Pular para o conteúdo principal

COLUNA DE GILBERTO DIMENSTEIN: O pior do caso da Gisele Bündchen

"Há um grupo de pessoas, do qual eu faço parte, que é muitas vezes debochado por ser "politicamente correto". Nunca entendi bem essa crítica, afinal o que se pretende é preservar os direitos de quem, no cotidiano, é vulnerável. Isso significa apenas educação para a cidadania: um olhar crítico a comentários que possam ofender negros, judeus, mulheres, deficientes, migrantes, nordestinos, homossexuais. Mas está virando moda dizer que essa visão é atrasada e estimularia a censura. Aí está o pior do caso do comercial da Gisele Bündchen.
Pode-se achar a propaganda de mau gosto, mas, em alguns casos, a repercussão acaba dando força a quem se imagina engraçadinho ao desrespeitar as outras pessoas. É um exagero, na minha visão, o governo tentar coibir esse anúncio.
Gosto muito mais da ideia de brigar no campo das palavras: estimular o debate.
A santinha Sandy fazendo pose de devassa para vender cerveja? Vamos mostrar o ridículo. Rafinha Bastos brincando com estupro? Vamos fazê-lo ver a falta de graça e que tudo tem limites. Mulheres se sentem ofendidas em se ver como objeto sexual? Compre-se outro sutiã.
O governo entrar como entrou contra o comercial soa um tanto ridículo.
O pior do caso da Gisele é passar a sensação de que o politicamente correto é ser chato e intolerante. Quando, na verdade, o que se combate é a intolerância em nome do respeito à diversidade."
Fonte: Coluna do Gilberto Dimenstein (FOLHA)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HOMENAGEM ÀS MÃES: UM DOS MAIS BELOS TEXTOS QUE JÁ LI

Resolvi homenagear às mães com esse texto que considero uma das mais belas páginas já escritas pela inteligência humana. Neste azo, quero cumprimentar a minha adorável mãe Terezinha Albuquerque e à minha esposa e companheira de todas as horas Marlúcia, mãe do meu bem mais precioso.
Retrato de Mãe
Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus; e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude; quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças; pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões; viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que so…

DICA DE LIVRO: JESUS, O MAIOR LÍDER QUE JÁ EXISTIU, de Laurie Beth Jones

Sempre tenho falado da importância do exercício da liderança, tanto na vida profissional, como pessoal. Como fruto dessa necessidade indico o livro JESUS, O MAIOR LÍDER QUE JÁ EXISTIU, de Laurie Beth Jones (Editora Sextante). A autora é consultora de marketing e conferencista de renome nos Estados Unidos. O livro trata sobre os princípios de liderança de Jesus Cristo e como podem eles ser aplicados no trabalho, gerando crescimento, harmonia e realização. Numa abordagem espirituosa, a autora compara Jesus a um empresário que montou uma equipe de 12 pessoas que estava longe de serem perfeitas, mas conseguiu treiná-las e motivá-las para cumprirem sua missão com sucesso. Nesse contexto, o livro mostra um modelo de gestão baseado em três categorias de forças: autodomínio, ação e relações. Entre as frases geniais do livro, destaco: "Esperar o tempo perfeito é uma grande desculpa e uma racionalização para se ficar parado e não fazer nada." (pág. 44); "Os líderes que compartilha…

DICA DE LIVRO: AUTO DA BARCA DO INFERNO, de Gil Vicente

Ainda da Coleção Clássicos Saraiva, indico para leitura a obra "O AUTO DA BARCA DO INFERNO", do humanista português Gil Vicente. Inicialmente destaco que Gil Vicente é um importante autor da literatura portuguesa e foi o fundadador do teatro em Portugal. Situada no limiar entre a Idade Média e o Renascimento, no período que ficou conhecido como Humanismo, entre os séculos XV-XVI, a obra vicentina é um atestado exemplar dessa transição de costumes e valores. Tendo temática de base religiosa, seu teatro consegue harmonizá-la com elementos profanos. "O auto da barca do inferno" é a obra mais famosa de Gil Vicente e um clássico do teatro de língua portuguesa. Seu tema central são as personagens que, mortas, são conduzidas à barca que as levará ao Inferno ou Paraíso. As cenas retratam o diálogo jocoso que cada um dos pecadores trava com o Anjo e com o Diabo. São muitas os personagens sociais que fazem parte do drama: Frade, Sapateiro, Fidalgo, Alcoviteira, Enfocado e ou…