversidade é o melhor dos mestres. Um reativo sente-se vítima perante uma adversidade. Para citar Mahatma Gandhi : " Você nunca sabe que resultados virão de sua ação. Mas se você não fizer nada , não existirão resultados." " Somos a transformação que queremos no mundo " . Charles Chaplin salienta a imperiosa necessidade de atitude e mudança : " Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre ".

terça-feira, 22 de novembro de 2016

NÃO ENCONTRAREMOS DEUS NOS CÉUS


Não teremos um relacionamento próspero com Deus se insistirmos em vivenciá-lo exclusivamente numa dimensão vertical, única e individual. Não há religião senão na vivência do coletivo. O que queremos dizer: que toda experiência de fé para ser bem sucedida se exterioriza no encontro com o outro, com o próximo, com o humano. Não temo dizer que uma experiência religiosa unicamente contemplativa não passa de um equívoco da subjetividade exacerbada, uma plano de fuga, um auto-engano.

O Deus que eu acredito não é um Ser distante, que vive no étereo, que se conforma em manter com suas criaturas uma relação superficial, isolada e indiferente. Não é Aquele que anseia ser louvado no ato solitário de sua criatura. Na verdade, a aproximação e a intimidade com o Sagrado se estabelecem na fronteira das nossas relações com o nosso próximo, com aqueles com quem convivemos e repartimos o pão, com quem experimentamos a entrega e a compaixão.

Em Mateus 18:20, Jesus nos diz: “ Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Este versículo nos diz muito, mas muitas vezes passa despercebido. Para mim, nele está toda a essência do ensinamento de Cristo. Ele nos deixa claro que o Evangelho é uma prática constante de serviço e de encontro com o próximo. Sem o encontro com o “próximo” nossa experiência religiosa é capenga e deletéria. Serve apenas para despertar o egoísmo, o falso discurso, além de sepultar a nossa vocação gregária.

C. S. Lewis, em sua memorável obra “Cristianismo Puro e Simples”, nos chama a atenção para a Lei Moral como elemento caracterizador da atitude humana voltada para a prática do bem, cuja aptidão, segundo o autor, vem determinada no ato da criação. Somos concebidos por Deus para a experiência do amor, da solidariedade, da compaixão. Todavia a liberdade que nos foi dada e muitas vezes o distanciamento do homem para com seu criador o conduz à prática do mal.

Estudos científicos recentes chegaram à conclusão, diferentemente do que muitos cientistas ao longo tempo imaginavam, que nós humanos temos um cérebro social, ou seja, esta extraordinária máquina nos conduz a pensar sobre outros seres humanos. Nosso cérebro possui circuitos dedicados a compreender outras pessoas, a sentir o que os outros estão sentindo(empatia).

Essas constatações nos levam a concluir que fomos criados programados para a realização do bem, cuja promoção se concretiza naquilo que fazemos em favor daqueles com quem convivemos e do espaço onde habitamos. A obra divina é perfeita. Ela se revela na ideia da coletividade, jamais da individualidade. O que Deus nos propõe é enxergá-lo não no alto, no pico, mas sim no encontro com o necessitado, com a viúva, com o órfão e com todas aqueles que juntamente conosco preenchem esta jornada terrena(Mateus 25:35).

Lamento os que vivem sua fé buscando a Deus de forma solitária e unicamente contemplativa. Arrisco em dizer que desta maneira jamais o encontrarão. Além disso, se assim persistir, mergulharão, como dizia João da Cruz, numa noite escura, cuja consequência será a dor e a perda do sentido da existência.

Só nos realizaremos como humanos e só viveremos uma experiência religiosa exitosa se compreendermos que a verdadeira felicidade está no ato de servir e isto exige de nós um compromisso relacional com os nossos semelhantes. Toda fé baseada na individualidade é cega e está profundamente distante de Deus.



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

QUEM SABE FAZ A HORA: SAIA DA ZONA DE CONFORTO

Sempre digo aos  aos colegas de trabalho  do Colégio Luciano Feijão a frase: Se parar, a bicicleta cai. Vamos para cima! Parece uma assertiva jocosa, mas tem na sua essência um ensinamento muito profundo. Não sei quem é seu autor, todavia sua importância para o nosso debate é vital.

Muitas vezes não conseguimos sair da nossa zona de conforto. Fazemos as mesmas coisas sempre da mesma maneira e esperamos resultados diferentes (contraditório, não!). Repetimos nossas ações de forma conservadora e sucumbimos nas nossas inações. Deixamos de antever cenários, nos perdemos na miopia da falsa convicção.

Tudo isso ocorre porque muitas vezes não nos damos conta de que o mundo lá fora mudou e está mudando todos os dias. As pessoas mudaram. Os processos são outros. Cada dia são novos horizontes de oportunidades e linhas de pensamentos que se ampliam. Novos tratados morais são formulados, teorias tantas são propostas. Novas tecnologias são disponibilizadas. 

Nesse bombardeio de inovações, situam-se nossos patrões, clientes e parceiros. Se não soubermos evoluir junto com eles nos tornaremos obsoletos e perderemos o bonde da história( e claro o emprego!). Como nos preleciona Augusto Cury, é preciso que sejamos resilientes, isto é, capazes de nos adaptarmos ao "novo", ao "diferente", embora o novo muitas vezes pareça loucura. Eclesiastes já dizia que via na loucura  a sabedoria(no limite, é claro).

Outro grande mal que nos prejudica é o de resistir as mudanças. Aí vem mais uma vez a proteção a nossa zona de conforto. Colocamo-nos sempre na retaguarda, avistando como inimigo aquele que vem nos propor fazer diferente. Para nos defendermos, utilizamos o pífio argumento "de que aquilo não vai dar certo, da maneira como fazíamos é melhor". Não nos damos a oportunidade de vislumbrar a paisagem sob um novo olhar, com mais profundidade, com mais sensibilidade. É aquela velha "rede de dormir" que precisa ir para a lavanderia, mas costumamos adiar sua ida até o limite da suportabilidade. Afinal, a rede nova parece áspera.

É preciso, portanto, reinventar nosso acervo de paradigmas.Enxergar uma nova maneira de fazer e de criar. Traçar novos projetos e, claro, executá-los. Estudar bastante, compreendendo essa diretiva não somente como a assimilação dos assuntos que dizem respeito ao nosso trabalho nas suas especificidades, mas falo, na verdade, de uma cultura geral que perpassa pela literatura, arte,filosofia, sociologia e diversas outras áreas do conhecimento.

Ocorre que a realização plena dessa revolução interna dependerá da superação da zona de conforto. Afinal, é preciso trabalhar mais, ler mais, criar mais. Isso tem um preço: Levantar mais cedo da cama, organizar seu tempo; nos finais de semana e após o expediente diário, colocar suas leituras em dia, elaborar seu planejamento e seus projetos. Não negligenciar aquele curso que está fazendo. Epa! tem mais: Olha a caminhada diária que era para ter iniciado ontem no ano e até agora não se tornou uma rotina em sua vida, sob o pseudo argumento da falta de tempo. Já dizia Nuno Cobra que se você não encontrar tempo para melhorar a sua saúde, vai ter que encontrar muito tempo para cuidar de suas doenças.

Aqui não se trata de atribuições para um super-homem. Não! são tarefas plenamente realizáveis desde que tenhamos disciplina e determinação para tanto. Por isso, devemos traçar uma programação diária de nossas atividades, organizando as ações conforme a prioridade. Tudo isso nos fará melhores e nos proporcionará além da saúde intelectual, o bem-estar físico e emocional. Vamos começar hoje!!!  Lembremo-nos dos versos de Geraldo Vandré: VEM, VAMOS EMBORA, QUE ESPERAR NÃO É FAZER. QUEM SABE FAZ A HORA. NÃO ESPERA ACONTECER.

A REINVENÇÃO DO AMOR


Como diz a canção "o amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida". Este sentimento é tão intenso quanto contraditório. Na paixão, a loucura toma conta, está-se diante de uma projeção do outro. No amor, as coisas se tornam mais amenas e maduras. Com o tempo muitos perdem o encanto nas suas relações amorosas. Como curar esse mal que atinge casais no mundo inteiro?

Parte-se de um princípio que a "execrável" rotina é na verdade a expressão máxima do amor que sobrevive porque reflete a tolerância e a sobrevivência da relação. Onde há rotina há uma relação duradoura. É paradoxal mas facilmente explicável. O casal ao conhecer-se vivencia a experiência da projeção. Enxerga o outro não como ele é, mas como gostaria que ele fosse. O tempo não tarda a mostrar que ambos estavam errados. As pessoas são como ela são, com defeitos e virtudes. Se aceito o outro na dimensão do que ele é, transcendo a paixão e passo a viver o amor.

