sexta-feira, 26 de junho de 2015

VIVA O HOJE COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DIA

A morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo de maneira tão repentina me fez lembrar da postagem que aqui fiz sobre como uma vida deve ser vida na intensidade de cada dia. CONFIRAM: 

                               Sempre tenho dito neste blog que costumamos imaginar o tempo como algo manipulável e que sempre está à nossa disposição. Estabelecemos nossos  projetos para o futuro e, quando adiamos o cronograma de execução, por uma desculpa ou outra,  somos suficientemente prepotentes a ponto de imaginar que mais uma vez o tempo irá esperar nossa demora.
Vandré  já dizia que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Algo nos parece enigmático: Podemos controlar o tempo, adiando nossos planos e projetos? Somos senhores do tempo? Ledo engano, afinal o tempo não para. O que temos de concreto é o dia de hoje, mais precisamente o agora. Esse raciocínio impõe refletirmos sobre muitos aspectos de nossas vidas em que deixamos o tempo passar e as oportunidades irem com ele, ficando um rastro de frustração.
Quantas vezes na vida não guardamos aquele whisky escocês, a lingerie francesa, o vestido daquele costureiro famoso para uma “ocasião especial”. Ficam lá envelhecidos pelo tempo, esperando o momento oportuno de entrar em cena. Adiamos até mesmo aquela sonhada declaração de amor pois, quem sabe um dia, não aparece a princesa ou o príncipe dos sonhos pueris. Chegamos ao cúmulo de postergar até o perdão, ou talvez o sorriso para aquele desafeto. Tudo isso fazemos porque imaginamos para cada coisa um dia no futuro, uma circunstância que seja mais propícia. Aprendemos, pelo horizontalismo cartesiano, a dividir nossas vidas pelos dias da semana, pelos meses e  anos. Esse convencionalismo brutal e arbitrário nos afasta do que é óbvio: O que temos de fazer tem que ser agora sob pena de que não  haja mais tempo para realizá-lo.
Imagine aquele empresário, de origem pobre,  que alimentou tantos sonhos de um dia, no futuro,  viajar com os filhos pela Europa, mas antes porém precisava ganhar dinheiro, muito dinheiro. A viagem já tinha até data marcada(no ano tal). Ocorre que um ataque cardíaco fulminante atravessou seu caminho e sucumbiu sua vida. De fato ele arriscou no futuro, esqueceu-se, entretanto,  de perceber  que a vida não se conta pelos dias mas sim pelos momentos. E quantos de nós ainda estamos esperando algum dia  no futuro para começar a estudar pra valer, para iniciar a academia, frequentar aquele curso , abraçar os filhos, fazer dieta e etc. Lamentável, mal sabemos quantos segundos nos restam, mas cometemos a asneira de adiar sempre os planos e projetos como se a finitude, destino implacável de cada ser humano , não nos concitasse a viver o agora com a intensidade que lhe é devida, apreciando cada instante como se fosse único,aproveitando o sabor das coisas boas e sentindo-lhe o gosto derradeiro.
Se vivêssemos cada dia como se fosse o último, teríamos uma vida intensa e abundante. Não perderíamos tempo com discussões burlescas, com rancores infrutíferos, com  debates intermináveis, com intrigas que não nos leva à nada. Na intensidade desse único dia que ainda restava , saberíamos aproveitar mais a beleza das coisas  simples e valorizaríamos mais as pessoas, que muitas  vezes nos estão tão próximas e ao mesmo tempo nos parecem  tão distantes. Olharíamos a família, o irmão, o outro com um olhar de acolhimento, de uma saudade consentida, e  faríamos, daquele momento último, uma entrega absoluta, incondicional.
E vivendo o dia como se fosse último, aprenderíamos que não há uma data  para amar, perdoar, construir. O que há de fato é o agora para colocar os planos em ação, os sonhos  em execução, sem se permitir tergiversar,  procrastinar. Por isso, não guarde as coisas para uma ocasião especial. Todo dia é dia para se comemorar e realizar. 

CAMILO SANTANA INAUGURA HOJE ESTRADA DO DISTRITO DE TANGENTE

O Governo do Estado inaugura, nesta sexta-feira (26), a pavimentação da rodovia de acesso ao distrito de Tangente, trecho do entroncamento da CE-362, na Região Norte do Estado. A solenidade será realizada às 18h, no município de Massapê, com a presença do governador Camilo Santana.

Segundo o superintendente do Departamento Estadual de Rodovias – DER, Sérgio Azevedo, aproximadamente quatro quilômetros foram pavimentados. A obra teve o prazo de 120 dias para execução e envolveu recursos da ordem de R$ 1.928.375,94, oriundos do Tesouro do Estado. Para a construção dessas rodovias, foram realizados serviços de terraplanagem, pavimentação, drenagem, obras d'artes correntes, sinalizações horizontal e vertical, além de proteção ambiental. A Construtora Resumo LTDA foi a responsável pela obra.


Serviço

Inauguração da pavimentação de acesso ao distrito de Tangente
Local: Massapê
Data: 26 de junho de 2015
Hora: 18h


