quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O homem e o tempo...

Compartilho com vocês uma reflexão sobre como somos reféns do tempo e o quanto nos amarguramos com tudo isso. Espero que após lê-la eu tenho ajudado a cada um a pensar diferente. Certa feita Cecília Meireles perguntou no espelho onde estava seu rosto. Esse utilitário, na verdade, torna visível as nossas rugas e os cabelos brancos. A ação deletéria do tempo assusta o homem desde o primórdio da humanidade. A dor do envelhecimento é cruel e solitária. Aprendemos a compreender a vida pelos anos que passam, esquecemo-nos, entretanto, de que a cronologia humana é uma convenção arbitrária, fruto de nossa visão cartesiana.
Imagine pensar nossa vida pela marcha inexorável do tempo. Cada segundo no relógio nos faz aproximar-se do fim indesejado. O suor do terror da decrepitude humana é ofegante, insípido. A matéria se faz soberana e se os anos tornam os ossos mais frágeis, o raciocínio mais lento, cada dia é um dia a menos no diário da nossa existência.
O pânico toma conta a cada badalar do relógio. Entregamo-nos a um destino incontrolável. Ficamos impotentes. Olha só o que criamos: A dimensão do tempo nos impelindo à morte. Nesse abismo de pensamentos funestos, perdemos a noção do presente e nos entregamos a uma vida de medos e angústias. Como somos idiotas! Toda essa combustão de sentimentos nos oprime e nos impede de viver a vida na plenitude maior do espírito. O apito do trem não indica a chegada mas sim a partida. A partida para um lugar que não sabemos onde ou que preferimos ignorá-lo. Olha só o tempo passando, enquanto seus olhos arregalados acompanham o corrimão das palavras.
Esse é o mal do homem: Relativizar, racionalizar, indagar o porquê de tudo. Enquanto isso a vida vai passando e não percebemos que os botões de rosas se abriram, que o canto dos pássaros anunciam o amanhecer, que nossos caminhos vão cortando as estradas sem rumo como se prenunciasse um fim que não desejamos.
É hora de renovar o sentido da vida, sobrepujando a dimensão temporal. Aproveitando cada instante como a celebração do eterno começo e não do fim, como o filme que nos promove o êxtase, concitando-nos a singrar os mares pelo espírito aventureiro dos navegantes, ousados ao enfrentarem o desconhecido.
Somos singulares e podemos construir uma história movida pelo entusiasmo dos momentos, sejam eles breves ou longos, todos dotados da magia do encantamento do viver pelo prazer do existir, sem preocupar-se em demasia com as dores que atravessam os nossos jardins, trazendo espinhos pontiagudos. E se eles ferem a nossa alma, saberemos juntar os pedaços, recolher as fagulhas, olhar para um horizonte de oportunidades.
Afinal, nascemos para a vitória, não necessariamente para o pódio No alto, muitas vezes, não enxergamos as nossas limitações, entretanto o sucesso consiste em fazer da vida um hino de resistência, de determinação, de perseverança. Atravessá-la, exitosamente, implica saber superar os fracassos e as vicissitudes que encontramos na nossa caminhada, implica mais ainda na superação dos mares tempestuosos e dos limites que muitas vezes impomos a nós mesmos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Construa sua vida sobre a rocha

Tenho sempre dito que o sofrimento, na vida das pessoas, é algo inevitável. Vez por outra ele vai bater na nossa porta. Mas uma coisa é certa: Não podemos evitá-lo, todavia sua magnitude será bem menor na proporção que estivermos preparados para enfrentá-lo.
Para isto é preciso lembrar-se do ensino bíblico do Mestre dos Mestres que nos propugnava a construir nossa casa sobre a rocha. Parafraseando tão divino ensinamento, estendemos essa assertiva a um propósito de edificação das nossas vidas sobre a rocha. Isso diz respeito aos nossos relacionamentos em família, no trabalho, na experiência com os amigos.
Já dizia há pouco que o equilíbrio é fundamental para o nosso sucesso. Quando somos vítimas de nossos desejos, cometemos as piores loucuras. Compramos o que não podemos, agimos irracionalmente, destruímos a nossa reputação. Tudo muitas vezes em virtude de um prazer momentâneo e fugaz.
Quantos homens passaram anos e anos construindo uma biografia e a viram cair por terra em razão de um deslize de conduta, de uma atitude impensada. Infelizmente nosso lado animal muitas vezes sucumbe a nossa racionalidade. Naquele instante nos tornamos reféns de desejos irracionais, culminando na prática de ações desorientadas e prejudiciais às nossas vidas. Por isso, é preciso estarmos em alerta, olhando para o horizonte e tendo a consciência que a felicidade verdadeira não está em dar vazão aos nossos ímpetos imediatos e irracionais, mas se constitui na verdade em cultivar os princípios que são para nós mais valiosos: dignidade, honra, respeito.
Sabemos que os apelos do mundo são fortes. Se não soubermos conter nossas atitudes, atiramo-nos num calabouço sem volta. Mais tarde só restará a dor e o arrependimento.
Por essa razão, rogamos a Deus a força de saber dizer não a tudo que nos distancia dos nossos propósitos mais nobres. Não é uma tarefa fácil! É um exercício permanente e constante de renúncia. Estejamos vigilantes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Em busca da consciência, por MINO CARTA

