segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

NATAL DO MENINO JESUS

É interessante perceber que apesar de o Natal ser uma festa sempre celebrada  no final de cada ano, não há como não se deixar contagiar pela magia que data nos traz. Sem dúvida, o nascimento de Jesus Cristo é um acontecimento único, singular, que mudou a história da humanidade.
Sabe-se, entretanto, que se tornou comum o desvirtuamento do  sentido maior da festa, em face do apelo capitalista e  em razão  de um consumismo desenfreado que se tornou regra geral nas festas de final de ano.
Nesse frenesi, esquecemos que celebrar o Natal é elevar-se espiritualmente, permitindo-nos refletir sobre as nossas ações e comprometendo-nos com uma transformação que nos torne mais irmãos,  fraternos e acolhedores, na verdadeira acepção do pensamento cristão.
As mensagens deixadas pelo Salvador são simples e direta: “Amai-vos uns aos outros” e “Não façais ao outro, aquilo que não queres que te faça”. Todavia, se vivenciadas na sua plenitude resgatariam a humanidade desse abismo existencial a que está submetida, cuja consequência se revela no crescimento da violência, na destruição da família, no desarranjo da sociedade e nas doenças da alma.
Seremos melhores à medida que direcionarmos nossas vidas em consonância com os  princípios ensinados por Jesus Cristo  durante sua passagem terrena. Com Ele aprendemos a amar verdadeiramente, a perdoar sempre, a respeitar o próximo, a não inquietar-se com as adversidades da vida. Com Ele nos tornamos mais humildes, receptivos, melhores. E o que é mais importante: Aprendemos a Servir. E de fato “servir” resume toda a nossa missão na terra. Mas para isto é preciso que  cada um de nós lute, sem cessar e sempre,  contra os inimigos invisíveis que nos impedem de viver na Luz, isto é , o egoísmo, a arrogância, a inveja e a empáfia. Para sobrepujá-los é preciso um exercício diário, guiado pela palavra de Cristo. É esse o verdadeiro espírito de natal. FELIZ "VERDADEIRO " NATAL A TODOS!

Uma possível alegria de natal, POR VASCONCELOS ARRUDA

Última reunião de trabalho do ano. Concluído o planejamento para 2016, veio à baila o último assunto da pauta: a confraternização de Natal. Além de providenciar umà mente uma crônica do Rubem Braga, publicada no que é para mim um dos livros prediletos do autor, “A borboleta amarela”. Chegando em casa, tratei de reler a crônica. Uma dúvida enorme me acometeu: deveria ler aquele texto? Intitulado “Natal”, ele fala da solidão de um homem sozinho diante de um copo de uísque; aquela avassaladora solidão cósmica, que, paradoxalmente, muita gente experimenta nessa que deveria ser uma noite de alegria e celebração comunitária.
Enquanto me debatia com a dúvida, recordei outra crônica, igualmente natalina. Esta, por sua vez, da autoria de Carlos Drummond. Diferentemente da anterior, nela o autor transmite uma mensagem de esperança e crença na humanidade. O problema é que está cada vez mais difícil sustentar essa crença, especialmente para quem, sendo brasileiro, vive um momento que tem visto serem vilipendiados os mais comezinhos princípios que fundamentam o Estado Democrático de Direito. Ética é uma palavra que parece ter sido definitivamente riscada do vocabulário dos que gerem o destino da nação, na condição de representantes políticos. O respeito pela dignidade da pessoa humana é o que menos conta, num jogo de interesses mesquinhos e inescrupulosos, levando o povo brasileiro a uma grande insegurança.
Em que pese o inevitável pessimismo, creio que temos a obrigação ética de acreditar e apostar na esperança. Movido por essa premissa, depois de reler “Organiza o Natal”, a crônica do Drummond, decidi que seria esse o texto que levaria para a confraternização. Curiosamente, ao sentar ao birô para escrever este artigo, de repente lembrei de outra situação em que, provavelmente, o protagonista experimentou algo semelhante. Refiro-me a um conto de Natal da autoria de Moreira Campos, originalmente publicado no O Povo de 27.12.1992, republicado em 2013 no livro “Porta de Academia”. Concluído o conto, de teor não muito otimista, escreveu Moreira Campos: “Mas como é Natal e para atenuar a dureza do miniconto, citemos estes versos de Carlos Drummond de Andrade: Menino, peço-te a graça/ de não fazer mais o poema de Natal/ Um, dois ou três ainda passa…/ Industrializar o tema, eis o mal”.
Repetindo o gesto do saudoso escritor cearense, concluo com um trecho da mencionada crônica de Drummond, desejando a um eventual leitor um pouco de merecida alegria neste Natal: “O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido”.
* blog Sincronicidade

Natal: sempre que nasce uma criança, é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano (por Leonardo Boff)


