segunda-feira, 31 de agosto de 2015

No reino da improvisação, Por Cristina Lobo.


A proposta de recriar a CPMF durou menos de três dias e foi arquivada pela presidente Dilma Rousseff, sem que o governo saiba o que vai colocar no lugar - outra fonte de receita para financiar a saúde ou, na verdade, para equilibrar o orçamento de 2016 que tem um buraco da ordem de R$ 80 bilhões - ou se vai deixar o orçamento com déficit para resolver o problema depois. Mas o desgaste do governo já foi feito. Mais do que isso, vai-se cristalizando no governo a marca da improvisação.

É o que pelo menos um ministro chama de espontaneismo. "Alguém tem uma ideia e sai tratando dela sem um debate interno e sem analisar suas consequências", disse um ministro. Para ele, a proposta de recriar a CPMF nasceu da conjunção de interesses da Receita Federal e da Saúde, que acabaram vazando a solução encontrada. "E deu no que deu"... Na verdade, o assunto cresceu mais, passou a ser defendido no núcleo do governo, mas a reação negativa fez o governo recuar.

Os exemplos são muitos. No começo da semana, o governo anunciou de supetão uma reforma administrativa para reduzir o número de ministérios e cargos em confiança, sem saber quais ou mesmo quantos podem ser extintos ou reunidos num só. A marca da improvisação está lá e a reação das corporações atingidas também.

Ainda neste mes de agosto houve outro  vai-e-vem do governo que também provocou desgastes. Foi  o pagamento da parcela de 50% do  13o.  salário dos aposentados. O pagamento não é obrigatório e, por isso, o Ministério da Fazenda quis deixar para depois - para pagar todo em dezembro. O Ministério da Previdência reagiu e, depois de idas e vindas, acabou vencendo. Mesmo tendo o Ministério da Fazenda tendo  anunciado o pagamento em duas parcelas (25% em setembro e 25% em outubro e os restantes 50% em novembro), ele foi desautorizado. Dois dias depois, a presidência da República divulgou nota oficial para comunicar o pagamento da parcela integral do 13o. salário para os aposentados. 

Neste caso, o desgaste foi da presidente Dilma, mas também chamuscou  o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.  Levy anda com problemas demais e não precisava de mais um tema para desgastá-lo. Aliás, além da marca da improvisação, outro problema para o  governo é ter seu ministro da Fazenda sofrendo desgastes novos quase diários. Uma hora é o embate com o colega do Planejamento; na outra, o PT em coro criticando sua política econômica e, por fim, o desempenho do conjunto da economia que o tem obrigado a dizer e repetir que não é o ajuste fiscal o responsável pela recessão.

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