sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O TEMPO


... Devora os sonhos, faz murchar as flores!
Dá adeus à mocidade, enruga a linda face,
Faz da morte a companheira e da vida o seu algoz.
Mas também só o tempo...
Arranca de nós o orgulho, faz brotar a humildade e nos devolve a certeza que somos pó e ao pó voltaremos.
E se a vida é tão breve,
Só o tempo, faz-nos contemplar o belo, deixar por menos o rancor,
Aprender com os fracassos, ter compaixão para com o outro, abrir o coração para o novo.
Só tempo...
Faz-nos esquecer das dores sentidas, curar os amores perdidos, sepultar as ambições desmedidas.
Só tempo...
Faz-nos enxergar a beleza da vida, a efemeridade dos dias e o galope dos ventos.
Só o tempo...
Nos torna mais irmãos, mais fraternos e mais necessitados um do outro.
Só tempo...
Faz-nos refletir que cada minuto é precioso para amar, perdoar e estar próximo.
Só tempo...
Livra-nos da prepotência, da empáfia, do egoísmo e da ausência de Deus.
Por isso, que cada um de nós veja o passar dos dias não como algo que nos aproxima da morte, até porque não há morte para quem crer, mas sim como algo que nos reconcilia com nós mesmos.
Só o tempo...
Faz-nos compreender que somos únicos, singulares, e como tal pertencemos a uma família universal, a grande safra de Deus.


Feliz 2018.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

QUE NASÇA UM NOVO ANO, QUE SE CONSTRUA UMA NOVA HISTÓRIA

O que nos separa da felicidade? Essa questão muito nos inquieta em um mundo impermanente e com profundas adversidades. A saga do homem no planeta terra sempre foi marcada pelos conflitos de ordem moral, econômica e emocional. Hobbes já nos chamava atenção para o fato de o homem ser o lobo do próprio homem. Afinal, o que queremos e desejamos para nossas vidas?Eis uma questão a ser respondida.

Enquanto divagamos filosoficamente, assistimos estarrecidos ao desmoronamento das instituições que deveriam ser esteios para o organismo social equilibrado: a Família, o Estado. Assombrados estamos com o mais absoluto desprezo de muitos para com as suas vidas e a vida de seus semelhantes, como no caso recente da morte do ambulante no metrô em São Paulo e milhares de mortes inocentes nos conflitos da Síria e outros mais pelo mundo afora. Como um relâmpago que corta a escuridão da noite, assim também a mensagem que nos foi deixada pelo homem de Nazaré, ajuda-nos a encontrar a luz num cenário de trevas.

Reflitamos!

Jesus nos deixou um legado de ensinamentos profundos e atuais, os quais sobreviveram centenas de anos de história. Um deles, particularmente, fascina-me: “Faça aos outros, aquilo que você gostaria que fizessem pra você”. Uma frase simples mas carregada de extraordinário significado. Vivenciá-la em sua integralidade possibilitaria ao homem abolir as leis e afastar da existência humana o arbítrio, a violência e a discórdia.

Fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito é abrir os olhos dos homens para a compreensão de que todos nós, indistintamente, somos parte indivisível de uma única espécie - a humana. Essa teia que nos liga um ao outro exige uma reciprocidade de ações e a compreensão que não haverá uma liberdade plena enquanto restar um homem cativo, aprisionando, marginalizado. O mal que faço ao outro retorna a mim mesmo como corolário da minha condição humana. As nossas ações, se altruístas, iluminam e edificam. Porém, se destrutivas, desagregam e mortificam. Portanto, se queremos sobreviver, é preciso que cada um se sinta responsável pelo “outro”.

Isso nos impele a construir uma nova história: Uma jornada de homens e mulheres livres, onde prevaleçam o respeito, o diálogo, a compreensão mútua, afastando de uma vez por todas do anfiteatro das nossas vidas o egoísmo cego, os interesses escusos e a falsa ideia do poder absoluto, o que obriga muitos a uma vida cercada pelo desamor e pela desesperança. Reflitamos neste final de ano com a convicção de que a fraternidade, o serviço ao próximo e a humildade são valores cristãos capazes de redimir toda a espécia humana.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

ONDE ESTÁ DEUS DIANTE DO SOFRIMENTO HUMANO?

Nos últimos dias tenho feito uma releitura de livros que tratam sobre o sofrimento humano e a ação ou (in) ação de Deus diante destes episódios. Não é à toa que muitos duvidam da existência de Deus quando submetidos a situações adversas ou trágicas. A primeira pergunta que surge é sem dúvida a mesma: Por que Deus permitiu que isso acontecesse comigo ou com alguém que amo?

