quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eleições 2014 – No Ceará, prevaleceu o “bacanal político”

Com o título “O poço tem fundo”, eis artigo do jornalista Fábio Campos, que pode ser lido no O POVO desta quinta-feira. Ele analisa o cenário pós-definição das chapas que disputarão o poder no Estado e suas contradições. Define tudo como “bacanal politico”. Confira:
As três principais candidaturas ao Governo do Ceará vão se apresentar ao distinto público com alguns vícios de origem. Um deles já foi largamente exposto pelo jornalismo político do O POVO. No caso, a incoerência nas relações. O inimigo de ontem vira o aliado de hoje. Já o aliado de ontem vira o inimigo de hoje.
É a comunhão de ódios baseando as “amizades”. É a junção de interesses como base das novas alianças e desavenças. É o que sabemos: na busca de alcançar o poder ou na busca de mantê-lo, aliados se separam e rivais se juntam. Que se lixem a coerência e os princípios. É o império do fisiologismo. Definitivamente, por mais esforço que façamos, não é possível ver algo de nobre no cenário que se estabeleceu.
É evidente que esse comportamento deletério na política é estimulado por um quadro com regras eleitorais estapafúrdias e um sistema partidário licencioso. Na busca de uma aliança para se viabilizar, o senador Eunício Oliveira (PMDB) junta-se a Tasso Jereissati (PSDB). Qual a identidade política entre os dois? Nenhuma, a não ser o pragmático interesse mútuo do momento. Somente do momento.
Por sua vez, o grupo político do governador Cid Gomes (Pros) promoveu algo inusitado. Mesmo tendo vários pré-candidatos em seu grupo, foi prospectar a solução em outro partido, que nem queria apresentar um candidato ao Governo e que já havia feito a sua própria convenção. Que situação.
Atentem que o trio de irmãos que representam o grupo familiar na política conseguiu emplacar os seus preferidos nos postos majoritários disponíveis no âmbito da aliança que comandam. Camilo Santana, mesmo do PT, é a escolha de Cid Gomes, Mauro Filho é a escolha de Ciro e Izolda Cela a escolha de Ivo.
E o PSB? Pois é. O partido foi protagonista no maior desacato à dignidade, entre tantos, visto nessa fase da campanha. Ele tinha uma candidata ao Governo. A empresária Nicolle Barbosa passou os últimos meses se preparando para a disputa. Era uma novidade que pregava os bons costumes na política.
Nicolle chegou à convenção do PSB certa de que teria a candidatura oficializada. Mas, sem saber, já havia caído em desgraça com Sérgio Novaes, o mandatário do partido. O motivo: ela havia declarado sua independência entre as duas grandes alianças que estavam se configurando.
De surpresa, foi comunicada que não seria candidata ao Governo. Não lhe deram nem 120 segundos para pensar. Não a deixaram nem sequer defender-se contra a imposição. A digna atitude foi entregar as posições que detinha na sigla. A substituta, Eliane Novaes, irmã de Sérgio, deverá ser a porta-voz dos ataques aos seus antigos algozes. No caso, os Ferreira Gomes.
Pelo visto, a nossa política se dedica a confundir o cidadão. Não é à toa que, a cada eleição, o público se sente tão estimulado a promover os votos brancos e nulos. Junto com eles, a abstenção, mesmo com a obrigatoriedade do voto, se tornou forma usual de protesto de parte cada vez mais significativa dos eleitores.
Diante de tudo, fica a esperança de que o bacanal político verificado nas articulações pré-eleitorais de 2014, de tão vergonhoso, provoque mudanças no sistema. Os pés de nossa política já encostaram ao solo do poço profundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário