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O furacão Marina, por Ricardo Noblat


Ventania não é. Ciclone? Tampouco.
Está mais para furacão a recém-lançada candidatura de Marina Silva a presidente da República no lugar da candidatura de Eduardo Campos, do PSB. O que precisa ser confirmado é se estamos diante um furacão de nível 1, 2, 3, 4 ou 5.
Por ora, ele parece ter força suficiente para fazer de Aécio Neves, candidato do PSDB, sua primeira grande vítima. E assustar Dilma.
Há duas semanas que Marina ocupa sozinha a boca do palco da sucessão. Os holofotes convergem para ela. Aécio e Dilma viraram meros coadjuvantes.
Na primeira semana, Marina se impôs como candidata natural do PSB e dos partidos nanicos que Eduardo conseguira atrair para seu lado. Na segunda, dedicou-se a sossegar os espíritos mais inquietos com o risco de uma eventual vitória sua sobre Dilma.
Amiga de Marina e porta-voz dela junto ao mercado financeiro, a herdeira do Banco Itaú, Neca Setúbal, garantiu que a candidata, se eleita, respeitará os fundamentos da política econômica herdada por Lula de Fernando Henrique.
Marina preferiu falar ao mundo político. Disse que governará só por quatro anos. E prometeu fazê-lo com as melhores cabeças do país. Citou José Serra, candidato ao PSDB ao Senado, como uma delas. Acenou com um governo de união nacional.
A força do furacão chamado Marina há uma semana pelo Instituto Datafolha. Na pesquisa de intenção de voto, ela empatou com Aécio. Na simulação de segundo turno, derrotou Dilma.
Para os que imaginam que a ascensão relâmpago de Marina se alimenta principalmente da comoção derivada da morte de Eduardo, pesquisas a serem divulgadas nos próximos dias provarão que não é bem assim.
Tudo indica que Marina abriu uma vantagem confortável sobre Aécio e tomou votos de Dilma. Amanhã, dia de mais uma pesquisa Ibope encomendada pela TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo, ela participará do primeiro debate entre os candidatos a presidente promovido pela TV Bandeirantes.
Na quarta-feira, será entrevistada durante 15 minutos pelo Jornal Nacional. No dia seguinte, anunciará seu programa de governo.
Nova pesquisa do Datafolha virá à luz na sexta-feira. A superexposição de Marina refletirá nos seus resultados. 
Havia dúvida sobre quem logo acusaria os estragos provocados pelo furacão – Aécio ou Dilma? Aécio piscou primeiro. Anteontem, apresentou-se como a opção mais segura de mudança. E bateu de leve em Marina. Os bons modos, em breve, serão arquivados.
Líderes do PT dizem que Dilma prefere enfrentar Aécio no segundo turno que é para a gente pensar que ela prefere enfrentar Marina, mas na verdade Dilma torce para encarar Aécio.
Primeiro porque o PSDB é freguês do PT há três eleições presidenciais. Segundo porque eleitor do PSDB votará em Marina para derrotar Dilma. O eleitor de Marina não votaria necessariamente em Aécio. Elementar, meus caros leitores.
Aécio é o velho travestido de novo. Marina, o novo se comparado com tudo isso que está aí. O futuro preocupa Marina. O passado assombra Dilma.
Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras preso desde junho, admite abrir as comportas para que escorra o mar de lama capaz de afogar a empresa. O desarranjo da economia tende a se agravar. Dilma não gostaria de voltar a ser Lula dependente para se eleger. Mas fazer o quê?
Salvo se o acaso fizer uma surpresa, esta eleição ganhou com Marina um toque de imprevisibilidade que antes não tinha com Eduardo. Para quem aprecia fortes sabores, poderá vir a ser um prato e tanto.

Marina Silva – Foto: Divulgação

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