Como pode um Deus que representa a bondade não intervir ante a prática do mal, do injusto, do diabólico e do trágico? Como pode Deus permitir que uma criança com apenas dois anos seja portadora de um tumor maligno que em breve lhe levará a morte? Como pode Deus permitir que um desastre da natureza (v.g. terremoto, tsunami) mate centenas e centenas de pessoas? Como pode Deus permitir que um maluco como Hitler tenha ceifado a vida de  milhares de judeus?

Afinal, onde está ou estava Deus nas horas sombrias das dores humanas???

Estas indagações não apenas nos inquietam, mas têm levado muitos à descrença, ao ateísmo, à absoluta incredulidade na onipotência divina!

A resposta a este dilema não é tão simples. Muitos teólogos e filósofos se debruçaram sobre o tema. Poderia aqui citar alguns deles, mas achei melhor, para não ser cansativo, lançar algumas luzes que nos sirvam de reflexão ou provocação para que cada um de nós tire suas próprias conclusões. Ressalto, pois, que não tenho formação em teologia nem em filosofia. Arrisco-me apenas em construir, a partir das minhas leituras e da minha experiência de vida, argumentos que me permitem dizer sem medo que DEUS EXSTE  e Ele é profundamente misericordioso.

Começo por falar que fomos muito mal educados na fé. Aprendemos desde cedo que o que acontece de bom ou ruim tem o dedo de Deus no meio. Se alguém sofre um acidente de trânsito e morre, logo a família é amparada por um amigo que chega com a triste frase: “ Aceite, essa é a vontade de Deus”. Do outro lado, a família diante dessa lamentável justificativa passa a pensar: “Como pode Deus querer a morte do meu filho? Por que ele tem que pagar com a vida ainda tão jovem?”

É difícil sustentar a fé quando se atribui o que acontece de mal ou trágico ao criador da vida!!!

Eu me arrisco a responder que Deus não é culpado pela morte nem pela doença, não é culpado pelo acidente, não é culpado pela catástrofe natural. O que precisamos entender é que todos esses acontecimentos são indissociavelmente parte integrante da finitude humana. Não somos imortais, seremos eternos. A morte, o sofrimento e a dor fazem parte da nossa condição humana, frágil e precária.

Mas se Deus é onipotente, por que não age?

Deus construiu um mundo perfeito. A harmonia cerca toda a criação. Nossa inteligência permite solucionar muitos dos nossos dilemas. Podemos, sem dúvida, resolver nossos problemas. Cientistas a cada dia descobrem novos medicamentos para tratar as nossas doenças. As novas tecnologias nos permitem uma vida melhor, mais confortável. O direito transnacional tem como um dos pilares a vedação ao retrocesso como forma de evitar que o império das trevas se sobreponha à democracia, ao estado das liberdades e garantias coletivas e individuais.

Deus deu a homem o livre arbítrio para exercer as suas escolhas. A grande verdade é que muitas dessas escolhas comprometem o bem-estar individual ou coletivo. Mas não poderia ser diferente: Se a cada situação, Deus agisse ele sepultaria a liberdade e a grandiosidade de sua criação. Tiraria do homem a responsabilidade de protagonizar suas ações e construir seu futuro. Reduziria a espécie humana a um fantoche teleguiado sem autonomia e capacidade de agir. Seríamos verdadeiros autômatos dirigidos por uma vontade superior. Obviamente se assim fôssemos, não seríamos a imagem e semelhança de Deus, o que de fato se constituiria numa grande contradição do ato do Criador!

E por que minhas preces não levaram à cura do meu filho?

Acostumamos a acreditar em um Deus milagreiro e mágico. Rogamos a Ele e esperamos ser atendidos, Quando não recebemos suas graças logo nos frustramos e nos revoltamos. É preciso que se diga que aqui não estou a duvidar da onipotência divina. Deus pode realizar milagres porque pode tudo. Mas não necessariamente ele vai atendar as suas preces. O milagre é uma excepcionalidade. Crianças continuarão a morrer vítimas dos cânceres, desastres naturais sempre acontecerão, tragédias desfilarão no anfiteatro da nossa existência.

Esta é a nossa condição humana!!! As doenças são anomalias orgânicas que atingem a todos indistintamente,pessoas boas ou ruins. Em alguns com maior gravidade e, em outros, com menor proporção. Esta não é uma escolha de Deus! Ele não está lá cima com um balde de tumores malignos escolhendo as vítimas que serão submetidas à insidiosa moléstia!!!