Preservar a perspectiva singular do Papa: a ecologia integral, POR LEONARDO BOFF

O Papa Francisco operou uma grande virada no discurso ecológico ao passar da ecologia ambiental para a ecologia integral. Esta inclui a ecologia político-social,  a mental,  cultural, a educacional, a ética e a espiritual.
Há o risco de que esta visão integral seja assimilada dentro do costumeiro discurso ambiental, não se dando conta de que todas as coisas, saberes e instâncias são interligadas. Quer dizer o aquecimento global tem a ver com a fúria industrialista, a  pobreza de boa parte da humanidade está relacionada com o modo de produção, distribuição e consumo, que a violência contra a Terra e os ecossistemas é uma deriva do paradigma de dominação que está na base de nossa civilização dominante já há quatro séculos, que o antropocentrismo é consequência da compreensão ilusória de que somos donos das coisas e que elas só gozam de sentido na medida em que estão colocadas ao nosso bel-prazer.
Ora, é essa cosmologia (conjunto de idéias, valores, projetos, sonhos e instituições) leva o Papa a dizer:”nunca temos maltratado e ofendido nossa casa comum como nos últimos dois séculos”(n.53).
Como superar essa rota perigosa? O Papa responde: ”com uma mudança de rumo” e ainda mais com a disposição de “delinear grandes percursos de diálogo que nos ajudem a sair desta espiral de autodestruição na qual estamos afundando”(n.163). Se nada fizermos podemos ir ao encontro do pior. Mas o Papa confia na capacidade criativa dos seres humanos que juntos poderão formular  o grande ideal :”um só mundo e um projeto comum”(164).
Bem diversa é a visão imperante e imperial presente na mente dos que controlam as finanças e os rumos das políticas mundiais:”um só mundo e um só império”.
Para enfrentar os múltiplos aspectos críticos de nossa situação o Papa propõe a ecologia integral. E lhe dá o correto fundamento: “Do momento que tudo está intimamente relacionado e que os atuais problemas exigem um olhar que atenda a todos os aspectos da crise mundial….proponho uma ecologia integral que compreenda claramente as dimensões humanas e sociais”(n.137).
O pressuposto teórico  se deriva da nova cosmologia, da física quântica, da nova biologia, numa palavra, do novo paradigma contemporâneo que implica a teoria da complexidade e do caos (destrutivo e generativo). Nessa visão o repetia um dos fundadores da física quântica Werner Heisenberg: “tudo tem a ver com tudo em todos os pontos e em todos os momentos; tudo é relação e nada existe fora da relação”.
Exatamente essa leitura o Papa a repete inumeráveis vezes, constituindo  o tonus firmus de suas explanações. Seguramente a mais bela e poética das formulações a encontramos no número 92 onde enfatiza: “tudo está em relação e todos nós seres humanos estamos unidos como irmãos e irmãs …com todas as criaturas que se unem conosco com terno e fraterno afeto, ao irmão sol, à irmã lua, ao irmão rio e à mãe Terra (n.92).
Essa visão existe já há quase um século. Mas nunca conseguiu se impor na política e na condução dos problemas sociais e humanos. Todos permanecemos ainda reféns do velho paradigma que isola os problemas e para cada um procura uma solução específica sem se dar conta de que essa solução pode ser maléfica para outro problema. Por exemplo, resolve-se o problema da infertilidade dos solos com nutrientes químicos que, por sua vez, entram na terra, atingem o nível freático das águas ou os aquíferos, envenenando-os.
A encíclica nos poderá servir de instrumento educativo para apropriarmo-nos desta visão inclusiva e integral. Por exemplo, como assevera a encíclica:“quando falamos de ambiente nos referimos a uma particular relação entre a natureza e a sociedade; isso nos impede de considerar a natureza como algo separado de nós….somos incluídos nela, somos parte dela”(n.139).
E continua dando exemplos convincentes:”toda análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos  humanos, familiares, trabalhistas, urbanos e da relação de cada pessoa consigo mesma que cria um determinado modo de relações com os outros e com o ambiente”(n.141). Se tudo é relação, então a própria saúde humana depende da saúde da Terra e dos ecossistemas. Todas as instâncias se entrelaçam para o bem ou para o mal. Essa é textura da realidade, não opaca e rasa mas complexa e altamente  relacionada com tudo.
Se pensássemos nossos problemas nacionais nesse jogo de inter-retro-relação, não teríamos tantas contradições entre os ministérios e as  ações governamentais. O Papa nos sugere caminhos. Estes são certeiros e nos podem tirar da ansiedade em que nos encontramos face ao nosso futuro comum.
Teilhard de Chardin tinha razão quando nos anos 30 do século passado escrevia: “A era das nações já passou. A tarefa diante de nós agora, se não pereceremos, é construir a Terra” . Cuidando da Terra com terno e fraterno afeto no espírito de São Francisco de Assis e de Francisco de Roma, podemos  seguir “caminhando e cantando” como conclui a encíclica, cheios de esperança. Ainda teremos futuro e iremos irradiar.
* Leonardo Boff é colunista do JB

Pedra no caminho: repetência e falta de revisão da pedagogia usada nas escolas. POR YVONNE MAGGIE

Cadeiras vazias durante aplicação das provas em uma escola de Brasília











Na década de 1930, o pesquisador Mário Augusto Teixeira de Freitas, um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que as taxas de repetência eram o entrave para uma educação de qualidade. Uma "pedra" no caminho ignorada até meados dos anos 90, quando repetência, e a consequente evasão, começaram a ser mais adequadamente trabalhadas. Hoje, segundo Yvonne, professores ainda ensinam conteúdos sem ligação com a real necessidade dos alunos.  A colunista defende uma revisão da pedagogia atualmente utilizada nas escolas, que responsabiliza o aluno por eventuais deficiências no aprendizado.VEJA ABAIXO A ÍNTEGRA DO ARTIGO:

Por que o Brasil não consegue alcançar uma educação de qualidade para todos? A resposta já foi encontrada, mas permanece como uma pedra no caminho até agora não ultrapassada.

Vou tentar resumir a história da descoberta desta pedra que impede uma educação republicana de qualidade em nosso país, baseando-me em um comentário do pesquisador Sergio Costa Ribeiro ao trabalho do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas, um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto os pioneiros da Escola Nova – Fernando de Azevedo. Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Cecília Meirelles e entre outros – escreviam o famoso manifesto de 1932 que inaugurou uma nova fase na educação brasileira,  Mário Augusto Teixeira de Freitas, em 1931, iniciou seus estudos sobre o Censo Escolar implantado em 1930. 

Em 1941, o eminente estatístico apresentou o trabalho “Evasão escolar no ensino primário brasileiro”. Pela primeira vez no Brasil, e talvez na América Latina, analisava-se os dados escolares na forma de fluxo de alunos num sistema seriado de ensino e não de forma estática, como era regra na época, e continuou sendo pelo menos até 1991. Nesse trabalho, Teixeira de Freitas mostrou que, em condições de estabilidade, o número de alunos na primeira série do ensino não pode exceder o número de crianças de sete anos na população do País no mesmo ano e havia muito mais alunos desta idade na primeira série. 

Em “A escolaridade média no ensino primário brasileiro”, Teixeira de Freitas, trabalhando com os dados dos censos escolares de 1932 a 1939, acompanhou a coorte de idade que em 1932 tinha 7 anos, em 1933, 8 anos e assim sucessivamente, e verificou o problema mais sério do sistema educacional brasileiro: as altas taxas de repetência. 

