terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Para a economia, Levy é antibiótico – o resto é só para enjoo, POR THAIS HERÉDIA

O “placar” de sete a zero previsto para economia em 2015 pode não ser tão humilhante quanto o 7X1 do futebol, mas vai custar caro para o Brasil. Pela primeira vez desde 2004 a maioria dos analistas ouvidos pelo Banco Central espera uma inflação acima de 7% ao ano – 7,01% segundo relatório Focus desta semana. Para o PIB, a estimativa está agora em 0,03%, num otimismo estatístico para um resultado positivo.
Há dois anos, os mesmo analistas previam um IPCA 5,7% e um PIB 2,2% para 2015. O que fez os números mudarem tanto? A reversão das expectativas foi causada pela piora na condução da política econômica entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014. Se pegarmos apenas o aspecto fiscal, ou seja, dos gastos públicos, as escolhas do governo provocaram o pior resultado das contas dos últimos 20 anos, pelo menos.
E não foi só dos cofres púbicos que vieram as más notícias. A condução da política de preços da energia, dos transportes, do combustível e do dólar artificializou a inflação e aumentou o risco de estouro dos preços – taí a previsão de IPCA acima de 7% este ano. Outro exemplo: o estímulo ao consumo de energia mesmo com a escassez no fornecimento nos colocou frente a frente com o risco de racionamento, um trauma que os brasileiros imaginavam superado há 14 anos. E tem ainda a falta d'água...
O Banco Itaú, por exemplo, prevê queda de 0,5% para o PIB de 2015 e ainda nem contabiliza possíveis racionamentos de água e energia, que, sozinhos, levariam o PIB a cair 0,6%. O desempenho dos setores capitaneados pela Petrobras é responsável por boa parte da revisão mais pessimista do banco. Sim, já estava quase esquecendo dos efeitos da operação Lava Jato.
Na agenda da semana teremos o resultado do IPCA de janeiro, que deve ficar em cerca de 1,2%,  e a produção industrial de dezembro medida pelo IBGE – o  consenso de mercado aponta queda de 2,5% no último mês do ano. A outra novidade deve vir da política, com a vitória do deputado do PMDB, Eduardo Cunha, para a presidência da Câmara dos Deputados. Cunha quer votar “ontem” o chamado Orçamento Impositivo, que obriga o governo a pagar as emendas parlamentares – mais uma conta a ser paga pelo Tesouro Nacional.
Diante de tantos riscos e provações, os críticos da presidente Dilma Rousseff vêm se perguntando: será que ela vai aguentar manter o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fazendo todas as “maldades necessárias” para não espantar de vez os investidores? A presidente pode até fazer cara feia para “engolir” o Levy, mas ela sabe bem que ele é o “antibiótico” de seu governo. Todo o resto serve para aguentar o enjoo – o que, pelo perfil “duro na queda” da presidente, ela pode passar sem. 

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