terça-feira, 12 de julho de 2011

DICA DE LIVRO: QUANDO COISAS RUINS ACONTECEM ÀS PESSOAS BOAS, de Harold Kushner

Quando a morte de um ente querido bate à nossa porta, a primeira pergunta que surge é: Por que isso aconteceu comigo? Em seguida, chega alguém e lhe diz: " Isso aconteceu porque Deus quis". Na verdade, atribuímos a Deus todas as coisas boas e ruins, inclusive os acontecimentos mais inesperados: doenças, mortes, terremotos. 
Partindo desse contexto, começo a tratar sobre o livro que indiquei: "Quando as coisas ruins acontecem às pessoas boas", do rabino Harold Kushne (editora Nobel). O autor passou por uma experiência dolorosa com o filho, que foi vítima de uma doença caracterizada pelo envelhecimento precoce, tendo falecido ainda na adolescência. Da dor, com toda sua magnitude, surgiram as "perguntas" que inicialmente abalaram sua crença: Como pode coisas ruins acontecerem às pessoas boas?  Por que minhas orações não foram atendidas?Onde estava Deus que ficou calado?
Avançando nessa trilha, o livro nos conduz a uma reflexão sobre o que de fato Deus pode operar em favor dos homens. Harold Kushner chega a essa conclusão: " As leis da natureza não abre exceções para os bons. E Deus não interfere nas leis da natureza a fim de proteger o justo do mal". E acrescenta: "A natureza é cega moralmente,sem valores." E por que Deus não intervém nesse processo? O autor arremata: "Para sermos livres , para sermos humanos Deus é obrigado a nos dar liberdade para o bem e para o mal. Deus se impôs um limite além do qual Ele não intervém, para preservar a nossa liberdade , inclusive a liberdade de nos machucarmos ou àqueles com os quais convivemos."
E então, por que coisas ruins acontecem a pessoas boas? Uma das razões, segundo o autor, é que nossa condição de seres humanos nos deixa livres para ferirmos uns aos outros, e Deus não pode deter-nos sem retirar-nos a liberdade que nos torna humanos. Daí se questiona a razão do holocausto nazista. Onde estava Deus?  O autor  propõe que Deus estava com as vítimas e não com os algozes, mas que Ele não controla a escolha do homem entre o bem e o mal. 
Outro aspecto que o livro repudia é o fato de o homem achar que se foi acometido por uma doença isso se deu em virtude de sua falta, ou de seu pecado. Nesse contexto, o autor afirma que "Se almejamos ser capazes de reunir os pedaços de nossa vida e continuar vivos, temos de deixar de lado o sentimento irracional de que somos culpados das desgraças, de que elas decorrem de erros ou mau comportamento de nossa parte. Realmente não temos todo esse poder. Nem tudo que acontece no mundo é obra nossa."E por termos a crença de que tudo acontece por vontade de Deus, por vezes ficamos com raiva Dele quando o Pai Celestial não impede que o mal bata em nossa porta. 
E aí surgem as questões mais intrigantes: Se  Deus não intervém nas doenças, nos terremotos e nas guerras, então por que nos cabe ORAR? Então por que acreditar em Deus? A essas indagações o autor nos faz refletir que Deus é que nos dá a força , a coragem e a paciência para enfrentarmos os golpes da vida (esse é o verdadeiro milagre). Arremata, ainda, que  "o principal objetivo da oração não é pedir a Deus para mudar as coisas." Então, por que  devemos orar ? " Porque a oração nos alimenta, nos faz superar as adversidades, nos faz dar sentido à dor. E por que então acreditar em Deus?  Porque Deus inspira as pessoas a ajudarem outras que foram feridas pela vida e, ao ajudá-las elas as protegem do perigo de sentirem sós, abandonadas e julgadas."
Embora o livro seja polêmico, vale a pena conferir com os olhos de que a verdade ainda deve ser buscada, embora o autor tenha a liberdade de propor a sua verdade.

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