Pular para o conteúdo principal

A MORTE BANALIZADA, por Menalton Braff

Sentir é claro que sentimos. Quarenta jovens estudantes ceifados assim sem nada que justifique ou que pelo menos explique por que tiveram suas vidas interrompidas não é motivo para graça nenhuma. Mas sentir não é suficiente. É necessário entender.
Por que o serial killer tornou-se uma figura tão frequente nos noticiários norte-americanos?
Os especialistas vão dar suas explicações de especialistas. Enquanto eles não chegam, vamos nós tentando entender, à nossa maneira, o que está na base do fenômeno.
Apesar de ter sido um fato ocorrido no México, e não se tratar de execução em massa dentro de alguma escola do interior do Texas, ou de Montana, o caso nos obriga a pensar um pouco, pelo menos, no que tem sido o modo de encarar a morte neste nosso século sanguinolento. Nenhum povo, no mundo, está tão acostumado com a morte como o povo dos Estados Unidos. Podemos começar a entender o fato pelo cinema a que eles assistem. No meu tempo de criança, eram os faroestes, em que o mocinho era exaltado por ter matado muitos bandidos, que eram execrados por terem matado alguém. Era morte, e nos botavam a torcer barulhentamente quando o Trigger do Roy Rogers riscava a tela com seu corpo baio e elegante. Depois vieram os enlatados policiais. O cavalo foi substituído pelo automóvel, só isso. Os tiroteios continuaram os mesmos.
As armas de brinquedo são Best Sellers, ao norte do Rio Grande. Incentiva-se, dessa maneira, o hábito de matar. Em crianças é que eles se iniciam nos treinamentos. Mas é claro, país que precisa de soldados aptos a matar, tem de formá-los desde cedo.
Mata-se no Iraque, mata-se no Afeganistão, a morte é uma vizinha conhecida. Sua carantonha está sempre do outro lado da janela. É só abrir e cumprimentá-la.
Um povo que se diverte vendo ou lendo histórias de assassinatos pode até chorar sobre os corpos dos seus estudantes tão frequentemente executados. O que não pode, por absoluta falta de coerência, é estranhar tais acontecimentos.
Alguém pode questionar (sempre tem alguém que questiona, felizmente), mas e os suicidas árabes, homens e mulheres bombas, aquilo não é pior? Pior ou melhor, aqui não é o local para essa discussão, o fato é que não se trata da morte banalizada, sem razão. Essa é uma questão religiosa. Discutível, claro, mas assunto que caberia analisar em outra oportunidade.
Adianta desejar um ano de 2015 com paz e harmonia entre povos e nações? Já começo a me bandear para o clube dos descrentes. Desejar sempre se deseja, mas isso não passa dos últimos dias de um ano que termina e dos primeiros dias do ano que se inicia. Depois, a gente esquece tudo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DESEMBARGADOR PAULO ALBUQUERQUE É DESTAQUE NO JUDICIÁRIO CEARENSE

O Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, Des. Francisco Glaydson Pontes, nomeou o massapeense, Desembargador Paulo Albuquerque, como membro efetivo da Comissão de Regimento, Legislação e Jurisprudência da Egrégia Corte de Justiça do nosso Estado. Apesar do pouco tempo no exercício da magistratura do 2º Grau, o massapeense Paulo Albuquerque vem sendo reconhecido pelos seus pares como um magistrado dotado de probidade, talento e capacidade de gestão. A produtividade de seu gabinete é destaque na justiça cearense. PARABÉNS !!!

HOMENAGEM ÀS MÃES: UM DOS MAIS BELOS TEXTOS QUE JÁ LI

Resolvi homenagear às mães com esse texto que considero uma das mais belas páginas já escritas pela inteligência humana. Neste azo, quero cumprimentar a minha adorável mãe Terezinha Albuquerque e à minha esposa e companheira de todas as horas Marlúcia, mãe do meu bem mais precioso.
Retrato de Mãe
Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus; e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude; quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças; pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões; viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que so…

CANALHICE DO SISTEMA POLÍTICO: OTÁRIO É O POVO BRASILEIRO!