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Economia vive combinação mais perversa, por THAIS HERÉDIA

O preço da cebola está 148,13% mais alto desde o começo do ano. A culpa é da safra do período, que perdeu qualidade com as chuvas. A cesta básica na cidade de São Paulo é a mais cara do Brasil, valendo R$ 392,77 – sobram R$ 395,23 no bolso de quem ganha um salario mínimo, que está em R$ 788. Mesmo sendo surreal, a alta da cebola e a disparada da cesta básica são apenas parte da dinâmica perversa que se impõe sobre a economia brasileira em 2015.
Além de lidar com carrinho de supermercado, o consumidor corta produtos e serviços, faz e refaz as contas, tenta eleger as prioridades da família e, se consegue chegar ao fim do mês no “azul”, começa o mês seguinte com medo de perder o emprego. Para quem o orçamento não fecha, o atraso no pagamento de contas já alcançou os essenciais como telefone, luz e compras no varejo. Convenhamos que pagar uma conta de energia até 70% mais cara e manter todo o resto em ordem não é para qualquer um.
O ciclo de ajuste de preços na economia está no meio do percurso. Enquanto os juros forem subindo, todo resto vai se ajustando ao novo “valor” do dinheiro. A mesma coisa acontece com as tarifas administradas, que seguem em alta, superando as estimativas de ajuste feitas no começo do ano. Se não conseguem repassar o aumento de custos para os preços porque não há demanda, a indústria, o comércio e os serviços têm que cortar “do portão para dentro” – as demissões e aumento do desemprego são reflexo desse movimento.
Enquanto isso o governo vai tirando o “corpo fora” dessa briga, porque não tem como enfrentar a situação. Ele tem mesmo que sair, para não comprometer ainda mais a capacidade de gerência das contas públicas. Aliás, foi porque quis financiar a atividade econômica a qualquer custo e gerando ineficiência que a administração de Dilma Rousseff colocou o Brasil onde estamos agora. Sem caixa e sem credibilidade, o governo do PT em seu quarto mandato encara outras prioridades – que não incluem aliviar a correção da economia.
O ambiente é dramático sim, não cabe criticar um exagero. E o pior drama atinge quem é mais fraco para lidar com ele: os mais pobres – vide o custo da cesta básica. Não é à toa que a inflação é conhecida como imposto mais perverso que existe. Não é à toa que a confiança dos consumidores está cada vez menor e a insegurança com o futuro cada vez maior. O Brasil não vai “quebrar”, não se trata disso. Será um tempo de perda de conquistas sociais e de paralisação da economia; de desalento e reflexão sobre as escolhas das prioridades do país. 

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