Nesse trabalho alertou as autoridades brasileiras que de nada adiantariam as campanhas de alfabetização e a construção de novos prédios enquanto as escolas não conseguissem levar os alunos além da 1ª série. Teixeira de Freitas mostrou mais tarde que as crianças ficavam mais de três anos nesta série. As taxas de repetência eram o entrave para uma educação de qualidade. 

O resultado da pesquisa, ou seja, o alto índice de repetência, foi recebido pelos estudiosos e formuladores de políticas públicas de educação com incredulidade, incompreensão e estupefação. Houve intensa polêmica, e os desdobramentos do debate levaram Teixeira de Freitas a deixar o IBGE alguns anos depois. O Ministério da Educação (MEC) fez ouvidos moucos a seus trabalhos e continuou a fazer os cálculos sem usar o método do fluxo, resultando em dados de evasão superestimados e taxas de repetência subestimadas. 

Tudo começou a mudar, de fato, quando, em 1983, o economista Claudio de Moura Castro, na altura secretário-executivo do Centro Executivo de Recursos Humanos e técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, concluiu que os dados sobre evasão e repetência levantados pelo MEC eram totalmente inconsistentes e encomendou ao recém-doutor Philip Fletcher um estudo sobre o assunto. Em suas pesquisas Fletcher descobriu na biblioteca de Stanford os trabalhos de Teixeira de Freitas. 

O demógrafo Fletcher, então, adotou um modelo totalmente novo utilizando os dados levantados pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad) e  conseguiu calcular as taxas de repetência e evasão corretas para cada série. Seus trabalhos de 1985, e os que escreveu com Sergio Costa Ribeiro, em 1987 e 1989, corroboraram as assertivas de Teixeira de Freitas. 

A semelhança entre os dados de repetência e evasão levantados por Teixeira de Freitas para a década de 1930 e as taxas levantadas por Fletcher e Costa Ribeiro em 1980 são impressionantes. Costa Ribeiro afirmou em muitos de seus artigos www.sergiocostaribeiro.ifcs.ufrj.br que se houvessem entendido as descobertas de Teixeira de Freitas nos anos 1940 nosso sistema educacional estaria muito mais avançado em qualidade. Considero que esta é até hoje a pedra de difícil remoção no caminho para uma educação de qualidade.

Passados mais de vinte anos das mudanças nas políticas públicas de educação, devido às novas formas de recolher e analisar os dados escolares, podemos dizer que muita coisa melhorou. O acesso à educação fundamental se universalizou. O País avançou na busca de novos rumos a partir de políticas de avaliação sérias, a cada dia mais compreendidas pelos professores e formadores de opinião. Houve incentivo à formulação de metas a serem atingidas pelas escolas. A educação passou a ser parte da agenda pública. 

A trajetória da nossa educação foi em parte corrigida na década de 1990 quando o MEC, pelas mãos de Sergio Costa Ribeiro e do pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica, Ruben Klein, decidiu encampar a análise do fluxo e rever os dados sobre o percurso dos estudantes no sistema, levando as políticas de educação a incidirem basicamente sobre o problema das altas taxas de repetência. 

Porém a pedra no caminho, obstáculo renitente, que é exatamente o produto do que Sergio Costa Ribeiro chamou de “pedagogia da repetência”, ainda leva os estudantes a abandonarem a escola e continua impedindo a melhora na qualidade da educação. 

Retirar essa pedra e pavimentar o caminho com políticas que viabilizem os professores a ensinarem conteúdos relacionados às necessidades reais dos estudantes e mantenham os alunos na escola, aprendendo, é condição indispensável para levar o País a um outro patamar civilizatório.

O que fazer com esse exército de crianças e jovens que saem da escola depois de anos de repetência, sem nada haverem assimilado das capacidades que supostamente lhes foram transmitidas, como desgraçadamente ainda comprovam os dados mais recentes?
Apenas 54,3% dos estudantes terminam o ensino médio aos 19 anos. No ensino fundamental os resultados são melhores, mas mesmo assim preocupantes, pois quase 30% das crianças ou abandonam a escola depois de muitos anos de repetência ou terminam essa etapa com mais de 16 anos. Esses são dados levantados pela Organização Todos pela Educação para 2013. 

Uma educação de qualidade implica ensinar e manter na escola todas as crianças e jovens para que não fiquem à mercê do tráfico de drogas, sendo mortos ainda tão jovens ou furtando, roubando e matando outros cidadãos com facas afiadas. 

O que fazer para modificar esse quadro? Não adianta o Tribunal de Contas da União vir a público em 2015 apresentar os dados que conhecemos desde os estudos de Teixeira de Freitas nos anos 1940. 

Precisamos encontrar o caminho e ele é realmente cheio de armadilhas que precisam ser desarmadas. Falar em repetência ainda provoca espanto e muita polêmica não só entre os estudiosos e intelectuais de primeira linha, como entre professores, estudantes e seus familiares. É difícil para a maioria das pessoas aceitar que reprovar ou impedir que o estudante progrida significa não ensinar, e que a solução para o problema não é a aprovação automática porque também significa não ensinar. 

É preciso uma revisão da pedagogia atualmente utilizada nas escolas, que as exime da responsabilidade de ensinar seus alunos. É preciso mudar a mentalidade de que a responsabilidade pelo aprendizado é do estudante, e que se não aprendeu o “pau comeu”.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

MEC cria site para oferecer reforço escolar gratuito


Uma parceria entre é um repositório criado pelo Ministério da Educação – MEC, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, Rede Latinoamericana de Portais Educacionais – RELPE e a Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI fez nascer o  Banco Internacional de Objetos Educacionais – BIOE.

Trata-se de um site com o propósito de manter e compartilhar recursos educacionais digitais de livre acesso, mais elaborados e em diferentes formatos, como áudio, vídeo, animação, simulação, software educacional, além de imagem, mapa, hipertexto considerados relevantes e adequados à realidade da comunidade educacional local, respeitando-se as diferenças de língua e culturas regionais.

A ideia é que este repositório venha estimular e apoiar experiências individuais dos diversos países, ao mesmo tempo que se promove um nivelamento de forma democrática e participativa. Assim, países que já avançaram significativamente no campo do uso das tecnologias na educação poderão ajudar outros a atingirem o seu nível.