Um especialista em humores da casa-grande expõe a tese, mas pode ser resultado de conversas a portas fechadas, de que o golpe foi desfechado na previsão de uma reação internacional adversa, e nem por isso capaz de alterar a rota. Todos os riscos haveriam de ser corridos para atingir o objetivo, destruir o Partido dos Trabalhadores. Bastava, e basta, a pronta anuência de Tio Sam. O Brasil da casa-grande acomoda-se prazerosamente à condição de satélite dos Estados Unidos.
Se for assim, Michel Temer não se incomodou ao ser escanteado na reunião do G-20. A capitis diminutio sofrida pelo presidente do Brasil atinge e humilha o País, mas nada disso importa diante das consequências imediatas do golpe praticado contra a nossa frágil democracia. Em pleno andamento em relação ao PT, pois a tarefa será cumprida somente se Lula for definitivamente afastado da corrida presidencial marcada para daqui a dois anos.
A serem estes os propósitos dos golpistas, e sempre que haja perfeita afinação entre eles, e disso cabe duvidar, resta perguntar aos botões quanto diria a respeito o espírito de Garrincha. É suficiente hoje em dia ser súdito ao império do Grande Irmão do Norte, como se lia nos vetustos editoriais do Estadão, para gozar de sono tranquilo?
O mundo mudou bastante, mudou demais, gastar palavras sobre o tema é desperdício. Tio Sam é ainda poderoso, contudo não é mais aquele. Por exemplo, está largamente endividado e a China é seu imponente credor. A política exterior do governo Lula desvencilhou o Brasil da tradicional sujeição às vontades de Washington, com evidentes vantagens para o País. Recordo um lance importante do período: se os EUA tivessem aceito a exitosa mediação de Lula junto aos aiatolás, sete anos atrás, a questão do Irã teria sido encaminhada para a solução bem antes do que, de fato, se deu. Na ocasião, o Brasil desempenhou papel de potência, bem diverso daquele de Temer na reunião do G-20.
No mundo atual, a repercussão negativa do golpe brasileiro não parece conveniente para um país necessitado de investimento estrangeiro, a contar exclusivamente com capitais que aqui chegam apenas para engordar. Na moldura cabe até a recomendação do papa Francisco de orar pelo Brasil e a dúvida que o toma em relação à possibilidade de uma visita até ontem programada para o ano próximo. A registrar o patético esforço do presidente Temer ao pretender que o pontífice, de certa forma, reze pela aceitação do golpe, ou, se quiserem, pela paz dos cemitérios, sempre a mais conveniente para a casa-grande.
E lá vem outra pergunta do espírito do nosso inesquecível Mané: era o golpe o que o povo brasileiro queria? Talvez não seja o caso de imaginar um país rachado por uma polarização exacerbada. A insatisfação popular fermenta, porém, tanto mais porque manifestada sem meios-termos, com vigorosa clareza, por milhões de cidadãos outrora tidos como “cordiais”, no sentido de resignados, para não dizer covardes. A violência de um aparato policial digno de uma ditadura, pronto a intervir ao mínimo aceno de rebeldia, prova a semelhança com situações já vividas por outros países, em outros continentes, oprimidos por regimes antidemocráticos. 
A demanda de quem protesta é inquestionável: Fora Temer e Diretas Já. Ou, pelo menos, tão logo possível. A máquina da propaganda midiática empenha-se para minimizar os fatos e maquiar as situações, e é cada vez mais ineficaz no seu intento. As Diretas Já de 1984 foram um extraordinário, inédito movimento popular nos estertores da ditadura. Agora, 32 anos após, começa a ser escrito o segundo capítulo do mesmo enredo. Há tempo, desde a primeira metade de 2015, CartaCapital adere à proposta de eleições antecipadas, solução inteligente para uma crise de outra forma insolúvel.
A ilegitimidade do governo Temer é nítida não somente a olhos estrangeiros, e o “Fora Temer” já sobrepuja o tom e o efeito do “Fora Dilma”. Bons sinais em meio ao caos. Apreciaria evitar ilusões pela enésima vez, mas lá vou eu, de novo. E me arrisco: quem sabe algum dia o brasileiro do futuro, próximo, espero, possa dizer que o golpe de uma quadrilha a serviço da casa-grande teve o condão de despertar a consciência nacional. 

