quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PODEMOS IR MUITO LONGE...

Não são pouco aqueles que têm dificuldade em aceitar a si mesmo. Olham-se no espelho e se sentem o pior dos mortais. Nutrem um pessimismo sobre o futuro e se deixam destruir pela depressão, pela distonia e pelo desânimo. Sempre indago dos meus alunos qual a primeira declaração de amor que se deve fazer na vida. A maioria responde que essa manifestação de sentimento deve ser dirigida, primeiramente aos pais e depois às pessoas com quem nos relacionamos. Mal sabem que estão redondamente enganados. Nossa primeira declaração de amor deve ser conferida a nós mesmos. Aqueles que não se amam são incapazes de amar alguém.
Amar a si mesmo não é um gesto de egocentrismo, mas sim um reconhecimento que somos um templo de Deus. Em nosso interior habita a centelha divina e por isso fazemos parte dessa genialíssima obra da criação. Imagine que somos mais de 6 bilhões de homens e mulheres e mesmo a meio de tantas multiplicidades não há sequer um igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos. Somos únicos e singulares. Por esse razão temos que fazer das nossas vidas algo extraordinário. Afinal, não haverá jamais um Carlos Albuquerque, um Francisco Antônio, uma Maria Fernanda. Fomos de fato concebidos para construir uma história, mas tudo depende de nossas escolhas. Enquanto nos perdemos pelo desânimo, pelo medo, lá fora o mundo clama por vida, coragem, determinação. Nós não nascemos para a derrota. Basta que você pense na maneira como chegou até aqui: Foram milhões de gametas masculinos se digladiando, brigando ferozmente, muitos ficaram pelo caminho, foi você quem chegou primeiro.
Portanto, ao nascermos, passamos por uma prova de resistência que nos exigiu habilidade, velocidade e meta. Isso nos dá a certeza de que podemos superar os obstáculos, por maiores que eles sejam. Se temos limitações (na saúde, nas finanças etc)elas não serão suficientes para calar nossos sonhos, soçobrar nossos ideais. Basta assistirmos às paraolimpíadas (atletas especiais) para observarmos que o impossível é mera criação humana. Aqueles atletas, com todas as suas limitações, deixam-nos uma lição de vida. Eles, na verdade, esqueceram as amarras que o destino lhes pregou, e passaram a ver o mundo com um olhar de possibilidades. Superaram a inércia porque deram asas à imaginação. Ao contrário de ficaram presos num quarto, ou mergulhados no abismo de suas dores, eles se permitiram sonhar, e esse sonho foi ganhando tamanho e forma e se transformando em grandes resultados. Mais dos que as vitórias nas competições esses atletas venceram a si mesmos.
É chegada a hora de amar a si mesmo. Se você não tem a beleza da Angelina Jolie, o dinheiro do Bill Gates, a inteligência do Rui Barbosa,tais constatações não devem lhe levar ao desânimo. Até porque nenhum deles tem a sua essência. Você é único e essa singularidade lhe faz especial. Por isso, ao se olhar no espelho não veja mais um espectro de um derrotado. Mire no seu olhar e diga a si mesmo: Eu faço parte da grande safra de Deus, sou único e especial, nasci para a vitória.

O país do favor e do medo do feitiço, por Yvonne Maggie

Eduardo Cunha (Gnews)











Quem já leu Raimundo Faoro, Roberto DaMatta e a carta de Pero Vaz de Caminha sabe que a política no Brasil – talvez em qualquer parte do mundo – é feita de troca de favores. Abaixo da linha do Equador o quadro é muito evidente! E por demais assustador. A troca é explícita: eu lhe dou e você me deve, e assim a banda toca. Fica o dito pelo não dito e pronto. 

Eu lhe dou em troca do voto a licença para ter uma autonomia de táxi, por exemplo. Ou se votar na minha emenda sobre determinada lei eu voto na sua. Assim vai indo desde que Pero Vaz de Caminha, ao escrever para o rei de Portugal anunciando a descoberta da nova terra, termina sua carta com um pedido antes do beija-mão: “E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d'Ela receberei em muita mercê.”

A sociedade do favor, que faz nascer o clientelismo, sempre foi descrita a partir das trocas que são do bem. Ao vencedor as batatas, como disse Roberto Schwarz. Trazer o genro da ilha de São Tomé foi um pedido que, certamente, não fez de Caminha um devedor eterno, mas certamente tal préstimo deve ter-lhe custado obediência e lealdade, caso tiver sido atendido, é claro. 

Porém, sendo eu uma estudiosa do outro lado do favor, ou seja, da maldade e do feitiço, sei que há medo nessas trocas. Em geral, não se fala desse lado, do perigo. A feitiçaria está presente na nossa sociedade e de alguma forma é o reverso do favor. A crença na feitiçaria está entranhada em nossas leis e na vida cotidiana dos brasileiros. Mesmo que não se veja mais tantos despachos nas esquinas, o perigo ronda porque sabemos que o “olho grande”, a inveja, é pior do que um “feitiço” porque é inconsciente. Não se deve elogiar a beleza de uma criança, ou as flores cultivadas com carinho pela dona de casa, sem acrescentar o “Benza Deus”. Pois é.  

A ciranda de favores que assistimos abestalhados nestes últimos meses, em que apoios são trocados por ministérios sem a menor menção aos ritos essenciais ao cargo, me fez pensar no medo e na maldade. “Benza Deus”.

O que faz com que tanta gente tenha apoiado Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados? Que troca é esta? Por que o ex-presidente da Telerj – a instituição pública que nos fazia penar para ter um telefone – foi galgando espaços depois de ter sido simplesmente tesoureiro da campanha de Collor no Rio de Janeiro?  Ele tem cara de mau. Ah, isso tem! Até um dos delatores da Lava Jato custou a mencioná-lo e disse que tinha medo dele. Mas o deputado embora meta medo tem uma firma nomeada Jesus.com.

