segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DEUS NÃO AGE ONDE O HOMEM DEVE AGIR

Sempre tenho dito aqui que somos responsáveis pelas nossas escolhas. Naturalmente nossas escolhas têm consequências. Se plantares pés de laranja não irás colher azeitonas. Esse assunto volta ao blog em face da manifestação de um leitor sobre uma matéria que publiquei neste espaço, no início do ano, intitulada “ Sobre a Tragédia do Rio, a inevitável pergunta: Onde estava Deus?” O comentário do leitor foi bastante agressivo em relação a Deus e, em face do anonimato, resolvi excluí-lo. Fiquei me perguntando por alguns dias a razão da cólera do amigo que formulou aquele comentário: O que o  fez  nutrir uma raiva tão grande  de Deus diante daquele epísodio que dizimou mais de  mil vidas na região serrana do Rio de Janeiro.
Após muito meditar sobre a revolta do leitor, cheguei à conclusão de que as instituições religiosas(igrejas nas suas várias denominações) não cumpriram seu papel de orientar pela verdade. Essa ignorância doutrinário-pedagógica fez com que todas as tragédias e desgraças humanas fossem atribuídas a Deus. Isso é muito comum ao nos depararmos em um velório com as manifestações dos amigos aos parentes do falecido: “Conforme-se,  porque essa foi a vontade de Deus”. Dizer isso para uma mãe que perdeu um filho de nove  anos em um acidente de trânsito é no mínimo absurdo e contraproducente. Vontade de Deus coisa nenhuma!. A morte se deu por uma fatalidade, fruto da irresponsabilidade de um motorista que dirigia embriagado. E por que Deus  não evitou o acidente? Por um simples motivo: Deus não age onde o homem deve agir. Se estamos numa sociedade, constitucionalmente sadia, cabe a nós, pela lei, evitar que motoristas dirijam embriagados. Deus não vai descer de sua instância para interferir nos problemas que dizem respeito aos homens.
Sobre o caso específico do Rio de Janeiro eu já disse em postagens anteriores que o evento trágico contou com a irresponsável ocupação de áreas de risco. Não foi Deus quem conduziu aquelas pessoas para ocuparem espaços não propícios à habitação. Houve, de fato, a ausência de uma política urbana que possibilitasse às vítimas da tragédia um local para morar com segurança e dignidade. E o que me dizer daquele amigo que morreu de um câncer no pulmão por ter fumado a vida inteira. É justo que diante da doença ele rogue a Deus por sua cura quando durante anos a fio amigos e parentes aconselharam a deixar o cigarrro e ele ignorava o apelo daqueles que o amavam. Somos de fato responsáveis pelas nossas escolhas. Deus nos dá a oportunidade de fazer as escolhas certas , todavia temos o livre arbítrio para buscar os caminhos tortuosos.
Volto agora  à questão dos erros que são cometidos pelas autoridades religiosas quando criam um Deus justiceiro e implacável. Aprendemos desde cedo que se pecarmos não iremos para o céu. E o que é pior é que muitos quando são acometidos por uma injustiça ou ingratidão logo dizem que Deus vai dar o troco e que a justiça divina não faltará. Atribuem a Deus a imagem de um justiceiro de filme americano. Mal sabem que o Deus verdadeiro é misericordiso e justo, mas essa justiça não implica retribuir com a mesma moeda a ofensa recebida. São esses pensamentos retrógrados que fazem com que muitas pessoas entendam que a ausência de Deus  diante das tragédias humanas é um sinal claro de sua inexistência. Ampliam dessa forma o rol dos ateístas: “Se Deus não age, por que acreditar Nele?” Essa constatação é infantil, fruto da ignorâcia teológica,  e robustecida por um pensamento religioso incipiente e equivocado. Já disse  no início desse artigo e volto a repetir: Deus não age onde o homem deve agir. Esse foi o preço que Ele pagou por amar tanto a humanidade, a ponto de abdicar de seu poder.
Imagine se a cada situação de tragédia ou de problemas da vida cotidiana houvesse a interferência divina. Talvez por um pensamento simplório e pouco amadurecido concluiríamos que seria muito bom: não haveria acidentes, conflitos, mortes etc. Mas surge uma pergunta: Como seria nossas vidas se em cada atitude houvesse a intervenção de Deus. Não teríamos o que pensar, muito menos a liberdade de agir. Seríamos seres autômotos, sem capacidade de criação,  frios e sem emoção , apenas refém de uma vontade superior. Não foi para isso que a sabedoria divina nos criou.  Por isso é nossa responsabilidade tornar esse espaço terreno, com tantas riquezas, um lugar habitável e fraterno.  Essa  missão é do homem e não cabe a Deus intervir.