Uma vez que o repositório conta com recursos de diferentes países e línguas, professores de qualquer parte do mundo poderão acessar os recursos em sua língua materna, traduzir os que estão em outra língua, assim como publicar as suas produções em um processo colaborativo.

Os materiais publicados estão disponíveis para os gestores de políticas educacionais locais, gestores escolares, gestores de repositórios educacionais, bem como os professores da Educação Básica, Profissional e Superior, além dos produtores de recursos pedagógicos digitais, pesquisadores e da população em geral.

Clique AQUI para acessar a página do Banco Internacional de Objetos Educacionais – BIOE

quarta-feira, 24 de junho de 2015

DILEMAS DO BRASIL: UM PAÍS INJUSTO

Há alguns dias comentava neste blog sobre a importância da universalização dos direitos como instrumento de minimização da violência. Trato melhor por dizer que o estado de injustiça social é uma alavanca disseminadora da revolta e da desorientação de uma sociedade.
O Brasil, por excelência, tem perpetuado de forma sublimada o sistema de “castas”, uma vez que tem privado à maioria de seus filhos o acesso às necessidades básicas. Por sua vez, um grupo restrito controla a seu favor os mecanismos de produção de riqueza, ostentando-se com seus lucros e dividendos. Na outra via, milhões de miseráveis encontram nos programas assistencialistas uma forma alternativa de sobreviver.
O Brasil é um país injusto. Sua herança colonial deixou um ranço patrimonialista que se apropria do Estado como propriedade sua fosse. A riqueza só é legítima quando auferida pelo suor do trabalho, não por mecanismos fraudulentos ou pilhada sob argumentos históricos de constituição patrimonial forjadas das capitanias hereditárias.
Urge olharmos a guerra civil travada nas ruas. Cidadãos e deliquentes se conflitam e o bem mais precioso – a vida – é banalizada. O medo e o pavor se tornaram parceiros do cotidiano. Notícias de violência são veiculadas e muitas vezes não mais despertam a indignação. Essa anemia social gera a impotência e com ela surge a aceitação do triste quadro como se ele fosse um resultante de circunstância natural e seria, se ocorresse na excepcionalidade, não dá forma como estamos fadados a assistir. E quando um crime gera maior atenção, surge o time dos salvadores da pátria propondo modificações nas leis penais, imaginando que elas, se mais gravosas, terão um efeito intimidatório. Talvez essa tese seja válida, entretanto entendo que a coercibilidade, por si só, só intimida aqueles que têm a proporção do seus atos, o que não é o caso da maioria dos deliquentes.
Nesse contexto paira uma evidência: é preciso diminuir esse enorme fosso social que alija as pessoas do processo de inserção no meio onde vivem. Tudo isso gera revolta e alimenta a academia do crime. Por outro lado, é vital um choque de valores, proporcionando o resgate da família e da espiritualidade. Sem equilíbrio e valores, tenham certeza, não há Nação próspera. É preciso, portanto, superarmos o ostracismo histórico e alavancarmos, de vez, este país sob a égide da Justiça Social.


AINDA HÁ TEMPO PARA ESCREVER UMA HISTÓRIA DIFERENTE


Os caminhos da vida sempre nos apresentam um desafio. Muitas vezes encarar a realidade do cotidiano nos causa temor. Todavia, imagine vocês se vivêssemos sempre diante do previsível, sabendo que tudo correria bem. Isso pode parecer genial, mas por outro lado furtaria da nossa existência o inusitado, a surpresa às vezes festiva, outras vezes dolorosa.
Uma vida sem batalha, sem a superação da adversidade, torna-se amorfa, insípida e medíocre. O homem nasceu para o enfrentamento, para singrar procelas em mares em meio a tempestades. Ao superá-las, sentirá o sabor da vitória. E se a vitória não chegar, pelo menos a certeza de ter tentado tornar-se-á um apanágio para nossa alma.
A busca pela felicidade não aceita o conformismo, muito menos a letargia nem a inércia covarde. É feliz quem encara a vida com um olhar de possibilidades, mesmo diante das tragédias que muitas vezes nos abatem e tentam a todo custo destruir nossa capacidade de resistência. Mas uma coisa tenham certeza: Somos bem maiores do que os nossos problemas, bem maiores que as nossas dores. Nascemos para chegar ao pódio. E por que muitos não chegam?
Não chegam porque se permitem uma vida abastecida pelo pessimismo, pelo comodismo e pela destrutiva impressão “não tenho capacidade...onde estou tá bom demais.”. Esquecem-se de que a vitória exige sempre andar um metro a mais, ir além. É preciso ter a crença de que sempre podemos fazer diferente e melhor. Alimentar-se da certeza de que a nossa trajetória, única e singular, nos concita a construir uma história de vida edificada pela nobreza de espírito, por um sentimento cristão de partilha e por um comportamento profissional ético.
Nascemos e somos safras de um Deus misericordioso que nos proporciona a liberdade das escolhas para que tenhamos uma vida plenamente abundante de realizações. Para isto é necessário ir à luta com garra, determinação e força. Não nos falta inspiração, muito menos não nos deverá faltar coragem. Olhe para frente, há um horizonte à sua espera. Abra as cortinas, as janelas da sua existência e contemple o sol lá fora. Ainda há tempo para você escrever uma história de vida diferente. O que está esperando? Avante!.



CED oferece 17 vagas de estágio de nível superior em várias áreas

O Centro de Educação a Distância do Estado do Ceará (CED) está com inscrições abertas, até o dia 3 de julho, para o processo seletivo de estagiários de nível superior. São oferecidas 17 vagas para estágio nas áreas de Administração (3 vagas), Comunicação Social – com habilitação em Jornalismo (3), Contabilidade (3), Física (2), Química (2), Biologia (2) e Matemática (2). O estágio terá carga horária de 20h semanais e bolsa no valor de R$400.

Os interessados devem entregar no Centro de Educação a Distância, localizado na Rua Iolanda Barreto, 317 - Derby Clube, no horário comercial, cópia dos seguintes documentos: RG, CPF, comprovante de residência, histórico acadêmico atualizado, currículo acompanhado de documento comprobatórios, declaração de matrícula e documento da instituição de ensino, que comprove a conclusão de, pelo menos, 40% da carga horária ou dos créditos do curso e 1 foto 3x4.

