Dormi e acordei debaixo de chuva. Realmente São Pedro não está dando trégua. Não adianta culpar o santo pelas dezenas de desabrigados em Sobral e em outras cidades cearenses. O que se deve fazer, na verdade, é rediscutir a ocupação humana nas cidades. O Poder Público não pode agir com medidas paliativas. Todo ano se repete: cheia e Defesa Civil. Todavia, ações concretas não são tomadas. A população ribeirinha fica entregue à própria sorte, à mercê das campanhas voluntárias. Moradia digna e organização na ocupação urbana não podem passar despercebidas por aqueles a quem compete executar as políticas públicas. Menos discurso e mais ação.
Na cultura ocidental temos, há muitos anos, a formiga como exemplo do trabalhador incansável. O fabulista francês La Fontaine expressou muito bem essa característica na história da Cigarra e da Formiga , que encantou gerações. Esses insetos sempre foram citados como exemplo de organização e de trabalho estoico. Agora, um estudo da Universidade Tucson, no Arizona (Estados Unidos), destrói o mito e nos sem um modelo metafórico do trabalhador ideal. Os pesquisadores americanos construíram um formigueiro e instalaram câmeras para filmar as atividades delas durante 24 horas e analisar seus comportamentos. Das 225 formigas observadas, 34 eram babás, 26 faziam trabalhos externos, 62 eram generalistas e 103 não faziam absolutamente nada – só andavam de um lado para o outro. Ou seja, 46% das formigas não trabalhavam! Os cientistas não conseguiram uma justificativa para o ócio. Uma hipótese, para tentar salvar a imagem do admirado inseto, era que essa parte da população fosse um exército de...
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