Que medo é esse? Os que receberam favores devem agora retribuir. Retribuir como? E que favores são esses? O medo é tanto que aconselharam a presidente da República a responder com calma aos ataques do presidente da Câmara.  Favores trocados implicam sempre em uma retribuição. Romper a circulação da dádiva pode acarretar a fúria dos doadores, não é mesmo?  

Imagino o que acontece longe dos holofotes e dos corredores do Congresso Nacional. Penso no medo do feitiço que afeta todos os que se imiscuem na roda da troca de favores políticos nesse mundo de milhões para cá e para lá. Aliás, bilhões. Não é aquele favor tradicional do voto por uma bica de água na favela. É a troca pesada que agora está sendo rompida porque um juiz resolveu levar a sério uma pequena mudança na lei que permite ao acusado entregar o ouro na “delação premiada” para receber pena menor. A partir daí, rompeu-se a roda das trocas e apareceu o perigo, o medo da retaliação. Afinal, nunca se esclareceu lá muito bem o que houve com o PC Farias, lembram-se? E não havia delação premiada. Alguém foi simplesmente mau e o fez pagar com a vida pela troca errada ou por ter rompido o círculo das trocas.  

Foi por isso que alguém disse: Quem tem Cunha tem medo...

Livro Sobral Solar será lançado no Museu de Artes da UFC nesta quinta (22)


O livro Sobral Solar, que reúne aspectos como a imponência do patrimônio histórico, cultural, artístico, econômico, a determinação do povo sobralense e as belezas naturais pertencentes ao Município, será lançada nesta quinta-feira (22), às 19h, no Museu de Artes da Universidade Federal do Ceará (MAUC), em Fortaleza.

O lançamento integra as comemorações dos 50 anos da Escola de Arquitetura da UFC e contará ainda com uma exposição gratuita com imagens, desenhos e textos que compõem a publicação.

Idealizada pelo prefeito Veveu, em sua gestão como secretário da Cultura de Sobral (1997-2004), a partir do anseio de reunir imagens e textos que retratem a trajetória histórica de Sobral, a publicação ‘Sobral Solar’ conta com produção gráfica de Gentil Barreira, projeto editorial de Patrícia Veloso e textos de Joan Edesson, Romeu Duarte e Raimundo Aragão.

SERVIÇO:
Lançamento e Exposição do livro “Sobral Solar” 
Data: 22 de outubro (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Museu de Artes da UFC - MAUC - 
(Av. da Universidade, 2854 - Benfica - Fortaleza - CE)
Acesso: Gratuito
Informações: (85) 3366-7481 / 3366-7482
(COM SOBRAL EM REVISTA)

Proed/UVA está com matriculas abertas para Especialização em Direito Processual Civil

A Pró-reitoria de Educação Continuada (PROED) da UVA informa que o curso de Especialização em Direito Processual Civil está com matrículas abertas. O curso objetiva capacitar profissionais para o exercício da advocacia e para o exercício de cargos públicos como na Magistratura, ministério Público, Defensoria Pública entre outros.

Um enigma humano: a violência pela violência do Estado Islâmico

POR LEONARDO BOFF: 
O Estado Islâmico da Síria e do Iraque é uma das emergências políticas mais misteriosas e sinistras, talvez dos tempos históricos dos últimos séculos. Tivemos na história do Brasil, como nos relata o pesquisador Evaristo E. de Miranda (Quando o Amazonas corria para o Pacífico, Vozes 2007) genocídios inomináveis, “talvez um dos primeiros e maiores genocídios da história da Amazônia e da América do Sul”(p. 53): uma tribu antropôgafa adveniente devorou todos sambaquieiros que viviam nas costas atlânticas do Brasil.
Com o Estado Islâmico está ocorrendo algo semelhante. É um movimento fundamentalista, surgido de várias tendências terroristas. Proclamou no 29 de junho de 2014 um califado, tentando remontar aos primórdios do surgimento do Islã com Maomé. O Estado Islâmico revindica autoridade religiosa sobre todos os islâmicos do mundo inteiro e assim criar um mundo islâmico unificado que siga à risca a charia (leis islâmicas).
Não é o lugar aqui de detalhar a complexa formação do califado, mas apenas nos restringir ao que mais nos torna confusos, perplexos e escandalizados por usar a violência pela violência como marca identitária. Entre os muitos estudos sobre o fenômeno cabe destacar dois italianos que viveram de perto esta violência: Domenico Quirico (Il grande Califfato 2015) e Maurcio Molinari (Il Califfato del terrore, Rizzoli 2015).
Quirico narra que se trata de uma organização exclusivamente masculina, composta por gente, em geral, entre 15-30 anos. Ao aderir ao Califado apaga todo o passado e assume nova identidade: de levar a causa islâmica até a morte dada ou recebida. A vida pessoal e dos outros não possui nenhum valor. Traçam uma linha rígida entre os puros (a tendência radical islâmica deles) e os impuros (todos os demais, também de outras religiões com os cristãos, especialmente os armênios). Torturam, mutilam e matam sem qualquer escrúpulo. Ou se convertem ou morrem, geralmente degolados. Mulheres são sequestradas e usadas como escravas sexuais pelos combatentes que as passam entre si. O assassinato é louvado como um “ato dirigido para a purificação do mundo”.
Molinari conta que jovens iniciados por um vídeo sobre as decapitações, pedem logo para serem decapitadores. Parte dos jovens são recrutados nas periferias das cidades europeias. Não apenas pobres, mas até um laureado de Londres com boa situação financeira e outros do próprio mundo árabe. Parece que a sede de sangue clama por mais e mais sangue e pela morte fria e banal de crianças, idosos e de todos os que relutam em aderir ao islamismo.
Financiam-se com o sequestro de todos bens das cidades conquistadas da Síria e do Iraque, mas especialmente do petróleo e gás dos poços arrebatados, propiciando-lhes um ganho, segundo analistas de energia, de cerca de três milhões de dólares/dia, geralmente vendidos a preços muito mais baixos nos mercados da Turquia.
O Estado Islâmico recusa qualquer diálogo e negociação. O caminho só possui uma via: a violência de matar ou de morrer.
Esse fato é perturbador, pois coloca a questão do que é o ser humano e do que ele é capaz. Parece que todas as nossas utopias e sonhos de bondade se anulam. Perguntamos em vão aos teóricos da agressividade humana, como Freud, Lorenz, Girard. As explicações nos soam insuficientes.
Para Freud, a agressividade é expressão da dramaticidade da vida humana, cujo motor é a luta renhida entre o princípio de vida (eros) e o princípio de morte (thánatos). Descarrega-se a tensão para fins de auto-realização ou proteção.  Para Freud, é impossível aos humanos controlar totalmente o princípio de morte.  Por isso, sempre haverá violência na sociedade.  Mas por leis, pela educação, pela religião e, de modo geral, pela cultura pode-se diminuir sua virulência e controlar seus efeitos perversos (cf. Para além do princípio do prazer,  Obras Completas.  Rio de Janeiro: Imago, 1976, v. 5).
Para Konrad Lorenz (1903-1989), a agressividade é um instinto como outros e destina-se a proteger a vida.  Mas ela ganhou autonomia, porque a razão construiu a arma mediante a qual a pessoa ou o grupo potencializa sua força e assim pode se impôr aos demais.  Criou-se uma lógica própria da violência. A solução é encontrar substitutivos: voltar à razão dialogante, aos substitutivos, como o esporte, a democracia, o autodomínio crítico do próprio entusiasmo que leva à cegueira e, daí, à eliminação dos outros. Mas tais expedientes não valem para os membros do Califado.
No entanto, Lorenz reconhece que a violência mortífera somente desaparecerá quando se der aos homens, por outro modo, aquilo que era conquistado mediante a força bruta (cf. Das sogenannte Böse: Zur Naturgeschichte der Aggression. Viena 1964).
René Girard com seu “desejo mimético negativo” que leva à violência e à identificação permanente de “bodes expiatórios” pode se  transformar em “desejo mimético positivo” quando ao invés de invejar e de se apoderar do objeto do outro, decidimos compartilhá-lo e desfrutá-lo juntos. Mas para ele a violência na história é tão predominante que lhe significa um mistério insondável que não sabe como  decifrar. E nós também não.
Na história há tragédias como viram bem gregos em seus teatros. Nem tudo é compreensível pela razão. Quando o mistério é grande demais, é melhor calar e olhar para o Alto, de onde, talvez nos venha alguma luz.

sábado, 17 de outubro de 2015

O preço do exagero, por THAIS HERÉDIA

Os ciclos econômicos são inevitáveis. Eles vêm e afetam todas os países, desenvolvidos ou não, ricos ou não. As economias crescem, se desestabilizam, diminuem, se estabilizam e retomam o crescimento. A diferença entre os estágios, o prazo e a intensidade em cada um deles, vai depender da maturidade social e institucional de cada nação. O que é comum a todos, e é também inevitável, é a conta pelos exageros cometidos principalmente na bonança.
O exemplo mais recente e de proporções planetárias foi a quebradeira de 2008. Era uma euforia sem precedentes, todo mundo ganhando muito, fazendo dinheiro nascer em árvore e consumindo tudo que havia disponível. A bolha ficou tão grande que, quando explodiu, “choveu” crise pelos quatro cantos. Pelo seu tamanho e dinamismo, os Estados Unidos provaram mais um vez que têm um dinamismo inesgotável e, claro, são donos da moeda do mundo. Pela sua estrutura arcaica e envelhecimento das instituições, a Europa sofreu mais e leva mais tempo sair da crise – eles já pararam de cair, agora testam a estabilidade para avançar na retomada.


E o Brasil? Bem, em 2008 o Brasil vivia o auge do seu fortalecimento macroeconômico, da inclusão social, da participação nos grandes debates do mundo e era o exemplo de um país “recém-nascido” na estabilidade financeira e rapidamente fortalecido. A manutenção de uma política pública que equilibrava o peso do Estado versus a força da iniciativa privada e, sobretudo, segurava a inflação com rédea curta, foram determinantes para o país alcançar aquele status. Tão importante quanto fazer a nossa lição de casa, a pujança da economia internacional, a flutuação de capital pelo mundo e a confiança cega no paraíso sem fim tiveram peso fundamental nesta construção

O tempo que impôs caos aos países desenvolvidos impôs ao Brasil a necessidade de uma mudança na agenda do país. Aquele era o momento para avançarmos numa próxima etapa de reformas estruturais para ganhar eficiência e produtividade, reduzindo custos e aumentando a segurança jurídica dos negócios. Era o momento para dar consistência ao potencial exibido até então, absorvendo o capital que ficou perdido mundo a fora sem porto seguro. Aqui temos tudo para se fazer: saúde, educação, serviços, estradas, energia elétrica, credito, moradia - uma lista bem atrativa.
O Brasil também vivia o ciclo do crescimento pre-2008 e precisou corrigir os rumos da mesma forma que todo o resto. Mas nós tínhamos força para passar rápido pela etapa da retração. E mais ainda, nós poderíamos ter liderado entre os emergentes a ocupação de espaços relevantes na economia internacional deixados pelos “ricos”. Mas não. O país optou por consumir a “poupança” formada naqueles anos todos, dando inicio a um processo de distorção que, em pouco tempo, se transformou num ciclo de desestabilização – que não só nos manteve na trajetória de queda da economia, como nos empurrou com violência para um novo mergulho de retração.
E não foi por falta de avisos ou alertas. Há pelo menos 3 anos que as análises sobre as nossas escolhas apontavam um destino perigoso. Estávamos cegos e surdos, iludidos na crença de que um Estado tudo pode e é capaz de financiar os exageros dos governantes sem custo ou cobrança futura. A conta chegou. A recessão está instalada, a inflação inerte aos instrumentos de controle voluntários, como a taxa de juros, e involuntários, como a queda brusca da economia. Dinheiro mais caro e PIB negativo raramente dão um resultado diferente do que inflação em queda. O Brasil assumiu, mais uma vez, a exceção à regra – desta vez, pelos piores motivos.

