terça-feira, 30 de setembro de 2014

CANDIDATOS A GOVERNO DO CEARÁ SE ENCONTRAM HOJE NO ÚLTIMO DEBATE

Os quatro concorrentes ao comando do Governo do Estado nas eleições de 2014 confirmaram presença no último debate televisionado entre os candidatos, antes do pleito deste domingo (05). O encontro, promovido pela TV Verdes Mares, na reta final da campanha, deverá ser marcado pela forte troca de argumentos sobre qual dos projetos de governo em discussão é o melhor, já que os postulantes estão cada vez mais empenhados na busca pelos votos do grande número de eleitores indecisos.

Acompanhe a programação completa dos candidatos para esta última terça-feira de campanha.
Ailton Lopes (PSOL)
* Fortaleza
22h - Debate entre candidatos ao Governo do Ceará, na TV Verdes Mares

Camilo Santana (PT)
* Fortaleza
22h - Debate entre candidatos ao Governo do Ceará, na TV Verdes Mares

Eliane Novais (PSB)
* Fortaleza
09h - Sessão plenária na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará
22h - Debate entre candidatos ao Governo do Ceará, na TV Verdes Mares

Eunício Oliveira (PMDB)
* Fortaleza
10h30 - Reunião com candidatos, lideranças e apoiadores no Comitê Central da Coligação
Tarde  - Gravação programa eleitoral
22h - Debate entre candidatos ao Governo do Ceará, na TV Verdes Mares

NINGUÉM PENSA NO FUTURO, por CARLOS CHAGAS

"Dentro de uma semana, precisamente, estará sendo escolhido o novo Congresso. Dizia o dr.Ulysses, com humor, que pior do que o atual, só o próximo. A pergunta que se faz é sobre os limites da renovação, em especial na Câmara dos Deputados. É possível que não chegue a 50%. Nos principais partidos, os caciques deverão conservar suas cadeiras, exceção dos candidatos a governador ou ao Senado, aliás, poucos. Indaga-se da hipótese de, desta vez, ser aprovada a reforma política, mas as chances são poucas. Talvez a proibição de doações pelas empresas nas campanhas eleitorais, com o financiamento público ainda indefinido. Jamais a cláusula de  barreira para limitar o número de partidos políticos, muito menos o voto distrital e a votação para deputado federal em listas partidárias. Nem a revogação do princípio da reeleição.
O novo Congresso continuará dando sustentação ao palácio do Planalto,  qualquer que venha a ser a  presidente da República, Dilma ou Marina.  A conclusão é  de que o  governo permanecerá em condomínio com os partidos, funcionando o PMDB como tijolo de  sustentação tanto de uma quanto de outra das candidatas. Neste  caso, com o PT ao lado e o PSDB na oposição. Naquele, invertendo-se a equação, ou seja, os companheiros na oposição e os tucanos no governo.
Mudará alguma coisa?  Nem pensar. Dos programas de assistência social ao  orçamento insuficiente,   da ineficiência administrativa à insegurança nas ruas, da farra das empreiteiras à indigência dos municípios – o país será o mesmo. Tanto o Congresso quanto o Executivo continuarão olhando para o próprio  umbigo, pensando nos próximos quatro anos. Ninguém, em funções de relevo, cogita do que será o Brasil dentro de vinte,   trinta ou cinqüenta anos. O futuro não faz parte das preocupações nacionais, até porque os políticos de hoje não estarão mais aqui. Não é problema deles.
INTERPRETAÇÃO EM ABERTO
Impossível, por enquanto, interpretar o significado do manifesto dos generais de quatro estrelas, todos na reserva, criticando não só  o ministro da Defesa, mas o governo inteiro. Em outros tempos os tanques estariam na rua, ou os signatários na prisão. Fica difícil aceitar que os comandantes atuais não conhecessem previamente o pronunciamento. Que reação terá o embaixador Celso Amorim? Advertir a todos ou ficar calado? A presidente Dilma   comentou apenas que se os generais não querem pedir desculpas pelos excessos do regime militar, “que não peçam”.

MARINA E A SÍNDROME DE ESTOCOLMO, Por Marcos Coimbra

“Agredida sem perdão pelo PT, Marina não consegue atacar os antigos companheiros”
Marina sofre a maior ofensiva de desconstrução de imagem de que se tem notícia na história recente da política do Brasil. A pancadaria é incessante. Se o leitor acha que ela já apanhou o suficiente, não viu nada. Esta semana ela vai sofrer os ataques mais contundentes e pesados. João Santana entendeu como e onde bater e fará de tudo para Dilma levar esta eleição no primeiro turno.
Do outro lado, Marina ainda não soube reagir. Diante dos primeiros ataques, ofereceu a outra face. Chorou diante de uma repórter da Folha. Depois, como vítima, talvez de uma espécie de síndrome de Estocolmo, ou algo equivalente, isentou Lula e culpou o PT pelos ataques que vem recebendo. O fato é que Marina, até este momento, colhe os votos da oposição, mas não consegue bater nos velhos companheiros. A ausência de capacidade de reação diante de seus antigos pares, hoje adversários hostis, pode levar a candidata do PSB a perder uma eleição que estava em suas mãos.
A campanha contra Marina não é somente negativa. É mentirosa e deturpa a realidade. Entretanto, apesar de não faltar munição real para reação, até o momento nada foi usado. Aécio abriu a caixa de ferramentas, em um primeiro momento contra Marina, até perceber que estava ajudando Dilma a vencer no primeiro turno. A partir daí passou a desferir alguns golpes leves na candidata do PT. O PSB permanece em silêncio e de acordo com sua candidata adotou a tática da não-agressão. Um erro, na minha avaliação. O fato é que ninguém se dispôs a fazer com Dilma o que ela vem fazendo com Marina. Logo, a Presidente lidera sozinha e com folga.
"Escrevi aqui que Marina Silva seria eleita se não cometesse erros. Entretanto, vem cometendo impiedosamente, quando não se defende, tampouco reage. Tudo indica que os ataques que vem sofrendo abalaram muito a candidata. Seu desempenho nos debates tem sido fracos, sua voz vem falhando e vemos um ar de abatimento diante da pancadaria incessante. João Santana explora qualquer deslize mínimo, enquanto ela silencia sobre tudo que poderia explorar contra Dilma. Resultado: suas intenção de voto vem minguando e chegaram em seu piso. Passando disso é desidratação séria (já apontada, neste momento, pelos trackings).
O PT aposta em vitória no primeiro turno, por isso baterá muito em Marina ainda. Mas todo cuidado é pouco. Os petistas preferem enfrentar Marina do que Aécio em um eventual segundo turno, portanto, seria preciso encontrar a dosagem certa para que ela desidrate na medida para chegar fraca e deixar o tucano de fora da disputa.
A estratégia faz sentido. Para Marina vencer o segundo turno, é preciso de uma onda, que vem perdendo força. Do lado dos tucanos, há estrutura partidária, prefeitos, governadores eleitos, disputas de segundo turno, tudo que pode fazer Aécio ganhar fôlego, além, é claro, do fato de ter desbancado Marina, o que já será considerado uma vitória para mobilizar a militância. Mas também é bom lembrar: os votos de Marina se dividem entre Aécio e Dilma. Os de Aécio desaguam quase que integralmente em Marina.
O fato é que as pesquisas, apesar de não colidirem nos números, mostram o mesmo movimento: subida de Dilma, desidratação de Marina e leve subida de Aécio. Tudo será decidido no Sudeste. Tudo será decidido esta semana. Minha aposta é que haverá segundo turno. A tendência ainda é ser com Marina, mas se as pesquisas desta semana mostrarem alguma reação de Aécio e ambos entrarem na margem de erro (como mostram os trackings), viveremos dias de muita especulação. Tudo isso porque Marina decidiu errar. Marina decidiu dar a outra face, que João Santana aceitou acertar com prazer."