Cecília Meireles - A última Entrevista

Cecília Meireles - a última entrevista

Cecília Meireles - foto: (...)
A escritora morreu alguns meses depois de ter concedido o depoimento ao jornalista Pedro Bloch, em maio de 1964

“Tenho um vício terrível” — me confessa Cecília Meireles, com ar de quem acumulou setenta pecados capitais. “Meu vício é gostar de gente. Você acha que isso tem cura? Tenho tal amor pela criatura humana, em profundidade, que deve ser doença.” “Em pequena (eu era uma menina secreta, quieta, olhando muito as coisas, sonhando) tive tremenda emoção quando descobri as cores em estado de pureza, sentada num tapete persa. Caminhava por dentro das cores e inventava o meu mundo. Depois, ao olhar o chão, a madeira, analisava os veios e via florestas e lendas. Do mesmo jeito que via cores e florestas, depois olhei gente. Há quem pense que meu isolamento, meu modo de estar só (quem sabe se é porque descendo de gente da Ilha de São Miguel em que até se namora de uma ilha pra outra?), é distância quando, na realidade, é a minha maneira de me deslumbrar com as pessoas, analisar seus veios, suas florestas.”

Cecília é carioca. Nasceu em novembro, dia de S. Florêncio (filha de Matilde e Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil), em Haddock Lobo, na Rua São Luís. Seriam quatro irmãos, mas nunca chegaram a ser dois sequer, porque, mal nascia um, o outro já tinha morrido. Só ficou Cecília. Perdeu a mãe com três anos e meio, tendo sido criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides, da Ilha de São Miguel, Açores, descendente de gente que andou do lado do Infante D. Henrique. A ela dedica Cecília:

Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído...
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
Modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.

Veja a matéria completa pelo link:
 http://www.elfikurten.com.br/2012/09/cecilia-meireles-ultima-entrevista.html

terça-feira, 13 de setembro de 2016

COLABORAÇÃO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO COMO REFLEXÃO DA POSTAGEM SOBRE DILEMAS CORPORATIVOS....MERECE DESTAQUE!!!


Amigo-Irmão Carlinhos, corroborando com sua ideia, a autoconfiança, um dos pilares da autoestima, é fator fundamental para o desenvolvimento da Excelência Profissional. De acordo com a máxima latina " agere sequitur esse", nossos atos só serão amorosos se manifestarmos neles a essência do que somos. Cabe uma reflexão sobre a identidade do ser, através do autoconhecimento que proporciona o reconhecimento da autoimagem. Autoconhecimento + Autodesenvolvimento = Autorealização. Nesta perspectiva, o indivíduo se faz através de suas escolhas, de sua personalidade e, sobretudo, de sua essência. Destarte, Protagonista de sua História, o Ser Humano atinge suas metas e conquista a credibilidade. A primeira grande responsabilidade do Líder de Alta Performance é crescer diante de si, lapidando os talentos. Para tanto, só motivação não basta. Precisamos de ENTUSIASMO !

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Dilemas corporativos: Reconhecimento Profissional e o patrão?




Muitas vezes na vida corporativa escutamos empregados justificarem a ausência de atitude ou de inovação com a seguinte frase: “ Tenho excelentes projetos mas não vou colocá-los em prática porque estou desestimulado uma vez que o meu patrão nunca reconhece o meu trabalho”. Devo confessar-lhe que se trata de uma frase infeliz, egoísta, vetusta e retrógrada. Não tenha dúvida  de que o profissional que pensa assim caminha a passos largos para tornar-se um “desempregado crônico”.

