segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NÃO TENHO VERGONHA DE DIZER QUE ACREDITO EM DEUS

Quando tratamos da fé, muitas vezes ficamos intimidados de dizer a alguém que acreditamos em um Ser Superior. Parece que tal afirmação tem  um sentido pejorativo, antiquado e medievalesco.
Ao longo do tempo, com o humanismo, o iluminismo e o existencialismo, o homem pretendeu ser e dar respostas a tudo. O conhecimento científico tornar-se-ia a redenção do mundo. A partir dele sairíamos das trevas para a luz. Não haveria mais perguntas sem respostas. O homem passou a ser a medida de todas as coisas.
Não havia mais  necessidade das religiões, muito menos de um Deus, com um código de condutas. Liberdade total era a palavra de ordem! A ciência curaria as doenças  e homem  teria felicidade plena, principalmente porque quebraria as amarras  que o prendiam às entidades transcendentes.
Nesse contexto, intelectualidade rimava com racionalismo, ateísmo, negativização do transcendente. Imagine alguém versado nas ciências, dotado de raciociocínio lógico, acreditar em Deus? Absurdo!diziam os letrados. Afinal, para eles, a religião era o ópio do povo.
Passaram-se os anos, séculos e as perguntas continuam sem respostas. Cada vez mais assistimos ao desmoronamento moral de nossas instituições. Homens  matam com ações primitivas, dantescas e animalescas. Perdeu-se o sentido da fraternidade. Expressar amor é romântico, porém ultrapassado. Agora é o tempo das máquinas, da frenesi, da velocidade. Não há mais hora para “bobagens”: contemplar a natureza?? Só se estiver desempregado ou louco. O que expressam as flores? Nada. São apenas junções de partículas vegetais, sem raciocínio. Não há mais espaço para futilidades. Lá fora o tempo exige de nós uma incessante busca: Dinheiro, Poder, Promoção. E as doenças??? Vixe, havíamos esquecido. As doenças continuam existindo. Matam aos montes. E agora uma tal de depressão está atingindo crianças de todas as idades. E os pais??? Cadê o tempo para cuidar dos filhos??? Pára com isso! afinal criamos a babá-eletrônica. Ela toma conta dessa tarefa.
E a felicidade? Precisa-se de felicidade? O que é felicidade? Não temos tempo para essas divagações. Isso é coisa para filósofo, para nefelibato. Somos homens modernos. Não devemos nos permitir invadir-se de emoções. Aquele lá  cometeu um suicídio? Foi mesmo. Ah! Isso foi pura fraqueza dele! Não havia motivos. Espera aí que minha esposa está ao telefone! Só pode ser bronca lá de casa! Meu filho está na delegacia??? Como??? Drogas? Ele usa, eu não sabia??? Resolve por aí que eu estou sem tempo agora, mais tarde conversamos!
Esse o retrato do mundo concebido pelos grandes intelectuais que se deixaram arrastar pelo oceano da relativização. Tudo para a ciência! Tudo para o mercado! Nada para Deus! Enquanto isso a humanidade marcha desordenada, desequilibrada e desorientada. A Civilização está em ruína. Criamos leis para se fazer respeitar. Não entendemos, entretanto, que as leis, pelo seu caráter de coercibilidade, são um atestado de incompetência do Estado diante da sua incapacidade de fazer com que homens e mulheres vivam harmônica e respeitosamente em sociedade.
Mal sabemos que uma visão racionalista extremada arranca de nós a sensibilidade para conhecer a Deus. Principalmente, sua misericórdia, seu amor. Não devemos, todavia, enxergá-lo como um justiceiro implacável, um Criador  que adora maltratar suas criaturas. Muito menos  concebê-lo como uma muleta para amparar nossas dores, nossas doenças, nossos medos. Deus é bem mais e maior porque é absoluto, infinito. Para Ele devemos viver pelo ideal de justiça: Não apropriar-se do que a alheio. Ganhar a vida com o suor do rosto. Amar ao próximo e cultivar a grandeza de ser bom.
Mais importante ainda: Enxergar no outro a extensão de nós mesmos. Se magoares o outro, estarás magoando a si mesmo; se praticares o mal a alguém, foi para ti mesmo que o praticou. Afinal, somos uma teia indivisível. Não há felicidade de um sem a felicidade de todos. Pertencemos, queiramos ou não, há uma família única: a humanidade. Essa humanidade que é a grande safra de Deus.
Por essa razão não tenho vergonha de dizer que acredito em Deus. Ao contrário, minha crença alimenta minha alma, refrigera meu espírito e me dá forças para continuar vivendo. Faz-me esperar no homem, mesmo nas adversidades. Torna-me menos pretensioso, arrogante, egocêntrico. Permiti-me apreciar o valor das pequenas coisa escondidas na natureza, nos gestos. E principalmente me traz a Paz!!!
*Texto que escrevia para o blog  e republiquei a pedido de um leitor.

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