"Estamos na época de Natal mas a aura não é natalina, é antes de sexta-feira santa. Tantas são as crises, os atentados terroristas, as guerras que, juntas, as potencia belicosas e militaristas (USA, França, Inglaterra, Russa e Alemanha) conduzem contra o Estado Islâmico, destruindo praticamente a Síria com uma espantosa mortandade de civis e de crianças como a própria imprensa tem mostrado, a atmosfera contaminada por rancores e espírito de vindita na política brasileira, sem falar dos níveis astronômicos de corrupção: tudo isso apaga as luzes natalinas e amortecem os pinheirinhos que deveriam criar uma atmosfera de alegria e de inocência infantil que ainda persiste em cada pessoa humana.     
Quem pôde assistir o filme Crianças Invisíveis, em sete cenas diferentes,  dirigido por diretores renomados como Spike Lee, Katia Lund, John Woo entre outros, pode se dar conta da vida destruída de crianças, de várias partes do mundo, condenadas a viver do lixo e no lixo; e ainda assim há cenas comovedoras de camaradagem, de pequenas alegrias nos olhos tristes e de solidariedade entre elas.
E pensar que são milhões hoje no mundo e que o próprio menino Jesus, segundo os textos bíblicos, nasceu numa manjedoura de animais porque não havia lugar para Maria, em serviço de parto, em nenhuma estalagem de Belém. Ele se misturou com o destino de todas estas crianças  maltratadas pela nossa insensibilidade.
Mais tarde, esse mesmo Jesus, já adulto dirá:”quem receber esses meus irmãos e irmãs menores é a mim que recebe”. O Natal se realiza quando ocorre esse acolhimento como aquele que o Padre Lancelotti organiza em São Paulo para centenas de crianças de rua sob um viaduto e que contou, por anos,  com a presença do Presidente Lula.
No meio desta desgraceira toda, no mundo e no Brasil, me vem à mente o pedaço de madeira com uma inscrição em pirografia que um internado num hospital psiquiátrico em Minas me entregou por ocasião  de uma visita que fiz por lá para animar as atendentes. Lá estava escrito: ”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.
Poderá haver ato de fé e de esperança maior que este? Em algumas culturas de África se diz que Deus está de uma forma toda especial presente nos assim chamados por nós de “loucos”. Por isso eles são adotado por todos e todos cuidam deles como se fossem um irmão ou uma irmã. Por isso são integrados e vivem pacificamente. Nossa cultura os isola e não se reconhece neles.
O Natal deste ano nos remete à essa humanidade ofendida e a todas as crianças invisíveis  cujos padecimentos são como os do menino Jesus que, certamente, no inverno dos campos de Belém, tiritava na manjedoura. Segundo a lenda antiga, foi aquecido pelo bafo de dois velhos cavalos que como prêmio ganharam, depois, a plena vitalidade.
Vale lembrar o significado religioso do Natal: Deus não é um velho barbudo, de olhos penetrantes e juiz severo de todos os nossos atos. É uma criança. E como criança não julga ninguém. Quer apenas conviver e ser acarinhado. Da mengedoura nos vem esta voz: ”Oh, criatura humana, não tenhas medo de Deus. Não vês que sua mãe enfaixou seu bracinhos? Ele não ameaça ninguém. Mais que ajudar, ele precisa ser ajudado e carregado no colo”.
Ninguém melhor que Fernando Pessoa entendeu o significado humano e a verdade do menino Jesus:
”Ele  é a Eterna Criança, o Deus que faltava. Ele é humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro. É a criança tão humana que é divina. Damo-nos tão bem um com o outro, na companhia de tudo, que nunca pensamos um no outro...Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo e leva-me para dentro de tua casa. Despe o meu ser cansado e humano. E deita-me na cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar até que nasça qualquer dia que tu sabes qual é”.
Dá para conter a emoção diante de tanta beleza? Por causa disso, vale ainda, apesar dos pesares, celebrar discretamente o Natal.
Por fim tem significado esta última mensagem que me encanta: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser “deus”. Só Deus quis ser  menino”.
Abracemo-nos mutuamente, como quem abraça a Criança divina que se esconde em nós e que nunca nos abandonou. E que o Natal seja ainda uma festa discretamente feliz."
* Teólogo

sábado, 26 de dezembro de 2015

PARABÉNS AMIGO-IRMÃO RONALDO DIAS CARNEIRO



Com alegria registro, na data de hoje(26/12), a passagem do natalício do amigo-irmão Dr. Ronaldo Dias Carneiro. Trata-se de um amigo com quem tenho uma relação de enorme respeito e admiração. É um médico na acepção plena da palavra. Na sua honrosa profissão trata a todos com a mais profunda humanidade cristã. Sua vida é um hino de dedicação ao próximo. 

Ninguém nunca o procurou que não recebesse dele uma palavra de carinho e  de conforto. Sempre digo que o Ronaldo é esse "anjo bom" que Deus colocou no mundo para servir aos seus filhos. Nele encontramos a sinceridade gratuita, a verdadeira amizade. 

Agradeço ao Pai Celestial pela sua vida e por tê-lo iluminado para essa missão do "Servir". Um abraço no coração,

 Ronaldo, Que Deus lhe conceda muita paz, saúde e luz.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O impeachment e “as ruas”, POR MARCOS COIMBRA

Em meio à vasta quantidade de bobagens suscitadas pela abertura do processo deimpeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, uma se destaca: o recurso à ideia de que “as ruas” estão na origem de tudo e vão determinar seu desfecho. 
Volta e meia, a ideia aparece, ora em termos pretensamente elevados e filosóficos, ora em sentido comezinho. “As ruas” são usadas pelos próceresoposicionistas e seus intelectuais tanto para justificar o impeachment, e dar ao processo fundamento e legitimidade, quanto para auxiliá-los na definição de uma estratégia de tramitação da matéria no Congresso.
Trata-se de uma dupla impostura. Nem o processo de impeachment nasce nas ruasnem delas virá sua solução.
Uma boa maneira de percebê-lo é lembrar o que aconteceu em 1992, noimpeachment de Fernando Collor. Como é recente e tem sido a toda hora invocado, vale a pena discutir os paralelismos e distâncias em relação aos fatos de hoje.
O primeiro elemento que salta à vista é quão diferentes eles são, a começar pelo papel “das ruas” nos dois episódios. Oimpeachment de Collor nasceu efetivamente nelas, quase por geração espontânea. Ao contrário, o processo contra Dilma é uma fabricação de gabinete, um produto de laboratório.
Collor havia se salvado politicamente na reforma ministerial do início de 1992. Trouxe para seu lado os líderes dos partidos da oposição atual e só não nomeou Fernando Henrique Cardoso seu chanceler por causa do veto de Mario Covas.
As demais legendas se acomodaram alegremente, pouco se importando com as denúncias existentes a respeito das movimentações nada ortodoxas de Paulo César Farias e associados.  
Ninguém precisou induzir, convocar, mobilizar ou financiar os cidadãos que foram às ruas contra Collor. Depois da entrevista de seu irmão, Pedro, e, especialmente, das denúncias do motorista Eriberto França, que demonstraram que suas contas privadas eram pagas com dinheiro originado do tesoureiro de sua campanha, os manifestantes ocuparam as ruas de forma espontânea. 
Nos protestos não estavam apenas os petistas, os esquerdistas, aqueles que votaram em Lula. À semelhança do ocorrido em 1983, nas mobilizações das Diretas Já, uma genuína e crescente amostra da sociedade brasileira deixou claro que desejava oimpeachment de Collor.
O que se passou ao longo de 2015 é completamente diferente. Com seu reacionarismo antediluviano, sua beligerância e intransigência, seus heróis caricatos, os manifestantes de agora nada possuem da força simbólica dos caras-pintadas de 1992. Quem desfilou neste ano foi uma parte não representativa do Brasil, muito distante do que temos de melhor.
Fernando-Collor
O impeachment de Collor nasceu efetivamente nas ruas (Waldemir Barreto/ Agência Senado)