Cinco mil alunos são beneficiados com programas de prevenção ao uso de drogas no Ceará

Despertar habilidades, estimular o pensamento crítico, desenvolver a autoestima, ampliar os conhecimentos sobre o uso nocivo de drogas lícitas e ilícitas para crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos, seus familiares e comunidades é o que pretende a Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD), através do seu Sistema Integrado de Prevenção (SIP). Atualmente, a pasta desenvolve cinco programas de prevenção em dez municípios cearenses. As atividades são realizadas por profissionais de educação, saúde e assistência social.

As cidades beneficiadas são: Camocim, Sobral, Tianguá, Crateús, Quixeramobim, Iguatu, Juazeiro do Norte, Barbalha, Aracati e Caucaia. Também participaram das atividades profissionais convidados da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e da coordenadoria de gestão da articulação das políticas sociais da Vice-Governadoria do Estado.

Os programas são desenvolvidos em 52 escolas públicas, em forma de projeto piloto, até o final do segundo semestre letivo deste ano, atendendo estudantes dos ensinos Fundamental I e II e Médio. Além disso, estão sendo implantadas ações focadas em famílias, Organizações Não Governamentais (ONGs), associações e instituições de cunho comunitário.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

UVA divulga editais de seleção para os Mestrados em Geografia e Zootecnia


A Universidade Estadual Vale do Acaraú divulgou os editais de seleção de candidatos aos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu - Mestrado Acadêmico em Geografia (AQUI) e Mestrado Acadêmico em Zootecnia (AQUI), para ingresso em 2016.1. As inscrições vão de 13 de outubro a 13 de novembro de 2015 (Geografia) e de 15 de outubro a 13 de novembro de 2015 (Zootecnia), exclusivamente pela Internet AQUI e AQUI. O valor da taxa de inscrição é de R$80,00 (oitenta reais).

São ofertadas 13 (treze) vagas no Curso de Mestrado Acadêmico em Zootecnia, distribuídas em três linhas de pesquisas: a) Produção e Nutrição Animal; b) Forragicultura e Pastagens e c) Reprodução e Melhoramento Genético Animal.

Para o Curso de Mestrado Acadêmico em Geografia são ofertadas 12 (doze) vagas a serem distribuídas em duas linhas de pesquisas: a) Análise Ambiental e Estudos Integrados da Natureza; e b) Dinâmica Territorial: campo e cidade. 

Documentário ‘Cordilheiras no mar’ devolve a voz a Glauber Rocha, POR LUCIANO TRIGO

Glauber Rocha












Mais de 30 anos após sua morte, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, o cineasta Glauber Rocha continua sendo uma figura difícil de digerir. Seus filmes, como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”, continuam sendo exaltados como obras-primas do Cinema Novo, naturalmente, mas ainda pesa um silêncio ensurdecedor sobre a difícil relação de Glauber com as esquerdas, relação que azedou de vez após os elogios feitos aos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, nos anos 70. Seguiu-se um verdadeiro assassinato cultural, sobre o qual pouco se fala até hoje. Não deixa de ser um paradoxo e uma ironia que o cinema de Glauber, tão transgressor em sua época, hoje pareça inofensivo, confinado que está aos debates acadêmicos, ao passo que seu ativismo político, marcado pela independência, continua a incomodar.
No documentário "Cordilheiras no mar: a fúria do fogo bárbaro", que integra a programação do Festival do Rio, o jornalista Geneton Moraes Neto coloca o dedo na ferida. Em tom de reportagem, o filme fala pouco ou nada sobre cinema: o diretor não está preocupado em discutir a estética ou com a cosmética da fome (debate geralmente tão árido quanto pretensioso), mas sim em dar novamente voz a um Glauber Rocha que foi silenciado e abandonado, quando não perseguido por antigos companheiros de jornada.
Documentário “Cordilheiras no mar”, do Geneton, sobre Glauber Rocha
Geneton se encontrou com Glauber no inverno de 1981, quando estudava cinema em Paris. Foi durante um debate após a exibição de "A idade da Terra", o último longa-metragem de Glauber, para críticos franceses. Embora já estivesse doente, Glauber mantinha o tom exaltado e incendiário característico de suas falas em público. Geneton planejava escrever uma tese sobre a possibilidade de um cinema desenvolvido em um país subdesenvolvido – tese que, infelizmente, nunca foi escrita. Mas, com sua vocação de jornalista, ele aproveitou seu tempo na França para gravar depoimentos de personagens importantes do cinema francês, como os críticos Serge Daney, da revista "Cahiers du Cinéma", e Louis Marcorelles, do "Le Monde"; o cineasta Jean Rouch; e o historiador Marc Ferro – já pensando em um documentário sobre Glauber.

De Paris, Glauber Rocha partiu para Portugal, onde sua saúde se agravou nos meses seguintes, até seu retorno ao – e sua morte precoce no – Brasil. Por sua vez Geneton, também de volta ao país, gravou novas entrevistas, entre outras com Miguel Arraes, governador deposto pela ditadura em 1964, e Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, que falaram sobre seus encontros com Glauber no exílio. Todas essas imagens foram parar na gaveta, onde ficaram até 2014, quando Geneton decidiu tirar uma folga do jornalismo e retomou o “projeto Glauber”.
Produzido com baixíssimo orçamento e com apoio do Canal Brasil. “Cordilheiras no mar” inclui 16 novos depoimentos – incluindo os de Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Nelson Pereira dos Santos, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura e o do ex-ministro João Paulo dos Reis Veloso (curiosamente, o responsável pelas falas mais incisivas do filme: ele praticamente acusa a esquerda de ter matado Glauber). Além desses registros, em alguns dos quais se percebe um desconfortável tom de mea culpa, pontuam a narrativa do documentário sequências com leituras de textos e declarações de Glauber, gravadas nos jardins do Parque Lage e no Palácio do catete – com o ator Cláudio Jaborandy, mas também com Paulo César Pereio, Ana Maria Magalhães e Aderbal Freire Filho. Chama a atenção que os depoimentos gravados há três décadas não ficaram datados, sinal de que o debate sobre Glauber pouco evoluiu.
Mais que isso, concluído e exibido em 2015, “Cordilheiras no Mar” ganha novos significados: o documentário pode e deve ser visto hoje como um filme sobre a intolerância e sobre o mal que o dogmatismo político pode fazer a uma nação. Glauber foi massacrado pela esquerda quando declarou seu apoio ao projeto de abertura anunciado por Geisel, ou seja, foi crucificado por apostar na saída possível para o impasse que se vivia no país. A ditadura acabou faz tempo, mas certos comportamentos continuam bem vivos. Hoje, quando o Brasil atravessa uma nova e sombria crise política, a patrulha ideológica se tornou governista, mas a situação não é muito diferente em termos de estreiteza moral e mediocridade de raciocínio.

