quinta-feira, 2 de julho de 2015

O DILEMA DE DILMA, POR Yvonne Maggie

Dilma Rousseff anda se superando. No dia 23 de junho, na cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Brasília, disse: "Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação e aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil".
Como assim?  Ela estava usando uma metáfora? A mandioca tem outro significado? E todas as conquistas apregoadas pelo Partido dos Trabalhadores de nada valem em comparação com a mandioca? E a civilização dos povos indígenas se resume à mandioca? 

Mas não parou por aí. Sob os olhares perplexos da plateia, continuou: "Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui (referia-se à bola feita com folhas de bananeira usada nos jogos). O importante não é ganhar e sim celebrar. Isso que é a capacidade humana, lúdica, de ter uma atividade cujo o fim é ela mesmo, a própria atividade. Esporte tem essa condição, essa benção, ele é um fim em si. E é essa atividade que caracteriza primeiro as crianças, a atividade lúdica de brincar. Então, para mim, essa bola é o símbolo da nossa evolução, quando nós criamos uma bola dessas nos transformamos em Homo sapiens ou mulheres sapiens".

Desgovernou-se nisso de mulheres sapiens? Ou estava fazendo uma blague? Afinal ser politicamente correta até esse ponto é demais! Certamente nossa presidente sabe o que significa Homo sapiens, espécie de hominídeo à qual pertence o homem moderno, que surgiu entre 200 mil e 150 mil anos atrás, na África, e se espalhou pelo mundo, ou não sabe?

Finalmente, em plena terra do Tio Sam saiu-se com outra pérola ainda mais séria: “Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora”, disse em resposta à pergunta dos jornalistas sobre a delação premiada de Ricardo Pessoa da empreiteira UCT, que doou 7 milhões de reais para sua campanha. 

Tentando consertar, piorou arrematando: “E há um personagem que a gente não gosta, porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. E ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator”. Estava se referindo ao suposto delator da Inconfidência Mineira em uma versão canhestra de nossa história.

A presidente comparou o dono da empreiteira acusado de participar de uma máfia ou cartel para roubar o dinheiro do povo com Joaquim Silvério dos Reis que denunciou um movimento libertário que lutava pela independência do Brasil e justamente contra a opressão e os impostos abusivos da metrópole. Pois eu acho que ela acredita mesmo nessa sua proposição. Os que estão denunciando os roubos, as propinas e os “mal feitos” são na verdade traidores do povo. Ela não mentiu e fala a verdade porque acredita que está lutando contra a opressão como na década de 1970 lutou contra a ditadura.

A presidente acha que os roubos de seu partido se justificam porque, ao fim e ao cabo, são meios para libertar o povo. Acredita que os fins justificam os meios. Acredita que os denunciados roubaram para salvar o povo da opressão.

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