Um pedaço que definhou com o tempo, até chegar ao tamanho dos últimos eventos, com inexpressivo número de participantes, que só continuam a merecer a atenção da mídia por ser a brasileira o que é.
A principal razão da diferença entre 1992 e agora é a ausência do sentimento de indignação moral que marcou a opinião pública naquela época. A convicção de que o presidente da República era moralmente indigno de ocupar o cargo unificou a opinião pública, desarticulou seu apoio parlamentar e terminou por derrubá-lo.
impeachment de Collor nasceu nas ruas e foi imposto à maioria do sistema político e aos principais grupos de mídia. Não foi preciso inventá-lo.
Portanto, 2015 não é 1992 e falar “nas ruas” hoje é mera figura retórica. As oposições partidárias, seus aliados no Judiciário, nas corporações de Estado e nos meios de comunicação passaram o ano à cata de alegações para derrubar o governo, por qualquer motivo.
Sem o combustível da indignação moral efetiva, que provoca a falta de movimentos espontâneos respeitáveis, invocar o sentimento das ruas é somente um pretexto.
Tudo o que acontece agora são manobras e movimentações de bastidor, a maioria impublicáveis e inconfessáveis. Votações secretas, conluios e acordos em surdina são a regra. O processo de impeachment contra Dilma Rousseff nada tem do autêntico espírito das ruas.
Outra falácia é afirmar que o sucesso ou o fracasso da tentativa de derrubar a presidenta depende do modo como “as ruas” se comportarão nas próximas semanas e meses. As oposições sabem que o máximo que conseguem promover são as conhecidas e cada vez menos impactantes passeatas de radicais de direita.
Quando buscam prolongar o processo, o que pretendem é apenas torná-lo mais demorado, para aumentar o desgaste do governo e aprofundar os impasses na economia. Como calculam que Dilma, ao cabo do processo, muito provavelmente terá o terço da Câmara necessários para se manter no poder, querem apenas manter sua aposta no quanto pior melhor.

SOMOS CIVILIZADOS, POR crônicas do Menalton

Somos tão civilizados, nós, os brasileiros, que simples questões de boa educação, costume na maioria dos países civilizados, entre nós têm de se tornar lei para que sejam observadas. E a lei, ah! essa é outra história, a lei atropela indivíduos, que ela não quer e não pode ver.
Parece que a boa educação, entre nós, precisa ser empurrada goela abaixo e à força. Às vezes com marreta, malho, tacape e o que mais for necessário para que desça. Meu amigo Adamastor afirma que estou errado, que um pouquinho de vaselina já resolve, porque ajuda a escorregar.
Bem, com os séculos de experiência que acumulou, ele que foi ressuscitado por Camões lá por mil quinhentos e pouco é possível que saiba disso melhor do que eu. Apesar do fora que lhe deu Tétis.
Dar o lugar a uma pessoa idosa em ônibus, a uma mulher grávida, meu Deus do céu, é tão fácil perceber que não se precisa de lei para que o sofrimento humano comova pessoas bem educadas! Podem ser raras, mas ainda se encontram pessoas que mantêm tal comportamento.
Essa reflexão me ocorre porque ontem encontrei um senhor que tinha passado dos sessenta, presumo. Ele praticava Cooper com a desenvoltura de um adolescente. Pernas firmes, peito inflado, bunda encolhida e a coluna reta. Foi seu garbo de atleta que o fez notado. Não fossem os cabelos grisalhos, eu diria que se tratava de um campeão de levantamento de peso.
Minha surpresa foi vê-lo entrar na loja, onde eu esperava na fila para pagar uma conta, passar por todos nós e exigir do caixa o atendimento imediato. Sou idoso, ele argumentou. É direito meu. O caixa hesitou, olhou para a fila e ergueu os ombros, como quem diz, E agora? O que faço?
Na minha frente, um jovem com seus vinte e cinco anos penava uma espera atroz, principalmente para ele, que fisicamente parecia bem mal. Pálido, de muletas, uma perna sem encostar no piso, a perna engessada. O idoso bateu com a mão espalmada no balcão e trovejou,
Direito é direito, então o senhor não sabe? O pobre do caixa sabia, sim, mas contava atender logo o jovem que parecia estar sofrendo muito. Enfim, resolveu-se pelo cumprimento da lei.
Às vezes o detentor de um direito se torna arrogante. Ele não entende o espírito da lei nem imagina que o legal muitas vezes pode ser imoral.
Se a lei nasceu da necessidade de se impor um tipo de solidariedade, uma conduta bem educada, para aliviar o sofrimento humano, parece que ela, cega como é, nem sempre atinge seu objetivo.
Fonte: Carta Capital

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Saia da mesmice.....e seja FELIZ!!!!!!!

Muitas vezes aceitamos para as nossas vidas a acomodação. Ficamos naquele emprego por anos a fio, mesmo sabendo que aquele encargo em nada nos realiza. Insistimos num curso superior que nada tem a ver com aquilo que almejamos. Até no relacionamento a dois,  muitas vezes apostamos em situações que só nos trazem dor, frustração e aborrecimento. Esses aspectos da vida, um ou outro, sempre atingirão as pessoas e as consequências, boas ou ruins, dependerão da forma como cada qual agirá diante de tais circunstâncias.
Por natureza, algo nos impele à inércia. Se persistimos em aceitar esse determinismo minimalista, sem a ele reagirmos, nos tornaremos reféns de um destino manifesto que provavelmente nos levará à infelicidade.  Acomodar-se é aceitar por aceitar; é permitir-se viver “na mesmice”, acumulando sucessivos fracassos  e colecionando derrotas de toda ordem.
E afinal, nascemos ou não para a vitória?!!! Diante dessa indagação, algo nos impele a refletirmos  sobre a saga da humanidade. Fomos capazes de superar as mais absurdas adversidades, singrando mares tempestuosos, abrindo estradas e construindo pontes, habitando em lugares inóspitos, enfrentando inimigos , doenças, cataclismos e muitos outros males que fizeram e fazem parte da história humana. Não só sobrevivemos, mas nos permitimos edificar um nova jornada, com melhores oportunidades, consagração de direitos e horizontes de possibilidades que nos fazem antever, para o futuro, apesar dos desafios coexistentes, um mundo melhor.
Sem dúvida, nascemos para a vitória! E vencer, é movimentar-se “para frente”, sempre. Isso indica dinamicidade, busca permanente pelo “novo”. É aceitar o desafio de “re-nascer” todas as manhãs, alimentando-se dos sentimentos mais nobres, dos desejos  mais altruístas. 
Na verdade, temos a obrigação de ser feliz! E ser feliz é olharmos um dia para trás com a certeza de  que não deixamos projetos inacabados, sonhos desfeitos, pelo medo de tentar. Acredito  no Deus que nos alimenta com a ceiva da vida e exige de nós  que  façamos da nossa  existência uma história única, singular, edificada pela ética, pelo amor ao próximo. Isso nos concita a fazermos  as escolhas certas, impelindo-nos a agir com todas as nossas forças: estudando, trabalhando, construindo. Para isso, é preciso dar um basta à mesmice, ao medo, à aceitação injustificada, à letargia. É preciso gritar para si mesmo: “Eu não me aceito derrotado. Eu nasci para ser feliz”. Não deixemos que ninguém nos arranque os nossos ideais e se eles sucumbirem que saibamos encontrar muitos outros que nos deem razão para viver. Afinal, não é o sangue que corre em nossas veias que nos mantém vivos, mas sim os nossos sonhos. Aposte neles, lute por eles e seja feliz !

Você é autor de sua história....