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15), POR VASCONCELOS ARRUDA

Posted: 11 Oct 2015 10:13 AM PDT
Eu me apresento a vocês sem ter nada especial a oferecer. Não tenho a pretensão de ser um grande pregador ou mesmo intelectual profundo. Decerto não tenho nenhuma pretensão à infalibilidade – ela está reservada às alturas do Divino, não às profundezas do humano. A cada momento, tenho consciência de minha finitude, sabendo com clareza que nunca fui banhado na luz da onisciência nem batizado nas águas da onipotência. Apresento-me a vocês unicamente com a afirmação de ser um servo de Cristo e com o sentimento de depender de sua graça para minha liderança. Venho com o sentimento de ter sido convidado para pregar e liderar o povo de Deus. Senti-me como Jeremias: “A palavra de Deus é em meu coração como fogo ardente encerrado nos meus ossos.” Tal como Amós, percebi que, quando Deus fala, quem pode deixar de profetizar? Senti com Jesus que o Espírito do Senhor está em mim, pois ele me designou a pregar o evangelho para os pobres, curar os desolados, pregar a soltura dos cativos e libertar os oprimidos.
Martin Luther King
[King, Martin Luther. A autobiografia de Martin Luther King. Organização Clayborne  Carson; tradução Carlos Alberto Medeiros. – 1ª ed. – Rio de Janeiro: Zahar, 2014,
 p. 64.]
A grande pergunta que tenho feito a mim mesmo ao longo dos últimos anos é, creio, a pergunta mais importante que deve fazer quem queira levar a sério o projeto de se tornar um discípulo de Cristo: Quem é este Cristo a quem pretendo seguir? A segunda indagação vem depois: Agora que me tornei seu discípulo, o que ele quer de mim?
Não tendo ainda obtido uma resposta que me satisfaça, tanto a uma quanto à outra indagação, sigo buscando pistas que me esclareçam e iluminem. Não me é possível pensar no seguimento de Cristo sem considerar a radicalidade desse projeto. Quando penso nas possíveis implicações da adesão a Cristo, muitos nomes me veem à mente. Refiro-me a pessoas que disseram integralmente sim ao convite de se tornarem discípulos e, portanto, testemunhas de Cristo.
Duas dessas pessoas, coincidentemente, foram pastores de igrejas protestantes: o alemão Dietrich Bonhoeffer e o norte-americano Martin Luther King. A vida desses dois homens me provocou sempre uma profunda e indelével impressão.  Sua fidelidade no seguimento da mensagem de Cristo, em pleno século XX, século este que testemunhou uma laicização da vida sem precedentes, é tão admirável quanto surpreendente.
A propósito, enquanto lia esta manhã o primeiro sermão proferido por Martin Luther King (1929-1968) como pastor da Igreja Batista da Avenida Dexter, em Montgomery, Alabama,  num domingo, 2 de maio de 1954, fechei o livro e fiquei um tempão de mão no queixo, pensando. Quando fez o sermão – cujo trecho cito no início desse artigo, à guisa de epígrafe -,  o jovem pastor norte-americano tinha apenas vinte e cinco anos. Apesar de tão jovem, quanta determinação e convicção transmitem suas palavras. Ali estão palavras de um homem que tem a mais absoluta convicção de quem é o seu Mestre e o que ele quer de si.
No capítulo de sua Autobiografia no qual o sermão é citado, pode-se vislumbrar o desafio que significou para ele assumir a missão para a qual se sentira chamado. Foram dias e dias pensando, refletindo e conversando muito com sua esposa, antes de, enfim, decidir-se a aceitar o convite. Uma vez tomada a decisão, porém, ele não titubeou, entrando de cara, assumindo integralmente, com muita responsabilidade e espírito de envolvimento e doação o projeto para o qual se sentira chamado por Deus.
O mais importante ele tinha: a certeza de que seu Mestre era Jesus Cristo e de que entregar-se totalmente ao seu seguimento era a grande missão a que fora chamado na vida.
Mas quantos de n

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sesc recebe o Grupo Ilumiara no Sonora Brasil

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O Sesc Ceará recebe, de 7 a 13 de outubro, a 3ª etapa do projeto Sonora Brasil 2015/2016, que este ano traz como tema “Sonoros Ofícios - Cantos de Trabalho”. As apresentações acontecem em Fortaleza (7), Sobral (8), Iguatu (10), Crato (11) e Juazeiro do Norte (13). A entrada é gratuita.

Formado por Alexandre Gloor, Carlinhos Ferreira, Leandro César, Letícia Bertelli e Marcela Bertelli, O grupo Ilumiara apresenta um repertório costurado por cantos de trabalho pinçados da tradição brasileira, como vissungos, cantigas de ninar e cantos de lavadeiras desenhados por acordes elaborados a partir de uma visão estética contemporânea impressa pelo grupo.

