sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Transição e quem manda no Governo Camilo

Da Coluna Política, de Érico firmo, no O POVO desta sexta-feira, uma avaliação sobre a equipe de transição anunciada pelo governador eleito Camilo Santana (PT):
A equipe de transição de Camilo Santana (PT) é composta pela sua vice-governadora, Izolda Cela (Pros), cujo papel ele deixa cada vez mais claro que estará longe de ser decorativo. A ex-secretária da Educação pode ser considerada da “cota” do deputado estadual Ivo Gomes (Pros), que defendeu publicamente até que fosse ela a candidata a governadora. Está lá também outro membro da chapa majoritária, Mauro Filho (Pros), candidato derrotado ao Senado, que terá papel central no próximo governo – isso se não for a cota dos Ferreira Gomes no futuro ministério. Mauro é ligado a Ciro Gomes (Pros). Está lá também Danilo Serpa. chefe de gabinete do governador, presidente do Pros, coordenador da última campanha. É o mais próximo de Cid Gomes (Pros) na equipe, embora também ligado a Ciro.
Está lá Eudoro Santana, presidente do Instituto de Planejamento de Fortaleza, ex-deputado estadual, ex-presidente do Dnocs. E pai do governador eleito. É a cota pessoal de Camilo. Pessoal demais. Por mais história e legitimidade que tenha Eudoro – e claro que tem, muita – não deixo de achar esse tipo de espaço dado a a parentes inadequado, deseducativo. Camilo já deixou claro que terá no pai a inspiração, o modelo e o conselheiro. Justo. Daí a atribuir papéis formais acho que é além da conta. Mas, nenhuma novidade. Há ainda Carlos Eduardo Sobreira, quadro técnico, com história na gestão estadual.
O que não há é petista. Aliás, há o governador eleito, claro. Pode-se argumentar, com justa razão, que é a posição mais importante. Mas faltam outros membros do partido. Izolda é mulher do prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda (PT). Eudoro era petista até 2012, quando se desfiliou para apoiar a eleição de Roberto Cláudio (Pros). Contra o PT.
O PT já tinha pé meio atrás em relação a Camilo. Vale lembrar, a sigla nem queria ter candidato a governador. Lançou até um inusitado manifesto em defesa da “candidatura de outro partido”. A meta era ter José Guimarães senador. O plano de Cid mudou isso.
A equipe de transição não é necessariamente o sinal de como será o governo, mas dá elementos importantes. Esse sinal deixou petistas de cabelo em pé. Faltou habilidade a Camilo para lidar com as desconfianças em seu próprio quintal.
E há claros sinais para o governo. Na campanha, o Pros ficou a frente das articulações, e não o PT. Até as doações tinham a sigla como ponte. No governo, a montagem da primeira equipe de Camilo começa assim também.

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