Os anos se vão e naturalmente nossa relação cai numa zona de conforto. Nada mais se cria, nada mais se reinventa; nos consumimos por um sentimento de que a alegria "acabou". Já não vejo o outro com um olhar de quem avista pela primeira vez uma paisagem encantadora. Na verdade, o outro já não é mais o outro. O outro passou a ser extensão de mim mesmo. Parece até interessante essa divagação: "Parte de mim mesmo". Tudo nele é reflexo involuntário, sem ação individual. Aqui, sim, mora o grande perigo! A perda da identidade do outro.

Só amamos aquilo que admiramos. Admirar é encantar-se, rejubilar-se. Não se deve perder a noção de que uma relação é construída entre duas pessoas. Cada uma com sua individualidade. O outro não é uma propriedade minha. Como já disse o poeta: "Não possuímos as pessoas, temos apenas amor por elas". O ideário da posse, tão ocidental e capitalista, faz-nos perder o sentido da conquista. E a conquista, na verdade, deve ser um exercício diário. Antes de pensar em trocar o parceiro, reinvente sua relação.

Deixe que o outro seja ele mesmo, tenha seus sonhos e seus projetos. Aprenda a enxergá-lo como quem contempla uma cachoeira e imagina que ela está inerte. Ocorre que ao se aproximar percebe-se que há nela uma água viva, diferente a cada instante. Esse maravilhar-se é que deve nos mover em direção a um amor pleno, o qual trespassa a organicidade e se faz enamorar-se com o que há de vir. Ame pela humanidade que há em você e pela vocação inarredável de que, na verdade, é nossa missão fazer o outro feliz.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SUCESSO PROFISSIONAL: NÃO BASTA TER UMA IDEIA, VÁ ATÉ O FIM

É comum a cada um de nós o cultivo de sonhos e projetos futuros. Muitos ambicionam um bom emprego, montar um negócio, estudar bastante para ser aprovado em um concurso, ingressar no ensino superior e por aí vai. Para isso, as pessoas começam a elaborar suas estratégias, traçar seus planos. Nos primeiros dias de execução tudo vai bem: acorda cedo, pega no batente e dá início a empreitada. Ocorre que com o passar dos dias, arrefecem os ânimos. E aí lá se vai mais um projeto por água abaixo.

Essa constatação tão comum nos concita a afirmar que para vencer não basta ter apenas a iniciativa, mas é preciso ser “terminativo”, isto é, apostar no projeto até as últimas consequências. É necessário, portanto: começar, continuar e terminar. Quando deixamos as coisas no início ou pela metade, passamos um recado de fracasso e de falta de eficiência, o que compromete a nossa imagem, gerando um descrédito pessoal. Essa coisa de só ter começo nos leva ao deboche. Quando iniciarmos uma nova empreitada, todos dirão que será mais um projeto que vai ficar no papel. Quem não se lembra daquele amigo que só tem começo. Tudo começa astronomicamente projetado, porém nada se concretiza.

Isso, na verdade, nos impõe uma reflexão sobre a necessidade de pontuarmos muito bem nossos projetos, aquilatando a sua viabilidade, traçando um planejamento e fazendo uso da disciplina necessária para a sua execução. Outro ponto importante, é delimitá-lo dentro do espaço que lhe é exequível. Não adianta sonhar muito alto quando os cenários lhe exigem uma maior prudência. Faça pequeno, com consistência, que tudo depois se tornará grande. Mas faça, não apenas deseje!!

Fazer é agir, sair do estado de inércia e atirar-se com toda garra naquilo que aspiramos. Fazer exige movimento constante, com o entusiamo sempre renovado e com a certeza de que cada iniciativa impõe “um início”, “um meio” e “um fim”. Não desista antes de concluir todas essas etapas. Pois, se o êxito não chegar, teremos a consciência de que tudo fizemos para alcançá-lo. Portanto, tenhamos iniciativa, mas sejamos “terminativos”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

ONDE ESTÁ DEUS DIANTE DO SOFRIMENTO HUMANO?

Nos últimos dias tenho feito uma releitura de livros que tratam sobre o sofrimento humano e a ação ou (in) ação de Deus diante destes episódios. Não é à toa que muitos duvidam da existência de Deus quando submetidos a situações adversas ou trágicas. A primeira pergunta que surge é sem dúvida a mesma: Por que Deus permitiu que isso acontecesse comigo ou com alguém que amo?