QUEM É O ANTIPETISTA? Por Merval Pereira


"A disputa pelo voto antipetista é o que opõe neste reta final a candidatura de Aécio Neves do PSDB à de Marina Silva do PSB. O raciocínio que prevalece hoje no PSDB é francamente contrário a um acordo formal com Marina num eventual segundo turno. À medida que cresce a percepção entre os assessores de Aécio Neves de que é possível ir ao segundo turno passando por cima de Marina, o que tem que necessariamente ser confirmado pelas pesquisas Ibope e Datafolha que serão divulgadas hoje, aumenta também a visão crítica sobre a relação entre os dois partidos.
Afinal, raciocinam, não é justo cobrar uma frente de oposição no primeiro turno do PSDB para apoiar uma candidata que não apoiou o PSDB no segundo turno na eleição passada. Além do mais, Marina não teria feito nenhum sinal até o momento para uma aproximação, e Walter Feldman, que supostamente será o articulador político de um futuro governo, diz que o PSDB tende a acabar.
Há uma espécie de orgulho na campanha tucana pelo “mérito”, não “culpa”, de terem feito um estrago na candidatura de Marina, revelando sua raiz petista que, nessa visão da campanha de Aécio, não representaria uma mudança verdadeira de cenário.
O resultado prático na contabilidade dos tucanos foi inviabilizar o voto útil em Marina no primeiro turno. Por que votar útil pela Marina se ela já está perdendo no segundo turno para Dilma e dá mostras de fraqueza? Marina já deixou de ser “uma causa”, virou uma candidata, o que seria meio caminho para ser superada nessa reta final. 
Boa parte do voto antipetista ainda está com Marina em São Paulo e Minas, e o esforço do primeiro turno é recuperá-los para chegar nos últimos dias em empate técnico com a candidata do PSB. Nas simulações de segundo turno, já ganham de 70% a 80% dos votos da Marina, dizem os analistas da campanha tucana.
A campanha em Minas tem um subproduto especial, a tentativa de reverter o quadro em que o petista Fernando Pimentel supera o tucano Pimenta da Veiga. O objetivo inicial é impedir que lá a eleição termine no primeiro turno. Se Aécio Neves conseguir reverter a questão nacional indo para o segundo turno contra Dilma, a disputa em Minas ganhará uma dimensão distinta.
Caso apenas em Minas seja possível evitar a derrota no primeiro turno, o grupo político de Aécio Neves se dedicará integralmente à campanha estadual, para garantir seu reduto eleitoral. Hoje o candidato petista tem, segundo o Datafolha, 51% dos votos válidos, o que o coloca no limite da vitória do primeiro turno.
Há, porém, histórias famosas em Minas sobre reviravoltas em eleição, a mais recente delas com Hélio Costa em 1994, quando terminou o primeiro turno à frente com 49% dos votos e perdeu no segundo turno para Eduardo Azeredo. Na eleição anterior, Costa já havia perdido para Hélio Garcia por 1% dos votos no segundo turno. 
Superar Dilma e Marina em São Paulo e em Minas seria o primeiro passo para uma recuperação nacional, que viria em conseqüência. Num segundo turno, a tentativa será fazer a maior diferença possível nos dois Estados, conforme o planejamento inicial, para reduzir a diferença no norte e no nordeste. O problema é que em ambos os Estados a presidente Dilma está tendo uma performance muito boa, e a recíproca não é verdadeira para Aécio no norte e nordeste do país.
As pesquisas divulgadas ontem, da MDA e do Vox Populi, mostram a presidente Dilma com 40% dos votos, a mesma pontuação que a pesquisa anterior do Datafolha, mas diferem em relação a Marina. Na MDA, a candidata do PSB caiu 2 pontos, e Aécio sobe os mesmo dois, o que representaria as curvas ascendentes do tucano e descendente de Marina. Já o Vox Populi mostra Marina subindo dois pontos e Aécio subindo um, o que demonstraria que dificilmente o tucano teria condições de superar Marina até o próximo domingo."

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Tribunos, profetas e sacerdotes – intelectuais e ideologias no século XX (Yvonne Maggie)


Abro o jornal e vejo a notícia da decapitação do jornalista britânico por um integrante do Estado Islâmico. No mesmo jornal descubro que, em uma rebelião, cabeças de internos do presídio de Pedrinhas foram cortadas. Saio de casa para a universidade, uma das mais bem conceituadas do país, e ouço diariamente gente falando javanês, sem a menor vontade de conversar, debater ou apenas trocar ideias. Abalada, constato que a barbárie está mesmo aumentando em vez de diminuir, e que o autoritarismo graça por toda parte. Meu único alívio diante da certeza de que o autoritarismo se instalou no mundo e em nosso país, é quando vou tomar um café no botequim da esquina de casa, um pé-sujo, onde o freguês tem sempre razão e as pessoas emitem suas opiniões sem medo de patrulhas. Falam português e não javanês que virou moda pós-moderna.  

Por sorte, de vez em quando cai uma pérola em minhas mãos. Recebi antecipadamente o livro "Tribunos, profetas e sacerdotes: intelectuais e ideologias no século XX", de Bolívar Lamounier, com o amável convite para participar da mesa de debates durante o seu lançamento. Fiquei nervosa, como sempre. Cá com meus botões antes de abrir a primeira página pensei: não vou entender nada. Faltei a muita aula de Ciência Política. Sou antropóloga e me vejo sempre em apuros quando resolvo me meter a ler os cientistas políticos. Mas vocês não sabem o prazer que deu ir lendo as linhas que desvendavam uma língua afiada e clara, com figuras de linguagem tão apropriadas! Vou pedir umas emprestadas. 

O livro segue um modelo engenhoso para pensar os intelectuais, o liberalismo e o antiliberalismo. Intelectuais definidos como gente letrada, “com nível de escolaridade muito superior ao da média da sociedade. Dele espera-se reflexão, elaboração, desenvolvimento. Um enriquecimento contínuo, a ser feito em colaboração e muitas vezes em competição com seus pares. O intelectual tem educação superior, valores públicos e participação política.” 