PROGRAMAÇÃO
Sobral
Local: Teatro São João
Endereço: Praça São João, s/n, Centro
Data: 8/10
Horário: 20h
Telefone para informações: (88) 3611.0954

CONCURSO DE MENTIRAS, por ROBERTO DAMATTA

Um concurso foi organizado para descobrir o maior mentiroso do mundo. Como todos mentimos, a questão era a de patentear as diferenças flagrantes, não as filigranas que nos fazem falsos e traidores.
Como atração, os participantes teriam duas semanas em hotel de luxo, além da melhor comida, bebida e companhia. Os mentirosos inscritos combinaram de mentir mentindo para que o mais mentiroso somente surgisse como vencedor no último dia e hora do conclave.
Os organizadores sabiam que a mentira era uma moeda corrente. Sabiam igualmente que havia países onde a verdade se contrapunha cabalmente à mentira, mas conheciam outros onde mentira e verdade eram o tijolo da vida pública e praticadas por profissionais, pois, se a verdade fosse a norma, o conjunto entraria numa grave crise.
Ninguém ignorava que a mentira e a verdade nem sempre correspondiam ao falso e verdadeiro porque uma mentira bem contada virava verdade e lei; e grandes e extravagantes mentiras tais como “eu não tenho preconceito”, “jamais roubei”, “tudo foi feito dentro da lei”, “eu não sabia” podiam, com o tempo, virar verdades.
Antes dos geniais publicitários, eles bem sabiam que uma mentira tornava-se verdade quando repetida e que uma verdade podia virar mentira caso fosse associada a uma sistemática ausência de sinceridade – esse tremendo confronto de fatos que assola quem busca ser verdadeiro.
Sabia-se que a luta entre verdade e mentira era fundacional do universo humano. A mentira do Oeste podia ser a verdade do Leste e a lorota do Sul, artigo de fé no Norte. “Como saber quem somos, se não acreditarmos em mentiras”, reiteravam sérios os onze membros do Supremo Conselho Transcendental da Mentira? Quando se proferia “eu minto!”, falava-se uma verdade ou uma mentira? Antes de existir sociedade, argumentavam, já existia a mentira que não era uma questão de história ou cultura, mas de ontologia.
O concurso tinha o alto patrocínio de um banco local que se concebia mentirosamente como pobre para justificar a verdade da roubalheira dos seus diretores ricos e mentirosos. O mito do país pobre escondia a burla dos programas feitos para os pobres. Mas isso, riam entre si, seria uma enorme mentira verdadeira ou uma extraordinária verdade mentirosa?
Para o concurso, foram congregados 100 mentirosos qualificados por meio de documentos falsos. Como estamos cansados de saber, a mentira tem requisitos, vestimentas, caras, rituais e gestos adequados.
Os competidores eram craques. Jamais hesitavam nas patranhas e pouco gesticulavam ou ficavam descontrolados, pois sabiam que a sinceridade e a fala nervosa e tremulante são mais amigas dos pobres do que dos bem postos e estes, por ofício e destino, eram obrigados a mentir naquela terra de mentira. E onde se mentia para todos e muito mais para si mesmo, pois a automentira que levava à riqueza, à fama e ao poder, era parte permanente dos seus sonhos e projetos.
Que venha o primeiro mentiroso!”, ordenou o presidente da comissão, de dentro do seu terno impecável de falsa casimira inglesa. Os cem mentirosos se entreolharam confirmando o combinado de mentir, mentindo para prolongar o gozo das benesses prometidas. Não deveria ocorrer uma mentira traiçoeira, pois mentindo, todos ganhavam.
Após as palavras solenes da abertura, um velho mentiroso caminhou até a tribuna. Olhou em volta, deu um trago no seu mata-rato e soltou em alto e bom som a sua mentira: “Eu nunca me masturbei!”
Um enorme urro de decepção saiu do peito dos mentirosos. Estava acabada a farra programada. Adeus às libações e bródios em companhias agradáveis que todos esperavam. Traição, pensaram alguns. Mentira, gritaram os mentirosos. Anulem a fala, queria um outro grupo. A mentira inaugural acabara com o concurso antes mesmo do seu começo.
Mas, quando os juízes se preparavam para conceder o primeiro lugar ao mentiroso indiscutivelmente verdadeiro, eis que se escuta um berro do outro lado da assembleia: “Eu jamais tive contas bancárias no exterior!”, disse um senhor mentiroso, tentado pela verdade que media suas palavras.
P.S.: Como tudo isso é uma mentira da mentira, deixo para os queridos leitores e leitoras, bem como para todos os que ficam entre eles, a decisão final. Pois os especialistas em mentira não sabiam de verdade quem era o vencedor desse concurso.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