Como pode um Deus que representa a bondade não intervir ante a prática do mal, do injusto, do diabólico e do trágico? Como pode Deus permitir que uma criança com apenas dois anos seja portadora de um tumor maligno que em breve lhe levará a morte? Como pode Deus permitir que um desastre da natureza (v.g. terremoto, tsunami) mate centenas e centenas de pessoas? Como pode Deus permitir que um maluco como Hitler tenha ceifado a vida de  milhares de judeus?

Afinal, onde está ou estava Deus nas horas sombrias das dores humanas???

Estas indagações não apenas nos inquietam, mas têm levado muitos à descrença, ao ateísmo, à absoluta incredulidade na onipotência divina!

A resposta a este dilema não é tão simples. Muitos teólogos e filósofos se debruçaram sobre o tema. Poderia aqui citar alguns deles, mas achei melhor, para não ser cansativo, lançar algumas luzes que nos sirvam de reflexão ou provocação para que cada um de nós tire suas próprias conclusões. Ressalto, pois, que não tenho formação em teologia nem em filosofia. Arrisco-me apenas em construir, a partir das minhas leituras e da minha experiência de vida, argumentos que me permitem dizer sem medo que DEUS EXISTE  e Ele é profundamente misericordioso.

Começo por falar que fomos muito mal educados na fé. Aprendemos desde cedo que o que acontece de bom ou ruim tem o dedo de Deus no meio. Se alguém sofre um acidente de trânsito e morre, logo a família é amparada por um amigo que chega com a triste frase: “ Aceite, essa é a vontade de Deus”. Do outro lado, a família diante dessa lamentável justificativa passa a pensar: “Como pode Deus querer a morte do meu filho? Por que ele tem que pagar com a vida ainda tão jovem?”

É difícil sustentar a fé quando se atribui o que acontece de mal ou trágico ao criador da vida!!!

Eu me arrisco a responder que Deus não é culpado pela morte nem pela doença, não é culpado pelo acidente, não é culpado pela catástrofe natural. O que precisamos entender é que todos esses acontecimentos são indissociavelmente parte integrante da finitude humana. Não somos imortais, seremos eternos. A morte, o sofrimento e a dor fazem parte da nossa condição humana, frágil e precária.

Mas se Deus é onipotente, por que não age?

Deus construiu um mundo perfeito. A harmonia cerca toda a criação. Nossa inteligência permite solucionar muitos dos nossos dilemas. Podemos, sem dúvida, resolver nossos problemas. Cientistas a cada dia descobrem novos medicamentos para tratar as nossas doenças. As novas tecnologias nos permitem uma vida melhor, mais confortável. O direito transnacional tem como um dos pilares a vedação ao retrocesso como forma de evitar que o império das trevas se sobreponha à democracia, ao estado das liberdades e garantias coletivas e individuais.

Deus deu a homem o livre arbítrio para exercer as suas escolhas. A grande verdade é que muitas dessas escolhas comprometem o bem-estar individual ou coletivo. Mas não poderia ser diferente: Se a cada situação, Deus agisse ele sepultaria a liberdade e a grandiosidade de sua criação. Tiraria do homem a responsabilidade de protagonizar suas ações e construir seu futuro. Reduziria a espécie humana a um fantoche teleguiado sem autonomia e capacidade de agir. Seríamos verdadeiros autômatos dirigidos por uma vontade superior. Obviamente se assim fôssemos, não seríamos a imagem e semelhança de Deus, o que de fato se constituiria numa grande contradição do ato do Criador!

E por que minhas preces não levaram à cura do meu filho?

Acostumamos a acreditar em um Deus milagreiro e mágico. Rogamos a Ele e esperamos ser atendidos, Quando não recebemos suas graças logo nos frustramos e nos revoltamos. É preciso que se diga que aqui não estou a duvidar da onipotência divina. Deus pode realizar milagres porque pode tudo. Mas não necessariamente ele vai atendar as suas preces. O milagre é uma excepcionalidade. Crianças continuarão a morrer vítimas dos cânceres, desastres naturais sempre acontecerão, tragédias desfilarão no anfiteatro da nossa existência.

Esta é a nossa condição humana!!! As doenças são anomalias orgânicas que atingem a todos indistintamente,pessoas boas ou ruins. Em alguns com maior gravidade e, em outros, com menor proporção. Esta não é uma escolha de Deus! Ele não está lá cima com um balde de tumores malignos escolhendo as vítimas que serão submetidas à insidiosa moléstia!!!