Bolívar classifica eurísticamente três tipos de intelectual: o tribuno, o profeta e o sacerdote. “O tribuno, semelhante ao advogado, engaja-se na defesa de pessoas, grupos sociais, ou seja, em situações dadas. O profeta é o portador da boa nova: a chegada de um novo mundo, ao qual ele promete conduzir aqueles que compartilharem sua receita de salvação. O sacerdote é o intérprete autorizado dos livros; é aquele que invoca os cânones sagrados a fim de separar os campos do bem e do mal, do permissível e do não permissível.” 

Para pensar o intelectual não só no nível individual, mas também no nível coletivo, Lamounier constrói três tipos, digamos ideais, de comunidade intelectual: pensadores isolados, intelligentsias e comunidades academicamente centradas. E insere o intelectual numa conjuntura histórica isolando três focos sucessivos de atenção intelectual – a construção do Estado, a industrialização e a tematização da democracia. Simples, porém foi preciso fazer uma exploração comparativa entre Rússia, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. 

O leitor, mesmo não muito familiarizado com o mundo intelectual dos três primeiros países no século XX, não deixa de seguir o raciocínio pelo qual Lamounier explora esses três níveis de comunidades intelectuais e de tipos de intelectuais, assim como seu pensamento sobre a construção do Estado, a industrialização e a democracia. 

Esse meu resumo, um tanto tosco, não faz jus à forma com que Lamounier enfrenta a dificílima tarefa e, sobretudo, a abrangência do projeto intelectual que pretendeu esboçar. Em linhas gerais, os dois primeiros casos analisados, Rússia e Alemanha representam o antiliberalismo por excelência, enquanto os Estados Unidos é nitidamente liberal. O caso brasileiro, nessa comparação, fica quase no entremeio. A análise sobre Oliveira Vianna e Sergio Buarque de Holanda, nos capítulos 8 e 9, explicita os limites a que podem chegar o antiliberalismo e o liberalismo no Brasil do século XX. 

Não vou sintetizar o maravilhoso esquema traçado, mas é preciso ressaltar a leitura corajosa que Lamounier faz de Oliveira Vianna, decantado por alguns e que exerceu influência tanto sobre intelectuais de direita quanto de esquerda no Brasil, merecendo estudo, de Wanderley Guilherme dos Santos. Lamounier discute com Santos e ressalta o antiliberalismo, o autoritarismo de Vianna e ainda sua falta de base empírica. Oliveira Vianna pouco saiu de Niterói, onde viveu, e sua construção da sociedade rural não se baseia nem em pesquisas e nem muito menos em algum tipo de vivência. Segundo a versão antiliberal de Oliveira Vianna é preciso um Estado forte para gerir os atrasados, retrógados e broncos chefes de clãs rurais sempre em guerras entre si. Vianna escreveu isso justamente no período em que estava ocorrendo a maior transformação na produção do gado no Brasil, e nem de longe suspeitou dessa enorme empreitada. A versão da guerra clânica entre chefes rurais foi incorporada, sem crítica, por muitos intelectuais. 

Para o autor que escreveu o belíssimo "Moinho, esmola, moeda, limão: conversa em família" (Lamounier, 2004), onde une biografia e história sem nunca se desviar do cerne da questão ao interpretar pontos fundantes da história brasileira, sobretudo a vida interiorana de Minas na primeira metade do século XX, a obra de Oliveira Vianna deve ter sido mesmo uma espécie de soco no estômago. 

O prêmio do leitor é chegar a Sergio Buarque de Holanda porque aí está uma versão que talvez não tenha passado despercebida por alguns, como Roberto DaMatta, mas que Lamounier elabora de forma a elucidar como as ideias não estão fora do lugar, por assim dizer, e, como eu diria, como os modernistas trouxeram uma lufada de ar fresco a partir da arte e da literatura, certamente, mas por meio de uma interpretação com base no liberalismo político. Sergio Buarque de Holanda, é, para Lamounier, um farol a indicar que há esperança para a vitória da ideologia liberal em nosso país, hoje imerso num mar de interpretações antiliberais e autoritárias. Basta ouvir os programas de propaganda eleitoral para temer pelo futuro.

Não entendo de ciência política como deveria e por isso aprendi muito com o novo e ousado empreendimento intelectual de Lamounier. Aprendi mais ainda porque Bolívar não me deixou, nem um minuto sequer, me perder da leitura, pois mantém uma linha condutora do início ao fim do livro. Quase como um filme, o leitor não deixa de imaginar-se também no presente da vida brasileira. Recomendo a leitura a todos, sobretudo aos letrados que têm valores públicos e participação política.
Fonte G1