PROCURAM-SE LÍDERES, por Thomaz Wood Jr

The Leadership Quarterly é a mais notável entre várias revistas científicas dedicadas ao tema da liderança. Publica seis edições por ano, com dez artigos ou mais artigos em cada edição. Cada artigo científico tem em média 8 mil palavras, portanto, são quase 500 mil palavras por ano. E a revista está em seu 26º ano de publicação! 
Os temas tratados pelo periódico são variados e frequentemente exóticos:modelos asiáticos de liderança, emoções dos líderes, aspectos cognitivos da liderança, integridade dos líderes, biologia da liderança e muito mais. Tanta reflexão talvez ajude a entender o fenômeno. No entanto, parece ainda longe de ajudar a produzir melhores líderes.
Os manuais de gestão costumam definir liderança como a capacidade ou habilidade de exercer influência socialpara levar um grupo, organização ou comunidade a realizar algumas tarefas ou atingir determinadas metas. 
Na ciência administrativa, os esforços para entender o fenômeno da liderança vêm de longe. Os primeiros estudos focavam os traços pessoais de grandes líderes, tais como visão estratégica, autonomia, energia, criatividade, autoconfiança e sociabilidade. Estudos posteriores avançaram no sentido de compreender a influência do ambiente. Líderes bem-sucedidos em determinados contextos podem colher fracassos desconcertantes em outros. 
A partir dos anos 1990, ganharam popularidade os estudos sobre o carisma dos líderes, a sua suposta capacidade de inspirar os liderados a atingir níveis mais altos de desempenho. Tomaram também a ribalta os estudos sobre o chamado líder transformacional, aquele capaz de conduzir processos amplos e desafiadores de mudança nas organizações.
As décadas seguintes foram menos pirotécnicas e mais reflexivas. Fraudes e falências levaram alguns heróis da glória para o desterro ou o cárcere. O picadeiro, outrora ocupado por grandes ilusionistas, foi tomado por marionetes, figuras de pequena estatura e falastrões de escasso repertório. As ilusões acerca dos grandes líderes deram lugar a uma quieta desilusão, temperada por doses consideráveis de cinismo e conformismo. Ali e acolá surgiram estudos críticos, a analisar o colapso da liderança.
Em um influente artigo publicado há quase 40 anos no Journal of Applied Behavioral Science, Linda Smircich e Gareth Morgan propuseram uma definição alternativa para o fenômeno da liderança, como o processo pelo qual um ou mais indivíduos interpretam e definem a realidade para os demais. Assim, certos indivíduos emergem como líderes por conseguirem interpretar o contexto e explicá-lo de uma forma original e convincente, viabilizadora de determinados cursos de ação. Eles articulam o que estava implícito, não dito ou pouco compreendido, usam imagens e narrativas, alteram o foco de atenção e levam os demais a compartilhar a sua visão, reconhecendo-os como dignos timoneiros.
Em contextos estruturados e institucionalizados, a exemplo de grandes empresas, os direitos de definição da realidade são reconhecidos e formalizados. Líderes ancoram-se em papéis, processos e práticas. No entanto, se falharem repetidamente em sua missão de interpretar e definir a realidade, podem perder legitimidade e levar o processo de liderança ao colapso. 
Quando o poder de definir a realidade é perdido, grupos de liderados permanecem operando sem direção. Frequentemente, emerge uma disputa entre aspirantes a líderes. Tais situações podem perdurar, gerando o caos.
Em nosso mundo hipersimbólico, povoado por falastrões esbaforidos e mídias histriônicas, o grito e a pirotecnia levam nítida vantagem sobre a razão e a sensibilidade. As lutas deixam de ser travadas no mundo da substância e dos fatos e avançam pelo etéreo universo dos discursos desencarnados e dos símbolos de incertos significados. 
Em tais contextos, líderes decadentes operam titubeantes, em meio a uma densa neblina, a manipular fiapos de sentido e doses primitivas de emoção, cercados por aspirantes belicosos e liderados atônitos. A trupe segue destino incerto, amiúde em alta velocidade. Em tais situações, podem vir a vencer os operadores do mínimo múltiplo comum, aliás, mestres da divisão mais do que da multiplicação.
(Carta Capital )

Faculdade Luciano Feijão oferece atendimento psicológico gratuito


O Centro de Psicologia Aplicada da Faculdade Luciano Feijão comunica que está com vagas para atendimento psicológico gratuito à crianças, adolescentes, adultos e idosos, que encontram-se em sofrimento psicológico.

O CPA- FLF é uma instância formativa complementar do Curso de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão – FLF, e que funciona como uma instância gerenciadora dos estágios profissionalizantes e treinamento profissional aos alunos de graduação, aperfeiçoamento em psicologia, assim como órgão de prestação de serviços à comunidade.

O CPA-FLF é composto por alunos e professores do curso de psicologia, funciona sob a coordenação da psicóloga e professora Rita de Cássia Ponte Prado e sob a supervisão técnica dos psicólogos professors; Eudes Duarte Filho e Alex Viana de Brito.

No ano de 2015, com apenas 6 meses de funcionamento, o serviço recebeu 250 pacientes para atendimento, sendo estes advindos por demanda espontânea, bem como por encaminhamentos. Das demandas atendidas pelo serviço foram identificados quadros de autismo, transtornos de ansiedade, depressão, abuso sexual, transtornos alimentares, dislexia, estresse relacionado ao trabalho, conflitos conjugais, luto , esquizofrenia, dentre outros.

O serviço funciona de segunda à sexta–feira, das 13h às 22h, no Boulevard do Arco, vizinho ao Sebrae. Maiores informações: (88) 3611. 2799.

Fonte: Sobral em Revista 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Qual destino para o Brasil: recolonização ou projeto próprio?