Os caminhos da vida sempre nos apresentam um desafio. Muitas vezes encarar a realidade do cotidiano nos causa temor. Todavia, imagine vocês se vivêssemos sempre diante do previsível, sabendo que tudo correria bem. Isso pode parecer genial, mas por outro lado furtaria da nossa existência o inusitado, a surpresa às vezes festiva, outras vezes dolorosa.
Uma vida sem batalha, sem a superação da adversidade, torna-se amorfa, insípida e medíocre. O homem nasceu para o enfrentamento, para singrar procelas em mares em meio a tempestades. Ao superá-las, sentirá o sabor da vitória. E se a vitória não chegar, pelo menos a certeza de ter tentado tornar-se-á um apanágio para nossa alma.
A busca pela felicidade não aceita o conformismo, muito menos a letargia nem a inércia covarde. É feliz quem encara a vida com um olhar de possibilidades, mesmo diante das tragédias que muitas vezes nos abatem e tentam a todo custo destruir nossa capacidade de resistência. Mas uma coisa tenham certeza: Somos bem maiores do que os nossos problemas, bem maiores que as nossas dores. Nascemos para chegar ao pódio. E por que muitos não chegam?
Não chegam porque se permitem uma vida abastecida pelo pessimismo, pelo comodismo e pela destrutiva impressão “não tenho capacidade...onde estou tá bom demais.”. Esquecem-se de que a vitória exige sempre andar um metro a mais, ir além. É preciso ter a crença de que sempre podemos fazer diferente e melhor. Alimentar-se da certeza de que a nossa trajetória, única e singular, nos concita a construir uma história de vida edificada pela nobreza de espírito, por um sentimento cristão de partilha e por um comportamento profissional ético.
Nascemos e somos safras de um Deus misericordioso que nos proporciona a liberdade das escolhas para que tenhamos uma vida plenamente abundante de realizações. Para isto é necessário ir à luta com garra, determinação e força. Não nos falta inspiração, muito menos não nos deverá faltar coragem. Olhe para frente, há um horizonte à sua espera. Abra as cortinas, as janelas da sua existência e contemple o sol lá fora. Ainda há tempo para você escrever uma história de vida diferente. O que está esperando? Avante!.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Haja como um vitorioso antes mesmo de conquistar seus objetivos, por SAMY DANA

Quando você pensa em um super herói, qual é a primeira postura que lhe vem à cabeça? Provavelmente deve imaginar uma pessoa forte, com o uniforme de herói, com as mãos na cintura e o peito inclinado para a frente. A pose é típica de personagens heróicos e não é sem motivo. Na análise da linguagem corporal, a pose representa autoconfiança e coragem, características típicas de um vencedor. 
Do mesmo modo, quando você vê uma equipe de qualquer esporte que seja comemorando uma vitória, o gesto mais comum são os braços estendidos para cima. É uma simbologia universal para representar a vitória. O interessante disso tudo é que este tipo de representação através do corpo não foi algo simplesmente inventado e aceito como uma marca de vitória. É algo que nos acompanha no processo evolutivo. 
Vemos, por exemplo, que esta atitude também é adotada entre grupos de chimpanzés e gorilas. Os mais fortes demonstram poder batendo no peito e erguendo os braços para o alto. 
Aliás, as pesquisadoras Amy J. C. Cuddy, Caroline A. Wilmuth e Dana R. Carney, das universidades de Harvard e Berkeley, fizeram um estudo comprovando os efeitos benéficos de adotar posturas vitoriosas para conquistar objetivos. 
Foi realizada uma experiência em que um grupo de pessoas fazia poses que demonstravam fraqueza - como encolher-se e juntar os braços - enquanto outras estendiam os braços em posição de vitória. Em seguida, essas mesmas pessoas eram levadas para uma entrevista de emprego. O resultado é previsível, mas impressionante. As pessoas que levantavam os braços eram recrutadas com mais facilidade. 
Pode parecer bobagem, mas a verdade é que essa atitude simples tem o poder de disparar um gatilho mental que tem efeito imediato em nossa autoestima. A pose de confiança e determinação age de modo semelhante como acontece com os gorilas. Aqueles animais que se destacam no meio do grupo, possuem no sangue níveis maiores de testosterona - responsável pela agressividade - do que o cortisol, que é o hormônio que causa estresse. 
Uma postura de vitória pode ser o suficiente para equilibrar o cérebro a dosar os hormônios de forma que você fique mais confiante. Treinar poses assim antes de uma negociação importante ou mesmo uma entrevista de emprego pode interferir de forma benéfica nos seus resultados. 
Por mais que estejamos acostumados a ver pessoas erguendo os braços somente depois de conquistar uma vitória, não custa nada treinar o gesto previamente para ajudar na conquista de um objetivo.
G1

Brasil é um dos países que pagam menos aos professores, POR ANDREA RAMAL


O salário inicial dos professores, no Brasil, é um dos mais baixos entre os integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, e mesmo entre os países latino-americanos, abaixo do Chile, Colômbia e México. Na pré-escola, paga-se menos da metade da média mundial. É o que mostra o mais recente relatório dos sistemas educacionais do mundo, Education At a Glance 2015.

As salas de aula brasileiras estão entre as que têm mais alunos por professor. Quanto ao preparo docente, 37% dos mestres declaram necessidade de mais formação para o uso das tecnologias, enquanto que, na média da OCDE, só 15% manifestam tal lacuna.

Baixa remuneração, excesso de alunos por turma e insegurança quanto a um importante ambiente de aprendizagem da atualidade, o tecnológico, acabam derivando no abandono da profissão. É o que nos conta o mesmo relatório: mais da metade dos professores dos anos iniciais do ensino fundamental brasileiro tem menos de 40 anos de idade e apenas 15% deles tem mais do que 50. Aliás, somos o segundo colocado na lista de países com menos professores de 50 anos nesse nível de ensino. Dos que entram no magistério, poucos permanecem.

Nesse rápido olhar sobre a educação global, outro dado chama a atenção: o Brasil é um dos países que alocam maior percentual de recursos na educação, com relação ao gasto público total; mas, ainda assim, investe pouco por aluno: US$ 3.441 dólares americanos/ano, simplesmente US$ 5.876 dólares a menos do que a média da OCDE.

Ora, não há milagres. As consequências desse quadro inquietante aparecem páginas à frente, no mesmo relatório. Aumentou a quantidade de alunos formados no ensino médio, mas os índices de aprendizagem (por exemplo no PISA) seguem baixos e só 14% dessa mesma população conclui o ensino superior. Muita quantidade, pouca qualidade. Prova de que, em educação, o Brasil continua investindo menos do que deveria e ainda gasta mal, comparado com outros sistemas educacionais do mundo.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

SURTO DE DENGUE NO CEARÁ: Massapê e Coreaú preocupam


O Ministério da Saúde apresentou, na manhã de hoje, o resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (LIRAa). Conforme o boletim, o Ceará tem oito municípios em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika. São eles: Baturité, Canindé, Coreaú, Ipaumirim, Massapê, Parambu, Tauá e Viçosa do Ceará. Significa que mais de 4% das casas visitadas nestas cidades apresentaram larvas do mosquito. 
Já os municípios em situação de alerta somaram nove: Caucaia, Cedro, Guaiúba, Horizonte, Ipapipoca, Maranguape, Pacatuba, Pires Ferreira e São Benedito. Outros 18 estão com situação satisfatória, entre eles Fortaleza, com índice de 0,9.