ELEIÇÕES 2014: DE CABEÇA PARA BAIXO, com Merval Pereira


 O candidato tucano Aécio Neves entra na última semana da campanha eleitoral enfrentando um dilema que coloca suas necessidades imediatas à frente de um projeto político maior, o de tirar o PT do poder. Ele foi talvez a maior vítima colateral do trágico acidente que matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, colocando de cabeça para baixo a corrida pela presidência da República e desconstruindo os parâmetros de sua disputa.
Guiado por Aécio, seu presidente nacional, o PSDB armou-se para disputar a presidência baseado na sua organização partidária, em diversos acordos políticos formais e informais e na possibilidade de sair com grandes votações de Minas e São Paulo, dois dos maiores colégios eleitorais do país que domina há muito tempo.
Isso tudo deixou de ter importância quando a ex-senadora Marina Silva entrou em cena e conseguiu, com quase nenhuma estrutura partidária e pouco mais de dois minutos de propaganda eleitoral no rádio e televisão, sair na frente em todas as regiões do país, jogando Aécio para o terceiro lugar.
Diante do fato novo, a campanha do PSDB, mas, sobretudo, a da presidente Dilma, partiram para a desconstrução do programa e da própria figura de Marina, que se mostrou frágil, tanto pessoal quanto partidariamente, para reagir à altura da necessidade. Ela no momento enfrenta três fortes adversários: a falta de escrúpulos da propaganda do PT, a tentativa dramática do PSDB de retomar o lugar na disputa no segundo turno, e a crise aberta no PSB por seu presidente interino Roberto Amaral, velho aliado do PT que, em meio a uma campanha acirrada como essa, resolveu cuidar de seu pirão primeiro, convocando uma extemporânea eleição para formalizá-lo na presidência do partido.
Querendo ou não, os dois, Aécio Neves e Roberto Amaral, estão ajudando o PT a fortalecer a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mais compreensível do que a atitude de Amaral é a de Aécio, que vê ainda uma possibilidade de superar Marina pelas últimas pesquisas, embora tenha sido aconselhado já há algum tempo pelo ex-presidente Fernando Henrique a centrar seu ataque em Dilma, e não em Marina, a fim de preservar a possibilidade de montar um acordo partidário entre PSB e PSDB no segundo turno.
O auge das “afinidades” entre as campanhas de Aécio e Dilma foi a acusação irônica de que o programa de Marina havia sido escrito a lápis, tais foram as alterações feitas. O marqueteiro João Santana gostou tanto da frase de Aécio que a transformou em um filmete da campanha de Dilma.
Outra boa sacada de Aécio acabou saindo pela culatra, pois Aécio disse de suas adversárias que “uma mente e a outra desmente”. Acabou tendo que se desmentir ele próprio, que prometeu e depois voltou atrás no fim do fator previdenciário.
O maior problema de Aécio Neves, a esta altura da eleição, é a disputa em Minas, que surpreendentemente está perdendo. Os 3 milhões de votos que pretendia tirar na frente de Dilma no estado dos dois agora se tornaram poucos milhares numa disputa em que tem que se desdobrar para chegar à frente, quando já esteve em terceiro lugar.
Para o governo do Estado enfrenta uma eleição dificílima, que até o momento está perdida já no primeiro turno. Como o número de indecisos continua alto, em torno de 20%, Aécio e seu grupo ainda têm esperanças de virar o jogo, mesmo que seja apenas no segundo turno. Mas se esse esforço excessivo, em Minas e no plano nacional, levá-lo ao segundo turno, ele pode até ganhar o governo de Minas para seu partido, mas dificilmente terá condições de derrotar a presidente Dilma.
No norte e no nordeste, regiões em que Dilma abriu na eleição de 2010 cerca de 12 milhões de votos de frente para Serra, o PSDB hoje com Aécio tem uma votação minúscula: 15% no norte e 8% no nordeste segundo o mais recente levantamento do Datafolha. 
Quem está impedindo, a duras penas, que Dilma abra vantagem nessas regiões onde predominam os eleitores mais ajudados pelos programas sociais do governo, especialmente o Bolsa Família, é Marina, que tem, 27% de votos no norte e 23% no nordeste, e mesmo assim está em queda.
Entre os eleitores de renda familiar de 2 a 5 salários mínimos, Dilma e Marina estavam empatadas em 34% há uma semana. Agora, a presidente supera a candidata do PSB por 37% a 30%. No Nordeste, Dilma já chegou a 55% e vai a 59% na disputa com Marina, que teria 33% num eventual segundo turno.
Contra Aécio Neves, tudo indica que a presidente poderá repetir os 70% que obteve em 2010 nessas regiões, e o candidato do PSDB não tem condições práticas de reduzir essa diferença com votações expressivas em Minas e São Paulo, como era o plano 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A TERRA ESTÁ MORRENDO!!!!!



"Caro leitor, se um pesquisador o abordasse perguntando qual a sua prioridade, neste instante, honestamente, você responderia que são as mudanças climáticas? Falo por mim: dificilmente esta seria minha resposta. A menos que, no momento da pergunta, eu estivesse vivendo alguma situação que me lembrasse o problema, eu elencaria outras questões. E a minha resposta acabaria por endossar, de maneira equivocada, a pesquisa que o diretor do Copenhagen Consensus, Bjorn Lomborg, mostrou nesta terça-feira (23), dia da Conferência do Clima em Nova York, num artigo do jornal “China Daily”. O objetivo do artigo foi ilustrar sua teoria de que a questão climática não deve ser prioridade.
“Num mundo onde 4 milhões de pessoas morrem por ano porque não têm acesso à energia e no qual a pobreza, falta de água, doenças infecto contagiosas, educação sem qualidade e pouca comida afligem bilhões de pessoas, não se pode dizer que o clima deve ser nossa prioridade maior”, escreveu ele, aludindo à pesquisa encomendada pela ONU que mostra que as pessoas têm mais interesse em educação e põem as questões climáticas em último lugar em suas prioridades. Mas, como já demonstrei, este estudo carece de exatidão.
A questão é que, sim, Lomborg está certo quando diz que precisamos priorizar as privações humanas que há tempos batem à porta e exigem soluções. O engano talvez seja não perceber que muitos desses problemas são consequências dos eventos climáticos.
A morte de uma das principais nascentes do Rio São Francisco já é um fenômeno ligado à falta de chuva, sintoma das mudanças climáticas, e está deixando um lastro bem negativo. Os desabrigados da última grande enchente da Região Serrana ainda sofrem na pele o resultado dos desmandos da administração, que parece não ter se dado conta de que a tragédia pode se repetir. São apenas dois exemplos, bem próximos de nós, do impacto do aquecimento global na população.
No fim das contas, por mais disparatadas que pareçam, as opiniões contrastantes devem ser abrigadas, é um bom exercício de democracia. Assim como as marchas, protestos, manifestações populares – desde que sejam pacíficas e sirvam para pôr um tema na agenda dos políticos, não só para dar visibilidade a ativistas.
Leonardo DiCaprio discursa na Conferência do Clima em Nova York_corte 690
Dessa forma, esta terça foi o dia de a humanidade ser lembrada, mais uma vez, num ruidoso evento, de que é preciso mudar muita coisa para que o planeta não aqueça mais do que já está aquecendo, e para que o resultado disso não seja mais catastrófico do que já está sendo para muitos. Leonardo DiCaprio, ator engajado na causa, fez um discurso aos líderes que me lembrou o da menina Severn Suzuki na Rio-92. Ambos clamaram por iniciativas urgentes. DiCaprio disse: “Vocês podem fazer história... ou serão vilipendiados por ela”.
A presença de celebridades atrai mais atenção e, talvez por isso, parece que a Convenção ganhou mais visibilidade do que os participantes esperavam. Mandei um e-mail para o professor Emilio La Rovere, titular do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe/UFRJ, que está em Nova York acompanhando a reunião. Ele me respondeu dizendo que o grande ganho do encontro foi justamente ter tirado a discussão sobre o clima da esfera dos ministros de meio ambiente e a alçado o nível dos chefes de estado. Houve alguns reveses, como a ausência do presidente da China, Xi Jinping, e a má vontade de alguns delegados de países que se sentiram atropelados. Mas, no geral, há resultado político, aposta ele.
Pedi que fizesse um resumo do que ele considerou mais importante no encontro e reproduzo aqui sua resposta:
“Ban Ki-Moon (o secretário da ONU) tentou dar um impulso para uma maior ambição nas negociações da Convenção do Clima, com algum resultado político. O objetivo de cortar o desmatamento não foi bem negociado, deixando o Brasil (país mais importante nesse tema) de fora, por terem mandado um texto pronto, só para aprovação [o Brasil acabou não assinando o documento]. É lógico que o governo brasileiro quer desmatamento ilegal zero, mas não pode se comprometer em impedir desmatamentos permitidos por lei através do novo Código Florestal, recentemente aprovado. Os pronunciamentos dos presidentes não trouxeram novidades, mas foi importante, mais uma vez, a presença dos prefeitos (C-40 – grupo das grandes cidades para liderança climática –, agora sob a presidência do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que está se tornando protagonista nesse campo), como na Rio+20. Foi  importante também a manifestação de vários grupos financeiros privados, falando de disponibilizar grandes quantias de recursos financeiros. Mas não está claro como isso tudo será operacionalizado. Pelo menos há boa vontade de formar parcerias público-privadas para alavancar o Green Climate Fund que está sendo discutido na Convenção”.
Na editoria de meio ambiente do site do jornal britânico “The Guardian”, que cobriu o evento minuto a minuto, nesta terça havia um resumo das promessas feitas pelos líderes dos países presentes na Convenção. De fato há cifras bem interessantes para o Green Climate Fund: a Noruega pretende contribuir com US$ 500 milhões; a Suíça com US$100 milhões; a União Europeia fala em destinar 14 bilhões de euros nos próximos 7 anos, e o Reino Unido põe no bolo 4 bilhões de libras, enquanto a França promete US$ 1 bilhão e até a Estonia diz que vai destinar 3 milhões de euros.
Quanto às iniciativas que pretendem tomar para baixar as emissões de carbono, estas vão de investimento em fontes mais limpas, como eólica e solar, ao fim do uso de combustíveis fósseis – promessa ousada feita pela Islândia.
Quanto ao Brasil, um dos deveres de casa levados à Convenção foi de apresentar, no ano que vem, em Paris, quando haverá a Conferência das Partes (COP-21), um Plano Nacional de Adaptação Climática. Vale lembrar que já existe, desde 2008, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, cuja principal meta é reduzir em 80% o desmatamento anual da Amazônia até 2020.
Editor e analista econômico do jornal “Financial Times”, o jornalista Martin Wolf faz nesta quarta-feira (24), na coluna reeditada pelo “Valor Econômico”, uma análise sobre o debate que envolve as mudanças climáticas e cita o relatório da Comissão Mundial sobre Economia e Clima lançado nesta terça na Convenção e semana passada em diferentes cidades mundo afora. O relatório é encabeçado pelo presidente do México, Felipe Calderón.
Segundo Wolf, há cinco pontos fundamentais no documento. Primeiro, a natureza da infraestrutura que construirmos nos próximos 15 anos vai determinar as chances de manter o aquecimento em 2°C; segundo, a civilização precisa mudar agora, já, muitos de seus comportamentos; terceiro, os investimentos em infraestrutura visando a uma economia de baixa emissão vão mudar a forma do desenvolvimento urbano; quarto, se tudo isso for feito, em 2030 teremos menos da metade das emissões; e, por fim, o custo econômico disso será menor do que os benefícios.
De qualquer forma, segundo o jornalista, o mundo dos negócios vai precisar colaborar, e muito. “É possível combinar crescimento com um futuro menos arriscado ambientalmente”, diz ele.
É o mantra que vem sendo repetido à exaustão, só não ouve quem não quer. Ou por ter ouvidos pequenos, ou por pensar em lucros imediatos."
*Imagem: Ator Leonardo DiCaprio discursa na Conferência do Clima de Nova York nesta terça-feira (23). (Foto: Timothy A. Clary/AFP)Fonte: Blog do |Noblat/ Por Amélia Gonzalez