A seleção será realizada em duas etapas: análise curricular (08/07) e entrevista (13 a 15/07). O resultado final da seleção será divulgado no dia 22 de julho e o estágio terá início no dia 1º de agosto. Saiba mais: (88) 3695-1950.

Clique AQUI e acesse o Edital de seleção

Clique AQUI e leia o aditivo ao Edital

(com Sobral em Revista)

A Revolução Cultural de Lula, POR MERVAL PEREIRA


Não é sem razão que o líder do PT José Guimarães teve coragem para se levantar contra as críticas de Lula ao PT. Ele faz parte de uma elite política que galgou degraus na hierarquia partidária a partir da abertura de vagas provocada pela prisão dos principais líderes do partido.

Quando um assessor seu foi preso num aeroporto com dólar escondido na cueca, José Guimarães não era ninguém a nível nacional, onde reinava seu irmão Genoíno, condenado no mensalão e posteriormente anistiado pela presidente Dilma.

Alguns anos depois do mensalão, lá está Guimarães no primeiro plano. E logo agora vem Lula querer uma revolução interna? Lembro-me bem de uma cena icônica do alpinismo social que tomou conta das figuras proeminentes do PT assim que chegou a poder.

Numa mesa do restaurante Antiquarius no Rio, o recém-eleito presidente da Câmara João Paulo Cunha, hoje em prisão domiciliar, o professor Luizinho e outras figuras menos conhecidas na época (talvez até mesmo o próprio José Guimarães) tomavam um porre de licor francês, embriagados de poder. 

Guimarães pode nem saber direito, mas está estrebuchando contra o que pressente ser uma manobra de Lula contra seus interesses. “[...] O PT precisa urgentemente voltar a falar pra juventude tomar conta do PT. O PT está velho. (...) Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna, colocar gente nova, mais ousada, com mais coragem. Temos que decidir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos, ou queremos salvar nosso projeto. E acho que nós precisamos criar um novo projeto de organização partidária nesse país”. 

Fora o ato falho de falar em “livrar a nossa pele”, quase uma confissão, Lula está tentando fazer sua pequena Revolução Cultural dentro do PT, e pode sobrar para gente como José Guimarães. A Revolução Cultural foi comandada pelo então líder do Partido Comunista Chinês, Mao Tsé-tung, para neutralizar o fracasso do plano econômico Grande Salto Adiante, que gerou a morte de milhões de pessoas devido à fome generalizada.

A oposição crescente a Mao no interior do Partido Comunista foi atacada pelos “comitês revolucionários”, formados por jovens radicais que seguiam cegamente o pensamento de Mao e desmoralizavam os intelectuais e membros mais antigos do Partido que o criticavam.

Não chegamos a esse ponto no PT, mas, à sua maneira, Lula, como faziam os jovens chineses com os críticos de Mao, está colocando metafóricos chapéus de burro na presidente Dilma e em todos os petistas que, como José Guimarães, acham que ele no momento mais atrapalha do que ajuda com essas sessões de terapia pública que vem fazendo.

E não é à toa que o senador Lindbergh Farias voltou a ser o cara-pintada de outrora para defender Lula das críticas de Guimarães. Uma disputa de gerações petistas, boa para Lula, que está tentando salvar a sua pele, fingindo que quer salvar o PT.

Todo esse desvario de Lula nos últimos dias tem a ver com a Operação Lava-Jato, que o pega num momento de fragilidade política do governo, do PT e de sua própria figura, antes inatacável, hoje exposta às críticas da opinião pública.

Por isso mesmo, o truque que deu certo diversas vezes, hoje tende a não dar. Toda essa crise petista tem a ver com Lula, foi ele quem levou o partido para acordos políticos deletérios, em nome de um pragmatismo político que cobra seus custos.

O aparelhamento do estado, uma das características do governo petista desde o primeiro momento foi uma estratégia montada por Lula e José Dirceu para tomar conta do poder central. A ampla coalizão partidária sem nexo programático e sem cobranças morais, que acabou em mensalões e petrolões, saiu da cabeça de Lula e José Dirceu, que muito antes de o PT chegar ao poder central já praticavam essa promiscuidade entre o público e o privado nas prefeituras controladas pelo partido.

A morte do prefeito Celso Daniel, exemplar da conseqüência extrema desse tipo de política fisiológica, precedeu a eleição de Lula para a presidência em 2002, e o mensalão de 2005.

A presidente Dilma, que na visão de Lula estaria com ele no “volume morto” da política, foi criação única e exclusiva do ex-presidente, a “nova matriz econômica” começou a ser colocada em prática na metade de seu segundo governo, e deu no que deu.

Lula agora tenta dissociar-se dela e do PT, que está “velho” e só pensa em “empregos, em vencer eleições”. No último momento, com um salto triplo carpado, o grande canastrão tenta dar uma reviravolta política no destino decadente que se avizinha.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

E A CRISE.... COMO SÃO INCOMPETENTES NOSSOS ADMINISTRADORES

E a crise no Brasil está galopante. Vê-se um cenário aterrorizador com milhares de empregos desparecendo da noite para o dia. Além, claro, da gravidade da corrupção que grassa incólume neste país, um fato é preponderante para justificar o caos a que estamos submetidos. Trata-se da incompetência e da inapetência de nossos administradores.

Não precisa esforço intelectual para mensurar o absoluto despreparo dos nossos governantes, a saber nos mais diferentes níveis de poder. As ausências de planejamento estratégico, de formulação de políticas públicas e projetos administrativos são resultantes do despreparo da grande maioria dos administradores. Como agentes políticos eleitos pelo voto popular, administram ao sabor das ocasiões e dos interesses partidários, esquecendo-se do compromisso maior de dirigir suas ações tendo como bússola os legítimos interesses da comunidade. 

Carentes de um projeto autêntico e de uma diretriz administrativa que contemple o que é necessário e prioritário, arredam para ações desarrazoadas e pouco planejadas, as quais trazem consigo resultados inúteis e contraproducentes, redundado em enorme prejuízo para a população que mais precisa. Na verdade, administram sem promover o debate, sem alicerçar os rumos e muitas vezes pensando em proteger apenas interesses menos republicanos de perpetuar-se no poder.