Realizado em outubro e novembro, o LIRAa teve adesão recorde para este período do ano, com1.792 cidades participantes - aumento de 22% se comparado ao mesmo período de 2014. A pesquisa é um instrumento fundamental para o controle do Aedes aegypti. Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito onde as larvas foram encontradas.
Fonte: Diário do Nordeste(24/11)

DO BLOG: O fato é bastante preocupante. Vamos aguardar que as autoridades da saúde do município acordem para ações imediatas e urgentes. Assim como também a população deve fazer sua parte!!!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ACREDITAR NO AMOR, do blog do VASCONCELOS ARRUDA

Terça-feira passada encontrava-me absorto em meus afazeres, quando fui interrompido por um colega de trabalho. Apontando um livro que se encontrava sobre um dos birôs, indagou: “É seu?” De imediato respondi: “Não, por quê?” Ao que ele respondeu: “Este livro é a sua cara”. “A Minha cara?”, retorqui, surpreso. “É”, redarguiu, “auto-ajuda, amor…”, completando, quase num murmúrio: “Você acredita no amor; eu, não”.
Sem saber se via no comentário um elogio ou uma velada censura, me senti impactado pela última frase. Não sei fundamentado em que o colega afirmara com tanta certeza minha crença no amor. Tampouco me ocorreu, na ocasião, perguntar. O fato é que, na manhã seguinte, voltei a pensar no assunto. Foi aí que lembrei do livro  “A revolução do amor: por uma espiritualidade laica”, do filósofo francês Luc Ferry.
Defensor do que tem sido chamado de humanismo secular, assim introduz Luc ferry o tema do amor: “É uma evidência que salta aos olhos, que percorre e transtorna permanentemente nossa vida privada. No entanto, mal ousamos confessá-la, a não ser na mais estrita intimidade: é o amor que dá sentido a nossa existência. É ele que nos obriga, ao menos no que diz respeito aos nossos filhos, a não ceder ao pessimismo, a nos interessar, apesar de tudo, pelo futuro, a não negligenciar totalmente a vida política, que, aliás, consideramos insignificante” (p. 13).
Poucas palavras, pode-se dizer, se tornaram tão desgastadas quanto a palavra amor. Provavelmente seja esse o motivo por que não poucas pessoas se recusem hoje com tanta veemência a tratá-la com a seriedade que mereceria. O Velho bordão do “amor ao próximo”, tão caro ao cristianismo, já quase não faz eco numa civilização em que o outro é tratado, antes de qualquer coisa, com desconfiança. Apesar da evidência apontada por Luc Ferry, há outras evidências no sentido contrário, tantas e tão gritantes, que tornam difícil e arriscado alicerçar, hoje, o sentido da vida no amor.  Em que pese essa constatação, ainda assim é preciso optar. E provavelmente a opção mais viável seja a que aponta no sentido da aposta em uma perspectiva do amor calcado na ética e no compromisso com a vida, pois essa é, também, a aposta na esperança, sem a qual a vida se torna insustentável.
Concluo informando, para saciar a curiosidade de algum possível leitor, que o livro que motivou a redação deste artigo foi “Curar… o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise”, de David Servan-Schreber. Vou adquirir um exemplar. Quem sabe aconteça que, ao virar uma de suas páginas, eu me depare, enfim, com esta cara que venho procurando há mais de cinquenta anos e da qual, até o momento, tive apenas discretos e imprecisos vislumbres, não me tendo sido possível, ainda, precisar-lhe os contornos com a almejada nitidez.

Transformar em sofrimento pessoal o que acontece no mundo, POR LEONARDO BOFF

Atualmente há uma fecunda discussão filosófica, também entre nós com Muniz Sodré (As estratégias sensíveis, 2006)  e F. J. Duarte (O sentido dos sentidos, 2004) no sentido de resgatar a razão sensível como enriquecimento imprescindível da razão intelectual. Esta diligência é necessária, porque é através dela que nos comprometemos afetiva e efetivamente com a salvaguarda da vida no planeta e com a humanização das relações sociais. Curiosamente o Papa Francisco, neste ponto, em sua encíclica sobre o cuidado da Casa Comum (2015)  nos trouxe valoriosa contribuição.     
Ele analisa com espírito científico e crítico  “o que está acontecendo com a nossa Casa”(nn.17-61). Logo adverte que, numa perspectiva da ecologia integral que é o tema fundamental de seu texto, estas categorias são insuficientes (n.11). Temos que abrir-nos “à admiração e ao encanto…. e falar a linguagem da fraternidade e da beleza na nossa relação para com o mundo”(n.11. Portanto, não nos podemos restringir à ecologia ambiental, pois ela atende apenas à relação do ser humano com a natureza, esquecendo que ele é parte dela. Essa relação unilateral constitui o vício do antropocentrismo, criticado em seu texto (nn.115-121). 
Ocorre que o ser humano possui dimensões sociais, políticas, culturais e espirituais sobre as quais há parca preocupação e isuficiente reflexão, o que dificulta encontrar uma solução consistente à grave crise que assola a Casa Comum.
Considerando a amplitude destas dimensões, devemos  ir além de uma análise meramente tecnico-científica. Devemos, sim, utilizar a pesquisa científica imprescindível, mas importa “deixar-nos tocar por ela em profunidade e dar uma base de concretude ao percurso ético e espiritual daí derivado”(n.15). Mais ainda “devemos  transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo”(n.19).
O Papa Francisco tem clara consciência de que por detrás das estatísticas há um mar de sofrimento humano e muitas feridas no corpo  da Mâe Terra. Como somos parte da natureza e tudo está inter-relacionado (tema sempre recorrente na encíclica, nn. 70, 91,117, 120, 138,139 etc) e nós nunca  estamos fora  da “trama das relações”(n.240) que a todos envolve, participamos das dores da crise ecológica. Chega a advertir que “as previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia…o estilo de vida atual, por ser insustentável, só pode desembocar em catástrofes, como aliás estão acontecendo periodicamente em várias regiões”(n.161).
Mas o Papa não se deixa intimidar por esse cenário. Dá um voto de confiança no ser humano, em sua criatividade e em sua capacidade de regenerar-se e de regenerar a Terra (n. 205) e muito mais, confia no Deus que, segundo as palavras da tradição judeo-cristã,“ é o soberano amante da vida”(Sab 11, 24 e 26: nn. 77, 89). Ele não permitirá que nos afundemos  totalmente (n.163). Ainda faremos “uma conversão ecológica”(n. 217) e introduziremos “a cultura do cuidado que permeará toda a sociedade”(n.231).
Disso nascerá um novo estilo de vida (alternatriva repetida 35 vezes na encíclica), fundado na cooperação, na solidariedade, na simplicidade voluntária e na sobriedade compartida que implicará um novo modo de produzir e de consumir e, por fim, nos dará “a consciência amorosa de não estarmos separados das outras criaturas mas que formamos com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal”(n.220).
Como se depreende, aqui não fala mais somente a inteligência intelectual, tecnico-científica, mas a inteligência emocional e cordial como o tenho detalhado nos meus dois livros Saber Cuidar  e O Cuidado Necessário (Vozes). O Papa em suas palavras de afeto e de carinho para com todos, especialmente para com os pobres e os mais vulneráveis dá claro exemplo do exercício deste tipo  de inteligência tão urgente e necessária para superarmos a profunda crise  que recobre todos os âmbitos da vida.
Em razão desta inteligência emocional, pede que devemos “ouvir tanto o grito da Terra como o grito dos pobres”(49). As agressões sistemáticas, feitas nos últimos dois séculos, “provocam os gemidos da irmã Terra que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo”(n.53). Por isso importa “cuidar da criação… e tratar com desvelo os outros seres vivos”(n. 211), pois todos possuem um valor intrínseco, independente do uso humano (n.69) e, a seu modo, até as ervas silvestres (n.12), louvam o Criador (n.33). Chega dizer que devemos “alimentar uma paixão pelo cuidado” por tudo o que existe e vive.
Enfatiza o fato de que “nós com todos os seres do universo, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, uma comunhão sublime que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde”(n. 89).
Somente quem tem desenvolvido em ato grau a inteligência sensível ou cordial poderia escrever:”tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos como  irmãos e irmãs numa peregrinação maravilhosa, entrelaçados pelo amor que Deus tem a cada uma de suas criaturas e que nos une também, com terna afeição ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à Mãe Terra”(n. 92).
Tais sentimentos e atitudes hoje constituem uma demanda geral, para afastar as tragédias ecológico-sociais que já se anunciam no horizonte de nosso tempo.
* Leonardo Boff, colunista do JB on line e escritor