IBOPE: TASSO LIDERA A PESQUISA PARA O SENADO NO CEARÁ

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O candidato do PSDB ao Senado, Tasso Jereissati, lidera a pesquisa Ibope, com 57% das intenções de voto, em dados divulgados, nesta quinta-feira. Mauro Filho (Pros) aparece em segundo, com 24% das intenções de voto, seguido por Geovana Cartaxo (PSB) e Raquel Dias (PSTU), ambas com 1%.
A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre os dias 21 e 23 de setembro, em 61 municípios. O levantamento foi encomendado pela TV Verdes Mares e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Estudantes de Medicina da UFC Sobral promovem campanha de conscientização sobre o Calazar


"Nessa semana, nos dias 25 e 26 de setembro (quinta e sexta-feira) será realizada a Campanha Todos Contra o Calazar, uma iniciativa dos alunos da Liga Acadêmica de Infectologia juntamente aos alunos da disciplina de Parasitologia do terceiro semestre da Faculdade de Medicina UFC Sobral, sob a coordenação das professoras Ticiana Parente e Patrícia Rosa. O objetivo da campanha é informar a população sobre a Leishmaniose Visceral (calazar), uma doença muito prevalente na cidade de Sobral.

Serão distribuídos panfletos com informações sobre sintomas da doença, transmissão e prevenção e o grupo estará disponível para esclarecer as dúvidas da população. A campanha será realizada na feirinha da Praça do São João, nesta quinta-feira às 18h; no Boulevard do Arco, sexta-feira às 18h, e também com os alunos da Escola de Ensino Médio Luis Felipe, na sexta-feira pela manhã. Toda a população está convidada a participar e aprender sobre o calazar, para que possamos juntos evitar essa doença."
Fonte: Sobral em Revista

IBOPE REVELA DISPUTA ACIRRADA PARA GOVERNO DO CEARÁ

O candidato Eunício Oliveira (PMDB) lidera as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado, com 43%, seguido por Camilo Santana (PT) com 38%. De acordo com a pesquisa Ibope, divulgada nesta quarta-feira (24), os dois candidatos estão empatados tecnicamente devido à margem de erro do levantamento que é de 3 pontos percentuais.

A candidata Eliane Novais (PSB) aparece em terceiro lugar, com 3% e Ailton Lopes (PSOL) possui 1%. Brancos e nulos somam 7% e não sabem ou não responderam, 8%.

De acordo com o levantamento, Eunício venceria um segundo turno na simulação com Camilo. O candidato do PMDB possuiria 46% e o do PT 40.

A pesquisa também perguntou em quem os eleitores não votariam para o Governo do Estado. 37% não votariam no Ailton Lopes, 37% na Eliane Novais, 23% no Camilo Santana e 19% no Eunício. 9% dos pesquisados afirmaram que votariam em qualquer um dos pesquisados e 14% não sabem ou não responderam.

A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre os dias 21 e 23 de setembro. O levantamento foi encomendado pela TV Verdes Mares e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral.

Eunício e Camilo crescem em pesquisa
Na última pesquisa Ibope, divulgada no dia 3 de setembro, o senador Eunício Oliveira aparecia com 42% das intenções de voto. Camilo Santana tinha, na ocasião, 34%,  Eliane Novais, 4% e Ailton Lopes, 2%.

Ficha Técnica
A pesquisa foi encomendada pela ”TV Verdes Mares”. O levantamento foi realizado entre os dias 21 a 23 de setembro. Foram entrevistados 1.204 eleitores em 61 cidades. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.  A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) sob o número CE-00024/2014 e no Superior Tribunal Eleitoral sob o número 764/2014.


