quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Campanhas reconhecem que PT reverteu expectativa negativa sobre inflação, POR GERSON CAMAROTTI

Existe pelo menos um consenso nas campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves sobre os novos números do Datafolha (*), divulgados nesta quarta-feira (22). Há o reconhecimento nos quartéis generais do PT e do PSDB de que a propaganda petista teve mais sucesso em conduzir o tema da economia na televisão ao destacar as vitrines do governo federal, mostrando otimismo em relação ao futuro do país.
No PT, a percepção de que a economia estava sangrando a candidatura de Dilma já havia sido detectada desde o primeiro turno. Por isso, nos últimos meses foram feitas vacinas na TV para tentar reverter a expectativa negativa da população em torno da condução da economia, principalmente, com relação à inflação.
De acordo com o Datafolha, 31% dos entrevistados acham que a inflação vai aumentar. Em abril, esse índice era de 64%.
A inflação era considerada a principal fragilidade nesta campanha da candidata do PT à reeleição. Por este motivo, a pesquisa Datafolha foi comemorada entre coordenadores da campanha petista, ao apontar a reversão dessa percepção nos rumos da economia.
Ao mesmo tempo, tucanos reconhecem erros na estratégia adotada no segundo turno. Ao mesmo tempo em que Dilma usa o horário eleitoral para ressaltar ações do governo, ela fez uma agenda paralela de ataques e de desconstrução da imagem de Aécio.
Nas palavras de um tucano ao Blog, a campanha do PSDB ficou esperando para reagir aos ataques do PT, quando deveria ter tomado a iniciativa de explicar mais a questão da pressão inflacionária como também de desferir críticas ao governo petista.
Na largada do segundo turno, a campanha de Aécio quis se restringir à agenda positiva de apoios recebidos de Marina Silva e da família de Eduardo Campos, deixando a agenda negativa da campanha, como denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, exclusivamente com o noticiário da imprensa.
"O PSDB tem que aprender a não ficar apenas esperando a pauta do PT e os ataques. Foi assim com [José] Serra e foi assim com [Geraldo] Alckmin. Temos que pautar a campanha em todos os momentos", disse ao Blog um dos integrantes da coordenação de campanha tucana.

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