Muito pode ser feito quando se une o desejo de trabalhar com uma estratégia administrativa saudável, tendo por propósito ouvir a população, discutir temas importantes e eficazmente executar ações que vão impactar a vida das pessoas. Para isto, é preciso construir uma plataforma administrativa e dispor de  um quadro de colaboradores tecnicamente preparados, dotado de  uma conduta proba e aberto para a escuta. Sem isso, somente um " manda e desmanda" e,  ao reboque da soberba e da incompetência, vai deixando para trás um rastro de miséria, de descaso e de desrespeito. Precisamos de fato de menos políticos e mais administradores, com sensibilidade social e sabedores da enorme responsabilidade que é gerir a coisa pública.

Infelizmente neste país um bom administrador é uma raridade, até porque o processo político de escolha é profundamente paradoxal e desproporcional, fazendo com que muitos homens de bem fiquem alijados da disputa, deixando, por outro lado, o vácuo para os oportunistas e para os incompetentes, muitos deles detentores do poder político, partidário ou econômico, que se arvoram dessas benesses para atenderem ao seu projeto pessoal, esquecendo-se de que a política é arte de servir.

Ai!! que pena tenho do meu país!!!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Encíclica do papa traz ecos da América Latina, diz Leonardo Boff

A Nova Encíclica Papal sob a análise de Leonardo Boff.
É a primeira vez que um Papa aborda o tema da ecologia no sentido de uma ecologia integral (portanto que vai além da ambiental) de forma tão completa. Grande surpresa: elabora o tema dentro do novo paradigma ecológico, coisa que nenhum documento oficial da ONU até hoje fez. Fundamental é seu discurso com os dados mais seguros das ciências da vida e da Terra. Lê os dados afetivamente (com a inteligência sensível ou cordial), pois discerne que por detrás deles se escondem dramas humanos e muito sofrimento também por parte da mãe Terra. A situação atual é grave mas o Papa Francisco sempre encontra razões para a esperança e para a confiança de que o ser humano pode encontrar soluções viáveis. Honra os Papas que o antecederam, João Paulo II e Bento XVI, citando-os com frequência. E algo absolutamente novo: seu texto se inscreve dentro da colegialidade, pois valoriza as contribuições de dezenas de conferências episcopais do mundo inteiro que vão dos USA, da Alemanha, do Brasil, da Patagonia-Camauhe até do Paraguai. Acolhe as contribuições de outros pensadores como os católicos Pierre Teilhard de Chardin, Romano Guardini, Dante Alighieri, de seu mestre argentino Juan Carlos Scannone, do protestante, Paul Ricoeur e do muçulmano sufi Ali Al-Khawwas. Por fim, os destinatários são todos os seres humanos, pois todos são habitantes da mesma casa comum (palavra muito usada pelo Papa) e padecem das mesmas ameaças.
O Papa Francisco não escreve na qualidade de Mestre e Doutor da fé mas como um Pastor zeloso que cuida da casa comum e de todos os seres, não só dos humanos, que habitam nela.
Um elemento merece ser ressaltado, pois revela a”forma mentis”(a maneira de organizar seu pensamento) do Papa Francisco. Este é tributário da experiência pastoral e  teológica das igrejas latino-americanas que à luz dos documentos do episcopado latino americano (CELAM) de Medellin (1968), de Puebla(1979) e de Aparecida (2007) fizeram uma opção pelos pobres contra a pobreza e em favor da libertação.  
O texto e o tom da encíclica são típicos do Papa Francisco e da cultura ecológica que acumulou.  Mas me dou conta de que também  muitas expressões e modos de falar remetem ao que vem sendo pensado e escrito principalmente na América Latina. Os temas da “casa comum”, da “mãe Terra”, do“grito da Terra e do grito dos pobres”, do “cuidado”, da "interdependência entre todos os seres, "do valor intrínseco de cada ser", dos “pobres e vulneráveis” da “mudança de paradigma” do “ser humano como Terra” que sente, pensa, ama e venera, da “ecologia integral” entre outros, são recorrentes entre nós
A estrutura da encíclica obedece ao ritual metodológico usado por nossas igrejas e pela reflexão teológica ligada à prática de libertação, agora assumida e consagrada pelo Papa: ver, julgar, agir e celebrar.
Primeiramente, revela sua fonte de inspiração maior: São Francisco de Assis, chamado por ele de “exemplo por excelência de  cuidado e de uma ecologia integral e que mostrou uma atenção especial aos pobres e abandonados”(n.10; 66).
Veja o texto completo pelo link:
http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2015/06/18/a-carta-magna-da-ecologia-integral-grito-da-terra-grito-dos-pobres/

Chegou ao 'andar de cima', por CRISTINA LOBO

A prisão de Marcelo Odebrecht e de Otávio Marques Azevedo deixa governo e oposição em estado de "atenção máxima" com os desdobramentos da Operação Lava Jato. Não é por acaso que esta 14ª fase foi batizada de Erga Omnes, ou "Vale para Todos".
Um dos raros comentários ouvidos no governo, sempre em reserva, é que a Lava Jato "chegou ao andar de cima", porque levou para a prisão os presidentes das duas maiores empreiteiras do país  a Odebrecht, que é a segunda maior empresa do país, só fica atrás do grupo JBS; e a Andrade Gutierrez.
No governo, agora, a preocupação passa a ser com o desempenho da economia. "A Odebrecht tem várias parcerias em obras públicas, quase todas as obras para as Olimpíadas do Rio estão com ela. Parar a Odebrecht, pára ainda mais a economia", comentou um ministro. "Qual banco vai financiar uma empresa cujo presidente está preso?", questionou outro.
A prisão dos dois não pareceu surpresa a ninguém - nem no governo, nem na oposição. Desde que foi deflagrada a Lava Jato se falou "isso vai chegar na Odebrecht", por ser a maior empreiteira e contratada para obras públicas. Os investigadores explicaram a razão de elas terem ficado para o fim. "Os métodos eram mais sofisticados". Mas tudo indica que a Operação Lava Jato vai caminhando para as etapas finais. No cronograma da Justiça, já se falava desde o ano passado que as investigações poderiam terminar em junho ou julho.
Já estamos na segunda quinzena de junho. O que mais tiver de aparecer vai aparecer logo.