Fonte: Portal Verdes Mares.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Programa de governo é a primeira promessa não cumprida dos candidatos


A primeira promessa dos candidatos à presidência nessas eleições deveria ser cumprida antes mesmo do dia do pleito. Enquanto o tucano Aécio Neves já repetiu algumas vezes que escreverá seu programa de governo “à caneta” e não “à lápis” [para que possa ser apagado depois], Dilma Rousseff, segundo a Folha de S. Paulo publicou nesta terça-feira, deve usar a mesma metáfora em seu programa eleitoral.
A crítica é à candidata do PSB Marina Silva, que após entregar seu programa de governo, no final de agosto, voltou atrás quanto às questões relacionadas aos direitos dos homossexuais, tendo que fazer uma nova versão do programa apenas 24 horas após seu lançamento. Há poucos dias, uma nova alteração foi sinalizada, desta vez para agradar o setor do agronegócio. Aécio e Dilma ainda não entregaram seus programas de governo.
Dilma em Minas Gerais (Foto: Ichiro Guerra / EFE)
Dilma em Minas Gerais (Imagem: Ichiro Guerra / EFE)Fonte: Noblat Blog


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Edital do Concurso da Polícia Civil já está disponível Remuneração de R$ 2.946,19 a R$ 14.592,39.


O Governo do Estado do Ceará lançou o edital para a realização do concurso público da Polícia Civil para preenchimento de vagas para os cargos de inspetor, escrivão e delegado. As inscrições começam no dia 6 de outubro e o período de isenção segue a partir dessa data até o dia 10 de outubro.

Para concorrer ao cargo de  Delegado de Polícia Civil de 1ª Classe é necessário possuir diploma de graduação no curso de Direito. A remuneração inicial é de  R$ 14.592,39. Já para os cargos de escrivão e inspetor os candidatos devem ter formação de nível superior em qualquer área. São oferecidas remunerações de R$ 2.946,19, todos os cargos  com  jornadas de trabalho de 40 horas semanais.

As inscrições serão aceitas somente pela internet, no site da Fundação VUNESP (www.vunesp.com.br), com taxa de R$ 150 para delegado e R$ 85 para os outros cargos. O prazo começa a valer às 10h do dia 06 de outubro e seguem até às 16h do dia 07 de novembro de 2014.

A primeira etapa, que consiste na realização de prova objetiva, está prevista para acontecer no dia 18 de janeiro de 2015.

Confira os editais:

Edital para Delegado (168 vagas até R$ 14.592,39)

Edital para Escrivão (336 vagas até R$ 2.946,19)


Edital para Inspetor (259 vagas até R$ 2.946,19)

De pernas para o ar, POR MENALTON BRAFF

Meu amigo Adamastor, que além de gigante é carnívoro, me chegou ontem aqui em casa pálido, trêmulo, um olhar meio alucinado. Conheço o Adamastor há muito tempo, na realidade desde os tempos em que andei estudando “Os Lusíadas”, quando o mundo era diferente, isto é, ainda não andava de pernas para o ar. E tanto o conheço que previ problemas graves em sua vida.
Apontei-lhe uma cadeira e o servi de um cafezinho. Seus lábios arroxeados me preocuparam, então instei com ele para que me contasse o que acontecera.
Sua história, apesar da simplicidade, tinha um conteúdo extremamente grave. Contou, depois de algum tempo em que só bebericava o café, que no dia anterior resolvera matar um frango para assar. Era o almoço de domingo, e, diferentemente de seus ancestrais, que nos domingos só comem peixe, ele prefere frango assado. Bom, e daí?, perguntei. Que mal há nisso? Acontece, ele continuou, que um vizinho, por cima do muro e de oitiva, assistiu à cena do crime. E correu para denunciá-lo.
− Que faço agora?
Servimo-nos de mais café, porque o problema demandava tempo para que surgisse alguma ideia razoável. Por fim, meu combustível é o café, tive a ideia da solução. Você pinta os cabelos, está entendendo?, muda de nome e arranja documentos com a nova identidade, e vá morar em outro estado, bem longe, de preferência trabalhando de peão em alguma fazenda, emprego aonde ainda não chegou a burocracia.
Hoje meu amigo embarcou para os fundos do Brasil, tão transformado que nem eu, seu maior amigo, consegui identificá-lo.
Sentado na minha cadeira predileta, olhando um pôr do sol deslumbrante, me lembrei de uma menina que jogou um gato pela janela e a população de sua cidade quis apedrejá-la. Me lembro de um candango, em Brasília, que matou uma ave para comer e foi preso. Seu crime foi considerado inafiançável. Enquanto nuvens vermelhas e azuis se sucediam no céu, as lembranças me foram chegando. Aquele caso de um laboratório, agora fechado, porque invadido, roubaram-lhe os cães. É um caso recente, e imagino que todos vocês ainda se lembrem dele.
Na semana passada, bem aqui perto de mim, um menino de dois anos morreu na porta de um posto de saúde por falta de médico. Um cidadão revolveu-se por horas na porta de um hospital, até morrer sem socorro. Vi na televisão. Todos vocês viram. Aconteceu alguma coisa? Todos nós conhecemos casos e mais casos de homicídios cujo resultado, além da morte de uma pessoa, é nenhum. Me lembro de um relato, em Belém do Pará, de um pai cujo filho tinha sido morto havia cinco anos e seu executante (um caso de namorada que preferiu mudar de lado) continuava passeando pela calçada de sua vítima como se tivesse cometido ato de heroísmo. E vou para por aqui porque os casos são muitos e mais do que conhecidos.
Então refleti: a vida e o conforto dos animais é a bola da vez. Cuidado com o lugar onde pisa. Geralmente existe vida animal em toda parte. Com a vida humana, com essa, não se tem de tomar cuidado. O mundo está cheio de gente.
Quem nos livrará desta praga do “politicamente correto”