O grave é a infantilidade da nossa fé. O que Desejamos é um Deus que nos afaste de todos os sofrimentos, que cure todas as nossas dores, nos garanta uma vida sempre feliz e sem problemas, preferencialmente com muito dinheiro. O que vou dizer irá frustrá-los: Este Deus não existe!!!

Por essa razão tem crescido o número de ateus. Os homens recorrem a Deus para realizarem um contrato de troca: Eu te louvo, faço minhas orações e recebo como prêmio a prosperidade material, pessoal e profissional. Se não alcançam a realização de seus desejos passam a não mais acreditar em Deus.

O que muitos têm não é a fé mas sim a crença. Por essa razão, ao menor ruído da dor essa crença vai embora.

Portanto, se queremos continuar firmes na fé precisamos compreender que Deus não age onde o homem deve agir. É preciso compreender, ainda, que a dor é parte da condição de nossa finitude e do nosso amadurecimento pessoal. Se Deus anestesiasse o sofrimento humano sepultaria a solidariedade, a compaixão, o amor, sentimentos tão marcantes e tão presentes durante as tragédias da vida. Uma vida sem dor é uma vida sem graça. É a dor que nos faz sentir a saudade de um grande amor, a alegria de um reencontro, a esperança que estava sepultada. É a dor que nos reconcilia com o outro, que nos faz abrir mão do nosso egoísmo. É a dor que nos dá a dimensão da nossa pequenez e da nossa fragilidade. Não seríamos humanos se não fôssemos cravados pela dor. 

E afinal, onde está Deus diante dos sofrimentos e das intempéries da vida?

Deus está ao lado das vítimas da violência, acolhendo-as na sua dor; está fortalecendo a autoestima dos pais que perderam seus filhos precocemente; incentivando os voluntários que socorrem a tantos durante as tragédias e nas missões humanitárias nos países pobres. Deus está ao lado dos enfermos ,dando-lhes força e esperança para superar suas dores.

Portanto, amadurecer a fé é compreender que Deus abdicou do seu poder soberano e absoluto para não interferir no ato de sua criação, tornando o homem protagonista do seu próprio destino.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Equilíbrio é fundamental para o sucesso!!

Tenho sempre dito neste blog que o sofrimento, na vida das pessoas, é algo inevitável. Vez por outra ele vai bater na nossa porta. Mas uma coisa é certa: Não podemos evitá-lo, todavia sua magnitude será bem menor na proporção que estivermos preparados para enfrentá-lo.
Para isto é preciso lembrar-se do ensino bíblico do Mestre dos Mestres que nos propugnava a construir nossa casa sobre a rocha. Parafraseando tão divino ensinamento, estendemos essa assertiva a um propósito de edificação das nossas vidas sobre a rocha. Isso diz respeito aos nossos relacionamentos em família, no trabalho, na experiência com os amigos.
Já dizia há pouco que o equilíbrio é fundamental para o nosso sucesso. Quando somos vítimas de nossos desejos, cometemos as piores loucuras. Compramos o que não podemos, agimos irracionalmente, destruímos a nossa reputação. Tudo muitas vezes em virtude de um prazer momentâneo e fugaz.
Quantos homens passaram anos e anos construindo uma biografia e a viram cair por terra em razão de um deslize de conduta, de uma atitude impensada. Infelizmente nosso lado animal muitas vezes sucumbe a nossa   racionalidade. Naquele instante nos tornamos reféns de desejos irracionais, culminando na prática de ações desorientadas e prejudiciais às nossas vidas. Por isso, é preciso estarmos em alerta, olhando para o horizonte e tendo a consciência que a felicidade verdadeira não está em dar vazão aos nossos ímpetos imediatos e irracionais, mas se constitui na verdade em cultivar os princípios que são para nós mais valiosos: dignidade, honra, respeito.
Sabemos que os apelos do mundo são fortes. Se não soubermos conter nossas atitudes, atiramo-nos num calabouço sem volta. Mais tarde só restará a dor e o arrependimento.
Por essa razão, rogamos a Deus a força de saber dizer não a tudo que nos distancia dos nossos propósitos mais nobres. Não é uma tarefa fácil! É um exercício permanente e constante de renúncia. Estejamos vigilantes.