4 comentários:

  1. Amigo-irmão Carlinhos, estando eu a meditar : Será mesmo que existe esse Plano, esse Projeto de Deus... ? O Sonho Lindo de Deus... ? A Obra-Prima de Deus : O Homem ...? Mostra-me o Teu Rosto... ! A síntese de tudo isso estava expressa em três frases singelas gravadas à entrada de uma humilde capelinha : " Procurei a Deus, e Ele se escondeu. Procurei a mim mesmo, e não me achei. Procurei o irmão, e encontrei os três..." " Mas uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Jesus Cristo." Filipenses, 3 : 13-14. Façamos do conselho de S. Paulo aos Efésios um Programa para nossa vida : " Rendei graças sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome do Senhor Jesus. " ( Ef. 3,20 ). Ó PAI QUERIDÍSSIMO, Toma-me todo inteiro ! Ò Tudo de meu todo ! E faze de mim uma viva transparência de Teu Ser e de Teu Amor. Parafraseando Frei Ignácio Larrañaga : " Deus busca o homem pelo Amor, o homem vai ao seu encontro pela Fé. " Caro Amigo Leitor, expresso com entusiasmo o meu profundo desejo de que o Espírito Santo fale ao seu coração. Ficarei rezando para que Ele fale e lhe dê forças e decisão para você comprometer-se com o Plano de Deus, perseverando... jogando bem no primeiro tempo, para que possamos, todos, encontrar-nos " Lá ", no segundo tempo, completando os " gols " da Felicidade - Eternamente ! R

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  2. Carlinhos se é que assim posso chamá-lo em nome de nossa velha amizade. Quero que saiba que sou sou admiradora, você é uma pessoa ímpar, sem igual. Sua capacidade é intelectual. Parabéns por cada dia publicar notas que enriquecem nossos conhecimentos, bem como mensagens e reflexões que fazem bem ao nosso espírito.

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  3. Amigo-irmão Carlinhos, contextualizando e contemporizando, o único sentido autêntico de Liberdade Política dentro de um Regime Democrático é o Uso Responsável dos Direitos e o Exercício Consciente dos Deveres. No sentido Psicológico, Liberdade é a capacidade do ser racional e consciente de autodeterminar-se, ante a multiplicidade de alternativas que se nos oferecem, em cada situação concreta. No sentido moral, é a condição de um ser imune de qualquer coerção que nos impeça de tender, através de nossos atos, a realização cada vez mais perfeita de nossa natureza. " Neste sentido, só DEUS é plenamente livre, porque só DEUS é perfeitamente Aquilo que é; só DEUS realiza, sem nenhuma limitação, a plenitude de Sua própria Essência. " A Liberdade Psicológica , também chamada de Livre Arbítrio é apenas um meio para atingir esta Liberdade Moral. Bem utilizado, liberta; mal utilizado, escraviza. Destarte, a Liberdade é risco e é conquista. É risco enquanto, pelo seu próprio indeterminismo, deixa ao Homem, não só a glória de optar pelo Bem voluntariamente, mas também o " poder " de optar pelo mal. Perseveremos firmes na Paz e no Bem, para que possamos hastear a " Bandeira da Conquista ", que nos exige um esforço contínuo de luta contra todas as forças internas e externas que comprometem a realização de sua plenitude. Resiliência ! DEUS SEJA LOUVADO !!!

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  4. carlos, a questão é muito mais proFUNDA DO QUE PODEMOS IMAGINAR. SOMOS FINITOS O DONO DO MUNDO É INFINITO, QUALQUER COMENTÁRIO SOBRE A LUZ, É FALHO, O QUE TEM FIM, NÃO PODE COMPREENDER O INFINITO. JEREMIAS FALOU; eu sei SENHOR QUE NÃO É DO HOMEM O SEU CAMINHO, MUITO MENOS DO CAMINHANTE ESTABELECER SEUS PASSOS. EXISTE UM DITADO QUE REZA; TUDO ESTA NAS MÃOS DE DEUS. EXCETO O TEMOR DE DEUS. NOS PROVERBIOS DE SALOMÃO ESTÁ ESCRITO: MUITOS SÃO OS PENSAMENTOS NO CORAÇÃO DO HOMEM, PORÉM A DETERMINAÇÃO DE DEUS É O QUE SE CUMPRE. ABRAÇOS

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