Na sabedoria popular aprendemos que “cada qual no seu quadrado”. Embora pareça ser uma máxima individualista em se tratando da divisão de funções, todavia o raciocínio é perfeito. Faço o que me cabe no contrato e se cada um agir assim prevalecerá a universalidade. E o que me cabe numa relação de trabalho? Ser firme no compromisso com a causa que eu abracei e me propus a fazer. Pensando assim, vou compreender que o destinatário do meu trabalho não é o meu “patrão”, mas sim os meus “clientes”, a “sociedade” “as pessoas que nele confiam”.

Aqui não estou a dizer que não seja missão do patrão incentivar seus colaboradores, tratá-los com a urbanidade necessária e proporcioná-los o ambiente e os instrumentos imprescindíveis para o êxito na atividade laborativa. Mas repito: Essa é a missão do “patrão”. Se ele assim não agir terá um custo futuro podendo levá-lo à falência. Entretanto, não compete ao empregado deixar de realizar a “sua missão”, aquela que lhe foi confiada,  em razão do “patrão” não agir com deveria agir. Afinal, não é o patrão que deve dirigir a ação nem a atitude  do empregado. Na verdade, a ação do “empregado” é dirigida pelos seus valores, pelas suas convicções, pelo seu compromisso com ele próprio e com  a sociedade.

Tenho sempre dito que fazemos parte de uma teia indivisível que nos une uns aos outros. E como cristãos sabemos que a  missão do trabalhador não termina no final do mês quando recebe o seu salário. Estamos aqui, na verdade, para construir pontes, abrir diálogos, nos realizar como pessoas e fazer com que a nossa passagem terrena seja sempre lembrada por aqueles com quem convivemos e amamos, mesmo quando as adversidades bateram em nossa porta.

Esta  pseudo máxima de que o meu trabalho será proporcional ao reconhecimento do patrão é de fato repugnante por demonstrar egocentrismo, imaturidade profissional e insensibilidade social. Se não estou satisfeito na empresa onde trabalho devo ter a grandeza e a dignidade de pedir o meu desligamento. Esse é um direito inalienável do trabalhador. Todavia, se eu lá ficar devo saber que os meus clientes não podem ser reféns do meu descontentamento, das minhas frustrações e da minha falta de profissionalismo.

Mas antes de tomar atitude tão drástica, se questione? Não sou reconhecido pelo meu patrão porque ele ignora os meus esforços ou o meu trabalho não tem produzido o impacto suficiente para ser percebido? Fica a dica!!!