ISTO É QUE É ERRATA, por Merval Pereira


A presidente Dilma insiste em criticar sua adversária mais próxima, a candidata do PSB Marina Silva, por supostas mudanças de posição “como se muda de camisa”. E sua campanha resolveu copiar a do outro adversário, Aécio Neves do PSDB, que teve uma bela sacada para alfinetar Marina: disse que seu programa de governo parece ter sido escrito a lápis, numa alusão à facilidade com que é alterado.
A campanha da presidente Dilma explora tanto as erratas feitas por Marina em seu programa que se esquece de olhar as próprias erratas, muito mais graves. O erro do IBGE com relação ao combate à desigualdade foi vergonhoso, e não “banal” como a presidente classificou. E ontem a expectativa oficial sobre o crescimento da economia este ano foi revista em nada menos que 50%: caiu de 1,8% para 0,9%. Mesmo assim, é uma previsão super otimista, pois o boletim Focus prevê uma economia crescendo míseros 0,3%. Vem nova errata aí.
Os dois adversários, como aliás Marina denunciou, estão juntos nessa fase final do primeiro turno na expectativa de derrotar Marina, Dilma por que considera mais fácil vencer o candidato do PSDB, e Aécio por que está convencido de que quem for para o segundo turno derrota a presidente Dilma. Tentam recolocar a campanha nos termos em que se sentem mais confortáveis, isto é, polarizada entre PT e PSDB.
De fato, tanto Dilma quanto Aécio prepararam-se para mais um embate entre tucanos e petistas, e, com Campos no páreo, tudo indicava que Aécio se daria melhor, pois tem o apoio de uma máquina partidária mais forte do que a do PSB. Não há indicações para prever se Campos poderia surpreender, transformando-se em um fenômeno eleitoral, mas sua morte transformou a campanha, introduzindo nela um fator emocional de que estava carente.
Refiro-me não apenas ao choque que a morte trágica do ex-governador de Pernambuco provocou, mas à própria figura da candidata Marina Silva, que tem um ar mítico que ajuda a lhe dar credibilidade. É como comentou o jornal inglês Financial Times: se Marina representa, ela é uma boa atriz.
A entrada de Marina no páreo subverteu as normas políticas não escritas que levariam a disputa para um segundo turno entre Dilma e Aécio, os candidatos que possuem mais esquema partidário, mais máquina eleitoral, mais tempo de televisão para a propaganda oficial.
Marina virou tudo de cabeça para baixo, chegando à frente da presidente Dilma até hoje nas pesquisas eleitorais de segundo turno, com apenas dois minutos e pouco de tempo de propaganda e uma máquina partidária pequena e que, mesmo assim, não responde ao seu comando. Marina está vencendo em regiões em que as máquinas partidárias do PT e do PSDB são mais fortes, e está conseguindo quebrar um pouco a hegemonia petista no nordeste.
Caso a campanha de desconstrução tenha êxito, ela pode chegar ao segundo turno depauperada, ou nem chegar lá, superada no último momento pelo candidato Aécio Neves. No primeiro caso, Marina terá o mesmo tempo de propaganda que Dilma para tentar retomar a dianteira, valendo-se do “discernimento” do eleitorado brasileiro para identificar o que classifica de mentiras e distorções do “marketing selvagem” adotado pelos adversários.
Para superar esses problemas, terá que fazer um acordo programático com o PSDB que dê ao eleitor ressabiado a garantia de governabilidade. Em todo caso, o vice-presidente Michel Temer já se adiantou a uma eventual derrota para dizer que o apoio a Marina dependerá apenas dela, pois o PMDB sempre se colocou como o garantidor da democracia brasileira, e assim continuará atuando caso a nova presidente queira incluir o partido na sua base de apoio. Como o vice de Marina, Beto Albuquerque, já admitiu que “ninguém governa sem o PMDB”, essa questão parece superada.
Caso Aécio consiga superar Marina e vá para o segundo turno, melhorando a performance do PSDB em São Paulo e Minas, resta uma dúvida: terá condições de recuperar os votos do nordeste, que hoje estão divididos entre Dilma (48%) e Marina (31%), com os tucanos pegando uma fatia que não chega a 10% do eleitorado?
Essa é a conta básica para a disputa do segundo turno, já que a chegada do PSDB de virada poderá concretizar no segundo turno a votação sonhada em Minas e São Paulo, fortalecendo Aécio no 

Envelhecer dói, por Tânia Fusco


Enquanto pudermos curtir os Stones em carne e osso, não estamos velhos. A afirmativa está no livro The Rolling Stones, de Cristopher Sandford, sobre a banda, que tem subtítulo pretencioso -“A biografia definitiva”. Definitivo mesmo só a morte e os filhos. Os dois não têm volta. Não há ex-filho, muito menos – e lamentavelmente - ex-morte.
Mas a frase, além de boa, é um alento. No mínimo, ainda haverá uma próxima super turnê internacional dos roqueiros setentões, com suas roupas coladas e seu sonzão que, desde os anos 60, embala e delicia quem gosta do rock.
Sonzão e embala me entregam, né? Tenho mais de 50. Estou entre os mais doídos, porque ainda por cima sou mulher. Envelhecer dói mais ainda nas mulheres. (Preciso mesmo explicar por quê?) E nem me venha com o eufemismo de “melhor idade”. Melhor pra quem, cara pálida?
Melhor mesmo é ter 20 anos. Tudo em cima. Inocência e alegria de ainda botar muita fé na vida, na política, etc. Estou mais sábia? Tenho mais conhecimento, mais vivência, diria. Estou mais saudável? Mais bonita? Claro que não. Mais divertida, menos ansiosa? Sei não. Mais interessante? Também não.
Isso de ser “mais interessante” é outro dos eufemismos/delicadeza que arranjaram pra aliviar a dor de ser “mais” de 50. Conheci uma mulher muito interessante... Pode ter certeza. Ela tem bem mais do que 40.

Leia a íntegra em Envelhecer dói

 

Tânia Fusco é jornalista, mineira, observadora, curiosa, risonha e palpiteira, mãe de três filhos, avó de dois netos. Vive em Brasília. Às terças escreverá sobre comportamentos e coisinhas do cotidiano – relevantes ou nem tanto

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Cartas inéditas reunidas em livro revelam os altos e baixos de Carlos Lacerda

Carlos Lacerda – Cartas: 1933-1976 reúne sua correspondência ativa
“Ah, se o lessem e o entendessem!”, escreve Carlos Lacerda em carta a Otto Lara Rezende de 24 de junho de 1970. O mesmo pode ser dito sobre o próprio Lacerda, figura controversa que custa a ser digerida pela posteridade, vítima de clichês e preconceitos ideológicos que reduzem a complexidade de sua trajetória intelectual e política a duas ou três sentenças sumárias. Destino injusto para quem, como afirmou o historiador José Honório Rodrigues, foi o civil que mais influenciou os rumos da História brasileira entre 1945 e 1968. Não bastasse sua atuação política, foi um intelectual consumado e escreveu dezenas de livros, como “O Poder das Ideias”, “O Cão Negro” e “Palavras e Ação”, além dos dois volumes de correspondência “Minhas Cartas e as dos Outros” e dos póstumos “Depoimento” e “Discursos Parlamentares”. Foi também tradutor de obras de Shakespeare, John Kenneth Galbraith e da clássica biografia de Thomas Jefferson escrita pelo diplomata inglês Francis W.Hirst. Mas hoje Carlos Lacerda é pouquíssimo lido, e menos ainda compreendido.