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Defensoria Pública priorizará o Interior

andreacoelho
A defensora-pública geral do Estado, Andréa Coelho, empossará nesta quarta-feira, durante solenidade marcada para as 17 horas, no auditório do órgão, 27 novos defensores.
No ato, Andréa vai reiterar promessa feita quando do lançamento do edital de concurso público para a categoria: todo esse grupo de novos defensores vai atuar em comarcas do Interior.

Solidariedade aos Idosos de Sobral que Vivem nos Abrigos. Você pode Ajudar!

Pensando criar uma rede de solidariedade e contribuir com os Abrigos de Idosos de Sobral, a AMGGES - Academia de Medicina Geriátrica e Gerontologia de Sobral, que faz parte da Faculdade de Medicina da UFC Sobral, convida você a participar da campanha: #PenseNoPróximo!

Você pode doar roupas, fraldas geriátricas ou ainda contribuir com qualquer quantia em dinheiro nos pontos de doação, na biblioteca da Faculdade de Medicina - UFC, na Santa Casa de Sobral e no Colégio Luciano Feijão. Colabore! 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria, POR ROBERTO AMARAL

A tarefa prioritária, ingente e agônica da esquerda e dos liberais progressistas é esmagar o ovo da serpente antes que a peçonha contamine por completo o corpo social, costurando as bases de um Estado reacionário, conservador, autoritário e, ninguém se engane, protofascista. Assim se vem modificando o caráter da sociedade brasileira, aos poucos mas sistematicamente.
Ele se manifesta sob as mais variadas facetas, no Parlamento e na vida social.
antipetismo em nome de um moralismo de fancaria  – esse que a imprensa e os partidos de oposição destilam – é apenas uma só de suas máscaras, como o moralismo é apenas um disfarce. Pois tudo, fatos e criações, são, tão-só o instrumento de uma tentativa, em marcha desde 2013, ou antes, de implantação, entre nós, de uma clima de violência que lembra (pelos efeitos psicossociais) o  fascismo italiano e o nazismo alemão em suas infâncias, envenenando as entranhas de suas sociedades.
Não caminham, ainda, pelas ruas, os camisas pretas, os grupos paramilitares quebrando lojas de judeus e espancando homossexuais, prostitutas, negros e comunistas, mas celerados conspurcam velórios e atacam o Instituto Lula. Ontem, nos anos da ascensão integralista brasileira, os camisas verdes das hordas de Plínio Salgado desfilavam impunes até a tentativa de assassinar o presidente Vargas em umputsch covarde que lembrava e imitava a primeira tentativa hitlerista de tomada do poder (levante de Munique, 1924) pelo golpe de força. 
Nos idos brasileiros da repressão militar, grupos de aloprados depredaram no Rio de Janeiro o Teatro Opinião e em São Paulo invadiram  o Teatro Ruth Escobar durante montagem de “Roda Viva”? Nos estertores do terrorismo praticaram atentados contra a OAB e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro e tentaram o felizmente frustrado massacre do Riocentro. São sempre os mesmos, variam os países, variam as datas e os pretextos mas a ideologia do ódio e a covardia na ação são as mesmas. 
Agora, súcias de ululantes bem nutridos, vestidos ou não com a camisa da seleção canarinha, tentam, em todo o país, mediante o amedrontamento físico, interditar, em um hospital da grã-finagem paulistana, nas ruas, nos bares, nos aviões, nos aeroportos, a livre circulação de homens de bem como, Guido Mantega, João Pedro Stédile e, de último, o ministro Patrus Ananias.
Tudo isso está na crônica jornalística. Mesmo em seus momentos mais acres de disputa política, a direita brasileira jamais havia ousado tanto e jamais nossas esquerdas haviam recuado tanto, e jamais os liberais foram tão omissos.
Os primeiros sinais foram dados na abertura dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro (2007), e replicados em Brasília na abertura da Copa das Confederações em 2013. A esquerda não quis ver nem ouvir, fez-se de morta, como se as vaias e as agressões – primeiro a Lula, depois a Dilma – não lhes dissessem respeito e, assim, silente e inerte permaneceu sem qualquer tentativa de compreender as jornadas de 2013 – prenúncio as dificuldades de 2014, que assistiu atônita.
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Cunha, Aécio e Paulinho durante o 1º de maio da Força Sindical (foto: reprodução do YouTube)
O moralismo da elite financeira que sonega impostos e suborna funcionários públicos sempre foi a chave para a conquista da classe média. Dele sempre se valeu a direita, no Brasil e em todo o mundo.
Assim foi entre nós nos idos de 1954 quando a classe média, majoritariamente, e setores liberais da sociedade, populares e mesmo o movimento estudantil, e mesmo setores da esquerda e comunistas sob a liderança de Pestes, abraçaram  o cantochão da direita  que a todos mobilizou no pedido de renúncia de Getúlio Vargas, quando o alvo, encoberto pela denúncia de  um ‘mar de lama’ que jamais existiu, era a política nacionalista do ditador feito presidente democrata. A história não se repete, mas há pontos de contato entre dois momentos históricos tão distintos.
Getúlio também levara a cabo uma campanha presidencial levantando as teses progressistas do nacionalismo e do trabalhismo, mas, para executa-las, montara um ministério  reacionário. Era a sua forma de compor com as elites, especialmente paulistas, que  sempre lhe foram hostis. Era a velha ilusão da conciliação de classes, que conquistaria Lula tantos anos passados.
Não deu certo com Getúlio como não daria certo com Lula e não está dando certo com Dilma. Atacado pela direita, inconformada com a aliança do trabalhismo com o nacionalismo, viu-se Vargas em 1954  sem o apoio das massas trabalhistas. Essas só foram às ruas – e foram como turba, sem vanguarda – depois do suicídio. E, aí, nada mais havia a ser feito.