TRISTEZA:Setor industrial perde 0,9% dos postos de trabalho de março para abril

“O emprego na indústria brasileira caiu 0,9% em abril deste ano, na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a quarta queda consecutiva do indicador, fazendo com que a indústria nacional acumule perda de 2,1% nos postos de trabalho no período. Na comparação com abril de 2014, houve queda de 5,4% nos postos de trabalho. Houve recuos também no acumulado do ano (-4,8%) e no acumulado de 12 meses (-4,1%).
O resultado da comparação com abril do ano passado (-5,4%) foi provocado por queda nos 18 setores pesquisados, com destaque para meios de transporte (-10,5%), produtos de metal (-10,8%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-12,4%), alimentos e bebidas (-2,7%), máquinas e equipamentos (-6,8%) e outros produtos da indústria de transformação (-8,7%).
A Pesquisa Industrial Mensal de Empregos e Salários (Pimes) também registrou resultados negativos no número de horas pagas e na folha de pagamento real, em todas as comparações. O número de horas pagas caiu 1,1% na comparação com março deste ano, 6% na comparação com abril de 2014, 5,4% no acumulado do ano e 4,8% no acumulado de 12 meses. Já a folha de pagamento real teve recuos de 0,9% na comparação com março deste ano, 5,3% em relação a abril do ano passado, 5% no acumulado do ano e 3,3% no acumulado de 12 meses.”
(Agência Brasil)

Ministro da Integração garante que água do São Francisco chega em 2016 no Ceará


A conclusão das obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF), iniciadas em 2007, não pode passar de 2016. O alerta de que as águas da transposição têm que chegar ao Ceará no próximo ano, feito pelo deputado federal Leônidas Cristino, na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, encontrou resposta e reforço nesta sexta-feira (19), em solenidade de anúncio de investimentos no plano de convivência com a seca no Ceará.

O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi e o governador do Estado, Camilo Santana, confirmaram a previsão de conclusão das obras da transposição até dezembro de 2016. A presidente Dilma Rousseff, em audiência na qual Camilo Santana pediu para concluir em 2016 as obras da transposição, para fazer a captação no Cinturão das Águas, disse que a água tem de chegar ao Ceará, relatou o ministro. Segundo Occhi, 9.800 pessoas trabalham na obra e a água deve chegar ao Ceará no próximo ano, de junho a dezembro.

Na solenidade, no Palácio da Abolição, foram anunciados investimentos de R$ 164 milhões para ações emergenciais, sendo R$ 94 milhões para sistemas de abastecimento de água para populações rurais de 64 comunidades dispersas ao longo do canal do Eixo Norte da Transposição, no qual já foram executados 76,9% da obra. Outros R$ 21 milhões serão aplicados na operação carro-pipa em sedes urbanas e 49 milhões na construção de adutoras para Quixeramobim, Arneiroz, Independência e Ibicuitinga.
(com Sobral em Revista)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

SER LÍDER NÃO É UMA TAREFA FÁCIL!!!!

Talvez uma das maiores dificuldades que temos na vida corporativa e no âmbito pessoal é compreendermos o conceito de liderança. Destaquei, nesse contexto, a vida pessoal pois lá também o exercício da liderança deve ser vivenciado em sua plenitude sob pena do soçobramento da harmonia entre seus membros e, por corolário, do desmoronamento dos valores familiares. Não se há de distinguir ser líder em casa ou no trabalho. Ambas situações se entrelaçam de forma indissociável.
Suas ações em família indicam sua atuação no trabalho. Se em casa sua relação é pautada pelo desrespeito, pelo absenteísmo, pela falta de compromisso, torna-se óbvio que tais práticas transcenderão o espaço do lar e refletir-se-ão na sua atividade laborativa. Daí entendermos que o exercício da liderança começa no recôndito do lar e, por extensão metafórica, no espaço íntimo de nossos pensamentos. Melhor dizendo: Tudo começa de dentro para fora.
É claro que precisamos afinar nossos instrumentos, primeiramente, na vida pessoal: equilíbrio nos gastos do orçamento familiar, criar espaço para uma relação em família sob o imperativo do diálogo, organizar seu tempo para as necessidades urgentes e prioritárias, saber cobrar responsabilidades, cuidar da saúde, implicando abstinência ao exagero.
Com essas experiências vivenciadas, só então estaremos aptos a nos tornarmos líderes no mundo corporativo. Lembro-me da máxima do maior orador sacro da língua portuguesa, autor de "Os Sermões", Padre Antônio Vieira: Só o exemplo educa. Parafraseando o eminente escritor, di-lo-ei: Só o exemplo nos torna um líder.
Seremos capazes de convencer, de motivar o outro, de exercitarmos a liderança plena, à medida que nossas ações correspondam ao nível de nossas exigências. Se falamos algo, cobramos algo, mas fazemos diferentes, não estamos inspirando, educando, ao contrário, impelimos o outro a agir com uma personalidade travestida, mascarada. Só a transparência é capaz de convencer. Se você é austero, continue austero; se você prima pela perfeição, continue primando pela perfeição. Pior seria se tornar uma personagem mutável ao calor das ocasiões, transparecendo algo que não lhe é próprio. Para ser líder não é necessário um sorriso constante no rosto, uma caridade inútil, um gesto de cortesia exagerado.
Ser líder, na verdade, é ser coerente, é ser você mesmo. Se seu jeito de ser não é agradável a todos, fazer o contrário para parecer bacana é tão irreal quanto querer armazenar a água do mar numa cumbuca. Seja você mesmo, afinal todos nós somos diferentes. Mas se permita rever seus atos, corrigir suas ações.
Outro ponto que reputo de real preocupação é reduzirmos o conceito de liderença a uma permissividade na ação praticada pelo subordinado, além da aceitação indecorosa da atitude irresponsável e incompetente de um liderado. Tudo em nome da bondade, da empatia. Não digo que ser empático seja um defeito, pelo contrário, admito a empatia como uma das maiores qualidades de um líder. O que me leva a questionar é que muitas vezes não saímos da zona de conforto pelo medo de magoar o outro e , como consequência, aceitamos que nossos liderados pratiquem as piores atrocidades.
Não percebemos, entretanto, que a nossa omissão em não corrigi-lo, chamá-lo à responsabilidade, porá em risco o futuro de uma empresa e o que é mais grave, atingirá inocentes, mormente aqueles que com zelo e compromisso dedicam sua vida ao trabalho. Dessa forma entendo que o exercício da verdadeira liderança perpassa pelo compromisso de enxergar o coletivo como fim último, inarredável, sob pena de um só apodrecer todo o cacho de uvas.