Volta e meia, contudo, ele teima em reaparecer como personagem inescapável para se entender o Brasil de seu tempo. Por exemplo, no cinema: em diferentes momentos de sua vida, ele está presente em dois filmes recentes: “Flores raras” (2013), de Bruno Barreto, e “Getúlio”, de João Jardim, este ainda em cartaz. E o baú de seus escritos parece não ter fundo: o arquivo de Carlos Lacerda na UnB contém mais de 60 mil itens entre cartas, recortes de jornais, fotografias, documentos pessoais e oficiais, muitos ainda por explorar.
O lançamento de “Carlos Lacerda – Cartas: 1933-1976” (Editora Bem-Te-Vi), que reúne sua correspondência ativa que permanecia inédita em livro, reafirma seu lugar peculiar na nossa História, lançando novas luzes sobre suas qualidades e defeitos, seu temperamento e sua personalidade, destacando sua vocação para a polêmica e sua maneira intransigente de atacar seus inimigos (o “lacerdismo” já foi definido como um moralismo seletivo, voltado contra os adversários do momento, por meio de campanhas jornalísticas devastadoras, ainda que  baseadas em indícios frágeis e conclusões precipitadas). Organizado pelo falecido Claudio Mello e Souza e por Eduardo Coelho, “Cartas” está dividido em quatro seções: “Família”, “Amigos”, “Autores e livros” e “Política”. Inevitavelmente desigual no conteúdo e no estilo, dada a diversidade de destinatários e contextos, o livro vale sobretudo por revelar o que Lacerda pensou e como se comportou em momentos decisivos e controversos, como as semanas imediatamente anteriores e posteriores ao golpe de 1964.
Carismático e sem papas na língua, ciclotímico no trato com parentes e amigos, artistas e jornalistas, intelectuais e homens de Estado, Lacerda se mostra ora afetuoso ora agressivo, ora sereno ora destemperado. A primeira parte reúne basicamente cartas escritas entre 1937 e 1944 a Leticia Abruzzini, namorada e depois paciente e dedicada esposa de Carlos Lacerda por mais de quatro décadas. Iniciadas com “Minha gatinha” e variações, e incluindo frases como “Eu sou o seu mesmo gato”, elas comprovam o que Fernando Pessoa afirmou sobre as cartas de amor: são sempre ridículas. Nos primeiros anos desse período, vale lembrar, Lacerda era comunista (aliás seu nome, Carlos Frederico, era uma dupla homenagem prestada por seu pai a Karl Marx e Friedrich Engels). Já a seção referente aos amigos reúne, naturalmente, as cartas escritas em tom mais informal e desabrido, para destinatários como Afonso Arinos de Melo Franco, Juraci Magalhães e Vivi Nabuco, sobre temas tão díspares quanto o fuzilamento de terroristas na Espanha (que Lacerda justifica) e os bastidores das disputas políticas intestinas na UDN.
Carlos Lacerda
As cartas das duas últimas partes do volume são as mais interessantes e reveladoras do ponto de vista histórico e documental: elas demonstram que Lacerda, com sua cultura e eloquência extraordinárias, levou para a política seu estilo, sua paixão e seu talento como jornalista. Infelizmente, porém, ele é hoje muito mais lembrado por aquilo que destruiu que por aquilo que construiu. É verdade que teve participação direta na deposição de cinco presidentes da República: Getúlio Vargas, Carlos Luz, Café Filho, Jânio Quadros e João Goulart. Mas foi também um administrador notável, responsável por um leque de realizações como governador da Guanabara até hoje insuperado no maltratado Rio de Janeiro, tendo resolvido com agilidade e eficiência graves problemas de habitação, abastecimento, transporte e saúde.

Destaca-se na terceira parte a sequência de cartas enviadas, entre 1933 e 1941, ao modernista Mario de Andrade – incialmente cordiais e cheias de admiração e respeito, depois crescentemente insolentes e por fim agressivas. A ruptura se explicita numa carta em que Lacerda acusa o escritor de ter cometido “uma infâmia” (Mario insinuara que ele se “vendera” aos americanos): “....não me habituara a ver em você um exibicionista, capaz de insinuações e de afirmações caluniosas pelo simples prazer de brilhar”. Antes dessa briga, porém, Lacerda, ainda comunista, chegara a cobrar um maior comprometimento do autor de “Macunaíma” com o marxismo. Lacerda também manteve uma correspondência profícua com Otto Lara Resende,  Érico  Veríssimo (a quem escreve uma longa carta analisando de forma primorosa o romance “Solo de clarineta”, então recém-lançado), Josué Montello, Gilberto Freyre, Rubem Braga, Pedro Nava, Sobral Pinto e até mesmo os americanos John dos Passos e Henry Kissinger. Numa carta famosa, aliás, Drummond tece os maiores elogios ao político.
Vale destacar também a sofreguidão com que Lacerda passou a combater o comunismo que abraçara na juventude: ele faz críticas severas a um conhecido simpatizante do Partidão, expondo suas ideias sobre o ideário marxista: “No comunismo, há a mistificação de ideais caros ao homem, e a matéria-prima que se usa para fins degradantes é a Justiça. A mentira é uma injunção a que o Partido obriga, desde que se mantenha a veracidade para com ele, Partido.“ Afirmou, ainda que tal doutrina levaria “a uma ditadura pior do que as outras, porque muito mais organizada, e, portanto, muito mais difícil de derrubar".
Não cabe aqui detalhar a participação de Lacerda em todas as crises políticas e institucionais das décadas conturbadas em que viveu – a maioria delas citada de forma tangencial nas cartas. A correspondência relativa a dois momentos, contudo, tornam o volume valioso, sobretudo em sua quarta parte. Primeiro, em 1961, as cartas em que destila seu ódio por Juscelino Kubitschek, como aquela dirigida a Magalhães Pinto, então governador de Minhas Gerais, na qual enumera as razões pelas quais a UDN não deveria apoiar a candidatura de JK ao Senado: “político notoriamente desonesto, cujo inconfessável enriquecimento seu e de seus amigos constitui uma afronta ao país”; “apóstolo da inflação e profeta da corrupção”, “maior inimigo que o meu estado já teve” etc.
Segundo, a evolução de visão de Lacerda sobre o golpe de 64 e o regime militar subsequente, à medida que ficava claro que este se distanciava radicalmente dos rumos que ele previra. Lacerda tinha a convicção de que a ditadura seria provisória e de que seriam realizadas eleições presidenciais em 1965 – nas quais ele seria candidato pela UDN e provavelmente vencedor. Mas apenas quatro meses depois do golpe, diante das manobras para a prorrogação de mandatos, ele previu, em carta melancólica a Bilac Pinto, o “prólogo da próxima ditadura de uma sociedade anônima de políticos personalistas e militares”. Não deixa de ser uma ironia que o projeto de vida de Lacerda de chegar à Presidência tenha sido frustrado pelos desdobramentos do golpe que ele inicialmente apoiou. Sua crescente decepção se manifesta em cartas azedas dirigidas ao presidente Castelo Branco: em dezembro de 1968, já considerado um inimigo do (uma ameaça ao) regime, Lacerda foi uma das primeiras vítimas do AI-5: passou uma semana preso, foi solto após fazer greve de fome e em seguida cassado, tendo todos os seus direitos políticos suspensos por dez anos. Banido da vida pública aos 56 anos, morreu como um proscrito aos 63, em 1977 (antes portanto da Anistia), distante do poder que foi sua obsessão permanente. 
Fonte: Blog do Noblat