Há uma indagação que se realiza no Brasil mas também no exterior que se expressa por esta pergunta: qual o destino da sétima economia mundial e qual o futuro de sua incomensurável riqueza de bens naturais?
Analistas dos cenários mundiais do talante de Noam Chomsky ou de Jacques Attali nos advertem: a potência imperial  norte-americana segue esse moto,  elaborado nos salões dos estrategistas do Pentágono:”um só mundo e um só império”. Não se toleram países, em qualquer parte do planeta, que possam pôr em xeque seus interesses globais e sua hegemonia universal. Curiosamente, o Papa Francisco em sua encíclicla “sobre o cuidado da Casa Comum”, como que revidando o Pentágono propõe:”um só mundo e um só projeto coletivo”.
No Brasil esse debate se dá principalmente no campo da macroeconomia: o Brasil se alinhará às estratégias político-sociais-econômico-ideológicas impostas pelo Império e com isso terá vantagens significativas em todos os campos, mas aceitando ser sócio menor e agregado (opção dos neoliberais  e dos conservadores) ou o Brasil procurará um caminho próprio, consciente de suas vantagens ecológicas, do peso de seu mercado interno com uma população de mais de duzentos milhões de pessoas e da criatividade de seu povo. Aprende a resistir às pressões que vêm de cima, a lidar inteligentemente  com as tensões, a praticar uma política do ganha-ganha (o que supõe fazer concessões) e assim manter o caminho aberto para um projeto nacional próprio que contará para o devenir da nossa e da futura civilização (opção das esquerdas e dos movimentos sociais).
Isso deve ficar claro: há um propósito dos países centrais que dispõem de várias formas de poder, especialmente, a militar (podem matar a todos) de recolonizar toda a América Latina para ser um reserva de bens e serviços naturais (água potável, milhões de hectares férteis, grãos de todo tipo, imensa biodiversidade, grandes florestas úmidas, reservas minerais incomensuráveis etc). Ela deve servir principalmente os países ricos, já que em seus territórios quase se esgotaram tais “bondades da natureza” como dizem os povos originários. E vão precisar delas para manterem seu nível de vida.
Estimamos que dentro de um futuro não muito distante, a economia mundial será de base ecológica. Finalmente não nos alimentamos de computadores e de máquimas, mas de água, de grãos e de tudo o que a vida humana e a comunidade de vida demandam. Daí a importância de manter a América Latina, especialmente, o Brasil no estágio o mais natural possível, não favorecendo a industrializção nem algum valor agregado a suas commodities.
Seu lugar deve ser aquele que foi pensado desde o início da colonização: uma grande empresa colonial que sustenta o projeto dos povos opulentos do Norte para continurem sua dominação que vem desde o século XVI quando se iniciaram as grandes navegações de conquista de territórios pelo mundo afora. Analiticamente, esse processo foi denunciado por Caio Prado Jr, por Darcy Ribeiro e, ultimamente, com grande força teórica, por Luiz Gonzaga de Souza Lima com seu livro ainda não devidamente acolhido A refundação do Brasil: rumo à sociedade biocentrada (RiMa, São Bernardo 2011).
Em razão desta estratégia global, as políticas ambientais dominantes reduzem o sentido da biodiversidade e da natureza a um valor econômico. A tão propalada “economia verdade” serve a este propósito econômico e menos à preservação e ao resgate de áreas devastadas. Mesmo quando isso ocorre, se destina à macroeconomia  de acumulação e não à busca de um outro tipo de relação para com a natureza.
O que cabe constatar é o fato de que o Brasil não está só. As experiências recentes dos movimentos populares socioambientais se recusam a assumir simplesmente a dominação da razão econômica, instrumental e utilitarista que tudo uniformiza. Por todas as partes estão irrompendo outras modalidades de habitar a Casa Comum a partir de identidades culturais diferentes. Os conhecimentos tradicionais, oprimidos e marginalizados pelo pensamento único técnico-científico, estão ganhando força na medida em que mostram que podemos nos relacionar com a natureza e cuidar da Mãe Terra de uma forma mais benevolente e cuidadosa. Exemplo disso é o “bien vivier y convivir” dos andinos, paradigma de um modo de produção de vida em harmonia com o Todo, com os seres humanos entre si e com a natureza circundante.
Aqui funciona a racionalidade cordial e sensível que enriquece e, ao mesmo tempo, impõe limites à voracidade da fria razão instrumental-analítica que, deixada em seu livre curso, pode pôr em risco nosso projeto civilizatório.  Trata-se de uma nova compreensão do mundo e da missão do ser humano dentro dele, como seu guardador e cuidador. Oxalá este seja o caminho a ser trilhado pela humanidade e pelo Brasil. 
* Leonardo Boff é colunista do JB on line, filósofo e escritor

Reforma pode influenciar condução da política econômica, por Beth Calado



A mudança no centro de decisão do governo, a partir da substituição de Aloizio Mercadante por Jaques Wagner, no Gabinete Civil, poderá ter reflexos na condução da política econômica. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deverá contar com um ambiente menos refratário às suas propostas no Palácio do Planalto, onde foi derrotado em seguidos embates com Mercadante e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. 

Mesmo deslocado para o Ministério da Educação, e fisicamente distante da presidente Dilma Rousseff, não se espera que o atual chefe do Gabinete Civil deixe de influenciá-la ou de se fazer presente em discussões que fogem à sua esfera de comando. Mas não terá condições de manter a mesma assiduidade nos contatos com a presidente, como lhe permitia o exercício da função dentro do Planalto. 

Estará também formalmente afastado de fóruns de decisão como a Junta Orçamentária, que reúne o chefe da Casa Civil e os ministros do Planejamento e da Fazenda. Foi na instância da Junta Orçamentária, por exemplo, que prevaleceu a tese de encaminhar ao Congresso uma proposta deficitária em 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para o Orçamento da União do próximo ano – o estopim para o rebaixamento da nota soberana do país pela agência Standard & Poor’s. 

Como economista de convicções solidamente estabelecidas no campo do desenvolvimentismo, Mercadante pode ser considerado um antagonista natural das ideias de Levy, identificado com as teorias econômicas ortodoxas. Nesse contexto, o papel de fiel da balança que se poderia esperar de Nelson Barbosa acabou por não se confirmar. Também próximo às teses desenvolvimentistas, o ministro do Planejamento compôs uma dupla afinada com o Mercadante em detrimento das posições de Levy.  

A entrada em cena de Jaques Wagner no núcleo mais próximo à presidente deve melhorar o ambiente de tomada de decisões, que tem sido marcado por desconfianças e disputas entre as diversas correntes, dentro e fora do Partido dos Trabalhadores (PT), abrigadas na Presidência da República. Embora se alinhe às posições tradicionais à esquerda, Wagner tem manifestado a percepção de que será preciso enfrentar a dose do remédio amargo do ajuste para que o país possa retomar o crescimento econômico. Se confirmada na prática, trata-se de uma posição mais amistosa em relação à estratégia defendida pelo ministro da Fazenda. 

De qualquer maneira, a possibilidade de que Levy ganhe espaços de poder na condução da política econômica do governo continuará a depender da palavra final da presidente Dilma Rousseff. Os que conhecem de perto as suas inclinações na área econômica atestam que não há suficiente convicção sobre a conveniência do ajuste fiscal que está em pauta desde o início do seu segundo mandato. É isso que dificulta a mensagem do governo à sociedade e faz com que a presidente oscile entre a ortodoxia representada por Levy e o desenvolvimentismo encarnado por Mercadante e Barbosa.