Finalizo, por dizer, que ao analisarmos a aceitação dos nossos subordinados ao nosso jeito de liderar, tenhamos cuidado com os aplausos em demasia, com os elogios gratuitos. Muitas vezes tais manifestações são apenas frutos do expediente da bajulação. Afinal, há uma máxima há muito reverenciada que diz: "O segredo do sucesso não se sabe. Do fracasso, é querer agradar a todos". 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

“De ecclesia lascatorum”: a Igreja dos lascados, por LEONARDO BOFF

Talvez alguns se espantem diante de semelhante título: “De Ecclesia Lascatorum”, a “Igreja dos lascados”.  No final do meu livro Igreja: carisma e poder (1982) eu prometia uma continuação com o título De severina Ecclesia: a “Igreja severina”. Quer dizer, a Igreja dos lascados e pobres, chamados de “severinos” no Nordeste. Nunca pude escrever tal livro, embora o Card. Joseph Ratzinger, ainda Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, que julgou aquele livro, de tempos em tempos, pedia informações se o livro anunciado havia sido publicado ou não. Enchia-se de temores pela ortodoxia do texto pois o tema dos pobres sempre mete medo aos portadores de poder.
Mas eis que agora aparece um livro que concretizou aquele meu propósito de antanho. Vem elaborado  de uma forma profundamente espiritual, comovedora e convincente pelo meu querido e saudoso confrade Frei Lency Frederico Smaniotto, apelidado no seminário, carinhosamente de “Bambio” ou de “Cascudo”.
Se alguém quiser conhecer a radicalidade de um franciscano que tomou a sério a mensagem inovadora do Concílio Vaticano II, os documentos do episcopado latino-americano de Medellin e de  Puebla, a opção radical pelos pobres e lascados e a teologia da libertação, leia, então, este livro. Segure as lágrimas porque sua saga  provoca tal comoção, pela coerência, afetuosidade, humildadade, coragem e espiritualidade franciscana que só encontra paralelo no Padre Alfredinho, em Frei Damião, no bispo de Barra na Bahia Dom Luiz Fernando Cappio e no bispo de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldaliga, e ouso dizer, no Papa Frncisco, entre outros.
Ele realizou literalmente o que o Papa Francisco pediu no dia 28 de maio de 2015 aos franciscanos do mundo inteiro: que vivessem a menoridade. Dizia o Papa:“menoridade significa sair de nós mesmos, de nossos esquemas e pontos de vista pessoais; significa ir além das estruturas – que também são úteis, quando utilizadas sabiamente –, além dos hábitos e das certezas, para testemunhar uma proximidade concreta com os pobres, necessitados e marginalizados, em uma atitude autêntica de partilha e de serviço”. Frei Lency foi concretamente um frade menor que se abaixava até estar à altura dos olhos do outro para vê-lo olho a olho.
Escreveu o livro De Ecclesia lasctorum em cima de um bujão de gás. Nele não se trata defazer teologia. Mas de testemunhar uma mística junto aos mais humilhados deste mundo, os servos sofredores e invisíveis da sociedade. Não é apenas escrever mas muito mais viver, sofrer junto, apanhar junto, ser preso junto, arriscar a vida junto e alegrar-se junto. Mil lutas e centenas de derrotas. Mas, como o Mestre, nunca abandonou os seus. Sempre se reergueu e retomou a via-sacra dos lascados, onde quer que estivessem.
Percorreu as principais estações da paixão popular nos vários Estados no Brasil. Efetivamente, Jesus continua dependurado na cruz, gotejando suor e sangue e gritando orações a Deus. Frei Lency se associou àqueles que escutaram o lamento do Mestre. Juntos com tantos lascados procurou baixá-los da cruz.
Estimo que este livro é um dos testemunhos mais vivos, mais fiéis e mais persuasivos da Igreja dos pobres, honra de nossa Igreja brasileira e farol a iluminar caminhos de tantos que, compassivos e solidários, querem e nem sempre podem seguir a mesma opção.
Mas esta opção está aí para mostrar que o Evangelho dos lascados está vivo. Ele pode ser vivido na radicalidade que a viveu Francisco de Assis, atualizada por Francisco de Roma. Sua mensagem é tão desafiadora que nenhuma editora teve a coragem evangélica de publicá-la. Mas “habent sua fata libelli” diziam os antigos:”os livros, os verdadeiros, têm o seu destino.”
O livro é completado com escritos de outro que se identificou com a população afrodescendente Frei David Raimundo Santos, abrindo escolas e preparando estudantes para a universidade.
Frei Lency já não está mais visível entre nós, embora sempre presente. Ele está com seus lascados que o precederam na glória. Está, finalmente, junto com o Ressuscitado que não escondeu suas chagas de lascado. Depois de tanta luta, Frei Lency não morreu: foi atender a um chamado de Deus que lhe sussurrou:
“Meu querido filho, Lency, como te esperava! Vens cansado e com o corpo todo gasto. Agora estás comigo e te levarei à fonte da eterna juventude onde todos os teus irmãos e irmãs lascados estão te esperando. E qual águia que renova todo o seu corpo, reviverás. Mais ainda, ressuscitarás para estares  eternamente conosco, com aqueles “meus irmãos e irmãs menores” nos quais  eu estava presente e que tu me serviste  e que agora já não padecem, já não choram nem se lamentam pois tudo isso passou”.
“Vem, meu querido filho Lency. Vem, pois te esperava desde sempre. Cumpriste tua missão como a minha quando peregrinava entre os pobres e lascados da Palestina. Vem, fica conosco para sempre pelos tempos que não terão fim num novo Céu e numa nova Terra  onde não haverá mais lascados porque todos serão irmãos e irmãs, meus filhos e filhas queridos”.
* teólogo e escritor