Como enfrentar o fundamentalismo, POR LEONARDO BOFF

Atualmente em todo mundo, se verifica um aumento crescente do conservadorismo e de fenômenos fundamentalistas que se expressam pela homofobia, xenofobia, anti-feminismo, racismo e toda sorte de discriminações.
O fundamentalista  está convencido de que a sua verdade é a única e que todos os demais ou são desviantes ou fora da verdade. Isso é recorrente nos programas televisivos das várias igrejas pentecostais, incluindo setores da Igreja Católica. Mas também no pensamento único de setores políticos. Pensam que só a verdade tem direito, a deles. O terror deve ser combatido. Eis a origem dos conflitos religiosos e políticos. O fascismo começa com esse modo fechado de ver as coisas.
Como vamos enfrentar esse tipo de radicalismo? Além de muitas outras formas, creio que uma delas consiste no resgate do conceito bom do relativismo, palavra que muitos nem querem ouvir. Mas nele há muita verdade.
Ele deve ser pensado em duas direções: Em primeiro lugar, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Na esteira da física quântica, insiste a encíclica do Papa Francisco “sobre como cuidar da Casa Comum”:“tudo está intimamente relacionado; todas as criaturas existem na dependência uma das outras”(n.137;86). Por esta inter-relação todos são portadores da mesma humanidade. Somos uma espécie entre tantas, uma família.
Em segundo lugar,  importa compreender que cada um é diferente e possui um valor em si mesmo. Mas está sempre em relação com outros e seus modos de ser. Dai ser importante relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de co-existir
Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil, até chegarmos aos moradores das comunidades da periferia e  aos moradores de sofisticados Alphavilles, onde moram as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
 Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Vivemos na fase da geo-sociedade, sociedade mundial,una, múltipla e diferente.
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, inter-relacionados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto.
Então não há verdade absoluta? Vale o “everything goes” de alguns pós-modernos? Traduzindo: “vale tudo”? Não há o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantem relação com os outros, respeitando-os em sua diferença e não prejudicando-os.
Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela, nem uma religião, nem uma filosofia, nem um partido politico,nem uma ciência. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma compreensão mais plena da verdade, na medida em que se relacionam.
Bem dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na recíproca relacionalidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar à nossa Verdade, comungada por todos.
A ilusão do Ocidente, dos USA e da Europa, é de imaginarem que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas.
Pensando assim, se condenam a um fundamentalismo visceral que os fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião na América Latina e na África e, hoje, fazendo guerras com grande mortandade de civis, para impor a democracia no Iraque, no Afeganistão, na Síria e em todo o Norte da África. Aqui se dá também o fundamentalismo, de tipo ocidental.
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados, por exemplo, na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas e as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras.
Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa, por exemplo, a mineira ou afrancesa, e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária.
Por que com a verdade deveria ser diferente? A base do fundamentalismo é essa arrogância que de que o seu modo de ser, sua ideia, a sua religião e a sua forma de governo é a melhor e a única válida no mundo.
* Leonardo Boff é filósofo,teólogo, professor emérito de Ética da UERJ e escrritor.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

VALE UMA NOTA A MAIS: COMENTÁRIO DO AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO SOBRE A POSTAGEM ANTERIOR


Amigo-Irmão Carlinhos, o inspirador título " Ande um metro a mais... " nos remete à emblemática citação de Albert Einstein : " Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista de seus objetivos mesmo que esses pareçam impossíveis. A próxima tentativa pode ser a vitoriosa. " Destarte, sejamos gratos às adversidades que aparecerem na nossa vida. Sem elas, como praticaríamos a coragem, a tolerância, o autocontrole e a perseverança ?

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ande um metro a mais....


Os caminhos da vida sempre nos apresentam um desafio. Muitas vezes encarar a realidade do cotidiano nos causa temor. Todavia, imagine vocês se vivêssemos sempre diante do previsível, sabendo que tudo correria bem. Isso pode parecer genial, mas por outro lado furtaria da nossa existência o inusitado, a surpresa às vezes festiva, outras vezes dolorosa.
Uma vida sem batalha, sem a superação da adversidade, torna-se amorfa, insípida e medíocre. O homem nasceu para o enfrentamento, para singrar procelas em mares em meio a tempestades. Ao superá-las, sentirá o sabor da vitória. E se a vitória não chegar, pelo menos a certeza de ter tentado tornar-se-á um apanágio para nossa alma.

A busca pela felicidade não aceita o conformismo, muito menos a letargia nem a inércia covarde. É feliz quem encara a vida com um olhar de possibilidades, mesmo diante das tragédias que muitas vezes nos abatem e tentam a todo custo destruir nossa capacidade de resistência. Mas uma coisa tenham certeza: Somos bem maiores do que os nossos problemas, bem maiores que as nossas dores. Nascemos para chegar ao pódio. E por que muitos não chegam?

Não chegam porque se permitem uma vida abastecida pelo pessimismo, pelo comodismo e pela destrutiva impressão “não tenho capacidade...onde estou tá bom demais.”. Esquecem-se de que a vitória exige sempre andar um metro a mais, ir além. É preciso ter a crença de que sempre podemos fazer diferente e melhor. Alimentar-se da certeza de que a nossa trajetória, única e singular, nos concita a construir uma história de vida edificada pela nobreza de espírito, por um sentimento cristão de partilha e por um comportamento profissional ético.

Nascemos e somos safras de um Deus misericordioso que nos proporciona a liberdade das escolhas para que tenhamos uma vida plenamente abundante de realizações. Para isto é necessário ir à luta com garra, determinação e força. Não nos falta inspiração, muito menos não nos deverá faltar coragem. Olhe para frente, há um horizonte à sua espera. Abra as cortinas, as janelas da sua existência e contemple o sol lá fora. Ainda há tempo para você escrever uma história de vida diferente. O que está esperando? Avante!.