Naquela altura como hoje, e como nos preparativos de 1964, a imprensa brasileira, igualmente monolítica e igualmente de forma quase unânime, servia à saturnal dos ódios que envenenava a opinião publica e deixava aturdido o povo, mesmo os trabalhadores – então como agora desassistidos ideologicamente por seus partidos e organizações.
Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê no cume de uma campanha de descrédito presidida pela imprensa, uma vez mais a partir da cantilena moralista. Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê desprotegido no Congresso, onde dominam ora uma oposição ensandecida, ora uma base parlamentar movida a negócios e negociatas e negocinhos a cada votação.
Para não dizer que a história se repete, lembremos que os postos antes ocupados por Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro e outros de igual calibre é exercido hoje por Paulinho da Força, Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Eduardo Cunha – o que apenas diz que o aviltamento da linguagem e dos procedimentos alcançou o mais baixo nível da República.
Uma vez mais, agora como em 1954, as grandes massas não afluem em defesa de seu governo.
Uma vez mais a moralidade é um mero biombo dos grandes interesses em jogo.
Pois o que está em jogo não é a moralização dos costumes – e quem é contra? – nem é só a tentativa de assalto  ao mandato legítimo da presidente Dilma. Não é só a destruição do PT e dos demais partidos de esquerda, inclusive daqueles que ainda hoje pensam que passarão incólumes. Não é apenas a destruição de Lula, ainda a maior liderança popular deste país depois de Vargas.
O que está em jogo são os interesses dos trabalhadores, da economia e da soberania nacionais, de defesa  ainda mais difícil após eventual derrocada do atual governo. Adiada – até quando ? – a hipótese do impeachment clássico, a oposição põe em prática um novo projeto de golpe, contra o qual nem a base parlamentar do governo – heterogênea e frágil –,  nem muito menos sua articulação política parecem preparadas para enfrentar.
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Eduardo Cunha recebe o pedido de impeachment de Dilma ao lado de parlamentares do PSDB e outros partidos da oposição (foto: Lula Marques)
Trata-se da tática de impedir o governo de governar, e contra essa artimanha nem mesmo as últimas negociações ministeriais – penosas, rasteiras, pedestres e nada republicanas – se mostraram eficientes.  E enquanto o governo não governa e se desgasta perante a opinião pública, a direita governa, desfazendo, no Congresso ordinário, as grandes conquistas da Constituição de 1988.
A direita, sob a batuta de Eduardo Cunha, faz sua parte, e dessa desconstituição conservadora fazem parte o  fim do desarmamento, o fim da demarcação das terras indígenas (fim dos índios?), o fim dos direitos sexuais das mulheres, e a quase legalização do estupro,  o fim da pós-graduação pública gratuita.
A destruição do governo Dilma levará de roldão a política de prioridade nas compras estatais aos produtos e bens nacionais, levando consigo, de saída, a indústria naval brasileira. Levará de roldão os projetos sociais, como o Minha casa, Minha vida; o Luz para Todos; como o Bolsa Família. Mudará a política de reajuste do salário-mínimo e, fundamentalmente, a política de transferência de renda.
Será a renúncia ao pré-sal (já caminha o projeto José Serra), será o fim de uma política externa autônoma, com a aliança subserviente e submissa aos interesses dos EUA, será o fim do Mercosul e a retomada da Alca, nossa recolonização, será um torpedo contra os BRICS e uma ameaça às experiências de governos independentes na América do Sul. (
Por isso, certa está  a Frente Brasil Popular por entender que os erros da atual política econômica – agravados pela crise ética que assolou os governos do PT –  não podem servir de argumento para a omissão na defesa do mandato da presidente Dilma, ou, dito por outras palavras, nem a defesa do mandato inviabiliza a crítica à política econômica, nem a crítica à politica econômica inviabiliza a defesa do mandato.
Ao contrário, a  defesa do mandato deve ser feita de par com o combate à política recessiva e esse combate deve ter em vista a reaglutinação das forças progressistas de esquerda, com objetivo claro, deter a reação. Para isso é preciso construir uma nova correlação de forças.

Entre a doutrina Obama e a doutrina Bush, POR HELIO GUROVITZ

O ex-presidente dos EUA George W. Bush e o atual presidente, Barack Obama, durante cerimônia nesta segunda-feira (2) em Dar es Salaam, na Tanzânia












Duas estratégias para combater o Estado Islâmico (EI) têm sido defendidas após os ataques de Paris. Chamemo-las, na falta de nomes melhores, de “doutrina Obama” e “doutrina Bush”. São visões opostas sobre a melhor forma de ação, ambas têm raízes profundas na política externa americana – e ambas já mostraram que podem dar errado.

Comecemos pela “doutrina Bush”. O Bush aí se refere a George W., o irmão de Jeb que interveio militarmente no Afeganistão e no Iraque depois dos ataques de 11 de Setembro. Os objetivos eram destruir os campos de treinamento da Al Qaeda e depôr o ditador Saddam Hussein, falsamente acusado de manter armas de destruição em massa. É, portanto, uma doutrina intervencionista, que vê a necessidade de pôr “botas no chão” para conter a expansão do EI.

O intervencionismo vai e vem na política externa americana. Depois que Roosevelt, um isolacionista, resistiu a entrar na Segunda Guerra e evitou, mesmo tendo todas as informações a respeito, atacar os campos de extermínio nazistas, passou a ser a política preferencial no combate ao comunismo. Daí vieram as guerras da Coreia e do Vietnã. O atoleiro vietnamita fez crescer a oposição aos intervencionistas, mas o sucesso aparente de de George H. Bush, o pai, na primeira Guerra do Golfo, em 1991, fez crescer a opinião favorável a eles.

