Pular para o conteúdo principal

MASSAPÊ: UMA CIDADE SEM RUMO? - PARTE II

Em postagens anteriores neste blog falei que ia tecer alguns comentários sobre os rumos políticos de Massapê, o que ora faço. Observa-se com facilidade que o município vive os resquícios da bipolaridade política. Tem-se dois lados: Partido A e Partido B : Simpatizantes do Partido A e do Partido B. Passam-se os anos e essa modelagem se repete. Vê-se com nitidez que o modelo é típico de cidades interioranas, onde a ausência da consciência política implica uma visão míope do processo eletivo e culmina com o prejuízo à alternância do poder.

Tal modelo conspurca com tudo o que se aprendeu sobre democracia. Perpetua-se no poder e passa a ser dele o dono absoluto, a ponto de defenestrar para bem longe aqueles que a ele se opõem. Cria-se uma cidade marcada pelo apartheid entre os favoráveis e os contrários. Se na eleição seguinte, vence o outro partido, tudo se repete. Como consequência tem-se um governo com projetos incipientes, circunstanciais e sem consistência. O modelo administrativo segue a órbita dos amigos e para os amigos. Daí vem o empreguismo e coleguismo. Não se trata de desenhar um projeto autêntico que vislumbre a vocação empreendedora do povo e a mobilização de forças para transformação social, ao contrário se perpetua um paradigma de paternalismo e assistencialismo baratos, restando enorme prejuízo ao desenvolvimento sustentável do município.

Por outro lado, as forças que a ele se opõem marcham pelo oportunismo da vacuidade e do desgaste do poder, sem também preocupar-se com um debate responsável e produtivo. Repetem os mesmos erros, são omissos e não se permitem compreender um projeto administrativo desvinculado da ação política eleitoreira. Cada eleição é uma preparação para a nova eleição. Esse círculo vicioso atropela a solução de continuidade da administração pública e relega a população a práticas equivocadas, malferindo o conteúdo das políticas públicas que deveriam ser eficientes.

O mais trágico dessa bilateralidade consentida – fruto da ignorância política - é a ausência de formação de novas lideranças. O exercício do poder é limitado a um grupo restrito. A força do poder econômico se instala de forma contundente e arrebata qualquer boa-intenção dos mortais comuns de participarem do processo eleitoral. Lá se vão as boas ideias, sepultam-se os líderes em potencial e preferem-se a mesmice, sob a moeda de troca de um emprego, de uma saco de cimento, de uma promessa futura.

Enquanto isso nossas crianças marcham a meio dessa conjunção de forças opostas, sem perspectivas de dias melhores, sem enxergar na cidade que lhes viu nascer um futuro diferente. Estudarão bastante e daqui irão embora um dia - essa talvez seja a meta de muitos. Aos idosos, entretanto, caberão a esperança de que um dia isso posso mudar. Talvez um dia em que a política deixe de ser profissão e passe a ser uma missão de vida. Talvez um dia em que a população de Massapê acorde e abra os olhos para a realidade e se permita compreender que durante décadas não foi senão “massa de manobra” para muitos interesses escusos.

P.S. Em breve continuaremos nossos comentários

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Felicidade é sentir-se pleno

Não permita que a irritação e o mau humor do outro contaminem sua vida. Não permita que a mágoa alimentada e as reações de orgulho do outro definam a sua forma de reação.  Se alimente de um amor pleno a tal ponto que não seja contaminado por aquilo que lhe é externo. Não gere expectativas que a sua felicidade dependerá de alguém ou de alguma coisa, ou de alguma conquista. Não  transfira ao outro ou a uma circunstância aquilo que é sua tarefa. A felicidade é  um estado interior que se alcança quando se descobre a plenitude com aquilo que nos relaciona com o "todo", com o universo, com Deus. A felicidade está na descoberta da sua missão, do fazer humano em benefício do próximo, da tarefa inarredável de tornarmos este mundo melhor com a nossa presença. Ser feliz é uma atitude, uma ação, um movimento para o bem. É encher-se de  amor pela aventura da vida, é construir esperança no meio do caos, é sempre ter um sorriso aberto para o que destino nos apresenta. Felicidade é ...

O ócio das formigas, por Luiz Carlos Cabrera

Na cultura ocidental temos, há muitos anos, a formiga como exemplo do trabalhador incansável. O fabulista francês La Fontaine expressou muito bem essa característica na história da  Cigarra e da Formiga , que encantou gerações. Esses insetos sempre foram citados como exemplo de organização e de trabalho estoico. Agora, um estudo da Universidade Tucson, no Arizona (Estados Unidos), destrói o mito e nos sem um modelo metafórico do trabalhador ideal. Os pesquisadores americanos construíram um formigueiro e instalaram câmeras para filmar as atividades delas durante 24 horas e analisar seus comportamentos. Das 225 formigas observadas, 34 eram babás, 26 faziam trabalhos externos, 62 eram generalistas e 103 não faziam absolutamente nada – só andavam de um lado para o outro. Ou seja, 46% das formigas não trabalhavam! Os cientistas não conseguiram uma justificativa para o ócio. Uma hipótese, para tentar salvar a imagem do admirado inseto, era que essa parte da população fosse um exército de...

UVA IRÁ ADOTAR O NOVO ENEM NO SEU VESTIBULAR

“A Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) vai agregar o Exame Nacional Ensino Médio (Enem) para a admissão dos alunos em seus diversos cursos. A informação foi dada ontem pelo reitor da instituição, Antônio Colaço Martins, que esteve no O POVO e foi recebido pelo diretor institucional do Grupo de Comunicação O POVO, Plínio Bortolotti. Colaço disse que a adesão foi uma das deliberações do 46º Fórum Nacional da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), realizado de segunda-feira até ontem em Ilhéus (BA). Ele falou ainda da decisão do Tribunal Regional Federal – 5a. Região, com sede no Recife, que julgou o mérito dos processos que questionavam a oferta de cursos de formação de professores mantido pela UVA fora do Ceará. A decisão judicial foi favorável à Universidade, que pode continuar a exercer as atividades, com cobrança de taxas e mensalidades – o que era questionado. Atualmente, a UVA mantém o programa nos estados de Pernambuco, Paraíba,...