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Cartas de Berlim: As lições das praias alemãs, por Albert Steinberger


Para fugir do calor que tem atingido Berlim neste verão europeu nada melhor do que aproveitar os lagos que cercam a cidade. São mais de trezentos deles e tem para todos os gostos. Desde lagos reservados para naturistas até aqueles lotados por crianças em período de férias escolares.

A coisa é tão badalada que no outro dia fomos dar um mergulho num deles, o Plötzensee, depois de uma sessão de cinema ao ar livre em um parque. Era por volta de meia noite e meia de um domingo e o lago estava cheio de pessoas, assando uma carne e aproveitando o verão.
Eu já baixei uma lista dos lagos que ainda quero visitar nesta temporada. Cada um com uma praia bem diferente da outra.
Não pude deixar de me lembrar dos meus tempos de infância em que praia era um sinônimo de felicidade. E nas praias do Rio bom mesmo era comer biscoito Globo e chupar um picolé Chicabom. Quem trazia comida de casa era taxado sumariamente de farofeiro. Tinha uma certa pressão social de comportamento. Não se encaixar podia significar ser zoado infinitamente pelos amigos.
A moda da época, se não me engano, era o bermudão. No verão seguinte foi o sungão, depois a bermuda voltou. Eu nunca entendi muito bem aquela alternância da moda praia.
Aqui em Berlim, encontra-se de tudo. Desde shorts, calções de futebol, bermudões e sungas. Gente esquisita, pimentões, malucos e banguelas. Ninguém fica com aquele olhar de repúdio para quem está fora da moda. E sobram maios e biquinis das mais variadas formas e corpos dos mais variados formatos e tamanhos. Ninguém está nem aí.
Tinha até um casal no outro dia num outro lago, o Orankensee, ele de cueca e ela de calcinha. Problema? Por aqui, nenhum. Cada um curte a praia do seu jeito. E eu tenho que confessar que independentemente de sunga ou bermuda, sempre levo a minha marmitinha. Se um dos meus amigos de praia dos tempos do Rio me encontrassem por aqui, iam logo pensar: "lá vai o farofeiro". Tá aí uma lição que aprendi por aqui, não ligar para o que os outros vão dizer.

Lago Plötzensee, Berlim 

Albert Steinberger é repórter freelancer, ciclista e curioso. Formado em Jornalismo pela UnB, fez um mestrado em Jornalismo de Televisão na Golsmiths College, University of London. Atualmente, mora em Berlim de onde trabalha como repórter multimídia para jornais, sites e TVs. Escreve qui todas as terças-feiras.

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