Foi essa a experiência que levou Bush, o filho, a enviar tropas e mais tropas ao Afeganistão e ao Iraque. O resultado da “doutrina Bush” foi o desmantelamento das estruturas de poder local, a emergência de vários grupos jihadistas – entre os quais, o EI é mais bem-sucedido – e o crescimento da influência da Rússia e do Irã na região. Com todos os soldados americanos mortos e traumatizados no Iraque e no Afeganistão, ela foi criticada mesmo entre os republicanos nas eleições de 2008

Há agora, contudo, um crescente “revival” dessas ideias na atual disputa eleitoral pela sucessão de Obama. Entre seus defensores mais convictos estão senadores como o ex-candidato John McCain e o pré-candidato Lindsay Graham, que já propôs o envio de 10 mil soldados americanos de volta ao Iraque. O irmão de George W., o também pré-candidato Jeb Bush, chamou de volta o grupo de assessores conhecidos como “neocons” para auxiliá-lo a montar suas propostas de política externa, segundo uma reportagem recente da revista New Yorker

O pré-candidato Marco Rubio, atual favorito a levar a candidatura republicana segundo as casas de apostas, propôs romper o acordo com o Irã, ampliar em US$ 1 bilhão os gastos militares para intervir na Síria e em outros palcos onde os Estados Unidos perderam influência, como argumenta em artigo na Foreign Affairs. Ele foi o primeiro a gravar um vídeo chamando os atentados de Paris de alerta para o “choque de civilizações” –  expressão cunhada pelo acadêmico Samuel Huntington em 1996 que se tornou mantra dos “neocons”.

Críticos da “doutrina Bush” afirmam que o resultado da intervenção militar promovida pelos Estados Unidos no Oriente Médio depois de 2001 foi mais um dos desastres que se sucedem na região há décadas. Eles apontam como erros crassos a divisão de fronteiras depois da Primeira Guerra, a adulação das ditaduras nos países árabes, o apoio cego à brutalidade de Israel na Palestina e o intervencionismo militar de ocasião, em nome de interesses de curto prazo.

“Décadas de políticas equivocadas dos EUA e da Europa para a região deixaram muitos no mundo árabe e islâmico com raiva e ressentimento perante o Ocidente”, escreve na Foreign Policy Stephen Walt, da Universidade Harvard. “A tentação óbvia depois de um ataque (…) é reunir uma ‘coalizão da boa vontade’ e enviar uma nova força expedicionária ao Iraque e à Síria para tentar matar tantos jihadistas quanto for possível, na esperança de destruir o Estado Islâmico de uma vez por todas.” De acordo com Walt, fazer isso seria mais um erro. “Não resolveria o problema e poderia facilmente torná-lo pior”, diz. Mais pessoas passariam a ver o Ocidente como invasor e os jihadistas como heróis. Seria complicadíssimo governar as áreas – como foi nos anos Bush – e, ainda que o EI seja destruído, sua mensagem estaria viva para alimentar novos terroristas.

O que propõem, então, os defensores da “doutrina Obama”? Eis o que afirmou sobre o EI, em entrevista à rede de TV ABC, o próprio Obama na véspera dos atentados (em vez de EI, ele usa a sigla Isil): “Desde o início, nossa meta foi primeiro a contenção, e nos os contivemos. Eles não ganharam terreno no Iraque. E na Síria eles vão entrar, vão sair. Mas você não vê essa marcha sistemática do Isil pelo terreno. O que não conseguimos fazer ainda foi decapitar suas estruturas de comando e controle. Fizemos algum progresso ao tentar reduzir o fluxo de combatentes estrangeiros”.

É verdade que o EI tem perdido terreno. No mesmo dia dos ataques de Paris, forças ocidentais mataram um de seus símbolos, o terrrorista que aparecia cortando cabeças em vídeos, conhecido como Jihadi John. Os curdos tomaram do EI a cidade de Sinjar, no norte da Síria, um ponto importante na rota de contrabando de petróleo, usado pelos terroristas como fonte de recursos. De acordo com William McCants, da Brookings Insitution, o EI perdeu controle de cerca de 25% de seu território desde junho de 2014 – ou 10% desde o início deste ano. 

Os três ataques recentes do EI – ao avião russo no Sinai e aos civis em Beirute e Paris – revelam uma mudança de estratégia, com o objetivo de levar o terror a alvos externos, fazer propaganda para atrair mais recrutas e provocar a reação do Ocidente. “O Estado Islâmico quer provocar respostas que reforcem sua narrativa de um conflito religioso irreconciliável e atrair ainda mais simpatizantes para seu estandarte sangrento”, diz Walt. “Se o EI conseguir levar a França e outros países a reagir contra cidadãos muçulmanos e fizer o Ocidente reocupar vastos trechos do Oriente Médio, então sua falsa narrativa sobre a antipatia profunda e intrínseca dos países ocidentais em relação ao Islã ganhará mais credibilidade, assim como sua imagem cuidadosamente cultivada de mais aguerrido defensor do Islã da atualidade.”

Para McCants, as políticas normalmente usadas no combate a estados que patrocinam o terror não funcionarão nesse caso. “Embargos comerciais ou o congelamento de contas bancárias, que foram eficazes contra a Líbia, não são opções viáveis”, escreve na Foreign Policy. As duas opções para lidar com a questão são, segundo ele, a contenção – proposta original da “doutrina Obama”, que permitiu o crescimento do EI–, ou a intervenção – proposta da “doutrina Bush”, que permitiu seu surgimento.

“A contenção deixa o estado intacto, mas enfraquece sua capacidade de agir além de suas fronteiras. Mas o terrorismo se torna uma opção mais atraente”, diz McCants. “Destruir o estado-pária nos livra do problema – mas, como vimos na última década no Iraque, o que vem depois pode ser pior.” Uma alternativa intermediária, adotada recentemente por Obama em negociações com os europeus, é o estrangulamento. Na definição de McCants, isso significa, em conjunto com milícias locais, “apertar o laço em torno do pescoço do Estado Islâmico, tomando território na periferia e movendo em direção a suas bases”. Trata-se de um “processo longo, agonizante, mas que tem produzido resultados”.

Qualquer que seja a doutrina adotada, o prognóstico de curto prazo é ruim. Mesmo que o EI se enfraqueça na Síria e no Iraque, os ataques terroristas no exterior tendem a aumentar. E a inteligência ocidental já demonstrou ser incapaz de preveni-los. O belga Abdelhamid Abbaoud foi o personagem principal de reportagem do New York Times de janeiro passado. Deixado à solta pelas autoridades, foi o mentor dos atentados de Paris – e fugiu.