O grave é a infantilidade da nossa fé. O que Desejamos é um Deus que nos afaste de todos os sofrimentos, que cure todas as nossas dores, nos garanta uma vida sempre feliz e sem problemas, preferencialmente com muito dinheiro. O que vou dizer irá frustrá-los: Este Deus não existe!!!

Por essa razão tem crescido o número de ateus. Os homens recorrem a Deus para realizarem um contrato de troca: Eu te louvo, faço minhas orações e recebo como prêmio a prosperidade material, pessoal e profissional. Se não alcançam a realização de seus desejos passam a não mais acreditar em Deus.

O que muitos têm não é a fé mas sim a crença. Por essa razão, ao menor ruído da dor essa crença vai embora.

Portanto, se queremos continuar firmes na fé precisamos compreender que Deus não age onde o homem deve agir. É preciso compreender, ainda, que a dor é parte da condição de nossa finitude e do nosso amadurecimento pessoal. Se Deus anestesiasse o sofrimento humano sepultaria a solidariedade, a compaixão, o amor, sentimentos tão marcantes e tão presentes durante as tragédias da vida. Uma vida sem dor é uma vida sem graça. É a dor que nos faz sentir a saudade de um grande amor, a alegria de um reencontro, a esperança que estava sepultada. É a dor que nos reconcilia com o outro, que nos faz abrir mão do nosso egoísmo. É a dor que nos dá a dimensão da nossa pequenez e da nossa fragilidade. Não seríamos humanos se não fôssemos cravados pela dor. 

E afinal, onde está Deus diante dos sofrimentos e das intempéries da vida?

Deus está ao lado das vítimas da violência, acolhendo-as na sua dor; está fortalecendo a autoestima dos pais que perderam seus filhos precocemente, incentivando os voluntários que socorrem a tantos durante as tragédias e nas missões humanitárias nos países pobres. Deus está ao lado dos enfermos ,dando-lhes força e esperança para superar suas dores.

Portanto, amadurecer a fé é compreender que Deus abdicou do seu poder soberano e absoluto para não interferir no ato de sua criação, tornando o homem protagonista do seu próprio destino.

domingo, 24 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL!!!!!


É interessante perceber que apesar de o Natal ser uma festa sempre celebrada no final de cada ano, não há como não se deixar contagiar pela magia que data nos traz. Sem dúvida, o nascimento de Jesus Cristo é um acontecimento único, singular, que mudou a história da humanidade.
Sabe-se, entretanto, que se tornou comum o desvirtuamento do sentido maior da festa, em face do apelo capitalista e em razão de um consumismo desenfreado que se tornou regra geral nas festas de final de ano.
Nesse frenesi, esquecemos que celebrar o Natal é elevar-se espiritualmente, permitindo-nos refletir sobre as nossas ações e comprometendo-nos com uma transformação que nos torne mais irmãos, fraternos e acolhedores, na verdadeira acepção do pensamento cristão.
As mensagens deixadas pelo Salvador são simples e direta: “Amai-vos uns aos outros” e “Não façais ao outro, aquilo que não queres que te faça”. Todavia, se vivenciadas na sua plenitude resgatariam a humanidade desse abismo existencial a que está submetida, cuja consequência se revela no crescimento da violência, na destruição da família, no desarranjo da sociedade e nas doenças da alma.
Seremos melhores à medida que direcionarmos nossas vidas em consonância com os princípios ensinados por Jesus Cristo durante sua passagem terrena. Com Ele aprendemos a amar verdadeiramente, a perdoar sempre, a respeitar o próximo, a não inquietar-se com as adversidades da vida. Com Ele nos tornamos mais humildes, receptivos, melhores.
E o que é mais importante: Aprendemos a Servir. E de fato “servir” resume toda a nossa missão na terra. Mas para isto é preciso que cada um de nós lute, sem cessar e sempre, contra os inimigos invisíveis que nos impedem de viver na Luz, isto é , o egoísmo, a arrogância, a inveja e a empáfia. Para sobrepujá-los é preciso um exercício diário, guiado pela palavra de Cristo. É esse o verdadeiro espírito de natal. FELIZ "VERDADEIRO " NATAL A TODOS!

NÃO ENCONTRAMOS DEUS NOS CÉUS

Não teremos um relacionamento próspero com Deus se insistirmos em vivenciá-lo exclusivamente numa dimensão vertical, única e individual. Nã...