Pular para o conteúdo principal

Cada candidato a Presidente precisa responder, POR DELFIM NETO

Terminou o primeiro turno da campanha presidencial onde nada se esclareceu. Chegou a hora de a onça beber água. Combinemos inicialmente: 1. Que a economia brasileira está em situação desagradável, mas não à beira do apocalipse. 2.Que sua recuperação exige ajustes importantes, mas não catastróficos. 3. Que mais de 70% dos cidadãos clamam por “mudanças”, mas temem qualquer retrocesso aos bem-sucedidos programas de integração social (aumento da renda real e da disponibilidade de crédito), da redução da pobreza (Bolsa Família com condicionalidade) e da ênfase ao continuado aumento da “igualdade de oportunidades” (ampliação do acesso à saúde e à educação, ambos precários, mas com avanços significativos). 4. Que parte da deterioração da economia deve-se à mudança do ambiente externo não percebido a tempo e que exigia uma melhor harmonia entre a política econômica e a social. 5. Que a disponibilidade de recursos diminuiu a partir de 2010, quando terminou o “vento de cauda”, a melhora das relações de troca. 6. Que parte significativa da deterioração fiscal é devida à dramática redução da taxa de crescimento do PIB interpretada equivocadamente como “falta de demanda” interna. 7. Que a murcha do PIB foi, basicamente, devida à redução da produção de manufaturados, cuja demanda foi desviada para as importações. Finalmente, mas sem extinguir a lista: 8. É evidente que, mesmo protegidos por uma reserva de 380 bilhões de dólares, não podemos continuar a ter déficits em conta corrente de 80 bilhões de dólares, principalmente agora que as exportações agropecuárias vão crescer menos, devido à provável valorização do dólar.
Vamos precisar aumentar as exportações de manufaturados em condições muito adversas: a) Boa parte dos exportadores perdeu seus clientes e se transformaram em eficientes importadores. b) Estamos tecnologicamente atrasados por falta de investimentos. c) Perdemos o passo na integração das cadeias produtivas. d) As exportações de manufaturados produzidos por empresas estrangeiras dependem das decisões políticas das matrizes e teremos de negociar com elas um “bônus de porta-luvas”. e) Há sérias desconfianças sobre os créditos tributários nas exportações. f) A situação da economia é de recuperação lenta nos nossos clientes industriais (EUA e Eurolândia), o que atrasa o eventual “efeito câmbio”. g) É preciso convencer os exportadores de que, daqui para a frente, a sobrevalorização cambial não será usada como substituta das políticas monetária, fiscal e salarial no combate à inflação.
Combinado isso, o que se espera dos dois competidores? Que esqueçam o protagonismo teatral e deseducador que os “marqueteiros” lhes impuseram no primeiro turno e apresentem claramente, sem ataques diversionistas, como vão enfrentar o problema da volta ao crescimento do PIB nas condições iniciais de que dispomos:
A. Uma estrutura demográfica que vai limitar a oferta de mão de obra a, no máximo, 1% ao ano. B. Como desejamos um crescimento do PIB per capita de 3% ao ano, que dobra a renda a cada geração (25 anos), precisamos que a produtividade de cada trabalhador cresça à mesma taxa de 3%. C. A produtividade do trabalhador depende da quantidade da infraestrutura (determinada pelo sucesso das concessões) somada ao estoque de capital privado (determinado por uma recuperação do “espírito animal” do empresariado). D. O aumento do PIB passa pela recuperação da produção industrial, que para aproveitar as economias de escala precisa complementar a demanda interna de 200 milhões de habitantes com uma exportação competitiva que absorva parte dos custos fixos.
Cada candidato precisa responder, nas cinco horas que dispõe na televisão, a três perguntas elementares:
1. Como vai aumentar a poupança pública, sem a qual todo o resto é mais difícil e instável?
2. Como espera atrair o setor privado para aumentar o investimento em infraestrutura e produzir um ambiente econômico propício a que ele aumente o seu próprio investimento?
3. Como vai estimular a construção de um mecanismo eficaz para devolver ao setor industrial o seu dinamismo exportador?
O resto é puro “marquetismo” para vender sabonete!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UVA IRÁ ADOTAR O NOVO ENEM NO SEU VESTIBULAR

“A Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) vai agregar o Exame Nacional Ensino Médio (Enem) para a admissão dos alunos em seus diversos cursos. A informação foi dada ontem pelo reitor da instituição, Antônio Colaço Martins, que esteve no O POVO e foi recebido pelo diretor institucional do Grupo de Comunicação O POVO, Plínio Bortolotti. Colaço disse que a adesão foi uma das deliberações do 46º Fórum Nacional da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), realizado de segunda-feira até ontem em Ilhéus (BA). Ele falou ainda da decisão do Tribunal Regional Federal – 5a. Região, com sede no Recife, que julgou o mérito dos processos que questionavam a oferta de cursos de formação de professores mantido pela UVA fora do Ceará. A decisão judicial foi favorável à Universidade, que pode continuar a exercer as atividades, com cobrança de taxas e mensalidades – o que era questionado. Atualmente, a UVA mantém o programa nos estados de Pernambuco, Paraíba,...

O ócio das formigas, por Luiz Carlos Cabrera

Na cultura ocidental temos, há muitos anos, a formiga como exemplo do trabalhador incansável. O fabulista francês La Fontaine expressou muito bem essa característica na história da  Cigarra e da Formiga , que encantou gerações. Esses insetos sempre foram citados como exemplo de organização e de trabalho estoico. Agora, um estudo da Universidade Tucson, no Arizona (Estados Unidos), destrói o mito e nos sem um modelo metafórico do trabalhador ideal. Os pesquisadores americanos construíram um formigueiro e instalaram câmeras para filmar as atividades delas durante 24 horas e analisar seus comportamentos. Das 225 formigas observadas, 34 eram babás, 26 faziam trabalhos externos, 62 eram generalistas e 103 não faziam absolutamente nada – só andavam de um lado para o outro. Ou seja, 46% das formigas não trabalhavam! Os cientistas não conseguiram uma justificativa para o ócio. Uma hipótese, para tentar salvar a imagem do admirado inseto, era que essa parte da população fosse um exército de...

Felicidade é sentir-se pleno

Não permita que a irritação e o mau humor do outro contaminem sua vida. Não permita que a mágoa alimentada e as reações de orgulho do outro definam a sua forma de reação.  Se alimente de um amor pleno a tal ponto que não seja contaminado por aquilo que lhe é externo. Não gere expectativas que a sua felicidade dependerá de alguém ou de alguma coisa, ou de alguma conquista. Não  transfira ao outro ou a uma circunstância aquilo que é sua tarefa. A felicidade é  um estado interior que se alcança quando se descobre a plenitude com aquilo que nos relaciona com o "todo", com o universo, com Deus. A felicidade está na descoberta da sua missão, do fazer humano em benefício do próximo, da tarefa inarredável de tornarmos este mundo melhor com a nossa presença. Ser feliz é uma atitude, uma ação, um movimento para o bem. É encher-se de  amor pela aventura da vida, é construir esperança no meio do caos, é sempre ter um sorriso aberto para o que destino nos apresenta. Felicidade é ...