terça-feira, 30 de setembro de 2014

MARINA E A SÍNDROME DE ESTOCOLMO, Por Marcos Coimbra

“Agredida sem perdão pelo PT, Marina não consegue atacar os antigos companheiros”
Marina sofre a maior ofensiva de desconstrução de imagem de que se tem notícia na história recente da política do Brasil. A pancadaria é incessante. Se o leitor acha que ela já apanhou o suficiente, não viu nada. Esta semana ela vai sofrer os ataques mais contundentes e pesados. João Santana entendeu como e onde bater e fará de tudo para Dilma levar esta eleição no primeiro turno.
Do outro lado, Marina ainda não soube reagir. Diante dos primeiros ataques, ofereceu a outra face. Chorou diante de uma repórter da Folha. Depois, como vítima, talvez de uma espécie de síndrome de Estocolmo, ou algo equivalente, isentou Lula e culpou o PT pelos ataques que vem recebendo. O fato é que Marina, até este momento, colhe os votos da oposição, mas não consegue bater nos velhos companheiros. A ausência de capacidade de reação diante de seus antigos pares, hoje adversários hostis, pode levar a candidata do PSB a perder uma eleição que estava em suas mãos.
A campanha contra Marina não é somente negativa. É mentirosa e deturpa a realidade. Entretanto, apesar de não faltar munição real para reação, até o momento nada foi usado. Aécio abriu a caixa de ferramentas, em um primeiro momento contra Marina, até perceber que estava ajudando Dilma a vencer no primeiro turno. A partir daí passou a desferir alguns golpes leves na candidata do PT. O PSB permanece em silêncio e de acordo com sua candidata adotou a tática da não-agressão. Um erro, na minha avaliação. O fato é que ninguém se dispôs a fazer com Dilma o que ela vem fazendo com Marina. Logo, a Presidente lidera sozinha e com folga.
"Escrevi aqui que Marina Silva seria eleita se não cometesse erros. Entretanto, vem cometendo impiedosamente, quando não se defende, tampouco reage. Tudo indica que os ataques que vem sofrendo abalaram muito a candidata. Seu desempenho nos debates tem sido fracos, sua voz vem falhando e vemos um ar de abatimento diante da pancadaria incessante. João Santana explora qualquer deslize mínimo, enquanto ela silencia sobre tudo que poderia explorar contra Dilma. Resultado: suas intenção de voto vem minguando e chegaram em seu piso. Passando disso é desidratação séria (já apontada, neste momento, pelos trackings).
O PT aposta em vitória no primeiro turno, por isso baterá muito em Marina ainda. Mas todo cuidado é pouco. Os petistas preferem enfrentar Marina do que Aécio em um eventual segundo turno, portanto, seria preciso encontrar a dosagem certa para que ela desidrate na medida para chegar fraca e deixar o tucano de fora da disputa.
A estratégia faz sentido. Para Marina vencer o segundo turno, é preciso de uma onda, que vem perdendo força. Do lado dos tucanos, há estrutura partidária, prefeitos, governadores eleitos, disputas de segundo turno, tudo que pode fazer Aécio ganhar fôlego, além, é claro, do fato de ter desbancado Marina, o que já será considerado uma vitória para mobilizar a militância. Mas também é bom lembrar: os votos de Marina se dividem entre Aécio e Dilma. Os de Aécio desaguam quase que integralmente em Marina.
O fato é que as pesquisas, apesar de não colidirem nos números, mostram o mesmo movimento: subida de Dilma, desidratação de Marina e leve subida de Aécio. Tudo será decidido no Sudeste. Tudo será decidido esta semana. Minha aposta é que haverá segundo turno. A tendência ainda é ser com Marina, mas se as pesquisas desta semana mostrarem alguma reação de Aécio e ambos entrarem na margem de erro (como mostram os trackings), viveremos dias de muita especulação. Tudo isso porque Marina decidiu errar. Marina decidiu dar a outra face, que João Santana aceitou acertar com prazer."

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